quarta-feira, 4 de abril de 2012

Lisboa - Paris por cinco contos de réis [2]






Escreve

Amílcar Felício



E lá partiram acelerados no carro do “passador” pela Avenida de Ceuta adiante direitos à Avenida da República, para apanharem a auto-estrada do Norte. Armando e Faustino deixavam assim irremediavelmente para trás o Largo de Alcântara e aos poucos e poucos, era Portugal inteiro que lhes ia desaparecendo debaixo dos pés em direcção a um destino, que nem eles próprios tinham ainda definido exactamente qual seria.

Uma das hipóteses que consideravam plausível era assentar arraiais na Suécia pelo menos numa primeira fase, pois para além de terem consciência plena de que iriam ajudar a criar o efeito de mancha como veremos adiante, existia da parte deles uma certa simpatia e curiosidade por aquele país progressista verdadeiramente social-democrata. Na realidade comentava-se nos meios militares da altura à boca pequena mas com grande cumplicidade, a deserção “em massa” de um conjunto de mais de meia dúzia de Oficiais do Quadro de patente elevada – caso inédito até então, visto que só os milicianos desertavam – e que tinham sido extraordinariamente acarinhados e bem recebidos pelo governo social-democrata de Olof Palme com entrevistas televisivas inclusive.

De facto colocando-se sem rodeios nem diplomacias balofas ao lado da luta dos Povos das Colónias e dos seus Movimentos de Libertação mais genuínos, o governo sueco isolava com esta sua tomada de posição ainda mais o regime colonialista e a ditadura salazarista, tornando-se no contexto da Europa da altura, num apoio importantíssimo e de uma clareza sem precedentes a nível oficial! Na realidade “badalando” aos quatro ventos quer aquele acontecimento quer alguns dos massacres (1) em massa de civis nas colónias que começavam a ser conhecidos, faria com que a situação política portuguesa desse brado por essa Europa fora, mostrando à evidência os primeiros indícios de insatisfação e desagregação do Exército e a natureza do próprio regime salazarista.

Salazar começava a colher os dividendos, das medidas que entretanto fora obrigado a introduzir no Exército, provocando inclusive alguma fricção no seio do seu sector mais conservador. Na realidade com o desenvolvimento da guerrilha e a necessidade da presença militar cada vez maior nas colónias para lhe fazer frente, começava-se a fazer sentir sobremaneira a falta de quadros militares. Este défice de quadros levaria o regime ao longo da década de sessenta a promover a entrada de Oficiais Milicianos para o Quadro Profissional, aliciando-os com promoções e uma ascensão na hierarquia militar sem qualquer limite de posto, como acontecia até então.

Naturalmente que aqueles Oficiais em contacto com os militares de carreira, a maior parte deles provindo dos meios universitários – um dos sectores mais politizados da sociedade portuguesa de então – iria questionar decisivamente a própria mentalidade militarista e patrioteira reinante, abrindo-lhe novos horizontes e colocando-lhe novos pontos de vista. As consequências seriam ainda mais visíveis alguns anos mais tarde, numa já longínqua madrugada de Abril de 1974. Era a factura a pagar obrigatoriamente.

Mas na realidade quer na cabeça de Armando quer na cabeça de Faustino, nada estava verdadeiramente definido. Até à Suécia eram quase 4000 quilómetros que teriam que palmilhar e nesse longo percurso havia muito tempo para pensar no assunto. Agora o mais importante era dar o salto, ter o pé ligeiro e abrir a pestana o mais possível para se porem a salvo, pois sabiam que corriam o risco de uma boa meia dúzia de anos de prisão caso fossem apanhados. Diga-se de passagem que estavam em plena forma e preparados para o que desse e viesse!



Passaram pelo Saldanha e a pouco mais de 50 metros já na Avenida da República, apanharam o primeiro sobressalto. O “passador” dominava mal o trânsito na cidade e meteu-se na faixa de rodagem errada. Por ordem do Polícia Sinaleiro este obrigava-o com uma sinfonia impressionante de apitos a virar à esquerda. Desobedecendo àquela ordem, o “passador mete o prego a fundo” mandando o Polícia em alta voz para o “...alho” e prosseguindo a alta velocidade pela Avenida fora, como se nada tivesse acontecido. Armando olha para trás e observa preocupado o Sinaleiro a tomar nota da matrícula da viatura. Ficou apreensivo naturalmente. Receava que uma comunicação via rádio para uma Brigada de Estrada deitasse tudo a perder. Foi a primeira vez que se empinou com o “passador” perguntando-lhe com cara de poucos amigos se tinha consciência do risco que estava a fazer correr quer a ele quer ao amigo.



O “passador” homem de acção e de palavra fácil tentava acalmar Armando: “não se preocupe, este é o meu trabalho, sei bem o que estou a fazer esteja descansado...” Este incidente teve contudo um grande mérito pois fez cair Armando no erro que estava a cometer. Efectivamente na sua preocupação conspirativa de passar despercebido de tudo e de todos, Armando tinha guardado toda a sua documentação militar e civil por baixo das palmilhas dos sapatos. Caiu em si naquele momento arrepiando-se das consequências nefastas, se lhe pedissem a identificação numa operação stop. Ocorreu-lhe até de imediato que o Bilhete de Identidade de Oficial lhe poderia dar um jeitão e proporcionar-lhe melhores condições para se impor mais facilmente à autoridade se tal viesse a acontecer, o que não teria qualquer pejo em fazer naquelas circunstâncias.



