sexta-feira, 10 de abril de 2009

GUERRAS LIBERAIS - A Campanha do Algarve, 1833-1834



Editado pela Caleidoscópio – Edição e Artes Gráficas, SA, em Março de 2007 e com introdução de António Ventura, é formado por 86 páginas com um formato de 17X24 cm.

Constitui dois depoimentos de militares estrangeiros ao serviço dos liberais sobre a guerra civil do Algarve (1833-1834).

O primeiro, intitulado Campanha de seis meses no Reino dos Algarves, em Portugal, corresponde ao diário do tenente-coronel Le Charlier, comandante do corpo de atiradores belgas ao serviço de Portugal. Depois faz-se a Narrativa da Expedição dos Algarves.
Como não podia deixar de ser o concelho de Alcoutim é referido, como passamos a transcrever: Pernoitou em Martim-Longo, outro covil dos guerrilheiros. Foi ali que por informações particulares viemos a saber que, aproveitando a nossa marcha no Alentejo, os guerrilheiros se haviam reunido de novo (…).

Mais à frente: O brigadeiro de Mello (…) destacando ao passar por Alcoutim, o coronel de Suarce à frente de 150 homens, com ordem de respaldar a cidade (…)

A 25, às quatro horas da tarde, a cavalaria, alguns atiradores de infantaria e uma manada considerável de bois dirigem-se para Alcoutim (…)
A 26, logo de manhã, os navios chegam a Alcoutim, onde o coronel de Suarce chega às onze horas, após uma das mais penosas marchas.
... … … … …

A 28 dormimos em Martinlongo, vila desprovida de recursos onde a tropa não recebeu distribuição alguma.
... ... ... … ...
No entanto existe uma forja em Martinlongo e o mal foi em parte remediado.

Naturalmente que estas referências têm de ser enquadradas na leitura do livro e depois na história local do referido período.
Se as fizemos foi com o sentido de espicaçar a sua leitura.

A última parte trata-se de Exposição Apresentada a sua Majestade a Rainha, pelo Barão de Suarce.

A Introdução possibilita-nos o enquadramento necessário para podermos melhor compreender o seu conteúdo e dá-nos notas biográficas adequadas dos autores.

Adquiri-o numa livraria de Vila Real de Santo António em 2007.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A Guarda Fiscal em Alcoutim


[Antigo Quartel da Guarda Fiscal em Alcoutim, 1988. Foto JV]

As zonas raianas tiveram sempre propensão para duas actividades antagónicas: - o contrabando e a “guarda-fiscal”, ou seja, o serviço de fiscalização dos impostos cuja arrecadação está confiada às Alfândegas.

Alcoutim não podia fugir à regra e o concelho forneceu dos maiores contingentes para aquele corpo militarizado. (1)

A Guarda Fiscal foi criada pelo Decreto nº 4 de 17 de Setembro de 1885. Este corpo paramilitar devia defender o Estado no que respeita aos direitos e rendimentos que pelo comércio externo cabiam à Fazenda Nacional. Devia por isso a Guarda Fiscal descobrir e reprimir o contrabando, assim como as transgressões dos preceitos fiscais. (2)

A Guarda Fiscal veio substituir os Guardas da Alfândega então existentes.

A partir daqui os mancebos alcoutinenses começaram a ver nela uma actividade que podiam desempenhar, fugindo ao trabalho árduo e pouco rendoso da vida do campo, obtendo mais tarde a almejada reforma, então regalia de poucos, podendo olhar pelas suas courelas ou do futuro cônjuge que os proventos, ainda que pequenos, sempre auxiliavam o magro mas seguro vencimento de soldado.

Durante muitos anos os moços de Alcoutim, de uma maneira geral, após completarem a instrução primária, dificilmente se livravam da actividade agro-pastoril até ao cumprimento do serviço militar, devido a vários factores económico-sociais.

A inspecção militar era vista com preocupação e o apuramento causava alegria. Depois vinha o cumprimento do serviço que se procurava fazer a todo o custo com a “caderneta limpa”.

Aparecia a prova de admissão e lá estavam disciplinados e trabalhadores, não lhes era difícil obter o que pretendiam. Colocados por vezes em lugares distantes da sua região, acabavam por se aproximar alguns já como cabos ou sargentos e outros alcançavam o oficialato.

Podemos dizer que será difícil encontrar uma família de Alcoutim que não tivesse tido elementos na Guarda Fiscal.

Era sede de uma Secção. Teve de si dependentes, entre outros, os seguintes postos:- Abrigo Segundo, Alcaçarinho, Barranco do Álamo, Barranco do Carrascal, Barranco das Pereiras, Canavial, Enxoval, Foz de Odeleite, Grandacinha, Guerreiros, Laranjeiras, Lourinhã, Pontal, Premedeiros e Vascão. (3)

Sabemos que os postos de Vascão, Premedeiros, Lourinhã, Barranco das Pereiras, Abrigo Segundo, Alcaçarinho e Grandacinha foram construídos pelo Ministério da Fazenda em 1890. (4)

Pertencia à Companhia de Faro e ao Batalhão nº 2, com comando em Évora.

