sábado, 4 de abril de 2009

Frei António Rosado

Nasceu na vila de Mértola cerca de 1575.

Bacharelou-se em Cânones pela Universidade de Coimbra, tendo professado sob o hábito Dominicano em 15 de Maio de 1602.

Foi mestre de Teologia na sua Ordem, Visitador das naus estrangeiras em Lisboa e no Porto e Comissário do Santo Ofício no Brasil, tendo estado em Pernambuco (Olinda).

Tinha por máxima que quando não acode a justiça da terra, acode a do céu.

Escritor considerado pela linguagem e estilo.

Faleceu no Convento da Batalha em 1640.


[Igreja da Sé, Cidade de Olinda, Pernambuco, Brasil]

Escreveu:
Tractados sobre os quatro Novíssimos, com logares communs dos Padres sobre a mesma matéria, Porto, 1622, obra pouco vulgar.

Tractados em louvor do Sanctissimo Rosário, sobre a oração do Padre-Nosso, e cântico da Senhora, igualmente editado no Porto pelo menos em 1622.

Tractados sobe a Destruição de Jerusalém, Lágrimas de Jeremias, Ezechias, S. Pedro, Sancta Magdalena, Conversão de Dimas, e condemnação de Judas, Ibi, 1624.

Sermão em S. Domingos do Porto, anno do Senhor de 1620, na Festa de S. Pedro Martyr, Padroeiro da Sancta Inquisição, Coimbra, 1620.

Sermão na trasladação que fez o Senhor Bispo D. Frei Gonçalo de Moraes dos ossos dos Senhores Bispos do Porto seus antecessores, aos 20 de Março, dia de S. Martinho no anno de 1614, Porto, 1618.

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Dicionário Bibliográfico Português, Inocêncio Francisco da Silva, Vol. I, 1858, pp 261 e 262

sexta-feira, 3 de abril de 2009

D. Fernando de Meneses, 1º Conde de Alcoutim

Pequena Nota
Temos vindo a organizar no decorrer dos anos algumas notas biográficas sobre os condes de Alcoutim, o que iniciámos em parte quando demos a público Alcoutim, capital do nordeste algarvio (subsídios para uma monografia), 1985, numa edição da Câmara Municipal de Alcoutim e há muito esgotada.
Atendendo a que presentemente possuo mais alguns elementos sobre esta figura, vou tentar passá-los com alguma ordem para o “papel”.



D. Fernando de Meneses devia ter nascido por volta de 1463, sendo filho de D. Pedro de Meneses, 1º Marquês de Vila Real e de sua mulher, D. Beatriz de Bragança.

Veio a casar, por amor e contra vontade de seu pai com D. Maria Freire de Andrade, que segundo as crónicas era muito formosa, mas com o aval de seu primo, o Rei D. Manuel, isto por voltas de 1486.

A data da criação do Condado não é pacífica, enquanto Anselmo Braamcamp Freire, no Vol.III de Brasões da Sala de Sintra afirma que a criação teve por base uma Carta de D. Manuel I datada de 15 de Novembro de 1496, a Nobreza de Portugal e a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira pretendem 13 de Junho de 1497, havendo ainda quem opte por 1520, quando Alcoutim recebeu foral novo concedido por aquele Rei.

A origem do título teve por base o casamento com D. Maria Freire de Andrade, Senhora de Alcoutim, da linhagem dos Freires de Andrade, Senhores da vila de Bobadela, hoje concelho de Oliveira do Hospital.

A História Del Reyno de Portugal, de Manuel de Faria Y Sousa, de 1730, em títulos que concedeu D. Manuel, sem referir data, diz: À los Primogénitos de los Marqueses de Villareal, El de Condes de Alcoutim.
Por Carta Régia de D. Manuel I de 25 de Novembro de 1496, é nomeado Fronteiro-mor do Algarve e na qual já o identifica como Conde de Alcoutim.

Foi igualmente Condestável do Reino, funções que tinham sido exercidas por D. Afonso, filho bastardo de D. Diogo, duque de Viseu e que foi apunhalado por D. João II.

