sábado, 10 de novembro de 2012

Já chegámos às 100 000 VISITAS!


 
Estalam os foguetes no ar em dia de festa! Ontem, dia 9 o ALCOUTIM LIVRE atingiu um número de visitas que quando foi criado não estava nos seus horizontes alcançar. Eles aí estão após 4 anos e 5 meses de existência.

Os foguetes estalaram no nosso imaginário. Eles aí estão!
 

 Dissemos quando alcançámos as 90 MIL que o A L poderia ter chegado ao topo do seu movimento, pois pela primeira vez, desde a sua existência, os números tinham estabilizado, ainda que tivesse havido um pequeno decréscimo no movimento com uma quebra de 1,22/ dia.

Para provar que estávamos errados aqui estão os números.

As últimas 10 MIL visitas foram obtidas em 2 meses e 16 dias, o que deu uma média diária de 131,57.

Na avaliação anterior, ou seja, entre as 80 e 90 MIL, o número foi alcançado em 3 meses e 1 dia o que proporcionou uma média diária de 109,89.

Significa isto que em relação à avaliação anterior houve um aumento de 21,68/DIA o que é bem significativo.

Se é verdade que o dinamismo do ALCOUTIM LIVRE não esmoreceu, pelo contrário, talvez se tivesse reforçado, com uma acentuada mudança nas temáticas e com manutenção das antigas dentro da sua possibilidade. Não é menos verdade que o número de visitantes atraídos aumentaram consideravelmente, dando origem ao número de visitas que apresentamos.

Nestes números é importante o contributo dado pelo BRASIL de que temos visitas diárias na ordem das três dezenas e os Estados Unidas da América e a França, que raramente falham.

Neste período visitaram-nos mais duas bandeiras, Mónaco e Gibraltar, totalizando 106.

Até ontem, o ALCOUTIM LIVRE efectuou 1263 mensagens, totalizando 5 742 páginas A/4, encontrando-se no 18º volume.

Este trabalho versátil, sério e em prol de Alcoutim e do seu concelho é realizado por uma equipa de que nos calhou ser o coordenador já que nos coube lançar o projecto. Os milhares de páginas produzidos abarcam variadíssimas temáticas, desde a história, estórias, lendas, usos, tradições, actividades, notas monográficas e biográficas, toponímia, etnografia, associações, fauna, flora, monumentos, guerras, poesia, memórias, bizarrias e muito mais.
 
Conseguimos uma equipa de colaboradores muito diferenciada nas abordagens e principalmente na maneira de escrever e de ver as coisas. Já obtivemos a figura feminina que nos faltava. Não nos cansamos de enaltecer, porque é justo, o valioso trabalho dos colaboradores, sem os quais o ALCOUTIM LIVRE perdia muito do seu interesse e tornava-se monocórdio, ainda que os assuntos abordados fossem muito diversos.

Possivelmente, sem eles o ALCOUTIM LIVRE já não existiria.

Para um projecto destes fazia falta a presença de uma ou duas pessoas que vivessem no concelho de Alcoutim e que, por isso, estivessem em cima dos acontecimentos e que nos pudessem ajudar com precisão no esclarecimento de uma ou outra situação.

As tentativas foram várias, mas nunca conseguimos obter o sim, quem conhece bem Alcoutim sabe perfeitamente porque é que isso aconteceu. Limitámo-nos a dizer: compreendemos muito bem. NÃO É FÁCIL SER LIVRE!

Junta-se um quadro e um gráfico explicativo.

QUADRO DO MOVIMENTO
OPERADO
PERÍODO
NÚMERO / DIA
ATÉ 10 000
17,55
DE 10 000 a 20 000
54,94
DE 20 000 a 30 000
77,58
DE 30 000 a 40 000
79,36
DE 40 000 a 50 000
84,24
DE 50 000 a 60 000
94,34
DE 60 000 a 70 000
100,00
DE 70 000 a 80 000
111,11
DE 80 000 a 90 000
109,89
DE 90 000 a 100 000
131,57

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Cama de ferro de "cruz de altar"


 
Mais um modelo que foi muito usado no concelho de Alcoutim e de que restam alguns exemplares como é este o caso.

As peças principais ou seja a “cabeceira” e os “pés”, que são completamente iguais no tamanho e no feitio, são diferentes nos modelos que já apresentámos, pois a parte superior não termina em linha recta, existindo um abaulamento considerável na parte central e isto para a colocação do elemento mais significativo ou seja uma cruz de forma um pouco estiolada protegida por um arco de volta inteira que acompanha o abaulamento da peça e que sugere um altar. Talvez, por isso, este exemplar está pintado a “oiro” como acontece muitas vezes em igrejas e capelas, pelo menos nas antigas, já que as modernas obedecem a outra concepção.

Este modelo também é provido como outros de bolas de metal nas suas extremidades.