Mas tudo correria às mil maravilhas até Coimbra aonde pararam na bomba de gasolina para atestar o depósito da viatura. Enquanto o “passador” tratava do assunto, Armando no banco de trás aproveitava aquele intervalo para se abstrair de tudo e ganhar nova energia e concentração para o resto da viagem, eis quando vê Faustino sair do banco da frente rastejando, vindo deitar-se precipitadamente aos seus pés. “Mas o que é que se passa pá”, pergunta-lhe Armando? “É pá, o meu Comandante está ali no carro da frente e ainda anteontem lhe fui pedir dispensa de uma semana para ir para Lisboa por causa da minha mãe que estava a morrer e agora vou para aqui disparado para o norte! Se ele me vê é uma grande bronca, pois vai desconfiar da marosca!” Tem calma Faustino continua aí deitado, diz-lhe Armando, que eu vou discretamente para o banco da frente que ele não me conhece e faço-te a cobertura enquanto não anoitece.



E assim continuaram a viagem até ser noite, Armando no banco da frente e Faustino deitado no banco de trás evitando que uma casual ultrapassagem posterior, permitisse qualquer reconhecimento. Mas todos estes incidentes de percurso tinham sido apenas o aquecimento para os maiores sustos que ainda estavam para vir dali para a frente, como veremos no próximo episódio.

(CONTINUA)

(1) Armando chegou a ter “aulas” de Acção Psicológica em que alguns Oficiais Instrutores “ensinavam” que para acabar com a guerrilha, era necessário fazer o mesmo que os franceses tinham feito na Argélia nos finais da década de cinquenta: por cada soldado francês morto, vai-se à aldeia mais próxima e liquida-se todos os aldeãos.

Mas pelos vistos nem assim resultou nem num lado nem no outro.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Afonso Vicente foi um grande monte da freguesia de Alcoutim [10]

INSCRIÇÕES EPIGRÁFICAS (1)


Existem nesta povoação três pequenas inscrições em pedra datadas do século XVIII e que espicaçaram a nossa curiosidade.

Uma detectei-a quando conheci o monte em fins de 1967 e é a mais completa. É do seguinte teor: M.EL (1ª linha), FR co (2ª linha), 1742 (3º linha).

Parece-nos querer dizer Manuel Francisco, 1742 o que hipoteticamente poderá significar que o senhor Manuel Francisco quando construiu a sua habitação quis deixar nela inscrita a data em que o fez.

Conheci a casa em completa ruína mas hoje encontra-se restaurada e a inscrição foi preservada.

A segunda encontrada e quarenta anos depois, é do mesmo século mas cerca de quarenta anos mais nova e encontrava-se igualmente num prédio em ruína e hoje recuperado. Apenas tem a era 1787. Houve uma tentativa da preservação da inscrição mas tendo-me sido possível observá-la no seu novo lugar, a inscrição está praticamente desaparecida admitindo que tal se poderá atribuir à sua exposição solar, virada a Norte ou a qualquer outro agente climatérico. Os caracteres apresentam alguma diferença para os da primeira inscrição.

Possivelmente a intenção desta gravação teria sido a mesma de Manuel Francisco.

A terceira e última inscrição foi-me revelada muito recentemente (2007), e é gravada com maior nitidez como se pode verificar pelas fotografias juntas e que se encontra na parte interior de uma casa em ruínas e daí não me ter chamado a atenção.

Ao contrário das outras duas, esta gravação epigráfica foi realizada em duas ou três pedras, parecendo-nos que a primeira hipótese se torna mais racional pois parece-nos que houve uma fractura da pedra onde se gravou uma data. Além de apresentar as mesmas características, se repararmos bem o pedaço mais pequeno, se o invertermos, ajusta-se bem notando o complemento do traço do 4. A reconstituição dará a era de 1742, a mesma que tem a referida em primeiro lugar.

Teria sido o mesmo artista a executá-la? É natural que sim pois os dígitos têm a mesmas características.

A outra gravação, trata-se da letra R e possivelmente representará a primeira letra do nome do proprietário.

Esta casa continua em ruína.

São as três gravadas em xisto e do século XVII, as de 1742 do reinado de D. João V e a de 1787 já no de sua neta D. Maria I, com regência do Príncipe D. João.

Desconheço se existem inscrições semelhantes em qualquer outro monte do concelho mas é natural que sim.

NOTA

(1)–Publicado no Alcoutim Livre em postagem de 26 de Novembro de 2009

segunda-feira, 2 de abril de 2012

D. Carlos de Noronha, 2º Conde de Valadares e bisneto do 5º Conde de Alcoutim


Sucedeu a seu pai no título e na Casa e foi-lhe dado o nome do avô paterno.

