quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Os Guerreio da Comarca de Ourique



O livro que hoje apresentamos constitui um valioso trabalho de genealogia que tem por base, como o título indica “Os Guerreiro da Comarca de Ourique".

A edição é de Setembro de 2011, por isso, recentíssima.

De capa com encadernação cartonada e no formato de 18X27 cm tem novecentas e vinte páginas de bom papel. Ilustrações a preto e branco e a cores no que diz respeito aos brasões.

É seu autor Luís Soveral Varella e tem a chancela de PATRIMÓNIO & HISTÓRIA.

A edição é limitada a 500 exemplares.

Trabalho de folgo e minucioso comporta além do índice geral um de Imagens e outro Onomástico que constituem preciosos auxiliares nessas áreas.

Trabalho essencialmente de consulta, a sua leitura prende-nos a atenção.

Este livro é de particular interesse para Alcoutim pois tem referências à vila, Martim Longo, Vaqueiros, Giões e aos montes de Madeiras (indicado como monte dos Madeiras), Castelhanos, Tremelgo, Penteadeiros (o mesmo que monte das Pereiras), Lutão, Laborato, Monte Argil, Santa Justa, Monte dos Gagos, Barrada, Ravelada e Marim, estes de que dei conta.

Há dezenas de alcoutenejos referidos no trabalho, alguns dos quais tínhamos conhecimento da sua existência e até de lugares desempenhados mas, eram factos isolados e que agora em determinadas situações vimos esclarecidos.

São igualmente indicados descendentes actuais destes Guerreiro no concelho de Alcoutim.

Cedemos com muito gosto três fotografias da Casa do Capitão-mor (Diogo Mestre Guerreiro) que foram publicadas na página 623.

O trabalho pode ser adquirido através da editora.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Crónicas e Ficções Soltas - Alcoutim - Recordações XIV




Escreve

Daniel Teixeira



OS ANIMAIS

Animais, em Alcaria Alta, por aquilo que fui entendendo, e talvez não fosse e não seria mesmo em termos lógicos diferente noutros sítios serrenhos, eram, os animais, medidos pelo seu grau de utilidade. O conceito de animal de estimação era dividido entre a ideia da utilidade do animal acrescentado pelos relatos das suas proezas ou manifestações da sua esperteza.

Por exemplo, a minha avó tinha cerca de uma dezena de gatos e por isso não havia ratos, nem lagartixas entradas pelas pedras e poiais, nem osgas esgueiradas pelas inúmeras frestas das casas, frestas estas que inventariaria começando logo em cima das nossas cabeças, na cobertura interior (hoje chama-se de forro), feita de canas atadas entre si, o chamado caniço.

Os gatos estavam na sua grande parte apenas presentes às horas das refeições roçando-se pelas nossas pernas e miavam e como eles miavam, era uma verdadeira des – sinfonia. Eram corridos mas voltavam logo: era praticamente impossível controlar todo aquele «rebanho». No inverno eram verdadeiros gatos borralheiros aquecendo-se perto das brasas e das cinzas. A maior parte das vezes íamos encontrá-los nas redondezas da casa, muitas vezes mesmo de barriga ao sol outras de mira paciente em algo que andasse por ali e lhes fornecesse algumas proteínas.

A minha avó gostava muito de uma gata, contudo, e contava dela uma proeza que deve conter alguma coisa de fábula evidente, mas vindo da minha avó, uma mulher rija e de poucos carinhos acaba por valer ainda mais: uma noite cansada de a ouvir miar (alguns tinham direito a dormir aos pés da cama) tinha-lhe jogado um sapato e gritado que «se tinha fome que fosse caçar». Deixou-se dormir e depois acordou com ruídos estranhos vindos do buraco na parede por onde os gatos entravam e saíam daquele quarto directamente para a rua. Levantou-se e foi dar com a gata arrastando uma lebre «tinha ido mesmo caçar, como ela lhe dissera!».

