quinta-feira, 31 de março de 2011

A menina e o cavalinho de papelão



A Câmara Escura de hoje volta às figuras humanas apesar de terem sido poucas as publicadas mas presentemente temos algumas muito interessantes para apresentar.

A que apresentamos foi-nos cedida por uma leitora assídua do ALCOUTIM LIVRE e que se encontra a residir num país da Europa.

A foto foi tirada em meados do século passado num retratista numa Feira de São Marcos, um dos grandes acontecimentos populares do concelho, havendo já uma Romaria ao São Marcos em 1758, que acabou por se transformar em feira, acompanhando a evolução dos tempos.

A presença do retratista era das poucas ocasiões que proporcionava a tiragem de um retrato que se pudesse pôr em casa e que marcasse uma época.

Não estava ao alcance de todos, pelo contrário, tirar um retrato, o pouco dinheiro existente era utilizado para as transacções comerciais consideradas indispensáveis para o governo do ano e a Feira de S. Marcos era a altura ideal para o fazer. Comprava-se o porquito para engordar, utensílios indispensáveis de barro, já se vê, cadeiras de junça ou tabua, alguma semente e pouco mais.

A aproximação da feira causava ansiedade nas pessoas, entre os quais os jovens, que tinham oportunidade de dançar a noite toda, pois não havia falta de pares e os pais estavam preocupados com as compras e o trabalho de levar os animais ao seu destino, caminhando por esses campos fora.

O retratista tinha a sua “barraca” armada, feita de pano suportada em estacas de madeira ou de ferro.

O interior dispunha de vários cenários conforme o “freguês”, gosto, sexo e idade. Neste sentido tinha dois ou três cenários de pintura naif, algum cadeirão de verga e algo para as crianças e no caso presente servia para ambos os sexos.

Ao ver a fotografia, fez-nos recuar aos nossos tempos de menino pois tal cavalinho de papelão era uma das grandes ambições dos miúdos do nosso tempo. “Cavalgámos” alguns mas nunca tivemos nenhum!

O cavalinho castanho com alguns pontos brancos, procurando uma imitação aceitável, estava fixo sobre um estrado que possuía quatro rodas de ferro e não deixava de estar “aparelhado”.

O “artista” teve a preocupação de mandar a menina pegar nas rédeas do animal para que a sua pose ficasse mais composta.

A menina certamente que levou o melhor vestido e parece-nos que além do branco terá uma cor garrida, está penteada ao uso da época, cabelo puxado para trás terminando em duas tranças que se unem formando um arco, um crucifixo caindo sobre o peito e certamente suportado por fio de oiro, meia branca, calçado afivelado.

O seu corpinho é bem proporcionado e as feições correctas, admitindo que tivesse uns olhos bonitos. Expressando um leve sorriso, está bem compenetrada do seu papel.

Este cavalinho só servia para o retrato, mas os outros, enquanto um se sentava, os companheiros empurravam, mas nem dava para virar!

Aqui tendes caros visitante / leitores, uma menina alcouteneja dos meados do século passado.

terça-feira, 29 de março de 2011

O Guadiana como via de acesso a Alcoutim

[Um aspecto do Guadiana em Alcoutim. Foto, JV, 2010]

Foram as boas condições de comunicação fluvial, uma das principais razões para a importância que outrora a vila desempenhou.

O majestoso Guadiana, - Ana ou Anas flúmen durante a dominação romana, (1) - conhecido pelos Árabes por Uádi (rio) Ana, (2) de onde proveio a denominação actual, depois de passar pela grafia Odiana, (3) era a principal via de comunicação. Todo o comércio era feito pelo rio.

Em fenício, Anas, significa ovelha ou ovelhas, enquanto outros querem que seja palavra grega que significa toupeira. Rio das ovelhas ou rio das toupeiras, não destoa das suas raízes já que tem parte do seu curso subterrâneo e uma vasta área das suas margens é excelente para a criação de gado lanígero. (7)

Por aqui passaram os povos invasores da península (Gregos, Fenícios, Cartagineses, Romanos e Árabes), a quem não era estranho o filão mineiro do Baixo-Alentejo.

No período compreendido entre os séculos XII e XIV, apesar da instabilidade fronteiriça, registava-se um intenso tráfego fluvial: madeira, mel, peixe, cereais, etc.. (4)

O foral de Mértola (1254) refere-se à utilização do rio para o transporte de diversas mercadorias. Documentação posterior continua a revelar a importância desse tráfego, sendo uma via de saída dos produtos do Alentejo, principalmente do trigo. (5)

No século XVI o carvão era vendido a espanhóis e a ingleses, transportado através do Guadiana.
Dizia-se que Vila Real de Sto. António engrandecia devido aos géneros da província do Alentejo que a ela chegavam através do rio.

