terça-feira, 21 de junho de 2011

Açorda


O substantivo feminino açorda deriva do árabe ath-thurdâ, significando para alentejanos e algarvios sopa feita de caldo de bacalhau, de outro peixe... ou água fervida que embebe fatias de pão temperadas com azeite, alho, poejo e coentros.Não há açorda sem pão migado, fervido, esmagado, azeite e alho, que tem por base muitos gostos principalmente ligados aos produtos do mar, mas a açorda que pretendemos referir é aquela que é atribuída a alentejanos e algarvios, como acima se diz.

Ainda hoje é um prato muito usado em todo o concelho de Alcoutim, principalmente no Inverno por ser quente.

Por aquilo que nos tem sido dado observar, a açorda em Alcoutim raramente é feita na água de bacalhau ou de qualquer outro peixe e isso tem a ver com velhos hábitos, pela dificuldade da chegada do peixe e também por uma questão económica, pois o dinheiro não abunda para esse “luxo”.

Alhos, sal, coentros e poejos ou mesmo pimentos são os condimentos deste simples prato. É tudo pisado em conjunto, entenda-se que entre coentros, poejos ou pimentos, escolhe-se apenas um.

O pão de tipo caseiro e preferencialmente duro corta-se em pequenas fatias (no Alentejo é normalmente aos cubos). Põe-se previamente água a ferver, suficiente para poder ensopar o pão e escalfar os ovos necessários, um ou dois por pessoa.

No recipiente , tigela alta ou pelangana, deita-se o que se tem macerado e depois a água com os ovos. Tempera-se de azeite. Finalmente a pouco e pouco deitam-se as sopas de pão que embebem parte do caldo.

O alcoutenejo costuma acompanhar com peixe, de preferência assado.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A opinião manifestada por visitantes / leitores



Pequena nota

É também hábito nesta altura referir a opinião manifestada por alguns dos visitantes / leitores que tiveram a amabilidade de nos enviar electronicamente as suas opiniões durante o último ano. Pensamos que não nos falhou nenhuma.

Não passam de opiniões que naturalmente agradecemos e que acabam por ser importantes para a continuação do nosso trabalho.

A todos o nosso agradecimento incluindo os três leitores que nos apresentaram erros de identificação em três fotografias e se não fosse a sua observação e a chamada de atenção,, possivelmente continuariam na mesma.

Duas das fotografias são da nossa autoria e foram por nós mal legendadas. Já são uns milhares e a legendagem não é feita quando a foto é tirada, por vezes só se realiza meses depois e com base na memória que já vem apresentando as suas falhas.

A outra fotografia não é da nossa autoria, foi retirada de alguma publicação, pela falta que tínhamos nessa área. Ou a retirámos mal e cometemos o erro ou então ele já existia. Apesar da procura efectuada, ainda não a conseguimos encontrar.

Os três erros apontados já foram corrigidos, os dois primeiros de imediato e o terceiro mais tarde, pois tivemos necessidade de obter a fotografia de substituição.

Mais uma vez e a todos o nosso agradecimento. Temos o seu aval para continuar.


JV




CORRESPONDÊNCIA ELECTRÓNICA

(…) quero felicitá-lo e dar-lhe os parabéns pelo excelente trabalho e tempo que tem dedicado ao meu concelho, graças a pessoas como o senhor, outras pessoas irão conhecendo um concelho pobre mas de ricas pessoas.
Eu sou (…), minha filha que se encontra na (…), tb admira muito o seu trabalho que é de louvar.
(…)
Quero desejar tudo de bom para o senhor e seus colaboradores, para que continuem com o vosso precioso trabalho.
(…)
A M


Parabéns ao “Pai” pelo 2º Aniversário do “Filhote” que cada vez está mais um latagão de que se pode legitimamente orgulharem.
A F


Felicito-o pelos dois anos de profícuo trabalho no Alcoutim Livre.
Não será fácil, quando a matéria a tratar se reporta a uma pequena terra, manter uma produção constante e de manifesta qualidade. Suponho que só o grande amor pelo objecto do estudo e pela busca do saber e da verdade pode sustentar um trabalho tão pertinaz e consistente.
Da minha parte, como alcoutenejo [e por quanto tempo mais haverá alcoutenejos?], agradeço-lhe e faço votos para que possamos continuar a usufruir da sua lição (e dos demais colaboradores do AL).
AM


Venho por este meio agradecer toda a informação colocada no seu Blog “Alcoutim livre”.

A minha avó vivia na casa ao lado (…) e é com muita saudade que leio as histórias do “Monte da minha Avó”.

Vou mostrar à minha mãe, que vai adorar de certeza.
C G


É com muito apresso que a si me dirijo para o felicitar pela autoria do blogue Alcoutim Livre. Nasci em Lisboa (...) mas tenho as minhas raízes nessas terras alcoutenejas. Os meus avós paternos e avó materna de (…) e o meu avô materno da (…). Desde sempre que para aí fui passar férias e lembro-me, que quando adolescente detestava ir para o meio do nada, como eu dizia. Mas, à medida que os anos foram passando, cada vez fui valorizando mais essas terras e essas gentes, e hoje, (…) volto ciclicamente à casa que era dos meus avós e agora é nossa. Quando estou em Lisboa continuo a recordar os cheiros, as cores, os sabores e as gentes dessa terra maravilhosa. Confesso... é nessa calma que melhor consigo retemperar o corpo e a mente, o mesmo acontecendo com o meu marido, que de Algarve, só conhecia o litoral (…)
Foi por tudo isto que fiquei feliz ao encontrar este blogue. Ao ler os seus posts revivi muito do que os meus pais e avós me foram transmitindo, as estórias, os termos, a etnografia, enfim a História e todas as memórias do passado que é necessário preservar para o futuro. Tenho como formação inicial o curso de História e fiz investigação em História Local (…). Tinha um sonho, quando tivesse tempo, escrever para os meus sucessores a história das gentes de Martinlongo e Alcoutim, para que a memória não se perdesse, agora encontrei um blogue que tem tudo isso e muito mais.
(…)
Mais uma vez parabéns e obrigada pelo seu trabalho de investigação que muito nos orgulha.
C N