Filho de D. Miguel Luís de Meneses, 1º Conde de Valadares e da Condessa D. Madalena Maria de Lencastre e Abranches, nasceu em Leiria a 8 de Janeiro de 1658, vindo a falecer em Lisboa a 8 de Fevereiro de 1731.

Foi gentil-homem da câmara de El-Rei D. João V e pertenceu ao seu Conselho.

Comendador de S. João da Castanheira, S. Julião de Montenegro, Santa Maria de Viade e de Santa Maria de Locores, todas Comendas da Ordem de Cristo.

Foi Veador da rainha D. Maria Sofia. Era considerado pródigo em virtudes, benemérito, ânimo bondoso e devoto.

Tinha inclinação para as letras, principalmente para a poesia, sendo um dos Presidentes da Academia dos Generosos.

[Palácio Condes de Valadares]
Casou com sua prima co-irmã, D. Maria Teresa de Lencastre, em Lisboa a 25 de Abril de 1677 de cuja união resultaram cinco filhos.

Teve como cunhados, irmãos da condessa, o Cardeal da Cunha, Inquisidor-Geral e Tristão da Cunha de Ataíde, 1º Conde de Povolide.

Viveu no seu palácio em Lisboa e jaz no Cruzeiro da Igreja de S. Francisco da mesma cidade.

Sucedeu-lhe no título o filho mais velho, D. Miguel Luís de Meneses, a quem foi posto o nome de seu avô materno, 1º Conde de Valadares.

____________________________________________

História Genealógica da Casa Real Portuguesa, D.António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi/Público – Academia Portuguesa da História.

Wikipédia, a enciclopédia livre

http://www.geneall.net

http://www.monumentos.pt

domingo, 1 de abril de 2012

Estatística - Mês de Março de 2012



1º - O PASTOR OU “MAIORAL” (2012.03.02) – 29

2º - LISBOA – PARIS POR CINCO CONTOS DE RÉIS! [1] – 28

3º - O ORÉGÃO (2011.09.21) – 25

4º - APROFIP – ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES DE FIGO DA ÍNDIA – 23

5º - O CELEIRO DE ALCOUTIM – (2011.05.25) – 22

6º - CALDEIRADA DE PEIXE MUGE (2011.11.03) – 20

7º - INVERNO VEM... (POEMA) – (2011.01.15) – 20

8º - O FUTURO AGRÍCOLA DE ALCOUTIM – (2012.03.07) – 20

9º - A SOCIEDADE DOS CAIXÕES – (2011.09.03) – 20

10º - EDUCAÇÃO DO “ESTADO NOVO” – (2010.01.09) - 17


Do top ten do mês findo não aparece nenhuma das postagens do mês anterior o que não tem sido muito fácil de acontecer.

A nível de números indicados nota-se uma grande diminuição, mas o realce vai para os temas abordados pelos nossos colaboradores, encontrando-se Gaspar Santos por três dos seus artigos, O CELEIRO DE ALCOUTIM em 5º lugar, O FUTURO AGRÍCOLA DE ALCOUTIM na 8ª posição e a SOCIEDADE DOS CAIXÕES logo a seguir.

Amílcar Felício com o seu “conto” LISBOA – PARIS POR CINCO CONTOS DE RÉIS! [1] ocupa a 2º posição, enquanto José Temudo com o poema INVERNO VEM... se quedou pelo 7º lugar. Digam lá que os nossos leitores não gostam de poesia!. Quando é de qualidade tem sempre procura.

A 4ª posição é ocupada pela ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES DE FIGO DA ÍNDIA, o que significa que o assunto está a mexer com as pessoas.

Para nós ficaram as restantes quatro postagens com O PASTOR OU “MAIORAL” a ocupar a 1ª posição, assunto procurado pelos nossos leitores onde encontram contratos orais que eram escrupulosamente cumpridos. O ORÉGÃO (3º) planta aromática muito usada no sul do país, a CALDEIRADA DE PEIXE MUGE (6º), um prato regional que dificilmente aparecerá nos restaurantes locais e por fim, EDUCAÇÃO DO “ESTADO NOVO” que representa a nossa Câmara Escura, espaço procurado mas de interesse localizado e não geral.

Aqui têm caros leitores mais uma e habitual informação estatística para aqueles que gostam de considerar estes aspectos.

sábado, 31 de março de 2012

Notas sobre a desertificação em Portugal e em Alcoutim em particular




Comenta


Daniel Teixeira




Quando comecei a colaborar com o amigo José Varzeano e o seu exemplar Blogue Alcoutim Livre estava longe de supor que as coisas tomariam este bom caminho que desde cedo foram tomando.

Enquanto que o José Varzeano e os restantes outros colaboradores do seu blogue, de uma forma geral, referem factos concretos, cimentados em documentação escrita ou gráfica na sua maior parte, eu, sem ser pretensiosamente modesto, vou escrevendo sobre aquilo de que me lembro dos meus tempos passados num isolado Monte do Concelho - Alcaria Alta.

Por diversas vezes ao longo destes tempos tenho reparado que existe naquilo que sinto e leio, uma demarcação, entre a visão documental e a visão memorial (mesmo aquela que refere Alcoutim / Vila) quase semelhante ou pelo menos aproximada com a dualidade campo / cidade.

