domingo, 20 de novembro de 2011

O Outono - 2 (Poema)





Poeta


José Temudo





sábado, 19 de novembro de 2011

Algarve volta a mobilizar-se contra a fome

Pequena nota
É com todo o interesse que o ALCOUTIM LIVRE aceitou o pedido de divulgação do Banco Alimentar Contra a Fome (BACF).
Este pequeno espaço estará sempre ao dispor para divulgação da realização de actividades deste tipo.
Apesar das dificuldades que a grande maioria do povo português passa, é sempre possivel partilhar algo com alguém que mais precisa.


JV



A última recolha de alimentos deste ano do Banco Alimentar Contra a Fome (BACF) vai realizar-se nos próximos dias 26 e 27 de Novembro.

A fome é uma realidade que tem crescido um pouco por todo o nosso país e à qual os Portugueses não têm ficado indiferentes. O Banco Alimentar Contra a Fome é uma grande prova de que temos uma sociedade generosa e solidária que se supera mesmo nos momentos mais difíceis como aquele que agora atravessamos. Lembre-se que apenas na zona do Algarve foram mobilizados 2.000 voluntários e angariadas 189 toneladas de produtos alimentares na última campanha de recolha. Bens que foram distribuídos sob a forma de refeições e cabazes a cerca de 16.000 pessoas com carências alimentares comprovadas e através de 75 Instituições de Solidariedade Social previamente selecionadas para o efeito e supervisionadas pelo BACF.

“Graças à sua ajuda há cada vez mais sorrisos” é o lema e a mensagem da campanha nacional deste ano, que traduz, de uma forma simples, o sentido mais puro deste apelo à solidariedade dos Portugueses. Para participar nesta campanha, basta aceitar um saco do Banco Alimentar e nele colocar bens alimentares, essencialmente não perecíveis, tais como leite, conservas, azeite, açúcar, farinha, bolachas, massas e óleo e entregá-lo a um dos voluntários presentes nas cadeias de supermercados aderentes à recolha ou, em alternativa, efectuar uma doação online através do sítio: http://www.alimenteestaideia.net

Outra forma de estar presente nesta campanha é ajudando na recolha das contribuições feitas nos supermercados. Para ser voluntário poderá contactar o Banco pelo endereço ba.algarve@bancoalimentar.pt; voluntariosba@gmail.com ou pelos telm. 916526884 ou telf. 289 872 426.

Sobre a Atividade do Banco Alimentar Contra Fome

A atividade dos Bancos Alimentares Contra a Fome prolonga-se ao longo de todo o ano. Para além das campanhas de recolha em supermercados, organizadas duas vezes por ano, os Bancos Alimentares Contra a Fome recebem diariamente excedentes alimentares doados pela indústria agro-alimentar, agricultores, cadeias de distribuição e operadores dos mercados abastecedores. São assim recuperados produtos alimentares que, de outro modo, teriam como destino provável a destruição. Estes excedentes são recolhidos localmente e a nível nacional no estrito respeito pelas normas de higiene e de segurança alimentar. Deste modo, para além de combaterem de forma eficaz as carências alimentares, os Bancos Alimentares Contra a Fome lutam contra uma lógica de desperdício e de consumismo, apanágio das sociedades atuais.

Para mais informações contactar

Sede: escritório.ba@gmail.com
Urb. Stº António do Alto Lote 72 C/V 8005-101
Tel. 289 872426

Relações Públicas: Susana Guerreiro/email rpbacfalg@gmail.com / telm. 919574921

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Invasão de Junot no Algarve



Mais uma obra indispensável em qualquer biblioteca, pelo menos no Algarve. Que seja do meu conhecimento não existe na chamada biblioteca da Casa dos Condes, em Alcoutim, o que segundo o meu ponto de vista é uma falha.

A edição é de 1941 e há muito que se encontrava esgotada.

Consegui encontrá-la para uma consulta rápida em finais da década de 70 do século passado, numa biblioteca de Faro. Ainda que a leitura tivesse sido rápida e só de algumas páginas, por absoluta falta de tempo, mesmo assim fiz uma pequena citação a pág. 365 do meu livro, Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (Subsídios para uma monografia), 1985.

