sexta-feira, 10 de maio de 2013

Associações



Este TEMA que criámos tem tido poucas entradas por falta de elementos para que tal aconteça, apesar do concelho de Alcoutim não ser forte em qualquer tipo de associativismo.

Fomos abordando o que nos foi possível e fizemos alguns apelos no sentido das associações interessadas virem junto de nós para podermos divulgar os seus nomes, acções e projectos.

Só uma veio a responder e em situação especial à nossa chamada.

O movimento de visitas também é modesto, destacando-se as duas primeiras mais procuradas.

1º - GRUPO DESPORTIVO DE ALCOUTIM (2008.08.27) – 157

2º - ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO ZAMBUJAL (2011.08.03) – 86

3º - CENTRO CULTURAL SOCIAL E RECREATIVO DE AFONSO VICENTE (2009.08.15) – 29

4º - ASSOCIAÇÃO UNIDOS DO MONTE (2008.06.28) - 18

5º - ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE ALCOUTIM – (2008.11.29) – 9


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Recordações das férias grandes de há 40 / 45 anos [3]





Escreve

José  Rodrigues



A “FEIRA DE CASTRO”

Quando há dias passei por Castro Verde, a caminho do Monte, lembrei-me da famosa “feira de Castro”. Não porque alguma vez tenha tido o prazer de a visitar, mas por ter ouvido falar dela desde que me conheço. O meu avô e o meu pai, descreviam as épicas viagens desde os Balurcos até à feira de Castro Verde, (Almodôvar, Garvão e Serpa, eram igualmente importantes), a uns setenta e tal quilómetros, atrás das vacas, ou montados em bestas. É claro que “a cavalo” a viagem era incomparavelmente mais rápida e menos cansativa. Atrás das vacas, animais por natureza pachorrentos, tinham que partir uma semana antes da abertura do evento. Os animais iam pelo caminho, comendo o que podiam apanhar, durante o dia, e descansavam durante a noite.

Eram autênticas romarias que chegavam ao destino, por todas os caminhos possíveis, em caravanas de animais de todas as espécies: cabras, ovelhas, vacas, machos, burros, bestas muares, cavalos, porcos, etc. Em todo o caso, do concelho de Alcoutim deslocavam-se basicamente vacas, bestas e algumas ovelhas. Como é natural, nesses verdadeiros ranchos que se juntavam na deslocação e, também no próprio recinto durante os dias de permanência, aconteciam “estórias” verdadeiramente hilariantes. Escolhi duas como base a esta crónica.

A primeira tem a ver com um compatrício que tinha muita vontade de conhecer a feira de Castro. Por um motivo ou por outro, os anos iam passando sem que essa vontade se concretizasse, até que um dia chegou a oportunidade. A necessidade de adquirir uma besta que fizesse parelha com o macho castanho que já possuía, levou-o a decidir-se. Na antevéspera da abertura, logo a seguir à merenda, montou-se no dito macho, com uma manta de homem na albardadura, e uns alforges novos em que transportava alguns mantimentos para ele e para o animal, iniciou o sonho de conhecer a famosa “feira de Castro”. Abalou sozinho do Monte mas não tardou a encontrar companhia, como lhe convinha. O itinerário tinha-lhe sido indicado por um tio, com vasta experiência nestas deslocações. Passou por: Pereiro, Velhas, Farelos, Ribeira do Vascão, S. Bartolomeu da Via Glória (onde pernoitou), Diogo Martins, Góis, Ribeira de Carreiras, Castanhos, Ribeira de Oeiras, Espragosa, Figueirinha, Alcaria do Coelho, Viseus, S. Pedro das Cabeças e finalmente Castro Verde, onde chegou ao pôr-do-sol do dia seguinte. Pelas muitas horas que passou escarrapachado no macho, quando dele se apeou não conseguia endireitar-se por mó das dores nas cadeiras e das partes completamente assadas. Nessa noite andou pouco, arranjou estalagem para ele e para o macho e depois de ambos comerem qualquer coisa, deitou-se até no outro dia. Dormiu pouco, por ter estranhado a cama, mas ergueu-se cedo, notou algumas melhoras nas dores das cruzes, e pioras nas assaduras que nem o deixavam caminhar de forma normal, deslocava-se meio curvado com as pernas ligeiramente afastadas, como se alguma parte do corpo lhe pesasse mais que a conta, valeu-lhe nesta circunstância o bordão que tinha colhido de véspera, na Ribeira do Vascão, e no qual se firmava com vigor, tanto que até lhe lascou a extremidade, afiada, que embatia sucessivamente, e com toda a força, no chão. Assim andou todo o dia deambulando pela feira sem grande entusiasmo, e tanto que ele tinha esperado por aquele dia, para apreciar todo aquele gado! Talvez pelo ânimo que lhe faltava, não encontrou nenhuma besta que lhe agradasse, tendo comprado apenas um tamoeiro, uns sefões em pele de cabra, duas cilhas e um chocalho para a vaca. Marcou para o dia seguinte o regresso a casa. Manhã cedo despediu-se e abalou rumo ao Balurco e, ainda com a feira à vista, decidiu dedicar ao evento que o acolheu, a seguinte quadra:

Adeus oh Feira de Castro,
Que já te fiqui conhecendo,
Levo o bico do pau gasto,
E as bordas do cu ardendo.

Consta que nem mais quis ouvir falar da “Feira de Castro”!

A segunda estória tem muito mais probabilidades de ser verdadeira, e passou-se, supostamente, com uma pessoa que ainda conheci muito bem e pelo qual nutri grande simpatia. Pelo respeito que me merece a sua memória, não vou citar o seu nome. Para facilitar a redacção vou chamar-lhe, apenas, ti Manel.

O ti Manel possuía uma burra, já com alguma idade, que era as “suas pernas”, mas a velhice não perdoa nem aos animais, e resolveu que nesse ano iria à feira de Castro para a vender e adquirir uma outra, tanto quanto possível com as mesmas características mas bem mais jovem, como era compreensível. Tinha que ser, mesmo tendo pena da burrinha, que tratava com todos os cuidados e que mantinha gorda e lustrosa, apesar de nesse ano nem a ter mandado tosquiar, uma vez que seria dinheiro desperdiçado. O novo dono que tratasse desse assunto, pensou.

Aspecto parcial da antiga Feira de Castro.
Muitos negócios faziam-se logo a caminho da feira e foi o que aconteceu com o ti Manel. Abordado por uma família cigana, não aceitou a sua primeira “oferta”, apesar de ela não andar muito longe do valor que tinha cogitado para a venda do animal. Recusou à primeira, mas em nova abordagem, uns quilómetros mais à frente, aceitou nova proposta, tendo recebido o dinheiro combinado na negociação e entregue a burrinha com grande desgosto, mas a vida não se compadece com sentimentalismos. A albarda e o cabresto não entraram no negócio e foram carregados, bem como os alforges, na mula de um camarada de viagem, que ia vaga.

No dia seguinte começou cedo a procura da substituta, que até podia ser um burro, desde que cumprisse os requisitos traçados, sendo condição que, nesse caso, fosse capado. Numa ou noutra circunstância, o essencial é que fosse jovem, até uns 6/7 anos estava bem. O que não faltava naquelas feiras eram burros, a dificuldade era escolher, mas encontrou, finalmente, um animal que lhe preencheu as expectativas: a mesma estatura da anterior, mas um pouco mais escura na pelagem, com umas ancas que denotavam bom tratamento do antigo proprietário, pêlo bem aparado, com desenhos artísticos nas duas ancas e no rabo, “calçada” de novo, tanto nas “mãos” como nas patas e sobretudo mansa que nem um cão, embora “viva”. Os dentes não lhos conseguiu ver muito bem, mas pôde comprovar que, pelo menos, luziam de brancura. Não se preocupou muito com os dentes até porque nunca fora grande especialista em avaliar a idade dos animais por essa vertente, nem se calhar por qualquer outra, acrescento eu! Fez negócio! Entregou aos ciganos três vezes o valor pelo qual tinha vendido a sua, e tomou conta da nova aquisição com toda a satisfação do mundo. Nada mais o prendia à feira, até porque já tinha adquirido meia dúzia de utensílios que a mulher lhe tinha encomendado, e combinou o regresso com alguns camaradas que também já tinham comprado “as feiras”.

