sábado, 16 de maio de 2009

Jovens alcoutenejos, hoje entre os 35 e 45 anos!



Jovens alcoutenejos hoje com cerca de 35/45 anos!

Quem os conhece nesta foto tirada na Rua de S. Salvador na Vila de Alcoutim?

Aproveitaram o acesso à velha forja, hoje desaparecida para se agruparem para a foto de “família”.

Estávamos em Fevereiro de 1976.

Uns, continuam na vila trabalhando em vários ramos, (eles e elas) outros, que constituem a sua maioria estão espalhados pelo país exercendo as mais diversas actividades.

Desconhecendo a de todos e até havendo quem não consigo identificar, poderei dizer contudo que temos aqui vários licenciados.

Há gente na área da medicina, farmácia, informática, comércio, serviços administrativos, eu sei lá.

Pergunto mais uma vez, quem os conhece?
A Câmara Escura de hoje é um pouco diferente do habitual

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A freguesia de Alcoutim, pequenos estudos monográficos sobre os seus "montes".

Depois de no nosso trabalho Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (Subsídios para uma monografia), 1985 onde referimos com o que nos foi possível, todos os montes da freguesia, continuámos as nossas investigações no sentido de aumentar o nosso conhecimento sobre os mesmos.

A partir de 1989 começamos a publicar na imprensa regional estudos mais completos sobre as pequenas povoações que constituem a freguesia do concelho de Alcoutim (além de outras distribuídas pelas várias freguesias do concelho) e até 2006 conseguimos dar a público seis trabalhos, alguns repartidos por vários números de jornais.

Com a criação do blogue ALCOUTIM LIVRE, que ainda não tem um ano de existência, publicámos mais cinco estudos, completando toda a freguesia, ainda que o Montinho das Laranjeiras, Laranjeiras, Guerreiros do Rio e Álamo o tivessem sido num único artigo englobando a designação de Montes do Rio.

Por aqui se pode ajuizar o interesse do blogue ALCOUTIM LIVRE.

Lamento que talvez a maioria dos meus leitores não tenham acesso às novas tecnologias.

Para possíveis interessados aqui deixo a relação dos artigos publicados com as indicações que julgamos úteis.


RELAÇÃO

CORTES PEREIRAS
1989.12.28 - A Capela de S. Martinho e as Cortes Pereiras (Jornal do Algarve)

SANTA MARTA
1990.04.26 – A Capela de Sta. Marta (a velha) e o “monte” do mesmo nome na freguesia de Alcoutim. (Jornal do Algarve)

AFONSO VICENTE
1995.01.26 – Afonso Vicente (Alcoutim), um “monte” do nordeste algarvio. (Jornal do Algarve – Magazine)


[Monte de Afonso vicente]
VASCÃO
1999.04.15 – De Fonte Almece a Vascão (achegas para o seu conhecimento). Jornal Escrito.

CORTE DA SEDA
2000, JN/DEZ – Corte da Seda (Alcoutim) de ontem e de hoje. Revista STILUS.

MARMELEIRO
2008, FEV, MAR. e ABR. – O monte do Marmeleiro. Um lugarejo próximo da vila de Alcoutim. Jornal do Baixo Guadiana.

MONTES DO RIO
2008.06.23 – Os Montes do Rio, recanto aprazível do concelho de Alcoutim. Blogue ALCOUTIM LIVRE.

PALMEIRA
2008.07.12 – A Palmeira (os seus filhos para descansar arrancavam pedras). Blogue ALCOUTIM LIVRE.

CORTE TABELIÃO
2008.08.06 - CORTE TABELIÃO (entre os Ribeiros dos Ladrões e do Alcoutenejo). Blogue ALCOUTIM LIVRE.

CORTE DAS DONAS
2008.12.15 – Corte das Donas, monte de nome pomposo. Blogue ALCOUTIM LIVRE.

BALURCOS
2009.03.21 a 2009.03.25 – Balurcos, um conjunto de núcleos populacionais que foi sempre importante no contexto concelhio. Blogue ALCOUTIM LIVRE.


[Monte do Deserto(Balurcos), 2009, Foto J.V.]

