domingo, 4 de outubro de 2009

História de Portugal - I Vol. (1080-1415)



Pequena nota

O Escaparate de hoje necessita de uma pequena nota introdutória. Iremos referir a “Monumental” HISTÓRIA DE PORTUGAL (em publicação) do Prof. Doutor Joaquim Veríssimo Serrão, cujo I Volume apareceu nos escaparates em 1977, encontrando-se já publicados dezassete.

Destes, doze trazem referências a Alcoutim, acontecendo isso nos primeiros 10 volumes que chegam até 1910. A partir daí, o valor histórico de Alcoutim começa a declinar até aos dias de hoje.

Que eu saiba, mais nenhuma obra do tipo faz tantas referências a esta pequena vila do Guadiana e ao seu concelho.

Trata-se de uma Edição VERBO.

Iremos referir sequencialmente os volumes que têm referências a Alcoutim e o seu tipo.

Procuraremos intercalar com outras obras para se tornar mais leve a leitura.



O I Volume que abrange o período de 1080 a 1415 (ESTADO, PÁTRIA E NAÇÃO) refere a Pág. 285 - Guerras com Castela (1369-1370 e 1372-1373) e lá vem, como todos os historiadores fazem, as Pazes de Alcoutim que sempre considerámos o acontecimento histórico mais importante passado na pequena vila raiana. Até hoje, como várias vezes temos comentado, nenhum Edil se lembrou de deixar tal acontecimento lavrado numa placa em qualquer lugar da vila.

Uma outra referência é feita a Pág. 358 - Pescas e navegação costeira. Ligado à actividade costeira prende-se o problema das saboarias. Aqui se refere a concessão de D. Fernando em 7 de Julho de 1376 ao seu Almirante Lancerote de França das saboarias pretas de Tavira, Castro Marim e Alcoutim.

sábado, 3 de outubro de 2009

Portas de Mértola



Eram as mais faladas pelo povo que muitas vezes se referia a elas, simplesmente dizendo: -... ali às portas. Esta expressão era suficiente para determinar o local a que nos queríamos referir.

Porque eram as mais faladas? Talvez tivessem sido as últimas a ruir e daí ainda se ter mantido a utilização da expressão. Segundo informações colhidas nos fins da década de sessenta, a algumas dezenas de anos existia um resto de muro onde se encontrava saliente uma pedra perfurada, peça fundamental para o girar da porta, segundo diziam.

A toponímia local mantém a designação de Rua Portas de Mértola, o que só por si, com relativa segurança, nos indicaria a sua localização:- mesmo ali, ao desembocar na estrada nacional que deixou de ser a única entrada rodoviária da vila. Antes da construção do desvio para a Praça da República, todo o trânsito passava por esta rua.

A artéria, também foi conhecida pela Rua da Corredoura, nome que oficialmente já teve, acabando por voltar ao que nos parece mais ajustado.

Esta “Porta” teria começado por servir o velho caminho que conduzia às Cortes Pereiras e dali para Mértola, então importante centro. Daí a designação de “Portas de Mértola”.

Na maioria dos casos as “Portas” tomavam o nome das terras importantes que serviam. Também era frequente o nome de santos. Foi aqui assim, foi por esse País fora.

Só há ruas com a designação de “Portas de...” quando as povoações foram amuralhadas tendo como complemento, na maior parte das vezes o nome das terras que serviam. Os casos em contrário revelam total ignorância e podem enganar muitas vezes as pessoas menos precavidas.

Em 20 de Março de 1873, José Francisco Barrigudo Bravo, aspirante a farmacêutico, oriundo de Mértola e residente em Alcoutim, requer à Câmara terreno para fazer umas casas às Portas de Mértola, pegadas às que ali tem D. Libânia de Barros.

Esta e as outras portas da vila, segundo o pároco que respondeu ao questionário das Memórias Paroquiais (1758) tinham guarda permanente e fechavam à noite, abrindo de manhã.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Caniço para queijos


Quando publicámos no Jornal do Baixo Guadiana, nº 78, de Agosto de 2006, o artigo “A cana na vida alcouteneja”, referimos naturalmente esta utilização que a planta proporciona.

Dos dicionários que consultámos há um que o refere como um regionalismo do Alentejo, definindo-o como rede de canas suspensas do tecto e sobre a qual se secam os queijos (Dicionário da Língua Portuguesa, Fernando J. da Silva, Editorial Domingos Barreira, Porto, 4ª Edição, 1984) e que corresponde efectivamente à definição que aqui lhe pretendemos dar.

O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Academia das Ciências de Lisboa/Verbo, 2001, no significado da palavra apresenta, entre outros: Rede de canas entrelaçadas sobre a qual se secam e curam os queijos, ou se põem as carnes ao fumeiro. Por aqui os enchidos punham-se ao fumeiro enfiados em várias canas que se cruzavam e suspensas por arames.