Verificando a idade
Ao chegar ao Monte poisou a arreata no chão, como era seu há-bito, enquan-to descarre-gava os have-res. Eis senão quando,a bur-ra apanhou o passo e, sem hesitações, dirigiu-se à arramada, para surpresa do ti Manel que incrédulo exclamou: - mas como é que o raio da bur-ra, sem nunca cá ter estado, sabe o caminho da malhada? Pouco tempo demorou a perceber, com a ajuda de alguns vizinhos que acudiram a seu pedido, que afinal a “nova” e a “velha” burra, eram a mesma criatura.

Durante a noite os ciganos tinham tosquiado a jumenta, deram-lhe uma coloração mais escura com um qualquer pigmento diluído em azeite, para tornar o pêlo mais sedoso, lavaram-lhe os dentes com uma zaragatoa embebida numa “pasta” feita à base de ervas e ferraram-na de novo nas quatro patas. Ficou assim montada a armadilha em que o ti Manel se deixou “apanhar”, embora acreditemos que não de propósito. Certamente que os ciganos que negociaram a compra, não eram os mesmos que negociaram a venda ou, quem sabe, até eram!

Parece que quem não se ralou mesmo nada, e tampouco se sentiu minimamente prejudicada com o negócio, foi a burra!   

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Ainda sobre o navio de carga "Alcoutim"


Publicámos no dia 7 de Abril do corrente ano, neste espaço, o pouco que recolhemos sobre o navio de carga Alcoutim, nomeadamente as suas características.

O nosso amigo e colaborador Gaspar Santos já tinha lembrado o seu reconstrutor, o Eng .João Farrajota Rocheta, algarvio de Loulé.

Depois da publicação do pequeno texto quis um nosso leitor, ocasional ou habitual, ter a amabilidade de nos enviar em PDF um texto publicado na VISÃO, de 17 de Março de 2011, pp 106 e 108, assinado por João Dias Miguel onde nos revela a história de tal embarcação.

Além dos breves elementos que conseguimos recolher viemos a saber que em 14 de Maio de 1944 e durante a II Guerra Mundial o S.S. Fort Fidler, que veio a converter-se no  “Alcoutim”, quando se encontrava integrado num comboio Aliado de mercadorias foi torpedeado no Mediterrâneo por um submarino alemão.

Apesar de ter ficado com a proa muito danificada conseguiu atracar ao porto de Oran, na Argélia onde recebeu reparações de emergência.

A tripulação sobreviveu toda e o submarino alemão foi atingido pelos Aliados.

O Fort Fidler é rebocado para a doca da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, onde permanece inactivo até 1946, quando é comprado pelo Grupo CUF e reconstruído sob a orientação do Eng. Farrajota Rocheta, tendo navegado desde 1947 até 1972, com o nome “Alcoutim” fazendo a ligação entre Lisboa e as então colónias ultramarinas.

O método usado na  reconstrução do navio pelo engenheiro português “tornou-se na forma corrente de transformar petroleiros em superpetroleiros, um processo conhecido como jumboing “.

O meu agradecimento ao leitor A. Salvador pelo cuidado que teve em fornecer-me a documentação da qual extraí este texto no sentido de o dar a conhecer aos nossos leitores que dele não tivessem tido conhecimento, como a nós nos acontecia.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Calafito


Esta planta silvestre é também conhecida no concelho de Alcoutim por calafite. Ainda que soubesse há muito a sua designação, a verdade é que não a conhecia e isso veio a acontecer para escrever este pequeno texto sobre ela.

Desenvolve-se em zonas baixas por onde correm cursos de água e não muito expostos ao sol.

Planta medicinal é ou era utilizada para combater os inchaços. Depois de fervida, com ela lavavam-se as zonas afectadas ou então colocavam parches quentes. Constitui um poderoso anti-inflamatório.

Há zonas do País onde dele se faz chá que se bebe quente até 7 dias mas por aqui ninguém me falou nesse tipo de mezinha, nestes termos.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Foice de ferro


Peça de ferro recolhida na “Villa Romana do Montinho das Laranjeiras”.

Período romano / visigótico.

Medidas:29,3 x  2,3 x 0,5 cm

A agricultura foi sempre importante para as populações desta região desde o Neolítico.

Os romanos contribuíram, tal como os muçulmanos, com importantes avanços tecnológicos para uma melhor exploração dos solos.