De Mértola até à foz o rio é navegável, alargando-se muito a partir do Pomarão.
O Guadiana é considerado o mais navegável dos rios portugueses. (6)

De carácter estacional, estava sujeito a grandes cheias como os demais, dispõe de boa profundidade, atingindo vinte e quatro metros nas proximidades das Laranjeiras, em resultado da forte pressão das águas face à curva que têm de vencer. (7)

[O Guadiana visto da marginel. Foto JV, 2011]

Segundo Charles Bonnet (1850), as embarcações de guerra podem entrar no Guadiana na maré-alta e aí estacionarem na maré baixa. (8)

Ainda nos nossos dias, as condições de navegabilidade eram boas e nele entravam barcos de grande calado e de várias nacionalidades que iam até ao Pomarão, porto fluvial situado na confluência deste rio com a ribeira de Chança, carregar o minério cuprífero das Minas de São Domingos. Acontecia isto desde 1859, sendo a Inglaterra o primeiro cliente, seguindo-se-lhe a França, Holanda, Bélgica e Alemanha. Só em 1907 os barcos da CUF começaram a fazer esse trajecto. Em 1964 a mina deixou de funcionar e consequentemente acabou esse movimento do rio. (9)

Era sulcado por barcos de todas as condições. Veleiros de vários tamanhos dedicavam-se ao transporte de todo o género de mercadorias.
O trigo produzido nas achadas da redondeza e que abastecia Tavira, era “exportado” pelo rio.

Frequentemente viam-se barcos carregados de sal e materiais de construção.

Baptista Lopes, na Corografia do Algarve, 1841, diz que tem alguns barcos pequenos ou botes que se empregam na condução de frutos para Mértola, Castro Marim e Vila Real, trazendo pescaria.

Este transporte chegou aos nossos dias. Os barcos, aproveitando as marés, vinham rio acima carregados de pescaria. Nos locais propícios, desembarcavam “marujos” (gente de mar da zona de Castro Marim - Vila Real - Monte Gordo) que de canastra ao ombro se introduziam pela serra vendendo o pescado. Alguns por cá ficaram constituindo família.

Em 1453 o infante D. Fernando passou por aqui saindo de Castro Marim, onde passou oito dias com o tio, o Infante D. Henrique, o Navegador, seu pai adoptivo, a caminho de Mértola seguindo para Beja, onde o Rei, com a corte, se adiantou a recebê-lo. (10)

Em 1782 o conde de Vale de Reis, novo governador e capitão-general do Algarve, depois de chegar a Mértola, desce o Guadiana no escaler do governo, é recebido em Alcoutim onde é lida a carta régia de nomeação e instala-se na cidade de Tavira. (11)

Fontes Pereira de Melo, Presidente do Conselho de Ministros, se não passou por aqui, pelo menos a sua passagem esteve planeada em 1874 numa visita que projectou ao Algarve. A Câmara preparou-se para o receber.

Parece que D. Carlos, ainda príncipe, o utilizava nas visitas venatórias que fazia ao concelho.

Foi subindo o Guadiana que Américo Thomaz, na qualidade de Presidente da República, chegou a Alcoutim onde veio, em 1965, inaugurar o saneamento básico.

O correio vinha de Vila Real transportado por barco. O de Lisboa chegava aos domingos e quartas-feiras ao meio-dia e saía às terças e sábados, de madrugada. (12)
Ainda há poucos anos existia uma carreira de vapores que ligava Mértola a Vila Real de Sto. António com escala obrigatória nesta vila.

[Alcoutim. Cais acostável. Foto JV, 2009]

De Mértola saía o vapor às segundas e sextas e de Vila Real às terças e sábados, de Outubro a Junho. De Julho a Setembro efectuavam-se três carreiras por semana: segundas, quartas e sextas para Vila Real e terças, quintas e sábados para Mértola. (13)
O último vapor a ligar as duas vilas de então, foi o Gomes 2º, que fazia o trajecto em duas horas e meia. (14)

Em 23 de Março de 1883 o Gomes 2º não pode fazer a carreira habitual em consequência da cheia do Guadiana. (15)

Também Pinho Leal, autor do “Portugal Antigo e Moderno”, quando visitou o Algarve em 1879 fez a viagem no Gomes 2º.

Nos últimos tempos, a presença de iates ancorados no Guadiana é uma constante.


N.B.
Texto extraído da 2ª Edição, em preparação, de Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (Subsídios para uma monografia). As notas ficarão para uma hipotética publicação.

segunda-feira, 28 de março de 2011

40 MIL VISITAS !



Sei perfeitamente que alcançar num blogue este número de visitas após 2 anos, 9 meses e 6 dias de existência, é facto banalíssimo. Basta viajar por eles para confirmar isso.

A criação de um blogue pode ter os mais variados objectivos acabando por todos serem legítimos.

Desde os que servem para simples cavaqueira, ao dos fins mais altruístas, passando pelos bairristas, políticos, religiosos, desportivos, poéticos, gastronómicos, infantis, pornográficos, eu sei lá, de tudo existe. Têm a vantagem de só consumir quem quer.

