sexta-feira, 12 de junho de 2009

A construção do cais novo vista por nós

Pequena Nota

Mais uma vez temos o prazer de publicar um excelente artigo do nosso Amigo e Colaborador, Eng. Gaspar Santos. Trata-se do que viu uma criança inteligente, interessada e observadora, “traduzido” pelo técnico e homem maduro que nunca se esqueceu ter nascido em Alcoutim.

Este artigo que nos apresenta tantos pormenores, na simbiose técnica e mundana, é um valioso contributo para se perceber a envergadura daquela obra que só pecou por ser tardia mas que ainda hoje é uma mais valia importantíssima para a vila de Alcoutim e o seu concelho.

Ainda bem que insisti com ele para pôr no papel tudo o que a sua privilegiada memória guardou, que aparece realçado pela sua escrita a que dá um toque muito característico.

Poderá existir, mas não estou a ver outra pessoa que o pudesse fazer.

Ao que já escrevemos sobre o cais novo, hoje pode juntar-se este contributo importante.

Bem-haja por isso, Caro Amigo.

JV



Escreve:

Gaspar Santos



Os meus colegas de instrução primária e eu (entre os 7 e os 11 anos de idade) assistimos à construção do Cais Novo. Do primeiro andar da antiga Escola Primária víamos às vezes, com um certo arrepio e preocupação, o Eng. Godinho no topo superior da estrutura do bate-estacas a observar os trabalhos.

Recordo-me ainda de como era o terreno que o cais veio ocupar. Era um aglomerado de areia e lodo em vias de consolidação rochosa, revestido por vários eucaliptos de grande porte e de acácias. Os eucaliptos foram todos sacrificados à obra. Algumas acácias ainda subsistem na Avenida em frente ao Quiosque.

[Vista parcial de Alcoutim antes da construção do cais. Anos 30]
Vi a última enchente do Guadiana antes do começo das obras. E vi a primeira enchente após a conclusão do cais, quando toda a gente considerava que seria um grande teste à sua resistência. Havia pessoas que pensavam que o cais seria arrastado pelas águas... considerando que a água tinha muita força e nada lhe resistiria.

O estaleiro prolongava-se desde o leito do rio até em frente da Casa dos Condes, mas a passagem em frente da Igreja do Santo António, para a Rua do Município e para os bancos da Capela ficou sempre garantida e disponível.

As escadas hoje junto à Caixa Agrícola e ao Café Soeiro foram construídas com o cais. Antes era possível a passagem em rampa até para animais. Quando o meu Pai vinha com a égua dos lados das Portas do Rio eu saía-lhe ao caminho na proximidade da Igreja do Santo António e vinha montado sozinho, todo feliz, contornando a Igreja Matriz e subindo aquela rampa até à nossa casa.

A construção deste Cais pecou por tardia, tendo-se empenhado muito nessa decisão o Eng. Duarte Pacheco então Ministro das Obras Públicas. Inaugurado em 1944 destinava-se a escoar cereais, palhas, lenha e carvão da parte do Baixo Alentejo que não era servido pelo comboio e a levar adubos e outras cargas em sentido contrário. A evolução brusca dos transportes no fim da Guerra (39-45) matou completamente essa boa ideia.


[O cais como foi construído (sem os acrescentos actuais). População esperava Entidades Oficiais para inaugurar o saneamento básico, em 12.06.1965]

A Vila de Alcoutim era servida antes da Guerra por carreira de camionetas a gasolina. Durante a guerra essas camionetas passaram a usar gasogénio (tinham atrás enormes panelas cilíndricas onde ardia incompletamente carvão vegetal, e o monóxido de carbono resultante, depois de filtrado, era queimado nos cilindros do motor como se fosse gasolina ). Muito rapidamente, no fim da guerra, apareceram as camionetas a gasóleo que transportavam passageiros e, sobretudo levavam as cargas até à casa do cliente... e o transporte fluvial entrou em rápida decadência.

Quando me empreguei no Grémio da Lavoura em 1945, e depois até aos anos 60, os adubos vinham até Alcoutim nos barcos da Sociedade Geral e no regresso escoavam minério do Pomarão. Esse transporte era barato, pois ainda era bom negócio para o Grémio, mesmo pagando dois fretes: - um do Barreiro-Alcoutim efectuado em navio; - outro Barreiro - Vila Real Stº. Antº que, embora não se efectuasse, obrigava o Grémio a pagar à CP 80$00 por tonelada, como a lei impunha, para protecção da C.P.