Além da introdução de novas espécies, aperfeiçoaram e criaram novas alfaias, sendo a foice um desses instrumentos.

Encontra-se em exposição  no Núcleo de Arqueologia do Castelo de Alcoutim e inventariado com o número 92.

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Gradim, Alexandra, 2011, Cardoso, João, Catarino, Helena, Guia do Núcleo Museológico de Arqueologia, C.M. Alcoutim, p.27

domingo, 5 de maio de 2013

Parabéns para a minha neta


 Hoje os meus visitantes / leitores vão-me perdoar por ocupar este espaço com uma mensagem muito pessoal e destinada à minha neta que hoje festeja o seu 7º aniversário.

Não é a primeira vez que a refiro no A.L. como os leitores assíduos certamente terão uma ideia.

Não é tão descabida como pode parecer, pelo menos para alguns, a inclusão neste espaço já que a MARIA tem raízes alcoutenejos pois a avó paterna é natural da vila de Alcoutim e a grande maioria dos seus ascendentes, por este costado, até à 7ª geração, é oriunda do concelho de Alcoutim, de povoações diferentes como da vila, Marmeleiro, Afonso Vicente, Torneiro, Tacões, Vascão, Palmeira, Velhas, Sta. Marta e São Martinho, entre outras.

Naturalmente que o avô paterno não deixou de lhe oferecer uma lembrança, como anualmente faz.

Entendeu que era a altura de lhe ofertar uma lembrança especial e começou a magicar o que havia de ser, algo de muito pessoal.

Uma mobília de quarto completa para as suas bonecas era capaz de ser algo que ela receberia bem.

O avô nunca teve lições de marcenaria, a não ser o que aprendeu com seu pai que também não era profissional dessa área, mas sim um curioso.

Com todas as imperfeições facilmente calculáveis acabou por sair a mobília que os leitores poderão observar nas imagens que se seguem.

A MARIA, que frequenta o 1º ano de escolaridade e que já vai lendo alguma coisa, procura-me quase diariamente na “Redacção do ALCOUTIM LIVRE” dizendo-me:

- Babá (como resolveu chamar-me), estás a escrever um “artigo”?

- É sobre Alcoutim e para o teu blogue?

- O meu papá também escreve “artigos” e eu quando for crescida também vou escrever.

- Babá, és um grande escritor!

Tudo isto porque a minha neta tem sido criada dentro deste ambiente que para ela acaba por ser normal. Quem sabe se um dia não irá escrever sobre qualquer coisa, como o tem feito o avô e o pai, mas possivelmente não o fará sobre Alcoutim, mas quem sabe?!

A feitura do trabalho teve que ter um pouco de imaginação, muita paciência e principalmente muito amor.

A cama está provida de estrado e colchão. A cómoda de espelho e as gavetas não são fictícias. Os candeeiros de mesa-de-cabeceira foram feitos de rolhas de cortiça, o guarda-fato tem espelho interior na porta e está provido de cabides.

As roupas, não as sabia fazer e tive que recorrer a uma costureira que se esmerou no trabalho. Estão muitíssimo bem feitas. Nunca lhe tinham pedido um trabalho deste tipo.

Devido à minha ida para Alcoutim, vi-me obrigado e entregar a prenda antes do dia do aniversário.

Sabia que o avô tinha uma prenda de anos mas não sabia o que era.

Quando a fui chamar para a ver, ficou muito confusa e disse-me:- Oh babá, és o melhor avô do Mundo! Ficou eufórica e dava pulos de contente. Ao levá-la para casa, solicitava todos os cuidados, - vejam lá, não quero nada partido. Nesse fim de dia, até o” Panda” ficou para trás!

TER UMA NETA, É TER UMA RIQUEZA!

MUITOS PARABÉNS, MICOTINHA, UM BEIJÃO DO AVÔ.











sábado, 4 de maio de 2013

Campo de Futebol da Fonte Primeira


Esta foto é dos princípios dos anos 60 do século passado e como o título indica é tirada no “estádio” da Fonte Primeira.

Trata-se de uma partida de futebol em que figura o Grupo Desportivo de Alcoutim, de camisolas listadas e outra equipa que desconheço mas que poderá ser, como era habitual, a equipa da vizinha Sanlúcar do Guadiana.