Em 1490 D. João II mandou-o a Ceuta onde praticou notáveis actos de guerra contra a moirama, conseguindo vitórias memoráveis, como aconteceu em Targa e Casimî.
Com ele encontravam-se os irmãos mais novos, D. António de Noronha, D. Diogo de Noronha e D. Henrique de Meneses, tendo armado Cavaleiros estes dois últimos na presença da fidalguia.

Era muito aclamado pelos soldados a quem transmitia confiança e coragem militar.

Ao regressar à Corte o rei honrou-o com rasgados elogios e agradecimentos.

Foi o 4º Capitão de Ceuta onde muito se distinguiu e possivelmente lá teria conhecido João Freire de Andrade que viria a ser seu sogro.

Emitiu parecer favorável ao abandono das praças do Norte de África, por entender que o Reino não podia suportar as despesas da sua manutenção.

Fez parte do pequeno número de portugueses que se correspondia com o humanista siciliano, Cataldo Sículo (Palermo 1455 – Lisboa 1517) e nos quais se incluía o rei D. Manuel.

Desde 1498 que o hospedava em sua casa como preceptor dos filhos, nomeadamente D. Pedro de Meneses, que veio a ser o 2º Conde de Alcoutim e D. Leonor de Noronha.

Acompanhou o rei, entre outros, a Valença de Alcântara quando este foi receber por mulher, D. Isabel, viúva do príncipe D. Afonso, filha de Fernando de Aragão e de Isabel de Castela e que veio a morrer de parto em 1498 e também na romamgem que fez a Santiago de Compostela e querendo o rei passar por incógnito, nomeou-o para ser respeitado por toda a comitiva.

Vem a exercer pressão sobre o rei, tomando em consideração os feitos realizados e consegue que seu irmão D. António de Noronha seja feito Conde de Linhares.


[Conquista de Ceuta, óleo de Rocha Vieira]

D. Fernando de Meneses e D. Maria Freire, além de D. Pedro que lhe sucedeu no título, foram pais de D. João de Noronha, capitão de Ceuta, D. Nuno Álvares de Noronha, que foi governador da mesma Praça, D. Afonso de Noronha, 5º Vice-rei da Índia, D. Leonor de Noronha e D. Maria de Meneses.

Foi Conde de Alcoutim até 1499, data do falecimento de seu pai, passando a usufruir o título de 2º Marquês de Vila Real. Já como Marquês de Vila Real encomenda a construção da Igreja Matriz de Caminha.

Foi igualmente 2º Conde de Valença (1 de Setembro de 1499) com o Senhorio da mesma vila e do de Caminha.

Faleceu em Almeirim em 1523 e jaz no Convento de S. Francisco de Leiria, para onde foi trasladado do de Santarém, em que esteve depositado.

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Corografia do Reino do Algarve, Frei João de S. José, 1577.
Corografia Portugueza, Padre António Carvalho da Costa, 1702/1712. pág. 11.
Dicionário Ilustrado de História de Portugal, Edições Alfa, 1986.
Estudo sobre o Século XVI, Américo da Costa Ramalho, 2ª Edição, IN-CM, 1982
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
História da Arte Portuguesa, Vol. 2, dir. de Paulo Pereira, 1995, pág. 323.
Historia Del Reyno de Portugal, por Manuel de Faria Y Sousa, MDCCXXX, en Amberes, pág. 256
História do Ensino em Portugal, Rómulo de Carvalho, 1986
História Genealogica da Casa Real Portugueza, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi/Público, Academia Portuguesa da História, Vol. V, 2007 (fac-similada da ed. de 1738)
O Domingo Illustrado, Agosto de 1897, pág. 103.
Portugal Antigo e Moderno, A.S.B. de Pinho Lel, Vol.11. pág. 955
“Portugal no Começo do Século XVI: O relatório do veneziano Lunardo da Cà Masser”, Vitorino Magalhães Godinho, in Revista de História Económica e Social, nº 4 – Julho/Dezembro, 1979, Sá da Costa Editora.
http://genealogia.sapo.pt – em 2002.09.02

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mestre Carlos, um artesão de qualidade e ... não só


Escreve
Gaspar Santos

Chamava-se Carlos Assunção e para alguns tinha a alcunha de “Remexido”. Foi uma figura marcante em Alcoutim entre os anos 40 e 90 do século passado. Natural de Tavira, casou em Alcoutim onde criou duas filhas, Maria Elvira e Fernanda, nossas amigas de infância.