Na Sessão da Câmara Municipal de 7 de Maio de 1888, “apresentou-se o 2º Sargento da G. F. Tomaz do Couto Corrêa fazendo verbalmente uma petição em nome do seu chefe, Victor Manuel Quintino Travassos Lopes, encarregado de mandar proceder à reparação do antigo quartel da fiscalização, para rebaixar um metro pouco mais ou menos à rua chamada da Porta Nova, que se acha junto ao mesmo, obrigando-se a deixá-la se não melhor, ao menos como está”. Foi deliberado aceder ao pedido feito.

Em várias ocasiões aparecem referências a autos levantados nos quais estão envolvidos elementos da Guarda Fiscal. Assim, pai e filho espancam um 1º cabo daquela corporação (5) e cinco meses depois é o Chefe da Secção Fiscal que espanca um cidadão pelo que lhe é levantado pelo Administrador do Concelho o competente auto remetido ao Delegado do Procurador Régio da Comarca de Tavira.

Em 1913 o Comandante da Secção da Guarda Fiscal é provocado na Praça da República pelo Administrador do Concelho que de cavalo marinho em punho tem atitudes agressivas por gestos e palavras na presença de muitas pessoas.

O Comandante participa o assunto ao seu superior hierárquico solicitando providências e nomeadamente a competente participação ao Governador Civil. (6)

Em 15 de Fevereiro de 1950 o 2º Comandante Geral da Guarda Fiscal visita a Secção de Alcoutim.

Nos princípios dos anos setenta, a grande maioria dos postos estavam activados, mas a pouco e pouco começaram a ser extintos e mesmo os edifícios postos em hasta pública.

As pensões pagas pela C.G.Aposentações. no concelho não nos enganávamos se disséssemos que 90 % pertenciam a elementos da Guarda Fiscal.

[Antiga guarita da Guarda Fiscal em Alcoutim, 1988]
Esta corrente de actividade decaiu com a chegada do turismo e com a emigração.

No dia 20 de Fevereiro de 1990, são apreendidos 1068 kg. de haxixe que se encontravam a bordo de um iate holandês, de nome Inexplorato,(7) constituindo até à altura a terceira maior apreensão de sempre no Algarve. Pensamos que foi a última efectuada pela G. F. de Alcoutim, já que devido principalmente à integração de Portugal na Comunidade Europeia, a Guarda Fiscal é extinta pelo decreto-lei nº 230/93, de 26 de Junho e criada a Brigada Fiscal, integrada na G.N.R.

Do preâmbulo do diploma, consta:- A Guarda Fiscal assegura, há mais de um século, a actividade de controlo e trânsito de pessoas e bens, contribuindo, com dignidade e prestigiante brio no desempenho da sua elevada função, para a solidificação de Estado de direito em Portugal, actuando empenhada e conscientemente na prevenção de actos ilícitos, na fiscalização e na repressão das infracções às leis do Estado.

Pequena Nota

Este artigo constitui uma cópia integral do que consta sobre o tema na 2ª Edição (em preparação) de Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (subsídios para uma monografia).
As notas ficarão para uma hipotética publicação.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

As tuneiras



Tuneira é o nome mais vulgar no concelho de Alcoutim para designar uma planta arbustiva, carnosa, de ramos compridos, articulados e espinhosos.

Este tipo de opúncias ou cactáceas é também designado noutras regiões por figueira-da-índia, figueira-da-barbária, pita, nopal, etc.

Tendo por nome científico (Opuntia ficus-indica (L.) Mill), é provavelmente originária da América Central, mais propriamente da região semidesértica do México, de onde os espanhóis a trouxeram para a Europa e os mouros para África.

Planta sub-espontânea, desenvolve-se bem em solos pedregosos e secos, resistindo bem à falta de humidade pois vai acumulando-a nos seus troncos verde-escuro, no período das chuvas e que quando velhos se tornam acinzentados e lenhosos.

As folhas estão transformadas em espinhos.

Esta planta no concelho de Alcoutim tinha várias utilidades. Colocada nas extremas, dividia e protegia com eficiência as propriedades.

Os figos de tuna, como chamam aqui aos seus frutos, são muito doces, frescos e comestíveis.

Colhem-se pela manhã, com uma tenaz, aproveitando as maresias pois nessa altura os espinhos dos frutos que são muito finos, têm menos possibilidade de se cravarem nas nossas mãos, de onde dificilmente se tiram. Depois, varrem-se bem varridos para que todos os espinhos saiam.

São considerados um bom alimento para os porcos que além dos engordarem bem, também lhe proporciona uma carne mais saborosa.

As tuneiras localizavam-se de uma maneira geral junto dos montes onde normalmente a terra era pouca. Por outro lado, os pocilgos estavam por perto sendo mais fácil o trabalho de transporte.

As tuneiras devido à transformação do modo de vida começaram a ser atacadas pelo homem que já delas não necessita como anteriormente.

Em lugar das tuneiras estão hoje algumas casas.

A sua flor, de cor alaranjada, é muito bonita, apresentando um quadro agradável à vista.

Os alcoutenejos utilizam o suco das suas palmas que faz misturado com mel ou açúcar, um xarope para a tosse e para a asma.