Tenho encontrado blogues que pretendem representar a vida e o sentir de pequenas aldeias que conseguem, na minha perspectiva fazê-lo de uma maneira dinâmica e aceitável. Em contrapartida outros criam bonitos espaços, bem construídos, com grandes propósitos mas que, como eu costumo dizer, a laranja acaba por deitar pouco sumo, ficando ali pendurados para quem passa e é pena que assim aconteça.

Os propósitos que me levaram à criação do ALCOUTIM LIVRE têm-se mantido e certamente se manterão até à sua extinção que ainda não está prevista mas que irá naturalmente acontecer. Os objectivos têm igualmente sido alcançados atendendo aos e-mails recebidos e ao número sempre crescente de visitantes / leitores.

Num concelho envelhecido e em desertificação acelerada, os visitantes têm de ser bem poucos e até porque em muitos locais o sinal não chega constituindo um contratempo como me acontece quando lá me desloco. Por outro lado, com mais de 65 anos serão bem poucos os que dominam a técnica.

O maior número de visitantes e pelas informações que me têm enviado é constituído por alcoutenejos que vivem foram do seu concelho e muitas vezes de descendentes não oriundos do mesmo mas que por qualquer motivo ficaram ligados à terra dos seus antepassados. É verdade que esse número à segunda ou terceira geração acaba por desaparecer pois a terra começa a não lhes dizer nada.

No monte que costumo visitar com alguma frequência, agora muitíssimo menos, há 25 anos e durante os meses de Verão, podiam encontrar-se muitos filhos da terra, acompanhados dos seus familiares que ali iam matar saudades de pessoas e coisas. Uns, morreram, outros estão incapazes de lá ir, os filhos, raramente aparecem e os netos, nem pensar nisso. É assim neste monte e em todos os do concelho, alguns completamente desabitados e outros correndo depressa para essa situação.

Dos e-mails recebidos são quase todos de fora do concelho, com a excepção de quatro ou cinco, talvez nem tanto.

Reavivando o acontecido, digo que as primeiras 10 mil visitas foram alcançadas a pós 1 ano, 6 meses e 17 dias de existência o que originou uma média diária de 17,95.

Para obter as seguintes, ou seja, alcançar as 20 mil, o tempo encurtou para 6 meses e 2 dias, alcançando-se a média de 54,94, o que considerámos excelente.

A 3ª série de dez mil, ou seja o total de 30 mil, foi alcançada em apenas 4 meses e 9 dias o que originou uma média de 77,51, o que é bastante significativo.

Acabamos de alcançar as 40.000 VISITAS! A média diária nestas últimas dez mil continuou a aumentar, cifrando-se agora em 79,36, o que foi obtido em 4 meses e 6 dias.

Ainda que se trate de um pequeno aumento diário (1,85) a verdade é que continua a aumentar.

Do Brasil e dos Estados Unidos da América temos sempre visitas diárias e do Brasil, muitos dias ultrapassam as duas dezenas, o que é significativo.

Já nos visitaram 71 países! Mais 12 do que na última avaliação. As postagens estão em 738.

Iremos continuar o nosso rumo pois os assuntos a abordar não estão esgotados.

VISITANTE / LEITOR, obrigado pelo seu valioso contributo. Se não tivesse visitantes, o ALCOUTIM LIVRE já não existia.

Juntamos um gráfico explicativo.

domingo, 27 de março de 2011

Mulheres que viravam o mundo do avesso!

Pequena nota
Todos os textos que o Amílcar Felício aqui tem apresentado são ricos em acontecimentos, realismo e autenticidade, demonstrando grande espírito de observação e capacidade para discernir.
Como factos tão simples podem significar conceitos de vida que se alicerçam em experiências ancestrais que eram transmitidas de geração em geração!
É preciso dizer que este nosso colaborador só viveu permanentemente na terra que o viu nascer até aos onze anos, a partir dos quais teve que abandonar para continuar os estudos.
Verdade que ia nas férias, mas em tal situação parece que devia ter um olhar mais leve sobre as coisas.
Os sentimentos são os mesmos, a maneira de os demonstrar é que é diferente mas isto... nem todos entendem.
É sempre difícil escolher o melhor texto quando são todos bons mas se fosse obrigado a fazê-lo, este conseguia ultrapassar o do António do Brejo.
Ainda que não tivéssemos nascido em Alcoutim reconhecemos o realismo que o texto encerra e a profundidade sagaz que as palavras transmitem.
Um abraço de parabéns, Amílcar. Grande texto
.
JV






Escreve


Amílcar Felício



Havia quem lhes chamasse de mulheres/homens, certamente por falta de melhor designação na altura. Hoje provavelmente diríamos que eram mulheres emancipadas, pois há muito que exerciam competências, que os homens julgavam suas por direito natural.