Além disso, o resguardo das duas peças principais é feito por barrinhas cilíndricas de ferro todas trabalhadas em curvas.

Pensamos que seria um modelo destinado a pessoas mais crentes e talvez, por isso, e alicerçando a nossa análise pode ver um terço colocado na cabeceira.

Este modelo bem preservado possui ainda a mais-valia de ter como coberta uma linda colcha regional de carapulo, possivelmente feita no concelho, o que já não é possível há muitos anos.

Mais uma peça que faz parte da riqueza etnográfica do concelho.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Crónicas e Ficções Soltas - Alcoutim - Recordações - XXXIX





Escreve

Daniel Teixeira




RESUMO CRÍTICO DO QUE TENHO ESCRITO NESTA RUBRICA

Depois do que escrevi na última crónica sobre a (in) evolução do conceito de vizinhança e embora reconheça que faz parte do meu ser tentar lutar na minha medida pela sua boa memória anterior, ainda que reconheça também a sua impraticabilidade no presente, gostaria de esclarecer alguns aspectos que no curto das crónicas nunca cabem.

Tenho feito parte de todo um conjunto de iniciativas e sites (até mesmo no facebook da moda) cujo objectivo, ainda que não confessado nem programado de antemão, pretende encontrar uma plataforma de entendimento entre o passado e o presente no que se refere a formas de estar e relacionamentos.

A antropologia cultural, que desde muito novo me cativa, é para mim mais do que a mera recolha de elementos e anotações sobre acontecimentos: para mim esta disciplina tem uma função socialmente importante se tivermos em conta que ela deve procurar funcionar como um elemento de conhecimento do passado e do presente que sejam ambos ao fim e ao cabo reconhecidos no mesmo campo expressivo. Quer isto dizer que não se faz antropologia (seja ela a cultural ou outra) que tenha como objectivo único ser um inventário estático do passado ou do presente.

Porque é que eu tenho de uma forma geral retratado as pessoas que conheci em Alcaria Alta, por exemplo, como pessoas que perderam batalhas? Nunca tem sido porque a culpa, a fundamental culpa seja delas, dessas pessoas. Retrato a situação que conheci no tempo em que a conheci e o tempo era de derrota. Falei de algumas tentativas quase todas ou mesmo todas frustradas em que alguns procuraram encontrar nesgas de esperança e confiaram nas suas ambições até que chegaram à altura em que não podiam confiar mais e que só a fé os fazia mover dado que os resultados eram já nulos.

Na sua grande parte, tal como eu e os meus familiares, tivemos de partir e a tal nesga de oportunidade que foi negada àqueles que ficaram acabou por ter o seu lugar nas cidades, na emigração em geral, num outro lugar. O esgotamento dos meios locais foi-se esvaindo como água numa peneira.

O que eu procuro recordar é a luta, a capacidade de luta, que essas pessoas que foram ficando, ou as que regressaram depois de estadias mais ou menos prolongadas e se confrontaram com a necessidade de viverem um pouco melhor, mas nunca aquele viver bem que almejavam. E é essa capacidade de luta que faz falta agora neste mundo todo que é o nosso e que augura novas batalhas perdidas todos os dias.

Talvez o sacrifício e a capacidade de sofrer dos montanheiros deste período de que tenho falado seja, ao fim e ao cabo, uma escola para aqueles que por esse período não passaram e nem pensaram passar. Talvez este passado, tantas vezes olvidado e desprezado até, talvez ele venha a fazer mesmo falta porque neste momento, independentemente da dualidade campo - cidade, a capacidade de lutar, esta capacidade que eu conheci, vai seguramente fazer mais falta ainda.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Quando eu morrer




Poema
de
M Dias




Quando eu morrer,

Ponham-me asas de andorinha,

Quero voar muito alto,

Fazer volteio no ar,

Ver o mundo lá de cima,

E na primavera voltar!


Ver quem chora, quem sorri,

Quem festeja a minha ida,

Gosto de estar informada,

E ouvir os vivos dizer:

Como é que aquela não foi,

Naquela caixa comprida?


E com tanta admiração,

Divertir-me a experimentar,

Sensações do outro mundo.

De olhos fechados ver,

E sem fala, protestar!


Agora, vou vos deixar,

Com um sorriso trocista,

Gosto de representar,

E se querem que vos diga,

No outro mundo hei-de tentar,

O meu sonho de artista!


terça-feira, 6 de novembro de 2012

1755 TERRAMOTO no ALGARVE

 
Excelente edição que abrange todos ao parâmetros desde o texto passando pelas ilustrações, nomeadamente as fotográficas, esquematização, papel e encadernação.

De 237 páginas de 21X28 cm, tem textos assinados por Alexandre Costa, César Andrade, Clara Seabra, Luís Matias, Maria Ana Baptista e Sara Nunes, conforme a especialização dos assuntos.