Esta minha percepção, minha e só minha, quer dizer sem contas feitas nem grandes análises, tem-me levado também a pensar por vezes, que existem dois Concelhos de Alcoutim: aquele que eu conheci na parte que conheci e aquele que rodeia a Vila e os interesses e vontades das suas gentes e daqueles que lá foram formados e / ou criados.

Claro será que este facto tem a ver mais com a dificuldade (e impossibilidade por vezes) que as pessoas dos Montes têm em expressar, sobretudo via Internet, aquilo que gostariam de dizer. Portanto o meu retrato das situações comparativas que refiro terá sempre de ter isso em conta: não se fala mais dos Montes porque as pessoas que poderiam falar deles ou não estão habilitadas para tal ou simplesmente porque não têm grande interesse nisso. E esta falta de interesse liga-se a muito daquilo que eu escrevo...uma prosa que eu mesmo já defini como sendo depressiva e que vem de forma indirecta de um meio rural deprimido. Mas não só...

Seria complicado ter de admitir isto mas poderia parecer que a solução para as gentes e os Montes do Concelho de Alcoutim tendo de passar por eles, conforme já disse em crónicas ou declarações anteriores, teria de ser encontradas fora deles, gentes e Montes e Aldeias e Vila e que daí, dessas soluções, poderia passar ou não o futuro do Concelho de Alcoutim e da sua Vila sede. Nada mais errado, na minha opinião e por aquilo que me parece é este o caminho que se segue de uma forma maioritária.

Reclama-se contra os poderes centrais, contra o esquecimento a que Alcoutim está votado, pede-se a construção de uma ponte que ligue Alcoutim a San Lucar que se facilite a implantação de empresas vindas não se sabe de onde nem para fazer o quê uma vez que matérias primas não há e mão de obra (mesmo pouco qualificada) muito menos.

Para estes casos e nesta situação as empresas que se implantem no Concelho acabam por custar mais em benefícios fiscais e outros do que aquilo que vierem a produzir de facto. Vejamos o caso dos eucaliptais e contemos (talvez com os dedos de uma só mão) o número de trabalhadores locais que a eles foram afectados. No entanto os dinheiros para a sua implantação foram obtidos por via da referência à desertificação alcouteneja e ao baixo preço dos terrenos.

Ainda não há muito tempo fiz um esboço de um pequeno trabalho sobre a dualidade campo / cidade e, não o tendo completado da forma que desejaria, ficaram no entanto as recolhas e as ilações que se puderam retirar.
Esse meu trabalho de pesquisa levou-me a encontrar um trabalho de tese «QU’EST-CE QUE LA LITTERATURE FRANÇAISE REGIONALE? - (DES ECRIVAINS DU SUD-OUEST DE LA FRANCE) - Lect. univ. dr. SILVIA MIHUT- Univ. 1 Decembrie 1918, Alba Iulia (Roménia) que não sendo exaustivo deixa bastantes pistas sobre as diferenças entre quase galáxias diferentes.

O Concelho de Alcoutim, que eu saiba (e acho que deveria saber se as coisas fossem difundidas de forma conveniente) não tem qualquer forma de incentivo à literatura rural ou de inspiração rural, por exemplo. Em certo sentido – e não me importo muito com as criticas negativas que possam aparecer – de uma forma geral as pessoas que estão ligadas aos Montes e Aldeias do Concelho e que adquiriram alguma cultura nas cidades e vilas para onde se deslocaram pelas razões de todos conhecidas, não são nem estão motivadas para escreverem sobre as suas origens e difundirem a sua memória.

Ora a memória, o estudo da história, ainda que vista de forma ficcional é essencial para aferição e correcção daquilo que foram e são os caminhos do presente. Lá onde a força cultural existente acaba por não existir, por falta de manifestação, as coisas acabam por ser mais complicadas e por vezes parecem-nos ciclópicas.

Sobre este tema veja um artigo do Engº Gaspar Santos no Blogue Alcoutim Livre.

Aliás é esse o mote (a memória) das declarações do Arqt.º Ribeiro Telles no texto que publicámos e sobre o qual fazemos em seguida alguns comentários também.

Dentro daquele espírito que se considera razoável parece-me evidente que o diagnóstico do Arq. Ribeiro Telles acaba por esclarecer muito ainda que se tenha em atenção que se trata acima de uma recolha jornalística, feita com o intuito de informar.

Já escrevi algures que o desenvolvimento (e a vida) dos concelhos e freguesias rurais depende do amparo que for dado à base que esteve na origem da sua constituição e ordenação. Mas não é só a vida dos concelhos e freguesias rurais...

Numa altura em que pretende ter lugar uma reforma administrativa com englobamento, fusão e extinção de Freguesias e mais tarde, provavelmente Concelhos é bom que se tenha presente uma coisa que me parece evidente: não há super-estrutura (mesmo micro) que se mantenha sem estrutura.

