domingo, 19 de fevereiro de 2012

O topónimo Alcoutins


[Retirado com a devida vénia de http://casa.sapo.pt/Terreno-Venda-Lisboa-Lumiar-Quinta dos Alcoutins]

O topónimo Alcoutim não é exclusivo da vila algarvia na margem direita do Guadiana, abrangendo outras povoações de menor importância como acontece nos concelhos de Leiria e Sertã, pelo menos.

Aparece também como apelido ou alcunha.

Em 1605 um Francisco de Alcoutim tinha dois filhos, Tomé de Alcoutim, trabalhador, casado com Joana de Almeida, natural de Évora e Maria de Alcoutim, de cerca de 50 anos, solteira e igualmente natural de Évora, são ambos acusados pelo Tribunal do Santo Ofício Inquisição daquela cidade, de judaísmo. (1)

Em 10 de Dezembro de 1726, o Bacharel Francisco de Faria Alcoutim recebe Carta de Mercê do lugar de Juiz de Fora de Olivença e em 19 de Agosto de 1732 o Alvará de Mercê do Cargo de Provedor da Comarca de Castelo Branco, por Mercês de D. João V.

Todos sabemos que por esse país fora existem famílias Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Beja, Évora, etc. e que se estende também a nomes de pequenas povoações.

Ainda que hoje não tenhamos conhecimento de famílias Alcoutim, a verdade é que elas existiram, estando de uma maneira geral ligadas numa primeira fase às terras onde foram buscar o nome.

Em Évora existia ou existe a Rua de Alcoutim e em Elvas a Rua das Alcoutinas.

Em Lisboa, freguesia do Lumiar, existiu um lugar designado por Alcoutins. A Gazeta de Lisboa de 10 de Setembro de 1832 traz a seguinte notícia: Na Praça Pública dos Leilões se há-de arrematar, com o abatimento da quinta parte do seu valor, o domínio útil de hum prazo que consta de terras no sítios dos Alcoutins, na Freguesia do Lumiar avaliado em 153$340 réis, o seu rendimento em 10$000 réis, paga de foro 1$333: he Escrivão da arrematação Negreiros.

Um Amigo que reside em Lisboa e que passa frequentemente por esta zona, hoje fortemente urbanizada com várias indicações de lazer quando foi no século XIX zona de cultivo, perguntou-nos se eu sabiamos alguma coisa sobre o assunto.

Já conhecíamos o topónimo através do Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, Horizonte / Confluência, 1993, I Vol., de José Pedro Machado, mas desconhecíamos a amplitude que alcançou.

Apesar das grandes transformações operadas, o topónimo foi mantido, o que é interessante verificar. Manter os nomes tradicionais é na nossa opinião um dever.

Tal como José Pedro Machado parece-nos que a origem do topónimo estará na fixação de gente originária de Alcoutim e por isso, conhecidos pelos “Alcoutins”, que aqui se teriam dedicado ao amanho da terra, que possivelmente desbravaram.
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NOTA
(1) – ANTT-Tribunal do Santo Ofício – Inquisição de Évora, Procº 2741

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Crónicas e Ficções Soltas - Alcoutim - Recordações - XXI




Escreve


Daniel Teixeira




A ESPINGARDINHA

Durante o tempo em que andei por Alcaria Alta já naquilo a que chamo a segunda volta, com cerca de 25/30 anos, eu dava as minhas voltas, muitas mesmo, pelos campos munido de uma espingarda de pressão de ar. Raramente apanhava pássaros em número de jeito, mas gostava de andar por ali, esgueirando-me entre as folhagens nas hortas, perto dos poços no calor do meio dia do verão, ou deitado nas palhas das eiras, apontando e quase nunca acertando.

De acrescentar, só para que o meu ego não fique desde logo destruído, que tive uma média razoável a tiro na tropa e que em princípio se deve à agilidade dos pássaros, ao seu tamanho inflacionado pelas penas e ao vento e a outros factores naturais o facto de eu ter uma percentagem de falhanços elevada: uma vez um tio meu - residente na cidade havia muitos anos - foi-me «fiscalizar» na viagem aproveitando para dar ele também uma voltinha pelas hortas. Levei uma descasca de todo o tamanho nesse dia. Apanhei um pássaro perante vinte ou trinta em posição ao longo dos caminhos.

