domingo, 1 de maio de 2011

Em defesa do Património Alcoutinenses

[Alcoutim.Vista da porta do castelo, Abril de 2011. Foto JV]

(PUBLICADO NO JORNAL DO ALGARVE DE 2 DE AGOSTO DE 1984)

Depois de alguns brados lançados de que o Jornal do Algarve foi um dos transmissores – insistia-se na ligação turística do litoral algarvio à Serra, servindo esta de complemento indispensável – , começam a notar-se movimentos indicativos de que algo está mudando. Para isso tem contribuído a Edilidade pós – 74, principalmente a actual e anterior vereação, com a mesma presidência.

O alargamento e melhoria da rede viária, tomando em consideração ideias velhas debatidas em grupo de amigos e defendidas por alguns que incluem os “bradadores”, o abastecimento de água, a electrificação e outras iniciativas, têm sido dados positivos que abriram perspectivas e foram já aglutinados por um ou outro investidor ou profissional de turismo.

Outro factor importante poderá ser o “esgotamento” do litoral tomando em consideração preços proibitivos. Tudo está em embrião.

Comenta-se muito os erros praticados no litoral e a circunstância do Algarve deixar de ser dos algarvios, os menos beneficiados, dizem, com o turismo. É isto que temos lido e ouvido aqui e ali.

Se num futuro próximo, como parece, o turismo for desbravar a serra-ribeirinha, penso que será necessário e com a experiência adquirida, evitar esses (muitos) erros.

O turismo não pode nem deve tirar a identidade serrana. Se o fizer, descaracteriza um povo e os verdadeiros turistas, ao aperceberem-se de que foram logrados, não voltam e não recomendam o local, afinal a melhor propaganda que se pode fazer.

O turismo da serra-ribeirinha que poderá ou deverá ter por centro a velha vila raiana, para vingar deverá manter a quietude do meio, o típico das ruas e casario, os marcos históricos em que se incluem os templos e não só, oferecer o maravilhoso rio – passeios, pesca, desportos náuticos – e o aproveitamento dos miradouros naturais, vários e de quadros que embevecessem.

A quietude é algo de maravilhoso para quem necessita de descansar depois de um ano ou vida de árduo trabalho.

As tradições, os hábitos da região devem ser rigorosamente respeitados e mantidos, para bem dos alcoutinenses e regalo dos visitantes. A gastronomia, inteiramente desconhecida, deve ser avivada, propagada e mantida com rigor. Não será gastronomia de bitola avantajada mas é, sem dúvida, diferente, característica de uma zona e é capaz de ganhar adeptos.

Pensamos ser errado levar turistas rio acima, viagem que não se esquece, para dar-lhe de almoço sardinhas ou febras assadas! Sou apreciador de tais pratos, mas não percorreria o Guadiana para almoçar assim.

Partir da vila pombalina, percorrer o Guadiana, ora de margens escarpadas, ora semiplanas e agricultadas, principalmente do nosso lado, é belo, reconfortante e até a vila pequenina nos parece uma cidade com o bom porto fluvial. Certamente que o turista se entusiasmaria ao saber que lhe iria ser servida uma caldeirada à pescador do Guadiana, por exemplo, que é diferente de qualquer outra. Mas não é só este o prato típico local. Existem muitos mais. O que acontece é que, por vezes, se tem vergonha de os apresentar, pensando-se serem mal recebidos.

E como sobremesa? Quem conhece a doçaria local já apreciada por El-Rei D. Sebastião, quando visitou a vila?

É preciso dar a conhecer ao visitante a gastronomia alcouteneja. Não a imponham mas apresentem-na como alternativa ao bife à moda não sei de quem, com ovo a cavalo ou a pé ou ao bacalhau às mil maneiras.

Em Peniche, Nazaré, Portimão Matosinhos e tantos outros centros piscatórios, não procuramos peixe do rio mas sim do mar em típicas caldeiradas, infelizmente muitas vezes adulteradas mas sempre a preços elevados, ou então a sardinha assada, fresquinha, acabada de apanhar, brilhando como prata.

Em Alcoutim deve procurar-se o muge (no litoral já goza de boa fama), de caldeirada, assado na brasa ou frito, das mais saborosas que até hoje comemos e a lampreia, produtos que originam bons pratos. Saladas de agriões criados nas margens do rio ou das ribeiras, de tomate assado ou, se quisermos experimentar, de leitugas, planta espontânea de suco leitoso.

Azeitona de água ou de sal, curtida localmente, formam bom aperitivo. Sopa de beldroegas ou de grão, à maneira do monte, ou então sopas de peixe, de lebre, coelho, galinha ou tomate, onde o pão tipo caseiro é rei, daquele que aguenta uns dias sem perder as características.

Refrescantes gaspachos acompanhados por fatias de presunto. “Jantares”, tipo de cozido, cujo conjunto heterogéneo nos confunde mas que, depois de se provar, se pede mais.

Note-se que na culinária alcoutinense, usa-se muito o alho e os orégãos, plantas aromáticas.