[Aviso João de Lisboa que trouxe o Presidente Américo Tomás]
Na construção do cais, uma obra pública de grande envergadura que levou vários anos a concluir, os meus condiscípulos e eu vimos equipamentos, tecnologias e métodos de trabalho que eram inéditos até para muitos adultos de então: - Um grande estaleiro, trabalhos com cimento armado, armar o ferro e moldar o betão, uma caldeira produtora de vapor, uma máquina a vapor para elevar os bate-estacas, os bate-estacas, um gerador de electricidade, artífices canteiros a trabalhar a pedra afeiçoando-a e dando-lhe a beleza que hoje nos é dado apreciar.

Neste cais tipo Cais-Ponte a empresa OPCA (Obras Públicas e Cimento Armado) ensaiou algumas técnicas de construção novas.

O técnico responsável por esta obra foi o Eng. Godinho, que residiu em casa localizada onde hoje está o repuxo, e lhe foi cedida pelo Sr. Francisco Madeira do Rosário

O encarregado geral era o Senhor Pedregal, um homem enérgico embora deficiente duma perna, que com um vozeirão característico liderava os homens e conduzia a obra. Dele ouvimos expressões típicas desconhecidas de nós, como: bota aqui o pé de cabra! Entremeados com um ou outro palavrão típico e com pronúncia do Norte.

Um dos capatazes era o Senhor Amadeu filho do Sr. Pedregal.

A obra teve início em 1940 e o seu final e inauguração ocorreu em 1944.

Dos materiais com que foi construído, o cimento e aço vieram naturalmente de fora; areia e cascalho vieram da ribeira e o grauvaque foi extraído no Enxoval e em pedreiras próximo de Alcoutim. Toda a água gasta foi extraída do rio. De fora vieram ainda materiais auxiliares da construção, pranchas e barrotes de madeira e paus de eucalipto.

Começaram por fazer um cais de estacas de eucalipto. Estas estacas eram enterradas à custa de um martelo-pilão de 500 kg. Uma grua accionada a vapor elevava o martelo que na sua queda guiada de vários metros enterrava de cada vez mais uns centímetros de eucalipto.

O cais de madeira serviu de estrutura de suporte para todos os trabalhos posteriores e, no final da obra, foi desmantelado. Foram-lhe colocados em cima uns carris amovíveis, que serviram para levar além de materiais, um outro bate-estacas de 1500 kg a vapor que serviu para espetar as estacas de betão.

As estacas de secção quadrada em betão armado (aço, cimento, areia, cascalho e água) eram feitas em estaleiro em moldes de madeira, tinham o lado a enterrar afilado em forma de pirâmide como um prego, terminando em ponta de aço. Após a sua secagem eram desenformadas, colocadas verticalmente no sítio adequado e o bate estacas fazia o resto até chegarem à rocha firme. Quando necessário as estacas eram acrescentadas no local.

Cada pilar cilíndrico dos que limitam a placa é constituído por quatro estacas juntas em paralelo e que hoje não se podem ver, pois são aquelas que foram abraçadas e prolongadas com aquele formato. Na parte interior do cais, sob a placa, os pilares resultaram de estacas simples como se podem ver.

[La Belle de Cadix atracado ao cais em 2005. Foto JV]

Todo este conjunto de pilares levou um travejamento por vigas, formando uma malha em nível já submergido pelas marés. Por cima, a placa e as escadas de acesso que foram moldadas no local. A placa é constituída por vários partes ao lado umas das outras separadas por espaços de dilatação.

Lindo de ver foi o trabalho de canteiro a afeiçoar pedras para as muralhas, e ainda mais as pedras trabalhadas em forma de paralelepípedo que limitam o recinto ou esplanada do cais e as cimalhas com que rematam todos os muros em volta.

Esta construção garantiu muito trabalho de vários tipos e níveis a pessoas do concelho. Algumas foram recrutadas como futuros trabalhadores da OPCA.

Observe-se ainda na implementação do cais, o belíssimo aproveitamento do terreno disponível, respeitando as antigas infra-estruturas e até valorizando-as. A Estrada Nacional 124, Alcoutim-Porto de Lagos começa no Cais Velho; o Cais Novo foi construído tendo que utilizar essa mesma estrada e a sua construção foi feita sem destruir nem esse cais nem os seus acessos.