A Invasão de Junot no Algarve (Subsídios para a História da Guerra Peninsular – 1808 – 1814) constituiu a tese de licenciatura de Alberto Iria em Ciências Histórico ou Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e foi editada pelo autor em Lisboa no ano de 1941 e segundo parece sem qualquer auxílio económico de qualquer entidade, já que não se alude a tal.

A edição que tive o gosto de adquirir é fac-similada da primeira edição, enriquecida com vários testemunhos sobre o autor, tendo uma tiragem de 500 exemplares e é da responsabilidade de Livro Aberto, Editores Livreiros Lda. 2700-193 – Amadora, 2004.

Adquiri-o na Livraria Letra Livre, Calçada do Combro 139, 1200-113-Lisboa.

O livro comporta 476 páginas de 17,5X24 e mais 70 de homenagem ao autor e que antecedem o trabalho.

Já o acabei de ler e agora fiquei com uma noção mais aproximada do que se passou no Algarve em tal período.

Encontrei mais umas tantas referências a Alcoutim, onde, o Juiz de Fora era partidário dos franceses.

Tive o prazer de conhecer e falar duas ou três vezes com o Dr. Alberto Iria que teve a amabilidade de me oferecer com dedicatória um dos seus trabalhos. Trocámos também alguma correspondência que guardo com todo o interesse. Era uma pessoa de grande simplicidade, tive ocasião de escrever sobre ele meia dúzia de palavras mo Jornal do Algarve quando faleceu e onde então eu colaborava.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Há 78 anos em Alcoutim !



Já se passaram 78 anos sobre a data em que esta fotografia foi tirada pois teve lugar em Agosto de 1933.

Quem conhece bem o local verifica que foi tirada na muralha do Castelo de Alcoutim, virada para Sanlúcar do Guadiana, apanhando como fundo aquela povoação do país vizinho.

Eu só vim a nascer cinco anos depois da foto ter sido tirada e desconheço o seu autor.

Confesso que só reconhecia a D. Clarisse Cunha. Por informação recebida, das três senhoras, a do meio é D. Berta Cunha e a que está ao seu lado a jovem Ricardina Temudo falecida na flor da vida.

O reguila do miúdo que se metia por todos os cantos, “segundo dizem as más línguas” é nem mais nem menos o decano dos nossos colaboradores, o poeta e prosador José Temudo, então com três ou quatro anos.

São fotografias como esta que ajudam a fazer a história ilustrada de Alcoutim.

A foto foi-me cedida pela minha Amiga alcouteneja Doutora Marina Themudo, a quem agradecemos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A matação do porco

Pequena nota
No nosso trabalho publicado há 26 anos sobre Alcoutim e o seu concelho incluímos na 3ª Parte – Notas Etnográficas e Folclóricas o tema “A “matação” do Porco que desenvolvemos nas páginas 307 a 309.

Em 1990 tínhamos preparada uma segunda edição e esse tema, naturalmente sofreu alguns ajustamentos. Ao ser lido agora para publicarmos no ALCOUTIM LIVRE verificámos que era necessário um novo ajustamento procurando manter o fundamental daquilo que então escrevemos. Estas coisas são mesmo assim, conforme o tempo vai passando vamos aclarando muitas situações e encontrando mais explicações para determinados procedimentos e adquirindo novos conhecimentos através de pesquisas e leituras adequadas ou novas ou que desconhecíamos.

JV



Trigo no celeiro, um palmo de hortejo e um porco na salgadeira, dizia-se que era condição suficiente para que um alcoutenejo se encontrasse “feliz” sem preocupações de maior.

Hoje a situação é naturalmente muito diferente - houve grandes modificações na vida. Como todos, este dito popular tem um sentido verdadeiro e está condicionado à vida exclusivamente agro-pastoril, que então pautava no concelho de Alcoutim.

O porco é um animal precioso, todas as partes do seu corpo, mesmo as entranhas, são comestíveis. Por outro lado, em salmoira, pelo fumo e com o auxílio da própria banha, conserva-se bem. Hoje, Alcoutim tem energia eléctrica em todo o concelho e nas últimas “matações” alguns destes processos foram substituídos. Deixaram de salgar para meter nas arcas congeladoras.

Criação fácil e rápida, com aproveitamento de resíduos de toda a espécie. Outrora, consumiam os excedentes agrícolas e o período especial de engorda era feito também com produtos criados pelo agricultor. Hoje, como se sabe, imperam as farinhas apropriadas. No campo, já pouco ou nada se colhe.