De acrescentar que por experiência própria sei que acontece por vezes encontrarem-se lebres que por uma razão ou outra não correm, deixando-se antes ficar escondidas atrás de ervas ou ramagens. Com os meus amigos «tínhamos» um cão pequenito que era especialista no farejo e que levantava a caça para os galgos que mais que uma vez abocanhou coelhos e lebres nestas situações e nem de outra forma poderia ser porque em corrida não dava para meia gaitada.

De quando em vez uma destas gatos apanhava a porta aberta ou o postigo e saltava para cima da mesa que normalmente apenas tinha miolos de pão e outras vezes um bocado de queijo ou de courato do presunto esquecido sobre o tampo. Não se comia propriamente na gaveta mas era de rápido regresso à gaveta aquilo que compunha um pequeno almoço (lá chamado de almoço) ou de um lanche (lá chamado de jantar).A refeição mais forte era a ceia, à hora do nosso jantar citadino. A comida para animais não era abundante porque não eram também abundantes os restos.

Ora um dia fui à pesca, à lapa, como lhe chamávamos, com o meu primo José Francisco. Tratava-se de meter as mãos nos buracos nas paredes à volta dos pegos e entre as pedras do fundo (as lapas) e apanhar à mão o que conseguíssemos. Normalmente apanhava-se bastante peixe nestas condições mas havia um senão que eram as cobras. Cobras de água não fazem qualquer mal mas eu sempre tive as minhas reticências e o tradicional nojo destes animais.

[Um pego da região. Foto JV, 2010]

Dias antes tinha também andado numa pescaria dessas com os meus amigos na ribeira e acabámos por apanhar uma gorda eiró que a mim pouco me parecia ter de eiró. Foi uma sensação de suspeita devido à grossura do bicho: as eirós que conhecia eram para o magrinho, esguias, escorregadias como tudo. Ora aquela estava isolada numa poça de água que acabámos por vazar à força de balde e era extraordinariamente grossa. Nunca pensei a 100% que fosse uma cobra mas também não fiquei convencido a 100% de que era um eiró pelo que me abstive no repasto optando sadiamente a meu ver por uma lata de conserva.
Eles bem me diziam que se fosse cobra não comiam, isso era evidente para eles, mas os conhecimentos deles e meus sobre a fauna aquática remavam para os dois sentidos: podia não ser cobra e podia ser cobra e eles não saberem exactamente. Fizeram a assada na maior e eu de latinha de conserva à frente. No mesmo dia foi nascendo em mim a convicção de que pesca à lapa não era definitivamente para mim...eu sempre pesquei é linha na minha cidade nos pontões e cais porque razão iria andar por ali a mexer em cobras ainda por cima para apanhar um peixe de que não gostava nada por causa da profusão de espinhas?

Na verdade e para quem não sabe o peixe de rio (muge) tem uma consistência espinal elevada por centímetro quadrado: é um frete comer aquele peixe. Ora a pescaria com o meu primo foi logo combinada por ele para um dia ou dois depois de eu ter visto eles comerem a eiró /cobra e não era uso baldarmo-nos a convites destes especialmente vindos do meu primo e sapateiro gratuito.

Para além disso a mulher dele, minha tia/prima, era uma jóia de pessoa sempre. Ainda vive e eu pouco lhe tenho falado ultimamente o que lamento sinceramente. Esteve doente em minha casa enquanto fazia tratamentos no Hospital de Faro a um problema hormonal mas não era de encostos e trabalhava em nossa casa tudo aquilo que havia a fazer. Quando a minha mãe se ausentava era a ela que recorríamos. Por várias razões o meu primo, que era natural do Zambujal, não tinha entrado bem na família alargada. Era respeitado sim mas relativamente pouco aceite.

Eu achava estranho essa falta de integração mas tenho a impressão que o sentido de humor dele não se ajustava muito à seriedade local acabando algumas vezes as fábulas dele por serem levadas a sério tal a convicção que metia nos relatos. Bem, isto para dizer que estava fora de causa uma recusa à pescaria. Pelo caminho pelo sim pelo não fui-lhe contando os eventos que tinha vivido dois dias antes, para já à beira do pego, lhe dizer que se a primeira coisa a entrar-me na mão fosse cobra parava logo ali a minha função. E foi isso que aconteceu...saiu cobra.