A obra dotou-nos dum Cais-Ponte capaz de acolher navios de calado maior do que a barra permite, e de um recinto que desde então passou a ser a sala de visitas da Vila e tem sido o seu grande recinto de festas. Esta obra dotou-nos também de sanitários públicos que representaram um grande benefício, que ainda hoje, fácil é imaginar, na sua falta, o desconforto de forasteiro a quem surgisse uma aflição quando todo o comércio está encerrado.

[Paquete de luxo atracado ao cais em 2005. Foto de JV]

O cais perdeu o fluxo de cargas para que foi construído, mas está cada vez mais a ser utilizado para desembarque de turistas que nos visitam. Oxalá o comércio de Alcoutim se disponha a atendê-los!!!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

José Rodrigues Teixeira (P.dre)

É Silva Lopes, personalidade algarvia que esteve preso na Torre de S. Julião da Barra, por ter cometido o “crime” de ser liberal, quando liberal tinha um sentido de esquerda, que nos revela esta figura, afirmando na sua Corografia que o digno parocho José Rodrigues Teixeira, (...) falleceo profugo em Lisboa no anno de 1833, perseguido por (ser) constitucional desde 1828.

O Prior Teixeira ofereceu em 1817 à matriz de Giões, onde exercia as suas funções, um sino com a imagem de S. José. Este sino veio a ser refundido em 1840, no tempo do Prior Manuel Ramos de Ataíde. Outro sino e a troco dos velhos, foi feito em 1817 e dedicado a S. Pedro, igualmente por acção do Padre José Rodrigues Teixeira. (1).


[Igreja Matriz de Giões, 1974. Foto de JV]
Os dados que possuímos sobre o Prior Teixeira são muito escassos. Sabemos que, além de natural de Giões, era padrinho de Pedro José Rodrigues Teixeira, igualmente de Giões e dizemos nós, certamente da mesma família.

O Prior de Martim Longo, Pedro José, no seu testamento contemplou a memória do padrinho com cinco missas, mas não refere qualquer grau de parentesco.

Admitimos que possa ter sido seu tio, ou irmão do pai, Pedro Rodrigues ou da mãe, Ana Teixeira

A numerosa família Teixeira, proveniente do concelho de Alcoutim, é descendente do capitão-mor Teixeira. (2)

______________________________________

Extraído da 2ª Edição de Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (subsídios para uma monografia), em preparação.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

1º Café de Alcoutim


Esta fotografia tirada, não sei por quem, em Setembro de 1967, retrata o que era o 1º Café de Alcoutim, acabado de inaugurar.

Um pequeno espaço com quatro ou cinco mesas e porta para a Rua Dr. João Dias. Uma pequena máquina que tirava um café de cada vez!

Era propriedade do comerciante local e já falecido, João Baltazar Guerreiro. Virado para a Praça da República e no prédio, na posse dos seus herdeiros, que foi sempre o ponto fulcral do comércio alcoutenejo tinha mercearia e taberna, vendendo fogões e relógios.

Para satisfazer meia dúzia de fregueses, quase foi “obrigado” a montar nesta pequena dependência o que para a vila constituiu uma novidade: - UM CAFÉ!

Lembro-me muito bem, um café custava 1$20, o que na moeda de hoje dá € 0,06.

Foi lá que bebi o primeiro café com aquela que veio a ser minha mulher.

Dos doze fotografados, é tudo gente na reforma e dois nada têm a ver com Alcoutim, pois encontravam-se em trabalho periódico do Instituto Nacional de Estatística de que eram funcionários. Dos restantes dez, só dois ainda residem na vila, ainda que mais dois residam no concelho.

Não me lembro, mas possivelmente alguém faria anos.

Cerveja e licor parecem terem sido as bebidas.

Quem os reconhece?

Posso dizer que está lá a “Marlene”, que ninguém sabe quem é, a não ser a própria.

Pouco tempo depois o CAFÉ passou para o maior espaço virado para a Praça, substituindo a mercearia.

N.B. - Informacão acabada de chegar do colaborador deste blogue, Eng. Gaspar Santos, dá-nos a conhecer que houve na década de 50 uma primeira tentativa de CAFÉ que foi mal sucedida. Situava-se curiosamente em frente deste.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Alguidares


[Alguidar de amassar o pão com pelo menos 75 anos. Foto JV]

Estes recipientes têm a forma de tronco de cone invertido, sendo a boca de muito maior diâmetro do que o fundo.