Prefácios de António Rosa Mendes e Luís Mendes Victor.

É uma edição do Centro Ciência Viva do Algarve e para a qual mereceu variadíssimos patrocínios.

Apresenta-nos duas grandes divisões, O QUE NOS DIZ A HISTÓRIA, que se desenvolve em várias temáticas e A PERSPECTIVA DA CIÊNCIA com quatro grandes abordagens que por sua vez se vão dividindo.

Além da BIBLIOGRAFIA GERAL, apresenta um APÊNDICE DOCUMENTAL referindo As Memórias Paroquiais sobre o Algarve, sendo o concelho de Alcoutim dos menos sacrificados.

Numa edição datada de 1 de Novembro de 2005, teve uma tiragem de 2000 exemplares.

O exemplar foi-nos oferecido pelo Governo Civil de Faro.

É uma obra indispensável em qualquer biblioteca.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Um "Levantamento de Rancho" no Exército de Salazar


 
Escreve
 
Amílcar Felício
 
 
 
Estávamos em 1969 no auge da guerra colonial. Queriam fazer-nos viver a todo o custo num ambiente de guerra e para isso inventavam com requinte de tudo um pouco. Havia dias que passávamos uma manhã inteira debaixo de fogo real em campos de arame farpado, ou então divertiam-se a disparar-nos tiros de G3 a um palmo do nariz. Muitas noites enquanto dormíamos na foz do Rio Lisandro – local aonde era hábito pernoitar uma ou outra  vez – entretinham-se a rebentar granadas a 2 ou 3 metros de distância ao longo da noite, acompanhadas de rajadas de metralhadora.

Nas provas de sobrevivência, depois de nos revistarem e ficarmos sem um tostão nas algibeiras, davam-nos cinicamente uma pequena tablete de chocolate para nos desenrascarmos durante quase uma semana pelos campos, montes e montanhas de Mafra. Algumas vezes atiravam-nos com baldes de fezes humanas em operações noturnas, obrigando-nos a andar dias inteiros sem poder mudar de farda. Outras vezes tínhamos que rastejar e atravessar na escuridão da noite estreitos aquedutos mal cheirosos, aonde mal cabíamos e aonde tinham colocado um mês antes, buchos e tripalhada de porco e de vaca podres quer no chão quer penduradas no tecto.

Para os que foram posteriormente mobilizados já no Porto, ainda estariam reservadas umas pequenas "férias" de 2 ou 3 semanas em Penamacor. Por sorte, entrei numa escala de rendição individual, pelo que não acompanhei os meus camaradas em Penamacor. Pelo que me relataram, aquelas semanas ultrapassariam tudo o que se possa imaginar em dureza, perigosidade e falta de dignidade a que tínhamos sido sujeitos em Mafra. Houve noites em que foram obrigados a rastejar por cima de cadáveres que iam buscar à morgue.

Era assim o dia-a-dia que aqueles senhores nos proporcionavam, no meio de um exercício físico diário duríssimo e perigoso que passava pelas descidas à corda nas abruptas escarpas da Ericeira junto ao mar ou a atirarmo-nos do Unimog a mais de 50 km à hora com uma G3 nas mãos. Às vezes a instrução roçava o massacre, continuando durante a noite a instrução do dia. Diziam os instrutores que no conjunto da recruta e da especialidade cada instruendo palmilhava cerca de 10.000 quilómetros. Em certas alturas havia corações que à meia-noite ainda batiam 120 pulsações. Neste cenário bélico e perigoso, naturalmente que chegaram a acontecer algumas mortes que foram cuidadosamente abafadas.
 
 Era um Batalhão de cerca de 800 almas. Metade na recruta e a outra metade um pouco mais adiantada e já na especialidade, mas pouca diferença faziam. Havia gente de todos os lados do Norte, do Sul, do Centro, das Ilhas. Amparávamo-nos e ajudávamo-nos uns aos outros para nos aguentarmos no balanço, criando um espírito de corpo enorme para enfrentar aquela gente fanática pela guerra. Fazia parte do meu pelotão o Zé, um alentejano de fraca figura, casado e que vivia atormentado pela separação conjugal a que a tropa o obrigava. Ia a correr para a terra todos os fins-de-semana que tínhamos livres apesar de não se aguentar nas canetas, sempre ansioso e preocupado com o que iria encontrar.

O Zé passava toda a semana cabisbaixo e receoso das consequências do seu afastamento de casa, não sei se por maneira de ser ou se existiriam razões para aquela sua insegurança. Era um homem atormentado, um treme treme cheio de fraquezas psicológicas. De facto viria a constatar mais tarde já como Oficial no Porto, que a tropa foi um drama que separou muitos casais, quando me incumbiam de ir por aquelas aldeias do Norte comunicar e dar os pêsames pela morte de mais um ou outro jovem na frente de batalha.