Vestiam de escuro, saias largas e compridas muito abaixo dos joelhos ou até mesmo aos tornozelos, sapatos próprios para o campo cardados a maior parte vezes, com avental e lenço atado atrás da cabeça que não havia vento que conseguisse arrancar. Pareciam-se quase todas umas com as outras, talvez pela maneira de vestir muito semelhante. Levantavam-se às 4, às 5 ou o mais tardar às 6 horas da manhã para fazerem a lida da casa, tratar das galinhas, dos porcos, dos burros, dos cães ou dos gatos e para fazer as migas ou o "café preto" – conceito alcoutenejo do café simples sem leite – para o pessoal da casa, que tinha que sair ainda de madrugada para o campo e assim fugir ao trabalho nas horas tórridas de calor, que começava a apertar a partir do meio dia.

[A avó do autor do texto]
Estou a lembrar-me da Tia Libânia, da Tia Custódia Peres, da minha avó – a Tia Catarina das Portas – como era baptizada pela população, mas bem poderia referir tantas e tantas outras mulheres que possuíam a mesma estaleca do que elas.

Desculpem-me lá esta pequena memória que vos vou contar com todo o respeito, mas são imagens que pelo seu ineditismo e que por lhe descortinarmos um enorme sentido prático, nunca mais se apagariam das nossas memórias de infância. Eram mulheres desinibidas. Sem qualquer tipo de preconceitos ou de tabus algumas delas para urinar puxavam as saias para a frente, afastavam as pernas e mesmo em pé cá vai disto, conseguindo deste modo e em qualquer local, a reserva que o acto merece. Ultrapassavam assim a falta generalizada de infraestruturas sanitárias existentes à época.

Mulheres que nunca usaram baton nem nunca arrancaram um pelo da sobrancelha, apercebíamo-nos por vezes até de um bigodinho por aqui ou por ali. Pintar as unhas então ou usar rímel seria ridículo, pois as suas mãos grossas e calejadas quase que não se distinguiam das mãos de um homem. Eram elas o Chefe de Família e quem mandava lá em casa! Aliás, mandavam em quase tudo. Geriam a lida da casa e muitas delas até organizavam a vida no campo, a vida dos filhos e por vezes até a dos maridos. As feministas ou os defensores da emancipação da mulher teriam para aquelas bandas muito pouco pasto para as suas ideias libertadoras, pois elas socialmente já se tinham emancipado há muito!

E eram vidas de uma dureza tremenda, caramba! Desde peneirar, amassar e cozer o pão todas as quinzenas, à confecção do almoço e do jantar diários, à manutenção dos animais, às matanças dos porcos e do tratamento das carnes e das salgadeiras que conservavam a carne durante o ano inteiro, ao tratamento dos enchidos e dos respectivos fumeiros, das azeitonas britadas ou de água que confeccionavam e conservavam como ninguém e como nunca mais voltei a comer mais nenhumas, à escarapela do milho ou à descasca da amêndoa, à preparação dos tremoços para remolhar durante semanas na ribeira, à secagem dos figos etc., etc., etc., todas estas actividades aquelas mulheres geriam ao pormenor e de cabeça, sem qualquer tipo de plano. Na realidade nem o poderiam fazer, visto que na generalidade eram analfabetas! O trabalho tinha sido a sua única escola desde a mais tenra idade. Eram assim aquelas mulheres da primeira metade do século passado.

[Rua Portas de Mértola.Burro preparado para ir buscar água ao poço]

Devo confessar-vos que sempre cultivei por aquela geração um respeito e um carinho e uma ternura muito especiais apesar da sua rudeza, característica que era fruto dos tempos adversos que tiveram que enfrentar e que sem lamentos nem reivindicarem o que quer que fosse para si, viravam o mundo do avesso com as suas delicadas mãos quase vazias. Foi talvez a última geração de grandes produtores do século XX. Hoje convenhamos, que apesar da crise e dos tempos difíceis que atravessamos, é mais bolos...

Se nos nossos dias brincamos quando encontramos uma mulher mais decidida e lhe chamamos jocosamente de Generala, naturalmente com um pouco de machismo à mistura fruto da sociedade em que por enquanto ainda continuamos a viver, aquelas mulheres bem poderiam ser consideradas verdadeiras Generalas no mais profundo sentido da palavra. Autênticas líderes, tinham uma voz de comando tão treinada, que não deixavam qualquer dúvida quando davam uma ordem. Existia em cada uma, uma verdadeira Padeira de Aljubarrota que arregimentava a sua tribo para a luta do dia-a-dia!

No caso da minha avó, note-se que até a própria casa tinha o seu nome: não era a casa do Ti Alfredo, era a casa da Tia Catarina das Portas e diga-se que essa notoriedade não lhe advinha pelo facto de andar na tagarelice por aqui ou por ali, não só por ser pessoa de poucas conversas mas sobretudo, porque não lhe sobrava tempo para esses devaneios. Mas a sua força e personalidade impunham-se à distância. Assim como poderíamos referir também o Esteiro da Tia Libânia e não do Ti Vidal ou do Ti Marreiros seu segundo marido. Elas é que davam a paternidade às coisas!