Alguidar é palavra de origem árabe, de al-gidâr.

Este utensílio pode ser de barro, metal ou plástico e é utilizado em várias tarefas domésticas.

Primitivamente de barro e de uso extremamente vulgarizado, passaram a ser feitos também de esmalte, alumínio e igualmente de zinco, mas neste material para usos mais específicos.

[Alguidar para picar a carne. Foto JV]
Mais tarde e é dos nossos dias, apareceram de plástico, que de uma maneira geral dominam o mercado devido ao seu preço competitivo, ainda que sejam muito pouco usados, por inadequados em algumas tarefas.

Este pequeno apontamento irá referir-se aos mais antigos, aos de barro.

Havia-os dos mais variados tamanhos, dependendo das tarefas a que se destinavam. Os mais caros eram vidrados e apresentavam várias colorações que iam do castanho-escuro ao verde passando pelo azul e amarelo.

O rebordo não era uniforme, dependia da região da sua origem, aliás o que acontecia também com a cor.



Segundo nos informaram, as olarias de Martim Longo tinham uma decoração própria nos seus alguidares como a demonstrada no exemplar que se publica e que constitui uma réplica.


[Alguidar típico de Martim Longo (réplica)]
Entre muitas das tarefas que competiam aos alguidares de barro, no concelho de Alcoutim, contava-se a “amassadura” do pão uma vez por semana e só serviam para isso.
O exemplar que apresentamos no início deste apontamento era a isso destinado e terá pelo menos 75 anos!

Era também um alguidar de barro que em Dezembro/Janeiro de cada ano recebia a carne picada para os enchidos quando se matava o porco.

O Dr. Tito de Noronha que em 1885 foi durante um mês médico de Alcoutim escreveu numa Crónica publicada no jornal Vida Ribatejana: Bebem os comensais por tigelas, que enchem nos alguidares, sendo da praxe, para mostrar fartura, entornar-se muito líquido (leia-se, vinho) de modo que no fim da refeição a toalha mudou totalmente de cor, não tendo uma só nódoa branca.

Parece que no século XIX o vinho também se colocava em alguidares!

Como já aqui referimos quando escrevemos sobre as queijeiras, também era um alguidar de barro, previamente preparado, que recebia o azeite que depois era colocado em potes de barro e mais tarde de lata.

Outra tarefa em que se não dispensavam os alguidares era o da lavagem da loiça. Um para lavar, outro para enxaguar. Quando não se utilizava o poial da casa-do-fogo, optava-se pelo da rua, junto à casa e que ainda se podem ver muitos por todos os montes, estão alguns já modernizados, com o uso do cimento.

[Alguidar feito no Redondo com 40 anos. Foto JV]
Não há muitos anos lembro-me de ver um afonso-vicentino, que já tinha uma cozinha relativamente bem apetrechada para o meio, optar por lavar a louça no seu poial que ainda lá se encontra, isto certamente por hábito e tradição familiar.

Muitas mais tarefas estavam destinadas ao uso do alguidar que nos escusamos de referir.

Se o aparecimento do plástico veio substituir o barro em muitos trabalhos, outros mantiveram-se como o amassar do pão ou o picar da carne, pelo menos até serem executados.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Laborato, povoação próxima da aldeia de Martim Longo, freguesia a que pertence

Se a memória não nos falha, fomos duas ou três vezes a esta povoação, o que aconteceu há mais de trinta anos.

Certamente que no decorrer deste tempo foram aparecendo beneficiações de vária ordem nas estruturas básicas mas em contrapartida a população desceu e continuará a descer.

Estando em Martim Longo, sede da freguesia, para procurarmos o Laborato, tomamos a estrada que nos leva ao cemitério, hoje Rua Portas do Laborato, deixando à esquerda a nova Escola Básica e Integrada ficando mais à frente, no lado direito a alagoa que em tempos recuados desempenhou um papel importante na vida da aldeia, principalmente no matar da sede aos seus gados.

[A "alagoa" em 1992.Foto JV]
Após a passagem do cemitério, o monte servido por estrada asfaltada ficará a uma distância de cerca de 2,5 km.

O topónimo, único no país, não é de fácil explicação. José Pedro Carvalho, no seu Dicionário Onomástico/Etimológico (...) pergunta: Está relacionado com laborar? (1)
Não me custa admitir que assim seja.