[Eu e a "espingardinha". Sentado no poial da casa.]

De reparar no ar quase impecável da caiadura e da pintura na porta. O chapéu é o mesmo de há 20 anos atrás. De referir que a parreira acima tinha uvas «coração de galo» (enormes) que eram protegidas das bicadas dos pássaros enfiando os cachos em meias.

Bem, mas o que interessa aqui é denotar uma coisa (não é para fugir à conversa sobre os falhanços como se irá notar): toda a gente, incluindo mulheres, achavam piada por eu andar com uma «espingardinha» e referiam-se á minha «máquina» com ar de gozo.

Na sua grande parte em casa deles e delas não havia espingarda de verdade (era muito cara e «desporto» de ricos) e nem sequer os seus filhos tiveram alguma vez uma pressão de ar como a minha pelo que era de supor que eu e a minha máquina fossemos respeitados pelo menos por estarmos um degrau que fosse acima das suas possibilidades. Nada disso...era a espingardinha e pronto!

Chegavam ao ponto de me dizer que os pássaros sentiam «o cheiro a pólvora» por isso debandavam quando me viam: ora a pressão de ar é mesmo isso, trabalha a pressão de ar e a pólvora ou outro produto explosivo emanando cheiro ou não estão ausentes no processo.

Claro que reconheço que não existe comparação possível entre o meu vestir e andar à desportista e os caçadores de facto que pela época enchiam o rossio de carros logo pelo final da noite. Nem sequer os víamos de manhã, víamos os carros e jipes estacionados e lá pelo meio dia o seu regresso em direcção aos carros com paragem na taberna da Ti Inácia.

Devidamente apetrechados de camuflados, cartucheiras pesadas e repletas, quando chovia vinham num pingo...mas era caça, era assim mesmo. Peças apanhadas quase sempre poucas mas regressavam repletos de histórias: o caçador tem uma afinidade grande com o pescador; não podendo efabular com os tamanhos das peças efabula sobre as quantidades. Mas ao contrário da minha sinceridade que esclareci acima (falhava mesmo eu, re-confesso) estes por princípio não falhavam: os animais é que passavam quase em fila indiana ou em rebanho fora do alcance do tiro...

Eu e outros ouvíamos estas histórias: por vezes aparecia gente conhecida de Faro e sabendo das praxes e dos gozos fui sabendo que a caça tem duas fases: uma a realidade e outra a parte imaginária com alargamento. Nesta última e na sua primeira fase o que conta é a credibilidade e possibilidade mesmo remota de coerência entre eles, caçadores. Trata-se da história imaginária sem descolamento aéreo pronunciado.

Quando a assistência se junta procede-se então ao despique pelo maior barrete que seja credível para quem está de fora do processo da caça passada no terreno ou que não sendo credível se torne de tal forma apoiada que nem pio de contestação seja de ouvir: fulano diz que viu e corrobora a história que beltrano contou e depois sicrano não viu nada mas acredita porque é gente honesta que fala nisso e ao apoiar (por o selo) quem somos nós (montanheiros) para contestar?

Por isso, em dias de caça no Monte, eu sentia-me de facto ainda mais deprimido pelo facto da minha «espingardinha» ser destronada no seu pequeno e merecido prestígio por uma série de aldrabices. Dói mesmo...



Para desanuviar temos a Manuela com a sobrinha, filha da sua irmã Fernanda, sentadas no poial de uma casa que me parece ser a da Ti Delerinda (é mesmo assim) que dava continuidade final ao renque que começava na casa do João Baltazar terminando o quarteirão.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Missa campal (2)



A Câmara Escura de hoje apresenta a última fotografia sobre a visita efectuada pela Imagem peregrina de Nª Sª de Fátima a Alcoutim.

A missa campal teve lugar, como já se disse, no cais novo (rodoviário) no dia 23 de Fevereiro de 1947, segundo as informações recebidas, por isso, em pleno Inverno. Irá fazer 65 anos!

