segunda-feira, 26 de março de 2012

Aspectos do Reino do Algarve nos séculos XVI e XVII - A "Descrição da Alexandre Massaii (1621)



A Descripção do Reino do Algarve é um minucioso relatório da visita de inspecção que o engenheiro Alexandre Massaii fez, em cumprimento de ordens bem definidas, o qual se destinava a ser presente a Filipe III de Espanha.
O autor deste estudo sistematiza e trata os elementos contidos na informação transmitida pelo documento e compara-a com o de corografias de data anteriores, do que resulta um leque de aspectos de ordem económica, social, demográfica e militar, que vão enriquecer o conhecimento da região, e, finalmente, divulga o texto na sua forma original
.

É a transcrição do que consta na contracapa deste trabalho de autoria de Lívio da Costa Guedes. De 16X23 cm e 269 páginas é uma edição do Arquivo Histórico Militar e teve lugar em Novembro de 1988.

Este estudo põe em comparação “A descrição do Reino do Algarve” com a descrição das ”Diligências efectuadas em 1617”.

Procura o estudo analisar a Economia, a Infantaria e postulação e a Fortificação permanente da costa.

São várias as referências, como não podia deixar de ser, a Alcoutim. Entre outras encontramos dados relativos à sua localização e fortificação, ao comendador, aos rendimentos e ao número de defensores que tem tanto na vila como espalhados pelo seu termo em que se incluem Fornazinhas, Pereiro, Alcaria Queimada, aldeia de Martim Longo, Giões e Vale do Corpo que presumo tratar-se de Cachopo.

Adquiri o trabalho numa livraria então existente na cidade de Faro.

domingo, 25 de março de 2012

Forquilha de ferro



Mais um utensílio que continua a ser usado pelas poucas pessoas que no concelho ainda têm alguma actividade agrícola ou ligada à criação de gado.

O exemplar que apresentamos é muito antigo e admitimos que possa ter sido feito por um ferreiro do concelho. Serve, actualmente, como peça decorativa.

Os modelos hoje existentes saem de fábricas e ainda que a sua essência seja a mesma apresentam cabos “industriais” e com pega diferente desta que é muito rudimentar e que oferece menos suporte.

O número de dentes é variável conforme as necessidades do seu utilizador.

Destina-se a movimentar algo de certo modo compacto como estrume, palha, feno e tudo o que seja do mesmo tipo.

Eram indispensáveis para limpar as malhadas dos animais e revolver o estrume para um melhor curtimento.

sábado, 24 de março de 2012

Crónicas e Ficções Soltas - Alcoutim - Recordações - XXIV




Escreve


Daniel Teixeira




PEQUENO INVENTÁRIO SOCIAL

Para contar memórias ao fio da lembrança, mesmo que elas sejam, como são, diversificadas, é difícil não voltar a referir, ainda que noutros enquadramentos, noutras perspectivas aquilo de que já se falou. No meu caso as coisas, os acontecimentos, entrecruzam-se como se passássemos por uma rede de caminhos: é difícil por exemplo falar num caminho que está a norte sem fazer referência aos restantes e é difícil não descrever algo mais que se passou num desses caminhos que não estando directamente em causa já foi inclusivamente falado numa outra perspectiva.

Como já foi seguramente dito no período em que íamos passar algum tempo a Alcaria Alta durante as férias de verão na escola, já havia anos que o meu avô tinha passado de cavalo para burro. A minha mãe recordava-me de quando em vez que no seu tempo de mais nova tinham duas vacas que levavam a pastar as 4 irmãs, ainda, dado que uma faleceu depois com vinte anos sensivelmente. Tinham também algumas cabras e algumas ovelhas e o meu avô tinha um cavalo (ou égua) e uma parelha de mulas. Como também já disse eu comecei as minhas idas a Alcaria Alta já no período asinino da vida do meu avô.

Esta morte da minha tia, falada acima, que não cheguei a conhecer senão pelas fotos esbatidas, algumas em castanho claro e outras em castanho avermelhado que estavam no quarto, foi uma ausência sempre sentida também por nós: no quarto onde ela faleceu, enviada para casa vinda do então Hospital da Misericórdia de Faro para morrer em família, guardaram-se sempre as garrafas de soro vazias, em vidro grosso naquela altura, assim do tamanho aproximado a uma garrafa de 33 cls de água, mas compridas e afuniladas nas pontas. Era um vidro grosso que manuseávamos com o maior cuidado e mesmo depois de falecidos os dois velhotes elas lá ficaram e não me parece que alguém as tenha deitado fora. Havia ali, apesar de tudo, uma recordação que ainda estava viva.
Havia uma janela falsa na parede, com duas ou três prateleiras que funcionava quase como uma guarita memorial a essa minha falecida tia e era nesse mesmo quarto com duas camas de casal que nós ficávamos.