[Filhós de rosa]


E no campo da doçaria: nógado Ti Ana Brandoa, filhós de rosa ou canudo, empanadilhas, costas, maçapão e estrela de figo e amêndoa. Que sei eu?! E os saborosos citrinos da região, para não falar nos figos e outros frutos?

Não são só os templos e outros edifícios que estão em causa. Não é só a adulteração da vila, já iniciada que faz clamar. Em breve, os caniços, os mosaicos, cadeiras de tampo de junça, serão só uma recordação de alguns.

É preciso também defender a gastronomia e doçaria regional, que constituem uma riqueza a preservar.
Alcoutim tem a amarga experiência da Campanha do Trigo dos anos trinta, que deixou a terra mais pobre do que era. Alcoutim não suportará um turismo qualquer, mas deseja o verdadeiro.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Ainda o 25 de ABRIL

[Feira de S. Marcos, 2011. Aspecto central. Foto JV]

Encontrava-me no concelho de Alcoutim quando ocorreu o dia 25 de Abril deste ano.

Como é tradicional em todo o concelho, fomos até à aldeia do Pereiro onde ocorre a maior feira do concelho, a Feira de S. Marcos, e uma das maiores da Serra Algarvia.

Era uma simples visita para cumprir a tradição, visto não ter nada pensado para comprar e afinal acabei por “enfeirar”.

Durante dez anos que vivi em Alcoutim só me lembro de faltar a uma feira de S. Marcos, precisamente à do 25 de Abril de 1974, já que não era fácil separar-me do rádio, ainda que se ouvisse mal devido ao sinal captado ser bastante fraco.

Atendendo a que tinha lugar naquela aldeia, mais propriamente na Junta de Freguesia uma cerimónia das Comemorações do 25 de Abril, pelas 10 horas, não deixei de estar presente.

Na cerimónia usaram da palavra o Presidente da Câmara Municipal, o Presidente da Assembleia Municipal, um representante da bancada na Assembleia do PSD e outro do PS, já que não se encontra representada mais qualquer força política.

Era confrangedor por irrisório o número de assistentes. Além da presença de alguns dos políticos concelhios que para o efeito são remunerados, assistentes, não os contei mas não chegariam a uma dúzia! A feira a esta hora já tinha bastantes visitantes.

Um dos oradores questionou mesmo a razão de tal comemoração.

Possivelmente o 28 de Maio nunca foi comemorado em Alcoutim mas temos conhecimento que pelo menos em alguns anos foram enviados representantes concelhios a Lisboa para estarem presentes em tais comemorações, não faltando o estandarte municipal.

O povo após 36 anos alheia-se do acontecimento que pouco ou nada diz aos jovens, a não ser aos que enveredaram pela “profissão”de político. Eles só viveram em democracia não conhecendo a vivência “Salazarista”. Pelo que me toca, a minha vida está dividida ao meio entre o “Salazarismo” e a Democracia.

Mas este pequeno apontamento apareceu devido ao que uma vizinha me contou com alguma irritação.

-Não quer ver o que me aconteceu na Feira de S. Marcos? Tanto eu como o meu irmão fomos assistir à “Comemoração do 25 de Abril” e cada um trouxe o seu cravo vermelho que estava à disposição. Passa um moço por mim e diz-me: - Oh minha senhora, isso já não se usa! Sabe o que lhe respondi: - Olhe que em Lisboa já estão abertas as inscrições para a PIDE.

Não podia dar-lhe melhor resposta, minha amiga.

[Feira de S. Marcos no Pereiro, 2011, às 9 horas. Foto JV]

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Os "contratos" da Páscoa





Escreve


Amílcar Felício





[Retirado com a devida vénia de http://cp-saoroquedofaial.blogspot.com]


Era a altura em que os adultos voltavam a ser crianças, brincando às escondidas durante quase um mês e em que os jovens aprendiam a ser adultos combinando e cumprindo à risca, tudo aquilo que tinha sido acordado. Era um acordo efectuado ou entre jovens e adultos ou simplesmente entre jovens, cerca de um mês antes da Páscoa e estavam em jogo seis ou doze amêndoas das grandes ou das pequenas que uma das partes deveria oferecer à outra, conforme as posses dos contraentes.

Tenho referido diversas tradições em que Alcoutim era fértil nos tempos daquilo a que costumo chamar de Alcoutim Romântico e que se estendeu até quase aos princípios da década de sessenta. Desde o Dia da Espiga, ao Dia das Comadres, ao passeio anual ao Pezinho da Nossa Senhora, ao Dia das Testadas, às Fogueiras e Mastros dos diversos Santos Populares etc., era um nunca mais acabar de ingénuas e salutares atividades e confraternização entre os alcoutenejos e que se prolongavam por quase o ano inteiro!