(…)
Sem dúvida, o Alcoutim Livre continua a maravilhar-me e a fazer-me sentir mais próxima desse cantinho de Portugal que tanto prezo, e onde, tal como o Sr. Amílcar Felício, tantas vezes me refugio sem estar lá.
S M



Muito obrigado pelo artigo publicado em 5 do corrente em ALCOUTIM LIVRE, que me traz a resposta que várias vezes já solicitei quer à Junta de Martilongo, quer ao Município de Alcoutim, sem que até ao momento tenha obtido qualquer resposta.
Agradeço tudo o que nos possa escrever sobre o assunto,quer para este Forum, quer para jornais da região.
(…)
L M


Foi com prazer e curiosidade que li o seu artigo no Alcoutim Livre de 01 Agosto 2010 e que me ajudou a entender a provável origem do meu nome de família que desde sempre me provocou curiosidade pela sua invulgaridade.

Embora nascido em Torres Novas e actualmente a residir em (…), toda a minha família é originária do Alto Alentejo (Monforte e Arronches).

De facto e curiosamente uma parte da minha família directa é Reigota e outra Arreigota, talvez devido à origem da palavra ou ao engano dos notários em tempos já idos (o meu pai e uma irmã são Arreigota, enquanto que os seus irmãos são Reigota).
Há inclusive ramificações da família que herdaram estes dois nomes distintos.

Desculpe-me incomodar a sua privacidade com este e-mail, mas senti que tinha que lhe transmitir que a sua pesquisa de certo modo ajudou-me a entender a mim e à minha família a possível origem do nome, pois irei comunicar-lhes este facto.

Obrigado e cumprimentos de um outro Ribatejano,
L A



[Os obreiros.]

Não quero deixar de felicitar, o Autor do blogue Alcoutim livre e todos os seus colaboradores pelo seu 2.º aniversário.
Parabéns, pelo excelente trabalho desenvolvido, pela quantidade e qualidade de informação produzida colocada diariamente no blogue é, na minha modesta opinião um exemplo para todos quantos escrevem e muito em particular para todos os Alcoutenejos.
Obrigado, pela forma exemplar viva e apaixonada como escreve, sobre o meu Concelho e as suas gentes, os lugares, tradições, os caminhos, as ribeiras e o rio Guadiana, a que eu gosto de chamar “rio do mundo”.
Graças a existência do seu blogue, a sua paixão e dedicação a esta causa, muitos Portugueses conhecem hoje melhor Alcoutim e as suas realidades, as suas riquezas e fragilidades. José Varzeano traz para a opinião pública, aquilo que é responsabilidade de outros.
Como Alcoutenejo, sinto que tenho para consigo uma enorme divida e estarei lhe grato para todo o sempre. Muita da informação que foi colocada no blogue ao longo destes dois anos de existência era certamente do desconhecimento de muitos Alcoutenejos e, está agora em porto seguro, constituindo um extraordinário acervo.
O seu blogue é um sítio onde mato saudades e aprendo todos os dias. Com o trabalho que tem desenvolvido, com o manancial de informação que já colocou no blogue Alcoutim livre revela uma grande sensibilidade para a escrita e consegue ver realidades que outros teimam em não querer ver, ou por mais que olhem não conseguem ver.
Obrigado e Parabéns,
R M


Venho acompanhando o seu blog "Alcoutim Livre" desde a algum tempo e quero felicita-lo pelo excelente trabalho de promoção e difusão da história e cultura de Alcoutim.

Sou neto de (…), do monte d (…). Sou de uma geração já nascida e criada em Lisboa, mas as minhas raízes moram no Sotavento Algarvio – as férias foram sempre passadas em casa dos meus avós (meus avós maternos são da freguesia de...), motivo pelo qual os seus escritos têm especial interesse para mim. Uma das memórias que retenho de meu avô, é justamente este a folhear o seu livro "Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio".

O seu blog, juntamente com os seus livros (o do concelho de Alcoutim e o mais recente "A Freguesia do Pereiro - do passado ao presente" têm sido uma preciosa ajuda nas investigações genealógicas que tenho feito ultimamente.

É nesse sentido que lhe escrevo, para lhe colocar algumas questões, isto se não for abuso.
CP



Desculpe incomodá-lo em primeiro lugar.
Eu estou procurando a etimologia do nome ALCOUTIM e não encontra nenhuma indicação.
Estou muito grato se você puder me dar uma indicação.
Eu nasci em Alcoutim, mas nunca viveu em Portugal. Então, desculpa o meu Português aproximativo.

Muito muito obrigado. O seu Blog e fantastico
S E


Quero dizer-lhe que sou um leitor assíduo do seu blog.
(…)
Gostava de dizer-lhe que nasci num pequeno Monte, (…) Martim Longo. Pergunto para quando me dá o prazer de ver este monte nas suas páginas, se não é atrevimento da minha parte, caso aconteça terei muito gosto em colaborar e enviar-lhe uma foto aérea do povoado.
(…)

Antes do mais, utilizo este meio de comunicação, para lhe agradecer, do fundo da alma, a satisfação que me propiciou, ao publicar na INTERNET, através do seu blog, tão vasta resenha sobre tão pequeno monte, que me viu nascer (…); dando desta forma a oportunidade aos conterrâneos e não só, de lerem algo sobre o mesmo.

Como os tempos mudam! Há vinte anos tal não seria possível, como a tecnologia avançou! O mundo composto de mudança.

Há pouco tempo, no blog, um alcoutenejo elogiava o (…), considerando-o o maior historiador sobre Alcoutim, revejo-me nessas palavras, pois não tendo (…) formação nessa área procura nos alfarrábios e noutras fontes, divulgando todo esse legado que com o passar dos anos acabaria por desaparecer.
A A



Parabéns pelo seu blog, que considero uma lufada de ar fresco na história do Concelho de Alcoutim. Tenho um grande respeito e admiração pelo trabalho que tem procurado desenvolver em prol dos alcoutenejos, reavivando a memória das gentes, da qual faço parte e que muito me orgulho. Permita-me que me apresente: Chamo-me (…) e fui aluno da sua esposa, aí pela 3ª classe. Tenho recordações bem vivas, da amabilidade e profissionalismo da minha professora em (…). Recordo-me ainda de um Senhor, na altura bem jovem, que visitava por vezes a esposa, na escola primária e que nos ensinava umas canções (ficou-me qualquer coisa, como “ digo-dai, dai “), penso tratar-se do Senhor José Varzeano!