Conheci a sua oficina em três locais: o primeiro na Rua D. Sancho II numa das últimas casas à esquerda de quem sobe; o segundo ao lado da Igreja da Misericórdia. Esta casa veio a ser sacrificada com a estrada de penetração na Vila. Finalmente, a oficina e residência na actual Rua Prof. Trindade e Lima. Em qualquer destas casas, quem estudava, trabalhava fora, ou estava na tropa, era “obrigado” a uma visita ao mestre Carlos no dia da chegada ou no dia seguinte. Eu também segui essa prática.


[Cais velho e cais novo, 1965]

Era uma pessoa competente na sua profissão, fazia trabalho de muita qualidade geralmente muito apreciado. Só ele fazia a contento o adequado sapato ortopédico a uma conterrânea nossa, deficiente dum membro inferior. Como era muito habilidoso, alargava ainda a sua actividade a tarefas de mecânico de bicicletas, desenrascando sempre todos os que estavam em dificuldade, com prontidão e boa vontade.

Nos últimos anos que morou em Alcoutim, ainda socorreu alguns automobilistas, dispensando-lhes alguns litros de gasolina, quando ali apareciam aflitos na procura de bomba que era suposto uma sede de concelho ter.

O Mestre Carlos irradiava energia e uma permanente boa disposição. Tinha uma enorme predisposição para o chiste e a brincadeira. Espontaneamente criava graças contagiantes. No género, foi uma das pessoas mais brilhantes que conheci.

Era, porém, analfabeto. Caso contrário e convenientemente formado teria ido longe na criação e na representação teatral.


[O guerrilheiro Remexido]
A alcunha de Remexido, não era propriamente dele. Era da família. Penso que do seu pai e teria sido inspirada na conjugação da sua grande energia com a personalidade de outra figura histórica algarvia a quem chamavam Remexido.

Às vezes as suas brincadeiras continham uns laivos de humilhação para quem era seu alvo, mas a intenção não era malévola. Só queria rir e fazer rir recuando logo que via que a sua brincadeira estava a ir longe de mais e a ser ofensiva.

Era ele que com o mestre Cândido Xavier e o Lázaro Martins animavam todos os anos o Carnaval de Alcoutim.

Brincava com toda a gente; com os fracos, e até mesmo com os poderosos, sabendo sempre até onde poderia ir. A verdade é que as pessoas, alvo das suas partidas nunca se ofenderam ao ponto de tirarem desforço físico, embora por vezes respondessem com insulto. Havia, com certeza, pessoas que não simpatizavam com as suas brincadeiras. Mas não lhe conheci inimigos.

Comigo em criança, quando ia pedir-lhe uma porção de cera ou uns atacadores para os sapatos dizia invariavelmente: toma lá, mas leva mais outra coisa que o teu pai me pediu. E lá vinha ele com um embrulho contendo uma pedra, uns sapatos retirados ao lixo, ou outra coisa sem valor. Só caí na primeira vez!

Em política, nesses tempos, não incomodou nem foi nunca incomodado pelo fascismo.

Referirei algumas das suas partidas, para exemplificar, pois cada pessoa que o tivesse conhecido deve ter dúzias destas para contar:

1- Uma manhã na obra de construção do Cais mestre Carlos pediu umas cascas de eucalipto para fazer um chá. À noite convidou os capatazes da obra para beberem um copo com estopeta de atum. Eles nunca tinham comido esse petisco, mas ao mastigar estranharam o sabor a casca de eucalipto e cuspiram. Entretanto o mestre Carlos deliciava-se de gozo com o resultado da partida e... com pedaços de estopeta, semelhante à casca de eucalipto desfiada, que ele sabia onde estava no prato. No fim foi uma risota inclusive das vítimas. Mas tinha sempre um prato verdadeiro que vinha a seguir.

