sábado, 6 de dezembro de 2008

O Tribunal da Inquisição de Lisboa e o concelho de Alcoutim



A Inquisição ou Santo ofício foi introduzida em Portugal a pedido de D. João III, por bula do Papa Paulo III, de 16 de Julho de 1547, destinando-se a impedir os abusos e delitos dos hereges contra a Religião Católica, sendo visados especialmente os cristãos-novos, mouros e judeus obrigados à conversão, mas que eram considerados cristãos de segunda, sendo-lhe vedado, pelo seu sangue impuro, o acesso a muitas regalias.

Por outro lado, eram igualmente visados os crimes considerados graves contra os bons costumes e a castigar aqueles que o praticassem, como era por exemplo a bigamia e a sodomia.

Foram estabelecidos tribunais em Évora, Lisboa e Coimbra, o que mais tarde foi alargado ao “Império Português”.

É a primeira vez que vamos abordar este assunto em relação ao concelho de Alcoutim, ainda que já tivéssemos publicado um “escrito” em relação à nossa freguesia natal. (1)

A acção terrífica deste Tribunal fez-se sentir em todo o país e o concelho de Alcoutim não foi excepção como iremos ver.

Neste artigo iremos referir o pouco que conhecemos mas só em relação ao Tribunal de Lisboa, ficando o de Évora para outra oportunidade.


(Igreja Matriz de S. Salvador, em Alcoutim)

A primeira vítima que conhecemos é um jovem de cerca de 24 anos, natural de Alcoutim, solteiro, de profissão mercador. O crime de que foi acusado foi de ter negociado com mouros! Valeu-lhe o crime a sentença de pagar 20 cruzados para obras pias, as custas do processo, além de penitências espirituais. A sentença teve lugar em 1 de Julho de 1552. (2)

Doze anos depois aparece-nos outro jovem, da mesma idade, Mem ou Mendo Rodrigues, natural de Martim Longo, mas a residir em Tavira, sapateiro de profissão, filho de André Gonçalves e de Maior Rodrigues, todos cristãos-novos, casado com Violante Fernandes. Foi acusado de judaísmo. No auto-de-fé realizado em 16 de Julho de 1564 foi sentenciado a abjurar, penitências espirituais, instrução na fé católica e proibido sair do reino sem licença dos inquisidores. (3)

Aparece-nos agora uma mulher, de 60 anos, de nome Maria Mendes, natural de Alcoutim, mas residente em Tavira, filha de Simão Dias e de Leonor Afonso, viúva de Bartolomeu Gomes.
Foi presa em 8 de Julho de 1566 e julgada em 9 de Março do ano seguinte por judaísmo tendo sido condenada a abjurar (renúncia da fé), instrução da fé católica, ao uso perpétuo de hábito penitencial e ainda por cima a cárcere. (4)

A vítima agora, Diogo Bocarro, não é natural de Alcoutim, mas sim de Beja, contudo o seu pai, Gomes Rodrigues, cristão-novo, tinha sido alcaide-mor de Alcoutim. A mãe era D. Catarina de Piosa, cristã-velha.
Foi preso em 6 de Setembro de 1624, por isso durante o período Filipino e diz-se isto porque o preso tinha residência em Sevilha, e durou mais de dois anos a ter lugar o auto-de-fé que lhe confiscou bens e condenou às práticas habituais de anti-judaísmo que o tribunal preconizava. (5)

Apresentamos agora um caso um pouco diferente e que por isso mesmo se torna curioso. Um mercador, natural e morador na Guarda, viúvo, de 60 anos e de família de cristãos-novos, foi preso em 11 de Outubro de 1660 acusado de judaísmo. Foi sentenciado em auto-de-fé, realizado no Terreiro do Paço, em Lisboa no dia 17 de Setembro de 1662, condenado a abjurar as suas práticas heréticas e outras penitências habituais e degredado por cinco anos para o Brasil. Depois diz-se que foi cumprir o degredo para Alcoutim, possivelmente o Brasil foi trocado por Alcoutim.
Sofre entretanto um segundo processo, preso em 11 de Junho de 1665 (possivelmente estaria em Alcoutim), tendo sido sentenciado em 4 de Abril de 1666, com as penas de continuar o tempo em falta do degredo que lhe tinha sido imposto em Alcoutim e ao pagamento das custas. (6)

O último caso que temos conhecimento é já do século XVIII e aqui a acusação é a bigamia.
O acusado Bartolomeu de Horta, de profissão, maioral de ovelhas (como ainda se diz em Alcoutim), era natural de Almendro, Reino de Castela, tinha 50 anos e residia em Pedrógão, termo de Beja. Os seus pais, Lourenço Rodrigues e Inês Pereira são naturais da vila de Alcoutim.
Casou duas vezes e apresentou-se voluntariamente na Mesa do Santo Ofício, confessando as suas culpas. Entre as penas habituais com que foi castigado, foi degredado por quatro anos para o reino de Angola. A sentença é de 28 de Junho de 1744. (7)