Embora a minha formação superior não seja no âmbito da história, sempre me interessei pela mesma. (…)
(…)

Escrevo-lhe este email, porque gostaria de um dia me encontrar com o senhor para falarmos sobre este assunto e voltar a rever a minha professora.
(…)
E P

domingo, 19 de junho de 2011

3º ANIVERSÁRIO




Passa hoje o 3º ANIVERSÁRIO da existência deste blogue, pelo que é altura, tal como fizemos nos aniversários anteriores, indicar alguns números e fazer as considerações que consideramos oportunas.

Além de termos mantido os propósitos que nos levaram à sua criação, conseguimos um número de “postagens” elevado, quase diário, pois a média é de 0,74 (812:1095).


A nível de volumes de formato A/5, estamos a completar o XII que se conclui no fim do mês. O número de páginas ronda as 3600.

Enquanto a média de visitantes / dia no 1º ano foi de 12,5, no 2º aumentou para 38,9 e agora cifrou-se em 90,9 (33179:365) o que constitui um aumento bastante considerável.

O nº total de visitas foi de 47.179 pelo que brevemente estaremos nas 50 mil.

Já fomos visitados por 80 países o que não deixa de ser significativo e já temos tido visitas diárias estrangeiras superior a 20, com relevo para o Brasil, EUA, Espanha e França, como aliás, o contador mostra.

Houve necessidade de, além de criar novas rubricas, desdobrar algumas que possuíam números dilatados, o que originava maior dificuldade na procura por parte dos visitantes / leitores e até nossa.

A Câmara Escura continua a ocupar a primeira posição em número de “postagens” (79) o que procuramos fazer com espaço de tempo aproximado. Quanto aos conteúdos apresentados tentamos igualmente que sejam diversificados. Como se tem indicado vai aparecendo alguma colaboração neste sentido.

A Etnografia ocupa a segunda posição com 76 entradas e é rubrica muito procurada por pessoas de diferentes regiões do país, principalmente estudantes que por vezes nos contactam pedindo informações complementares.

O Espaço dos Amigos teve de ser desdobrado pelos vários colaboradores para uma mais rápida consulta. Gaspar Santos, o primeiro que se disponibilizou já deu a público 39 textos de inegável valor e que ajudam a compreender melhor Alcoutim em todos os seus aspectos, José Temudo, depois de uns bons textos em prosa, tem-nos brindado ultimamente com a sua poesia, sendo o nosso poeta de “serviço”. (25).

Amílcar Felício continua a enviar-nos mensalmente as suas ricas crónicas impregnadas de um estilo muito próprio, onde o realismo, a graciosidade e até a brejeirice são seu apanágio. (18).

Publicámos os 14 artigos que conhecíamos do nosso saudoso Amigo Luís Cunha, pelo que proporcionámos aos nossos leitores o seu conhecimento que de outra maneira não seria fácil. Enriquecemos assim o conteúdo do blogue.

Daniel Teixeira, apesar de ter o tempo extremamente ocupado principalmente com o Jornal e a Rádio RAIZONLINE, ainda conseguiu arranjar espaço para nos dar a conhecer algumas recordações alcoutenejas e debater connosco aspectos de uma futura divisão administrativa e em relação à área alcouteneja. Afinal, o que pelo menos nós colocávamos distante pelos aspectos que referimos parece estar bem próximo, não por vontade dos nossos políticos mas por imposição do FMI. Segundo dizem, está previsto iniciar-se o trabalho para meados do próximo ano! Iremos ter a redução de “tachos e panelas”, depois queremos ver para onde irão. Não vai existir grande problema pois grande parte e ainda uns jovens há muito que têm a reforma choruda garantida. Mesmo assim, chorarão pelos lugares, não pelas benesses que usufruem, mas pelo amor ao povo, principalmente aos velhos muitas vezes abandonados pela própria família! As razões apresentadas nada têm a ver com a realidade.

José Miguel Nunes direcciona a sua escrita para outras áreas e só esporadicamente aqui chega (6).

O cronista Fernando Lino está presentemente muito ocupado ainda que continue a mostrar-se interessado em colaborar.

O Escaparate (66) mantém-se activo e com os mesmos propósitos sendo uma referência para quem gosta de ler e conhecer obras publicadas.

Os Ecos da Imprensa (53) continuam a sua caminhada, pois ainda estamos distantes de publicar neste espaço tudo o que escrevemos (em papel) sobre Alcoutim e o seu concelho.

Desdobrámos igualmente a rubrica Geral que naturalmente era muito abrangente. Optámos por dividi-la pelas cinco freguesias, mantendo uma, quando efectivamente a matéria abordada é de âmbito concelhio.

Fizemos o mesmo em relação aos Montes do Concelho que agora aparecem divididos pelas freguesias e um Geral quando tem esse sentido.

Já faltam poucos montes para abordar nas freguesias de Martim Longo e de Vaqueiros.

Continua a ser uma rubrica muito apreciada pelos leitores que por vezes nos perguntam quando chega e vez do seu “monte”.

Criámos em boa hora a Gastronomia / culinária já com 17 entradas.

Algumas das rubricas estão praticamente esgotadas e outras são de carácter circunstancial.

Pensamos que fizemos a análise mais genérica sobre o assunto. Outras poderão ser feitas.

Antes de terminar queremos apresentar aos nossos leitores o quadro a que temos acesso do número de visitas que se verificaram a partir de Abril de 2009 até 18 de Junho corrente e nos termos que já referimos anteriormente.