TORNEIRO
2009.04.16 – O Monte do Torneiro, subsidiário dos Balurcos. Blogue ALCOUTIM LIVRE

terça-feira, 12 de maio de 2009

Alcoutim e os blogues


[Alcoutim, o Guadiana e Sanlúcar]

A moura do castelo velho de Alcoutim - http://moura-do-castelo-velho.spaces.live.com

Corte-Tabelião - http://corte-taleliao.blogspot.com

Olhares sobre Alcoutim - http://moura-do-castelo-velho.blogspot.com

Património Cultural de Alcoutim - http://alcoutimpatrimonio.blogs.sapo.pt

Um Monte do Interior Algarvio - http://alcariaalta.blogspot.com

Um olhar sobre Alcoutim - http://visitaralcoutim.blogspot.com


São seis os blogues que apresento por ordem alfabética, que tenho detectado e pretendem transmitir algo sobre Alcoutim mas é possível que existam mais.

Aqui encontrareis de tudo, como é natural, desde a cara tapada até à escondida ou camuflada e à aberta.

Dos mais elevados propósitos aos mais banais, de tudo podemos encontrar.

Penso que todos eles merecem pelo menos uma visita para uma análise. A escolha é vossa.

Dois deles têm por base um monte, o que não deixa de ser engraçado.

Fizemos uma pequena pesquisa em Castro Marim e só encontrámos um e referente a um partido político, em Vila Real não consegui ver nada mas Mértola tem alguma coisa com algum estofo.

domingo, 10 de maio de 2009

CORREIO DAS LEMBRANÇAS



É natural que a maioria dos meus visitantes/leitores não se tenha apercebido da existência de uma nova ligação que o ALCOUTIM LIVRE sugere.

Desta vez não é um qualquer blogue que sugiro, o que faço pelos mais diferentes motivos que certamente quem seguiu a ligação notou.

Desta vez trata-se de um segundo blogue da minha responsabilidade que tem por título CORREIO DAS LEMBRANÇAS.

Tal como o nome das pessoas, os títulos não aparecem por aparecer, têm sempre uma razão.

CORREIO DAS LEMBRANÇAS a única semelhança que tem com o ALCOUTIM LIVRE é que são da responsabilidade da mesma pessoa.

No CORREIO DAS LEMBRANÇAS republicam-se artigos que ao longo dos anos tenho publicado no CORREIO DO RIBATEJO onde continuo a colaborar.

Os escritos por lá não se perdem, chegam sempre e não ficam esquecidos nas gavetas!

Quando não são publicados nesse número, por absoluta falta de espaço, acabam por sê-lo no seguinte.

Dá gosto pertencer à “Família do Correio do Ribatejo”.

Quem visitar o ALCOUTIM LIVRE e desejar dar uma vista de olhos no CORREIO DAS LEMBRANÇAS, é só clicar no “ligação” não fixará desiludido.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Marina Ramos Themudo


[A Prof. Doutora Marina Ramos Themudo quando se aposentou]

Pequena Nota
Ainda que em “Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (subsídios para uma monografia), 1985 eu tenho referido, nas Figuras em Destaque três personalidades na altura em grande actividade e que infelizmente só resta uma, é meu hábito fazê-lo em relação àqueles que já fizeram a sua passagem entre nós.

Como é hábito dizer, só as excepções confirmam as regras e assim vai acontecer mais uma vez.

E qual a razão para que isso aconteça?

É que, Marina Ramos Themudo, por mais que se possa dizer, é até hoje e que seja do meu conhecimento, a única doutorada que nasceu na vila de Alcoutim!

Esta pequena nota biográfica de uma figura que dá prestígio a Alcoutim, possivelmente será diferente de todas as outras que tenho escrito até agora.

Pela velha amizade que nos liga, criada por “Alcoutim”, antes de a publicar, dei-lhe prévio conhecimento.

Podemos igualmente acrescentar que é mais um extracto da 2ª Edição de “Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (Subsídios para uma monografia)” que como os meus leitores sabem, continua em preparação
.

JV


Comovida e reconhecidamente li, deliciada, o belo livro que amorosamente compôs sobre a minha terra.
... ... ...