2-Um tio de sua mulher todos os dias visitava a oficina. Já via mal mas deu para ver umas cautelas de lotaria antigas que o mestre tinha espetadas num prego. O tio mostrou-se interessado em levar uma. Sim senhor, depois paga disse ele. Passados dias o tio perguntou pelo resultado. Tem o mesmo dinheiro respondeu o mestre, pode deixar essa e levar outra. E assim andou várias semanas. Até que outra pessoa, não sabendo que era uma partida revelou a verdade. Mas não cobrou um centavo ao tio!!

3-Um dia um homem do Marmeleiro (localidade a cerca de 3,5 km de Alcoutim) entrou na oficina. O mestre Carlos disse-lhe: ainda bem que veio. Tenho aqui uma pedra de gelo para entregar ao lavrador que está doente. O homem lá foi com aquele peso, provavelmente em cima do burrico onde se deslocava. Ao desembrulhar a encomenda o lavrador disse para o homem: o mestre Carlos já te enganou. O que aqui vem é uma enorme pedra!
Também o mestre Carlos foi vítima de algumas partidas de que não gostava mesmo nada.
Ele também já esperava ser alvo de algum tipo de partida. Assim, para evitar espetar algum prego nas nádegas, um tipo de partida previsível onde havia tantos pregos, fazia sempre uma verificação cuidadosa, manualmente, sempre que se sentava na sua cadeira de trabalho.

No entanto, fizeram-lhe uma partida que ficou célebre e o marcou para o resto da vida:
Naquele tempo havia muito peixe e todos pescavam à linha com certo sucesso. O mestre Carlos um dia tentou a sua sorte. Pescava junto aos cais e alguém o convidou para tomar cerveja. Ele deixou a pesca e foi beber. Quando voltou e começou a levantar a pesca esta mostrava um certo peso. Qual não é o seu espanto quando recolheu o resultado da pesca… uma bota velha. Na muralha todos começaram a rir. O mestre Carlos nunca mais foi pescador desportivo.


[Praça da República em 1969]

Não consigo encontrar no meu léxico, um adjectivo depreciativo que se lhe aplique. Nem o de bêbedo, embora ele apanhasse de vez em quando uma boa bebedeira. Às vezes, em tal estado que, sendo ele um exímio ciclista, conseguia equilíbrio sobre uma bicicleta quando não o conseguia sobre os seus pés.

O Mestre Carlos possuía um cérebro privilegiado, inteligente, instrumental, uma poderosa ferramenta que não teve oportunidade de canalizar para outro uso mais “nobre”. Ele não atingiu o nível de incompetência como postula o Princípio de Peter, porque a sua inteligência dominava e vogava acima do meio cultural reinante e que a sua cultura e fraquíssima preparação escolar lhe permitiam. Ele ”via” tudo que havia para ver muito bem, com muita clareza e nitidez e sem dificuldades a ultrapassar. O seu humor era infantil. Gostava de fazer partidas aos outros. Mas não tinha poder de encaixe suficiente para suportar as partidas de que fosse alvo. As partidas e brincadeiras que fazia tinham algo de ligeiramente sádico.

Em resumo, a pessoa do mestre Carlos era no meu entender suportada por quatro pilares: Um cérebro poderoso, uma energia psíquica enorme, um certo narcisismo (o desejo de chamar a atenção sobre a sua pessoa) e um certo sadismo moderado. Era como dizem no Brasil: Artista – espécie de gente que nunca vai deixar de ser criança.

A este homem que considero bom, brincalhão, mas sério, deixo a minha homenagem.



Pequena Nota:
Acabamos de apresentar mais um interessantíssimo artigo do nosso amigo, Eng. Gaspar Santos que assim vai enriquecendo o conteúdo deste blogue cujo lema é divulgar Alcoutim na tríade passado, presente e futuro, dando a conhecer a sua história, usos, costumes, etc. como se justifica com os temas apresentados.
Conheci o Mestre Carlos que aqui é bem retratado por quem o conheceu e interpretou melhor do que eu.
É claro que existem muitas mais histórias sobre o Mestre Carlos, algumas deturpadas, como é natural, outras que não é fácil contar aqui.
Uma coisa é certa, esta recordação escrita de Carlos Assunção fazia falta e começa a faltar quem o conheceu bem.
Obrigado, Amigo.
JV

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mês de Abril

EFEMÉRIDES

Dia 1
2007
– Inaugurado pelo Secretário de Estado da Juventude e Desportos, Laurentino Dias, o Centro Náutico de Alcoutim.