Por ser altura de Páscoa lembrei-me desta Tradição a que chamávamos “Fazer o Contrato” e que se processava do seguinte modo: um dos contraentes perguntava a um parceiro “queres fazer Contrato comigo?” e se houvesse acordo entre as partes celebrava-se o dito, combinando à partida o número de amêndoas em jogo que seriam pagas no Domingo de Páscoa. Ainda quando telefono nestes dias a alguém mais chegado, a primeira palavra que me ocorre e que lhes digo é sempre “Oferece” e todos nos rimos naturalmente.

Era celebrado com o dedo mindinho de cada um dos pares entrelaçados e em movimento ora direito a um ora direito ao outro e em que de viva voz se celebrava o contrato, cantarolando os dois ao mesmo tempo: Contrato/Contrato/Contrato faremos/no Sábado de Aleluia/Ofereceremos! Estava assim celebrado o contrato, tipo “aperto de mão” como no século XIX.

Ao longo do mês e sempre que um dos contraentes via o outro, gritava-lhe “ajoelha” a que ele obedecia sem pestanejar, pois tinha sido visto em primeiro lugar.

O grande dia naturalmente era o Sábado de Páscoa em que meio mundo se escondia da outra metade de esquina em esquina ou até em casa, arrastando-se por vezes este jogo do gato e do rato até quase ao fim do dia, à coca de apanhar o outro contraente desprevenido e assim disparar-lhe o célebre e certeiro “Oferece”! Quando isso acontecia estavam ganhas as amêndoas! Mas todos pagavam o montante acordado não havia caloteiros...

Era uma das muitas Tradições que deixaram de existir em Alcoutim certamente e em que possivelmente já nem se fala. Desconheço a sua origem!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Procissão em Honra de Nª Sª de Fátima?



Esta foto que nos foi cedida pelo nosso colaborador e amigo, Amílcar Felício é dos anos 50 do século passado e foi tirada na Rua da Misericórdia uma das artérias mais antigas e estruturantes da velha vila de Alcoutim e que servia a Porta de Mértola.

Admitimos que possa ser uma procissão realizada em honra de Nª Sª de Fátima quando uma imagem peregrina visitou esta Vila.

Ainda que a Imagem na foto não seja muito nítida, pelos contornos parece-nos ser efectivamente essa a representação. As três crianças que estão na frente parecem-nos representar os três pastorinhos.

Pelo aspecto deduz-se que a procissão foi bem concorrida pois nessa altura o concelho teria o dobro dos habitantes que tem hoje.

Se algum leitor verificar que as nossas conclusões não estão certas e consiga identificar a data, agradecíamos a informação para podermos fazer a rectificação.

É que eu nesta altura estava muito distante de imaginar que viria a conhecer Alcoutim.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

ABRIL (Poema)



Pequena nota
Em tempo de ABRIL, um poema de Abril.
Que Abril?
Há sempre um Abril diferente.
Este é o Abril do “nosso” poeta que os leitores estão habituados a ler.
Que gostem.


JV





Poeta


José Temudo




ABRIL

Tudo quanto existe

tem breve ou longa história,

seja alegre, seja triste,

seja de fracassos, seja de glória.

E Abril, que história tem?

Como nasceu, donde vem?

Da roma antiga, camponesa,

ligada ao campo , à natureza ?

Virá de "aperire", d "aprilis",

tempo de abertura,

de crescimento,

de verdura,

de florescimento ?

Ou virá da Grécia, a da filosofia,

da retórica, da democracia,

do teatro, da poesia,

da religião, da mitologia ?

Virá de "aphril", espuma do mar,

de que nasceu Afrodite,

a deusa do amor,

a de beleza sem par ?

Quer ou não se acredite,

seja lá o que for,

Abril é o renascer da Natureza,

é o tempo da luz e da cor,

é o tempo da beleza,

é sempre o tempo do Amor !



J.T.

sábado, 23 de abril de 2011

Ovos mexidos com griséus



Se estão à espera que refira nesta página “caviar à maneira de Alcoutim” isso não irá acontecer pois não conheço o prato como próprio da região alcouteneja, pelo menos para o povo. Os que aqui tenho referido têm característica popular que será inalterável.

Griséus, como aqui chamam a uma espécie de ervilha curvada e noutras regiões são conhecidas por ervilhas tortas são principalmente utilizadas na alimentação, nesta região, mexidas com ovos.

Após se retirar o “fio” que circula cada vagem, partem-se em dois ou três bocados e põem-se a fritar em pouco azeite.

Batem-se os ovos suficientes para as envolver, a que se juntou um pouco de sal e quando os griséus estiverem quase fritos, juntam-se os ovos que com o auxílio de uma colher os vão envolvendo.

Os que a foto apresenta foram feitos especialmente para apresentar neste espaço e foi a segunda vez que comi tal prato que me agradou.

Todos os alcoutenejos o conhecem e que de uma maneira geral apreciam.

[Ovos, griséus, azeitonas e vinho de Alcoutim. Foto JV, 2011]

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Chegou uma Estrela!



Chegou ao Hospital de Faro às 23 e 55 do passado dia 18 a Bruna Alexandra com os seus 2,250 kg.