Os seus derivados são utilizados em farmácia e cosmética. Das sementes do seu fruto extrai-se um óleo valioso, comprado pela indústria cosmética por cerca de mil euros o litro, segundo informação que recolhemos.

O fruto é utilizado para o combate à diarreia, o seu uso excessivo pode causar obstipação.
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terça-feira, 7 de abril de 2009

A Capela de Santa Marta (a velha)


[As ruinas em 1990]

Referimo-nos a esta capela, primeiro e dentro dos poucos conhecimentos que tínhamos, no nosso trabalho, Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (subsídios para uma monografia), 1985, pp 231, 232 e 351 e posteriormente, já com outros conhecimentos no artigo intitulado “A Capela de Santa Marta (a velha) e o “monte” do mesmo nome, na freguesia de Alcoutim, publicado no Jornal do Algarve de 26 de Abril de 1990.

Iremos primeiro ao nome da invocação. Santa Marta, irmã de Maria e de Lázaro. Uma antiga tradição diz que ela foi morrer na Provença (França). Curiosamente, perto da povoação de Santa Marta existiu uma herdade denominada das Provenças, onde em 1859 foi registada uma mina de cobre (1), zona rústica ainda hoje assim conhecida. Haverá alguma relação entre uma coisa e outra? Pensamos que sim.

O culto de Santa Marta foi especialmente estimado nos séculos XIII-XIV. (2)

No final do ano de 1565, a Ordem de Santiago, a quem D. Dinis declarou dar as igrejas que mandasse fazer em Alcoutim, veio a ser cabeça de Comenda e dependia do Mestrado de Cacela, na “visitação”, espécie de inspecção, que efectuou entre outros templos foi à Hermida de Santa Marta, situada numa pequena elevação, perto do monte do mesmo nome, freguesia de Alcoutim, a qual he muito antiga e repaira se a conta de pessoas devotas.
É então descrita nos seguintes termos: A capella he de duas agoas madeirada dàguieiros, emcaniçada; as paredes são de pedra e barro; tem hum altar dàlvenaria cubertos com humas toalhas da terra e nelle a imagem de Santa Marta de vulto já muito velha; o arco da capella está armado sobre aguieiros de madeira; he pequeno e não como deve ser; as paredes do corpo da igreja são de pedra e barro desguarnecidas por dentro e por fora; he madeirada de castanho, emcaniçada por cima; o portal da porta principal he d` alvenaria redondo fechado com suas portas. (3)

Esta descrição do pequeno templo, feita há mais de quatrocentos e quarenta anos, ainda hoje se ajusta em grande parte ao que ainda resta das suas ruínas. A porta é que deixou de ser em arco redondo para passar a rectangular. Notavam-se igualmente pequenas transformações, nomeadamente quanto ao espaço.

De planta rectangular, tem cerca de 12m X 6 m e uma das paredes laterais é suportada por três gigantes. Construída de xisto e grauvaque da região com auxílio de barro. O local da porta apresentava uma abertura com cerca de dois metros.

Como obra posterior, as ruínas apresentam a indicação de dois pequenos compartimentos, um destinado à sacristia e outro possivelmente à Confraria que a dirigisse.

Por cima do altar, de que nada resta, situava-se um nicho. Podia ainda ver-se também na frontaria parte da beira-telha e por cima da porta notava-se igualmente uma fresta que arejava e iluminava o templo.

O visitador recomenda aos devotos que arranjem a capela, guarneçam a ermida e façam outra imagem nova porque a que ora têm, não é como deve ser.
Certamente que não é esta a imagem que chegou aos nossos dias pois Francisco Lameira (4) refere-a em razoável estado de conservação, considerando-a como exemplar de boa qualidade, imagem pintada, dourada e estofada, datando-a do século XVIII.

Nas Memórias Paroquiais de 1758, na resposta ao quesito 14 refere-se: Em alguns dias do ano vão algumas pessoas, desta freguesia, como de fora (…) a Santa Marta, sendo que no dia da sua festa sempre concorre mais gente; fora do dia da sua festa, não tem dias determinados, nem há sempre as tais romarias. (5)


A devoção por esta Santa era e é grande, sendo, como acabamos de dizer, local de romaria.

Constavam de missa solene e procissão. Nas imediações a juventude cantava e dançava modas de roda.

Na ermidinha tinham lugar frequentemente casamentos e baptismos. Tenho conhecimento de alguns, que os próprios me referiram.

Os festejos no seu dia (29 de Julho) tinham repercussão nas redondezas, sendo muito concorridos. O último teve lugar em 1939, segundo nos informou a Sr. Catarina Maria Guerreiro, do Monte de Baixo que nos adiantou no seu saber que a Santa do seu lugar avistava os sete irmãos que eram S. Martinho (Cortes Pereiras), Nª Sª das Neves (Mesquita), Nª Sª do Amparo (?), São Barão (Alcaria Ruiva) Senhora de Aracelis (Vale de Açor), Senhora de Aguada de Lupos (?) (Serpa) e Virgem de La Penha (Alcaria Puebla-Espanha).

A estória de se avistarem sete irmãos repete-se por imensos sítios desconhecendo eu a sua origem que possivelmente estará relacionada com alguma lenda.