(Este lintel, possui a seguinte inscrição - Esta obra mandou fazer Afonso Madeira Corvo Familiar do Santo Ofício, 1628)

Sabe-se também que depois de 1755, Sebastião Teixeira, natural de Tremelgo, freguesia de Martim Longo, filho de outro Sebastião Teixeira e de Luzia Mestra, pretende concorrer a um lugar mas o Conselho Geral do Santo Ofício considerou que as habilitações eram incompletas. (8)

Comissários e Familiares faziam parte da rede de funcionários do Santo Ofício e estavam espalhados por todo o País.

Os Comissários provinham de pessoas eclesiásticas que davam cumprimento às diligências que lhe eram cometidas, através dos solicitadores e dos familiares. Entre outras atribuições competia-lhe darem parecer nas informações de limpeza de sangue.

Os Familiares deveriam ser pessoas de confiança e que vivessem abastadamente. As diligências de que fossem encarregados eram pagas ao dia. (9)

Diogo Mascarenhas de Figueiredo, foi prior de Martim Longo e exercia as funções de comissário do Santo Ofício em 1665. (10), enquanto eram Familiares, Afonso Madeira Corvo e Gaspar Gomes, ambos sepultados no igreja matriz de Alcoutim. (11)

A Inquisição foi abolida por decreto de 1821.

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NOTAS

(1) – “Temas Varzeenses – A Inquisição na freguesia da Várzea”, in Correio do Ribatejo de 3 de Outubro de 2008, pág. 9.
(2) – ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc 8944.
(3) – ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc. 2859
(4) – ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc. 2887.
(5) – ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc. 5645. Sabemos que um Diogo Dias Bocarro era em 1566 o almoxarife do Marquês de Vila Real (Conde de Alcoutim) na vila de Alcoutim.
(6) – ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc. 10496 e 10496-1.
(7) – ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc. 10274
(8) – ANTT. Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações Incompletas, doc. 5240.
(9) – Inquisição de Évora – dos primórdios a 1668 , António Borges Coelho, Caminho, Lisboa, 1987, pág67 a 69.
(10) – Alcoutim, capital do nordeste algarvio (Subsídios para uma monografia), António Miguel Ascensão Nunes (José Varzeano), 1985, pág. 384
(11) – Idem., ibidem, pág 320 e 207 respectivamente.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A desaparecida Capela de S. Martinho nas Cortes Pereiras

(Publicado no Jornal do Baixo Guadiana, nº 103, de Novembro de 2008, pág. 25)

O Monte de São Martinho
Não é vila nem cidade
É uma Capela de oiro
Onde brilha a mocidade

O Monte de São Martinho
Que linda posição ´stá
Lindas rosas ´stá criando
Quem delas se gozará?


Estas quadras populares, coligidas por J. Leite de Vasconcelos, (1) demonstram bem a devoção deste povo por tal santo, orago da capela e que acabou por dar nome a este núcleo populacional.


(O Monte de São Martinho)
Quando se deu o repovoamento desta zona (séc.XIII – XIV), este culto era especialmente estimado, ombreando com o de S. Miguel. (2)

São Martinho, festejado a 11 de Novembro, surge muitas vezes na lenda em que teria partilhado a sua capa com um mendigo cheio de frio após o que lhe terá aparecido Cristo. Nasceu na Panóia, actual Hungria, tornando-se célebre pela sua inesgotável caridade.(3)

Onde está a capela de oiro referida na quadra?

Ainda é possível determinar o lugar em que se situava, lá no cimo do cerro. Já não é muito o que resta, pouco mais do que os alicerces.

Desconhecendo-se a data da fundação, em meados do século XVI já se diz que é antiga. Nesta altura he huma soo casa pequena de duas ágoas, madeirada de castanho, mal encaniçada; as paredes são de pedra e barro desguarnecidas de dentro e de fora.
Quanto ao altar he d alvenaria`, está cuberto com humas toalhas e nelle a imagem de são Martinho de vulto feita e pintada de novo, encima tem hum ceo de pano de linho.