Esta zona foi habitada pelos romanos que aqui teriam explorado uma mina de cobre.
(2)

Situada a 285 metros de altitude os minerais explorados foram a azurite e a malaquite, carboratos de cobre relacionados com fitões hidrotermais.

Os dois poços existentes há muito que foram abandonados. (3)

As Memórias Paroquiais de 1758 já o referem quando o pároco indica os montes que fazem parte da freguesia de Martim Longo.

Em 1839, segundo Silva Lopes, era o quarto monte em número de fogos (28), a nível da freguesia. À sua frente estavam Santa Justa (36), Pessegueiro (35) e o vizinho Castelhanos com 29. (4)

Andando a Câmara em correição e estando neste “monte”, apareceram indivíduos pedindo terreno no rossio do mesmo para fazerem casas e quintais, os autarcas dirigiram-se ao local. Como o povo se fosse agrupando e pronunciando ditos impróprios, para evitar questões, resolveram recolher-se e não conceder naquela ocasião terreno a pessoa alguma. (5)

Na sessão da Câmara de 8 de Outubro de 1850 foram lidos vários requerimentos de indivíduos deste “monte” pedindo licença para fazer quintais a arramadas no rocio do mesmo. Possivelmente eram os mesmos interessados e não encontrámos os despachos que obtiveram.

Luísa Maria, casada com António Nobre, deu à luz em 12 de Julho de 1876 três crianças que receberam o nome de Joaquim, Ricardo e Maria. (7)

Sabemos que em 1931 foi concedido um subsídio de 150$00 pela Comissão Administrativa da Câmara Municipal para arranjo do poço. (6)

[Sede do C.C. e Recreativo]
O edifício sede do Centro Cultural e Recreativo local foi inaugurado em 22 de Julho de 1989, recebendo naturalmente o auxílio e apoio da Câmara Municipal. (8)

O Grupo Juvenil de Acordeonistas de S. Brás de Alportel deu nesta associação um concerto em 1991. (9)

Em 1995 a Câmara Municipal ofereceu o projecto de remodelação do edifício da associação (10) e é nesse ano que têm início os festejos populares anuais, que a Edilidade subsidiou com 90 contos.

O Centro possui uma sala destinada à realização de festas, funcionando igualmente para receber outras iniciativas de várias áreas, sendo assim um espaço polivalente.

A XIV Festa Popular do Laborato teve lugar nos dias 11 e 12 de Julho de 2008 e a Câmara concedeu um subsídio de € 1.500,00 (mil e quinhentos euros).

A Associação de Caçadores de Castelhanos e Laborato tem a seu cargo uma zona de caça associativa.

Na ribeira do Vascão e perto deste monte existem pegos que proporcionam bons banhos, como acontece com o Pego Longo e o Pego da Oliveira.

O arranjo dos arruamentos do monte foi concluído em 1991.

[Ponte dos Castelhanos, sobre a Ribeira do Vascão, que liga ao concelho de Mértola]
A nível de população, esta foi crescendo até 1940 com 154 habitantes. A partir daí os censos demonstram um decréscimo com 112 em 1960, 104 em 1970, 85 em 1981 e 66 em 1991, ano dos últimos dados que possuímos.
Em 1911 tinha 151 habitantes e era então o terceiro “monte” mais populoso da freguesia, suplantado por Santa Justa e Corte Serrano

Foi o que conseguimos reunir sobre esta pequena povoação.

NOTAS
(1)– Horizonte/Confluência, II Vol.2ª Edição, 1993, pág. 842.
(2)– Estácio da Veiga, Antiguidades Monumentais do Algarve.
(3)– Património Arqueometalúrgico de Alcoutim, Mª Victória Abril Cassinello, Isaura Cardoso Guerra e José Mª Jinenez Rós, Dezembro de 1994.
(4)– Corografia ou Memória, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve, Edição fac-similada (1988)
(5)– Acta da Sessão da C.M.A. de 25 de Junho de 1848.
(6)- Acta da Sessão da C.M.A. de 6 de Agosto de 1931.
(7)– Acta da Sessão da C.M.A.
(8)- Boletim Municipal nº 5, de Setembro de 1989.
(9) - Correio da Manhã de 23 de Fevereiro de 1991.
(10)- Alcoutim – Revista Municipal, nº 1, de Maio/Junho de 1995.

sábado, 6 de junho de 2009

Assembleia Popular Democrática


Pequena Nota

A pág. 155 do nosso último trabalho em livro, A Freguesia do Pereiro (do concelho de Alcoutim) «do passado ao presente», 2007, escrevemos: Na aldeia reuniu-se a população interessada com o fim de escolher uma comissão administrativa para a Junta de Freguesia, isto devia ter ocorrido pelo mês de Junho, se a memória não me atraiçoa.