Esta minha avó Catarina arrogava-se o direito de decidir sobre tudo, até sobre o casamento dos filhos. O casamento da minha mãe não foi do seu agrado, pois o meu pai para lá de mais velho uns bons anitos e um bocado malandreco e boémio para os tempos, tinha a sua vida mais ligada ao comércio e assim, como a riqueza naqueles tempos se media em terra, nada feito. Consequentemente como líder incontestada do clã rapidamente se decidiu, sentenciando a minha jovem mãe na altura com 18 ou 19 anos e num meio tão pequeno como Alcoutim: se queres ficar cá em casa não há casamento e se queres casamento rua! E assim aconteceu. Feridas que os anos haveriam de reparar aos poucos até cicatrizarem felizmente, ficando apenas eu e a minha irmã nesse interlúdio, como as pessoas que faziam a ponte entre os dois lados da barricada.

[Alcoutim. Década de 50. Rua Escorregadiça (Rua Dr. João Dias)]

E como eu explorava tão bem aquelas contradições entre as duas partes! Contava-me a minha mãe de que ainda um pirralho talabita e tatebitate com 2 ou 3 anos apenas, quando se zangava comigo eu a ameaçava: «se a mãe me bater eu fujo p’rá da avó Atina e a mãe não vai lá»! Os miúdos apercebem-se e exploram tão cedo as contradições entre os adultos!

Eram pessoas rudes e duras moldadas por tempos difíceis e agrestes, mas aonde os afectos apesar de tudo continuavam a existir, ainda que exteriorizados por vezes nas formas mais simples deste mundo. Lembro-me de que com 5 ou 6 anos de idade vir da ribeira ao fim do dia pelo caminho do Pocinho e quando passava na estrada junto ao muro da sua casa, vê-la debruçada lá no alto fazendo um pequeno descanso para ver quem passava e chamar-me afectuosamente: “anda cá à avó, que a avó faz-te umas boletas assadas”! Sem chocolatinhos, sem beijinhos nem colinhos ou outras mariquices do género, era a sua maneira de expressar o seu carinho. Aliás poucos mimos mais haveria naqueles tempos para dar aos netos, talvez mais um figo de tuna ou um figuinho seco, uns tremocinhos que já tinham sido remolhados na ribeira ou uma costa ou uma popia da última cozedura da quinzena quanto muito. Mas o que contava de facto era o gesto e este dizia tudo...

Às vezes quando vou a Alcoutim ainda me sento ao fim das tardes, nas pequenas passadeiras já um pouco deslocadas que ainda por lá existem no Barranco do Poço das Figueiras junto ao Caminho da Amarela, tal como fazia quando era miúdo à espera de ver aquela gente passar. Mas eles já não passam por ali...
É quase como que uma recusa em aceitar de que aquele “nosso Alcoutim” já lá vai.

Técnicas Artesanais do Nordeste Algarvio


Este pequeno opúsculo de 23 páginas de 21x21 cm com boas imagens coloridas constitui um bom trabalho sobre as técnicas artesanais do nordeste algarvio.

Depois do Enquadramento Natural e Cultural aborda as práticas elementares e as técnicas das gentes do Nordeste Algarvio, referindo entre outras o fabrico de pão, queijo, enchidos, azeite e vinho, não esquecendo a doçaria, a conserva da azeitona e os chás.

A nível de vestuário apresenta-nos a tecelagem de lã e linho, as rendas (de bilros), os bordados e o calçado.

Aborda igualmente o tipo de construção em pedra e barro e os telhados de caniço.

Enumera as artes do ferro, a olaria, cestaria, albardaria, latoaria e outras.

A investigação e o texto são do Dr. Francisco Morato e a edição da Associação Alcance – Associação para o Desenvolvimento do Concelho de Alcoutim, 1999.

Entre a bibliografia é referido o nosso trabalho como Monografia de Alcoutim, 1990, quando o título é Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (Subsídios para uma monografia), editado em 1985.

sábado, 26 de março de 2011

Efeméride - Misterioso assalto ao edifício da Câmara Municipal

Pequena nota

Eu só conheci este assunto oralmente através de uma das muitas conversas informais que tenho mantido há muitos anos com o autor desta pequena efeméride, colaborador e Amigo, Gaspar Santos.
Fez muito bem recordá-la aqui pois serão poucos os alcoutenejos que se lembrarão dela. Nestas coisas há sempre vítimas, pessoas que nada têm a ver com o assunto e que acabam por ser incomodadas.
Talvez não fosse difícil encontrar o ratoneiro, mas possivelmente não interessaria.
É regra que Alcoutim é um concelho de brandos costumes mas... lá de tempos a tempos aparece um crime que acaba por confirmar a regra.
Tenho conhecimento de quatro homicídios, nos quais se inclui o político de Miguel Angel de Leon. Existe, contudo, um de que não conheço nada semelhante, passado pouco antes da Implantação da República e de que não encontrei referências orais após ter feito diligências nesse sentido e na freguesia de Alcoutim.
Admito que o crime tivesse sido cometido mais para o interior do concelho, sendo assim e nessa época, mais difícil de chegar ao conhecimento, nesta zona do concelho.