Os caniços para secar queijos, como a fotografia representa, eram constituídos normalmente por três canas com cerca de um metro de comprido e que funcionavam como suportes estruturantes, sendo-lhe atados pedaços de cana mais estreitos (cerca de um terço das de suporte) com um nó muito próprio para evitar o deslaçar e que é semelhante ao feito nos caniços dos telhados.

Constituindo uma espécie de rede, são suspensos do tecto para proporcionar um melhor arejamento dos queijos que se vão estendendo por todo ele e por outro lado evita o ataque da bicharada nociva.

Tudo isto começa a cair em desuso.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Descrição da vila de Alcoutim através dos tempos

Alcoutim, antiga praça forte (1) e histórica vila, também conhecida e indicada por Alcoitim (2) e a que os romanos teriam chamado Alcoutinium (!) e os árabes chamaram Alcatiã (3), situa-se na margem direita do Guadiana, para ele debruçada, e no ponto de confluência deste rio com a ribeira de Cadavais, na encosta de um serro, onde principia a serra algarvia. Na frente, tendo só de permeio o rio fronteiriço, ergue-se a vizinha Sanlúcar do Guadiana, com altaneiro castelo, “ayuntamiento” espanhol onde impera a brancura das casas, facto que lhe tem merecido alguns prémios, de que os habitantes muito se orgulham.

A primeira descrição que conhecemos é a que nos dá o cronista João Cascão, em 1573, quando acompanhou D. Sebastião numa visita ao Algarve:-Alcoutim é de 250 vizinhos, tem defronte hum lugar de Castela, a que chamam S. Lucar e também de 250 vizinhos e toda a mais gente que nelle vive são Portugueses homiziados e não há mais distância de hum lugar a outro, que a largura do Rio.



Na Corografia do Reino do Algarve ( 1577 ), Frei João de S. José, descreve-a assim: ... é ua vila situada na ribeira de Guadiana, seis léguas da barra, pelo rio acima, pera o norte. É pequena na povoação, mas fresca no sítio, porque goza do mesmo rio que lhe bate nas portas e de muito arvoredo e fruta de que as ourelas deste rio estão acompanhadas assim da banda de Portugal como de Castela, com que faz sua navegação não pouco deleitosa, em especial nos meses de Verão e Primavera.

Henrique Fernandes Sarrão, na História do Reino do Algarve (1607), refere:- A vila de Alcoutim está à borda do rio Guadiana, na parte do ocidente, seis léguas da vila de Castro Marim. É de duzentos vizinhos e a derradeira do reino do Algarve de ocidente a oriente... .

O eng. italiano Alexandre Massaii, em 1621, vê-a assim: A sobreditta Villa esta no Rio de guadiana E dista sinco Legoas da Vª de Mertolla, E por esta p.te do leste E o prim.ro lugar do Rei/no do Algarve, he Vª pequena e acastellada ao longuo do Rio e frontrade São lucar de guadiana q he Vª de andaluzia do Reino de Castela (...) (4)



Os espanhóis, em manuscrito citado por J. Veríssimo Serrão, in Uma Estimativa da População Portuguesa em 1640, escrevem: - Cinco leguas de Tavira, en el Algarve, y de su Commarca, se ve la villa de Alcoytin, en un collado cerca del rio Guadiana con una fortaleza, 200 vezinos y una Parroquia Yes cabeça de Condado.
Padre Carvalho (1712), descreveu-a assim: - Cinco légoas da Vila de Castro Marim para o Norte, de fronte da vila de São Lucas, em Andaluzia, junto do Guadiana, em sítio alto, está fundada a vila de Alcoutim, cercada de bons muros, com forte castelo... .



Silva Lopes (1841), anota que está assentada em um cerro que desce para o Guadiana, o qual neste sítio de fronte de S. Lucar, tem 215 varas de largo. Todas as casas são em declive, muito quentes no verão.
O francês Charles Bonnet, na Memória sobre o Reino do Algarve (1850), escreveu: Esta vila que é sede de concelho, está construída em anffiteatro junto ao desfiladeiro em que corre o rio Guadiana. Encontra-se, em parte, cercada por velhas e fracas muralhas que remontam ao tempo dos Mouros, o mesmo acontecendo ao seu forte castelo que está a cair em ruínas, apresentando um aspecto triste. Os seus arrabaldes são pouco férteis, à excepção dos barrancos das margens do rio e do vasto planalto que se estende mais a Oeste.
Ferreira Moitinho (1890), dedica-lhe as seguintes palavras:... a alpestre villa de Alcoutim - situada à margem direita do Guadiana, em frente à villa hespanhola de San Lucar, d’onde as tricanas andaluzas segredam amores aos pegureiros portugueses...