Pelo que nos é dado observar, a assistência encheria o cais e na parte superior é visível muita gente.

A igreja matriz que se vê ao fundo estaria em ruínas e sobre o pórtico pode ver-se uma janela rectangular que veio a ser substituída pelo actual óculo circular protegido de um gradeamento.

É a última fotografia que apresentamos do evento e graças à importante colaboração prestada pelo alcoutenejo, José Madeira Serafim.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Tabuleiro para pão



Apresentamos hoje nesta rubrica um utensílio, haverá 50 anos fora do activo. Na década de 60 do século passado ainda era utilizado pelos que já com alguma idade não se sentiam em condições de acompanhar os mais jovens para a cintura industrial de Lisboa e Setúbal, para o litoral algarvio e muito menos para o estrangeiro, nomeadamente, França e Alemanha.

Os que ficaram eram obrigados a semear algum trigo, que transformado em farinha constituía a base do seu sustento e isto numa altura em que bem poucos podiam contar com uma reforma, ainda que fosse pequena. Mesmo estes não podiam dispensar alguma actividade agrícola como complemento dessa reforma.

Por outro lado as vias de comunicação eram inexistentes, o que se veio a alterar após 1974. Logo que a mudança política teve lugar, todas as pessoas começaram a receber uma pequena reforma. Tanto pela idade como por esse pequeno sustentáculo e ainda pelo seu espírito de economia, pois sempre viveram consoante a pobreza da região, principiaram a adquirir o pão no comércio ambulante que começou a chegar após a construção das pequenas vias de acesso e uma vez que passaram a possuir algum dinheiro já lhes possibilitava tal aquisição.

Os velhos fornos dos “montes”, ora individuais ora comunitários, a pouco e pouco foram deixando de funcionar e os que poderão existir, bem poucos serão, estão, salvo raras excepções, em completa ruína. Muitos foram derrubados e desapareceram para criação de novos espaços com destino diversas utilizações.

Depois do intróito, que foi mais dilatado do que originariamente pensávamos, iremos abordar o móvel deste escrito: “O tabuleiro para pão”

O exemplar que apresentamos na foto foi-nos cedido para este fim e está há muitos anos desactivado, ainda que por motivos sentimentais o preservem.

Pelo que conhecemos da zona, constitui o modelo regional, que possivelmente será comum, pelo menos, aos concelhos limítrofes.

Duas tábuas largas como fundo (tamanho variável conforme as necessidades do agregado familiar) de formato rectangular. Cada uma das larguras é constituída por uma tábua em forma de trapézio isóscele, tendo a altura do mesmo cerca de 15 a 20 cm.

[Arrumando o pão para cozer em tabuleiro de novo modelo. Foto JV, Páscoa de 2005]

Em face desta circunstância, as guardas laterais que na figura geométrica correspondem ao comprimento, de forma rectangular e que se ajustam à altura das que correspondem à largura, tornam-se um pouco inclinadas. As guardas rectangulares ultrapassavam um pouco o comprimento do fundo, como se pode ver na foto apresentada.

Para forrar o tabuleiro existia o tendal, pano branco que nos tempos antigos era de linho e com uma área sensivelmente ao dobro do tabuleiro.

Depois do pão tendido, o que era feito numa tábua comprida de formato rectangular e que numa das extremidades era em forma de círculo com um buraco para pendurar na parede.

Colocava-se o tendal ajustado às paredes do tabuleiro. Colocavam-se a seguir sobre ele, ordenadamente, os vários pães tendidos, depois tapavam-se com a parte sobrante do tendal para sua protecção.

Depois era transportá-lo para o forno, que normalmente estava próximo, debaixo do braço ou à cabeça e que tinha sido previamente aquecido, de uma maneira geral, com esteva que foi acarretada na época própria para o monturo.