A aceleração da ruína da capela foi contínua e em meados dos anos setenta do século passado houve mesmo uma tentativa de roubo a que o povo pôs cobro, levando a imagem e os castiçais para a escola primária que se encontrava ainda em funcionamento.

Com o fecho desta, passou para o salão do Centro Cultural Recreativo e Desportivo local, fundado em 1981.


[A nova capela no dia da inauguração, 4.8.1991]

Gerou-se depois um movimento no sentido de dar lugar compatível a Santa Marta, pensando-se proceder ao restauro do velho templo, o que acabou por ser posto de parte e construído um novo, agora à entrada do Monte de Cima.

Para o efeito, a Câmara Municipal cedeu à Diocese do Algarve 480 m2 de terreno (6) e em 1986 já se encontrava de pé.

De planta pentagonal e com um pequeno alpendre, foi inaugurada no dia 4 de Agosto de 1991.

Assim, Santa Marta ficou com nova residência.



NOTAS

(1) – Registo de 2 de Outubro de 1859.
(2) – Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (Adenda), entrada Alcoutim.
(3) –“Visitações” da Ordem de Santiago no Sotavento Algarvio (subsídios para o estudo da História da Arte no Algarve) Hugo Cavaco, Vila Real de Santo António, MCMLXXXVII, pp 346 e 347.
(4) – A Escultura de Madeira no concelho de Alcoutim do séc.XVI ao séc. XIX, Francisco Lameira e Manuel Rodrigues, Faro, 1985.
(5) – Vol. 2, nº 12, ANTT.
(6) – Jornal do Algarve de 13 de Junho de 1985.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A azinhaga do Terreiro



Esta foto é relativamente recente, Setembro de 1989.(Foto JV)

Nela, só há uma coisa que destoa, o poste da electricidade.

O restante respira tipismo. O chão ao correr da rocha, as paredes todas de xisto e grauvaque, um arruinado boqueirão, ao fundo uma velha porta, é visível a telha de canudo, o resto de cal numa frontaria e até não falta um bando de perus aproveitando a sombra da parede.

Esta azinhaga, como o título indica, leva-nos ao local mais importante do monte, o terreiro.

Sobre os “terreiros”, falaremos um dia.

Visitantes/leitores, de tudo isto só resta o pau de arame, como por aqui o povo costuma chamar aos postes, ora de madeira ora de cimento e … esta fotografia para mostrar aos vindouros, o resto, tudo se modificou.

domingo, 5 de abril de 2009

A queijeira


Nunca vi até hoje, a não ser no concelho de Alcoutim e limítrofes peças utilitárias deste tipo e quando a vi pela primeira vez, perguntei o que era aquilo, como se chamava e para que servia.

O meu interlocutor, com um sorriso de admiração possivelmente pela pergunta formulada, pensando que aquele artefacto fosse conhecido e utilizado em todo o país, respondeu-me com toda a naturalidade que era uma queijeira e que servia para fazer vinho e azeite.

Fiquei confuso e vou tentar explicar porquê.
Chamando-se queijeira, serviria no meu raciocínio para fazer queijo, no Ribatejo e nas Beiras, que eu soubesse, o vinho e o azeite faziam-se em lagares de tipos diferentes.

- Mas se não se fazem queijos, já se teriam feito em tempos recuados.
- Não senhor, aqui isso nunca aconteceu que eu me lembre!

Pus a questão a outras pessoas e a resposta foi sempre a mesma e a minha confusão continuava.

Em dois artigos que publiquei no Magazine do Jornal do Algarve, englobados em Coisas Alcoutenejas e sob o título “O vinho caseiro” (31 de Março de 1994) e “A oliveira na economia concelhia (30 de Abril de 1994) procurei explicar as razões que mais tarde encontrei para justificar esta designação e sua utilização, o que agora não vou repetir.

Procurando um tabuão largo e grosso, moldavam-no no sentido de ter uma parte mais estreita a terminar numa espécie de bico.

Procediam depois à remoção da parte central que procuravam endireitar deixando um rebordo de dois ou três dedos de largura e uma profundidade de três/quatro dedos. O escavar da madeira afunilava originando um rego de cerca de dois dedos de largura. Esta peça resistente e maciça leva três pés, dois equidistantes do “bico” e próximos dele e um terceiro, na parte mais afastada, ao centro e que tem a característica de ser mais alto do que os outros dois.

Eram troncos previamente escolhidos pelo formato e qualidade da madeira, normalmente chaparro ou zambujeiro que depois de adelgaçados numa das extremidades eram embutidos na parte inferior da queijeira propriamente dita.

Tal como outras peças que já referimos neste tema, confeccionavam-se localmente e era impossível encontrar duas iguais, como se compreende.

Não eram muito vulgares e iam passando de geração em geração já que se tratava de peças muito resistentes, como a função que desempenhavam requeria.

Para o fabrico do vinho, os cachos eram colocados dentro de um talego de pano poroso e que o homem ia espremendo até sair o máximo de mosto possível. O que ficava, o engaço, a grainha e o folhelho, era removido.

Devido à inclinação do artefacto, o líquido ia correndo, saindo pelo bico para um alguidar, então de barro.