1º - Alcoutim Livre, imparável! (10.07.2010) – 266

2º - D. Fernando de Meneses, 1º Conde de Alcoutim (03.04.2009) – 241

3º - A Igreja da Espírito Santo, matriz do Pereiro (19.04.2010) – 115

4º - A Capela de Santa Justa (06.06.2010) – 103

5º - Convívio – Festa 2010 – Tacões - Alcoutim (13-08.2010) – 87

6º - A medida do tempo (11.09.2010) – 85

7º - Acreditar num futuro melhor (30.09.2010) - 66

8º - Água-pé “Alcoutim Livre” (10.09.2010) – 64

9º - O candeeiro a petróleo (09.03.2010) – 60

10º - Da origem das Festas de Alcoutim aos “seios” de gr... (03.04.2010) – 58


Verifica-se que são 9 postagens de 2010 e l de 2009.

Vamos terminar com as mesmas palavras que escrevemos faz hoje um ano:

O ALCOUTIM LIVRE só existe porque tem visitantes / leitores em número suficiente que o justifique.

É para eles que aqui estamos. O nosso muito obrigado pelas visitas e pela divulgação.

CRITIQUEM, APOIEM E DIVULGEM O ALCOUTIM LIVRE, UMA VOZ LIVRE NO DESERTO SERRANO.

sábado, 18 de junho de 2011

SALAZAR a instauração da ordem



Em formato de 17X24 cm e 317 páginas, numa edição de Livros Horizonte, 2010, é um trabalho que só agora acabei de ler, ainda que me tivesse sido oferecido no último Natal pelo meu Amigo e Colaborador desde a primeira hora deste blogue, Eng. Gaspar Martins Santos.

A figura de Salazar é fascinante em todos os parâmetros que possa ser abordada e tem-no sido, continuará a sê-lo por muitos anos e daí a atenção que muitos investigadores lhe dedicam.

O autor, Arnaldo Madureira, economista e professor universitário, tem-se dedicado ao período que cobre o “Estado Novo” já com várias publicações nesta área..

O trabalho está dividido em três partes, O Início da Nova Fase do Projecto Salazarista, A Caminho do Novo Regime Político, terminando em O Estado Corporativo.

Além das Fontes obtidas em bibliotecas e arquivos, apresenta uma vasta bibliografia referindo igualmente muitas publicações periódicas da época.

É um livro indispensável para quem gosta deste período da nossa história.

Mais uma vez o agradecimento ao nosso Amigo pela oferta.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O poço do cercado das Asneiras

[Ribeira de Cadavais. Foto JV, 2010]


Este poço, ainda que tivesse sido particular e que há muito se encontra entulhado, foi importante para a vila de Alcoutim como adiante indicaremos.

Não sabemos quando o mandaram entulhar mas não mentimos se dissermos que foi há mais de quarenta anos.

Alguns dos mais idosos alcoutenejos recordarão o seu nome, mas não serão muitos.

Sabemos que se localizava junto à Ribeira de S. Marcos, talvez lá para os sítios da Amarela, esta sim, designação ainda muito conhecida dos alcoutenejos.

Este topónimo de “Amarela” é muito antigo pois no século XV são doados a D. Fernando de Meneses, Conde de Alcoutim, uns moinhos no Esteiro da Amarela. (1)

Houve sempre dificuldades de encontrar água potável para as populações locais e em anos de estiagem aumentavam.

Os seus proprietários, quando os poços públicos secavam, facultavam a água deste poço à população e assim aconteceu a quando da construção da estrada distrital Alcoutim-Pereiro.

Em 1876 o Presidente fez saber à Câmara que o poço denominado das “Asneiras” e que por cedência da senhoria, D. Júlia Xavier de Brito, foi no ano anterior aprofundado à custa do município na condição do público nele se abastecer, de que então tanto se carecia e que antes de mandar fazer qualquer obra, devia ser ouvido o novo possuidor, António José Ramos Faísca Caimoto. (2) Estando este presente na sessão municipal, declarou nenhuma dúvida ter em ceder à população a água do referido poço, sempre que se desse estiagem ou falta de água nos poços públicos, obrigando-se a Câmara a fazer no referido poço os reparos que carecer. (3)

Desconhecemos as razões que levaram ao entulhamento do poço, alguma haveria para o efeito. Aqui fica este pequeno apontamento com um sentido histórico.


Notas
(1) – Liv. I dos Mystic.
(2) – Pensamos que era genro da anterior proprietária que tinha casado com Augusto Carlos Pinto.
(2) - Acta da Sessão da C.M.A. de 21 de Setembro de 1876

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O monte de Clarines (Alcoutim),de ontem e de hoje

(PUBLICADO EM STILUS, REVISTA DE CULTURA ALGARVIA, JAN/DEZ DE 2001)

[Entrada da povoação. Foto JV, 2009]

Há anos que tencionava escrever algo sobre esta pequena aldeia, na Serra Algarvia designada por monte, chegando mesmo a iniciar o escrito que acabei por não concluir.

Já fiz publicar alguns apontamentos sobre montes do concelho de Alcoutim, mas ainda nenhum da freguesia de Giões.

Todos os lugares, por mais pequenos que sejam, têm algo para se dizer, podemos é não o conhecer suficientemente bem para o fazer.

Conhecemos Clarines em 1974, quando a estrada ainda não estava asfaltada e o troço de acesso ao monte era uma miragem.

CLARINES suscitou-nos sempre uma certa curiosidade e já o visitámos várias vezes, encontrando sempre novos motivos de interesse.

Iremos começar por localizá-lo, tendo como ponto de referência a sede do concelho a que pertence - Alcoutim. Uma vez aí, tomamos a estrada nacional nº 122 - l que nos leva seis quilómetros andados ao Cruzamento ou Quatro Estradas. Seguindo em frente, tomamos a estrada nacional 124 e percorridos oito quilómetros passamos pela aldeia de Pereiro. Continuando a rolar pela mesma estrada, cerca de dois mil metros depois cortamos à direita, seguindo a indicação toponímica de Tesouro. Entrámos na estrada municipal nº 507, estreita mas asfaltada. O movimento rodoviário é quase nulo. Passamos pelo pequeno monte do Tesouro, da freguesia de Pereiro, descemos e ultrapassamos a ponte sobre o Barranco do Malheiro que divide esta freguesia da de Giões. Pouco depois, nova povoação surge, são os Farelos. Continuando na mesma estrada, voltamos a cortar à direita tomando a pequena estrada nº 1044 (cerca de dois quilómetros) que nos leva ao monte que procuramos - CLARINES.