Dia 3
1624
– Foi sentenciado pelo Tribunal da Inquisição em Lisboa, Diogo Bocarro, filho do ex-alcaide-mor de Alcoutim, Gomes Rodrigues, cristão-novo.

Dia 8
1638
– Carta de Apresentação do Prior da Igreja da Vila de Alcoutim, Lic. Salvador da Costa.


1843 – É aprovada a Postura que regula o horário do comércio local.

1845 – António da Silva por Carta-mercê de D- Pedro V é nomeado Chefe de guardas da Alfândega de Alcoutim.


Dia 11
1998
– Inaugurado o núcleo museológico de arte Sacra, instalado na Igreja de Nª Senhora da Conceição, na Vila de Alcoutim.



Dia 12
1985
– Inauguração da Central foto voltaica de Vale da Rosa, freguesia de Vaqueiros, a primeira do tipo criada no país e que servia 6 fogos e 15 habitantes e pouco depois desactivada.



Dia 14
1851
– Paulo José Lopes é nomeado, por Carta de D. Maria II, Administrador do concelho de Alcoutim.

1863 – Manifesto de Lino José Castilho, mineiro na Amareleja, de uma mina no sítio das Caldeirinhas, proximidades de Cortes Pereiras.




Dia 15
1818
– É criado por D. João VI o Partido Médico de Alcoutim tendo direito ao vencimento de cento e cinquenta mil réis (anuais) e o de Boticário com direito a 30 mil réis.


2000 –É inaugurado o núcleo Museológico de Arqueologia na castelo de Alcoutim.

Dia 18
1845
– António Pedro Teixeira é nomeado, por Carta de D. Maria II, Sub-director da Alfândega de Alcoutim.


Dia 19
1980
– Falece em Lisboa o professor do Ensino Primário Oficial, Manuel José da Trindade e Lima.

Dia 21
1626
– Falece a 5ª Condessa de Alcoutim, D. Isabel de Lencastre.




Dia 24
2007
– Falece em Vila Real de Santo António o alcoutenejo Eng. José Hermógenes Duarte do Rosário, nascido a 22 de Maio de 1923, na vila de Alcoutim.



Dia 25
1877
– Na Feira de São Marcos, o cidadão Miguel Angel de Leon promove grande reunião, tendo sido decidido pelos mesmos enviar uma deputação a Lisboa para expor os grandes problemas por que a população passa depois da Cheia do Guadiana de 1876.

1881 – Na Feira de São Marcos o professor da vila, António Simão Vieira, dá vivas à República e propaga que é o chefe do Partido no concelho.

Dia 27
1894
– É abatido no sítio do Carrascal, pela guarda-fiscal, um contrabandista.

Dia 30
1995 –
O 1º Ministro Cavaco Silva inaugura em Martim Longo o Centro Infantil local.

terça-feira, 31 de março de 2009

Humberto Delgado, Biografia do General Sem Medo



Livro volumoso com 1343 páginas que retratam ao pormenor a vida de um militar que rompeu com o Salazarismo a que tinha aderido, para se tornar o maior ou dos maiores opositores ao regime.

O exaustivo trabalho é ilustrado e muito bem documentado e de autoria de Frederico Delgado Rosa, seu neto.

Adquiri a 2ª Edição que teve lugar em Maio de 2008, já que a 1ª, de Abril desse ano, foi rapidamente esgotada.

Pagou com a morte como muitos mais a sua ousadia.

Com dezanove anos, no dia 30 de Maio de 1958, também eu estive no Largo do Seminário da minha cidade natal, repleto de gente a assistir ao comício e a apoiar o General Humberto Delgado. É um cenário que ainda mantenho na memória.

Apesar de todas as vigarices ocorridas pelo país fora, o General ganhou em Santarém, seu distrito de nascim

segunda-feira, 30 de março de 2009

D. Maria Freire de Andrade, 1ª Condessa de Alcoutim

(Publicado no Jornal Escrito Nº 73, de Julho de 2006, encarte de O Algarve nº 4867)

[A Casa dos Condes em 1969, Foto J.V.]