É um contributo importante no sentido de acelerar a natalidade no concelho de Alcoutim que anda pelos índices mais baixos do País.

Esta alcouteneja proveniente de um casal do Baixo Guadiana, ele do concelho de Alcoutim e ela do vizinho Castro Marim, no dia em que fez o primeiro mês de vida mostra-se na foto extremamente risonha demonstrando que o Mundo lhe pertence e constituindo a grande Estrela Fulgente dos pais, avós e mais família, não esquecendo a sua bisavó paterna.

Conheci a sua avó paterna quando lhe perguntava quantos pais tinha, respondia-me invariavelmente:- Tenho dois, o meu pai (o avô materno) e o meu pai Carvalho (o verdadeiro), resposta a que achei sempre muita graça. Esta minha frequente pergunta veio a originar mais tarde a correcção, com a minha desilusão pelo facto.

Ainda hoje quando estou com ela lhe faço frequentemente a pergunta.

Por outro lado conheci o seu avô paterno quanto veio à vila fazer o seu exame da 4ª classe.

Tudo isto para dizer que não posso estar nada novo, ainda que seja um avô relativamente recente.

Daqui auguro as maiores Venturas para a Bruna felicitando vivamente os seus pais, avós e mais família pelo acontecimento.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Crónicas e Ficções Soltas - Alcoutim - Recordações VI





Escreve

Daniel Teixeira



ALCOUTIM A CRENÇA E A REALIDADE

Saber se Alcoutim como Concelho desaparece ou continua eis a questão.
O amigo José Varzeano na sua última introdução ao meu texto aqui publicado em número anterior (Pode ver este texto na sua versão anterior carregando aqui) tece algumas considerações sobre esse mesmo texto no seu Blogue Alcoutim Livre (Ver aqui).
Sobre essas considerações gostava de ter escrito mais e melhor mas como digo no final deste texto as coisas, todas as coisas, têm tantos desdobramentos que por vezes e por questões de economia da paciência dos leitores é melhor mantê-las em níveis de desenvolvimento que possam ser aceitáveis por essa mesma paciência dos leitores.



Pequena nota (do José Varzeano) misturada com alguns comentários meus
«Desta vez a «Pequena nota» vem no fim depois de ler atentamente as opiniões alicerçadas em estudo do Amigo Daniel Teixeira.

Ainda que ele possa ter toda a razão do Mundo continuo a pensar não por qualquer estudo que tenha feito ou consultado sobre o assunto, talvez por algum conhecimento que tenha sobre as mexidas administrativas ocorridas ao longo dos anos ou talvez por alguma sensibilidade e aqui não incluo nada de sentimentalismos.

Enquanto por cá andar, Alcoutim continua a ser o mesmo com os seus defeitos e virtudes.

Eu já não vou ver as alterações político-administrativas que um dia terão lugar.»

Será preciso ter em atenção aqui que Alcoutim será sempre Alcoutim seja ou não sede de Concelho. É evidente que existe alguma diferença (entre Freguesia e Concelho) mas teremos que relativizar também as coisas e sobretudo procurar saber se um dado título (ou nome) faz de uma terra uma coisa melhor ou pior do que aquilo que ela é.

Loulé, como Cidade, por exemplo, tem 20 anos e é sede de um dos maiores Concelhos do País e o facto de ser chamada de Vila em nada a terá afectado. Havia mesmo quem afirmasse entre os políticos locais que preferia «ter» uma Vila grande do que uma Cidade pequena.

Com uma população rondando a mesma de Faro (Capital do Distrito de Faro) é um caso bastante sue generis da alegada descentralização administrativa: tem nada menos de 11 Freguesias contra 6 de Faro e se bem me lembro uma parte substancial delas (destas Freguesias em Loulé) foi criada para contrabalançar os poderes no seio da Assembleia Municipal.

Como se sabe os Presidentes de Junta de Freguesia têm assento por inerência na Assembleia Municipal e direito igual a voto como os eleitos directamente para a mesma Assembleia Municipal.

Faro por sua vez tinha (e tem) uma Freguesia que abarcava - se estou em erro é de aproximação - quase 50% da população farense (a Freguesia da Sé) e houve bastante dificuldade em implantar nos últimos anos a Freguesia do Montenegro retirando território e população à Freguesia da Sé, ainda o Aeroporto e todas a estruturas interligadas nomeadamente os contribuintes das Rent a Car e mesmo os da zona Industrial do Montenegro.

Por sua vez a Freguesia da Sé tem um aspecto que se aproxima daquilo que tenho falado sobre a importância (e a perca dela) das ligações e afinidades administrativas obtidas por via fluvial e / ou marítima.

A ilha da Culatra, situada em plena Ria Formosa, prolonga-se para o lado esquerdo de Faro e a sua ponta esquerda fica sensivelmente em frente a Olhão. Nesse mesmo extremo situa-se a povoação da Culatra. Há a ilha e a povoação com esse mesmo nome chamando-se tanto a esta como às outras pontas de embarque / desembarque de «Ilhas» quando na verdade são apenas cais de embarque / desembarque de uma mesma ponta dunar.