A mesma queijeira servia para o fabrico do azeite pelo mesmo processo, com a diferença que a azeitona depois de salgada era esmagada com um maço de madeira e depois de metida no talego era bem escaldada para possibilitar a saída do óleo que corria juntamente com a água para um alguidar de barro que na parte lateral, junto ao fundo tinha um pequeno orifício que se tapava com um pauzinho de esteva afiado. Como se sabe, o azeite é mais leve do que a água e por isso vem ao de cimo. Como a água fica no fundo, vai-se afrouxando o pauzinho de esteva e ela (água-ruça) vai saindo. Por outro lado, através de uma vieira vai-se recolhendo à superfície o azeite.

Nem todas as casas tinham uma queijeira, que não era fácil de arranjar. Valia na circunstância a cedência feita por quem as tinha, depois do seu governo.

Primeiro foi o desaparecimento em meados do século passado da feitura do azeite, devido à existência de alguns lagares e ao comércio da azeitona que a abertura de estradas possibilitou, depois foi o vinho, começando as queijeiras a serem substituídas por prensa.

Hoje as queijeiras existentes, quando não queimadas, constituem peças de museu.
Consegui salvar uma de ser queimada e que é capaz de ter mais de cem anos!

O Dicionário do Falar Algarvio, de Eduardo Brazão Gonçalves, 1996, não a refere.

sábado, 4 de abril de 2009

Frei António Rosado

Nasceu na vila de Mértola cerca de 1575.

Bacharelou-se em Cânones pela Universidade de Coimbra, tendo professado sob o hábito Dominicano em 15 de Maio de 1602.

Foi mestre de Teologia na sua Ordem, Visitador das naus estrangeiras em Lisboa e no Porto e Comissário do Santo Ofício no Brasil, tendo estado em Pernambuco (Olinda).

Tinha por máxima que quando não acode a justiça da terra, acode a do céu.

Escritor considerado pela linguagem e estilo.

Faleceu no Convento da Batalha em 1640.


[Igreja da Sé, Cidade de Olinda, Pernambuco, Brasil]

Escreveu:
Tractados sobre os quatro Novíssimos, com logares communs dos Padres sobre a mesma matéria, Porto, 1622, obra pouco vulgar.

Tractados em louvor do Sanctissimo Rosário, sobre a oração do Padre-Nosso, e cântico da Senhora, igualmente editado no Porto pelo menos em 1622.

Tractados sobe a Destruição de Jerusalém, Lágrimas de Jeremias, Ezechias, S. Pedro, Sancta Magdalena, Conversão de Dimas, e condemnação de Judas, Ibi, 1624.

Sermão em S. Domingos do Porto, anno do Senhor de 1620, na Festa de S. Pedro Martyr, Padroeiro da Sancta Inquisição, Coimbra, 1620.

Sermão na trasladação que fez o Senhor Bispo D. Frei Gonçalo de Moraes dos ossos dos Senhores Bispos do Porto seus antecessores, aos 20 de Março, dia de S. Martinho no anno de 1614, Porto, 1618.

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Dicionário Bibliográfico Português, Inocêncio Francisco da Silva, Vol. I, 1858, pp 261 e 262

sexta-feira, 3 de abril de 2009

D. Fernando de Meneses, 1º Conde de Alcoutim

Pequena Nota
Temos vindo a organizar no decorrer dos anos algumas notas biográficas sobre os condes de Alcoutim, o que iniciámos em parte quando demos a público Alcoutim, capital do nordeste algarvio (subsídios para uma monografia), 1985, numa edição da Câmara Municipal de Alcoutim e há muito esgotada.
Atendendo a que presentemente possuo mais alguns elementos sobre esta figura, vou tentar passá-los com alguma ordem para o “papel”.



D. Fernando de Meneses devia ter nascido por volta de 1463, sendo filho de D. Pedro de Meneses, 1º Marquês de Vila Real e de sua mulher, D. Beatriz de Bragança.

Veio a casar, por amor e contra vontade de seu pai com D. Maria Freire de Andrade, que segundo as crónicas era muito formosa, mas com o aval de seu primo, o Rei D. Manuel, isto por voltas de 1486.

A data da criação do Condado não é pacífica, enquanto Anselmo Braamcamp Freire, no Vol.III de Brasões da Sala de Sintra afirma que a criação teve por base uma Carta de D. Manuel I datada de 15 de Novembro de 1496, a Nobreza de Portugal e a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira pretendem 13 de Junho de 1497, havendo ainda quem opte por 1520, quando Alcoutim recebeu foral novo concedido por aquele Rei.

A origem do título teve por base o casamento com D. Maria Freire de Andrade, Senhora de Alcoutim, da linhagem dos Freires de Andrade, Senhores da vila de Bobadela, hoje concelho de Oliveira do Hospital.

A História Del Reyno de Portugal, de Manuel de Faria Y Sousa, de 1730, em títulos que concedeu D. Manuel, sem referir data, diz: À los Primogénitos de los Marqueses de Villareal, El de Condes de Alcoutim.
Por Carta Régia de D. Manuel I de 25 de Novembro de 1496, é nomeado Fronteiro-mor do Algarve e na qual já o identifica como Conde de Alcoutim.

Foi igualmente Condestável do Reino, funções que tinham sido exercidas por D. Afonso, filho bastardo de D. Diogo, duque de Viseu e que foi apunhalado por D. João II.