Debruçando-me exclusivamente sobre Alcoutim (Concelho, Vila, Aldeia e Montes) pode dizer-se uma evidência que nos parece ...evidente. As razões da sustentabilidade de umas depende das outras numa cadeia lógica que quase nem justifica desenvolver.
Com bastante pena vejo que esta verdade (para mim insofismável) tem dificuldade em impor-se junto de algumas mentes.

Primeiro a terra e o seu cultivo, isso é boa e coerente gestão: criou-se a ilusão de um emprego artificial com obras públicas (ainda que de relativamente pouco valor) e esqueceram-se as vertentes da sobrevida económica e social por arrasto. E a educação para o desenvolvimento...

Lembro aqui um resumo sobre Tomaz Cabreira em «O Algarve Económico» de 1918: «Uma escola móvel do ensino industrial, mas com uma secção comercial, deveria deslocar-se por toda esta região, dando esclarecimentos e fornecendo novas técnicas, quer aos rurais quer aos pequenos industriais, delas carentes. Tomaz Cabreira defende ainda para a região, a criação de escolas agrícolas e de pescas.»
E isto foi escrito em 1918 (e antes e depois por outros certamente) ou seja, há praticamente 100 anos que se fala nisto.

Não estamos no tempo das Escolas Móveis mas estamos no tempo das brigadas móveis e faltará saber o apoio técnico e tecnológico que foi dado à agricultura e à indústria no Concelho de Alcoutim. Se disser que foi zero não ando longe da realidade. Eu, pelo menos nem o vi passar...

Agora o que se quer? Inverter situações com dezenas de anos de ovulação com os mesmos meios que se usavam no início dessa ovulação?
Tenhamos pelo menos tento...já que a inteligência faltou.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Guerrilhas - Lenda e tradição oral

[D. Pedro IV]
Já se passaram 40 anos quando estas coisas nos foram contadas. Nessa altura, ainda o tempo não tinha apagado da memória dos mais idosos habitantes do concelho, os factos contados pelos pais e avós à lareira, nas longas noites de Inverno, como era hábito nesse tempo.

Foi tal a impressão causada que aqueles pequeninos seres de então, naquela altura venerandos anciãos, logo que ouviam falar em guerrilhas o seu semblante torna-se mais carregado e recordavam factos contados pelos velhos das suas meninices.

Tinham dificuldade em coordenar ideias, deturpam por vezes, mas a imagem de pavor permanecia.

[D. Miguel]
Por essas aldeias e “montes” há uma história para contar, um local para indicar.

Em Giões, o “moinho dos guerrilhas”, na Portela, uma casa que serviu de “forte”, na freguesia de Vaqueiros, a “horta” e o “cemitério dos guerrilhas”.

A “horta dos guerrilhas” ficava entre Soudes e Alcaria Queimada e nela apareciam sepulturas com ossadas. (1)

Iremos continuar a relatar o que apanhámos na tradição oral.

Contam-nos que as mulheres dos Balurcos escondiam-se no Barranco da Nora, perto do Montinho do Cerro, para se esquivarem às tropelias dos guerrilhas. O local era matoso, o que propiciava um bom esconderijo.

[Um aspecto actual do Balurco de Baixo. Foto JV]

Uma família desta zona tem o apelido “Alferes”. É um dos seus elementos que nos faz a explicação de como o nome foi aglutinado.
Um seu antepassado era abastado lavrador que tinha residência nos Balurcos e que sempre pisando as suas terras deslocava-se ao Vale do Pereiro, onde também possuía habitação, casas que ainda existiam em ruína, segundo o nosso informador.

A vida decorria ora num lado ora noutro, segundo as necessidades do trabalho.

Um dia, deslocando-se ao Vale do Pereiro, foi encontrar a companheira constrangida que lhe contou terem lá estado os guerrilhas, levando tudo o que apanharam, depois de se banquetearem.

Abrindo o pipo do vinho, beberam até fartar e não satisfeitos deixaram-no correr ao desbarato.

Nessa noite, os locatários voltaram a ter visitas, talvez por se terem dado bem da primeira.

[Um aspecto do pequeno monte dos Guerreirinhos. Foto JV]

O lavrador escondendo-se, possibilitou ao freguês uma fácil comezaina, rebatida com apaladado vinho caseiro, para o que se deitou debaixo da torneira do barril, abrindo-a. Quando o viu meio grogue, o lavrador vibra-lhe valente trancada e deixa-o prostrado. Ao verificar que tinha morto o homem, ficou atrapalhado, sem saber o que fazer, pensando em severa punição, talvez a morte. Acaba por resolver dirigir-se a Odeleite e contar o sucedido ao capitão de ordenanças. Este louvou-lhe o procedimento a tal ponto que o seu acto dava-lhe direito a ser nomeado “alferes de ordenanças”. No dia seguinte o lavrador transformado em autoridade é incumbido de conduzir a Mértola uns tantos presos que ali se encontravam, amarrados aos rabos dos cavalos.

Foi assim que apareceu o apelido de “Alferes” nesta zona e que ainda se mantém.

Explica-nos o nosso interlocutor o que já tínhamos ouvido, mas a sua explicação torna-se mais clara.