Tantas vezes que me aconteceu ao comunicar a minha missão e perguntar aonde morava a viúva, muitos dos aldeãos me retorquirem: “não valia a pena cá vir perder o seu tempo amigo, pois ela ainda antes dele morrer já tinha arranjado outro”. A tropa foi uma tragédia conjugal para muita gente, não tenham dúvidas.

Como se não bastasse a Instrução duríssima a que nos sujeitavam, forneciam-nos ainda por cima uma alimentação miserável e insuficiente para as energias que despendíamos. Tínhamos a sorte de fazerem parte do nosso pelotão dois recrutas médicos, que por dever de ofício nos davam umas dicas na alimentação para compensar as lacunas da alimentação militar. Aconselhavam-nos a maior parte das vezes iogurtes e sandes de atum em conserva. Lembro-me de apesar de magro ter perdido quase 10 quilos em 3 meses, tais os esforços que nos eram impostos às vezes 24 horas por dia.

Mas tudo isto criava em nós um espírito de corpo e de unidade e entreajuda tremenda – nunca me senti tão igual entre iguais pois ali não havia diferenças -- a tal ponto que combinámos ir à luta para melhorar as nossas condições do dia-a-dia. Era um Batalhão forte e combativo que incorporava todos aqueles estudantes que tinham enfrentado o Américo Tomás em Coimbra em 1969 e que se tinham batido com a Polícia e com os seus cães, levando gatos para a Rua e colocando os cães em histeria, desorientando a própria Polícia. Tinham sido compulsivamente integrados na tropa naquela Incorporação.

Neste contexto, preparámos para certo dia um Levantamento de Rancho, para conseguir-mos alguma melhoria na alimentação. Tudo estava organizado para aquela hora de almoço. À volta das mesas em pé e em silêncio, todos esperávamos como sempre pelas ordens do Oficial de Rancho. O Oficial na sua habitual rotina lá dá a ordem sagrada: “Atenção Batalhão, sentido!” Toda a gente se pôs em sentido como sempre fazíamos. E lá continuou na sua lengalenga de sempre: “Atenção Batalhão, podem-se sentar!”. Mas aqui alto e para o baile, pois toda a gente fez de surdo como combinado. Eram 800 almas de pé e em sentido, num silêncio de cortar à faca que desobedeciam 100% à ordem do Oficial mantendo-se em sentido, pois ninguém se sentou.

O Oficial de Rancho embora aparentemente calmo ficou com um olhar que até parecia que deitava faíscas, pois constava-se que era a primeira vez que aquilo acontecia por ali, mas não disse nem uma palavra sequer. E lá continuava de corredor em corredor de mãos atrás das costas enfrentando os recrutas nos olhos, com olhos que fuzilavam. Estes por sua vez olhavam como quem olha para o infinito e não vê nada por perto. Foram seguramente mais de 10 minutos de um silêncio sepulcral aonde só se ouviam as passadas das botas do Oficial percorrendo corredor a corredor todo o Refeitório. De mãos atrás das costas lá ia ele aparentemente sereno, perscrutando ao pormenor cada recruta e escolhendo possivelmente a vítima que lhe parecesse mais fraca.

Já numa 2ª volta pelos corredores do Refeitório e sempre de mãos atrás das costas, quando passa ao pé do Zé saca agilmente da pistola e encosta-lha à testa com um olhar tresloucado e a voz transtornada e furibunda, ordenando-lhe aos gritos: “Senta-te e come ou morres!”. Oitocentas vozes em surdina gritam ao mesmo tempo: “Aguenta-te Zé!”. Mas o Zé não se aguentou. Traumatizado, com a pistola encostada à testa e a tremer como varas verdes, o Zé comeu tudo até ao fim.

Terminada a façanha o Oficial já mais empertigado e senhor de si próprio, respirando uma autoconfiança que ainda não se lhe tinha visto, enfrenta o Batalhão informando-o: “Aqui não houve Levantamento de Rancho nenhum! Vocês se quiserem comer comam, se não quiserem podem sair”. Era a lei do Exército da altura e era assim que ele limpava a sua Folha de Serviços, pois se houvesse nem que fosse um só soldado a comer, já não era considerado Levantamento de Rancho.

Claro que a seguir vieram as investigações, mas nunca chegaram a descobrir os cabecilhas. Era de facto um Grande Batalhão! Mas tinha valido a pena, pois melhoraram consideravelmente a alimentação nos dias seguintes...

domingo, 4 de novembro de 2012

As Casas de Hóspedes de Alcoutim até meados do século passado [1]





Escreve

Gaspar Santos



A PENSÃO CHICA BOTELHO

A vila de Alcoutim, nesse tempo, vivia sobretudo do Turismo de Saúde. Dizemos isto porque muitas casas alugavam quartos a doentes que procuravam o Dr. João Francisco Dias para se tratarem. E o comércio vendia muitos produtos locais aos doentes e seus acompanhantes pelo que os efeitos económicos também se sentiam no resto do concelho.