A minha avó, pelo que me disse a minha mãe teve 9 filhos, cinco dos quais morreram ainda bebés. Calculo que apesar das possibilidades de adquirir algum difícil hábito a gerir essas mortes e a fazer lutos curtos também para não influir nos sentimentos das filhas vivas, cada uma delas sucedesse com grande desgosto de todos.

O desgosto natural pelo falecimento de um ser que não vinga e que sai de dentro de uma mãe e aquele sentimento bem expresso sempre de se viver uma fatalidade contra a qual nada havia mesmo a fazer no sentido absoluto do termo. Era mesmo o que Deus queria...pensariam talvez porque cuidados pré-parto não havia mesmo e levaram muitos anos a vir a ter lugar para além do facto quase inultrapassável de ter a futura mãe de trabalhar praticamente até aos últimos dias da gestação.

A minha bisavó, do lado da minha avó, tinha tido 13 filhos: ficaram após a idade infantil a minha avó, a Tia Marianita, a Tia Zabelinha, a «avó» Coelho e a avó Assunção e safou-se da razia da mortalidade infantil ainda um do sexo masculino, o tio Eurico com quem tive pouca lidação porque ele fez quase toda a sua vida na zona de Lisboa e de quem já falei numa outra crónica porque só vim a saber da sua existência muito tarde, já com cerca de 14 / 15 anos penso eu.

Veio no entanto este meu tio (então viúvo) a casar e anos depois a falecer em Faro, o que também já referi. Lembro-me bem dessa parte, dele ter ficado viúvo e das minhas tias procurarem arranjar-lhe casamento, a seu pedido, é claro, uma vez que ele para a vida de solitário não se sentia fadado.

Os conciliábulos de candidatura tinham lugar não sei bem porquê na casa de uma senhora que tinha uma mercearia aqui em Faro, a senhora Clara, casa essa onde eu também ia, a acompanhar a minha mãe e a minha tia (uma, a que vivia em Faro na altura). Houve uma verdadeira mobilização de apoio ao Tio Eurico e as possíveis candidatas talvez andassem pela dezena, originárias de vários pontos do país chegadas pela via da conhecida que conhece uma conhecida e assim sucessivamente.

Por vezes era solicitado para tentar decifrar algumas partes de cartas e pelas fotografias que vi e pelos trechos que li todas as candidatas eram bonitas, boas senhoras e trabalhadeiras, embora os anos lhes pesassem para além das fotos; nesse tempo havia sempre a desculpa das fotos tipo Bilhete de Identidade serem quase uma raridade e as outras fotos também. Assim eram muito raras as fotos que se podiam considerar actualizadas ou próximas dos tempos presentes na altura.

O meu tio acabou por casar com uma excelente senhora com a qual contudo não tive muita lidação: tinha uma chapelaria que acabou por vender, casaram mesmo, e durante os poucos anos que o meu tio avô viveu as informações que iam chegando à nossa casa eram das melhores.

Enviuvando essa minha tia avó por casamento acabou por arranjar um quarto num lar da misericórdia mas fora do regime geral, um quarto só para ela e levava a sua vida social normal fora do Lar. O meu tio tinha trabalhado nas oficinas de material de guerra e tinha para a época deixado «uma boa reforma». Quem a visitava sempre que vinha a Faro era a minha prima Marquinhas, uma jóia de pessoa desde sempre, e uma visitadora nata. Já falei dela também...Lembro-me bem dela dizer que achava o Lar tão bom que quando se reformasse pensava ir para lá viver...faleceu antes disso poder ter lugar.

O que conto são memórias de pessoas simples, conto também algumas excepções ou tentativas de se fazer o excepcional, conto os regressos da emigração e arranjar uma casa melhor a jeito, comprar um táxi ou um tractor e voltar a trabalhar, sempre: nunca conheci por lá ninguém encostado ao dinheiro que tinha nem à reforma que podia ter: na sua grande parte foram regressos com mais folga, com melhores condições de vida, mas empreender, ser empreendedor, transformar coisas ou procurar fazer evoluir as coisas não conheço ninguém.

«O seu primo M. foi o homem que mais Marcos trouxe da Alemanha!» - dizia-me um outro que tinha sido colega dele por lá: falei-lhe nisso, do que o outro dizia: «Achas que pode ser verdade? Então vê a minha vida: tenho de trabalhar todos os dias, as minhas filhas ficaram pelo 9º ano uma e a outra pelo 12º, começaram as duas a trabalhar aos 18 anos...depois de veres isso ficas a saber os Marcos todos que eu trouxe!»

Acho que a sociedade campesina naquele monte e noutros seguramente interiorizou e interiorizou-se no fracasso, desistiu pura e simplesmente como tinha feito desde sempre, com menos ou mais meios. Relatar esta tristeza incrustada não me agrada, como é claro, mas por vezes também sinto que um inventário correcto (pelo menos na minha perspectiva) é um elemento importante para se calcular o que se poderia fazer no futuro se houvesse futuro mesmo.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Passaram-se 37 anos!