Era filha de João Freire de Andrade, Senhor de Alcoutim, nascido à volta de 1415 e de D. Leonor da Silva, mais nova do que o marido cerca de quinze anos.

D.Maria Freire devia ter nascido próximo de 1470.

É o segundo matrimónio dele, pois era viúvo de D. Isabel Coutinho (ou Meneses) com quem teria casado em 1 de Outubro de 1442, quando esta já era viúva. D. Isabel era filha única de D. Pedro de Meneses, 2º Conde de Viana, o do “aleo” e de sua mulher, a condessa D. Beatriz Coutinho.

Do primeiro casamento de João Freire, não houve descendência.

Maria Freire era neta paterna de outro João Freire de Andrade, 2º Senhor de Bobadela e de D. Catarina de Sousa e materna de Pedro Gonçalves Malafaia, vedor da Fazenda de D. João I e de D. Isabel Gomes da Silva.

João Freire de Andrade já era falecido em 8 de Julho de 1474. O Senhorio de Alcoutim foi confirmado a sua filha em 22 de Setembro daquele ano.

D. Afonso V retirou a D. Maria Freire a dízima da alfândega de Alcoutim, dando-lhe em contrapartida dezasseis mil reais de tença.

A 13 de Julho de 1481 fez-lhe doação da dízima de todos os espelhos, aguilhós, pentes, cofres, arcas e de todas as outras coisas de que el-rei havia dízima na alfândega de Alcoutim. A Infanta D. Joana tinha a mesma mercê em relação à alfândega de Lisboa.

Há divergências quanto à data do seu casamento com D. Fernando de Meneses, filho do 1º marquês de Vila Real e que teria nascido em 1463.

A filha de Freire de Andrade era considerada formosíssima, tendo D. Fernando casado por amor, contra a vontade de seu pai mas com o aval do rei D. Manuel, seu primo.

Enquanto A. Braamcamp Freire aponta uma carta de D. Manuel I datada de 15 de Novembro de 1496, como a da criação do título de Conde de Alcoutim, pretendem outros que o mesmo tivesse sido criado em 13 de Junho de 1497, como nos indica pelo menos a Nobreza de Portugal e a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.


[Muralha do Castelo de Alcoutim, 1986, foto J.V.]

A História del Reyno de Portugal de Manuel de Faria y Sousa, de 1730, em títulos que deu D. Manuel, sem referir data, diz:- À los Primogénitos de los Marqueses de Villareal, El de Condes de Alcoutim.

Na Carta Régia de D. Manuel em que se faz nomeação do fronteiro-mor do Algarve e datada de 25 de Novembro de 1496, já se refere ao seu muito amado primo, D. Fernando de Meneses, como Conde de Alcouty o que joga com a data apresentada nos Brasões da Sala de Sintra.

Dona Maria Freire de Andrade foi Senhora e 1ª Condessa de Alcoutim e depois 2ª Marquesa de Vila Real. O Condado de Alcoutim era vasto em território, abrangendo muitas herdades espalhadas por todo o seu termo e os seus titulares possuíam variadíssimas e importantes mercês.

Em 16 de Abril de 1487 dá-se um conflito de fronteira entre Alcoutim e Sanlúcar. Cerca de duzentos homens atravessam o Guadiana numa caravela artilhada e pertença de D. Leonor, mãe de D. Maria Freire, comandada por Valentim Arrais e em nove ou dez barcos. Os sanluquenhos refugiam-se na igreja e dá-se o saque à povoação, regressando a Alcoutim e trazendo todos os barcos que se encontravam em condições.

A tudo isto assistiam D. Leonor e D. Maria, com outras alcoutenejas, das janelas da sua pousada, que presumo fossem da hoje designada “Casa dos Condes” que efectivamente ainda agora tem essa posição privilegiada.

Queixam-se os espanhóis a quem de direito, afirmando e segundo testemunhos que o facto deu-se por instigação de D. Leonor, além da caravela, era notória a presença dos seus criados, enquanto mãe e filha, ao serem consultadas sobre o assunto informam que os de Sanlúcar foram os começadores, não querendo entregar um ladrão com o furto, como lhes foi requerido e eram obrigados a fazê-lo.