Em Alcoutim, velha praça de armas, principia a serra de Monchique, de cujo cimo a contemplamos... . Foi outrora boa e segura fortaleza que continha em respeito a truculência dos nossos vizinhos, truculência que o decorrer dos anos foi convertida num caudal de promíscuos affectos das paixões - o que leva a crer que, de futuro, os explodimentos entre os dois povos não demandarão d’outra metralha que não seja o doce amplexo da mais cordial sympathia trocada de margem para margem, de coração para coração. Antes assim... (5)

Depois desta referência de sabor sentimental, aliás justíssima, passamos à que nos oferece Leite de Vasconcelos, que teve aqui amigos que visitava com frequência. Pelas nove horas passámos (descendo o Guadiana) entre S. Lucas (Andaluzia) e Alcoutim (Algarve), duas povoações pitorescas, que se saúdam entre si, cada uma com o seu castelo em ruínas, prova da antiga amizade e mútua confiança... (6)

Pela mesma altura, Raul Proença (7), tal como Leite de Vasconcelos, descendo o rio, descreve (...) É um cone formidável que se destaca dos outros montes; é Alcoutim num fundo risonho de amendoeiras, com S. Lucar do Guadiana na margem oposta; é sobretudo a vida maravilhosa das águas, que se embebe de todos os tons de azul dos montes, e que estremece, reluz e se modifica a todos os momentos, com uma sensibilidade extraordinária.
Chegámos à altura própria para deixar falar a sensibilidade de um alcoutinense - Luís Cunha:

Com o seu casario em presépio, meio derruído pelo tempo, Alcoutim assenta em pequeno morro alcantilado de rocha de xisto à beira do Guadiana no preciso lugar onde a navegação à vela - fenícia, grega ou cartaginesa - condicionada pelo regime fluvial e dos ventos, fazia ponto (paragem forçada de seis horas aguardando o virar da maré). (8)



Noutra oportunidade, expressa-se da seguinte maneira: Esta encantadora vila à beira do rio Guadiana, alcandorada num pequeno morro alcantilado, está limitada, por todos os lados, por barreiras naturais que rigidamente lhe cortam a possibilidade de expansão. Ao situá-la a meio do maior troço de recta entre Vila Real de Santo António e Mértola, onde a navegação à vela compelida a aguardar o virar da maré, os seus fundadores procuraram simultaneamente, garantir à navegação, o necessário apoio durante a imobilidade e subtraí-lo às surpresas das curvas. Ponto de apoio ou base de assalto, feitoria e, depois armazém de mercadorias em trânsito, bastavam-lhe as limitadas proporções que o pequeno morro rochoso oferecia.
Tal condicionalismo determinou o denso aglomerado do casario em volta do velho castelo e um arranjo original e pitoresco de acomodação do interior da habitação, em patamar, com degraus a dar comunicação entre as divisões da casa, degraus às vezes lavrados na própria rocha.

Um cerro de enorme declive barra por dois lados o alargamento da vila e, dos outros dois, o Guadiana e a ribeira de Cadavais completam o cerco. (9)



Agora, uma pequena mas muito significativa descrição de Helder Pinho: - Debruçada sobre o Guadiana, tal qual a sua vizinha Sanlucar, na margem espanhola do rio. A vila é linda na sua simplicidade. Alcoutim com as suas ruelas floridas e o pequeno porto fluvial, é um local ideal para repouso. (10)

É de José Manuel Fernandes, jornalista e escritor, a última referência, quase dos nossos dias (1985): - A vila muito pobre, vale sobretudo pelo rio. Quanto à serra que a rodeia, deserta e inóspita, com a rocha nua à vista e a esteva por todo o lado, é o testemunho vivo de como uma impensada “campanha de trigo” pode destruir, em pouco tempo, os solos já pobres de que todo um concelho se alimentava. (11)



Numa redução topográfica do original existente na Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos e Topográficos e que se encontrava no átrio da Biblioteca Municipal de Faro, consta: - He uma piquena e irregular Praça fronteira a Sanlucar e de pouca consideração. Necessita de algumas reformações.

Em tempos recuados, foi entreposto de comércio fluvial de relativo interesse. A localização (ponto de maré) foi de capital importância para esse facto. (12)

Dista 95 Km de Faro, 42 de Vila Real de Santo António, 40 de Mértola, 20 de Giões, 30 de Martim Longo, 15 de Pereiro e 37 de Vaqueiros, constituindo as quatro últimas as sedes das restantes freguesias que compõem o concelho de que é cabeça.

NOTA - Extraído de Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (Subsídios para uma monografia), 2ª Edição (em preparação)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O teatro em Alcoutim

Nunca vi este assunto abordado de uma forma escrita, a não ser em duas pequenas referências e depois o que aqui escreveu o nosso colaborador, Eng. Gaspar Santos.
Verdade seja que apesar de já não funcionar há quatro ou cinco dezenas de anos, todos sabiam indicar onde tinha funcionado e até mostrar aquela pequena casa que ainda possuía o palco e a boca de cena.

Quem procurou recolher dados sobre o teatro que se fez em Alcoutim?

Deixámos partir as pessoas que conheciam as coisas e a recolha não foi feita!