A Câmara Escura de hoje apresenta-nos uma fotografia tirada em Alcoutim já lá vão 37 anos!

Além das duas adultas que se podem divisar, temos um conjunto de crianças, não todas da vila de Alcoutim, algumas são do monte de Tacões (Pereiro) e que serão facilmente identificáveis pelo menos por quem as conheceu nessa idade.

Tratava-se de festejar um aniversário ocorrido no mês de Fevereiro.

Estas crianças têm hoje entre os 40 e os 50 anos. Muitas têm filhos bem crescidos e possivelmente alguém já será avô ou avó.

quinta-feira, 22 de março de 2012

A desaparecida Ermida do Espírito Santo, na Vila de Alcoutim, estaria ao culto em 1855?

(PUBLICADO NO JORNAL DO BAIXO GUADIANA Nº 83 DE 27 DE JANEIRO DE 2007)


Há dezoito anos fizemos publicar no Jornal do Algarve, mais precisamente no número de 2 de Fevereiro de 1989, um pequeno escrito que intitulámos “A desaparecida Ermida do Espírito Santo, na Vila de Alcoutim”.

Tinha por fim acrescentar alguma coisa ao pouco que tínhamos escrito sobre ela no nosso trabalho, Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio, (subsídios para uma monografia), Edição da C:M.Alcoutim, 1985 e isto devido ao que tínhamos obtido no excelente trabalho Visitações da Ordem de Santiago no sotavento algarvio, Edição da C.M. de Vila Real de Sto. António, 1987 e de autoria de Hugo Cavaco.

Quando chegámos a Alcoutim na década de sessenta, existiam um mínimo de ruínas que o nosso desenho procura retratar e não foi fácil saber o nome da invocação pois todos diziam que era a “igreja do rossio” por se localizar perto daquele que ainda existia na altura mas que em meados do século XIX e antes da alienação da sua melhor e maior parte, dividida em vinte e sete fracções, nele se situava.

Sobre a ermidinha, eu tinha-a visto desenhada e por deferência do sr. José Madeira Serafim, num quadro oferecido pelo Doutor José Leite de Vasconcelos a Manuel António Torres, natural da vila, considerado seu informador epistolar, (1) que foi vereador e presidente da Câmara e mais tarde seu secretário, funções de que se aposentou.

Mais tarde verifiquei que se tratava de uma reprodução do desenho existente no Livro de Duarte de Armas que eu já sabia existir mas que desconhecia o seu conteúdo.

A minha curiosidade levou-me a tentar encontrar alguma referência escrita o que não consegui obter nos arquivos que me foi possível consultar: Misericórdia, Câmara Municipal e Repartição de Finanças! Nem uma palavra, nem mesmo a quando da Cheia Grande do Guadiana (1876/77) onde admiti que algo tivesse sido escrito já que com certeza ficou completamente submersa. Já estaria em absoluta ruína nessa altura e daí não terem sido referidos os estragos? É possível.

Um dos principais aliciantes de quem investiga é por vezes encontrar “coisas”que não está procurando e que quando o fez lhe levou muitas horas de trabalho e mesmo de desespero! Foi o que me aconteceu no passado mês de Novembro quando me desloquei propositadamente a Faro para no Arquivo Distrital procurar dados que considerava importantes para um trabalho que ando a realizar, o que de certa maneira obtive, só não sendo mais positivo porque enquanto uns dos dados estarão na Torre do Tombo, os outros encontram-se ainda na Conservatória do Registo Civil de Alcoutim.

Ao pesquisar os assentos de óbito da freguesia de Alcoutim, aparecem-me dois, seguidos e do mesmo dia, 20 de Agosto de 1855, o primeiro referente a D. Maria do Carmo Xavier Casqueiro de Sampaio, casada com Manuel Francisco Piçarra, natural da cidade de Elvas, residente na cidade de Tavira, o outro de Eduardo Augusto Xavier Casqueiro de Sampaio, solteiro, natural da Vila de Moira, (Moura) igualmente residente em Tavira e que presumo serem irmãos ou pelo menos parentes próximos. Não se indica a idade em qualquer deles e os assentos são lavrados pelo Padre António José Madeira de Freitas (tio).

O que a nós nos chamou a atenção foi o facto de ambos terem sido sepultados na Ermida do Espírito Santo, extramuros desta Vila de Alcoutim.

Significará isto que nessa altura a ermida ainda se encontraria de pé e ao culto? Não encontrámos nas proximidades daquela data mais ninguém com tal sepultura.