Não se tratou de caso único, ao longo dos séculos foram, como é compreensível, habituais estes casos, ora de um lado, ora do outro, o que aconteceu por toda a zona fronteiriça em que havia proximidade de povoações.
Em 7 de Janeiro de 1516, D. Manuel fez-lhe doação, sendo já Marquesa, de doze arrobas de açúcar por ano.

Cataldo Sículo, humanista siciliano dirigiu à primeira condessa de Alcoutim, 2ª Marquesa de Vila Real, uma epístola em termos elogiosos excepcionais. Fez parte do pequeno número de portugueses com quem se correspondia e nos quais se incluiu o seu marido e o próprio rei D. Manuel.

Sobreviveu a seu marido que faleceu em Almeirim em 1523. Em 17 de Abril de 1526 foi-lhe passada carta de confirmação de uma tença que seus herdeiros venderam em 3 de Junho de 1532, sendo consequentemente já falecida nesta data.

Além de D. Pedro de Meneses que sucedeu a seu pai no título (2º Conde de Alcoutim - 3º Marquês de Vila Real), foram pais de, pelo menos, mais quatro filhos.
Ficamos pensativos quando ouvimos nacionais e estrangeiros no local próprio (entenda-se - Casa dos Condes, na vila de Alcoutim) solicitarem os porquês que de uma maneira geral e salvo uma raríssima excepção, não têm resposta!
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SOUSA, Manuel de Faria e, História del Reyno de Portugal , 1730
FREIRE, Anselmo Braamcamp, Brasões da sala de Sintra , 3 Volumes - apresentação e notas de Luís Bivar Guerra,IN-CM
RAMALHO, Américo da Costa, Estudos sobre o Século XVI , 1982
Nobreza de Portugal , Dir. de Afonso Martins Zúquete - 1961
Dicionário Ilustrado da História de Portugal , Publicações Alfa, 1985
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
RUBIO, Juan Luis Carriazo, "Violencia Y Relaciones Fronterizas : Alcoutim Y Sanlúcar de Guadiana a Fines Del Siglo XV "in - Actas v.l Porto - 1998, IV Jornadas Luso-Espanholas de História Medieval.

domingo, 29 de março de 2009

Ao visitante do Brasil

Talvez por ter sido bem sucedido no primeiro, vou voltar a um pedido semelhante.

Tenho verificado que muito assiduamente o meu blogue ALCOUTIM LIVRE tem sido visitado por um suíço e por um brasileiro.

Nunca aconteceu no mesmo dia terem aparecido dois suíços ou dois brasileiros pelo que admitimos poder tratar-se da mesma pessoa.

Entretanto o suíço desapareceu mas o brasileiro continua, talvez com mais assiduidade. Como falamos a mesma língua admite-se com mais facilidade.

Se é verdade que as minhas conjecturas falharam com o finlandês em grande parte, não em tudo, pode ser que a minha percepção esteja mais próxima, mas também não a vou manifestar.

Não nos parece tratar de um alcoutenejo que esteja pelo Brasil.

Admitindo que o “brasileiro” que tem visitado o meu blogue seja o mesmo e se isto estiver certo, faço o mesmo pedido que fiz ao finlandês:- Dê-me uma palavrinha através do meu e-mail constante do blogue com a certeza que o sigilo será mantido, a não ser que se manifeste em sentido contrário.

Diga-me porque visita, porque lê o meu blogue e o que mais lhe interessa. Quem escreve gosta de saber estas coisas para a sua própria orientação.

Aqui fica o pedido.

Veremos se temos a mesma sorte que tivemos com o finlandês.

sábado, 28 de março de 2009

A molineta


Ao apresentar este antigo artefacto começo por pedir desculpa da péssima qualidade das ilustrações, mas a verdade é que além da minha pouco habilidade para fotógrafo, a máquina estava com um problema de entrada de luz pelo que há muito foi posta de parte.

As fotografias foram tiradas há quinze anos.

Nos dias de hoje não devem de existir no concelho muitos exemplares do tipo e ainda que tivesse conhecimento da sua existência, até agora só me foi possível observar a fotografada o que me foi facilitado pelo sr. Diamantino Afonso, natural de Afonso Vicente, que a herdou dos pais.