Eu só conheço Alcoutim há 42 anos. Passaram várias gerações de alcoutenejos, muitos que adoraram a sua terra, mas ninguém, que eu saiba, teve o cuidado de recolher e escrever algo sobre o assunto.

Também eu o podia ter feito, ainda que na altura já não fossem muitas as pessoas que me pudessem dar informações sobre o assunto. Por outro lado, a recolha oral tem bastantes inconvenientes e eu tenho alguma experiência nisso tendo acabado por pôr de parte certas pessoas que pensava serem as melhores informadas. É muito fácil detectar quando se procura faltar à verdade, sabendo uma coisa e dizendo outra, aquela que pensam ser a melhor na circunstância, usando e abusando do poder da sua imaginação.

Ainda muito recentemente, quando foi destruído o palco do teatrinho, segundo me informaram, nem uma fotografia foi tirada e depois procuram fotografias antigas!

Lembrando um rifão muito popular e recolhido localmente por Leite de Vasconcelos:- A bota não dá com a perdigota.
***


Depois deste pequeno intróito que não podia deixar de fazer, tentaremos ligar alguns dados que consegui reunir, são poucos e não são completamente seguros pois as memórias já vão falhando e a maior parte deles já são memórias de memórias.

Seguro é que muito antes de 1875, já tinha havido hum pequeno theatro o qual actualmente não funciona por estar abandonado. É esta a indicação que nos fornece o ofício nº 70, de 18 de Junho de 1875, do Administrador do Concelho. Onde se situava o teatro é que desconhecemos.

Outra pequena referência escrita que encontrámos, esta bem mais recente e do primeiro quartel do século passado, foi da existência, como casa de espectáculos, do Teatro Recreativo Alcoutinense e este sim, ainda hoje se pode localizar. A informação foi obtida num Anuário Comercial de que não posso precisar o ano, ainda que possua a competente folha.

Igualmente é seguro que esse pequeno edifício, situado na actual Rua D. Sancho II, pertenceu a Pedro José Rodrigues Teixeira Júnior que por testamento de 29 de Junho de 1937 o doou à Santa Casa da Misericórdia, na posse da qual ainda se encontra.

Esta Entidade, possivelmente por falta de uso, veio a arrendá-lo a Manuel Pinto, onde instalou a sua oficina de marceneiro/carpinteiro. Segundo Gaspar Santos, mesmo assim, por cedência deste artífice, ainda se realizaram algumas récitas.

O palco, por informações prestadas pelas filhas do Dr. José Pedro Cunha, foi por ele construído ou pelo menos debaixo da sua orientação, pois além de ser pessoa muito habilidosa, era um amante da arte de Talma, considerando várias informações recolhidas.

A família de Leonel Mariani Lorador constituía uma espécie de “companhia” que se deslocava periodicamente por várias terras do sul do país, levando a sua arte, devia ter sido a última utilizadora deste espaço.

Até aonde a informação nos chegou, o médico Dr. José Cunha foi o grande dinamizador do teatro local no primeiro quartel do século passado, ensaiando as peças que obtinha e dando-lhe a encenação que a sua fina sensibilidade motivava e o leque de “actores” permitia.

Constou-nos igualmente que ele próprio escrevia pequenas rábulas de sátira local. Segundo informação que D. Belmira Lopes, há anos falecida, nos prestou, destacava-se no elenco local a então jovem Francisca Madeira, hoje com quase 104 anos, D. Francisca Madeira Serafim.

“Sucede” ao Dr. Cunha o prof. Trindade e Lima, mais novo trinta e três anos e que desenvolve praticamente as mesmas acções.

As peças representadas e as músicas vinham de fora (Lisboa) e D. Cecília, em casa, interpretava-as ao piano, cantarolando-as.

A opereta “Leiteira de Entre Arroios”, inspirada num conto de Júlio Dinis, teria sido levada a palco tal como dois trechos musicais, a “serenata” e a “canção da cabreira”, interpretado um deles por Teresa Themudo.

A conhecida comédia ainda hoje representada com muito sucesso, “Onde está o gato?” também teve lugar neste teatrinho, encenada pelo prof. Trindade e Lima e representada por seu filho, Rui Trindade e por Helena Themudo, felizmente ainda entre nós.

No teatrinho, na década de trinta do século passado, teve lugar uma récita a favor da construção do Hospital, como está escrito nos aventais, o que aqui não se consegue ler pois optámos pela visibilidade do rosto das jovens que são da esquerda para a direita:- Teresa Themudo, Aurélia Martins e Aurora, prima da primeira.

Interpretavam uma canção, na altura muito em voga e de grande sucesso que tinha por título “Tricanas da Beira-Mar”ou “Tricanas de Aveiro”. A informadora ainda sabe a música recorda alguns versos mas não tem a certeza do título.

Os trajes foram confeccionados por D. Marina Themudo.