[Alcaria Alta da Serra. Foto de RV]

O produto do roubo em moedas de ouro e prata efectuado por estas zonas, era conduzido para o “quartel general” situado na serra de Cachopo - Vaqueiros, no monte de Alcaria Alta da Serra (506 m de altitude), local dos mais elevados das redondezas e de difícil acesso.

[O guerrilheiro Remechido]
Com a normalização da situação imposta pelas tropas de D. Maria II, restaram alguns focos isolados de miguelistas, refugiados na serra e sequazes de Remechido.

Ao terem conhecimento da morte do seu chefe, os de Alcaria Alta da Serra fugiram espavoridos com medo que lhe fizessem o mesmo. A diminuta população local dividiu as moedas de prata aos meios-alqueires (7 litros), tal a quantidade existente. Muito calados, os novos-ricos desceram a serra, cada qual seguiu o seu caminho, comprando os terrenos que encontravam (o Estado era o grande vendedor), tornando-se assim, na maioria dos lavradores das redondezas e que na altura no-los identificaram.

Segundo o narrador, isso podia confirmar-se ainda hoje, se fosse feito um inquérito, os antepassados, na maioria, seriam oriundos da “serra”(2)

Ao lado, outro amigo conta-nos ter ouvido dizer aos velhos que na serra, deitando fogo a um chaparreiro seco, verificaram com espanto que de um buraco corria prata (?!) por se terem derretido as moedas que lá estavam escondidas desde o tempo dos guerrilhas! (3)

[Pego dos Penedos, arredores de Afonso Vicente. Foto JV]

No “monte” de Afonso Vicente, no extremo norte da freguesia de Alcoutim, recolhemos a tradição de também ali o povo se esconder nos barrancos vizinhos, temendo os guerrilhas e levando os burros ao rabo dos quais atavam uma pedra, evitando assim, segundo afirmavam, que zurrassem o que podia denunciar os esconderijos.

Tem a mesma origem a estória seguinte:- Passando por ali uma hoste de “malhados”, lobrigou à porta de seus pais uma donzela e logo se propõem levá-la. Aflito, o pai impotente para salvá-la, concorda com o chefe do grupo, mas antes, teriam de comer e beber em sua casa para festejar o acontecimento. Com o desenrolar da festa, o chefe acabou por reconsiderar e deixar a moça, prestando-se o pai a ceder sempre a sua casa quando por ali voltassem. (4)

Na Corte da Seda é apanhado um homem que negando-se a dar dinheiro afirmando que não o tinha, é atado ao rabo de um cavalo. Perto da Corte Tabelião, já exausto, acede a voltar para trás e entregar todo o dinheiro que tinha em prata e não era pouco.(5)

Na vila, recolhemos outros dados de origem tradicional.

Muitos alcoutinenses abandonaram a vila e refugiaram-se em Faro onde encontravam mais segurança. O Capitão de ordenanças, oriundo de Tavira, não o quis fazer, apesar de aconselhado a isso.

Dizem-nos que era pessoa abastada. Vivia com uma governanta no edifício que actualmente pertence à Câmara Municipal e onde estão instaladas a Repartição de Finanças, Tesouraria da Fazenda Pública e Posto da G. N. R.

Preso, é levado debaixo de escolta em direcção às Cortes Pereiras e a governanta, seguindo atrás, oferecia e atirava sacos com moedas de prata, numa tentativa para o resgatar. Acabam por fuzilá-lo perto do monte de Afonso Vicente, em cujo local se ergueu um calvário.

O capitão de ordenanças, Paulo José Lopes, avô de quem nos contou o facto, acabou por comprar à viúva, que residia em Tavira, parte desse prédio que ainda se mantinha na posse da família. (6)

Nas estórias contadas existe muita imaginação, motivada pelo decorrer dos anos e pela vontade de compor para lhe dar maior brilho.

Nesta época agitada em que imperava o assassinato e o saque, muito dinheiro e metais preciosos eram metidos em panelas que escondiam nos mais variados locais, evitando assim o roubo.

Muitas foram levantadas pelos próprios, outras, devido ao falecimento dos escondedores, foram encontradas por outros, e outras, quem sabe, permanecerão nos seus sítios, locais menos acessíveis ou que a força das circunstâncias ainda não originou o seu encontro.

Na vila, tivemos oportunidade de ver uma panela de barro encontrada e escondida numa parede sobre uma porta. Se a encontraram com valores, naturalmente que ninguém o revelou.

NOTAS
(1)–História- Lenda contada pelo Sr. Manuel Pinto, da vila.
(2 –História- Lenda contada pelo Sr. José António (ferrador) - Cerro dos Balurcos
(3)–História- Lenda contada pelo Sr. António Afonso, Montinho do Cerro
(4)–História- Lenda contada pela Sra. Ana da Costa, de Afonso Vicente
(5)–História- Lenda contada pela Sra. Aurora Canelas de Alcoutim
(6)–História– Lenda contada pela Sra. Belmira Lopes Teixeira.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Oleões!


Se o concelho de Alcoutim aparece, frequentemente, na cauda das estatísticas realizadas a nível nacional e no pior sentido, não me parece que sobre este aspecto isso venha a acontecer, o que se torna gratificante.