JV






Escreve

Gaspar Santos





Em 28 de Março de 1949 o Jornal “O Século” de que eu era correspondente, publicava uma notícia no canto inferior direito da página 6 com o título: “Assaltaram o Edifício da Câmara Municipal”.

Esse belo edifício que vai agora beneficiar de obras de restauro e a efeméride de 62 anos são duas boas razões, que reunidas me levam a recordar o evento. E também para recomendar que nestas obras se acautele a segurança contra intrusões…

Lembro-me perfeitamente que o assalto às instalações da Câmara Municipal, onde hoje são os Paços do Concelho na Rua do Município, ocorreu na noite de 26 para 27 de Março. Havia marcas de pés enlameados e sujos de ervas no muro traseiro do edifício na que é hoje Rua 25 de Abril.

Aquilo que foi roubado quase não teve significado. Os ladrões, sem danificarem as portas, limitaram-se a arrombar as gavetas de funcionários donde levaram alguns trocos.

A Polícia Judiciária de Faro foi chamada e interrogou algumas pessoas de que as autoridades camarárias suspeitavam. Nada conseguiram apurar. Não se achou o ou os culpados. Consequências se as houve foram apenas para os suspeitos interrogados. Ouviu-se dias depois alguns comentários desses homens, revoltados com o tratamento que tiveram, pois a polícia não queria sair deste caso com as mãos a abanar.

Alcoutim não é fértil em crimes, mas quando se trata de crimes contra os bens alheios, aliás raríssimos, são feitos com bastante perfeição, ficando por esclarecer para toda a vida. Recordo aquele de que foi vítima o pagador da Mina de S. Domingos e que relembrámos neste blogue em “Um roubo perfeito no Guadiana”.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Carapaus "alimados"




Apresentamos hoje mais um prato que faz parte das tradições alimentares dos alcoutenejos.

Este não é por influência da gastronomia alentejana como outros que aqui já apresentámos mas sim pela do litoral algarvio onde é muito conhecido e aplicado.

Quando se fala em influências, não se diz a transposição integral do prato pois este tem de submeter-se ao gosto, sensibilidade e recursos onde está inserido.

Se existem diferenças entre a açorda alentejana e a da serra algarvia, haverá também entre os carapaus alimados do litoral e da serra?



Viajando na Internet à procura desta “receita” demos com muita coisa semelhante e diferente, contudo, não encontrámos nenhuma como a praticada em nossa casa. E consideramos a diferença significativa. É que os carapaus passam pelas mesmas fases de preparação, salga, cozimento, “alimação”, etc. com a diferença de serem cozidos com as tripas que naturalmente são extraídas em primeiro lugar na fase de “alimar”.

Os carapaus são assados com as tripas ou seja, sem serem amanhados. Porquê? Talvez por terem melhor sabor.

Será só o alimar que distingue os carapaus alimados dos cozidos?
Na nossa região de origem comem-se carapaus (amanhados) cozidos com batatas e cebolas como muitos outros peixes mas não se alimam.

O acompanhamento é feito com batatas cozidas de preferência com a pele, cebolas cortadas às rodelas, alho picado e tudo temperado com azeite.

Nas” pesquisas”, deparámo-nos com os mais variados acompanhamentos!

Alimar é um regionalismo que possivelmente deriva de “limar” de polir, raspar.

Diremos que esta receita foi praticada por quem nasceu, viveu e morreu em Alcoutim e que a aprendeu com os seus antepassados que pelo menos em quatro gerações têm aqui origem.

Não nos perguntem qual é a receita verdadeira, pois não sabemos responder.

Viemos encontrar na terra onde residimos e proveniente de pessoas originárias do barlavento algarvio, sardinhas alimadas, o que nunca vimos em Alcoutim.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O ferrado



Desconhecia totalmente este utensílio que vim a conhecer em Alcoutim, mas muitíssimo depois de lá ter chegado.

Penso ser hoje um objecto completamente caído em desuso, pelo menos como o que a foto apresenta, feito de barro e uma das peças que saíam das variadíssimas olarias que existiam até meados do século passado, já que o concelho de Alcoutim tinha na pastorícia uma das suas actividades principais. Já não existe quem os faça e se existisse, seria a preços relativamente incomportáveis.

Hoje e mesmo sem tomar em consideração a ordenha mecânica, quem ordenha não o faz para um ferrado de barro, mas sim para qualquer outro objecto, tipo balde e onde o plástico impera.