Após a cozedura, o pão regressava ao tabuleiro e voltava a casa, constituindo assim a “amassadura” que geralmente era feita todas as semanas.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Afonso Vicente foi um grande monte da freguesia de Alcoutim [3]

VIAS DE COMUNICAÇÃO

[Estrada Municipal nº 507. Foto JV, 2010]

Durante o domínio árabe, nos arredores de Alcoutim, os caminhos existentes serviam principalmente os povoados que estavam associados a explorações mineiras, como acontecia com as Cortes Pereiras. (1)

Em 1935 o vogal da Comissão Administrativa da Câmara Municipal, José Francisco Ginja, apresentou em reunião de Câmara a seguinte proposta: - Que a Comissão Administrativa contratasse um agente técnico para proceder ao estudo e levantamento da planta de uma carreteira que partindo da vila e passando pelos montes de Cortes Pereiras e Afonso Vicente, fosse ligar à estrada que vindo de Mértola, passa próximo do monte de Santa Marta. (2)

A proposta foi aprovada por unanimidade, desconhecendo-se houve alguma acção posterior nesse sentido. A verdade é que as actas seguintes nada referem sobre o assunto, tal como não indicam nenhum pagamento para esse fim.

Só passados cinco anos (1940), o vereador, António Gomes Alves, residente nas Cortes Pereiras, vem a intervir na reunião da Câmara da seguinte maneira: - (...) conforme é do conhecimento de toda a gente, o caminho que desta vila segue par aos montes de Cortes Pereiras, Afonso Vicente e Vascão, está em péssimo estado, encontrando-se mesmo alguns lugares, de todo intransitáveis. E continua aquele autarca: Que é conhecido que os habitantes dos aludidos montes estão fazendo uma subscrição para procederem à reparação do caminho. Em face disto, propunha que a Câmara subsidiasse os mesmos com a quantia de dois mil e quinhentos escudos, o que foi aprovado por unanimidade (3).

Em 1960, com saída ao quilómetro 78 da E.N. nº 122 e chegando ao Monte do Sol, é construído o troço da estrada municipal nº 507 que não teve por base o interesse das populações, já que esse era chegar à sede do concelho. Continuou-se,assim, depois do Monte do Sol, a seguir o velho caminho que conduzia à vila e com o problema de no Inverno nem sempre a ribeira dar passagem.

Existem vários exemplos de morte por afogamento na tentativa de passar a ribeira, algumas ainda hoje lembradas.

Em 1980/81, alargou-se a estrada e construiu-se o que restava para chegar à vila, procedendo-se ao alcatroamento com conclusão da ponte sobre a ribeira de Cadavais em 1984/85, ficando assim o acesso concluído.

[Troço de acesso ao monte. Foto JV]

O pequeno troço de acesso ao “monte” (550m) foi feito depois de 1975 e antes de 1980. Em 1997 encontrava-se em muito mau estado e necessitado de arranjo o que só veio a acontecer em 2008, situação que me obrigou ter de esperar 2 h e 40 m para poder chegar ao “monte” e isto para que o empreiteiro pudesse realizar a pavimentação com mais rapidez havendo, consequentemente, menor despesa com mão-de-obra.

Anteriormente já tinha beneficiado da colocação de postes de iluminação pública o que ajuda a fazer o trajecto até ao refúgio para passageiros, principalmente durante o Inverno.

[Caminho do monte para o Cerro da Machada. Foto JV]

A nível de caminhos agrícolas, existem para o Cerro da Machada, com bifurcação para a Corte Miguel e Santíssima (Ribeira do Vascão), para os Medronhais, para as Murtosas, para as Provenças e para o Lavajo.

Actualmente estes caminhos são utilizados por caçadores e a nível de florestações, já que nada se semeia, os amendoais e olivais estão completamente abandonados por falta de rendimento e de quem faça o trabalho.

Relacionado com este assunto encontrei referência a um conflito, pois Francisco Ribeiros e Manuel Domingos, moradores no monte, apresentam na Câmara um requerimento datado de 25 de Junho de 1878 em que pedem providências contra o acto praticado por José Lourenço do mesmo monte pois tapou um caminho que os requerentes classificam de vicinal. A Câmara em Sessão de 22 de Agosto seguinte deliberou que o Presidente tomasse as necessárias informações e procedesse consoante as mesmas.