As pessoas viviam em Tavira, o que teriam vindo fazer a Alcoutim? Teriam aqui familiares ou seriam aqui proprietários? A família Xavier por essa altura possuía vários elementos espalhados pelo concelho, nomeadamente em Alcoutim, Pereiro e Martim Longo (nesse ano era um Xavier o maior contribuinte da freguesia) e nas freguesias vizinhas de Odeleite, Cachopo e do Espírito Santo. Igualmente temos conhecimento da deslocação para a cidade de Tavira de um membro, pelo menos, desta família.

A situação sugere-nos a deslocação das vítimas de Tavira, onde a cólera-morbo já se faria sentir, para estas paragens de ares mais puros e com a epidemia mais distante. Sabemos que de 28 de Julho a 15 de Outubro de 1856 a presença da terrível epidemia, tinha obstado à realização das sessões da Câmara. (2)

A sepultura na ermida porquê, uma vez que o cemitério já estava em funcionamento há alguns anos?

Sugerimos duas hipóteses: ou a ermida pertenceria à família, obtida após a implantação do liberalismo, fazendo parte de um dos vinte e sete talhões em que o melhor terreno do rossio foi divido por deliberação da Câmara Municipal da altura (3) e assim a família teria o interesse e autorização para o efeito, ou tratando-se de vitimações por tal doença haveria a necessidade da sepultura ter lugar em local distante para evitar contágios e daí a referência no assento a extramuros desta Vila.

Será assim? Não sabemos, mas com os elementos que dispomos até agora, são as hipóteses que consideramos mais viáveis.

Para quem não sabe, dizemos que as ruínas da ermida foram removidas para possibilitar a construção do Lar de Alcoutim.


NOTAS

(1) - Etnografia Portuguesa, Tentame de Sistematização pelo Dr. J. Leite de Vasconcelos, VOLVI, organizado por M.Viegas Guerreiro, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1983.

(2) - Saúde e Assistência em Alcoutim no século XIX, António Miguel Ascensão Nunes (José Varzeano), Ed. da Câmara Municipal de Alcoutim, 1993, pág. 16

(3) – "Coisas Alcoutenejas . Os Rossios", José Varzeano, in Jornal do Algarve – magazine, de 30 de Junho de 1994.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Guerras de 1252 / 1253 (Pela posse do Algarve)

D. Fernando, rei de Castela, não se opôs à conquista do Algarve.

Morrendo em 1252, sucedeu-lhe o filho, Afonso X, o Sábio que contestou a legitimidade das conquistas feitas pelos portugueses no Algarve, invadindo com grandes forças o País, entrando por esta vila, pondo cerco a Tavira, que levantou e apossando-se de algumas povoações algarvias e isto para manter pelas armas a primazia dos seus direitos.

[D. Afonso III]
Os incidentes de fronteira continuaram aqui e ali e com desvantagem para os portugueses. Afonso III, reconhecendo a sua inferioridade militar, procura resolver a situação através de conversações.

O papa Inocêncio IV, em 1253, consegue uma trégua entre as duas partes desavindas e pela conferência de Chaves chegou-se a uma concórdia, propondo-se o rei português casar com D. Beatriz de Gillen, filha bastarda de Afonso X. Por outro lado o rei de Castela guardaria para si o usufruto do Algarve até que o primeiro filho varão do matrimónio atingisse sete anos, altura em que reverteria à Coroa portuguesa o domínio soberano do Algarve.

O nascimento de D. Dinís, ocorrido em 9 de Outubro de 1261, veio resolver o dissídio, o que se firmou pelo Tratado de Badajoz, em 1268.

Estas guerras são mal conhecidas nos seus pormenores havendo mesmo quem as ponha em dúvida à falta de qualquer notícia expressa.

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Nota
Para a organização deste assunto consultámos, entre outras, as seguintes obras:

Corografia do Algarve , 1841, João Baptista da Silva Lopes.
Portugal Militar, de Carlos Selvagem.
Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular , 1968, de Américo Costa.
História de Portugal, Direcção de José Mattoso.

[Extraído da 2ª Edição de Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio, Subsídios para uma monografia (em preparação)]

terça-feira, 20 de março de 2012

Afonso Vicente foi um grande monte da freguesia de Alcoutim [8]

ASPECTOS CONSTRUTIVOS DESAPARECIDOS OU QUASE

FORNOS

Os fornos eram no século XII importante meio de produção no conjunto das actividades económicas, sendo numerosíssimas as referências feitas nos forais.

Se muitos se encontravam sob o poder senhorial, havia os que constituíam propriedade comunal, como eram os fornos dos concelhos, públicos que chegaram aos tempos modernos e sobre os quais no concelho ainda se encontram resquícios.

Os fornos hoje quase desaparecidos no “monte” e os poucos que existem estão desactivados, foram numerosos e indispensáveis até meados do século passado.

Garantiam o cozer do pão principal sustentáculo da alimentação destas gentes.

Enquanto alguns montes possuíam o seu forno comunitário que chegámos a conhecer em actividade, não nos consta que aqui tivesse existido.