Em 1490 D. João II mandou-o a Ceuta onde praticou notáveis actos de guerra contra a moirama, conseguindo vitórias memoráveis, como aconteceu em Targa e Casimî.
Com ele encontravam-se os irmãos mais novos, D. António de Noronha, D. Diogo de Noronha e D. Henrique de Meneses, tendo armado Cavaleiros estes dois últimos na presença da fidalguia.

Era muito aclamado pelos soldados a quem transmitia confiança e coragem militar.

Ao regressar à Corte o rei honrou-o com rasgados elogios e agradecimentos.

Foi o 4º Capitão de Ceuta onde muito se distinguiu e possivelmente lá teria conhecido João Freire de Andrade que viria a ser seu sogro.

Emitiu parecer favorável ao abandono das praças do Norte de África, por entender que o Reino não podia suportar as despesas da sua manutenção.

Fez parte do pequeno número de portugueses que se correspondia com o humanista siciliano, Cataldo Sículo (Palermo 1455 – Lisboa 1517) e nos quais se incluía o rei D. Manuel.

Desde 1498 que o hospedava em sua casa como preceptor dos filhos, nomeadamente D. Pedro de Meneses, que veio a ser o 2º Conde de Alcoutim e D. Leonor de Noronha.

Acompanhou o rei, entre outros, a Valença de Alcântara quando este foi receber por mulher, D. Isabel, viúva do príncipe D. Afonso, filha de Fernando de Aragão e de Isabel de Castela e que veio a morrer de parto em 1498 e também na romamgem que fez a Santiago de Compostela e querendo o rei passar por incógnito, nomeou-o para ser respeitado por toda a comitiva.

Vem a exercer pressão sobre o rei, tomando em consideração os feitos realizados e consegue que seu irmão D. António de Noronha seja feito Conde de Linhares.


[Conquista de Ceuta, óleo de Rocha Vieira]

D. Fernando de Meneses e D. Maria Freire, além de D. Pedro que lhe sucedeu no título, foram pais de D. João de Noronha, capitão de Ceuta, D. Nuno Álvares de Noronha, que foi governador da mesma Praça, D. Afonso de Noronha, 5º Vice-rei da Índia, D. Leonor de Noronha e D. Maria de Meneses.

Foi Conde de Alcoutim até 1499, data do falecimento de seu pai, passando a usufruir o título de 2º Marquês de Vila Real. Já como Marquês de Vila Real encomenda a construção da Igreja Matriz de Caminha.

Foi igualmente 2º Conde de Valença (1 de Setembro de 1499) com o Senhorio da mesma vila e do de Caminha.

Faleceu em Almeirim em 1523 e jaz no Convento de S. Francisco de Leiria, para onde foi trasladado do de Santarém, em que esteve depositado.

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Corografia do Reino do Algarve, Frei João de S. José, 1577.
Corografia Portugueza, Padre António Carvalho da Costa, 1702/1712. pág. 11.
Dicionário Ilustrado de História de Portugal, Edições Alfa, 1986.
Estudo sobre o Século XVI, Américo da Costa Ramalho, 2ª Edição, IN-CM, 1982
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
História da Arte Portuguesa, Vol. 2, dir. de Paulo Pereira, 1995, pág. 323.
Historia Del Reyno de Portugal, por Manuel de Faria Y Sousa, MDCCXXX, en Amberes, pág. 256
História do Ensino em Portugal, Rómulo de Carvalho, 1986
História Genealogica da Casa Real Portugueza, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi/Público, Academia Portuguesa da História, Vol. V, 2007 (fac-similada da ed. de 1738)
O Domingo Illustrado, Agosto de 1897, pág. 103.
Portugal Antigo e Moderno, A.S.B. de Pinho Lel, Vol.11. pág. 955
“Portugal no Começo do Século XVI: O relatório do veneziano Lunardo da Cà Masser”, Vitorino Magalhães Godinho, in Revista de História Económica e Social, nº 4 – Julho/Dezembro, 1979, Sá da Costa Editora.
http://genealogia.sapo.pt – em 2002.09.02

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mestre Carlos, um artesão de qualidade e ... não só


Escreve
Gaspar Santos

Chamava-se Carlos Assunção e para alguns tinha a alcunha de “Remexido”. Foi uma figura marcante em Alcoutim entre os anos 40 e 90 do século passado. Natural de Tavira, casou em Alcoutim onde criou duas filhas, Maria Elvira e Fernanda, nossas amigas de infância.

Conheci a sua oficina em três locais: o primeiro na Rua D. Sancho II numa das últimas casas à esquerda de quem sobe; o segundo ao lado da Igreja da Misericórdia. Esta casa veio a ser sacrificada com a estrada de penetração na Vila. Finalmente, a oficina e residência na actual Rua Prof. Trindade e Lima. Em qualquer destas casas, quem estudava, trabalhava fora, ou estava na tropa, era “obrigado” a uma visita ao mestre Carlos no dia da chegada ou no dia seguinte. Eu também segui essa prática.