Havia com carácter legal duas pensões: A Pensão Madeira e a Pensão Chica Botelho. Vamos referir hoje apenas a segunda.

O seu aspecto era peculiar por ter a cozinha e a sala de jantar separados várias dezenas de metros dos outros cómodos, que eram vários, onde os hóspedes eram alojados. Essa sala e a cozinha situavam-se na Rua da Misericórdia, mesmo em frente da casa da família do Dr. Cunha (hoje Restaurante Vila Velha). Os quartos eram sobretudo na Rua Pedro Nunes.

Os clientes desta pensão eram quase sempre funcionários públicos solteiros, em princípio da carreira em Alcoutim e, em menor escala, alguma pessoa das que vinham em procura de cura para os seus padecimentos. Tinha fama de servir bem e a garanti-lo estava a fidelidade dos hóspedes que em geral não mudavam para a outra.


A medieval rua da Misericórdia onde fun-
cionou a cazinha e casa de janatar da
Pensão Chica Botelho (primeiro
edifício do lado esquerdo)
Foto JV
Serviam peixe do rio ou do mar que aqui chegava com abundância e era barato e bacalhau. A carne era de borrego e cabrito ou porco, coelho e aves. Nos pratos predominaria como é natural o pão. Por isso alguns dos seus hóspedes engordavam, pelo que os alcoutenejos comentavam ver nisso um sinal de prosperidade que a pessoa anteriormente não possuiria. A tia Chica Botelho era uma senhora bem-disposta e simpática, por sinal uma das duas que em Alcoutim fumava. Ela fumava de cachimbo, nunca em público. De cima da parte poente do castelo vimo-la muitas vezes fumar o seu cachimbo quando ia dar de comer à criação no vasto galinheiro que tinha em baixo junto à parede do castelo. Esse cachimbo que não tinha boquilha, só fornilho e pouco mais, ela o disfarçava na mão e só o levava à boca para tirar uma fumaça, nos intervalos de chamar as galinhas: pita…pita…pita, de maneira que nós os miúdos achávamos imensa graça.

Era divorciada do Senhor Rosa, de quem tinha dois filhos: Júlio Rosa que foi Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim entre 1977 e 1979, e Virgílio Rosa Oficial de Marinha.

O Senhor Rosa seu ex-marido foi ferrador e cantoneiro das estradas. Não sei qual foi primeiro, ou se em simultâneo. Mas sei que o seu emprego como cantoneiro terminou bruscamente.

Quando frequentei a Escola Primária havia nas paredes uns posters de propaganda. Um deles apresentava uma estrada antes e outra depois do Estado Novo, que passei a recordar ao mesmo tempo que o episódio do casal Rosa/Botelho que refiro.

Uma vez chegou a Alcoutim um homem bem vestido que se hospedou na Pensão da tia Chica Botelho. Enquanto o hóspede jantava, o casal à lareira estava muito intrigado sobre quem era. Ao servi-lo a tia Chica ainda fez umas perguntas exploratórias, mas o homem nada disse de esclarecedor. No dia seguinte de manhã, sem dizer nada, percorreu a pé a estrada até onde hoje são as Quatro Estradas e que estava num estado deplorável.

Rua de Nª Sª da Conceição. Casa da esquerda
onde funcionavam quartos.
Foto JV, 1986
Nesse tempo não havia automóveis e só carroças lá circulavam. A estrada em MacAdame tinha dois sulcos, quais linhas de caminho de ferro ao contrário, por onde as rodas das carroças habitualmente passavam e eram guiadas. O homem não viu o cantoneiro e, nem sequer, as pessoas a quem perguntou sabiam quem era.

Voltou à pensão e inteirou-se que o cantoneiro era o Senhor Rosa. Apresentou-se como inspector de estradas e imediatamente o demitiu.

O tenente Virgílio Rosa filho da tia Chica, que era oficial de transmissões, tinha alguma superintendência sobre as antenas da Serra do Monsanto onde se efectuaram as primeiras experiências da Radiotelevisão Portuguesa.

No fim do ano lectivo de 1968/69, para os exames finais de Probabilidades e Estatística no I.S.T. de que então eu era regente mobilizaram para completar o júri o Eng. Lopes que era assistente de telecomunicações no I.S.T. e quadro da RTP. Quando ele soube que eu era de Alcoutim perguntou-me logo se conhecia o Tenente Virgílio Rosa e contou-me que ele não os largava enquanto quadros da RTP. É que ele tinha-lhe facilitado a vida nos ensaios das primeiras emissões de TV e agora queria um retransmissor para Alcoutim. E só os largou quando o retransmissor lá foi colocado. Um benefício que a Vila de Alcoutim teve mais cedo por influência desse seu filho a quem deve estar grata!