Ao aproximarmo-nos da pequena povoação, os terrenos vizinhos estavam limpos, isto é, desprovidos de mato.

À esquerda, o Centro de Convívio local, casa arrendada, com uma divisão e onde funcionava um televisor. (1) Era o local de reunião.

Chama-nos a atenção uma interessante moradia ao gosto regional. Baixa e de área considerável, destaca-se no telhado, de telha de canudo, engraçada e altaneira chaminé, de influência alentejana. Vidraças de quatro e seis vidros. Porta de madeira e de postigo saliente e envidraçado. O branco da cal impõe-se e a ocre amarelada faz o contraste nas cercaduras das aberturas e noutras barras.

As ruelas são estreitas e desalinhadas e ainda se pode ver um ou outro forno de cozer pão, alguns em ruína e outros praticamente desactivados, funcionando uma ou outra vez, em dias especiais e isto, enquanto houver quem o saiba fazer e já poucos são.

Igualmente é possível ver palheiros, também quase todos sem utilização. Com portas de madeira que rodam por um original sistema que consiste num buraco feito numa laje de xisto e onde encaixa, pau de azinho ou zambujo de forma curva e que se fixou às três ou quatro tábuas que constituem a porta. É claro que o sistema é utilizado nos dois gonzos. O ferrolho, igualmente rudimentar como não podia deixar de ser, a lingueta encaixa num buraco feito na pedra da ombreira. Eram todos iguais na região e de fabrico local, tendo a sede da freguesia fama de ter bons ferreiros, que aliás existiam em todo o concelho.

De referir igualmente o “boqueirão”, ou “biqueirão”, abertura rectangular feita na parede mais alta, onde o lintel é quase sempre um ou mais paus de madeira rija, com relevo para o zimbro que consideram a mais resistente ou, menos frequente, uma pedra comprida de grauvaque, aqui designado por pedra rija.

O boqueirão é fechado na sua grande maioria das vezes pela colocação harmoniosa de pedras sobrepostas e nas casas de lavradores e nem sempre, por porta de madeira nos mesmos moldes da porta de entrada. Era por esta abertura na parede (boqueirão significa grande boca ou abertura) que se metia anualmente a palha no palheiro indispensável para a manutenção dos animais. A utilização da pedra está relacionada com a sua abundância e o trabalho, visto que não pesa pois trata-se de uma tarefa realizada uma vez no ano.

Depois deste olhar, pronunciada descida leva-nos a uma baixa onde se situa a capela cuja alvura é notória.

A primeira vez que visitámos Clarines, tivemos bastante dificuldade em fazer tal descida, na altura um rudimentar caminho e a capela encontrava-se em completa ruína. Hoje, tudo é diferente. Tudo mais arranjado, mais condições de vida mas ... muito menos gente.


[Vista parcial da povoação. Foto JV, 2009]

Em frente e em posição mais elevada, a restante povoação constituindo um beco mais ou menos alinhado, casas típicas, de paredes de xisto, rebocadas nas frontarias e caiadas, onde junto das portas as malvas e gerânios floridas de cores variadas dão brilho ao local já que são misturados com cactos de troncos de configurações diferentes. Vasos de origens dispares e alguns pendentes das paredes, tornam o local bucólico. De notar ainda uma simples e interessante chaminé.

Não faltam também os ocres, com predominância do amarelado e do azul vivo para realçar as portas e janelas com barras mais ou menos direitas.

A minha atracção por este monte, penso que começou pelo topónimo, enigmático, com uma sonoridade que nos cativou e que verificámos ser único no País, pelo menos não aparece nos dicionários da especialidade que normalmente consultamos.
José Pedro Carvalho (2) admite que Clarines possa ser o plural de clarim.

[Habitação típica. Foto de JV, 2009]

É povoação muito antiga, provavelmente de origem romana ou mesmo anterior. É possível que se tenha desenvolvido a partir de um edifício religioso que se situava nas proximidades de uma capela tardo - medieval / moderna, hoje restaurada, como nos indica a Professora Doutora Helena Catarino.

A presença humana em Clarines e suas redondezas, vem de longe. O período calcolítico está representado no Cerro da Perdigôa, a cerca de 2 km da aldeia, rodeado por pequenos cursos de água, características que no seu conjunto se assemelham às do Cerro do Castelo de Santa Justa.

Os vestígios da Idade do Bronze / Ferro, situam-se na Cerca do Jogo e no Cerro das Curraladas e são representadas por cistas (vasos funerários) e materiais diversos.
Neste último local foram encontradas telhas decoradas e cerâmica comum: bordos, paredes de potes, tampas com bordo em bisel, asas e fundos planos.

O período romano é notado na Cerca das Oliveiras onde se encontraram materiais de construção e recolheram fragmentos de ânforas e de cerâmica comum.

No mesmo local está representada a ocupação muçulmana igualmente por materiais de construção e cerâmicas, destacando-se as não vidradas representadas por panelas, pucarinhos e pucarinhas. As vidradas são de cor melada, decorada a óxido de manganés.

No sítio do Reguengo, topónimo que significa propriedade do rei, foram também encontrados vestígios da presença tanto romana como islâmica.(3)

Foi recolhida uma placa epigráfica de mármore do período visigótico e estão incrustados nas paredes da capela fragmentos de elementos decorativos de calcário, de frisos ou pilastras da mesma época.

[Capela de NªSª da Oliveira ou de Clarines. Foto JV, 2009]

A minha outra atracção por este monte foi a existência da Capela de Nª Sª da Oliveira, ou Nª Sª de Clarines, por aqui se situar.´

Contra o que é habitual, situa-se numa baixa entre os dois pólos da povoação da povoação que se encontram em posição mais elevada.