Era reparada à conta de esmolas dos seus devotos. (4)

Em 1758 ainda se encontrava ao culto pois o pároco da freguesia respondendo à pergunta 13 do questionário, escreveu: Tem esta freguesia (…) de Alcoutim dentro dos seus limites (…) a Ermida de São Martinho: todas estas ermidas estão sujeitas ao Ordinário deste Bispado e à Paróquia.
No parágrafo seguinte, para a situar, escreveu: (…) São Martinho está no sítio acima dito das Cortes Pereiras, meia légua distante desta vila para a banda do Norte (…)

No quesito 14, respondeu:- Em alguns dias do ano vão algumas pessoas, assim da freguesia, como de fora a São Martinho (…) sendo que no dia da sua festa sempre concorre mais gente; fora do dia da sua festa não tem dias determinados, nem há sempre as tais romarias (…). (5)
Como se constata, há pelo menos 250 anos a ermida estava ao culto e até tinha romeiros da freguesia e de fora, além da festa concorrida no seu dia.

O grande arqueólogo algarvio, Estácio da Veiga, chama-lhe, em 1878 Ermida Velha de São Martinho. Nela recolheu um cipo de mármore, com inscrição funerária, medindo de altura 1,50 m, de largura 0,62 m e de espessura, 0,35 m. De origem romana, foi encontrado em posição invertida o que levantou a hipótese de ter sido aproveitada a base como mesa. Esta peça faz parte do Museu Nacional de Arqueologia. (6)

Da correspondência trocada entre o Administrador do Concelho e o arqueólogo, respigámos:- (...) mandei imediatamente pessoa competente, ao sítio onde se acha o grande monumento epigráfico de mármore, encarregando-lhe que com o maior desempenho e cuidado o fizesse conduzir a esta vila. Voltaram depois dizendo que era muito difícil a sua condução não só porque calculavam o seu peso em mais de 800 kg, como também a longitude de 6 km a percorrer de péssimo e escabroso caminho, demandando por isso de imensa dificuldade e grande despesa. (7)


(Ruínas da Capela, desenho de J.V.)

Pensamos que este monumento epigráfico é o cipo a que nos referimos e que felizmente acabou por ser levado para o sítio indicado.

Quando conhecemos o local, por volta de 1970, foi-nos informado pelo nosso cicerone, (8) nado e criado no São Martinho, que ali era o São Martinho Novo, pois o Velho, que ficava na aba sul do pequeno cerro, zona rústica ainda assim conhecida, tinha desaparecido completamente.

Diz a lenda que o santo, muito isolado, aparecia no cimo do cerro pois dali avistava os seus irmãos : - Sta. Marta (no monte do mesmo nome), Nª Sª das Neves (Mesquita-Espírito Santo), Nª Sª da Conceição (Vila) e São Marcos, no Pereiro. Por esse motivo, e para não contrariar o santo, construíram nova capela, ficando assim o santo sossegado.
Esta lenda repete-se por variadíssimos locais do País, com um mínimo de diferenças.
Após a ruína e profanação da Ermida, que a memória não situou no tempo e a escrita se o fez, ainda não é do nosso conhecimento, para onde teria ido a imagem do patrono, já que não aparece nos templos vizinhos?

Há anos falou-se muito na construção de uma nova capela e consta-me mesmo que foi doado terreno para o efeito.

Nunca mais ouvi falar em tal!
Há quem pense que a escola primária faz o mesmo trabalho!

Não foi assim que pensaram as gentes de Santa Marta ou do Pessegueiro, por exemplo, e isto para não falar nas gentes de Clarines que com a ajuda das entidades locais restauraram a velha Capela de Nª Sª da Oliveira.

NOTAS

(1)-Cancioneiro Popular Português
(2)-Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Adenda, pág. 892-
(3)-Dicionário de Santos, Jorge Campos Tavares, Lello & Irmão, Editores, Porto, 1990 pág.102
(4)-Visitações” da Ordem de Santiago no Sotavento Algarvio, Hugo Cavaco, 1987.
(5)-Memórias Paroquiais – 1758, in ANTT
(6)-“A Capela de São Martinho e as Cortes Pereiras”, José Varzeano in Jornal do Algarve de 28 de Dezembro de 1989.
(7)-Ofício nº 20 de 13 de Janeiro de 1880, in livro copiador de correspondência expedida.
(8)-António Costa Teixeira, que foi morador no Ferro a quem nos unia laços familiares por afinidade e de amizade.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sepultura tardo-romana (complemento)


No dia 10 de Outubro último demos entrada neste blogue, no TEMA Câmara Escura, de uma fotografia por nós tirada que mostra uma sepultura classificada como de Tardo-Romana e que voltamos a publicar.

Dissemos então que desconhecíamos que tivesse sido publicado algum trabalho sobre o assunto e assim acontecia de facto.