Sentei-me numa pedra enquanto assistia a uma afanosa pescaria porque o pego era farto. No dia a seguir e conforme combinado fui um pouco a contragosto para comer o peixe que ele tinha apanhado e fui então no local informado que peixe não havia, que um gato tinha conseguido chegar ao cesto elevado por corda atada a um barrote do tecto e tinha comido tudo. Nem foi preciso olhar bem para o olhar encolhido da minha tia para perceber tudo.

O homem dispunha sempre... e no fundo tinha toda a razão...mas podia sempre ter-me mandado recado sobre o «afoito gato» poupando-me a deslocação.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Talher - Garfos

Iremos referir hoje neste espaço de etnografia o utensílio de mesa que acaba por ser uma espécie de pequenino forcado, de uma maneira geral, com quatro dentes e um cabo que se usa para segurar no prato o que se corta e para levar à boca alimentos sólidos.

Apresentamos oito exemplares da nossa pequena colecção. Os três primeiros, que nos ofereceram em Alcoutim, são os mais antigos que conhecemos e que ainda vimos em uso nalgumas casas, pois havia elementos do agregado familiar que os não trocavam a qualquer outro, pois consideravam-no muito mais eficiente na sua acção.

Eram de ferro e não havia dois iguais, visto tratar-se de um trabalho totalmente artesanal.

Pensamos que os ferreiros espalhados pelo concelho os fariam, já que também eram eles que faziam os próprios pregos e tudo o que fosse necessário para a vida de então.

Os dois seguintes são de alumínio. Enquanto o primeiro é de uso comum, o segundo tem a missão de transportar peças ou quantidades maiores nomeadamente para travessas, pratos ou pelanganas.

Tanto no primeiro caso como neste, os cabos são da mesma substância, notando-se nos de alumínio uma tentativa de embelezamento dos mesmos.

Eram muito mais leves, mais higiénicos, menos trabalhosos na sua limpeza, mas menos eficientes no trabalho e partindo-se com facilidade.

Os três últimos já são da conhecida cutelaria de Guimarães, sendo os dentes em ferro, já de fabrico em série. Os cabos de madeira ou corno, notando-se assim uma evolução muito acentuada. Reparar que as três peças têm formatos diferentes. Têm uma maior elegância e eram acompanhados das respectivas facas de decoração semelhante e onde já era gravado a origem do fabrico.

Do talher que hoje usamos com naturalidade, colher, faca e garfo, este foi o último a aparecer, dado que na Idade Média o garfo era substituído pelos dedos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Estórias do Surf - "LEFT CITY"





Escreve


José Miguel Nunes


[O autor surfando em 1989]

Estaríamos nos finais dos anos oitenta, pois eu já fazia surf há pelo menos quatro ou cinco anos. O surf nesse dia era na Marques Neves, uma onda muito boa quando as condições de vento e“swell” se conjugam na perfeição.

O surf estava muito bom, com direitas compridas a atravessar toda a baia de pedra, vento “off-shore” fraquinho, o que fazia com que as ondas se apresentassem “glass”. Já não me lembro quem estava na água, seríamos aí uma dezena, entre eles estava o meu amigo Leopoldo, “shaper” local que me fez muitas e boas pranchas.

Numa altura em que os dois fizemos uma onda um a seguir ao outro, acabámos por nos encontrar no “inside” bem lá ao fundo até onde as ondas nos levavam, quando ele me desafia a ir apanhar umas na esquerda lá mais em baixo, a que chamamos de “Left City”, onde não estava ninguém. Fiquei um bocado indeciso, pois nunca tinha surfado lá, e naquele dia as ondas rondavam o metro e meio de altura, com a maré vazia, não me estava a sentir muito confortável, mas ele insistiu e lá fomos nós…

Left City é uma onda tubular, para a esquerda, faz lembrar os Supertubos, mas a rebentar em cima de um fundo de pedra raso. Mal chegámos ao pico, o Leo apanhou logo uma onda, e fez o respectivo tubo, volta para o pico e eu ainda não me tinha estreado. Elas passavam por mim, e eu nada, os “drops” estavam atrasados, com a água cristalina, via-se o fundo todo bem pertinho… de pedra.