Ora se a chamada «ilha do Farol», por exemplo, situada à entrada do porto de Faro não oferece dúvidas quanto à sua pertença geográfica e afinidade com a Cidade de Faro e a Freguesia da Sé dado que o cais e respectivas estruturas portuárias se situam no Bom João - de Baixo, o mesmo já não acontece com a povoação da Culatra que está em termos de afinidade e proximidade mais próxima de Olhão e do Cais de Olhão.

Uma outra ilha, a da Armona, toda ela incorporada no Concelho de Olhão divide-se no entanto por duas Freguesias (Quelfes e Fuzeta). O que pretendo dizer com esta parte é que se não houvesse a necessidade de haver divisão concelhia entre Faro e Olhão para colocação dos habitantes da Ilha da Culatra nas suas devidas afinidades de proximidade e afectivo/ familiar o «problema» estaria resolvido (talvez) através da distribuição das Freguesias.

Ora, qual é a ligação desta parte com Alcoutim e sua possível fusão com Castro Marim como digo eu ou com Vila Real de Sto António como defende o José Varzeano? É que a afinidade terrestre é duradoura enquanto que a fluvial ou marítima é sempre fluida.

Lendo-se um pouco a história da estrutura portuária em Portugal vê-se com bastante facilidade e sentido de coerência que ela se aproxima da linha da costa (e dos estuários favoráveis) ao longo dos anos (séculos mesmo) e isto seguindo em linha directa o aumento do calado dos navios que por sua vez seguia o incremento do comércio e das trocas inter - territoriais.

Neste aspecto concreto confirma-se uma situação de semelhança ainda que em sentido inverso e também em forma de espelho reflectindo: enquanto que a Mina de S. Domingos por exemplo reforçava a ligação Alcoutim / Vila Real de Sto António dada o seu poder de atracção no caso da Ilha da Culatra o desenvolvimento maior da povoação da Culatra (e deperecimento relativo do povoamento na ponta direita em frente a Faro / Freguesia da Sé) faz pender a balança administrativa da Ilha da Culatra para a Concelho de Olhão. Aliás, a Capela da Culatra tem missa ministrada por um pároco da paróquia de Olhão e neste ponto como em muitos outros é de boa e certeira política «seguir os padres».

A Vigararia de Tavira, que abrange os Concelhos que temos vindo a referir (Alcoutim, Castro Marim, Vila Real de Sto António) e Tavira ela mesma tem no seu conjunto 18 Paróquias, das quais 5 se encontram no Concelho de Alcoutim, 4 são de Castro Marim, 7 de Tavira sendo as restantes 2 de Vila Real Sto António (Concelho). Por ordem e se não tivéssemos em conta a dispersarão territorial e contássemos exclusivamente com a população, teríamos em numero de paróquias Tavira, Vila Real de Sto António, Castro Marim e Alcoutim. Se fosse dado o mesmo rácio aproximado a Tavira (que tem já Cachopo fora da zona urbana e semi - urbana) daria uma paróquia a Alcoutim, duas a Castro Marim, cinco a Vila Real de Sto António e sete a Tavira se não quiséssemos arriscar «tirar-lhe» Cachopo...

«Os políticos, desde a Reforma de Mouzinho da Silveira, têm-se limitado a um ou outro remendo aqui e ali. Poucos têm sido os concelhos criados, mesmo depois do 25 de Abril.

O que se vê constantemente é a elevação de aldeias a vilas e de vilas a cidades. Algumas eram boas vilas e transformaram-se em fracas cidades, mas o povo (algum) gosta disto e os políticos vão apoiando estas acções, ficando as importantes para trás.

E o assunto é de tal maneira que algumas cidades funcionam administrativamente como se fossem aldeias e isto não deixa de ser caricato. Não é preciso dar exemplos pois todos os conhecemos.»

Sobre este ponto o amigo Zé Varzeano faz uma observação que é importante: as reformas de Mouzinho da Silveira mantêm-se desde há sensivelmente 180 anos porque nunca se mexeu de facto na estrutura administrativa vinda da Monarquia.

Não que isto seja uma critica ou uma afirmação menos elogiosa para os monárquicos mas talvez seja a constatação simples de que as coisas, em termos administrativos, estavam relativamente bem feitas ou que as possibilidades de alteração do actual satus quo têm de partir de outras premissas.

O liberalismo, através da famosa Carta Constitucional, e neste aspecto, grosso modo, através de Mouzinho da Silveira e outros seguidores, mais não fez de substancial do que mudar o nome às coisas, de uma forma geral, distribuindo os poderes (isso sim) segundo uma óptica liberal : penso que seja exagerado dizer-se apenas que lá onde havia distribuição por Províncias e Comarcas passou a haver distribuição por Províncias, Comarcas e Concelhos mas também me parece bastante no plano geral das definições.