Nem todos os fogos possuíam o seu forno recorrendo aos dos familiares, compadres ou vizinhos.

De uma maneira geral as pessoas ajudavam-se tanto nestas tarefas como nos trabalhos agrícolas, organizando-se conforme as circunstâncias, tomando em consideração os trabalhos considerados prioritários.

As amassaduras eram semanais e juntavam-se duas ou três no mesmo forno pois assim gastava-se menos lenha para o aquecer. A que cozia primeiro num dia, chamada a “aquentadeira”, era substituída por outra na semana seguinte e assim iam rodando. O sistema proporcionava uma ajuda mútua.


Existiam vários tipos de fornos que de uma maneira geral se situavam perto da casa do seu proprietário e mais raramente no seu interior, ao jeito do que acontecia no Alentejo.

O tipo mais vulgar tinha um formato redondo, cúpula levemente abaulada, variando de construção para construção. A cobertura que muitas vezes no vértice levava uma panela de barro velha e emborcada, era resguardada por telha com beiral redondo e na maior parte das vezes por lajes de xisto o que se tornava menos dispendioso.

A porta do forno muitas vezes feita com dois velhos ferros de charrua dando-lhe uma forma quase ogival, tapava-se habitualmente com o fundo de um bidão suportado por um pau.

A base do forno era feita de tijolo de burro ao alto ligado por barro amassado que se arranjava, por vezes bem distante, num pequeno filão que ia sendo explorado. Na altura não havia barro refractário que hoje se adquire com facilidade.

A abóbada do forno requeria o mesmo material auxiliado com cacos de telha de canudo e de objectos de barro não vidrado que se iam partindo e a que davam aproveitamento adequado.

O forno tinha que ter um buraco, a que chamavam ouvido, para poder respirar, isto é, entrar o ar que alimentava a combustão, entrada que era regulada por uma pedra.

A parede que envolvia a abóbada, muitas vezes circular, era feita de xisto e grauvaque, ajustando-se com barro, pedra e cacos e com o sentido da conservação do calor ser mais eficiente.

Estes fornos circulares tinham junto um pequeno poial de apoio e por vezes uma pequena laje saída (pilheira) para colocar algo a proteger de cães e gatos.

Havia fornos com telheiro ainda que tudo o resto funcionasse da mesma maneira.

Menos vulgar era o aparecimento de forno resguardado por pequena casa.

O último forno construído em Afonso Vicente teve lugar em 2002 e está representado em foto que aqui apresentamos.

O aquecimento fazia-se com lenha sendo utilizada preferencialmente a esteva seca que além de arder bem produzia bom calor.

O pão é um alimento elaborado com farinha, neste caso, de trigo, água e sal, levando fermento.

Depois de convenientemente amassado o produto apresenta-se elástico o que permite dar-lhe várias formas.

Quando se cozia, aproveitava-se também para fazer “costas”.

Como utensílios a utilizar, temos a pá de enfornar, para colocação e retirada do pão, constituída por cabo e pá, o “varredoiro”, constituído pelo cabo e as “barbas” (farrapos de pano) e que serve para varrer o solo ou cepo. O forcado para espalhar o brasido e o rodo para retirar a cinza.

Em Abril de 1990 segundo inventário que realizámos existiam ainda 22 fornos no monte, ainda que a maioria já estivesse em completa ruína. Foram rotulados como pertencentes a: Florinda Madeira, Sebastião Costa, Joaquim Gomes, Francisco Valadas, Maria Florência, Maria Jesuina, José Marques, Maria Custódia Canelas, António Cavaco, José Romão, Antónia Maria, Silvina Dias, Francisco André, António Bento, António Lima, Fernando Mestre, José Mestre, Manuel Joaquim, Joaquim Patrício e José Martins. Alguns já não sei onde se situavam.


PILHEIRAS

O substantivo pilheira significa principalmente lugar onde se empilham coisas
Como regionalismo significa vão na parede, onde se arrumam vários objectos, cantareira aberta na parede, buraco na parede, que serve para arrecadação ou arrumos e aparece como sendo próprio do norte do país.

Acontece que com o mesmo significado é usado no concelho de Alcoutim e possivelmente em zonas confinantes.

Mas aqui não tem apenas este significado como já algumas vezes tentámos explicar.

A falta de madeira, a pobreza da região e outros factores levaram o alcoutenejo a arranjar locais onde pudesse colocar os poucos utensílios de que dispunha. Ao construírem as grossas e toscas paredes de xisto e grauvaque, aproveitavam pedras com alguma largura e compridas, que não partiam com facilidade, chamando-lhes assim pedras rijas e colocavam-nas a servir de lintel em portas e janelas e também nos buracos que iam deixando na parede. A base, onde se empilhavam os objectos, era feita de pequenas lajes ajustadas com barro. Havendo falta de grauvaque utilizavam paus de zimbro ou de azinho, tendo preferência o primeiro que resistia muitas dezenas de anos. Quem tiver espírito de observação ainda poderá verificar esta situação principalmente em edifícios em ruína.