Novo “set” entra e o Leo arranca novamente, outro tubo. Volta para o pico, e eu continuava em branco, a coisa não estava a correr bem. Diz-me ele: “atão” Zé, tão altas ondas…”, fiquei um pouco embaraçado, estavam altas ondas, só nós dois, e eu nada… Entra novo “set”, começámos a remar, e o Leo não parava de dizer: vai nessa, vai nessa, alta onda… não tinha outro remédio, tinha de ir… logo se via no que dava… arranquei bem posicionado, “drop” atrasado, bottom, e mete lá para dentro, tubo até ao fim, alta onda, vim a remar para o pico aos gritos: alta onda, alta onda…

Ganhei confiança, a partir daí não houve “set” em que não arrancasse numa, eu e ele claro. Foi um dia de surf inesquecível com muitos tubos, talvez um dos melhores dias de surf que tive.

Surfei mais algumas vezes, não muitas, em Left City, mas nunca mais lá apanhei ondas assim, esta surfada inesquecível devo a ao meu amigo Leopoldo… thanks Leo.

domingo, 16 de outubro de 2011

Alcaria, pequeno e antigo lugar da freguesia de Vaqueiros

[Aspecto do interior do "monte". Foto JV, 2011]

É um dos pequenos montes que faz parte desta freguesia, revelando o seu topónimo antiguidade, do período árabe. Apesar disso, não aparece especificado nas Memórias Paroquiais (1758). Admito que na altura tivesse outro nome ou que fosse englobado nas Alcarias e por ficar mais afastado passasse a ser designado por Alcaria.

O documento encontra-se repassado de tinta pelo que a leitura se torna difícil. Além de aparecer um monte designado de Corte, aparece outro que não consigo fazer a sua leitura.

O acesso à pequena povoação é feito hoje por estradas asfaltadas. O Barranco fica-lhe a 800 metros e as Casas a 1200. As Alcarias distam 1700 metros e o Cerro 2, 5 km ainda que por caminho de terra batida seja muito perto.

[Casas junto à estrada. Foto JV, 2011]

A sede de freguesia, Vaqueiros, está a 12 km e a do concelho, Alcoutim, a 42 e isto sem passar pela aldeia de Vaqueiros. Curiosamente a cidade de Vila Real de Santo António fica-lhe a 38 km, por isso, mais próximo.

[Antigo poço e lavadouro público. Foto JV, 2011]

O topónimo provém do árabe al qariâ, “ que significa pequena povoação, aldeia. (1)

A energia eléctrica chegou no dia 4 de Dezembro de 1985 (2) ao mesmo tempo dos seus vizinhos do Barranco, Casas e Cerro.

Os arruamentos foram pavimentados, tal como no Barranco, Cerro, Preguiça e Cabaços em 1993 (3).

[Caixas do correio, placard e caixotes de recolha de lixo. Foto JV, 2011]

O pequeno painel de caixas do correio foi colocado em 1996. (4)

Possui placard informativo e recolha de lixo.

Em 2002 já a água tinha sido levada ao domicílio. (5)

Existe um edifício relativamente recente à beira da estrada e um pouco mais abaixo, um poço com bomba elevatória com lavadouro anexo.

Os restantes fogos, que não chegam aos dedos de uma mão, ficam no outro lado da estrada numa pequena elevação com boa vista.

Conta actualmente, Agosto de 2011, com 4 habitantes.
___________________

NOTAS
(1) - Vocabulário Português de Origem Árabe, José Pedro Machado, 1991
(2) – Jornal do Algarve de 5 de Dezembro de 1985.
(3) - Boletim Municipal nº 12 de Abril/1993
(4) – Alcoutim, Revista Municipal nº 4 de Dezembro de 1996, p 12
(5) – Alcoutim, Revista Municipal nº 9 de Dezembro de 2002, p 7

sábado, 15 de outubro de 2011

Poejo


É outra das plantas herbáceas aromáticas que o alcoutenejo usa como condimento na alimentação e igualmente como mezinha caseira para determinadas situações.

É conhecida em todo o Mediterrâneo e Ásia Ocidental com usos muito variados principalmente pelas suas propriedades medicinais.