Apenas a meu ver a introdução dos Concelhos (não em termos territoriais porque já estavam desenhados em grosso de forma quase natural) mas em termos do exercício do poder acabou por trazer algum resultado visível muitos anos depois pois estes foram minando de baixo para cima o exercício do poder central ou delegado. O que não impede que os actuais Concelhos se agarrem aos Foros (régios) como Camões aos Lusíadas após o naufrágio.

Já num período posterior da reforma administrativa se tenta corrigir alguns exageros e se procede à extinção de um grande número de concelhos mais pequenos, sendo no seu lugar criada a freguesia como subdivisão administrativa do concelho, chefiada por um comissário de paróquia - representante do provedor do Concelho - assistido por uma junta de paróquia.

Ou seja, e para o que interessa aqui, a Freguesia aparece como alternativa à desconstrução de Concelhos e não me parece que tenha sido descoberta outra alternativa para esta agora necessidade e antes relativo erro se bem que esse erro de enquadrasse na desmontagem da estrutura de poder da monarquia absoluta.
«Eu sei que é necessário o cumprimento de vários parâmetros para a obtenção desses títulos honoríficos e certamente que Alcoutim e mais algumas sedes de concelho do pais, se fosse hoje, nunca seriam vilas, mas a verdade é que o são de pleno direito e que não vai ser fácil a algumas deixar de o ser devido a situações muito específicas que forçosamente têm de entrar em consideração, constituindo assim excepções à regra e como o povo bem diz, não há regra sem excepção.»

Neste ponto o José Varzeano toca num aspecto que já ventilei acima, a questão dos foros e do título honorífico: ora um Concelho com as respectivas estruturas é um organismo político administrativo e de acordo com a sua dimensão é tanto mais administrativo e menos político nesta linha do quanto menor for ou menor importância económica e social tiver.

Se toda a estrutura administrativa portuguesa tivesse como problema visível Alcoutim e a sua passagem ou não a Freguesia poderíamos ficar descansados porque havia margem de sobra para a manutenção da situação, mesmo que por respeito exclusivo à honra concedida (nos Forais novos de D. Manuel embora não seja referida qualquer polémica é pelo menos estranho que o Concelho de Alcoutim tenha visto atrasado de cerca de 20 anos a revalidação manuelina em relação com os outros foros do Algarve).

«Por outro lado, a aldeia de Martim Longo ainda não obteve a categoria de vila possivelmente por não possuir os parâmetros exigidos.

O que acontece é que as pequenas e pobres vilas sede de concelho espalhadas pelo país não querem perder essa condição mas em contrapartida os concelhos ricos e de áreas incomparavelmente inferiores não têm o mínimo de interesse em anexar esses concelhos onde não se cria riqueza, obrigando as novas autarquias a uma divisão dos seus rendimentos.»

É evidente que este problema se coloca mas também se coloca um outro em sentido inverso que é o do classificação das autarquias para efeitos de mandatos (com 15 mil votantes Vila Real de Sto António distribui 7 mandatos, com 6.000 votantes Castro Marim distribui 5 mandatos e com 3.000 votantes Alcoutim distribui igualmente 5 mandatos).

«Os políticos parece que começaram a mexer nas juntas de freguesia, órgãos de uma importância relativa e que não vai influir muito na vida dos cidadãos mas mesmo assim a divergência entre os grandes partidos e os pequenos já é notória.

Eu penso que quando os políticos forem obrigados e mexer na Administração, a modificação tem de ser muito acentuada e possivelmente com órgãos autárquicos de dimensões e funções diferentes das actuais, talvez próximo do que acontece em Espanha.

Continuo convicto que se o concelho de Alcoutim vier a ser extinto e isso não me choca, a anexação será a Vila Real de Santo António juntamente com Castro Marim. Não fazem os três actuais concelhos parte da mesma Comarca com sede em Vila Real?

Por outro lado, a tendência fiscal é para a concentração e a informática é uma poderosa arma que poderá resolver as mais diferentes tarefas à distância (e já resolve muitas). Quando saber informática na área da utilização significar o mesmo que significou no passado o saber ler e escrever tudo muda de figura.

Caro Daniel Teixeira é bom termos opiniões diferentes e este espaço ALCOUTIM LIVRE foi criado mesmo para isso e está aberto a quem as quiser debater, como nós fazemos.

Um abraço.

JV
Publicado por José Varzeano»
Deixo em branco algumas respostas que não são tentativas de polémica, diga-se desde logo, porque esta questão e estas questões requerem bastante mais tempo e estudo do que aquele que tenho disponível neste momento.

Quero no entanto agradecer ao José Varzeano a possibilidade que me traz de fazer algumas dissertações, algumas não muito fundamentadas com documentação de apoio e praticamente referidas de cabeça com acertos de confirmação nalguns pontos, mas como já devo ter referido a minha ligação a Alcoutim e mais concretamente ao «meu» Monte de Alcaria Alta tem estado sempre presente de várias formas.
Na verdade Alcaria Alta sentia-se, na minha opinião, mais próxima de Martinlongo não só pela mais curta distância que separava o Monte e a Aldeia mas também pelo facto de os meios de transporte colectivos utilizados estarem estacionados em Martinlongo e não me parece que essa situação se tenha alterado no plano dos sentimentos senão pelo facto de não haver em Alcaria Alta já gente.