A carne de porco constituía uma pedra importante na alimentação do alcoutenense. Era assim que todos os que tinham uma vida virada para o campo, e não só estes, engordavam o seu porquito para matar.

No mês de Dezembro ou de Janeiro, por serem os mais frios do ano e isso evitar que as carnes se estragassem, depois de cevados, é a altura própria para o abate, a que o alcoutenejo chamava “MATAÇÃO” e não matança e que constituía um dia de festa.

Para o efeito, faziam-se adequados convites que englobavam familiares, compadres, vizinhos e pessoas a quem se deviam favores ou se pretendia demonstrar amizade.

Enquanto uns só lá iam para comer, outros eram “requisitados” fundamentalmente para prestarem a ajuda indispensável, vindo a pagar do mesmo modo.

No dia aprazado, logo pela manhã, os homens experientes iam buscar o suíno que agarravam e deitavam sobre uma banca ou um caixote bem seguro. Atadas as mandíbulas com uma corda, para o animal não morder, vinha o “matador” (1) que espetava a faca bem afiada com um golpe ágil e certeiro que atingia o coração. Da vítima jorrava o sangue apanhado num alguidar, tacho ou qualquer outra vasilha onde se tinha colocado sal e vinagre e que se ia mexendo para não coalhar. É tarefa destinada às mulheres.

Por perto havia uma pequena mesa onde estavam copos e uma garrafa de aguardente para os homens se servirem como “mata-bicho”.



Musgá-lo era a tarefa seguinte, isto é, queimá-lo com tojos apanhados nas redondezas e a que se lança com facilidade o fogo. Nos últimos tempos esta operação era feita com um maçarico.

Seguia-se o raspar do couro, trabalhosa operação feita com uma lata ou pedra, auxiliada por água bem quente oriunda das panelas, muitas vezes de zinco, que estavam ao “fogo”.

Procedia-se à extracção das unhas.

Em tempos antigos, o rabo era entregue aos moços que o comiam assado.

Tarefa para homem “especializado” era a abertura e desmancha do animal.



As tripas seguiam para o barranco mais próximo, que em tempo idos corriam bem, onde eram lavadas pelas mulheres. Viravam-nas com o auxílio de uma cana. Temperadas com rodelas de laranja para que tivessem melhor cheiro e paladar, iam servir para os enchidos.



Extraíam todas as vísceras a que se dava o destino adequado.

Uma balança de vara, tipo romano, era utilizada para determinar as arrobas e a que normalmente se seguiam alguns comentários relacionados com o peso.

Procedia-se à desmancha, carne magra para um lado, mantas de toucinho para o outro.

Os presuntos iam para a salgadeira, bem enterrados em sal grosso e sobre os quais se colocavam pedras suficientemente pesadas a fim de evitar que se estragassem. Meses depois, com a cura já feita, eram barrados com pimentão e pendurados.

Pelas duas ou três da tarde, chegava a hora da “fritada” ansiosamente esperada.

Nela entrava todo o tipo de carne, gorda ou magra, não esquecendo a cachola.

Temperava-se com alho pouco antes de estar concluída.



Depois deitava-se o sangue a que se tinha juntado vinagre e que se temperava agora é temperado com cominhos, louro e pimenta. Ficava assim preparado um outro tipo de comida a que chamam “moleja” e que é muito apreciada.

Havia quem deitasse algumas batatas na “fritada”.

Com a carne picada, faziam-se chouriços de carne, de sangue e belos “palaios” (paios).



Não faltava a “amassadura” de saboroso pão e o vinho “caseiro” regava o repasto contrabalançando o efeito da gordura, as gargantas sequiosas e os estômagos “agoniados”.

A “matação” do porco foi algo que começou a desaparecer mesmo antes das restrições impostas por lei.

Já serão bem poucos os porcos mortos anualmente no concelho. Primeiro, porque a vida agrícola está praticamente desapareci, segundo pelos que restam no concelho serem idosos e já não poderem desempenhar tais tarefas e terceiro os poucos novos existentes vão ao talho, compram e metem na arca.