Deixei-a com três anos de idade. Desses meus primeiros tempos de vida restaram umas vagas memórias de passeios ao campo com as irmãs mais velhas (...) cruzadas com a recordação da viagem da partida de barco noite dentro, rumo a Vila Real de Santo António. E durante muitos e muitos anos, a minha terra natal, construiu-se, apenas, a partir das recordações, sentimentos e profunda saudade dos irmãos que por lá haviam deixado os melhores momentos da sua meninice. (1)
... ... ...
... Alcoutim. Uma paixão comum, e de que natureza! Para mim, uma espécie de “Paraíso Perdido” do qual restam algumas reminiscências. Sobretudo, o metro-padrão sensorial pelo qual toda a experiência posterior obteve a sua medida - foi a escrita das primeiras impressões, a segunda ligação cósmica após a ruptura do cordão umbilical. Uma verdadeira “instrução dos sentidos”, que ali começou. Nas passagens breves pela minha terra, eu sei sempre o que originariamente teceu a minha pele, a raiz estruturante de todas as ausências futuramente sentidas.


[Marina Themudo em Alcoutim]

... Foi a mais “bonita” prenda, (2) que recebi, de há muitos anos a esta data. Não é, certamente necessário dizer-lhe como seguimos - eu e a família - religiosamente em silêncio, o olhar atento e curioso da câmara, deslizando de mansinho pelas casas, ruas, montes e água de Alcoutim e San Lucar.
Com essa idade (três anos) saí de Alcoutim e só voltei trinta anos depois. Mas a família não deixou nunca morrer a lembrança e, através dos meus irmãos e das suas recordações, eu fui mitificando o lugar. (3)
... ...

Parafraseando o poeta, peço-lhe que “passe por mim” nos lugares da minha terra e leve-lhes o meu olhar. (4)



Quem acabou de ler estas palavras é capaz de ter ficado um pouco confuso. São pequenos extractos de três cartas que a alcouteneja Doutora Marina Themudo teve a amabilidade de nos endereçar. Eu penso que elas traduzem bem, e mais exemplos podíamos dar, do verdadeiro sentido filial e de amor, apesar do seu afastamento físico, que mantém com a terra que a viu nascer.

Que palavras tão belas e significativas! Só por elas e segundo a nossa concepção, “merecia” englobar as nossas “figuras”. Mas não é só isso. Marina Ramos Themudo atingiu um grau académico acima do normal, sendo por isso razão de destaque



Nasceu em Dezembro de 1934 na vila de Alcoutim.

Filha de José Themudo que exerceu vários anos as funções de Secretário de Finanças neste concelho e de D. Marina do Carmo Ramos Themudo.

Saindo de Alcoutim com três anos de idade, motivado pela vida profissional de seu pai, acompanha-o por onde passou, desde o Algarve a Trás-os-Montes.

Matriculou-se na Escola do Magistério Primário de Bragança e termina o curso na de Vila Real.

No ano lectivo de 1954/55 exerce funções docentes numa escola do concelho de Chaves. Entretanto lecciona e orienta estágios pedagógicos nas escolas anexas da Escola do Magistério onde iniciou o curso. Para se aproximar de Coimbra, concorre e é colocada numa escola do concelho de Albergaria-a-Velha.

Apesar de leccionar sessenta crianças das quatro classes, prepara-se para realizar provas correspondentes ao Curso Complementar dos Liceus (6º e 7º Ano) no Liceu de Aveiro.

No ano de 1959/60, matriculou-se como voluntária, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, para frequentar o Curso de Filosofia que veio a terminar em Outubro de 1964. Nesse período acumulava a docência da escola oficial com a do ensino particular, no colégio de Albergaria-a-Velha.

Pede entretanto licença ilimitada da função pública para exercer a tempo inteiro funções docentes no ensino particular, leccionando as seguintes disciplinas: Língua Portuguesa e Literatura Portuguesa do 6º e 7º Ano e Filosofia dos mesmos anos. Anteriormente tinha leccionado a disciplina de História Universal e de Portugal, durante quatro anos.

Iniciou em Outubro de 1973 o Estágio Pedagógico no Liceu Nacional de Aveiro, que viria a terminar em Julho de 1974. Em Janeiro desse ano apresentou a sua tese de licenciatura, tendo sido aprovada com a classificação de 16 valores.