Ainda que as velhas pilheiras tenham vindo a ser eliminadas, o afonso-vicentino não as deixou de construir adequando-as aos novos tempos.

Nos anos 40 do século passado já se faziam pilheiras para bilhas e cântaros como a figura ao lado apresenta.

Aqui já aparecia o tijolo de burro que possibilitava uma estrutura diferente e em que a parte cimeira era feita com o auxílio de arcos de cintar barris e de canas.

Outro tipo de pilheira que conhecemos, e foi o primeiro que nos chamou a atenção pois desconhecíamo-lo completamente, é o constituído por uma pedra de xisto, saída da parede, perto da porta e igualmente nos fornos, e em posição elevada.

A nossa curiosidade levou-nos a perguntar qual era a sua utilidade, que nós não descortinávamos. A resposta não se fez esperar, tendo-me sido dito que se chamava pilheira e que tinha servido, em tempos mais antigos, para colocar o tacho das papas para arrefecer, ficando assim protegido de cães e gatos.

Vim depois a verificar que a sua existência era vulgar pelos “montes”.

Das três que conheci no “monte”, ainda existem duas, apesar das moradias terem sido restauradas, os seus proprietários entenderam conservá-las como símbolo de um passado que é preciso preservar.

Recentemente descobrimos mais duas em casas abandonadas.


Mas ainda falta referir outro tipo de pilheira e que não foi muito fácil de definir.

Ao pretender analisar este tipo que conhecemos desde que chegámos a Alcoutim, perguntámos como se designava aquela construção-utensílio. Todos me responderam:-PILHEIRA.

Por volta de 1986 ao visitarmos um monte da freguesia de Vaqueiros encontrámos o mesmo “objecto”e com funções idênticas. Aproveitamos a presença de uma habitante que dela se estava servindo, perguntando como se chamava. Resposta:- uma fornilha.

Considerámos o termo mais consentâneo com a sua utilização e pensámos que tivesse origem, tal como tantos outros por aqui utilizados, na vizinha Espanha que no decorrer dos tempos teve sempre relações de trabalho e consanguíneas com esta região.

A palavra, pelo menos foneticamente, aproxima-se do nosso fornalha.

A designação de fornalha ou de fornilha, ajustava-se bem ao seu desempenho.

Desejando agora voltar ao assunto, até porque os poucos exemplares existentes deixaram de funcionar e por isso são removidos na primeira oportunidade, comecei por perguntar como se chamava aquilo. As pessoas responderam-me todas o mesmo: PILHEIRA!

Ao dizer-lhes que a designação de pilheira nada tinha a ver com as outras que eu conhecia, acrescentando que me tinha sido referido como fornilha, o que no meu entender, mais se ajustava, disseram-me que aqui, foi sempre PILHEIRA.

De uma maneira geral situavam-se perto da casa e muitas vezes na extremidade do pial (poial)que além de servir para as pessoas se sentarem a descansar, muitos eram utilizados para lavar a louça, primeiro em alguidares de barro, depois de plástico.

Esta pilheira servia para cozinhar as refeições principalmente no Verão para assim evitar que a "casa do fogo" nessa época se tornasse ainda mais quente.

O seu formato foi evoluindo conforme as necessidades, acabando por ser coberto e levar chaminé além de por vezes na parte inferior aparecer espaço para arrumar a lenha trazida regularmente em faxinas

Hoje poucos exemplares restam mas já sem essa funcionalidade.

(CONTINUA)

segunda-feira, 19 de março de 2012

D. Miguel Luís de Meneses, 1º Conde de Valadares, neto do 5º Conde de Alcoutim, do mesmo nome

D. Miguel Luís de Meneses era filho de D. Carlos de Noronha, Comendador de Marvão na Ordem de Avis e presidente da Mesa da Consciência e Ordens, um dos Conjurados e de D. Antónia de Meneses, filha legitimada de D. Miguel Luís de Meneses, 5º Conde de Alcoutim, seu avô materno a quem foi buscar o nome.

Nasceu em 1638, por isso, dois anos antes da Restauração.

O título criado pelo rei D. Pedro II de Portugal, por carta régia de 20 de Junho de 1702, o que veio a pôr cobro a uma longa questão jurídica encetada por D. Carlos de Noronha.

Foi acordado que ficaria pertencente do novo condado certas rendas em Leiria, sucedendo nos bens da Casa de Vila Real doadas a sua mãe pelo avô e sendo comendador de São João da Castanheira, São Gião de Montenegro e da Granja de Alpiarte, na Ordem de Cristo.