[Cais velho e cais novo, 1965]

Era uma pessoa competente na sua profissão, fazia trabalho de muita qualidade geralmente muito apreciado. Só ele fazia a contento o adequado sapato ortopédico a uma conterrânea nossa, deficiente dum membro inferior. Como era muito habilidoso, alargava ainda a sua actividade a tarefas de mecânico de bicicletas, desenrascando sempre todos os que estavam em dificuldade, com prontidão e boa vontade.

Nos últimos anos que morou em Alcoutim, ainda socorreu alguns automobilistas, dispensando-lhes alguns litros de gasolina, quando ali apareciam aflitos na procura de bomba que era suposto uma sede de concelho ter.

O Mestre Carlos irradiava energia e uma permanente boa disposição. Tinha uma enorme predisposição para o chiste e a brincadeira. Espontaneamente criava graças contagiantes. No género, foi uma das pessoas mais brilhantes que conheci.

Era, porém, analfabeto. Caso contrário e convenientemente formado teria ido longe na criação e na representação teatral.


[O guerrilheiro Remexido]
A alcunha de Remexido, não era propriamente dele. Era da família. Penso que do seu pai e teria sido inspirada na conjugação da sua grande energia com a personalidade de outra figura histórica algarvia a quem chamavam Remexido.

Às vezes as suas brincadeiras continham uns laivos de humilhação para quem era seu alvo, mas a intenção não era malévola. Só queria rir e fazer rir recuando logo que via que a sua brincadeira estava a ir longe de mais e a ser ofensiva.

Era ele que com o mestre Cândido Xavier e o Lázaro Martins animavam todos os anos o Carnaval de Alcoutim.

Brincava com toda a gente; com os fracos, e até mesmo com os poderosos, sabendo sempre até onde poderia ir. A verdade é que as pessoas, alvo das suas partidas nunca se ofenderam ao ponto de tirarem desforço físico, embora por vezes respondessem com insulto. Havia, com certeza, pessoas que não simpatizavam com as suas brincadeiras. Mas não lhe conheci inimigos.

Comigo em criança, quando ia pedir-lhe uma porção de cera ou uns atacadores para os sapatos dizia invariavelmente: toma lá, mas leva mais outra coisa que o teu pai me pediu. E lá vinha ele com um embrulho contendo uma pedra, uns sapatos retirados ao lixo, ou outra coisa sem valor. Só caí na primeira vez!

Em política, nesses tempos, não incomodou nem foi nunca incomodado pelo fascismo.

Referirei algumas das suas partidas, para exemplificar, pois cada pessoa que o tivesse conhecido deve ter dúzias destas para contar:

1- Uma manhã na obra de construção do Cais mestre Carlos pediu umas cascas de eucalipto para fazer um chá. À noite convidou os capatazes da obra para beberem um copo com estopeta de atum. Eles nunca tinham comido esse petisco, mas ao mastigar estranharam o sabor a casca de eucalipto e cuspiram. Entretanto o mestre Carlos deliciava-se de gozo com o resultado da partida e... com pedaços de estopeta, semelhante à casca de eucalipto desfiada, que ele sabia onde estava no prato. No fim foi uma risota inclusive das vítimas. Mas tinha sempre um prato verdadeiro que vinha a seguir.

2-Um tio de sua mulher todos os dias visitava a oficina. Já via mal mas deu para ver umas cautelas de lotaria antigas que o mestre tinha espetadas num prego. O tio mostrou-se interessado em levar uma. Sim senhor, depois paga disse ele. Passados dias o tio perguntou pelo resultado. Tem o mesmo dinheiro respondeu o mestre, pode deixar essa e levar outra. E assim andou várias semanas. Até que outra pessoa, não sabendo que era uma partida revelou a verdade. Mas não cobrou um centavo ao tio!!

3-Um dia um homem do Marmeleiro (localidade a cerca de 3,5 km de Alcoutim) entrou na oficina. O mestre Carlos disse-lhe: ainda bem que veio. Tenho aqui uma pedra de gelo para entregar ao lavrador que está doente. O homem lá foi com aquele peso, provavelmente em cima do burrico onde se deslocava. Ao desembrulhar a encomenda o lavrador disse para o homem: o mestre Carlos já te enganou. O que aqui vem é uma enorme pedra!
Também o mestre Carlos foi vítima de algumas partidas de que não gostava mesmo nada.
Ele também já esperava ser alvo de algum tipo de partida. Assim, para evitar espetar algum prego nas nádegas, um tipo de partida previsível onde havia tantos pregos, fazia sempre uma verificação cuidadosa, manualmente, sempre que se sentava na sua cadeira de trabalho.

No entanto, fizeram-lhe uma partida que ficou célebre e o marcou para o resto da vida:
Naquele tempo havia muito peixe e todos pescavam à linha com certo sucesso. O mestre Carlos um dia tentou a sua sorte. Pescava junto aos cais e alguém o convidou para tomar cerveja. Ele deixou a pesca e foi beber. Quando voltou e começou a levantar a pesca esta mostrava um certo peso. Qual não é o seu espanto quando recolheu o resultado da pesca… uma bota velha. Na muralha todos começaram a rir. O mestre Carlos nunca mais foi pescador desportivo.