A 2 de Janeiro de 1975 tomou posse do lugar de Equiparada a Assistente além do quadro, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, depois de ter pedido exoneração do cargo que exercia no Liceu Nacional de Aveiro.


[Marina Themudo quando leccionava na Universidade de Coimbra]

No ano de 1980 passou à categoria de Assistente, além do quadro, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tendo tomado posse em 2 de Outubro.

Na Universidade Católica de Louvain-la-Neuve, com o auxílio de bolsas de estudo, realiza estudos com vista ao seu doutoramento.

Em 27 de Julho de 1988 prestou provas de doutoramento em Filosofia, defendendo uma tese subordinada ao tema: Ética e Sentido - Ensaio de Reinterpretação do Tractatus Logico - Philosophicus de Ludwg Wittgenstein, que foi aprovado com distinção e louvor por maioria.

Em 9 de Setembro tomou posse do lugar de Professora Auxiliar do Grupo de Filosofia.

É nomeada em 6 de Outubro de 1997 definitivamente Professora Associada da mesma Faculdade.

Em 1998 é membro não só do Instituto de Estudos Filosóficos, mas também do Instituto de Estudos Jornalísticos, onde rege respectivamente as cadeiras de “Axiologia e Ética” e “Ética da Comunicação” e o Seminário de “Ética e Deontologia de Comunicação”, no âmbito do Mestrado em “Comunicação e Jornalismo” do qual foi Directora.


[Casa onde viveu em Alcoutim, a família Themudo]

É autora de vários estudos, que vem publicando desde 1974, ano em que assina, para a revista Biblos da FLUC, o artigo “Função epistemológica e estatuto ontológico das ideias e das noções no imaterialismo de Berkeley”.

As publicações posteriores centram-se sobretudo, nas áreas de Axiologia e Ética e Filosofia da Linguagem, entre as quais se destaca o volume: Ética e Sentido – Ensaio de Reinterpretação do Tractatus Logico-Philosophicus de Ludwig Wittgenstein, Almedina, Coimbra, 1989.

Encontra-se desde (2000) na situação de aposentada.

A Professora Doutora Marina Ramos Themudo tem muita honra em ser alcouteneja e Alcoutim deverá honrar-se de ter uma filha desta estirpe.

NOTAS

(1) - Carta datada de Coimbra a 12 de Junho de 1987.
(2) - Uma simples “cassete vídeo” reproduzindo Alcoutim na sua totalidade e algo de Sanlúcar.
(3). Carta datada de 30 de Junho de 1992.
(4) - Carta datada de Coimbra a 13 de Abril de 1993.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Lembrando um Amigo. Manuel Carvalho, um algarvio que nunca deixou de ser minhoto

(Publicado no Jornal do Baixo Guadiana, nº 84, de Abril de 2007, pág. 11)

Pequena Nota:
Se estivesse entre nós, faria hoje 84 anos. Teríamos, como era hábito, almoçado juntos.
A horta nunca mais foi o que era no tempo dele.
Estava sempre em cima do acontecimento. Não lhe passava nada.
Aqui o lembramos mais uma vez.
JV




No dia de Natal do ano transacto, logo pela manhã o telefone tocou e do outro lado do fio a notícia estridente fez-se ouvir com todas as características próprias da comunicação de uma morte.

Levantei-me, um duche rápido, mal almocei e pus-me a caminho de Afonso Vicente pois ainda são cerca de quatrocentos quilómetros a percorrer.

Tive de andar cem quilómetros para encontrar gasolina à venda e ainda pensei em ficar pelo caminho.

Galgando os quilómetros a velocidade moderada a “cassete” que se tinha instalado no meu cérebro começou a desbobinar.

Ainda que o seu estado de saúde se considerasse grave, não esperava que o desenlace fosse tão rápido, até porque me mantinha actualizado relativamente à situação.

De tudo admitia que pudesse morrer, menos daquilo que o vitimou!

Não me lembro de uma pessoa tão cuidadosa com a alimentação, peixe grelhado ou cozido, verduras e muito pouco sal. Bacalhau era o seu prato favorito mas muitíssimo bem dessalgado. Nada de gorduras animais, de presuntos ou enchidos. Álcool, só em dia de festa e um copinho da Hortinha das Lajes. Provava-o sempre, mas em todo o ano não bebia seis copitos!