O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea – Academia das Ciências de Lisboa – Verbo, 2001, II Vol, p. 1727 a que recorri, apresenta-me o seguinte significado: - Vaso geralmente de lata, com bica e asas, para ordenhar vacas, ovelhas ou para transportar leite.

Tenho de ter em consideração que o dicionário apresenta duas entradas, a primeira como substantivo com 6 significados, sendo este o 5º. A segunda, como adjectivo, indicam-se 8 hipóteses.

Reparar que o ferrado tem uma configuração muito aproximada às velhas candeias de barro para utilização do azeite como iluminação.

Era fabricado nas olarias de Martim Longo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

A Oração das Almas no concelho de Alcoutim

(PUBLICADO NO JORNAL ESCRITO Nº 59 DE JANEIRO DE 2004 – Encarte de “O Algarve nº 4776, P. IV)


Em meados de Dezembro último, em dia de baixa temperatura na Serra Algarvia, ao cair da tarde, um automóvel pára à entrada do “monte”. Reparo que me reconhecem. Perguntam-me:- onde mora o António Mestre ?

Eu tinha que sair na altura e logo arranjo quem me substitua na indicação, mas antes que saia, ainda me perguntam se não sabia nada sobre a oração das almas, já que foram ao “livro” e nada encontraram. Só tive tempo de informar que se vier a sair a 2ª edição, já existe algo sobre tal assunto.


[António Mestre, cantador da Oração das Almas. Foto JV]

A procura de António Mestre, moço da minha idade, tinha a ver com esse canto de peditório, visto ser, tanto quanto creio, uma das únicas pessoas das redondezas que o sabe, como lho ensinaram, letra e música e que aprendeu, em muito jovem, nos Balurcos, para onde foi servir, como na altura acontecia e se dizia, na década de cinquenta do século passado.

A primeira referência que tive deste canto de base religiosa, aconteceu em 1967/68 quando num programa de televisão fiquei surpreso com a indicação da recolha ter sido feita em Cabaços, Alcoutim.

Nunca mais me lembrei de tal só que, em 1981 ao adquirir o excelente trabalho intitulado Cancioneiro Popular Português, de Michel Giacometti com colaboração de Fernando Lopes-Graça, deparei, a pág. 95 com a oração das almas que há alguns anos tinha ouvido no programa televisivo "Povo Que Canta", igualmente de autoria de Michel Giacometti.

[O monte dos Cabaços. Foto JV]

Só por volta de 1988/89 encontrei, esporadicamente, quem soubesse cantar tal oração, precisamente o Sr. António Mestre, residente no monte de Afonso Vicente, que me informou, como já disse, que a tinha aprendido em jovem, nos Balurcos e de que nunca se esqueceu.

Tempos depois tive oportunidade de confrontar a letra constante da recolha efectuada pelo brilhante etnógrafo com a cantada por António Mestre, verificando algumas falhas. O andar dos tempos teria ido deixando alguns versos pelo caminho pelo que nem todos chegaram ao ouvido e memória do ainda cantador.

Admitimos que o canto de peditório fosse costume de todo o concelho e áreas circunvizinhas, prática que foi desaparecendo com o decorrer dos anos e que se manteve conhecida, pelo menos até à entrada da década de sessenta do século passado no interior serrano alcoutenejo, onde o total isolamento a isso era propício.

Se António Mestre a aprendeu, certamente aconteceu o mesmo a outros balurquenses e se não sabiam toda a letra, tinham a música no ouvido.
A Associação de Solidariedade Social, Desporto e Arte, com sede na Escola Primária desactivada no Balurco de Cima, pretendia recordar tão antigo costume.

Esta Oração das Almas, cantava-se no dia de Finados (2 de Novembro) como canto de peditório, participando assim do culto dos mortos, tal como a Encomendação das Almas, que difere da primeira por não incluir qualquer forma de peditório no cerimonial. Enquanto a Encomendação é considerada um costume estritamente português, a Oração parece ter origem na Abadia de Cluny e se espalhou entre vários povos cristãos, sofrendo a influência de quem os adoptou.

A Oração das Almas constitui uma lamuriante melodia a que os cantadores impõem requebros de voz característicos e visa a salvação das almas do Purgatório.

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Cancioneiro Popular Português - Michel Giacometti em colaboração com Fernando Lopes-Graça, Circulo dos Leitores, 1981

terça-feira, 22 de março de 2011

Alcarias, povoação com alguma importância na freguesia de Vaqueiros

[Alcarias, entrada, 1998. Foto de JV]

Numa vertente da Serra do Caldeirão num lugar enquadrado pela beleza natural situa-se esta pequena povoação de origens recônditas com o seu casario rural construído com xistos e grauvaque e telhados de telha de canudo, representado em habitações, fornos de cozer pão, palheiros e arramadas agora em contraste com construções ou reconstruções onde o tijolo, novos materiais de construção e concepções de espaço são evidentes.