Entretanto, nas pesquisas que habitualmente fazemos, encontrámos a apresentação de uma tese de mestrado na Universidade de Lisboa, em 2007.01.23, sobre o Tema: A necrópole de Vale de Condes, Alcoutim, no contexto da Antiguidade tardia no Algarve, defendida pela Dra. Isabel Maria Baptista Inácio com quem nos lembramos de ter trocado meia dúzia de palavras no local, quando efectuava escavações com uma colega.

Certamente que o Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Alcoutim, tão interessado na prospecção, manutenção e divulgação deste património, terá conhecimento da situação.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A Ermida de S. Sebastião

Desconhecendo-se a data da fundação, já existia em meados do século XVI, mais precisamente em 1565, (1) figurando no Livro de Duarte Darmas, do mesmo século, na vista tirada da banda do sul, da vila de Alcoutim.

É apresentada nessa altura como muito semelhante à Ermida do Espírito Santo, pois afirma-se que é de uma só casa pequena, que as paredes são até ao meio de pedra e cal e daqui para cima, em taipa.


(A Ermida de S. Sebastão vista por Duarte Darmas)

O telhado é de duas águas, madeirado e encaniçado. Parece contudo que nesta altura estaria em mau estado, pois afirma-se que tem duas paredes abertas e para cair e que o telhado está muito danificado. É pedida a sua reparação, a efectuar com o produto das esmolas adquiridas junto do povo.

Tinha um altar de alvenaria coberto com uma toalha e nele a imagem do patrono. Provavelmente, segundo os autores de A Escultura de Madeira no concelho de Alcoutim, do século XVI ao século XIX (2), seria a imagem que em 1518 estaria colocada num altar na igreja matriz.

Sempre nos disseram que a imagem de São Sebastião, que se encontra na Capela de Nª Sª da Conceição tinha vindo da Capela do Cemitério, mas nunca me referiram que tinha sido patrono do templo.

Na parte posterior do altar, substituindo o retábulo, hum pano de linho pintado de figuras.

Respondendo à pergunta 13 do Questionário que deu origem àquilo que hoje conhecemos por Memórias Paroquias, 1758, o pároco da Paróquia de Alcoutim, escreveu:- A Irmida de Sam Sebastião está em hum alto de hum serro sobranseiro a Guadianna perto da villa para a banda do sul (…) e acrescenta que, como as outras, está sujeita ao Ordinário deste Bispado e à Paróquia.

Estaria ao culto e o seu estado de conservação seria normal visto nada ter acrescentado.

Em reunião efectuada na Capela de Nª Sª da Conceição, em 22 de Dezembro de 1843, acordou-se (...) fazer um cemitério em o sítio de S. Sebastião, ao sul da ermida, pegado à mesma (3)


(A Capela do cemitério, 1990)

Parece assim que a Ermida de São Sebastião teria dado origem à actual Capela do Cemitério, com todas as transformações que o tempo e os homens motivaram.

A imagem é considerada como um exemplar de alguma qualidade, pintura recente mas má, encontrando-se em mau estado de conservação e datando do século XVII. (4)
É curioso verificar que na aldeia de Martim Longo existem duas ermidas, a do Espírito Santo e a de São Sebastião, tal como existiram na vila. E mais, a Igreja Matriz daquela freguesia tem por orago Nª Sª da Conceição e a vila tem uma capela ou igreja da mesma invocação e que segundo alguns foi a primeira matriz.


N.B. – Este artigo foi retirado da 2ª Edição em preparação de Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (subsídios para uma monografia) que por sua vez teve por base o artigo “De Ermida de S. Sebastião a capela do cemitério da vila de Alcoutim” publicado no Jornal do Algarve de 16 de Março de 1989, guardando-se as notas para essa eventualidade.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A estrutura defensiva da Vila de Alcoutim em meados do século XVIII


(Vistas do Castelo do Serro da Mina, Foto J.V. 1968)

Já abordámos em várias ocasiões este assunto que engloba naturalmente o seu castelo e as muralhas que cercavam a velha vila raiana, não desprezando, como é evidente, as suas portas. (1)

Alguma coisa se tem escrito, certo e errado sobre este assunto. Umas vezes as afirmações são feitas em face de documentação idónea e então estamos na primeira situação, outras são afirmações avulsas, por vezes meras suposições ou conjecturas e então estamos muitas vezes no segundo caso.

Vários autores se têm referido ao assunto, como o P. Carvalho Costa (2), Caetano de Lima (3), Silva Lopes (4), Charles Bonet (5) e Pinho Leal, (6) entre outros, alguns limitaram-se a copiar aquilo que os outros disseram, certo ou errado.

Consultando as Memórias Paroquiais de 1758 (7) que têm servido de base a muitos trabalhos históricos, principalmente na área do conhecimento das “terras”, verifiquei que há referências sobre este aspecto, que penso, ninguém deu a público.