O fumar, há muito tinha acabado! Não faltava a uma consulta ou a um exame médico. À mais pequena coisa procurava o clínico. Não se esquecia de tomar a sua medicação. MAS PARA MORRER, É SÓ PRECISO ESTAR VIVO, como diz o povo, no seu saber!

Manuel Carvalho era um verdadeiro alcoutenejo, ainda que não tivesse nascido neste concelho serrano, pois viu a luz do dia na freguesia de Molares, concelho de Celorico de Basto, distrito de Braga.

Seus pais eram caseiros na Quinta do Campo, no lugar do Tojal e tiveram prole razoável., tendo Manuel nascido naquela quinta em 1925 e ser conhecido por Manuel do Tojal. Fez a 4ª classe sem dificuldades na escola de Molares, para onde se deslocava diariamente, aprendia com facilidade mas não era aluno aplicado, como nos dizia.
Depois e até “à vida militar” trabalhava para a casa ajudando os pais que apesar de caseiros, a vida era bastante dura como nos contava pois do produzido muito pouco ficava para eles.

Aprendeu assim todos os trabalhos do campo que nunca esqueceu e que relatava com minúcia fazendo a diferença do que encontrou por estas paragens.

Era um exímio contador de histórias, transmitindo os factos com grande realismo. Tinha-as muitíssimo engraçadas e ao contá-las, fazia-o de maneira que se via que era verdadeira. Depois, rematava com as suas conclusões, umas vezes a seu favor, outras contra.

Faz a recruta e a escola de cabos na cidade do Porto, em Cavalaria, e passa por Chaves, regressando ao Porto onde foi impedido do Comandante da Região Militar.
Em 11 de Outubro de 1946 faz parte da coluna revolucionária que sai do Porto, comandada pelo tenente Fernando Queiroga e que é detida na Mealhada pelo Ministro Santos Costa.

Ainda esteve uns dias detido em Coimbra com os outros camaradas acabando por ser libertado, só havendo penalizações para oficiais e sargentos.

Contava-nos o acontecimento com muita graça pois quase não vai na coluna. Pararam para ele entrar e aproveitou a boleia, não sabia ao que ia. A maioria dos veículos ia ficando pelo caminho avariada!

Só depois se apercebeu onde se tinha metido!
Após o cumprimento do serviço militar, regressou à Quinta do Campo mas deixando já feito o requerimento para o Recrutamento da Guarda Fiscal.

Pouco tempo depois é chamado para a prestação de provas de que fica aprovado, passando depois ao período de formação, sendo considerado apto é colocado no Batalhão com sede em Évora, acabando por vir para a Secção de Alcoutim, sendo colocado, se a memória não me falha, no posto do Barranco do Álamo.

Pouco tempo depois acaba por casar com uma alcouteneja, no monte do Vascão e onde lhe nasce o filho.

Após concurso é promovido a 1º Cabo e colocado num posto da área de Aljezur mas logo que lhe é possível aproxima-se de Alcoutim.

Entre outros, exerce funções no posto dos Salgueiros, que comanda, no Pomarão, na Mina de S. Domingos e em Mértola.

Regressa a Alcoutim passando à reserva quando comandava o posto da vila.

Tal como os alcoutenejos do seu tempo, Manuel Carvalho aprendeu a fazer um cesto de cana, uma cadeira de fundo de tabua, a enxertar zambujeiros de garfo ou carteta e amendoeiras de canudo, a jogar “os três setes” ou a amanhar barbos.

Por outro lado teve de pôr de parte o caldo de couve com broa a que estava habituado ou o bacalhau frito com ovo na consoada, adaptando-se às açordas e gaspachos, às migas (que sabia fazer), às sopas (de muge, de tomate, de toucinho, de alhos areios, etc.) e aos jantares de grão, feijão ou couve.