Certamente porque a situação se mantinha, cerca de um ano depois e na Sessão da Câmara de 19 de Setembro de 1879 compareceram Francisco Ribeiros, Manuel Frederico, Francisco Lourenço, Manuel de Orta Gato, Manuel Domingos e António Gonçalves, todos de Afonso Vicente, queixando-se de José Lourenço do mesmo monte, por ter feito um cercado próximo do monte, por dentro do qual passa um caminho público que ele tapou, ficando os habitantes daquele monte privados da sua utilização, a não ser passar por cima de terrenos de outros vizinhos. A Câmara prometeu justiça mas não encontrei mais notícias sobre o assunto.

[Caminho para os menires do lavajo. Foto JV]


NOTAS
(1) – “O Algarve Oriental durante a ocupação islâmica”, Helena Catarino, al-ulyã, Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, nº 6, 1997/98.
(2) – Sessão da CMA de 11 de Julho.
(3) – Sessão de 29 de Março de 1940.


(CONTINUA)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

D. António de Ataíde, 1º Conde de Castro Daire e neto do 2º Conde de Alcoutim

Foi segundo filho varão do 2º Conde de Castanheira e de D. Bárbara de Lara. O primogénito, D. Manuel de Ataíde herdou o condado de Castanheira e a sua Casa.

Devido aos grandes serviços prestados mereceu de Filipe III que o fizesse Conde de Castro Daire em 1625.

Acabou por suceder ao sobrinho, D. João de Ataíde, 4º Conde de Castanheira, que faleceu em 14 de Setembro de 1637, por este não ter deixado descendentes, ainda que tivesse casado duas vezes.

Pertenceu ao Conselho de Estado e foi um dos Governadores do Reino em 1631.

Depois de Capitão-mor das Naus da Índia foi General da Armada de Portugal.

Foi embaixador de Filipe III a D. Fernando II. Mordomo-mor da Rainha e Presidente da Mesa da Consciência e Ordens.

Além dos Bens e Privilégios que herdou da Casa de Castanheira pois sucedeu a seu sobrinho, usando, por isso, o título de 5º Conde, pelo seu casamento com D. Ana de Lima, Senhor de Castro Daire e dos lugares de Paiva, Baltar, Cabril e outros.

D. Ana de Lima era filha herdeira de D. António de Lima, Senhor de Castro Daire, Alcaide-mor de Guimarães e de D. Maria de Vilhena, sua mulher, filha de Cristóvão de Melo, herdeiro da Ilha de S. Tomé.

Foi Alcaide-mor de Guimarães.

Estudou Latim, Filosofia e “poetou” não deixando neste campo obra de merecimento segundo os seus biógrafos.

Traduziu para português um tratado de Séneca.

Quando foi General da Armada, perdeu-se a Nau da Índia Nossa Senhora da Conceição, queimada pelos inimigos e imprimiu em 1621 uma resposta sobre os acontecimentos. Fez igualmente um diário quando foi em missão à Alemanha em 1628.

Morreu em Lisboa já idoso a 14 de Dezembro de 1647 quando já governava D. João IV e foi sepultado na capela-mor de S. Francisco, jazigo da casa de sua mulher.

O curriculum deste neto de D. Pedro de Meneses, 2º Conde de Alcoutim e 3º Marquês de Vila Real, parece ser bem superior ao do irmão que foi 3º Conde de Castanheira.

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História Genealógica da Casa Real Portugueza, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi/Público – Academia Portuguesa da História.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

Brasões da Sala de Sintra, Anselmo Braamcamp Freire, 1927

Wikipédia, a enciclopédia livre

http://www.gneall.net

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Castelos, Fortalezas e Torres Da Região do Algarve



Mais um interessante livro que refere o património defensivo do Algarve de épocas recuadas.

Trabalho fundamentalmente de informação em formato de 20X26 e com 199 páginas, possui bastantes fotografias a cores que atrai a leitura.
O papel é de boa qualidade.

Além das habituais notas de Abertura e de Introdução refere as três sub-regiões do Algarve, ou seja, a Serra, o Barrocal e o Litoral, estabelecendo as suas diferenças.