Esta pensão dava trabalho directo em Alcoutim a várias pessoas, sobretudo jovens. Muitas delas seguiram os seus percursos depois que dali saiam para outros empregos ou para casarem. Recordo a Custódia Mestra ali empregada e com poucas letras e que estudou e empregou-se como regente escolar. Era de Tacões, freguesia do Pereiro, onde depois de muitos anos sem a ver a fui encontrar já aposentada e muito feliz pois tinha feito um curso de aperfeiçoamento no magistério primário seguido de promoção. Estava aposentada como Professora do Ensino Básico.

Rua Trindade e Lima onde funcionaram
igualmente quartos.
Foto JV, 2010.
Reconhecemos duas boas qualidades no feitio da tia Chica Botelho: uma é ser uma negociante que sabia zelar pelo seu negócio, outra é ter bom coração.

Quando surgia um possível comensal nunca dizia, não há nada que lhe possa servir. Pelo contrário, dizia sempre e cumpria, vamos arranjar o seu almoço ou o seu jantar, conforme o caso. E não tinha nenhuma formação em hotelaria nem em marketing, mas apenas o seu sentido prático e era trabalhadora.

 A sua bondade e bom coração solidário estão bem presentes quando aceita em sua casa, a pedido dos filhos, o seu ex-marido de quem estava divorciada há mais de 20 anos. E muito mais se poderia dizer neste aspecto particular da sua personalidade.

 

sábado, 3 de novembro de 2012

D. Henrique de Meneses, irmão do 1º Conde de Alcoutim


Foi o terceiro filho de D. Pedro de Meneses, 1º Marquês de Vila Real e de D. Brites (ou Beatriz), filha do 2º Duque de Bragança.

Como militar serviu na Praça de Ceuta com seu irmão D. Fernando de Meneses, 2º Marquês de Vila Real e 1º Conde de Alcoutim.

Ambos estiveram na tomada de Targa e Camesi, onde foi armado cavaleiro.

Casou com D. Maria de Meneses, filha de D. Pedro de Meneses, 1º Conde de Cantanhede e da Condessa D. Leonor de Castro, filha de D. Álvaro de Castro, 1º Conde de Monsanto, Camareiro-mor de D. Afonso V e de D. Isabel, Senhora de Cascais, filha de D. Afonso, Senhor de Cascais, filho do Infante D. João e neto de El-rei D. Pedro I e da Rainha D. Inês de Castro.

Quando assistia de uma janela ao funeral de sua mulher caiu subitamente morto devido à forte emoção que apanhou.

Deste enlace resultaram nove filhos.

Ficou sepultado em S. Francisco de Lisboa.
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História Genealógica da Casa Real Portuguesa, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi/Público – Academia Portuguesa da História, Vol. V, 2007

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Flores e almas iluminadas



Escreve

M Dias

O dia de finados é em minha opinião, uma bonita tradição da igreja católica. Ele transforma os cemitérios em jardins iluminados e transforma também, nem que só por um dia, católicos e não católicos.

O sentimento e a necessidade de perpectuar a luz dos nossos que partiram, ilumina-nos a nós, vivos, e une-nos numa mesma intenção que nos toca e alivia. Também sigo essa tradição e visito neste dia os dois cemitérios onde repousam os restos dos meus pais, tios e avó.

Por entre sorrisos e cumprimentos vagos de amigos e conhecidos com quem me cruzo, vou observando a solidariedade que nos une em momentos de dor.

Numa dessas minhas visitas, reparei numa senhora já com alguma idade que apoiando-se numa bengala, se esforçava por chegar ao chão para tentar endireitar uma jarra de flores que o vento tinha feito tombar.

Ajudei-a nessa tarefa e em troca recebi um lindo sorriso, ao mesmo tempo que me dizia: os tristes e sorumbáticos ciprestes deste cemitério, «roem-se» de inveja, ao verem cá em baixo, tantas e tão lindas flores que transformam as campas em jardins multicores e iluminados. Era o que nesse momento eu estava a pensar!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Brasão de Armas da Vila de Alcoutim


(PUBLICADO NO JORNAL DO ALGARVE DE 29 DE SETEMBRO DE 1978)

Pessoa amiga, tendo necessidade (e eu não sei porquê e para o caso não interessa), de saber, ou tentar saber, o significado da palavra “ALEO” que consta do brasão de armas da velha vila da margem direita do Guadiana, perguntou-me por intermédio de um familiar, se lhe podia dizer algo sobre o assunto.

Efectivamente possuo alguns apontamentos e não tive dúvidas em lhos facultar, com muito gosto.