(Restos de Muralha recentemente destruidos)

Respondendo à pergunta nº 25 do Questionário, o pároco da Igreja Paroquial de Alcoutim, que tem por orago, O Salvador do Mundo, informa que a vila era murada, com muros ou paredes de pedra e barro, com pouca consistência pois com frequência estão caindo pedaços (8) deixando bocas abertas. Diz que os muros ou paredes foram dispostos como se faz numa cerca para evitar a entrada do gado.

Quanto às portas das muralhas, por onde se sai e entra, diz que são quatro. Uma para o nascente, ou Sanlúcar de Guadiana, a que chamam Porta do Rio, em cuja entrada está uma porta interior junto da Casa da Guarda. Parece assim que depois da porta propriamente dita e que dava para o exterior, haveria que vencer outra indicada como interior. Logo a seguir, a três ou quatro varas de distância estaria outra porta considerada exterior, concluindo: e estas são duas portas das quatro que digo. Não atribui qualquer designação a esta segunda porta, mas afirma que sobre elas e na muralha está um quase robulim (revelim), o que se compreende para defesa das mesmas, como a própria designação indica.


(Adarve do castelo, 1986)

E continua o pároco: Tem outra porta para o sudoeste, a que chamam Porta de Tavira com casa de guarda perto. A outra porta está para o noroeste, a que chamam Porta de Mértola e conclui escrevendo. Estas são as portas por onde se entra e sai desta vila as quais todas as noites se fecham e abrem todas as manhãs.

É referido que em todas as portas está um soldado de guarda pois a praça é guarnecida com destacamento todos os meses, os quais costumam ser enviados da Praça de Castro Marim. Algumas vezes vinham companhias inteiras mas ultimamente não vêm mais que quinze soldados comandados por um sargento.


(Rua Portas de Mértola)

Depois de descrever as muralhas com as suas portas, o pároco diz que a vila tem castelo, ou para melhor dizer, uma fortaleza, coisa muito antiga e que está dentro da vila. Procura depois descrevê-la:- é quadrada e uma ponta que tem para a banda de Castela é a que está mais fortificada.
Informa também que este Inverno (1757/1758) caiu uma grande parede para a banda de Portugal, e assim se acha. Esta parede (muralha) penso que é aquela que está virada para a Capela de Nª Sª da Conceição. Indica depois instalações para os soldados dormirem e refere uma casa de abóbada para os cabos. Será aquela ainda hoje existente?

Quanto aos apetrechos de guerra, dá como existentes sete peças de ferro, acrescentando que alguns se encontram em perigo para quem as usar pois têm consertos de pouca segurança.

Devido à sua posição, a fortaleza (castelo) de Alcoutim, estava toda descoberta em relação ao castelo de Sanlúcar, em posição mais elevada e reerguido durante as guerras da restauração de Portugal, por D. Jerónimo Ró, Mestre de Campo-General. (9)

Fustigando a artilharia “castelhana” da sua posição elevada o castelo de Alcoutim, resolveram os portugueses construir um pequeno forte num serro próximo (pensamos tratar-se do que é hoje conhecido por Serro da Mina (ou de Sta. Bárbara) e de noite para lá levaram duas peças com as quais metiam as balas no castelo de Sanlúcar, equilibrando assim a situação de guerra o que veio originar tréguas. O pároco refere as ligações familiares entre alcoutenejos e sanluquenhos.

Presumo que estes factos teriam tido lugar nas Guerras da Sucessão, em Espanha (1704/1713) em que Portugal se envolveu, apoiando o Arquiduque Carlos.

Digo isto porque o pároco informa que no local existiam remendos e vestígios do forte.
Se encontramos no que acabamos de escrever coisas já conhecidas, outras para mim são novidade.

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NOTAS

(1) – “O Castelo de Alcoutim (achegas para o seu conhecimento)”, in Jornal do Algarve de 4 de Julho de 1985; Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (Achegas para uma monografia), 1985 e “Portas e Muralhas de Alcoutim, pequena Vila raiana”, in Jornal Escrito, nº 26 de Outubro de 2000, encarte do Postal do Algarve de 26 de Outubro de 2000.
(2) – Corografia portugueza e descripçam do famoso reyno de Portugal (…), Lisboa, 1706/1712.
(3) – Geografia Histórica, Lisboa, 1734
(4) – Corografia do Algarve, 1841.
(5) – Algarve (Portugal) – Descrição Geográfica e Geológica desta Província, 1850
(6) – Portugal Antigo e Moderno, Dicionário Geográfico, Lisboa, 1873, Vol.l
(7) – Dicionário geográfico de Portugal [Tomo 2, A 2], PT – TT –MPRQ/2/12
(8) – É curioso verificar como ainda hoje este substantivo é frequentemente usado pelos alcoutenejos em muitas situações e até aparece como antropónimo, certamente proveniente de alcunha.
(9) – Diccionário Geográfico-Estadistico-Histórico de España y sus posesiones de Ultamar, por Pascual Madopz, Madrid, 1845-1850 e “Sanlúcar de Guadiana, uma terra com mais de 700 anos”, in Jornal do Algarve de 7 de Setembro de 2000.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Mês de Dezembro