Manuel Carvalho viveu cerca de sessenta anos em Alcoutim e ainda que tivesse habitação própria em Faro, não foi capaz de lá viver. Pelo que já escrevi e pelo que ainda escreverei, não é blasfémia chamar-lhe alcoutenejo. Ainda que já não oiça muito bem, tenho ouvido chamar alcoutenejo a gentes que lá não nasceram, não residiram com efectividade, que não conhecem o concelho, que a terra pouco lhes diz e que só lá vão em situações muito especiais, que me escuso de comentar. Para mim estas pessoas não devem ser tratadas por alcoutenejos. Respeitem aqueles que o são.

Manuel Carvalho foi um excelente caçador, sem dúvida dos melhores dos últimos cinquenta anos.

Sou do tempo em que ele abastecia a vila de caça! Quando ele não matasse, não matava ninguém!

Como tudo na vida, aquela propensão nasceu com ele e soube cultivá-la. Saber bater o terreno, ter resistência, bom ouvido, rapidez de reflexos, além de saber apontar com precisão, são factores que bem dominou nos seus tempos áureos.

Além da caça, gostava imenso de jogar às cartas, onde por vezes gastava tardes inteiras. Quando perdia, ficava doente! Por causa das cartas, era capaz de fazer um banzé, uma tempestade num copo de água! Era muito nervoso e fervia em pouca água. Os parceiros já o conheciam e desculpavam-no.

Há uma história com as cartas, passada com ele, que nunca esquecerei mas não a contarei aqui. Que a conte o seu parceiro, José Ribeiros, do Vascão.


Após a passagem à reserva foi eleito vereador da Câmara Municipal de Alcoutim, o que aconteceu em três mandatos, tendo assumido a Presidência quando o presidente perdeu o mandato.

Foi mandatário de Mário Soares quando este foi eleito Presidente da República e do PS em algumas eleições autárquicas.

Era militante do Partido Socialista.

Mas Manuel Carvalho não deixou de ser minhoto apesar de só ter vivido no Minho, cerca de 30% da sua vida! Todos os dias falava na sua terra e na família, nos seus amigos. Ainda recentemente tinha estado com um que não via há mais de sessenta anos!
Sabendo bem o sentido que ele nutria pela família, organizei a sua árvore genealógica completa e composta de seis gerações. Verifica-se que é tudo gente do concelho de Celorico de Basto, excepto um elemento que é do concelho vizinho de Cabeceiras de Basto. Ficou muito satisfeito com a oferta, acabando por decorar o nome dos seus ascendentes que não conhecia.

Recordava a sua mocidade, os trabalhos do campo, as feiras e as romarias de que ainda se lembrava bem das datas! Seguindo a tradição familiar, sabia defender-se com um pau, manuseando-o com destreza.

Ainda que já lá não tivesse família chegada, sempre que podia dava lá uma volta e dizia-me se lhe saísse o euro milhões ainda ia lá fazer uma casa.

Nunca disse o meu moço, como em Alcoutim se usa, mas sim o meu rapaz.
Nunca falava numa pessoa falecida sem dizer Deus lhe perdoe, hábito que trouxe das suas origens.

Nunca perdeu a pronúncia do norte!

E o dedilhar da viola, que nunca esqueceu, também tem lá a sua origem.

O ALGARVIO NÃO TRAIU O MINHOTO!

Manuel Carvalho não andou a penar esperando debilitado que a morte chegasse. Fez tudo o que gostava fazer praticamente até morrer. Conduziu, mexeu na horta, preencheu o boletim do euro-milhões e foi à caça trazendo três ou quatro peças!
Ele que nunca deixava de ler um meu escrito, que apreciava, não vai ler este que escrevi em sua homenagem.


[O "Feitor" não entragava a ninguém a tarefa da apanha da batata. Foi a última que realizou, em 2006]

Recordarei sempre o amigo com quem convivi relativamente de perto durante os últimos dez anos.

As dezenas de fotografias que possuo, ajudarão a recordá-lo com saudade.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Três Anos, Seis fases




Após o regresso das Caldas da Rainha.


Primeira prenda para o Bábá, Natal de 2006.


Natal de 2007. Com os meus tótós.


Puké ku Babá sta a rir? Isso não tem piada.


Micotinha charetando.



Tu és o meu bobozinho mas eu gosto mais de te chamar Bábá!
Muitas beijocas do babá e um xi do Antóno

domingo, 3 de maio de 2009

Tendendo o pão



A Câmara Escura de hoje apresenta uma ancestral actividade que hoje se continua a ter mas por processos industrializados.