Eu não tenho dados para me pronunciar, mas o que sei é que, por exemplo, na cidade onde vivo e na área onde resido não existe nenhum oleão, não conhecendo mesmo que esse sistema de recolha de óleos usados tenha sido implementado pela autarquia, o que penso acontecer na maioria dos concelhos do país.

Chegou-me a notícia que foi estabelecido entre a autarquia local e as empresas Reciclimpa e Oleão Sul um protocolo no âmbito do qual foram colocados oito oleões no concelho de Alcoutim.

Concordo totalmente com a sua distribuição ou seja Alcoutim (2), Martim Longo (2), Pereiro, Giões, Vaqueiros e Pessegueiro, o maior e mais dinâmico monte do concelho.

É necessário sensibilizar os munícipes para que não continuem a despejar os óleos usados na rede pública o que provoca corrosão e entupimentos nas canalizações.

Além de evitar estes inconvenientes, o seu reaproveitamento pode servir para a produção de energia térmica e eléctrica, biodiesel, sabão, velas, detergentes, graxas, etc. o que cria, naturalmente, postos de trabalho tão necessários para combater o desemprego.

Sobre este aspecto, é certo que Alcoutim não está na cauda!

Eu continuo a ser obrigado a deitar os óleos velhos na rede pública de esgotos1!

terça-feira, 27 de março de 2012

Afonso Vicente foi um grande monte da freguesia de Alcoutim [9]

POIAIS



Poial é como os dicionários indicam um local onde se coloca alguma coisa, banco fixo de pedra.

A definição ajusta-se perfeitamente a Afonso Vicente, aliás a todo o concelho, talvez com o pormenor de popularmente ser designado por pial, que constitui uma expressão popular.

Até aos anos 60 do século passado eram bastante frequentes pois consideravam-no indispensável e com várias utilizações como já temos referido. Então eram feitos maciçamente com xisto ligado por areia dos barrancos amassada com barro, sendo a parte superior constituída por lajes, quantas menos, melhor.

Já não restam muitos ao modo antigo mas nalgumas reconstruções não se tem deixado de olhar por eles dando-lhe naturalmente uma “vestimenta” actualizada marcada por ladrilhos de vários tipos.

Além das utilizações que têm tido ao longo dos tempos e ultimamente mais reduzidas, os de dimensões maiores temo-los visto servir para dormir grandes folgas quando a sombra a isso proporciona.

Pensamos que os piais (poiais) ainda têm condições para se manterem por largos anos mesmo que o local seja invadido por estrangeiros muitos dos quais como tenho verificado preservam melhor as tradições do que nós próprios.


PALHEIROS E “ARRAMADAS”

Enquanto houve vida agrícola por estas zonas, tornava-se indispensável a sua construção. Como o nome indica era o lugar onde se guardava a palha e o feno para sustento dos animais na altura indispensáveis auxiliares nas tarefas agrárias, tanto nas lavras como no transporte de coisas e pessoas.

De uma maneira geral constituíam construções toscas, de paredes altas e de
xisto, geralmente de uma água, telha de canudo assente um toscos caniços, muitas vezes de “salto de rato” ou onde não houve a limpeza da palha das canas, defendendo-se assim a economia de tempo a quando da execução.

Na parede mais alta oposta à porta, havia o boqueirão, uma espécie de janelão cujo lintel era uma pedra comprida de grauvaque ou em alternativa dois ou três paus de zimbro, a madeira mais resistente. À falta desta, usava-se o chaparro ou zambujo.

O seu fecho era feito com pedra devidamente empilhada e mais raramente e nas casas mais abastadas por janelas de madeira.

O uso da pedra tem a ver com duas coisas: primeiro era muita e ninguém a disputava, por outro lado o boqueirão só servia uma vez por ano, quando após a
debulha ficava

a palha para arrecadar no palheiro para alimentação dos animais e que mais comodamente se fazia pelo boqueirão, enquanto pela porta seria impraticável arrumá-la. Por outro lado a madeira era pouca e cara.

Na parede oposta à do boqueirão, situava-se, como já dissemos, a porta com lintel nos mesmos moldes do boqueirão, funcionando por um sistema original pois dois paus de azinho e curvos eram pregados às tábuas da porta e a outra ponta fixava-se num buraco feito na laje de xisto colocada como poial. Uma em baixo, outra em cima possibilitavam a rotação da mesma sem problemas de maior.

O fecho era feito através de um ferrolho.

No palheiro dormia o ganhão ou almocreve e os moços que guardavam os porcos ou outros animais em pequeno número. Tapavam-se com mantas premedeiras.

Dormiam muitas vezes os filhos do proprietário. Uns porque em casa não havia espaço e outros porque se sentiam muito mais libertos para irem aqui ou ali, estando assim mais à vontade. Em casa, o lugar era para as moças que tinham de estar resguardadas.

Competia ao ganhão tratar de noite os animais, isto é dar-lhe de comer e quando necessário limpar-lhes as camas.