EFEMÉRIDES ALCOUTENEJAS

Dia ?
1519 – Casamento do 2º Conde de Alcoutim, D. Pedro de Meneses, com sua prima D. Brites de Lara.

Dia 7


1876 – Data da maior altura das águas na Cheia Grande do Guadiana, o que correspondeu a 15, 73 m na Vila de Alcoutim.

1998 – Foi lançada a primeira pedra para a construção do Quartel dos Bombeiros de Alcoutim.

Dia 8
1744 – Na Festa de Nª Sª da Conceição, foi pregador, Frei João de São Diogo.

1868 – Testamento do Padre de Martim Longo, José Pedro Rodrigues Teixeira, que era natural de Giões.

1907 – Na Festa de Nª Sª da Conceição foi servido um bodo aos pobres em que se gastaram dezasseis mil e quinhentos réis.

Dia 10
1726 – Por mercê de D. João V é passada carta a Francisco Faria de Alcoutim, de Juiz de Fora da Vila de Olivença.

1732 – Por mercê de D. João V é passada carta a Francisco de Faria de Alcoutim, de Provedor de Castelo Branco.

1867 – Decreto que extinguiu, entre outros, o concelho de Alcoutim, sendo anexado ao de Vila Real de Santo António.

Dia 11
1999 – Inauguração da ponte sobre a Ribeira do Vascão que liga Castelhanos (Alcoutim) a Penedos (Mértola)

Dia 16
1841 – O Padre António José Madeira de Freitas (tio) é nomeado por carta de D. Maria II, pároco da Igreja de S. Salvador de Alcoutim.

Dia 17
1876 – No jornal Diário da Manhã, noticia-se os nefastos acontecimentos da enchente do Guadiana.

Dia 22

1843 – Em reunião efectuada na Capela de Nª Sª da Conceição, acordou-se fazer um cemitério no sítio de S. Sebastião, ao sul da ermida, pegado à mesma.

Dia 24
1867 – É feita a entrega do Arquivo da Câmara Municipal de Alcoutim á de Vila Real de Santo António, a cujo concelho tinha sido anexado.

domingo, 30 de novembro de 2008

Ginásio Clube de Tavira

80 Anos ao Serviço do Desporto Tavirense
(1928 – 2008)




Mais um importante trabalho histórico de Ofir Chagas que dedica ao Clube do seu coração.

Numa edição do Ginásio Clube de Tavira, as 243 páginas retratam toda uma vida de 80 anos ao serviço do desporto e em variadíssimas modalidades mas possivelmente a que lhe deu mais nome foi o ciclismo onde as suas camisolas correram o país de lés-a-lés.

O trabalho é profusamente ilustrado a preto e brando e a cores não faltando igualmente muitos quadros explicativos.

Edição de Julho de 2008.

Adquiri-o numa livraria da cidade de Tavira.

sábado, 29 de novembro de 2008

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários


A existência de bombeiros em Portugal, que eu saiba, vem dos fins do século XIX, mas à vila de Alcoutim só chegaram em 1984, sendo 20 de Agosto a data da sua fundação.

Tendo por lema, “Vida por Vida”, os soldados da paz, como são conhecidos, defendem o cidadão em situações de emergência, como incêndios, acidentes de todo o tipo e no transporte de doentes, pelo que o povo lhe dispensa gratidão.

A primeira notícia que conhecemos sobre os Bombeiros de Alcoutim foi publicada na imprensa regional (1) em 30 de Agosto de 1984 em que se informa que se aguarda a publicação dos estatutos no Diário da República a fim de se solicitarem subsídios às entidades oficiais. Logo nessa notícia se refere o apoio dado pela Câmara Municipal que está a negociar a compra de um terreno situado próximo do Rossio, destinado à construção do futuro quartel. A nova associação conta com o apoio de associações congéneres.

O efectivo é constituído por trinta e cinco elementos em 1986 que vão recebendo regularmente instrução no quartel dos Bombeiros de Vila Real de Sto. António, juntamente com os seus elementos.