Numa “paródia carnavalesca”e para receber o novo tesoureiro da Fazenda Pública (o dia em que chegava um funcionário a esta vila era habitualmente um dia de festa!), entraram Helena Themudo (empregada de bebé ao colo), Teresa Themudo (novo tesoureiro) e Maria Augusta Caimoto (esposa do novo tesoureiro)

Na Feira de Artesanato de 1996 vi actuar um pequeno grupo de alcoutenejos que puseram em cena pequenos quadros de sentido mordaz e que pretendiam retratar a vida comercial da terra, sendo os textos de autoria de Alexandre d`O e a encenação do Dr. Francisco Morato, na altura professor na EBI local.

Aqui fica o que consegui reunir para compor este assunto, só possível com a preciosa colaboração da família Themudo, a quem deixo o meu agradecimento.

É pena que se perca a memória de coisas deste género, sobretudo pelo significado formativo do gosto e da sensibilidade, não são palavras minhas mas que para aqui transcrevo com a devida vénia pois concordo absolutamente com elas.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A água em Martim Longo


[Aldeia de Martim Longo, vista parcial]

A água, indispensável à existência da vida, faz parte dos nossos pontos de abordagem.

A aldeia Tem dous poços d’água muito boa (...) é a referência que nos dá no século XVIII, Henrique Fernandes Sarrão. (1)

Baptista Lopes (2), em meados do século XIX, refere que “no verão há muita escassez della nos poços públicos”, o que é confirmado por Charles Bonnet. (3) ao escrever “ (...) sendo também rara a água potável”.

Em Janeiro de 1843 a Câmara foi em correição pelo concelho tendo reunido pelo menos por três dias na aldeia.

Entre várias deliberações tomadas e em função daquilo que verificavam nos locais que visitavam, acordaram recomendar à Junta de Paróquia que mandasse reparar o gargalo do Poçanco e que lhe fosse feita uma calçada ao seu redor. (4) Igualmente nesta altura foi deliberado que “a estrada junto da Alagoa fosse toda feita de calçada.


[A alagoa, 1990. Foto de JV]

Em 1850 (5) o Presidente da Câmara informa a vereação que a escassez de água em Martim Longo era grande e que por isso, ainda que o orçamento não esteja aprovado, lhe parecia que se devia tomar providências no sentido de se abrir um novo poço, o que foi corroborado pela vereação.

Não sabemos, mas presumimos que o poço não foi aberto, já que oito anos depois e com a Câmara novamente em correição (6), constando-lhe que há grande escassez de água quis ir ao poço público certificar-se da situação, verificando que o fundo do mesmo se encontrava “à vista”.

Foi reconhecida imediatamente a necessidade absoluta de abrir “um novo poço no sítio já muitas vezes indigitado, pela parte de cima do Poço do Meio, encarregando a Junta de Parochia e Regedor de contratar a abertura do dito poço com pessoas que mereçam confiança”.

Os anos foram passando e em 1876 (7) levantou-se problema entre a Câmara Municipal e a Junta de Paróquia local.

As obras autorizadas com o Poço do Meio e para as quais a Câmara tinha autorizado a verba de 36.000 réis, entretanto entregues, não chegou pelo que a Junta solicita a satisfação de mais 10.720 réis, o que a Câmara acabou por conceder, tomando em consideração o bem estar dos habitantes.

Posteriormente, a Junta de Paróquia apresentou um requerimento solicitando que a Câmara mandasse pagar a quantia de 48.150 réis para além das verbas já entregues. A Câmara não podendo admitir e sancionar abusos deste tipo, indeferiu o pedido.

Em 1878 ultimou-se o aprofundamento do Poço Bom, onde se despendeu a quantia de 19.190 réis, que a Câmara satisfez. (8)

O Administrador do Concelho oficia em 15 de Julho de 1893 ao Regedor da Paróquia nos seguintes termos:- (...) Tem vindo ao meu conhecimento que junto dos poços públicos dessa aldeia de que os habitantes se servem d´água para beber, se fazem lavagens de roupas e bebem cavalgaduras e gados cujos subejos dão entrada nos mesmos poços devendo V.S. e os seus cabos de polícia fazer vigilância sobre os mesmos para aplicação das posturas municipais aos transgressores. (9)

Só voltámos a encontrar referências sobre a água no chamado Estado Novo. Em 1931 é subsidiada a Junta de Freguesia com 1.500$00 para a abertura de um poço. (10) Dois anos depois parece que ainda não teria sido aberto já que se propunha a abertura do que tinha sido subsidiado pelo Estado. Foi encarregado de fiscalizar o trabalho o Vice-Presidente da Comissão Administrativa da Câmara, o alferes José Francisco Ginja, natural de Martim Longo, oficial que se mostrou muito activo no período do Estado Novo. (11)

Em 1985 encontrava-se praticamente concluído o saneamento básico da aldeia, que orçou em mais de 50 mil contos (12) e em 25 de Abril desse ano é posta a concurso público a arrematação da empreitada da estação de tratamento de águas residuais domésticas (ETAR).