As bestas recolhiam-se na arramada que ficava próxima do palheiro. Aí se situavam as manjedouras que tinham muitas vezes como base um muro de xisto e colocando-se para a palha ou outra ração não sair, uma tábua ou um ou dois paus sobrepostos.

Próximo ficava a poça ou estrumeira para onde era deitada a palha suja pelos animais para acabar de curtir.

Tudo isto faz parte de um passado relativamente recente mas que se vai afastando pois os poucos jovens que habitam por estas redondezas já não conheceram estas actividades. Os idosos que hoje constituem a maioria da população, os que aqui nasceram e viveram, conhecem bem toda esta situação.

Sempre que há qualquer restauro ou construção nova, já se sabe que palheiros e “arramadas” desaparecem, pois já não fazem falta, quando foram indispensáveis à vida de então.


PRISÕES DE GADO



Os arqueólogos têm identificado em várias construções castrejas, embutidas nas paredes, argolas de pedra onde se amarrava o que quer que fosse, admitindo-se neste caso os animais.

Alguns exemplares deste tipo encontram-se depositados em museus.

Essas “prisões” foram-se adequando e ajustando às novas realidades e tecnologias, no decorrer dos tempos.

Depois da utilização da pedra, umas vezes perfurada, outras originando uma espécie de espigão, de estrutura sólida, que teria de ser o mais forte possível, para que se pudesse amarrar bem a corda (arreata), sem possibilidade de se safar, passou-se depois à trabalhada argola de ferro segura por cravejamento efectuado em pedra resistente. (1)

Em Afonso Vicente só existe um asinino, uma burra que vai comendo a erva por aqueles ferragiais. Nem machos nem mulas que sempre existiram na casa dos lavradores.

Era rara a casa que não tivesse uma “besta”para as mais variadas tarefas. Transporte de pessoas e de coisas das mais diversas espécies que iam desde o estrume ao sacos de farinha, amêndoas, azeitonas ou alfarrobas passando pela lenha e os indispensáveis cântaros de água. Por outro lado tinham de lavrar as terras para as sementeiras.

Quem não tivesse pelo menos um burrinho não se dava governado para utilizar uma expressão local.

Os animais foram desaparecendo mas algumas prisões vão resistindo como podem no decorrer dos anos como as fotos mostram. Por quanto tempo será?

Dos três tipos que referimos, em Afonso Vicente só se encontram os dois primeiros, o tipo de espigão e o da pedra furada. Deste último só conheço um exemplar e do outro cinco.

Estas “prisões” estavam colocadas de uma maneira geral próximo das casas e estão condenadas a desaparecer logo que haja mexida no local onde se encontram.


NOTA
(1) – “Prisões de Gado”, Blogue Alcoutim Livre, de 13 de Março de 2009.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Aspectos do Reino do Algarve nos séculos XVI e XVII - A "Descrição da Alexandre Massaii (1621)



A Descripção do Reino do Algarve é um minucioso relatório da visita de inspecção que o engenheiro Alexandre Massaii fez, em cumprimento de ordens bem definidas, o qual se destinava a ser presente a Filipe III de Espanha.
O autor deste estudo sistematiza e trata os elementos contidos na informação transmitida pelo documento e compara-a com o de corografias de data anteriores, do que resulta um leque de aspectos de ordem económica, social, demográfica e militar, que vão enriquecer o conhecimento da região, e, finalmente, divulga o texto na sua forma original
.

É a transcrição do que consta na contracapa deste trabalho de autoria de Lívio da Costa Guedes. De 16X23 cm e 269 páginas é uma edição do Arquivo Histórico Militar e teve lugar em Novembro de 1988.

Este estudo põe em comparação “A descrição do Reino do Algarve” com a descrição das ”Diligências efectuadas em 1617”.

Procura o estudo analisar a Economia, a Infantaria e postulação e a Fortificação permanente da costa.

São várias as referências, como não podia deixar de ser, a Alcoutim. Entre outras encontramos dados relativos à sua localização e fortificação, ao comendador, aos rendimentos e ao número de defensores que tem tanto na vila como espalhados pelo seu termo em que se incluem Fornazinhas, Pereiro, Alcaria Queimada, aldeia de Martim Longo, Giões e Vale do Corpo que presumo tratar-se de Cachopo.

Adquiri o trabalho numa livraria então existente na cidade de Faro.

domingo, 25 de março de 2012

Forquilha de ferro



Mais um utensílio que continua a ser usado pelas poucas pessoas que no concelho ainda têm alguma actividade agrícola ou ligada à criação de gado.

O exemplar que apresentamos é muito antigo e admitimos que possa ter sido feito por um ferreiro do concelho. Serve, actualmente, como peça decorativa.

Os modelos hoje existentes saem de fábricas e ainda que a sua essência seja a mesma apresentam cabos “industriais” e com pega diferente desta que é muito rudimentar e que oferece menos suporte.

O número de dentes é variável conforme as necessidades do seu utilizador.

Destina-se a movimentar algo de certo modo compacto como estrume, palha, feno e tudo o que seja do mesmo tipo.

Eram indispensáveis para limpar as malhadas dos animais e revolver o estrume para um melhor curtimento.