Da família das labiadas (Mentha pulegium – Lineu) cresce espontaneamente nos lugares húmidos e inundados do sul de Portugal ou junto de pequenos cursos fluviais onde pode ser encontrada entre outros tipos de plantas.

De folhas verdes lanceoladas, levemente serrilhadas, caules erectos, quadrangulares com muitas ramificações dispostas opostamente. Flor roxa.

O poejo é muito utilizado na culinária alentejana, na confecção de variadíssimos pratos, tirando partido do agradável gosto que esta planta proporciona.

O alcoutenejo utiliza-o sobretudo na confecção de açordas (macerado) substituindo muitas vezes os coentros ainda que apareça também noutros pratos e saladas.

A nível medicinal foi sempre e é muito utilizado contra as constipações e como expectorante. Ultimamente conheci alcoutenejos que o utilizavam em chá para controlar o colesterol.

Noutras zonas é tomado como calmante, contra as insónias, bronquite, asma, dores reumáticas, acidez do estômago, enjoo e contra a formação de gases intestinais.

O termo pulegium deriva da palavra latina pulex (pulga) e deve-se ao antigo costume de queimar poejo no interior das casas para repelir estes insectos.

Alivia a dor quando aplicado sobre a picada de insectos.

No Sul do país utilizam-no para a preparação, depois de seco, de um apreciável licor com cor esverdeada.

O apresentado na foto foi feito no concelho de Alcoutim com poejos lá criados e a aguardente é ribatejana.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

APROFIP - Associação de Produtores de Figo da Índia de Portugal

Pequena nota
Recebemos desta Associação o seguinte texto que publicamos com muito gosto e vontade de divulgar uma associação” sui generis”. Pela nossa parte nunca conhecemos outra do tipo no concelho e dar a conheça-la, como já temos feito, aos visitantes / leitores do Alcoutim Livre, constitui um dever.

O ALCOUTIM LIVRE está desde a primeira hora aberto a todos os pedidos que tenham por fim melhorar o concelho e a todos aqueles que desejem expressar a sua opinião por mais diferente que seja da nossa, desde que estejam plenamente identificados e não sejam ofensivos ou caluniadores de quem quer que seja.

JV



Caro Sr. José Varzeano,
Com os melhores cumprimentos.

Venho solicitar que, se possível, seja publicada no blog Alcoutim Livre, a divulgação de Pré-Registo para sócios fundadores da APROFIP – Associação de Produtores de Figo-da-India de Portugal.

A meu pedido e já por mais de uma vez, teve a amabilidade de publicar artigos e informações relacionadas com assuntos de interesse para o concelho de Alcoutim e cujos objectivos se norteiam sempre por contribuir com humildade para o desenvolvimento económico da região e suas comunidades.

É com esse espírito, que ouso pedir-lhe de novo a divulgação desta campanha para a angariação de aderentes à APROFIP a qual pretende, num futuro próximo, apresentar um dossier às entidades competentes, fazendo-as acreditar, com sustentada fundamentação que, a plantação ordenada da Figueira-da-Índia e explorada industrialmente, tem potencialidades para constituir um factor de desenvolvimento no concelho de Alcoutim e noutras partes do território Nacional.

A razão deste meu pedido de divulgação tem como principal objectivo, sensibilizar as populações do concelho de Alcoutim e outros concelhos da região, onde o Figo-da-India encontra aptidões excepcionais para o seu desenvolvimento.

O pré-registo para sócio fundador desta Associação termina logo que atinja a inscrição nº 300 (neste momento e decorridas apenas 3 semanas, já contamos com largas dezenas de inscritos) e todos os sócios fundadores beneficiarão do pagamento de uma jóia de menor valor, em relação aos inscritos posteriormente os quais não irão ter o estatuto de sócios fundadores da APROFIP.

Importa referir que nesta fase de pré-registo não haverá lugar a qualquer pagamento, este registo servirá apenas para a atribuição de nº de associado e poderão sempre desistir se, quando for apresentado o programa de acção da APROFIP, não se reverem nos objectivos propostos. Pessoalmente tenho a certeza que isso não irá acontecer, porque os benefícios para os associados serão esmagadoramente superiores a qualquer jóia.