Casou aos 16 anos com D. Madalena de Lencastre e Abranches, filha herdeira de D. Álvaro de Abranches da Câmara que foi conselheiro de Estado e Governador de Armas da Província do Minho e Beira e de sua mulher D. Maria de Lencastre, filha do 4º Barão de Alvito, D. João Lobo.

Deste matrimónio nasceram seis filhos, sendo o primogénito D. Carlos de Noronha, tal como o avô, herdou o título e veio a ser assim o 2º Conde de Valadares. D. Álvaro de Abranches, nascido a 7 de Junho de 1661, foi um dos seus filhos que mais se notabilizou. Entre outros cargos, exerceu o lugar de Bispo de Leiria não tendo aceite o de Arcebispo de Évora com que D. João V o pretendeu distinguir.

No séc. XVII, o Palácio de Valadares em Lisboa estava na sua posse habitando-o com a esposa desde o casamento, tendo aí falecido em 1 de Fevereiro aos 76 anos, foi sepultado no jazigo de família no vizinho Convento do Carmo.

Neste palácio continuaram a viver os Condes de Valadares até 1755, ano em que sofreu os efeitos do terramoto e teve de ser reconstruído, obra mandada realizar pelo 6º Conde e concluída em 1785.

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História Genealógica da Casa Real Portuguesa, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi/Público – Academia Portuguesa da História.

Wikipédia, a enciclopédia livre

http://www.geneall.net

http://www.monumentos.pt

domingo, 18 de março de 2012

Grade



Este tosco aparelho era constituído por dois troncos de cerca de um metro de comprimento ligados por duas barras de ferro e que eram embutidos por cavilhas de ferro pontiagudas, a que chamavam dentes e com algum espaço entre eles.

Era puxado por bois ou machos, destinando-se a gradar a terra ou seja esterroar ou aplanar a mesma depois de lavrada.

O presente exemplar é bem antigo e rudimentar. Havia-os de diversos tamanhos, conforme as necessidades dos utilizadores.

Reparar que a peça dianteira tem uma configuração um pouco abaulada ao contrário da outra e isto acontece para que qualquer empecilho seja deitado para os lados com mais facilidade.

Com a evolução, estas peças passaram a ser todas em ferro e os tractores substituíram os animais.

Naturalmente que os poucos objectos deste tipo existentes no concelho constituem verdadeiras peças de museu, o que não existe no concelho de Alcoutim.

sábado, 17 de março de 2012

Crónicas e Ficções Soltas - Alcoutim - Recordações - XXIII




Escreve


Daniel Teixeira




VOLUNTARISMO E IMPOSIÇÃO

Alcaria Alta era e sempre foi uma grande terra, um grande Monte que conseguia conciliar uma população relativamente alta (na proporção) com alguma tranquilidade e muito poucos conflitos.
Havia sempre, como em todos os lados, penso, pessoas que tinham uma noção não muito exacta sobre aquilo que era conviver por lá visto na perspectiva ética cimentado nos costumes mais antigos e por vezes outras tinham alguma escassez de ética quase natural que não tinha nada a ver com conflitos de interpretação geracional mas sim com a tal falta de chá em pequenino.

Os poucos conflitos que conheço sendo de quase somenos importância têm sobretudo a ver com relações de vizinhança mal digeridas o que por vezes tinha também a ver com a difusa demarcação de territórios. De uma forma geral, e conheço isso por razões profissionais, os maiores destruidores da unidade familiar alargada, na minha modesta opinião - é claro - são os divórcios e as heranças.

Deixemos a sociedade moderna e o espartilhamento relacional que a habitação empilhada e o distanciamento métrico favorece, muitas vezes como desculpa, mesmo, teremos de reconhecer, metendo neste caso eu mesmo a mão na minha poluída consciência neste aspecto.

Ora e feita esta minha mea culpa e entendendo que os divórcios não eram abundantes no meu tempo de criança e jovem no campo, resta-nos as heranças que normalmente são discutidas ao milímetro quadrado em qualquer parte do mundo. De facto era aborrecido - penso eu que seja lógico pensar-se - que um longínquo sobrinho cuja existência até se desconhecia venha a obter parte numa coisa para cuja construção e ou consolidação e ou manutenção nunca mexeu uma palha.

E esses rumorejares aconteciam, ficavam, deixavam as pessoas indispostas, por vezes repetitivamente revoltadas, enfim...penso que seja fácil entender: já é mais difícil ter de ouvir bater sempre na mesma pedra, isso sim..., ser naturalmente simpático e ouvir, e ouvir, e ouvir e não ter coragem de dizer que já vamos na audição do centésimo relato.

[Acesso ao monte. Escola há muito desactivada. Foto JV]

Contudo alguns dos mais fortes embates tiveram lugar após o 25 de Abril não propriamente por razões políticas mas dada a relativa e inesperada liberdade que houve dificuldade em gerir. Um mundo novo parece ter-se aberto e qual artesões confrontados repentinamente com novas tecnologias o pessoal acabou por se ver um bocado à nora.