Aborda, seguidamente, OS CASTELOS, AS FORTALEZAS DO LITORAL ALGARVIO e AS TORRES DE VIGIA. O trabalho é concluído com a indicação dos CASTELOS, FORTALEZAS E TORRES DESAPARECIDOS.

Não deixa de apresentar a Bibliografia e o Índice Toponímico.

Naturalmente que o Castelo de Alcoutim ocupa cinco páginas em que além do texto surge um dos desenho de Duarte de Armas (Séc. XVI) e cinco fotografia recentes.

O autor, Valdemar Fernando da Silva Coutinho, é Mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e foi professor do Ensino Secundário, tendo várias obras publicadas.

A Edição é de Algarve em Foco Editora, Faro e a edição de 5 000 exemplares teve lugar em 1997.

É um livro que deveria fazer parte, pelo menos, de todas as bibliotecas oficiais do Algarve o que duvido que aconteça.

O nosso trabalho, Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio, Edição da Câmara Municipal de Alcoutim, 1985, faz parte da bibliografia.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Estatística de Maio de 2009 a Dezembro de 2011



Considerámos ser interessante apresentar aos nossos visitantes / leitores, já que só nós temos tenho acesso a esses dados, o movimento dos vários escritos, nos termos que mensalmente temos vindo a informar, desde Maio de 2009 até Dezembro de 2011 (inclusive).

Que nos lembremos e durante muitos meses a 1ª posição foi ocupada por D. FERNANDO DE MENESES, 1º CONDE DE ALCOUTIM, certamente por ser entre aquela casa nobre o que suscitou mais curiosidade entre os nossos leitores. Reparar que mais nenhum entra nestes dez primeiros e não temos acesso às restantes posições. Mesmo assim, o “post” ocupa a 3º posição. Para nós são mais curiosas as notas biográficas do 2º Conde, pela sua intelectualidade e a do 6º e último que foi degolado no Rossio em 1641. Os gostos são naturalmente diferentes.

Passou a ocupar a 1ª posição o ALCOUTIM LIVRE, IMPARÁVEL! que se manteve pelo menos até 31 de Dezembro último o que poderá ter algum significado.

A 2ª posição é ocupada por PESSEGUEIRO, O “MONTE” MAIS DINÂMICO DO CONCELHO, o que vem a confirmar o título que lhe demos, encontrando-se muito próximo da 1ª posição a que chegará, segundo pensamos, muito em breve.

Recentemente houve um período em que A ALDEIA DO PEREIRO E O SEU TOPÓNIMO tinha dezenas de visitantes diários, o que não aconteceu quando foi publicado em 2010.
Admitimos que esta procura tenha a ver com a hipotética extinção da freguesia. Entre o 3º e o 4º há uma diferença pontual considerável.

A 5ª posição ocupada por O MONTE DO MARMELEIRO, O LUGAREJO MAIS PRÓXIMO... foi igualmente obtida de uma maneira semelhante à que ocupa a 4ª posição. De um momento para o outro começam a aparecer diária e consecutivamente dezenas de visitas o que actualmente não se verifica.

No 6º lugar encontra-se A CAPELA DE SANTA JUSTA e bem próximo do 5º classificado. Há muito que vem disputando com A IGREJA DO ESPÍRITO SANTO, MATRIZ DO PEREIRO e que lhe segue com a mesma pontuação a liderança dos templos, deixando para trás todos os outros, a maioria dos quais têm maior valor artístico, arquitectónico e histórico.

A MEDIDA DO TEMPO, do nosso colaborador José Temudo, mantém-se, desde que existe contagem nos dez primeiros e o seu texto não está ligado a Alcoutim!

A ÁGUA-PÉ “ALCOUTIM LIVRE”, depois e de surpreendentemente ter ocupado um dos primeiros lugares, está em queda livre e em breve será ultrapassado por outros “concorrentes”.

A 10ª e última posição é ocupada por FORMA DE FILHÓS DE ROSA, sendo assim, o único representante da nossa rubrica Etnografia que habitualmente recebe muitos visitantes mas dispersos pelas peças e objectos que apresentamos.