Isto para dizer que realmente as questões são polémicas e com valores quase ancestrais entranhados e que mexer no tecido administrativo do país é trabalho que se torna complicado: o próprio Marcelo Caetano, que tinha incluído sumariamente o Algarve na Região Sul foi forçado a dar a «independência» ao Algarve...

Nota Final

Em várias “postagens” aqui apresentadas ficaram expressos pontos de vista diferentes sobre uma temática que oferece alguma dificuldade de abordagem.
Certamente que os nossos leitores fizeram as suas análises com concordâncias e discordâncias não forçosamente de um só “opinador” pois podem defender alguns aspectos que um defende e outros defendidos pelo outro.
Podiam ter aparecido aqui outros pontos de vista, mas tal não aconteceu.
Um amigo que conhece Alcoutim superficialmente opinou que o assunto teria de ser equacionado tecnicamente através de uma Universidade bem colocada na área e este sim, daria a solução mais adequada.
Sem rejeitar, antes pelo contrário, estudos nesse sentido, a decisão tem de ser “fatalmente” política. Nunca os políticos “abririam mão” de tal resolução, já que lhes pertence, em última instância, tal decisão.

Mais uma vez o meu abraço de agradecimento ao amigo e colaborador, Daniel Teixeira.


JV

terça-feira, 19 de abril de 2011

A confraria do Senhor Jesus, no Pereiro

As confrarias são associações originárias da Idade Média, laicas ou eclesiásticas e que têm como fundamento a assistência material e espiritual.

Confrarias e irmandades, que muitas vezes se confundem, desempenharam papel importante nos séculos XVII e XVIII mas sofreram grande quebra com o triunfo liberal e mais tarde com o republicanismo.

As igrejas paroquiais possuíam várias confrarias que muitas vezes dispunham de altares próprios.

Na igreja paroquial do Pereiro temos indicações da existência da Confraria das Almas (1777-1818), de Nª Sª do Rosário (1770-1777 e 1780), de S. Sebastião e de S. Pedro (1773), de N. S. da Consolação, de Sto. António e de S. Marcos (1774-1835), além da do Santo Nome de Jesus ou do Senhor Jesus, e de que possuímos mais referências, como seguidamente tentaremos justificar.

Por ordem do Príncipe regente, D. João, transmitida ao escrivão da Câmara, José Carlos de Freitas Azevedo (1) foi dito que os saldos do ano de 1799 ficassem cativos enquanto não houvesse novas ordens (2) tendo sido nomeado em 7 de Abril de 1801, fiel depositário dos mesmos, Pedro José dos Reis. (3)

A Confraria do Santo Nome de Jesus apresentou entre todas o saldo mais insignificante, 40 réis.

Através do livro de receitas e despesas temos conhecimento das contas que os mordomos da mesma prestaram desde 1802.

O mordomo era eleito no dia de S. João Baptista respondendo até igual dia do ano seguinte.

É interessante verificar que há mordomos dos mais importantes montes da freguesia. Serro da Vinha está representado por José da Palma (1802-1803), Domingos Lourenço (1804-1805) e José Martins Corvo (1817-1818), Vicentes com Manuel Rodrigues Mesquita (1803-1804), Manuel Vaz (1808-1809), Tesouro com Manuel Vicente (1806-1807), Barão da Costa (1808-1809), Alcarias Covas, é essa e designação abrangente das três Alcarias, com Baltazar da Palma Cavaco (1809-1810), Miguel Pereira Janeiro (1810-1811), José Pereira (1812-1813) e Miguel Pereira Lobo (1818-1819) que encerra com um saldo de 50 réis.

A aldeia foi representada por António Joaquim de Campos (1811-1812), José Teixeira (1813-1814) e José de Jesus (1814-1815, 1815-1816 e 1816-1817).

As receitas da Confraria eram constituídas pela recolha das esmolas da alcofa (dinheiro) e por dádivas de trigo, avultando nas despesas as missas e responsos, a missa cantada, a cera e a lavagem da roupa do altar.

A título de curiosidade dizemos que em 1802-1803 foram gastos 2000 réis com missas e responsos e 1360 com a missa cantada.
A Confraria foi abolida em 1819 “por não ter renda alguma” (4)

NOTAS

(1) Oriundo da cidade do Porto, veio a ser avô paterno do Padre António José Madeira de Freitas.
(2) Livro de Contas da Real Confraria de Nª Sª da Conceição, da Vila de Alcoutim, iniciado em 1785, pág. 15
(3) Idem, págs. 18 v. e 20.
(4) Livro de Receita e despesa da Confraria do Senhor Jesus da Paroquial Igreja do Pereiro (termo de abertura e encerramento de Faro, 30 de Dezembro de 1802).