Qualquer informação que julguem necessárias e a ficha de inscrição devem ser solicitadas pelo e-mail:

nunes_mario@sapo.pt

Com as melhores saudações APROFIP

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os netos dos 1ºs Condes de Alcoutim

(PUBLICADO NO JORNAL DO BAIXO GUADIANA Nº 75 DE MAIO DE 2005)

À Antónia Maria
pelo interesse manifestado


A criação do condado de Alcoutim teve origem numa carta de D. Manuel I datada de 15 de Novembro de 1496, segundo Anselmo Braamcamp Freire, Vol. III de Brasões da Sala de Sintra.
A outorga do título nobiliário teve por base o casamento de D. Fernando de Meneses, filho do 1º Marquês de Vila Real, com D. Maria Freire de Andrade, filha de João Freire de Andrade, Senhor de Alcoutim.

Depois da curiosidade de “conhecer” os pais, passámos aos filhos (1) e agora aos netos.

Nas procuras que efectuámos obtivemos alguns dados com os quais organizámos este pequeno escrito, ficando aquém do que desejávamos.

Dos filhos que o casal gerou, D. Leonor de Noronha não casou e do casamento de D. Nuno Álvares de Noronha, sepultado em Ceuta de que foi governador, com D. Maria de Noronha (Vila Nova), não houve geração.

Do filho primogénito, D. Pedro de Meneses, nascido em Ceuta ou em Santarém, segundo outros e que foi o 2º Conde e proveniente do casamento com D. Brites (ou Beatriz) de Lara, nasceram quatro filhos, sendo dois varões. Ambos vieram a ser Condes de Alcoutim, D. Miguel de Meneses, o 3º, que sucedeu a seu pai e D. Manuel, seu irmão que lhe sucedeu por falta de filhos provenientes da sua união com D. Filipa de Lencastre.

D. Juliana de Lara veio a casar com D. João de Lencastre, 1º Duque de Aveiro. Este D. João de Lencastre esteve preso por se ter oposto ao casamento do Infante D. Fernando, filho de D. Manuel I, com D. Guiomar Coutinho, pois afirmava que há muito a desposara clandestinamente.


O casamento com D. Juliana, realizado em 1547, foi proposto por D. Manuel I e dele nasceu o 2º Duque, D. Jorge de Lencastre que morreu com D. Sebastião na batalha de Alcácer Quibir.
A outra filha de D. Pedro de Meneses, foi D. Bárbara de Lara que casou por volta de 1555 com D. António de Ataíde, 2º Conde da Castanheira que foi Senhor de Castanheira, Povos e Cheleiros e alcaide - mor de Colares. D. Bárbara, é segundo casamento do Conde, tendo o Conde de Alcoutim, D. Miguel de Meneses vendido a D. António de Ataíde certos bens que constituíram o dote de sua irmã.

De D. João de Noronha, que não casou, proveio D. Antão de Noronha que veio a ser grande guerreiro e navegador, governador de Ormuz e 9º Vice-Rei da Índia (1564-1568). No seu governo, a cidade de Damão sofreu grande ataque que foi repelido com heroicidade e no seu tempo foi tomada Mangalor, tendo-se procedido à sua reconstrução.

Regressando ao reino em 1569, morre na costa de Moçambique.

Tinha casado com D. Inês de Castro (Feira) e de que não houve filhos.

O outro filho de D. João de Noronha, foi André de Noronha que foi prelado. Estudou em Coimbra e doutorou-se em Cânones. Reitor da Universidade de Coimbra, era deão da capela do príncipe D. João, filho de D. João III. É nomeado por Paulo IV, bispo de Portalegre em 1560, funções que exerce até 1581, ano em que Filipe II de Espanha o apresenta em Placência onde vem a morrer em 1586 mas trasladado por disposição testamentária para a Igreja de Sto. António, na cidade de Portalegre onde tinha fundado o convento de S. Francisco.