O voluntarismo institucional, máquinas do exército para arranjar caminhos, por exemplo, foi bem aceite e neste caso cabe perguntar (esta minha curiosidade intelectual ainda me vai «matar» um dia) cabe perguntar, dizia eu, se neste composto voluntário institucional não terá contado para a imediata aceitação o facto de haver neste composto também alguma imposição implícita.

Na verdade e pelos recontos que obtive tudo foi feito «pela tropa», «foram eles que arranjaram», «chegaram aqui um dia com as máquinas e em três dias endireitaram aquele caminho todo», etc. etc. - a tal de democrática consulta popular talvez fosse um processo demasiado lento para a urgência militar, neste caso, pelo que o facto consumado acabou por funcionar. Não vi mas calculo que os mirones das obras fossem todos os habitantes disponíveis no Monte. No entanto o voluntarismo local não teve a mesma sorte daí que eu me tenha lembrado de falar atrás do factor impositivo.

Por exemplo, o Rossio de Alcaria Alta, que era um descampado que começava em termos métricos a seguir á Escola Primária para quem entra no Monte pelo lado de cima e se estendia quase em redondo até à taberna da Ti Inácia contornando para a esquerda junto às pocilgas da minha «avó» Assunção (e depois também as do Chico Artur) que ficavam junto à Portela de Santa Justa, subindo depois um pouco no sentido contrário até onde agora está (penso eu) um poço com roda de puxar, tinha um afundamento ligeiro no terreno sensivelmente a meio do seu circulo, afundamento esse que ia desaguar quando chovia junto ao poço já na entrada da zona da Valdégua, que até tinha agora as rochas arrumadas e calcadas pela tropa.

Ora o Ti Zé Luís, um agricultor comerciante e vice-versa, que fornecia linhas, agulhas, elásticos e material do género mesmo em sua casa e que de quando em vez fazia surtidas pelos montes com o macho aparelhado e encaixado nas laterais à comerciante era tido como sendo simpatizante comunista.

Ora, por aquilo que me apercebi em Alcaria Alta para algumas pessoas bastava ter barba comprida para se ser apelidado de comunista. Eu safava-me com a minha barbicha a meio caminho e talvez porque fosse «bom moço demais» para ser isso...não sei. Acho também porque lá eu nunca cresci e que mesmo de barbas, casado e depois pai de filhas ainda me viam de calções curtinhos e botas cardadas chutando as pedras.

Bem, o Ti Zé Luís tinha «contra» si pelo menos um factor: tinha trabalhado ao que me constou na Mina de S. Domingos e de lá «saíam todos comunizados». Até um tio indirecto meu que era das Velhas e que também tinha andado a penar debaixo de terra «era comunista», mas neste acertavam eles sem saber porque embora não percebesse nada de política o PC ou coligações tinham nele um voto certo.

[Antigo poço do monte. Foto JV]

Pois, o certo ou errado «comuna» do Monte resolveu um dia fazer uma coisa que até tinha bastante jeito que era uma vala de escoamento a meio do Rossio, que no Inverno tinha de ser contornado na sua enchente. O homem meteu o seu trabalho, meteu o seu macho a puxar o arado, teve o trabalho de escavar em complemento sem ajuda de ninguém (e sem mirones, pelos vistos) e acabou por levar um arraso verdadeiramente desmotivador de qualquer exercício cívico.

A minha prima queixou-se que tinha de ir deitar a minha Tia Zabelinha e tinha de atravessar o Rossio à noite e que podia partir uma perna, outros queixaram-se por causa dos animais que tinham de contornar a vala e a hipótese de fazer pontões ou meter manilhas de cobertura para passagens estava fora de causa (financeira e técnica).

Breve...parece que o estou a ver de mãos na cintura a olhar o trabalho completado com aquele olhar de satisfação próprio de quem acaba de cultivar um mortiço baldio ao mesmo tempo que o vejo irritado com a críticas.

Houve mais outra operação de voluntariado deste tipo realizada já por um grupo local de cinco ou seis homens mas essa acabou por ser levada no gozo. Eles diziam que tinham feito uma estrada de Alcaria Alta até Santa Justa, cabendo a este lado a ida até ao ribeirão e ao lado de Santa Justa o caminho inverso até ao Ribeirão na sua margem: quando chegaram quase ao fim viram que os dois caminhos (chamados de estrada) não encaixavam por uma centena de metros: um foi muito para a esquerda e/ou o outro foi muito para a direita pelo que vá de fazer uma curva de emergência.

Acontece que eu tive oportunidade de percorrer essa «estrada» anos depois e para além das pedras a bordejar o «traçado» fiquei com a sensação de que o conceito de estrada se tinha ficado por aí...para mim terá ficado o gesto e o voluntarismo.