A foto representa a entrega de um ramo de flores por duas jovens, uma delas a alcouteneja Maria da Conceição, vulgo Bia Martinho, ao capitão do G. D. Alcoutim, Francisco António João, vulgo Chico Balbino.

No primeiro plano e do lado esquerdo o” extremo” local, uma das vedetas da equipa, José Francisco Cavaco que amavelmente nos cedeu a fotografia.

Nesta altura havia jovens para jogar futebol mas não havia um campo condigno; hoje não há jogadores mas existe um bom campo com tapete sintético.

São sopas depois de almoço, como diria o nosso saudoso amigo Luís Cunha.

O grande rossio da vila de Alcoutim foi encurtando pelos mais variados motivos e encontra-se hoje desaparecido.

Em tempos serviu para o povo recolher lenha, pastagem e amarração dos animais, principalmente de quem se dirigia à vila.

A Fonte Primeira (nunca encontrei a Segunda) além de ter servido para campo de futebol era o local onde se realizavam os movimentados mercados mensais e conhecidos principalmente pela transacção de ovos e gado ovino com relevância para o de Março, considerado o grande mercado de borregos. As” boleiras” locais também não faltavam.

Primeiro desapareceu o mercado, depois foi a vez da feira em que a transacção principal era o sal, então indispensável para a conservação de alimentos.

Pequena nota
Após a " postagem" fui contactado pelo nosso Amigo e colaborador Amílcar Felício, que se encontra na foto mas que eu não reconheci no sentido de me informar que aquele jogo era entre a Velha Guarda do G.D.A. e a nova equipa.
Informa-me que além da figura feminina que refiro, se encontrava também Maria dos Anjos Horta e Maria Bárbara, (vulgo Babi).
Refere igualmente a presença de António Vicente (vulgo António Emílio), Manuel do Rosário (sapateiro), José Tiago e no 1º plano Carlos Barão.
Por outro lado recebi o pedido da fotografia para uma filha de Chico Balbino.
Aqui ficam mais estes dados.
JV

sexta-feira, 3 de maio de 2013

"Mãe"




Poesia
de
Maria Dias



Alicerce de vida

Parede mestra

De um edifício

Que constrói de raiz

Doçura que afaga

Agridoce que ralha

Olhar que acalma

Braços que protegem

Mão que nos guia

És o sal da vida

Ternura infinita

És poesia!

Quando já partiste,

Continuas mãe,

Não nos deixas nunca!

A nossa memória

Sempre te invoca

Porque és única !

E assim me permitiste,

Ser mãe também

Conhecer alegrias,

Receber ternuras

Proteger e dar

Amor infinito

Sem nada esperar.



Grata eternamente à minha mãe.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Você anda, anda... e ainda lhe escarro dentro dessa merda!





Escreve

Amílcar Felício



A Barbearia do Mestre João Ricardo na Praça da República, era um dos pontos de encontro mais concorridos em Alcoutim, naquelas longas e pachorrentas tardes de Verão dos anos sessenta do século passado. Quando não havia parceiros para as cartas nem clientes o que era raro, o Mestre João entretinha-se a tocar uma gaitada no seu pífaro como quase todos chamavam ao clarinete ou no seu saxofone que dominava com mestria. Mas de um modo geral era ali na Barbearia desaparecida há muito e encostada aos antigos edifícios escolares que ainda lá existem, que os homens se juntavam e passavam aquelas horas calorentas a jogar à sueca,  à bisca ou aos três setes. Havia também quem jogasse às damas ou ao dominó. A rapaziada mais nova andava por ali entre o fresco da placa do Cais Novo e a Barbearia, a maior parte das vezes mirando e remirando cada jogada e tentando aprender as melhores jogadas com os que eram considerados craques. Até o Mestre João não resistia e entre uma barba e um cabelo, também se juntava muitas vezes aos homens e fazia a sua jogatana. E mesmo agarrado à tesoura ou à navalha não tirava os olhos das cartas, para acompanhar cada jogada ao pormenor. Era um entusiasta do jogo!