A localização do quartel em Alcoutim é dada agora para junto da estrada marginal do Guadiana, na parte alta da vila, em terreno de que está a ser feita a terraplanagem.

A corporação dos Bombeiros de Monchique ofereceu aos de Alcoutim uma viatura de combate a incêndios e procura-se adquirir um pronto-socorro e ambulância. (2)

Entretanto a Câmara Municipal doou a ambulância que possuía aos Bombeiros, continuando contudo a suportar os encargos do motorista. (3)

Em 1987 já se dispõe do anteprojecto do futuro quartel que ocupará uma área de seis mil metros quadrados e custará cerca de oitenta e quatro mil contos.

O edifício terá dois pisos que ocuparão uma área de 2.400 m2 Nesta altura existem três ambulâncias e dois carros de combate a incêndio. Em 1986 registaram-se sete incêndios no concelho. (4)

Para o quartel, prevê-se, além de capacidade para oito viaturas, camaratas, casa-escola para treino e exercício, sala para reuniões, biblioteca, arquivo e um pavilhão polivalente com uma área de 600 m2 para desporto, cultura e recreio. (5)

O inspector regional de Bombeiros do Algarve, visitou Alcoutim em 1989 em serviço de inspecção. Já existia um auto-pronto-socorro médio indispensável ao combate dos incêndios e uma viatura vinda de França que custou cerca de catorze mil contos. (6)

Atendendo a uma maior procura do rio e consequentemente poder haver com maior frequência necessidade de prestar socorros, os Bombeiros adquiriram um barco para o que foram subsidiados pela Câmara em 500 contos. Além disso e a fim de proporcionar melhores condições de saúde aos munícipes, a Câmara Municipal comprou uma nova ambulância para os Bombeiros. (7)

Em 1996 concluíram com aproveitamento as provas para bombeiro de 3ª classe, dezassete elementos. O restante efectivo vem recebendo igualmente instrução para oportunamente serem sujeitos a provas. (8)

O comandante da corporação, João Manuel Rita Baptista, declara ao conhecido e desaparecido semanário Tal & Qual: “Neste momento, o meu maior desejo é ver realizada a obra que ainda nem sequer teve início, o quartel dos bombeiros. A Câmara cedeu os terrenos e fez as escavações, agora é tempo de se esperar pelo PIDAC e que a obra seja posta a concurso público”

Os cinco carros antifogo e as cinco ambulâncias da corporação, encontram-se à chuva e ao sol, degradando-se aceleradamente. (9)



O projecto da construção do Quartel só veio a avançar anos depois e em 7 de Dezembro de 1998 foi colocada a primeira pedra, tendo sido assinado um protocolo entre a autarquia alcouteneja e o Ministério da Administração Interna que irá garantir o financiamento da obra. (10)

A Corporação entretanto tinha sido contemplada com uma ambulância de emergência. (11)

Em 17 de Julho de 2001, um jornal regional noticia:- Bombeiros de Alcoutim já têm quartel, acrescentando que tinha entrado em funcionamento e cuja construção orçou em 100 mil contos.(12)

Os Bombeiros Voluntários de Alcoutim, além da sua missão base, dedicaram-se à organização das Festas da Vila e, têm a seu cargo o Lar de Idosos, um estabelecimento que no seu tipo, muito honra a vila e o concelho.

O Corpo activo comporta presentemente 50 elementos e dois funcionários administrativos.

O quartel situa-se na Avenida dos Bombeiros Voluntários.

Foi das últimas sedes de concelho a possuir Bombeiros e que eu saiba, ainda há no País pelo menos uma que não os tem e é precisamente do Algarve.

NOTAS

(1) - Jornal do Algarve - Vila Real de Santo António
(2) - Prevenir - nº 10 - Junho 86.
(3) - Jornal do Algarve de 27 de Novembro de 1986
(4) - Jornal do Algarve de 20 de Agosto de 1987.
(5) - Boletim Municipal C.M.A. nº 1 de Outubro de 1987.
(6) - Prevenir nº 24, de Dezembro de 1989.
(7) - Boletim Municipal da C.M.A. nº12 de Abril de 1993
(8) - Prevenir - nº 11 de Setembro de 1996
(9) – Nº de 20 de Setembro de 1996
(10) – “Alcoutim vai ter Quartel de Bombeiros dentro de um ano, in Jornal do Algarve de 17 de Dezembro de 1998.
(11) – “Bombeiros de Loulé e Alcoutim recebem novas viaturas”, in Jornal do Algarve de 9 de Março de 2000.
(12) – Diário do Sul (Algarve)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

António Aleixo



A 11ª FIGURA, que iremos referir neste tema do blogue que temos vindo a abordar, é bastante conhecida, principalmente depois do 25 de Abril de 1974, em que o seu conhecimento foi explosivo de Norte a Sul do País.