Nota breve
O texto foi extraído da 2ª Edição de "Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio...", em preparação.
As notas ficam para uma hipotética publicação.

sábado, 26 de setembro de 2009

Confidências com D. Pedro de Meneses


A última Câmara Escura que aqui publicámos, a fotografia tinha sido feita há precisamente 72 anos!

Hoje, vai ser o oposto, pois a publicada é recentíssima, deste mês.

Dirão os nossos visitantes/leitores: - mas isto não é Alcoutim!- e estão certos, este cenário não faz parte da pequena vila raiana, contudo tem algo a ver com Alcoutim. Este venerável Senhor é o insigne guerreiro D. PEDRO DE MENESES, capitão e 1º Governador de Ceuta, cargo que exerceu durante 22 anos, até à sua morte.

Pois este valoroso e intrépido guerreiro continua “guardando” Ceuta desde 1415! É por causa deste SENHOR e do que tem na sua mão esquerda que Alcoutim possui no seu brasão a sigla ALEO. Tem sentado no colo uma criança que hipoteticamente poderá representar o seu bisneto Fernando que foi o 1º CONDE DE ALCOUTIM.

A nossa amiga, que teve a amabilidade de nos oferecer tal fotografia e de nos autorizar a sua publicação neste blogue, trocou algumas “confidências” com D. Pedro, como afirma.

Não é difícil de calcular em que falaram.

- Sabe D. Pedro, que vivi e visito com alguma frequência a vila que constituiu o Condado do seu bisneto Fernando?
- Sabe, eu não sou desse tempo, já tinha acabado a minha tarefa neste Mundo que não foi nada fácil. E depois?
- Ora depois foi passando para os seus descendentes até que em 1642 houve uma confusão e passou para a posse do secundogénito real e assim os MENESES deixaram de ser CONDES DE ALCOUTIM!
- Muito me conta, minha amiga.

E as “confidências” não deviam ter sido muito diferentes disto.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Os alcoutenejos e a música

(Publicado no Jornal Escrito Nº 33 de Julho de 2001, p. IV, encarte do Diário do Sul de 15.07.2001)

De uma maneira geral, os escritos que venho publicando na imprensa regional sobre o passado alcoutenejo, há mais de trinta anos são alicerçados na documentação local que me tem sido possível consultar.

Certamente que em arquivos centrais muito existirá sobre o passado desta vila que na Idade Média assumia algum relevo no contexto socioeconómico do chamado Reino dos Algarves. Hoje, cidades importantes do distrito de Faro, não existiam ou não passavam de pequenos núcleos populacionais em formação que nada tinham de comparável com a nobre e bela vila de Alcoutim (1) onde em finais do século XVIII viviam vinte pessoas nobres, o maior número verificado nos quinze concelhos do Algarve. (2)

Os exilados das lutas liberais que se refugiaram principalmente na França e em Inglaterra, conheceram grupos de músicos militares que tocavam juntos, designados por Bandas e que estavam agregadas aos regimentos militares. A sua existência era muito importante, visto caber-lhes a missão, em período de guerra, com os seus acordes, elevar o ânimo para a condução à vitória e em paz manter o espírito guerreiro junto das populações, elevando assim o respeito pelos exércitos.

Ao regressarem ao País, os exilados, e com o mesmo espírito, dão azo à criação da banda Municipal de Lisboa., em 1838.

Este gosto acabou por se espalhar e muitos regimentos militares optaram por constituir a sua banda, exibindo-se com frequência nos passeios públicos, onde as populações se juntavam.

O gosto pela música foi-se desenvolvendo, criaram-se bandas civis junto de instituições locais já existentes e fundaram-se outras com a missão fundamental do ensino e da difusão da música. A estas bandas civis é hábito chamarem-se Filarmónicas.

Nos finais do século XIX, princípios do seguinte, houve um surto de desenvolvimento musical representado pela fundação de inúmeras filarmónicas por todo o País, desde as maiores cidades a pequenas aldeias. Houve e ainda há, segundo penso, pequenas terras que têm duas filarmónicas, muitas vezes conhecidas por música nova e música velha que normalmente e como é natural, mantêm grande rivalidade.

A pequena vila raiana, apesar da sua pequenez e isolamento, também pretendeu acompanhar esse surto, procurando criar uma filarmónica, fanfarra ou charanga.

Nunca encontrámos nada escrito sobre o assunto e para a organização deste pequeno artigo, recorremos, há cerca de dez anos, à memória viva de Alcoutim, o nosso bom amigo, Francisco Mateus Xavier, vulgo Afonso Costa.

Desta memória privilegiada e frontal, recolhemos os dados que passamos a enumerar.