O meu interesse sobre tal matéria, já vem  há mais de uma década e nunca consegui, dentro das pessoas que contactei, qualquer explicação.

O que obtive, foi um diálogo útil com um alcoutinense amigo que também estava interessado em saber a razão da existência daquele termo.

Anos depois, tive muito gosto em transmitir-lhe as conclusões a que cheguei. Entretanto, um pároco que passou esporadicamente pela vila raiana, também demonstrou interesse por tal assunto, mas desconheço se chegou a alguma conclusão.

Prevendo que possam existir alcoutinenses interessados em tal questão e usando da benevolência do Jornal do Algarve, respiguei nos meus apontamentos o que passarei a descrever e que poderá ser considerado um óbolo para o assunto.

A longevidade de Alcoutim como vila, deve remontar ao período de após a conquista do sul do País, concretizada por D. Afonso III.

D. Dinis, D. Afonso IV, D. Manuel I e mesmo D. José (!), são apontados como monarcas que lhe deram esse privilégio, mas a maioria dos autores inclina-se para os dois primeiros.

Em tempos remotos, devia a vila ter o seu selo, visto que teve foral antigo, mas perdeu-se com certeza, razão por que mostrou desejo de voltar a tê-lo.

Em 21 de Junho de 1927, o ex-tesoureiro da Fazenda Pública do concelho, José António Guerreiro Gascon, escreve à Comissão Administrativa da Câmara, presidida pelo professor do ensino primário, Manuel José da Trindade e Lima, dando conta dos estudos e diligências por ele empregues para obter os elementos necessários à reconstituição do brasão de armas do concelho.

A Secção Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, única entidade com competência e autoridade para se pronunciar sobre o assunto, aprovou, em sessão de 8 de Junho de 1927, o seguinte parecer, assinado pelo seu presidente, Afonso Dornelas (1) “Armas” – De vermelho com o GRITO “ALEO” em letras de ouro, circundado por ramos de oliveira frutados da sua cor. Em chefe, um castelo de prata acompanhado por duas cabeças, uma de carnação branca coroada de ouro e outra de carnação negra, com turbante de prata. Coroa mural de quatro torres. Listel branco com letras pretas. O campo de armas é de vermelho por este esmalte representar em heráldica os feitos de guerras, as vitórias e ardis e a vila de Alcoutim foi teatro de lutas. (2)

“O brasão de armas foi aprovado em sessão da Câmara de 7 de Junho de 1928, sendo a Comissão administrativa composta por, Manuel José da Trindade e Lima (presidente), José Francisco Ginja e José Teixeira.

Deliberou-se também que todos os documentos referentes a este assunto fossem cuidadosamente guardados no arquivo da secretaria da Câmara (?!), que da acta se extraísse uma cópia de teor para ser enviada ao Arquivo Nacional, da Torre do Tombo onde deve ficar registada e arquivada; que ao chefe da secretaria da Câmara, aposentado, Manuel António Torres, seja enviada uma cópia da acta com o agradecimento desta Câmara pelas diligências efectuadas e oficiar ao tesoureiro Guerreiro Gascon, comunicando-lhe a resolução tomada e o vivo reconhecimento pelo seu trabalho neste assunto. “ (1)

Parece-nos de interesse fazer algumas considerações.

Reparámos que o pórtico renascença da igreja matriz é encimado por um brasão esculpido na pedra, cujo escudo é do tipo francês e nele aparece, em lugar de destaque, a inscrição “ALLEO”, circundada por ramos de azinheira frutados. A mesma palavra medieval surge-nos igualmente sobre um fundo azul e branco (cores da monarquia) na Capela de Nª Sª da Conceição.

Assim, séculos antes da constituição do actual brasão de armas da vila, a palavra “aleo” já aparecia referenciada com evidência. Admira-nos que no parecer não seja apresentada uma explicação mais completa sobre este termo, visto ser só apresentado como “o grito”

Na presença desta lacuna tentámos encontrar algo que nos levasse a uma explicação.

Não nos admirou verificar que o mesmo “ALEO” faz parte do brasão de armas da cidade de Vila Real. Começa a encontrar-se um caminho. A cidade transmontana tem algo de ligado à vila algarvia? Certamente que sim.

D. Manuel I, erigiu a vila em condado a favor dos primogénitos do marquês de Vila Real. Há divergências na data. Enquanto uns pretendem que seja 1520 (data do foral novo), outros afirmam, talvez com mais razão, ser 13 de Junho de 1497. Abrimos aqui um parêntese para dizer que mesmo em frente da habitação que a tradição aponta como “palácio” condal, situa-se a capelinha de Santo António, santo popular festejado nesse dia. Não haverá qualquer ligação entre estes dois factos?