N.B.
Extraído de A Freguesia do Periro (do concelho de Alcoutim),«do passado ao presente», José Varzeano, 2007.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cortes e Alcarias, topónimos abundantes no concelho de Alcoutim

Ao abordarmos em pequenas notas monográficas já publicadas nestes espaço, algumas dezenas de “montes”, sempre que nos é possível, referimos uma explicação para o topónimo.

Já referimos várias vezes os dois topónimos de uma maneira simples e sucinta. Hoje, iremos apresentar o que conseguimos reunir nas leituras e pesquisas que temos efectuado ao longo dos anos.

As “ (...) alcarias e cortes repetem-se ao longo dos caminhos e dizem-nos que o cultivo das terras e a criação de gado são a forma de ganhar a vida de que os habitantes podem lançar mão”. À medida que nos aproximamos do Guadiana a altitude diminui e as Cortes substituem as Alcarias”. (1)

O topónimo Corte, normalmente associado, aparece principalmente no Baixo-Alentejo e Alto-Algarve e tem merecido a atenção de vários especialistas.

[Corte da Seda. Rua típica. Foto JV]

Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira diz-se que entre os topónimos mais dignos de nota contam-se as várias Cortes, designando prédios, certamente em substituição dos casais de acourelamento efectuado com o repovoamento nacional.

Pinho Leal (2) expressa-se assim: (...) se em algumas povoações significa curral de gado, na maior parte delas significa cohorte (corpo militar dos romanos) e depois, à imitação deles - sobretudo desde o tempo de Sertório, também os lusitanos se organizaram por cohortes. Também se dava o nome de cohorte ao sítio em que ela fazia o seu assentamento ou acampamento.

Alberto Sampaio (3) escreve: Cohors, Cortis, Curtis - o recinto fechado em volta do qual estavam as construções agrícolas incluindo os estábulos, aos quais agora a linguagem popular chama Cortes, de que cortelho é também diminutivo no mesmo sentido. De Curtis, significando o conjunto das edificações com um pátio, derivou literalmente Corte.

[Corte Tabelião. Vista parcial, 2009. Foto JV]

Corte, de Cohors - Ortis - Cortis, Curtis, em latim clássico significava o recinto das construções rústicas, passou entre nós, nos tempos antigos (...) a ter várias significações como subunidade de cultivadores - courela murada ou cercada de sebes, mas predominantemente o lugar onde se criam ou recolhem animais domésticos (...) . Vêm depois, num ou noutro destes sentidos, para várias povoações que com este nome, no singular ou no plural, se encontram espalhados pelo nosso País – é o que afirma Amadeu Ferraz de Carvalho. (4)

Noutra ocasião, o mesmo autor diz que corte significa – casal, vila, exploração agrícola. (5)

Viterbo (Fr. Joaquim de Santa Rosa de) no conhecido Elucidário, diz:- Para com os bons latinos cors ou cohors era, propriamente, um pátio rústico e descoberto, cercado e guarnecido de currais, manjedouras ou cobertos, em que os animais e criações de campo se recolhem, guardam, multiplicam e cevam. Na baixa latinidade, cortis e curtis se tomaram por um casal, vila, quinta, abegoaria, prédio rústico, horta, quintal e também alcaria com tudo o preciso e necessário para a lavoura.

Também significaram o arrabalde de uma grande povoação: o pavilhão, tenda ou barraca de príncipe ou general do exército.

José Pedro Machado (6)... indica “lugar em que se criam animais domésticos e certa extensão de terreno lavrado”.

[Cortes Pereiras, Monte de Baixo. Foto JV]

Depois de todas estas explicações sobre o topónimo Corte, que está representado seis vezes a nível do concelho, passemos ao outro topónimo igualmente frequente na região.
Alcaria, para o qual existe consenso, é um topónimo de origem árabe, muito frequente no sul do País. Tem por origem Al-Qariâ que significa “pequena povoação, a aldeia” (7).

[Alcaria Queimada, 2010. Foto JV]

A palavra Alcaria foi usada pelos escritores muçulmanos para designar uma pequena povoação não protegida por muralhas. (8)



NOTAS

(1) - Algarve - Novos Guias de Portugal, J.V. Adragão, Edições Presença.
(2) - Portugal Antigo e Moderno, A.S. Barbosa de Pinho Leal, 1874.
(3) - As Vilas do Norte de Portugal, Alberto Sampaio, 1979., p 82
(4) - A Terra de Besteiros e o actual concelho de Tondela, Amadeu Ferraz de Carvalho, 1981.
(5) – “ Subsídios para a Toponímia no Concelho de Tondela”, Amadeu Ferraz de Carvalho, jornal Notícias de Viseu de 3 de Dezembro de 1922.
(6) - Dicionário Onomástico-Etimológico, José Pedro Machado, Edições Horizonte/Confluência - 1993.
(7) - Vocabulário Português de Origem Árabe , José Pedro Machado, Editorial Notícias, 1972.
(8) – “Toponímia Algarvia – Alcarias e Malhadas” Arnaldo Casimiro Anica, Jornal do Algarve de 14 de Janeiro de 1993.