Do casamento de D. Afonso de Noronha, 5º Vice-Rei da Índia, com D. Maria de Eça, nasceram cinco filhos, a saber:

D. Fernando de Noronha que casou duas vezes, a primeira com Maria de Vilhena e a segunda com Antónia de Mendonça Coutinho, não havendo filhos de qualquer dos consórcios.

Depois de ter servido em África com seu pai, acompanhou-o à Índia. Em 1551 recebeu o comando da esquadra do Estreito, com a qual derrotou o almirante turco Ali Schebuly.
Voltou a África como governador de Ceuta, por apresentação de seu primo, o Marquês de Vila Real. Por vezes é designado por D. Fernando de Meneses.

O segundo filho foi D. Miguel de Noronha que casou com D. Joana de Vilhena.

Esteve com D. Sebastião, de cujo Conselho de Estado fazia parte, na batalha de Alcácer Quibir, comandando um terço, constituído por camponeses que foi destroçado pela artilharia do inimigo, acabando por ficar prisioneiro. Com mais quatro fidalgos é nomeado para ir a Lisboa reunir a elevada quantia do resgate colectivo de oitenta portugueses de linhagem, cativos naquela batalha.

[Casa em Alcoutim que a tradição aponta como tendo sido Condal. Foto JV]

Depois do resgate foi capitão-governador de Ceuta e aposentador-mor de Filipe I.

O terceiro filho foi D. João de Eça que seguiu a vida religiosa, tendo sido cónego em Ceuta. Sempre Ceuta na vida dos Condes de Alcoutim!

D. Jorge de Noronha, que casou com D. Isabel de Mendonça, penso que foi um dos fidalgos que aceitou o suborno de Filipe II de Espanha, tal com seu primo, D. Manuel de Meneses, 5º Marquês de Vila Real e 4º Conde de Alcoutim. Também não tiveram geração.

O último filho do 5º Vice-Rei da Índia foi D. Catarina de Eça que deve ter nascido por volta de 1550, tendo falecido jovem, em Évora, mas já casada com D. Rodrigo de Melo que foi Conde de Tentugal e 2º Marquês de Ferreira. Deste casamento nasceu D. Francisco de Melo que morreu de tenra idade.

O último neto dos primeiros condes de Alcoutim foi Gaspar Velho, filho de D. Maria de Meneses, filha que só agora “encontrámos” e de Álvaro Velho, vindo a casar com Maria Rodrigues de Bermonda.

Eis o que nos foi possível reunir sobre os doze netos de D. Fernando de Meneses e de D. Maria Freire de Andrade, primeiros condes de Alcoutim.

________________________________________________________

(1) Foram publicados no Jornal Escrito da AJEA (Associação de Jornalistas e Escritores do Algarve), nºs 64,65 e 66, de Junho, Julho e Agosto de 2004, os seguintes artigos, pela ordem indicada:
Figuras Alcoutenejas – João Freire de Andrade (Senhor de Alcoutim); Figuras Alcoutenejas – D. Maria Freire de Andrade, 1ª Condessa de Alcoutim e Os Filhos NORONHA da 1ª Condessa de Alcoutim.



BIBLIOGRAFIA

Brasões da Sala de Sintra, Anselmo Braamcamp Freire, 2ª Edição, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa
Dicionário Ilustrado da História de Portugal, Publicações Alfa, 1982
História de Portugal, dirigida por José Hermano Saraiva, 2º Vol. Publicações Alfa, 1983
LELLO UNIVERSAL - Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro , Lello & Irmão , Porto, 1975
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Nobreza de Portugal e do Brasil, Edições Zairol Lda, Lisboa, 2000

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Álvaro de Alcoutim - Álvaro Gomes de Gouveia - Sargento-mor de Alcoutim






Escreve


Gonçalo Roiz Vilão





Perdidos na bruma da história ficam nomes e personalidades que ao lermos e pesquisarmos num livro que tantos já esqueceram, ressuscitam do baú do tempo e tomam novas formas. Ao rebuscá-los no tempo em que foram verdadeiramente singulares , fazem-nos hoje, perceber a pequenez das nossas vidas, quando nos julgamos heróis de uma época que consideramos ser a verdadeira, esquecendo-nos que este é o nosso tempo e eles foram de um outro igualmente importante e que de alguma forma construíram o nosso.