O grande impulsionador e considerado fundador deste agrupamento de músicos (filarmónica, fanfarra ou charanga), foi o Sr. Silva (3) que desempenhou as funções de chefe de administração municipal e que nos disseram ser originário de Vila Real de Sto. António. (4) Tem isto lugar na década de vinte ou trinta do século passado.

Os ensaios decorriam na actual Rua 25 de Abril, então Rua da Igreja, numas casas que hoje pertencem à Câmara Municipal. O pároco local, originário de S. Brás de Alportel, dedicava-se ao ensino da música e contam-se “estórias” engraçadas passadas no desempenho dessa tarefa.

Indicam-nos alguns elementos desse agrupamento, como José Pedro Feliciano da Silva (flauta), filho do fundador, Virgílio Rosa, (bombardino), David da Palma (contrabaixo), Alfredo Madeira (trompa), Ti Canelas, sapateiro (caixa) e José de Orta (pratos), entre outros.


Depois de um período de declínio, a “banda” que me dizem ter-se chamado 1º de Dezembro e talvez daí o Clube 1º de Dezembro, hoje Grupo Desportivo de Alcoutim, é reorganizada e rejuvenescida por um grande músico local, Manuel Vieira, que veio a optar pelo profissionalismo, fazendo parte da categorizada Banda da Guarda Nacional Republicana, com o posto de 1º Sargento.

Nessa altura, davam a sua colaboração, entre outros, António Joaquim Felício Júnior, (trompa), Leopoldo Vicente Martins, (clarinete), Virgílio Rosa Cavaco, (flauta), Júlio Nicolau (clarinete), António Cavaco (trompa), Francisco Mateus Xavier, vulgo Afonso Costa (feliscorne), o seu irmão Cândido Mateus Xavier (caixa), Ti Carolino (pratos), Francisco Gonçalves Barão (1º cornetim), Custódio, mais tarde soldado da G.N.R., (2º cornetim), Alfredo Horta (contrabaixo) e Francisco Martins (barítono). Dizem-me que o conjunto deveria andar por vinte e cinco elementos.



Os ensaios agora realizavam-se onde primitivamente funcionou a Casa do Povo, conhecida por casa do Sr. Robalo, por ter sido ele que a mandou construir.

Parece que a filarmónica andava ligada a uma sociedade recreativa que mais tarde se teria fundido com outra existente, dando origem ao Clube 1º de Dezembro.

Os coretos eram os locais privilegiados para a actuação destes agrupamentos musicais e ainda existem muitos espalhados por todo o País, de uma maneira geral de base poligonal, constituindo alguns, boas obras de arte de cantaria, alvenaria ou ferrajaria. Muitos deles, estão decrépitos.

Alcoutim também teve o seu coreto de madeira, primeiro situado no Largo de Sto. António e mais tarde transferido para o Largo da Igreja (Matriz).

No 1º de Dezembro, logo pela manhã, a fanfarra percorria as ruas da vila, comemorando uma data muito significativa para este povo.

Também as procissões contavam com a sua presença, abrilhantando-as.

Referem-nos igualmente actuações em Sanlúcar do Guadiana e no Granado (Espanha) e em Odeleite.
Um funcionário da Tesouraria da Fazenda Pública que aqui faleceu e foi sepultado, teve a acompanhá-lo a filarmónica que executou uma marcha fúnebre.


Com a saída do regente, caiu novamente, acabando por se extinguir.

Nos finais dos anos sessenta ainda me lembro de ver alguns instrumentos nas mãos da garotada.

Depois da compilação destes dados, tive ocasião de os mostrar ao Sr. Francisco Martins, um dos poucos músicos na altura ainda vivos, no sentido de alguma possível correcção ao que lhe parecesse fazer e de poder acrescentar algo mais que pudesse recordar.

Respondeu-me com os olhos marejados de lágrimas que tudo o que tinha acabado de ler estava correcto e só a leitura lhe avivou a memória, concluindo:- O Afonso Costa tem uma memória excepcional, só ele se podia lembrar de tudo isto!
Tive ocasião de acompanhar no ano transacto o Sr. Francisco Martins à última morada, no cemitério da vila onde nasceu.

De todos os músicos referidos, penso que só o meu informador é vivo, ainda que com a saúde bastante debilitada e com os seus noventa anos.

Já que nada existe escrito sobre o assunto, aqui fica este depoimento que é capaz de ter algumas imprecisões e que tem bastantes lacunas para o que pretendíamos, mas … algo fica para os vindouros.

Este escrito é seu, Sr. Afonso Costa, limitei-me a passá-lo para o papel.

Os alcoutenejos lhe agradecem.

NOTAS

(1) José Victor Adragão, Algarve Editorial Presença, Novos Guias de Portugal.

(2) Hugo Cavaco, Vila Real de Santo António – Reflexos do passado em retratos do presente (Contributos para o estudo da história vila-realense), 1997, pág.259.

(3) Pensamos tratar-se de José Vasco da Silva.