O primeiro conde de Alcoutim foi D. Fernando de Meneses, filho do 1º Marquês de Vila Real, que casou com D. Maria Freire de Andrade, filha de João Freire de Andrade, Senhor de Alcoutim, possuidor de muitas herdades no termo, algumas de que ainda resta o nome (Bacelar, Pontal, Finca Rodilha, Posto Fuzil, Diogo Lopes, Rossio, etc.) aposentador-mor da Casa Real e de D. Leonor da Silva, filha de Pedro Gonçalves Malafaia, vedor da Fazenda de D. João I.

D. Pedro de Meneses, primeiro Marquês (*) de Vila Real e primeiro governador de Ceuta, encontrava-se em Lisboa, repousando das canseiras do cargo, jogando o truque com o rei. Chegam entretanto notícias de que os mouros tinham posto cerco à cidade, desejando recuperá-la. D. Pedro, notando a preocupação do monarca, tranquiliza-o dizendo-lhe que ele, com aquele “aleo” iria a Ceuta e os mouros fugiriam com medo. E dizendo isto, mostrava um grosso pau de zambujo com que estava jogando. O cerco pôde ser levantado com o auxílio prestado de Portugal. (3)

O “aleo” (pau de zambujo) teria ficado, assim, como símbolo de D. Pedro de Meneses, tronco do marquesado de Vila Real e do condado de Alcoutim. O seu túmulo gótico que se encontra na igreja da Graça, em Santarém, possui a palavra medieval entre ramagens heráldicas. (3)

Encontrámos outra referência ao “aleo” de D. Pedro de Meneses: no Dicionário Geográfico (1747), do Padre Luís Cardoso, lê-se. No fim da villa (Azurara), para a parte do norte, junto ao rio Ave, está hum armazém, em cuja frente se vê esculpido em huma pedra o ALEO, ou pau de zambuj, que D. Pedro de Meneses, conde de Vianna e tronco da Real Casa de Villa – Real, recebe da mão do Senhor Rey D. João I, com que se ofereceo a defender a cidade de Ceuta, contra os mouros. (4)

Parece-nos assim que encontrámos a razão da existência do “ALEO” no brasão de armas desta vila.

O “castelo”, significará a praça-forte que foi, a carnação branca representará o cristão vencedor e a negra, de turbante, o mouro vencido. Os ramos de oliveira frutados a abundância desta árvore na região, principalmente nas margens do Guadiana. No brasão esculpido no pórtico da igreja matriz, a oliveira é substituída pela azinheira, árvore que aqui foi muito abundante, principalmente no interior do concelho e em especial na freguesia de Vaqueiros, que pertenceu sempre, apesar do seu afastamento, ao termo de Alcoutim. A coroa mural de quatro torres, é a representativa de vila.

Distante de uma peritagem ou mesmo com um mínimo de formação para chegar a uma conclusão científica (se assim se pode chamar e o caso requer), procurámos dar uma explicação. Muito grato ficávamos se alguém nos viesse informar do contrário. Isso bastaria para nos satisfazer.

NOTAS

(1) – Livro de Actas da Câmara Municipal de Alcoutim, 1926 – 1930, pág.38 v. e 39

(2) – Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

(3) – Santarém no tempo, Virgílio Arruda, 1971.

(4) - Azurara (concelho de Vila do Conde) Subsídios para a sua monografia, Bertino Guimarães, Eugénio da Cunha e Freitas e Serafim das Neves, Porto, 1948

(*) – Não foi 1º Marquês mas sim 1º Conde. O seu neto, com o mesmo nome e daí a confusão é que foi 1º Marquês e pai do 1º Conde de Alcoutim.

Pequena nota

Este texto foi publicado há 34 anos!

Como sempre fazemos, constitui a reprodução do original ainda que possamos já ter detectado erros e falhas.

O ”grito” que li na escrita do escrivão da Câmara e que tinha sentido no texto, parece afinal ser“grifo”, que eu admito não ter aqui o sentido de ave mas sim forma de letra também conhecida por itálico ou então alguma designação técnica de heráldica que desconheço.

No Diário da República nº 37 de 13 de Fevereiro de 1985 Iª Série (p.346) foi publicada a Portaria nº 92/85, de 13 de Fevereiro e do seguinte teor:

Atendendo à solicitação formulada pela Câmara Municipal de Alcoutim, distrito de Faro, e ao parecer favorável da Associação dos Arqueólogos Portugueses:

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Administração Interna, que a constituição heráldica das armas, bandeira e selo do referido município seja aprovado de harmonia com o disposto no artº 14 do Código Administrativo, nos seguintes termos:

Escudo – vermellho, com o grifo «ALEO» em letras de ouro circundado por ramos de oliveira frutados, de sua cor. (...)

Nunca percebi a razão da publicação desta Portaria pois a constituição heráldica das armas, bandeira e selo já existiam desde 1927, a não ser que o tivesse sido por uma questão de legalização.

JV