Local próximo da localização da barbearia

Mas... já lá dizia o outro há quase 500 anos de que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades” e naturalmente como em tudo na vida, até os hábitos mais enraizados entre os homens vão mudando debaixo dos nossos olhos quase sem darmos por isso, mesmo aqueles mais comezinhos como a higiene. A noção de higiene aliás é na minha opinião sobretudo uma questão cultural, pois se analisarmos historicamente o tema percebe-se facilmente que tem mudado ao longo dos tempos, de acordo com os novos valores que se vão afirmando. Basta referir o significado do banho na antiga Grécia ou posteriormente no Império Romano, ou as enormes mudanças de comportamento verificadas no que respeita à higiene desde a Idade Média até aos nossos dias, para se perceber as diferenças.

Para reforçar esta ideia lembremos por exemplo de que Luís XIV de França em pleno século XVII apenas tomou banho duas vezes na vida, isto é, quando nasceu e quando se casou o que aos olhos de hoje seria pouco abonatório para personagem tão ilustre mas, que se saiba ninguém lhe chamou o Rei Porco, antes pelo contrário até lhe chamaram o Rei Sol imagine-se a um porco daqueles, diria-mos nós hoje.

Mas regressemos à Barbearia do Mestre João Ricardo nos meados daquela década de sessenta do século passado. Os hábitos estavam a mudar aceleradamente. O Mestre João tinha introduzido na sua Barbearia um aparelho inovador -- um escarrador -- que colocava estrategicamente ao lado da cadeira de barbeiro aonde se sentavam os clientes. Queria assim evitar que os homens cuspissem para o chão, hábito que hoje nos arrepia só de pensar, mas muito arreigado aos usos e costumes naqueles tempos. Era um objecto raro naquela época mas sem grandes complexidades. Tratava-se de um simples recipiente em madeira cheio de areia, para aonde se cuspia e que evitava assim o degradante espectáculo -- aos olhos de hoje claro – de ver as pessoas cuspir para o chão, hábito muito entranhado na altura como referimos.

Certo dia entra na Barbearia do Mestre João um camponês que tinha aproveitado a deslocação à Vila para cortar o cabelo. Enquanto o Mestre João lhe cortava o cabelo o homem sentiu vontade de cuspir, cuspindo precisamente para o lado contrário aonde estava o escarrador. O Mestre João discretamente com o pé, desviou o escarrador naturalmente para o sítio para aonde o homem estava a cuspir. Quando o homem lhe deu vontade de cuspir novamente, cuspiu precisamente para o lado contrário para aonde o Mestre João tinha deslocado o escarrador. O Mestre João mais uma vez discretamente para não ferir a susceptibilidade do cliente, volta a empurrar novamente com o pé o escarrador para o outro lado. O homem apercebendo-se do movimento não se conteve e já com cara de poucos amigos, diz para o Mestre João: “você anda, anda... e ainda lhe escarro dentro dessa merda!”

O Mestre João adorava contar esta estória. Ouvi-lha contar algumas vezes...

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Liberdade Pátria Livre


 (Publicado no Diário de Notícias de 25 de Setembro de 1995)

Ela chama-se Liberdade Pátria Livre Barradas Ayres. E quando se junto aos repastos comunistas em Constância, a sua história vem sempre à baila. Há 50 anos que é comunista porque os “seus fins são profundamente humanos”.

Foi por pouco que Liberdade Pátria Livre não teve que mudar de nome. Se o notário do dia anterior fosse exigente, como o do dia seguinte.

Liberdade nasceu na Madeira. O atraso de uma declaração impediu que o Presidente da República, Bernardino Machado, fosse seu padrinho.

Tanto ele como Afonso Costa eram amigos da família. Um clã que se orgulhava de ser republicano e laico. O seu pai, Manuel Ayres, fez parte do grupo de republicanos que lutaram na Rotunda.

Quando chegou a ditadura este funcionário público não se deu bem com o regime. Foi parar aos Açores, Madeira e Alcoutim (*), na altura a” região mais atrasada do País”.

Mas Liberdade lá acabou por conseguir a transferência para mais perto da família. Liberdade Pátria Livre foi então parar à vila de Constância “por laços familiares”.

Com 74 anos, solteira, recorda o dia em que se filiou no Partido Comunista. Há 50 anos. Quando o seu irmão Vasco foi preso pela PIDE.

Nessa altura, Liberdade não constava do léxico político e os amigos quando queriam gritar por ela, diziam: “E viva a irmã do Vasco”

P.F.

(*) - Funcionário de Finanças.