Até ao 25 de Abril a vila recebia através da camioneta da carrreira duas ou três sacas de pão oriundas do Espírito Santo (Mértola).

Na aldeia de Martim Longo existiam meia dúzia de mulheres que se dedicavam à actividade para abastecimento da população e algumas unidades ainda chegavam à vila por intermédio do taxista que muitas vezes nos fazia esse favor.

Por todo o restante concelho quem quisesse comer pão e ele constituía a base da alimentação, tinha de o cozer.

Faziam assim, no seu dizer, “a amassadura da semana” e a experiência das mulheres que sabiam efectivamente aquilo que gastavam.

O forno era aquecido através de faxinas de esteva

Utilizavam o forno do monte (comunitário) ou qualquer outro existente e de que já restam poucos exemplares, à maneira antiga, quase todos em ruína.

O aparecimento das pequenas reformas, a falta da farinha visto ter-se começado a deixar de semear e a abertura de estradas e caminhos tudo transformou e os vendedores de pão começaram a chegar nas carrinhas aos mais afastados montes do concelho. Já deixaram de ir a alguns, pois já lá não vive ninguém!

Esta fotografia é de 1990 e o pão cozeu-se para satisfazer o desejo de uma amiga. Também comi dele e estava bom.

sábado, 2 de maio de 2009

Comemorar o 1º de Maio em Alcoutim - Para que conste


[1º de Maio de 2000. Assando sardinhas. Foto JV]

Ou foi em 1975 ou 1976, não tenho a certeza, que em Alcoutim se festejou, que eu saiba, pela 1ª vez, o 1º de Maio.

Os Festejos a partir dessa data parece que se têm realizado ininterruptamente.

Naturalmente que se foram ajustando no decorrer dos tempos o que é natural e salutar mas uma coisa não se deve perder, a essência da sua realização.

Nos anos 70 em Alcoutim, restavam a muito custo as Festas Anuais da Vila que um grupo de pessoas jovens dos poucos que existiam na vila iam teimosamente mantendo sem o mínimo auxílio camarário, que o não tinha para prestar e penso eu um ridículo auxílio do “Turismo” e pouco mais.

Ainda sou do tempo de se realizar um peditório pelo concelho e mandar circulares a pedir ajuda aos alcoutenejos ausentes, por aqui e por ali.

A Câmara Municipal tinha deixado cair os que foram movimentados mercados mensais.

Os bailes dos anos 40/50 de que fala o meu Amigo Eng. Gaspar Santos já não existiam.

O Entrudo só era lembrado pelas acções de Mestre Carlos ou da vizinha D. Hilária que mobilizava meia-dúzia de pessoas, incluindo crianças que se enfarranchonavam correndo as casas da vila procurando como é natural não serem conhecidas. O pior eram as crianças que iam chamando pelos adultos.

Os Santos Populares e As Maias não passavam de velhas recordações que os mais velhos referiam.

Não é para falar sobre isto que nos propusemos mas sim sobre o 1º de Maio.

Compilando alguns elementos que então escrevi direi que a população da pequena vila raiana se juntou na sua sala de visitas, que o cais novo do Guadiana constituía.

O núcleo local de um partido político pôs mãos à obra e consegue congregar parte da população. Faz-se um peditório que em pouco tempo recolheu umas centenas de escudos e em breve chegaram aos milhares, além da oferta de géneros.

As velhas meses de madeira das Festas, que tanto custaram pagar, foram previamente colocadas.

A um canto, um barril de vinho e uma caneca, quem quisesse, era só servir-se. Ao lado, dois brasidos feitos com lenha de azinho e de amendoeira e onde eram assados 10 kg de peixe (muge) , frango e borrego. Tomou conta da tarefa, que bem sabia efectuar, António Carlos Vicente (vulgo António Emílio). Encontrámo-nos num dos últimos 1ºs de Maio e ao lembrar-me do primeiro 1º de Maio estivemos a falar sobre o assunto, fazendo os nossos comentários e se analisámos as melhorias verificadas, não deixámos de comentar o que entendíamos conspurcar a ideia inicial.