Dinheiro proveniente de emigrantes que mourejaram em diferentes partes da Europa trouxe novos tipos de construção e modos de vida com que não tinham sido criados.

O “monte” situa-se a 12 km da aldeia de Vaqueiros, sede da freguesia e a 42 de Alcoutim, sede do concelho. A cidade de Tavira fica-lhe a 31 e Vila Real de Santo António a 40, por isso, mais próximas do que a sede do concelho a que pertence.

Nas Memórias Paroquiais de 1758 é referida como tendo 9 vizinhos, ainda que pertencendo à freguesia de Vaqueiros fazia parte do Termo de Tavira, situação que se manteve até à publicação do 1º Código Administrativo em 1836.

Em 1839, Silva Lopes não refere o seu número de fogos, possivelmente por o desconhecer, ainda que refira outros aparentemente menos importantes.

O topónimo de origem árabe, al-qariâ, significa pequena povoação, aldeia e já era muito usada no século XIII.(1) É muito vulgar no Sul do país.

Próximo desta existe outro pequeno núcleo habitacional designado por Alcaria. Alcarias, plural, parece dar a entender que foram várias alcarias, que se aproximaram pelo decorrer dos tempos, formando um único núcleo.

No Censo Populacional de 1991 eram-lhe atribuídos 53 habitantes, número só suplantado por outros dois “montes”, Zambujal e Preguiças. Em 1996 teria 38 habitantes em 12 fogos. (2) No recenseamento seguinte (2001) já tinha descido para 35e naturalmente hoje devem ser muito menos.

A electrificação da povoação foi inaugurada no dia 19 de Dezembro de 1984 (3) o que certamente constituiu uma boa prenda de Natal.

[Uma vista à distância. Foto JV, 2010]

Nesse mesmo ano, igualmente, se inaugurou um telefone público e para a sua instalação foi necessário um traçado de 10 km por montes e vales com o levantamento de 225 postes e uma despesa aproximada de três mil contos. (4)

Em 1993 é adjudicada a E.M. 506 - Bentos - Fernandilho / Ramais para Taipas e Alcarias (5) continuando assim a combater o isolamento de séculos.

O edifício escolar, que recebia as crianças das redondezas, há muito que encerrou por falta de alunos e presumo que tivesse sido construído na década de sessenta do século passado, precisamente quando se verificava já o êxodo das populações à procura de melhores condições de vida.

O edifício veio a ser adaptado para servir de Capela, a que o site da Junta de Freguesia chama Capela de Nª Sª de Fátima. (6)

Nos primeiros anos da década de 90 do século passado foi instalada uma padaria que em 2000 possuía 15 trabalhadores, destinando-se a produção (pão, carcaças) à venda no litoral algarvio chegando mesmo ao país vizinho.

É natural que não se venda na vila de Alcoutim e praticamente em todo o concelho, pois além do número de consumidores não ser atractivo, fica mais longe do litoral onde a venda está facilitada.

Existiam dois pequenos estabelecimentos comerciais (café e mercearias) desconhecendo eu a situação actual. Quando o “monte” do Vale da Rosa era habitado, era aqui que se vinham abastecer.

Com características artesanais, produzia-se queijo e mel.

Em 1992 é aberto um furo para fornecimento de água por fontanários. (7)

A água é levada ao domicílio em 2006, tendo-se construído uma pequena estação elevatória e instalado uma bomba submersível no furo. (8) A estação elevatória original foi construída em 1986.

[Parque de merendas]
Um painel de caixas para correio foi colocado em 1996. (9)

Os arruamentos são melhorados em 2009. (10)

Foi construído um parque de merendas equipado com acessos para deficientes. (11)

A badalada Unidade Móvel de Saúde de Alcoutim que com a sua acção tem evitado um decréscimo mais pronunciado de população, principalmente quanto às mortes por pneumonias, foi aqui inaugurada no dia 11 de Agosto de 1994.

O Plano Director Municipal indica como de interesse três fornos, fornalha e pormenores construtivos.

NOTAS
(1) – Vocabulário Português de Origem Árabe, José Pedro Machado, Editorial Notícias, p.47
(2) – http://www.in-loco.pt
(3) – Jornal do Algarve de 27 de Dezembro de 1984.
(4) -“ Inauguração de um telefone público no Nordeste Algarvio”, Geleate Canau, Jornal do Algarve de 20 de Abril de 1984.
(5) - Boletim Municipal nº 12 de Abril de 1993.
(6) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 8, de Setembro/2001, p 12
(7) – Boletim Municipal, nº 10, de Abril de 1992.
(8) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 13 de Dezembro de 2006, p. 14, 16 e 17
(9) – Alcoutim, Revista Municipal nº 4 de Dezembro de 1996, p.12
(10) – Alcoutim, Revista Municipal nº 15 de Julho de 2009, p. 15
(11) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 12 de Dezembro de 2005, p. 15