NOTAS
(1) - Havia homens “especialistas” nesta arte que eram requisitados para o efeito, optando-se, obviamente pelos mais próximos.
(*) A reportagem fotográfica é de L.M.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O rodo mineiro

O rodo é um utensílio que serve principalmente para juntar qualquer coisa que se pretende recolher e isto em situações muito variáveis.

As matérias de que é feito são diferentes dependendo do fim a que se destinam.

O primeiro rodo de que me apercebi era todo em ferro e destinava-se a retirar das sarjetas as pedras e outros objectos que iam lá parar e ficavam retidos. Parece que ainda estou a ver o funcionário municipal, um velhote já curvo com uma espécie de camisa de chita aos quadrados azul e branco que tinha bordado a vermelho CMS identificando a Câmara para quem trabalhava.

Além do rodo trazia um cântaro de folha zincada para fazer a recolha da água nas bocas-de-incêndio a fim de proceder à limpeza das sarjetas, o que era feito com muita regularidade.

Depois vim a conhecer o rodo de madeira que aqui já apresentei e se destina a puxar a cinza nos fornos de cozer pão. Há o rodo para o sal nas marinhas e também o havia para recolha dos cereais nas eiras assim como os há para recolher o dinheiro nas mesas de jogo.

O que apresento tem uma configuração muito própria, é robusto e encontrei vários muito semelhantes na freguesia de Alcoutim, desconhecendo se existem nas outras do concelho.

Interroguei-me sempre quanto à sua utilização e só recentemente alguém referiu ser um rodo usado pelos mineiros para juntar o mineral, o que pesquisas posteriores confirmaram.

O exemplar fotografado, com mais de um século de existência, era efectivamente propriedade de um antigo mineiro, nascido em 1842 e que trabalhou na mina de S. Domingos.

Como desta zona trabalhou muita gente naquela mina, está aqui explicada a sua existência na freguesia de Alcoutim.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Monte dos Gagos, um caso semelhante aos montes alentejanos



Foi dos últimos montes que conheci no concelho, o que aconteceu em 2010, pois só recentemente foi activado e teve acesso por veículo automóvel.

Tive conhecimento da existência deste monte por volta de 1970 quando ao consultar vários Anuários Comerciais dos princípios do século passado me apareceu GAGOS como povoação da freguesia de Martim Longo, o que, entretanto, veio a desaparecer em números mais recentes que consultei na altura e que penso, o último ser referente ao ano de 1966.

Julgo que isso aconteceu por ter deixado de ter moradores.

Quando comecei a pesquisar nos registos paroquiais de meados do século XIX do concelho de Alcoutim existentes no Arquivo Distrital de Faro, começo a encontrar movimento neste monte no que respeita a baptismos (nascimentos) e óbitos e mesmo casamentos.

Como exemplo direi que em 18 de Setembro de 1840 nasceu neste monte Mariana, filha de Domingos dos Santos e de Júlia da Conceição, aqui moradores, neta paterna de Joaquim dos Santos e de Joaquina Maria, dos Castelhanos e materna de Manuel Martins e Custódia Martins, dos Gagos.

Como a criança estivesse em riscos de vida, foi baptizada por Ana da Palma daquele monte que veio a ser sua madrinha quando se lavrou o assento na matriz de Martim Longo em 24 daquele mês.

Em 1758 (Memórias Paroquiais) aparece referido como Monte da dos Gagos mas o pároco de Martim Longo que respondeu ao questionário só indicou o número de vizinhos no seu conjunto e segundo os analistas tê-lo-ia feito de maneira incorrecta.

Gago que funciona para definir quem tem defeito na fala, depois de ter sido utilizado como alcunha acabou muitas vezes por ser anexado ao próprio nome tornando-se assim num antropónimo. Possivelmente foi o que aqui aconteceu. O “monte” que parece ter tido sempre a característica de monte alentejano teria pertencido à família dos Gagos e daí a designação.

Quem vem de Alcoutim ao aproximar-se de Martim Longo encontra à direita a indicação de Monte dos Gagos e no lado oposto, ou seja à esquerda, a indicação de Penteadeiros.


A Companhia das Ervas de Martim Longo explorou um terreno nas proximidades deste monte para a plantação de algumas das espécies. (1)

Sei que a sociedade recebeu 700 contos de prémio para apoio da actividade (2) mas que penso hoje já não existir, pelo menos nunca mais li qualquer referência à mesma.