Mostramos seguidamente a classificação a que nos referimos.

1º - ALCOUTIM LIVRE, IMPARÁVEL! (2010.07.10) - 265

2º - PESSEGUEIRO, O “MONTE” MAIS DINÂMICO DO CONCELHO (2011.12.07) – 260

3º - D. FERNANDO DE MENESES, 1º CONDE DE ALCOUTIM (2009.04.03) – 237

4º - A ALDEIA DO PEREIRO E O SEU TOPÓNIMO (2010.03.04) – 160

5º - O “MONTE” DO MARMELEIRO, O LUGAREJO MAIS PRÓXIMO... (2011,09.20) - 126

6º - A CAPELA DE STA. JUSTA (2010.06.06) – 120

7º A IGREJA DO ESPÍRITO SANTO, MATRIZ DO PEREIRO (2010.04.19) – 120

8º - A MEDIDA DO TEMPO (2010.09.11) – 116

9º - ÁGUA-PÉ “ALCOUTIM LIVRE” – (2010.09.10) – 103

10º - FORMA DE FILHÓS DE ROSA – (2011.01.02) – 99

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A desaparecida Ermida de São Sebastião em Sanlúcar do Guadiana

(PUBLICADO NO JORNAL DO BAIXO GUADIANA, Nº 86, DE JUNHO DE 2007)

Ao meu Bom Amigo, D. Miguel Ferrera.



Tive conhecimento da existência desta ermida, em tempos idos, através do Livro de Duarte de Armas.

Vai para uns vinte anos (1997) consultei o meu bom amigo, D. Miguel Ferrera, (1) no sentido de me poder informar qual era a invocação daquela pequenina capela que se situava num largo, bem perto do rio.

Recebi então um pequeno bilhete que guardo, em que, pelo seu próprio punho me informava: en el sitio denominado El arrabal estan las ruínas de la hermita San Sebastian.

Só muito depois vim a saber que esta ermida e na altura da Guerra da Restauração foi saqueada e arrasada pelos portugueses e os espanhóis não a reergueram. (2)

Como se poderá ver pela gravura, existia perto um cruzeiro.

Enquanto D. Miguel refere as ruínas, nesta indicação diz-se que se perdeu com o tempo o lugar da sua localização.



O conhecido comerciante sanluquenho, informou-me que tinham existido mais duas ermidas, uma no castelo de São Marcos com a mesma invocação e outra, à entrada do povo, chamada de São Brás, no sítio onde se encontram hoje as escolas.

São as únicas referências que possuo.



NOTA

(1) D. Miguel Ferrera a quem tive o prazer de oferecer um exemplar com dedicatória do meu livro, Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio, (subsídios para uma monografia), 1985, apreciou o trabalho como se fosse alcoutenejo e segundo me constou, adquiriu vários exemplares para oferecer a familiares e amigos, alguns de terras distantes.
(2) História de Sanlúcar de Guadiana (dactilografado)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Maria Silvéria Batista



Tivemos conhecimento no dia 8 deste mês do falecimento de Maria Silvéria Rita Batista, viúva do nosso amigo João Parreira Batista e mãe de João Manuel Batista. O funeral realizou-se em Alcoutim no dia 9 de Fevereiro de 2012.

Era natural de Mesquita, concelho de Mértola, onde nascera a 14 de Junho de 1930.
Há pouco mais de um ano vivia no Lar de Alcoutim, onde a vimos pela última vez em Junho do ano passado. Conheceu-nos imediatamente. Gozava de muito boa saúde mental e física como então observei e assim se manteria até à véspera de morrer.

Adoeceu de repente com dificuldades respiratórias e cardíacas, vindo a falecer no mesmo dia no Hospital de Faro.

G.S.

Pequena nota:

Aproveito o espaço para daqui enviar o meu abraço de condolências ao seu filho, meu "velho" Amigo João Manuel que conheci ainda nos bancos da "primária",que foi vários anos vereador na Câmara Municipal de Alcoutim e o 1º Comandante dos Bombeiros Voluntários da sua terra natal.
JV