Álvaro de Alcoutim foi herói, e foi-o na sua época. Ressuscito-o hoje através da palavra, por ser mais uma das muitas personagens que viveu e desempenhou funções no nosso concelho de Alcoutim. Não foi general, tão pouco príncipe, mas foi um bravo sargento na luta contra os castelhanos e na defesa da portugalidade. Álvaro Gomes de Gouveia descrito e conhecido também como Álvaro de Alcoutim poderá ter tido descendência até aos dias de hoje nos diferentes Gomes que existem pelo concelho, já que existem registos de filhos de um Álvaro Gomes nesta época e bem podem ser deste que teve a mercê de fidalgo cavaleiro em 1687.
Vejamos como é descrito em 1841 por Silva Lopes:


“ Natural de Portimão, filho de Manoel Ribeiro de Gouveia, fez relevantes serviços desde soldado até ao posto de sargento-mór e tenente do mestre de campo general no reino do Algarve. Embarcando no anno de 1654 em huma setia, que foi no alcance de hum bergantim de Mouros, e encontrando-se ao sahir da barra de Portimão com mais dous, que vinhão em seguimento de hum navio inglez, se comportou com valentia, causando aos inimigos bastante damno, com que se retirou. Acompanhou o terço do Algarve que passou ao AlêmTejo e se achou na campanha de OJivença em 16ó7, no sitio de Badajoz, e varias acções em que se distinguiu com muito valor , principalmente no rompimento das linhas de Elvas, sendo dos primeiros que avançou com toda a resolução. Reeolhendose com o terço ao Algarve esteve de guarnição 5 mezes em, Castro Marim, donde voltou ao Alêm-Tejo em 1662, ficando encarregado do governo de Veiros com a sua companhia; e depois se achou em vários encontros, uos quaes se portou com bravura, assim como no sitio que soffreo em Évora. Teve parte na batalha do Ameixial, na recuperação de Évora, tomada de Valença de Alcântara, e batalha de Montes Claros, nas quaes obrou acções de valor. Tornou ao Algarve e ocoupou o posto de sargento mor do castello de Alcoutim em que fez relevantes serviços sendo encarregado de varias obras de defesa, ainda com barcos que fez armar para guarda costa, hindo commandando a galeota que foi para a defesa delia, por cujos serviços, e era attenção aos de seu pai no cargo de ouvidor de Portimão nos annos de 1643 até 1665 teve a mercê do foro de fidalgo cavalleiro por alvará de 7 de Julho de 1687 (L. 2. das Mercês de D. Pedro II. f. 228).” (1)

(1) - Silva Lopes, João Baptista (1841); Memória Económica, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve; Tipografia da Academia Real de Ciências de Lisboa, Lisboa.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

1ª Comunhão?



Mais uma fotografia “histórica” que apresentamos na nossa Câmara Escura de hoje por amabilidade do nosso colaborador e amigo Amílcar Felício.

Não nos traz qualquer indicação mas não temos dúvidas que foi tirada na escadaria que dá acesso à Igreja Matriz de Alcoutim (O Salvador).

Admitimos que possa datar de 1955/60.

Sem dúvida que se trata de uma cerimónia de carácter religioso, possivelmente uma 1ª Comunhão.

Serão 26 pessoas as fotografadas.

As monitoras (catequistas) em número de 5, estão todas identificadas com relativa segurança.

Os rapazes, em menor número, dos 4 identificámos dois.

Quanto às meninas ter-se-ão reconhecido 8 com alguma dúvida.

As catequistas devem ser D. Clarisse Cunha (fal.), Maria dos Anjos Veríssimo (fal.) Maria de Lurdes Brito (fal.), Ivone Baptista e Maria Elvira.

Das meninas estarão: Ivete Rodrigues (fal.), Zulmira (fal.), Lisete, Maria da Encarnação, (vulgo Maria Angelina), Maria Bárbara (Baby), Maria Antónia, Maria da Ressurreição (Sação), Maria Matilde e Liete.

Dos rapazes identificaram-se José Serafim e Arnaldo Rodrigues (fal.).

Quem ajuda noutras identificações?