O monte que tem um único fogo, e nem sempre habitado, nele funcionou um restaurante, presentemente fechado.

Tem energia eléctrica e furo artesiano da responsabilidade do proprietário.

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NOTAS
(1) – “Mulheres de Martinlongo cultivam plantas medicinais”, João dos Reis, Correio da Manhã de 12 de Março de 1994, p.12
(2) – “Entrega de Prémios de Jovens Agricultores do Concurso/92”, Correio do Ribatejo de 8 de Março de 1992.

domingo, 13 de novembro de 2011

Casamentos na Freguesia de Alcoutim em 1839

[Igreja Matrz - Des. JV]
Ainda só dispusemos de oportunidade para pesquisar os assentos de casamento da freguesia de Alcoutim e gostaríamos de os pôr em paralelo com o que se passou nas restantes freguesias, mas por agora não possuímos esses elementos.

Só se efectuaram 13, pouco mais de um por mês, em média. O maior número teve lugar no mês de Maio [4] seguido de Fevereiro com [3] e de Janeiro com [2]. Nos meses de Março, Julho, Outubro, Novembro e Dezembro não se realizou qualquer acto deste tipo e nos restantes meses apenas um teve lugar.

O que consideramos diminuto em relação ao ano de 1839, hoje e na mesma freguesia seria um número muito elevado. São os tempos...

Dos 26 nubentes 23 eram da freguesia, 1 da do Pereiro e dois de Sanlúcar do Guadiana. Pelos nomes deviam ser portugueses a residir naquela povoação e que quiseram vir casar ao seu país. Resta saber se por lá ficaram, como aconteceu a muitos ou se regressaram.

Dos nomes dos nubentes destacam-se 8 Marias, 5 Manueis, 4 Antónios, 2 Josés e duas Domingas, completando o leque com Francisco, Bárbara, Inês, Joaquim e Isabel.

Domingas e Bárbara, nomes não muito vulgares noutras zonas continuando a existir por estas bandas como os alcoutenejos sabem.

Outra curiosidade, que os números e os nomes apresentam, é que entre os nubentes não existe ninguém da vila! O maior número vai para Cortes Pereiras [8]. Balurcos com [5], Laranjeiras [3], Afonso Vicente [2], Sanlúcar [2] como já dissemos e [1] para cada uma das seguintes povoações, Palmeira, Corte da Seda, Vascão, Corte Tabelião e Tacões perfazem o número restante.

Pelos números apresentados já se verifica a importância populacional de dois pólos, Cortes Pereiras e Balurcos.

[D. Maria II]
Outra curiosidade que retirámos da pesquisa efectuada é o facto de no dia 1 de Maio se terem realizado dois casamentos. Manuel Dias do Balurco de Cima casou com Maria Henriques das Laranjeiras e um irmão desta, Manuel Henriques casou com Domingas Afonso, do Balurco de Cima e irmã de Manuel Dias.

Ainda hoje essas coisas acontecem mas não deixa de ser curioso.

Este período era politicamente muito instável no país com revoluções e contra revoluções permanentes. Governava então D. Maria II.

Todos estes nubentes deveriam ter ouvido falar de Remechido que passou por estes sítios com os seus homens o qual veio a ser executado na cidade de Faro em 1838.

Foi celebrante dos actos o Padre Encomendado António José de Freitas (tio) (1796-1872) que era natural de Alcoutim e sepultado no cemitério da vila.

sábado, 12 de novembro de 2011

Amigos de Alcoutim querem que o concelho progrida

Pequena nota
Deste grupo de alcoutenejos faziam parte entre outros os alcoutenejos Eng. Gaspar Santos, nosso Prezado Amigo e Colaborador e o Dr. Álvaro Fernandes, infelizmente já falecido e foram os dois que fizeram a entrega do documento no jornal.
JV


(O SÉCULO DE 14 DE OUTUBRO DE 1974)



(*)[Alcoutim e Sanlúcar vistos de Espanha]


Substituição do grémio da lavoura por outra entidade, com atribuições mais vastas; arborização de vasta área; emparcelamento de terras; criação de infraestruturais viárias, eléctricas, de águas, de esgotos e de turismo; abertura da fronteira com a Espanha na sede do concelho (como aconteceu até 1936) – eis os pontos de uma proposta para reestruturação do concelho de Alcoutim, elaborada por um grupo de naturais e amigos desta vila.