Nesse 1º de Maio em cima das mesas encontravam-se cestas com pão cortado e espalhadas garrafas de refrigerantes para quem quisesse, nomeadamente as crianças, algumas delas estarão perto de ser avós!

Foi instalada uma aparelhagem sonora e um acordeonista tocava os seus números.

Conversava-se, comia-se e dançava-se! Lembro-me que das pessoas que mais dançou foi Francisco Gonçalves Barão que ainda tinha o pé bem leve e dançava bem, não tivesse ele sido um bom músico local.

Nessa altura os automóveis eram bem poucos e aos domingos e feriados a vila ficava adormecida. Como as repartições estavam fechadas ninguém lá ia.

Nesse dia, uma ou outra pessoa que tivesse aparecido, conhecida ou não, era convidada pelos que estavam festejando o 1º de Maio para descer e se associar à festa.

Este espírito de convidar quem aparecesse continuou nos anos seguintes pois a festa teve sempre um aumento significativo de visitantes.

Penso que em 2008 quando cheguei à vila por volta das dez horas, estava o cais completamente cheio de forasteiros bem instalados. Não havia um único lugar livre!

Em 2000 os festejos ainda foram razoáveis, apesar da muita confusão.


[O 1º de Maio em 2000]
Escrevo precisamente no dia 1 de Maio de 2009. Não sei como as coisas se passaram, mas pelo que vi nos últimos anos, não me parece que esta pequena festa que o 25 de Abril nos trouxe se tenha processado com o mesmo espírito com que a ajudámos a criar, e É PENA.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Mês de Maio

EFEMÉRIDES

Dia?
1844
– Forte trovoada que se sentiu na freguesia de Martim Longo, nomeadamente nos montes da Barrada, Pêro Dias e Azinhal.

Dia 2
1302
– Carta de D. Dinis em que doava à Ordem de Santiago o padroado da Igreja de Alcoutim e das que viessem a ser construídas no termo sob proposta da mesma.





Dia 5
1539
– Alvará do Cardeal-Infante para se dar a Francisco de Alcoutim, seu escudeiro-fidalgo, 10 cruzados de mercê.




Dia 10
1997 –
É inaugurada a Capela do Pessegueiro com a presença do Bispo do Algarve, D. Manuel Madureira Dias,

Dia 12
1824
– Data do falecimento do capitão-mor de Alcoutim, José de Brito Magro que foi durante muitos anos Provedor da Santa Casa da Misericórdia e em cuja igreja ficou sepultado.

Dia 15
1873
– É solicitada uma estrada municipal de 2ª classe que partindo da vila seguiria por Corte Tabelião e Pereiro, a caminho de Giões.


1874 – A Câmara Municipal solicita a criação de uma comarca em Tavira e não mude para Vila Real ou Castro Marim.

Dia 16
1832
– O Decreto nº 23 coloca o concelho de Alcoutim na Província de Faro e na Comarca de Tavira.

Dia 18
1604
– É preso por ordem do Tribunal de Santo Ofício e por judaísmo, Tomé de Alcoutim, trabalhador, natural de Évora e irmão de Maria de Alcoutim. Foi solto em 19 de Janeiro de 1605, beneficiando de um Breve do Papa Clemente VIII.

1851 – É aprovada uma Postura sobre Colmeias.

Dia 19
1539 –
Alvará do Cardeal-Infante para se dar a Francisco de Alcoutim, escudeiro-fidalgo de sua casa, 6.000 réis de sua moradia,

Dia 21
1896
– Lei que passa a freguesia de Odeleite do concelho de Alcoutim para o de Vila Real de Sto. António.

Dia 22
1923
– Nasceu em Alcoutim José Hermógenes Duarte do Rosário.




Dia 25
1872 –
Data do falecimento do P. António José Madeira de Freitas (tio) que paroquiou a freguesia de Alcoutim de 1835 até esta data.



Dia 28
1671
– É preso João de Moías por ordem do Tribunal do Santo Ofício, acusado de judaísmo, casado, natural de Alcoutim, filho de Fernão Miguel e de Ana Morais.


Dia 29
1666
– Schomberg à frente das tropas portuguesas, ocupa o Castelo de Sanlúcar do Guadiana.