[Praça da República em 1969]

Não consigo encontrar no meu léxico, um adjectivo depreciativo que se lhe aplique. Nem o de bêbedo, embora ele apanhasse de vez em quando uma boa bebedeira. Às vezes, em tal estado que, sendo ele um exímio ciclista, conseguia equilíbrio sobre uma bicicleta quando não o conseguia sobre os seus pés.

O Mestre Carlos possuía um cérebro privilegiado, inteligente, instrumental, uma poderosa ferramenta que não teve oportunidade de canalizar para outro uso mais “nobre”. Ele não atingiu o nível de incompetência como postula o Princípio de Peter, porque a sua inteligência dominava e vogava acima do meio cultural reinante e que a sua cultura e fraquíssima preparação escolar lhe permitiam. Ele ”via” tudo que havia para ver muito bem, com muita clareza e nitidez e sem dificuldades a ultrapassar. O seu humor era infantil. Gostava de fazer partidas aos outros. Mas não tinha poder de encaixe suficiente para suportar as partidas de que fosse alvo. As partidas e brincadeiras que fazia tinham algo de ligeiramente sádico.

Em resumo, a pessoa do mestre Carlos era no meu entender suportada por quatro pilares: Um cérebro poderoso, uma energia psíquica enorme, um certo narcisismo (o desejo de chamar a atenção sobre a sua pessoa) e um certo sadismo moderado. Era como dizem no Brasil: Artista – espécie de gente que nunca vai deixar de ser criança.

A este homem que considero bom, brincalhão, mas sério, deixo a minha homenagem.



Pequena Nota:
Acabamos de apresentar mais um interessantíssimo artigo do nosso amigo, Eng. Gaspar Santos que assim vai enriquecendo o conteúdo deste blogue cujo lema é divulgar Alcoutim na tríade passado, presente e futuro, dando a conhecer a sua história, usos, costumes, etc. como se justifica com os temas apresentados.
Conheci o Mestre Carlos que aqui é bem retratado por quem o conheceu e interpretou melhor do que eu.
É claro que existem muitas mais histórias sobre o Mestre Carlos, algumas deturpadas, como é natural, outras que não é fácil contar aqui.
Uma coisa é certa, esta recordação escrita de Carlos Assunção fazia falta e começa a faltar quem o conheceu bem.
Obrigado, Amigo.
JV

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mês de Abril

EFEMÉRIDES

Dia 1
2007
– Inaugurado pelo Secretário de Estado da Juventude e Desportos, Laurentino Dias, o Centro Náutico de Alcoutim.

Dia 3
1624
– Foi sentenciado pelo Tribunal da Inquisição em Lisboa, Diogo Bocarro, filho do ex-alcaide-mor de Alcoutim, Gomes Rodrigues, cristão-novo.

Dia 8
1638
– Carta de Apresentação do Prior da Igreja da Vila de Alcoutim, Lic. Salvador da Costa.


1843 – É aprovada a Postura que regula o horário do comércio local.

1845 – António da Silva por Carta-mercê de D- Pedro V é nomeado Chefe de guardas da Alfândega de Alcoutim.


Dia 11
1998
– Inaugurado o núcleo museológico de arte Sacra, instalado na Igreja de Nª Senhora da Conceição, na Vila de Alcoutim.



Dia 12
1985
– Inauguração da Central foto voltaica de Vale da Rosa, freguesia de Vaqueiros, a primeira do tipo criada no país e que servia 6 fogos e 15 habitantes e pouco depois desactivada.



Dia 14
1851
– Paulo José Lopes é nomeado, por Carta de D. Maria II, Administrador do concelho de Alcoutim.

1863 – Manifesto de Lino José Castilho, mineiro na Amareleja, de uma mina no sítio das Caldeirinhas, proximidades de Cortes Pereiras.




Dia 15
1818
– É criado por D. João VI o Partido Médico de Alcoutim tendo direito ao vencimento de cento e cinquenta mil réis (anuais) e o de Boticário com direito a 30 mil réis.


2000 –É inaugurado o núcleo Museológico de Arqueologia na castelo de Alcoutim.

Dia 18
1845
– António Pedro Teixeira é nomeado, por Carta de D. Maria II, Sub-director da Alfândega de Alcoutim.


Dia 19
1980
– Falece em Lisboa o professor do Ensino Primário Oficial, Manuel José da Trindade e Lima.

Dia 21
1626
– Falece a 5ª Condessa de Alcoutim, D. Isabel de Lencastre.




Dia 24
2007
– Falece em Vila Real de Santo António o alcoutenejo Eng. José Hermógenes Duarte do Rosário, nascido a 22 de Maio de 1923, na vila de Alcoutim.



Dia 25
1877
– Na Feira de São Marcos, o cidadão Miguel Angel de Leon promove grande reunião, tendo sido decidido pelos mesmos enviar uma deputação a Lisboa para expor os grandes problemas por que a população passa depois da Cheia do Guadiana de 1876.

1881 – Na Feira de São Marcos o professor da vila, António Simão Vieira, dá vivas à República e propaga que é o chefe do Partido no concelho.

Dia 27
1894
– É abatido no sítio do Carrascal, pela guarda-fiscal, um contrabandista.

Dia 30
1995 –
O 1º Ministro Cavaco Silva inaugura em Martim Longo o Centro Infantil local.