Sª da Oliveira por, segundo a lenda, ter sido numa destas árvores que apareceu. No tronco da oliveira, junto à qual se erigiu, existia uma concavidade à maneira de nicho, aproveitada pelos crentes que padeciam de dores de cabeça, que lá a introduziam para assim ficarem livres desse padecimento. A fé era tanta que chegavam a levar como relíquia, pedaços do tronco.

Tinha romaria na primeira oitava da Páscoa da Ressurreição. (4)
Nos primeiros dias de 1566 já se diz que é muito antiga. É descrita como “huma soo casa pequena; as paredes são de pedra e barro desguarnecidas, madeirada

d’aguieiros, telhado de telha vãa de duas ágoas (...). O portal he d’alvenaria redondo com suas portas fechadas.

Interiormente, o altar era d’alvenaria cuberto com huns mantens e nelle huma imagem de Nossa Senhora de vulto muito velha. Tem hum çeo de quortinas de pano da terra sobre o altar. (5)

Os priores de Martim Longo achavam-se na posse immemorial de receberem e utilizarem (...) e ofertas pertencentes às ermidas da Senhora da Oliveira do monte de Clarines e de São Bento de Alcaria Queimada. (6)

Por volta dos anos cinquenta dos nossos dias, a capela estava completamente em ruína e a imagem da padroeira recolhida na igreja matriz da freguesia, colocada no altar das Almas, junto de Nª Sª das Neves, onde a admirámos. (7)

Nesta capelinha faziam-se novenas com intenção de que a chuva caísse, proporcionando melhores colheitas.

A ideia do restauro foi sempre uma constante, mas foi-se protelando até que se constituiu localmente uma comissão que, com a colaboração da Câmara Municipal, conseguiu o restauro, o que muito dignifica os clarinenses, procedendo-se a abertura ao culto no dia 6 de Agosto de 1989, após o regresso da imagem de Nª Sª da Oliveira, entretanto restaurada na cidade de Beja.

Em fins da década de sessenta rebolava numa gaveta de secretária da autarquia, uma planta para o restauro da capela que penso se terá perdido e da qual desconheço a origem.


[Imagem de Nª Sª da Oliveira. Foto JV, 2010]
Ainda que só a tenhamos visto exteriormente, parece-nos que o seu restauro procurou manter a traça primitiva e a descrição de 1566 ainda hoje a identifica de certo modo. Sabemos que tem uma pia de água benta, de pedra e muito antiga que está embutida na parede, ao lado direito da entrada.

O portal, de arco de volta inteira e de pedraria, é muito antigo e até existe uma oliveira, na sua frente, já não muito nova, mas sem buraco no tronco !
Como já dissemos, elementos arquitectónicos visigóticos foram reaproveitados nas paredes, (8) quando deviam estar num museu.

A pastorícia e a cerealicultura foram as actividades fundamentais, o que se generaliza a todo o concelho, ainda que as mulheres tenham tido fama e certamente proveito de boas tecedeiras.

Em 1771 encontrava-se manifestado gado no qual avultam ovelhas e cabras embora o número de reses (gado bovino) também seja significativo.

O capitão (de Ordenanças), Rafael da Palma Pereira é o maior manifestante, mas é igualmente importante o manifestado por José Rodrigues, Domingos Afonso e António Rodrigues. (9)

Nos princípios da década de noventa ainda havia cabras e ovelhas e uma tecedeira trabalhava linha de algodão e lã.

[Porta da Capela mantendo a pedraria original. Foto JV, 2010] A florestação deu originou a existência de viveiros de pinheiros e azinheiras.

A nível de ensino sabemos que o vereador da Comissão Administrativa da Câmara Municipal, José Teixeira, em 1934 propôs e foi aprovado, o pedir Superiormente a criação de vários posto de ensino para o concelho, entre os quais um para este monte, comprometendo-se a Câmara a fornecer o material necessário para o seu funcionamento e bem assim tomasse o encargo da casa e iluminação, enquanto funcionasse. (10)

Este pedido deve ter sido aceite e sabemos que nos fins da década de quarenta, Maria dos Santos era a regente do Posto. Nesta altura só os montes mais populosos e importantes aspiravam a possuir um posto escolar onde os seus filhos aprendessem as primeiras letras.

Este posto veio a dar origem na década de sessenta à criação de uma escola perto do monte dos Farelos que recebia as crianças deste monte e as de Clarines.


A posição fronteiriça do concelho dava origem à passagem ilegal de produtos. Em 1876 é preso em Clarines um indivíduo por crime de contrabando. (11)

[Oliveira fronteira à Capela. Foto JV, 2010]
Em 1932 o poço do monte beneficiou de grande reparação, tendo dirigido os trabalhos o lavrador José Gomes Alves. (12)

Hoje a população tem água fornecida por fontanários, dispõe de energia eléctrica e os arruamentos pavimentados em 1989. (13)

No decorrer dos tempos alguns naturais da povoação desempenharam funções de responsabilidade a nível local. Assim, José Pereira Jacinto é o Juiz Eleito da freguesia em 1854/55 e três anos depois faz parte da Junta de Paróquia

Como vem acontecendo em todo o concelho, o monte tem vindo a perder população de uma maneira muito acentuada desde a década de cinquenta.

Sabe-se que em 1839 tinha vinte fogos, sendo nessa altura suplantado a nível de freguesia por Alcaria Alta (43) e Farelos (30).

Em 1976 num recenseamento feito pelos serviços concelhios de saúde, foram-lhe atribuídos 95 habitantes, número só ultrapassado por Farelos (98).

No censo de 1991 já tinha descido para sessenta e cinco, agrupados em vinte e cinco famílias que se alojavam em vinte e nove habitações. Mantinha assim a segunda posição, continuando os Farelos em primeiro com oitenta e sete, por isso a uma distancia muito mais acentuada.

Actualmente e segundo informação de um morador, a população não chegará a duas dezenas. Caminhar-se-á a passos largos para o total despovoamento ? Esperemos que não.

Aqui fica o que foi possível compilar sobre este pequeno monte cuja origem se perde no recuar dos tempos.