Com os elementos recolhidos nessa assembleia, organizei uma acta que foi entregue na Câmara Municipal, já então com Comissão Administrativa e esta fez chegar ao MDP/CDE de Faro que a enviou ao Governador Civil, nomeando este uma Comissão Administrativa para a Junta de Freguesia, presidida por Henrique António, a pessoa mais votada nessa assembleia.

Não nos lembrávamos que tínhamos ficado com uma cópia, através do antigo papel químico e que agora, procurando outro documento, nos apareceu e que teria documentado bem esse espaço.

Como na altura não foi possível, damo-la agora a conhecer.

Por lapso não foi indicada a data e hora da assembleia.

[Henrique António]
De notar a esmagadora vitória de Henrique António que encabeça e vence nas três eleições seguintes e que por vontade própria cede o seu lugar a outro militante do seu Partido.

Henrique António soube sair pela Porta Grande, o que não acontece com todos os políticos.



CÓPIA DA ACTA

Encarnando o espírito altamente democrático do Glorioso Movimento do 25 de Abril, que restituiu aos Portugueses as Liberdades que durante 48 anos nos usurparam e tendo como base o saneamento da Junta de Freguesia local, o povo desta freguesia reuniu-se na sede da Junta, a fim de eleger livre e democraticamente, uma Comissão Administrativa que represente efectivamente a vontade do Povo.

A mesa coordenadora dos trabalhos, foi presidida pelo Senhor Baltazar Xavier da Silva Diogo, membro representativo da freguesia na Comissão Administrativa da Câmara Municipal, que era ladeado pelos senhores Henrique António e Diogo Xavier da Palma.

Feita a contagem, apurou-se o seguinte resultado:

Henrique António, moleiro, do Pereiro ..........106 votos
António José Vicente, vendedor ambulante.........28 “
Diogo Xavier da Palma, proprietário, de Soudes.. 26
José Luís, proprietário, Fonte Zambujo de Cima...11
Francisco da Palma, comerciante, do Pereiro,..... 8
José Amaro Gomes, proprietário, Alcaria Cova... ..7

Neste sentido e por vontade do Povo, a Comissão será constituída pelo senhor Henrique António, que presidirá e terá como vogais os senhores António José Vicente e Diogo Xavier da Palma. Os restantes votados, servirão como substitutos.


Tomando em consideração o apoio dado pelo Movimento Democrático Português (M.D.P.), Faro, que tão útil tem sido no distrito, tomamos a liberdade de enviar estes elementos para a devida apreciação, solicitando, se for caso disso, a sua apresentação a nível Superior, para os devidos efeitos.

VIVA A DEMOCRACIA
VIVAM AS FORÇAS ARMADAS
VIVA PORTUGAL LIVRE

A Mesa Coordenadora,

Os Eleitos.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Campeonato Municipal de ... Três Setes ! !



Teve lugar no passado dia 22, no “monte” de Afonso Vicente, na nova sede da associação local, o Centro Cultural Social e Recreativo, ainda por inaugurar, a semifinal deste campeonato numa organização da Câmara Municipal e colaboração de algumas das associações do concelho, já que, segundo nos informaram, as freguesias de Giões e do Pereiro não se fizeram representar.

Encontraram-se dez equipas em confronto entre as quais uma que representava a associação local.

Os “Três Setes” são um jogo de cartas muito característico da Serra Algarvia e regiões limítrofes e completamente desconhecido das outras zonas do país.

Nos princípios do século passado os únicos jogos conhecidos de cartas eram o “Três Setes” e o “Truco”, os restantes, hoje praticados vieram muito depois.

Existe muito pouco escrito sobre este jogo, apareceu uma pequena referência a ele na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e nos livros da especialidade que consultámos, nada encontrámos. Através da Internet foi possível obter mais algumas informações, nomeadamente que aparecia referido num livro publicado em 1802.

Na linguagem do jogo existe o termo “apultana” segundo uns ou “apolitana”, segundo outros.

[Aplutana de paus, naipe que representa os camponeses]
Este facto sugere-nos como termo original napolitana o que não escandaliza admitir a sua origem do Reino de Nápoles e trazido pelas suas gentes que percorrendo o Mar Mediterrâneo subiram o Guadiana à procura de locais que lhe dessem mais condições de vida.