Filho de louletanos, nasceu em Vila Real de Santo António em 18 de Fevereiro de 1899, mas cedo se radicou na terra de seus pais.

Conheceu uma vida difícil e exerceu actividades muito diversificadas. Foi tecelão, pastor, polícia, servente de pedreiro em França onde esteve emigrado, mas principalmente cauteleiro pois foi a actividade que mais o ocupou.

Assíduo frequentador de feiras, onde além das cautelas que vendia, por vezes tocava e cantava e espicaçado pelos amigos ia dizendo quadras de improviso alusivas à sociedade que bem conhecia pela sua experiência amarga da vida.

Cultivador de quadras e sextilhas, com palavras simples conseguia ser incisivo, justo e preciso.

Usava a ironia com mestria e tinha presente o conceito da moralidade.

Semianalfabeto, sabia ler mas tinha dificuldade em escrever.

Esteve internado no Sanatório dos Covões em Coimbra devido à doença que o veio a vitimar em Loulé, no dia 16 de Novembro de 1949, aos cinquenta anos de idade.

Em Coimbra contactou com nomes grandes da cultura portuguesa, como foram os casos de Miguel Torga e do artista Tóssan.

O Dr. Joaquim Magalhães, professor do liceu de Faro, que era seu amigo e muito o admirava como poeta, ajudou-o na organização dos livros publicados: - “Este Livro que vos deixo” (1949), “O Auto do Curandeiro”, “O Auto da Vida e da Morte, “O Auto do Ti Jaquim –(incompleto) e “Inéditos”.

Depois do 25 de Abril as homenagens ao poeta tiveram lugar em todo o país, nomeadamente no Algarve, a região onde nasceu e viveu.

No parque da cidade de Loulé foi levantado um monumento, do qual foi feita uma réplica e colocada em frente ao “Café Calcinha”, local que o poeta frequentava. A sua terra natal igualmente o homenageou com um monumento.

A cidade de Portimão, ao antigo liceu, deu o nome de Escola Secundária Poeta António Aleixo.

Por todo o país, muitas vilas e cidades deram o seu nome a novas artérias, prestando assim homenagem ao “maior poeta popular português”.

Foi instituída a Fundação António Aleixo que tem desenvolvido uma obra social assinalável.

Chamou-se António Fernandes Aleixo, de seu nome completo, e a sua veia poética começou a revelar-se aos nove anos.
__________________________________

António Aleixo – O poeta do povo, António de Sousa Duarte, Âncora Editora 1999

Dicionário de História do Estado Novo, Vol.I, Bertrand Editora, 1996, pág, 32 (Wanda Ramos)

LELLO UNIVERSAL, Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro, Porto, 1975

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Pedras trabalhadas


A Câmara Escura de hoje traz-nos uma fotografia que tirei com o meu “caixote” há trinta e oito anos! Não são dois dias.

Apesar de ser um jovem, já então a minha atenção se prendia a estas coisas. Não sei se alguém, além de mim tirou fotografias semelhantes – é possível.

As duas pedras trabalhadas foram aproveitadas para ajudar a construir um muro ou uma parede, a esta distância no tempo penso que é a primeira das hipóteses, em local próximo da Igreja Matriz de Giões.

Há algumas dezenas de anos que por lá não passo pelo que desconheço se ainda aí se encontram.

As pedras aparelhadas nalgumas das suas faces, chamaram-me a atenção por esse motivo, pelo seu volume e destoando completamente das outras. Além disso, e afinal o mais importante, tinha a inscrição de uma era, 1744, ao meio, entre o 17 e o 44, uma simples ilustração dentro da qual se encontrava gravada a seguinte sigla, I H S, isto se a minha leitura estiver correcta. Por cima do H, uma cruz.

Atendendo a que me pareceu algo com ligações religiosas e admitindo que tivesse vindo de algum templo desaparecido, indaguei junto de alguém que está dentro dessa área, procurando uma explicação.

De seguro nada me foi dito, pensa-se contudo que pode ter uma possível ligação à Companhia de Jesus.

Não me parece que as peças tenham origem em qualquer templo das redondezas e isto pelas características apresentadas.

Admitimos igualmente que possa ter vindo de alguma casa “nobre” como aqui eram designadas as casas apalaçadas, que tivesse entrado em ruína e a aldeia de Giões foi terra de gente importante no contexto concelhio, nomeadamente as famílias Teixeira e Delgado.

Num “monte”da freguesia de Alcoutim encontrámos três inscrições da mesma época, mas com características diferentes.

É o pouco que se me oferece dizer sobre o assunto.