NOTAS
(1)-Boletim Informativo , Delegação Regional do Sul,Faro,1989
(2)-Dicionário Onomástico Etimológico , Horizonte/Confluência.
(3)-"O Algarve Oriental Durante a Ocupação Islâmica", Helena Catarino in Al`-Ulyã ,nº6 da Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, 1997/98.
(4)-Dicionário Geográfico , Vol. 17 - 1758.
(5)- Visitações da Ordem de Santiago no Sotavento Algarvio, Hugo Cavaco, Edição da C. M. de Vila Real de Santo António, MCMLXXXVII.
(6)-Da Certidão que passou o Ver. Prior da Igreja de São Sebastião de Boliqueime, termo de Loulé, Francisco José de Barros, 11 de Julho de 1791.
(7)-Informação prestada por D. Catarina Mestre, natural de Giões e que foi professora durante muitos anos no concelho.
(8)- "Vestígios Arqueológicos", Helena Catarino, in Alcoutim - Revista Municipal nº 1, Maio / Junho / 1955.
(9)-Tomo de Manifestoz Arlam toz da Camera doz Gadoz , iniciado em 1771 (?)
(10)-Acta da sessão da C.M.A. de 29 de Novembro de 1934.
(11)-Of. nº 66 de 1 de Agosto de 1876 do Administrador do Concelho de Alcoutim.
(12)-Acta da sessão da C.M.A. de 12 de Maio de 1932.
(13)-Boletim Municipal nº 4, de Abril de 1989.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Aspectos demográficos da Freguesia de Vaqueiros em 1871

>[Igreja Matriz de Vaqueiros. Foto JV, 2010]

Desta vez o alvo da nossa curiosidade e pesquisa foi a freguesia de Vaqueiros, a freguesia desde sempre mais abandonada dentro do abandonado concelho de Alcoutim.

Escolhemos o ano de 1871 como fizemos em relação à freguesia do Pereiro. Pesquisámos nascimentos e óbitos e obviamente tirámos algumas conclusões.

Tiveram lugar 47 nascimentos atendendo aos baptizados realizados e em contrapartida verificaram-se 37 óbitos, pelo que o saldo é positivo, 10, superior ao verificado no mesmo período na freguesia de Pereiro.

Em relação aos nascimentos dos 47 verificados, 28 foram do sexo masculino e 19 do feminino, estando os Homens em vantagem.

Tomando em consideração os óbitos, verifica-se que faleceram 23 do sexo masculino e 14 do feminino.

A nível de média de idade e não considerando crianças até aos sete anos, a média de falecimento dos homens foi de 51 anos enquanto das mulheres se pautou por 47.

A nível de progenitores, lavradores e trabalhadores ocupam a grande fatia, enquanto as mulheres se ocupam principalmente no governo de sua casa.

Para nós foi significativo que das mulheres que deram à luz, (21%) eram tecedeiras, além de existirem 3 madrinhas com a mesma profissão.

Naturalmente que nas mulheres já com idade não adequada para procriar deviam de existir muitíssimas mais, o que nos leva a concluir que há 140 anos tecer na freguesia de Vaqueiros era uma actividade ocupacional. Penso que hoje pouco ou nada deve restar, a não ser algum tear que tem escapado ao “fogo” lá numa arrecadação onde pouco se vai e ainda faz lembrar a avó.

Apesar de em número mais reduzido, encontrámos maiorais, moleiros, ferreiros, sapateiros e alfaiates, isto entre lavradores e jornaleiros.

Quando as pessoas devido às avançadas idades ou às circunstâncias da vida não se podiam bastar, refere-se no termo que viviam “do amor de Deus”..

Apresentamos seguidamente um quadro explicativo das origens de nascimentos e óbitos:



Logicamente verifica-se que o maior movimento se dá na sede de freguesia, seguido de Alcaria Queimada, Pão Duro, Zambujal e Alcarias, já na altura dos mais importantes montes da freguesia.

[Actual cemitério da freguesia de Vaqueiros]

Verificamos que não aparecem representados entre outros os montes de Bentos, Casas, Balurquinho, Jardos e Pomar.

Em contrapartida nota-se que montes como o Galego, Ferrarias, Mesquita, Montinho e Monte Novo, hoje desabitados, apresentavam movimento.

Podemos nesta pesquisa confirmar que a Casa do Galego, como tínhamos encontrado numa acta da Câmara Municipal de Alcoutim, é nesta altura ainda assim designada, o que nos ajuda a compreender melhor o topónimo.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Quem conhece este bebé?



A Câmara Escura de hoje é muito especial!

Apresentamos a foto de um bebé em pé numa cadeira com um cenário próprio e que representa uma época.

Veste um vistoso “macaco”, peúguinha branca e sapato de atacar completam a indumentária.

Trata-se, segundo creio, de uma foto "à lá minuta" de finais da década de 40 princípios da seguinte do século passado.

Rechonchudo, apresenta farta cabeleira lisa com risco ao lado que se usava na época, mas para nós, o que mais nos impressiona é o seu olhar fixo, penetrante e atento, do tipo de não lhe passar nada.

Pensamos que temos plena razão na observação que fazemos e os leitores que lerem este “post” vão ma dar.

Este menino é alcoutenejo de gema que muito ama a sua terra e chama-se Amílcar Felício, sim, aquele que nos dá”montes” de prazer ao lermos os textos que aqui publica cheios de ironia, graça e realismo, presenteando-nos com quadros de UM ALCOUTIM JÁ DISTANTE que a sua prosa e até poesia consegue como poucos passar ao papel.

Digam lá se aquele olhar não está observando tudo com minúcia! A prova está na escrita que nos oferece.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A erva-luísa



É o nome mais vulgar e conhecido em todo o concelho de Alcoutim. Dão-lhe, conforme as zonas outros nomes como: lúcia-lima, limonete, bela- luísa, doce-lima, erva-heloísa e outros.

É planta originária da América do Sul tendo sido introduzida na Europa no século XVII pelos portugueses e espanhóis.

É um arbusto perene que exala forte aroma alimonado, gosta da exposição ao sol e sofre com o frio. Folhas lanceoladas de cor verde-pálido, flor branda que aparece em Agosto ou Setembro conforme o lugar em que está exposta.