Por aqui se encontram vários topónimos que podem ser enquadrados nesta perspectiva como acontece com Lombardos (Lombardia), na freguesia do Espírito Santo, Toscana (Toscânia) e Provenças (Provença), na freguesia de Alcoutim.

Preservar os usos e tradições de uma região é contribuir para a sua identidade. Tipo de construção, gastronomia, danças e cantares, artesanato e jogos como os “Três Setes”deverão ser conservados e estimulados.

CARO VISITANTE/LEITOR:
ESCREVÍAMOS UM “BATE PALMAS” SE O CAMPEONATO FOSSE DE “TRÊS SETES”, ASSIM É “PORTA ABERTA” PARA A SUECA SAÍR!

Para compensar aqueles que ficaram tristes por esta notícia, podem BATER PALMAS connosco à Casa do Povo de Santo Estêvão de Tavira que com o apoio da Junta de Freguesia realizou em Fevereiro último o 1º Torneio de “Três Setes”.

Santo Estêvão não olha só para o seu Rancho Folclórico, como se pode concluir.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Dicionário Toponímico - Cidade de Loulé


Com lançamento muito recente, mais propriamente em Maio último, este livro em formato 16,5X23 cm e de 408 páginas é um valioso trabalho toponímico e em que se ajusta e justifica plenamente o título dado.

Muito completo, apresenta devidamente documentada, a história de cada arruamento indicando, quando é caso disso, os vários “nomes” que foi tomando ao longo dos tempos.

Os topónimos têm as mais variadas origens avultando naturalmente os de origem onomástica, com natural relevo para os filhos da terra que abrange todos os extractos sociais.

Apresentando as placas toponímicas e onde se verificam naturalmente vários modelos criados no decorrer dos tempos e onde em muitos casos aparece o nome “seco”, este valioso trabalho contém notas biográficas dos homenageados e procura explicar a razão para a existência de outros tipos de topónimos que têm a ver com circunstâncias locais.

Não esquece, o que é muito importante, a data e origem da deliberação tomada para assim nos enquadrar no tempo.

É autor deste trabalho, prefaciado pelo Professor Doutor Joaquim Romero Magalhães, um jovem filho da cidade, Jorge Palma, licenciado em Engenharia do Ambiente e pós-graduação em Higiene e Segurança no Trabalho.

O Eng. Jorge Palma além de técnico superior da Câmara Municipal de Alcoutim tem raízes neste concelho.

Sem nos conhecer pessoalmente, teve a amabilidade de se deslocar ao “monte” onde nos encontrávamos para nos oferecer um exemplar do seu trabalho, enriquecido com significativo autógrafo.

Esperamos que a sua ligação familiar e de trabalho a Alcoutim o leve, o que estamos convencido que vai acontecer, a empregar a sua capacidade, inteligência, cultura e gosto em prol do concelho de Alcoutim, que bem precisa.

Muito lhe agradecemos a visita assídua, segundo nos confessou, que faz ao ALCOUTIM LIVRE.

Mais uma vez, muitos parabéns pelo trabalho e agradecido pela sua gentileza.

terça-feira, 2 de junho de 2009

A mantilha


[Viúva com mantilha]

Mantilha é naturalmente um substantivo derivado de manta, de origem Castelhana e proveniente do Latim mantellum (manto) e que poderá ter utilizações variadas, mas que se destina a pôr sobre a cabeça ou sobre os ombros.

A confecção e utilização estão impregnadas de variados conceitos dependentes dos países, regiões e extractos sociais.

Parece que o uso da mantilha teria tido origem em Espanha.

A mantilha que pretendemos referir, como não podia deixar de ser tem a ver com o concelho de Alcoutim, ou não tivesse por título este blogue ALCOUTIM LIVRE!

Segundo os dados recolhidos e ainda possíveis junto da população mais idosa, só as pessoas na casa dos oitenta podem fazer uma explicação adequada, pois na sua juventude era uma peça que viram usar às suas avós e mães, quando fosse caso disso.

A mantilha era uma espécie de xale de três pontas (forma triangular), enquanto este tinha quatro (forma rectangular).

De lã preta e confeccionada em teares rudimentares que existiam em todos os montes do concelho.