(4) Informação prestada por D. Belmira Lopes Teixeira, alcouteneja há muito falecida.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Pedro José Rodrigues Teixeira

Mais um elemento da numerosa Família Teixeira. Já aqui referimos dois dos seus irmãos, Dionísio Guerreiro, o mais velho da prole e o P. José Pedro Rodrigues Teixeira que paroquiou a freguesia de Martim Longo durante muitos anos.

Eram filhos de Pedro Rodrigues e de Ana Teixeira, proprietários e naturais da freguesia de Giões, onde o filho também nasceu no dia 1 de Fevereiro de 1810.

Com apenas 26 anos, mais propriamente em 18 de Janeiro de 1836, é nomeado escrivão da Câmara de Alcoutim.

Possivelmente foi nomeado interinamente para essas funções pois vamos encontrar um Registo da carta de mercê que fez sua Mag Fidelíssima do Emprego de Secretário da Câmara dest villa a Pedro José Roiz Teixeira. Dona Maria, por Graça de Deos, et. Dado no Paço das Necessidades em 30 de Março de 1841 (Nota – Tomou posse em 6 de Maio de 1841).
Esta Mercê de D. Maria II encontra-se registada no Liv. 14, Fl. 130v. e 131, da sua Chancelaria (ANTT)

Pedro José Teixeira veio a casar com D. Rita Antónia Joaquina do Carmo que era irmã do P. António José Madeira de Freitas (tio), filhos de António Sebastião de Freitas que havia sido nomeado escrivão da Câmara em 1818 e de Maria Joaquina.

Do casamento originaram vários filhos entre os quais o P. António José Madeira de Freitas (sobrinho) que veio a substituir o tio na paróquia de Alcoutim, depois de ter passado pela do Pereiro. Além deste tio materno, tinha outro padre como tio, irmão do pai e que aqui já referimos, tendo exercido a sua função na paróquia de Martim Longo. Outro dos filhos foi José Pedro Rodrigues Teixeira (sobrinho), que tinha o mesmo nome do tio padre em Martim Longo e que veio a ser escrivão da Administração em Alcoutim, tendo-se transferido para Castro Marim em 1879.

Pedro José Teixeira enviuvou em 28 de Outubro de 1858, conforme se deduz da lápide sepulcral existente no cemitério da vila.

Exerceu as funções de secretário da Câmara durante aproximadamente quarenta e sete anos, aposentando-se em 20 de Outubro de 1882.

Se assim foi, aposentou-se com mais de 70 anos o que teria ultrapassado a idade limite que penso já existir na altura.


[Paços do Concelho. Des. JV]

Na sessão da Câmara de 30 de Novembro de 1882, é proposto e aprovado por unanimidade um honroso voto de louvor para o seu escrivão ora reformado, pela aptidão, zelo e fidelidade com que desempenhou o cargo.

Já com 80 anos toma posse (11 de Fevereiro de 1890) do lugar de Administrador do Concelho (interino), funções que exerce pouco mais de um mês, pois vem a falecer no dia 17 de Março.

A Câmara, presidida por Manuel António Torres que propõe e foi aprovado em sessão de 31 do mesmo mês, que ficasse consignado em acta, um voto de sentimento pela sua morte, dando-se conhecimento da deliberação a sua família a quem se apresentaria condolências.

Foi irmão e desempenhou vários cargos na Misericórdia de Alcoutim.
Em 1883 fez parte da Junta Escolar do concelho.

Era à data do falecimento Agente no concelho do Hospital de S. José de Lisboa e Tesoureiro dos Legados Pios.

Abastado proprietário, possuiu entre outras, as herdades 1ª do Mosteiro e do Brejo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Contrabando na fronteira Luso-Espanhola



Trabalho colectivo que engloba dez estudos diversificados sobre a matéria, do norte a sul do País, desde Melgaço a Ayamonte, encontrando-se Alcoutim entre as povoações raianas mais referidas, conforme mapa apresentado a p. 15.

Os autores são técnicos classificados dos dois países e a coordenação pertence a Dulce Freire, Eduarda Rovisco e Inês Fonseca.

O estudo “Viviendo de la frontera: redes sodiales y significacón simbólica del contrabando” é de autoria de José Maria Valcuende del Rio e de Rafael Cáceres Feria, ambos docentes no Departamento de Ciências Sociales da Universidad Pablo de Olavide, em Sevilha e debruça-se principalmente sobre a região do Baixo Guadiana, sendo indicado como fonte de pesquisa, entre outros, o Archivo Municipal de Sanlúcar de Guadiana.

Das ilustrações faz parte uma fotografia de Sanlúcar de Guadiana tirada em 2006.

Os autores englobam na bibliografia o meu trabalho, Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio, Subsídios para uma monografia, 1985.

De 322 páginas no formato 15X23 (Julho de 2009) é uma edição de NELSON de MATOS, da colecção PENSAR-NAVEGAR.

Adquiri-o na Bertrand, na cidade das Caldas da Rainha.