A segunda questão põe-se com a sua designação. Localmente os mais idosos, já que os novos nada sabem dessas coisas, chamam-lhe MOLINETA, daí a designação que lhe demos.

Como é fácil verificar trata-se de duas mós que têm por fim transformar o grão em farinha.

A primitiva trituração de cereais era feita através de duas pedras entre as quais se colocava o grão, esmagado pelo movimento de vaivém. Passou-se depois ao pilão e mais tarde é atribuída aos romanos a introdução das mós circulares, capazes de produzir mais farinha com menos esforço.

Este sistema espalhou-se por todo o país com pequenas variantes. A mó de baixo é fixa, a de cima põe-se em movimento por intermédio de uma espécie de manivela, pau da mó ou estaca. A mó andadeira tem um orifício central, o olho, por onde se deita o grão.


A molineta é colocada numa alcofa feita de empreita, no chão (como representa a ilustração) e é de lá que se retira a farinha que depois é peneirada.

Enquanto o milho moído dava origem ao típico xarém algarvio (papas de milho), o trigo novo dava lugar ao frangolho (papas de trigo).

Este artefacto era designado na zona de Monchique por mozes ou mozinhas de mão, enquanto em Aljezur chamavam moinheta.

Com a evolução técnica, começou a cair em desuso no primeiro quartel do século passado.
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Etnografia Portuguesa, J. Leite de Vasconcellos, Vol.VI, org. por M. Viegas Guerreiro, 1983.
Moinhos, A.Jorge Dias, in Dicionário e História de Portugal, dir. Joel Serrão, Vol.IV.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Sanlúcar (Espanha), a irmã siamesa



Esta fotografia foi tirada há 38 anos! Não são dois dias.

Fui eu que disparei o caixote no raiar da manhã de 28 de Março de 1971 do Alcaçarinho, pelas 7 horas.

A tranquilidade era grande, tanto no rio, como no campo.
A marginal estava ainda muito distante.

A maioria dos sanluquenhos dormiria a sono solto.

As duas povoações estavam adormecidas no tempo!

Sanlúcar do Guadiana, irmã siamesa de Alcoutim como lhe chamava Luís Cunha, chegou no século XV a ser designada por Sanlúcar de Alcautín.

Ainda que tivesse havido guerras, Alcoutim e Sanlúcar são povos fraternos que se têm apoiado durante séculos.

Os laços familiares ainda são notórios.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A "fritada"

Duas fotografias que apresentamos de meados da década de setenta do século passado trouxeram-nos à mente um costume cheio de ritualismo que nessa época e no mês de Dezembro, era apanágio do concelho de Alcoutim e de outros circunvizinhos.

Tratava-se da matança (aqui mais vulgar matação) do porco, hoje acto proibido ou praticado em situações muito especiais, segundo creio.

Não vamos por agora referir todo este acto mas sim localizarmo-nos no que indica o título, A FRITADA.

Este dia de trabalho, de festa e de convívio, era selado pela fritada que consistia na refeição servida aos convidados que tinham ajudado na tarefa ou a um ou outro a quem se devia alguma consideração especial.



Fritava-se em manteiga, como por aqui designam a banha do porco, numa caçoila ou numa sertã, carne do animal que se tinha abatido logo pela manhã, e em que entrava toda a espécie de carne, nomeadamente aquela que nessa altura tinha mais dificuldade em se conservar, (referimo-nos à conservação através do sal, do fumo e da banha) ou seja a cachola (como designam o fígado) os pulmões, o coração e os rins. Temperava-se com louro e bastante alho, pouco antes de concluída a fritura.

Que me lembre, assisti a quatro matações e são de duas delas que apresento as fotografias de que sou o improvisado fotógrafo.



A primeira teve lugar no monte da Corte da Seda, infelizmente a anfitriã, há muito que nos deixou, mas o seu companheiro continua rijo. Ainda se pode ver na parede, a típica espeteira.

A segunda, realizou-ser na vila, três já não estão no nosso convívio, mas os anfitriões, apesar da avançada idade e dos seus achaques, por cá vão andando e desejo que por muito tempo.

São usos e costumes que se vão esboroando no decorrer dos tempos, como aconteceu a outros de que já ninguém se lembra!