Há um século fazia parte do currículo das alcoutenejas saber tecer pelo menos as coisas mais rudimentares e necessárias para a família, nas quais se incluíam as mantilhas, que constituíam a peça fundamental para cumprimento do luto rigoroso.

Quando era “carregado” era posta pela cabeça, traçada de uma maneira característica, atando-se as pontas. A meio do tempo, o luto começava a aliviar e então a mantilha passava para os ombros.

O uso do preto como luto em Portugal iniciou-se em começos do século XVI.

Em Portugal o luto mais prolongado é (era) o de viúva que nalgumas regiões era para toda a vida e noutras durava um ano e três meses.
Em Alcoutim o luto pelos pais durava três anos e pelos irmãos dois.

Há quarenta anos ainda me lembro de ver cumprido o ritual da mantilha pela cabeça, tradição que com o decorrer dos tempos foi caindo em desuso. Contudo, ainda é geral o cumprimento do luto através do uso do preto, o que já não acontece nos meios mais populosos onde raramente se vê.

Aqui fica este pequeno apontamento que os jovens alcoutenejos possivelmente desconhecerão de todo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Mês de Junho

EFEMÉRIDES ALCOUTENEJAS

Pequena Nota

Com esta postagem relativa ao mês de Junho, completámos o tema intitulado EFEMÉRIDES (alcoutenejas), o que significa também que o Alcoutim Livre está a chegar a um ano de existência.

Inventariámos cento e quarenta e nove factos relacionados com a Vila de Alcoutim e o seu concelho, alguns importantes no conceito da sua existência, outros nem por isso mas que nem assim deixam de ter algum significado na vida alcoutenense.

Penso que tenho mais factos que justificavam a sua inclusão mas que ainda não recuperei na documentação dispersa.

Tenho conhecimento que alguns dos visitantes/leitores não dispensavam a leitura das EFEMÉRIDES onde encontravam quase sempre algo que lhes despertava a sua curiosidade.

Para que se fique com uma noção do movimento direi que o mês de Março foi o de maior número, tendo sido referidos vinte e um factos, enquanto Julho e Novembro se ficaram em sete.


JV



Dia ?
1873
- Iniciou as funções de pároco da freguesia de Alcoutim, tendo substituído o tio do mesmo nome, o Pdre. António José Madeira de Freitas (sobrinho).







1994 - Violento incêndio na zona rústica de Vale de Condes, freguesia de Alcoutim, que consome 150 ha de mato, amendoal e principalmente oliveiras.


Dia 1
1862
- Manifesto de Joaquim Pedro Teixeira, (1818 – 1905) sacristão, mais tarde professor, natural e morador em Giões, de uma mina de cobre no Serro Alto, perto de Alcaria Alta, freguesia de Giões.

1875 - Manifesto de José Francisco Rebelo, natural de Serpa, de uma mina de manganés e outros metais, na Herdade do Brejo.

Dia 2
1602
- É presa Maria de Alcoutim, natural de Évora, com cerca de 50 anos, filha de Francisco de Alcoutim, acusada de judaísmo. Foi solta em 21 de Janeiro de 1605.


Dia 4
1851
- Francisco José de Barros é nomeado por carta de D. Maria II, Subdirector da Alfândega de Alcoutim.


Dia 13
1497
- Concessão do título de Conde de Alcoutim a D. Fernando de Meneses, data que não é consensual.


1906 – Falece na vila de Alcoutim, pelas 14 e 30, o Padre António José Madeira de Freitas (sobrinho), filho de Pedro José Rodrigues Teixeira e de D. Rita Antónia Joaquina do Carmo. O assento de óbito não indica a idade.


Dia 15
1996
- O Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, no âmbito da presidência aberta, visita Alcoutim e o almoço decorre no Castelo.


Dia 20
1718
- Manuel Martins, nomeado por carta de D. João V, escrivão das Sisas e Alfândega da Vila de Alcoutim.





Dia 26
1748
- Por mercê de D. João V é passado a Belchior Correia, alvará de Escrivão da Câmara da Vila de Alcoentre e de Alcoutim.



1993 - O decreto-lei nº 230 extingue a Guarda Fiscal que foi muito procurada por muitos alcoutenejos como meio de vida.





Dia 29
1844
- É aprovada na Câmara Municipal a Postura sobre Fornos de Poia, ou públicos.




Dia 30
1484
- Lourenço Afonso Vilão é nomeado por mercê de D. João II, Alcaide das Sacas de Alcoutim e na mesma data Escrivão da mesma, Diogo Dias.