No documento, que nos foi entregue por uma delegação, lê-se:

"A população do concelho é actualmente pouco superior a 6 000 habitantes, quando era de 15 000 em 1950, antes do surto da emigração interna e externa. A base económica actual é o remanescente de uma agricultura e pecuária arcaicas, ajudada pela colheita de amêndoas, alfarrobas e laranjas. Há meio século teve uma pecuária e produção de ovos intensa, havendo mesmo um tipo de bovinos oriundo daqui. Até 1936, havia mercados, em que participavam criadores espanhóis. Os seus terrenos pauperizaram ou foram erodidos, vítimas da “Campanha do Trigo” lançada cerca de 1933, e para a qual lhe escasseavam as condições. A estrutura agrária é de pequenas explorações familiares, com as propriedades muito divididas e dispersas. Nem há grandes propriedades, nem há hoje um assalariato rural muito numeroso como já existiu: emigrou."

Os amigos de Alcoutim, aludem ao facto de se não tratar de "uma agricultura capitalizada", tendo-se atrasado, por esse motivo "tecnicamente e na iniciativa, que se poderia ter aproveitado arborizando". Acrescentam:

"As aptidões económicas, que não estão aproveitadas, mas que se sabe existirem, prendem-se naturalmente com a agricultura e a pastorícia, bem como ao turismo (a paisagem natural das margens do rio é surpreendente e óptima para a pesca e a caça).

Dentro das aptidões, sobressaem, como possíveis de desenvolvimento económico e criação de emprego, a arborização, com amendoeira e alfarrobeira, pereiras e outras espécies adaptáveis e a pecuária e indústrias que se lhes ligam, como os apreciados queijos. Mas para lançar algumas iniciativas, para que não progrida a desertificação de uma vasta zona, quer de espécies vegetais, quer de espécie humana, é necessário criar-se uma entidade dinamizadora "(...)

A terminar, diz-se serem as sugestões válidas para toda a serra algarvia e até para enorme área do Baixo-Alentejo.

Apela-se para o apoio dos poderes centrais dada a falta de capitais privados e da iniciativa e por outro lado, atendendo ao exíguo orçamento das câmaras municipais.


(*) - Era esta a zincogravura que o jornal possuía para ilustrar algo que se escrevesse sobre Alcoutim.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Chegámos às 60 000 !



Pelas 18 horas de ontem o ALCOUTIM LIVRE alcançou as 60 MIL VISITAS, número irrisório para alguns blogues, mas muito significativo para nós. DEFENDEMOS O NOSSO ESPAÇO E NÃO NOS PRETENDEMOS CONFUNDIR COM NINGUÉM.

O número foi alcançado após 3 Anos, 3 Meses e 18 Dias de existência.

Estas últimas 10 mil visitas foram as mais rápidas de alcançar pois só foram necessários 3 meses e 16 dias.

A média diária neste período de tempo foi de 94,34 tendo ultrapassado a anterior em 9,6 o que é um aumento considerável.

A média diária, desde o início, passou para 49,87.

O número de postagens, que já vai em 954, teve neste período 108, o que representa praticamente uma por dia.

O número de países que nos visitaram é de 84, por isso, mais quatro do que no balanço anterior.

É importante o contributo vindo do Brasil pertencendo-lhe 13,7 % das visitas expressas.

Os cinco TEMAS mais movimentados são:- Câmara Escura (90), Etnografia (89), Escaparate (74), Ecos da Imprensa (61) e Geral (50).

Continuamos a ter o precioso contributo dos nossos colaboradores que com os seus textos diversificados arejam o conteúdo deste espaço.

Alerto para a circunstância de alguns temas se aproximarem do fim como acontece com os montes do concelho, quase concluído.

NADA NOS FARÁ MUDAR DE RUMO, PROCURANDO DAR A CONHECER COM VERDADE ESTE CONCELHO DO NORDESTE ALGARVIO, RECEBENDO EM TROCA APENAS E SÓ A SENSAÇÃO DO DEVER CUMPRIDO.

Não podemos terminar sem ter uma palavra de agradecimento para os nossos visitantes / leitores que acabam por ser o suporte indispensável deste espaço. Sem eles isto já teria acabado há muito.

Juntamos como é habitual um gráfico explicativo.