Espalha-se por todo o sul da Europa e tem em Marrocos o seu principal produtor.

Ainda que seja usada na culinária, na doçaria e na perfumaria, não é isso que acontece em Alcoutim onde é só utilizada como chá.

O chá de erva-luísa é tomado principalmente pelas suas propriedades digestivas e atenua o desenvolvimento de gases intestinais.

Tem propriedades relaxantes, combate o nervosismo e as insónias.

Mais propriedades lhe são atribuídas, sendo considerada por muitos como miraculosa.

Esta planta é extremamente vulgar em todo o concelho de Alcoutim e estamos convencidos que existirá pelo menos uma em cada “monte” que abastecia toda a população, pois à mais pequena enxaqueca tomava-se logo um chá de erva-luísa .

Ainda que como regra os chás devam ser feitos com as folhas secas à sombra, quando as plantas têm folhas os alcoutenejos preferem utilizá-las assim.

Durante muitos anos as mezinhas caseiras eram o único recurso que os alcoutenejos possuíam para debelar os seus males de saúde e daí este chá ainda resistir tal como mais alguns que possivelmente viremos a referir neste espaço.

Pela nossa parte possuímos o nosso arbusto de erva-luísa e cá em casa não faltam as folhas secas.

sábado, 11 de junho de 2011

Em que ficamos, é Corte Serranos ou Corte Serrano?

[Vista parcial. Foto JV, 2010]

Sempre conheci no concelho de Alcoutim estes problemas de toponímia que não são tão poucos como isso e que se vêm arrastando ao longo dos anos.

Só muito recentemente a entidade competente resolveu o caso de Martim Longo, ainda que se continue a assistir à grafia errada por parte de muitas entidades oficiais e algumas de responsabilidade pedagógica.

Para mim é-me completamente indiferente escrever de uma maneira ou de outra ainda que naturalmente tenha a minha opinião.

Na página da Câmara Municipal de Alcoutim a povoação está indicada como Corte Serranos, enquanto as placas toponímicas têm Corte Serrano.

Navegando na Internet encontro as duas grafias para a mesma povoação. O Código Postal tem Corte Serrano – 8970-206 – Martim Longo e a associação local é designada por Centro Cultural e Recreativo de Corte Serrano e os fundadores tiveram o direito de lhe pôr o nome que entenderam.

[Placa toponímica identificativa do "monte". Foto JV, 2010]

Visitando o “monte” aqui há uns anos e pondo o assunto a alguns moradores, todos me disseram que era Corte Serrano e não Corte Serranos.

Nas Memórias Paroquiais (1758) o pároco de Martim Longo que respondeu ao questionário escreveu Corte Serranos.

O problema estará em saber se foi um ou mais povoadores que teriam dado origem ao núcleo populacional.

O monte, que foi importante na freguesia de Martim Longo a que pertence e dista 11 km, estende-se ao longo da Estrada nº 124 e espalha-se por zonas limítrofes.

É a última povoação do concelho por este lado, visto pouco depois se entrar na freguesia de Cachopo, concelho de Tavira.

Recuando no tempo sei que no arrolamento de gados de 1771, Manuel Gonçalves faz o seu manifesto constituído só por gado vacum.

[Povoação ao longo da estrada. Foto JV, 2010]

Em 1890 (1) um morador deste “monte” solicita à Câmara um subsídio para criar duas filhas gémeas que nasceram em 17 de Outubro de 1889.

A Comissão Administrativa da Câmara Municipal, na altura presidida pelo Dr. João Francisco Dias, pede em 1937 a criação de um posto escolar para aqui funcionar e que veio a ficar instalado em casas de Manuel Francisco. (2)

Anos depois, penso que em finais da década de 60, é construído um edifício escolar que veio a encerrar em 1990 por falta de alunos. (3) Esta escola recebia as crianças dos montes circunvizinhos, como da Arrizada e do Barroso.

[Casa florida. Foto de JV, 2010]

O edifício escolar foi adaptado passando a constituir a sede do Centro Cultural e Recreativo de Corte Serrano. Ficou composto por um salão polivalente, zona de bar com cozinha e casa de banho.(4) Na zona envolvente foi criado um recinto desportivo com balneários e zona verde. O investimento montou a 100.628 €

Existe uma associação de Caçadores designada de “Moinho”.

Desconheço se ainda se mantêm uma serralharia e uma carpintaria. (5)

Os arruamentos foram pavimentados em 1991. (6) Nove anos depois são reparados a betão. (7)

Em 2005 é levada a água aos domicílios, (8) ainda que não exista saneamento básico.

A Corte Serranos, que em 1911 possuía 169 habitantes, sofreu um decréscimo populacional de 64,5% em relação ao censo de 1991 em que tinha sessenta, ocupando o 7º lugar na freguesia a nível de população e de “montes”, quando em 1911 era o segundo mais populoso só suplantado por Sta. Justa.

[O Montinho, já sem habitantes. Foto JV, 2010]

No censo de 2001 o número de habitantes cifrava-se em 44 (18-H e 26-M) pelo que presentemente deve rondar as duas dezenas.

O Montinho já se encontra desabitado mas a Soalheira ainda tem gente.

Fica a cerca de 40 km da sede do concelho.

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Notas:
(1) - Acta da Sessão da C.M.A. de 20 de Janeiro.
(2) - “ Um Século de Ensino Escolar no Concelho de Alcoutim - (1840/1940)”, José Varzeano em Jornal do Algarve de 4, 11 e 18 de Abril de 1991.
(3) – Boletim Municipal nº 7 de Abril de 1990, p 2.
(4) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 9 de Dezembro/ 2002, p. 6.
(5) - O Nordeste Esquecido - Caracterização da Freguesia de Martinlongo - 2º Ciclo Nocturno - Martinlongo, Ano Lectivo de 1989/90 - Setembro de 1994.
(6) -Boletim Municipal nº 8 de Abril de 1991
(7) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 7 de Março de 2000, p.11
(8) – Alcoutim, Revista Municipal nº 13 de Dezembro de 2006, p. 13