terça-feira, 18 de junho de 2013

Volta a Portugal de 1965


 A Volta a Portugal em bicicleta realizada entre 30 de Julho e 15 de Agosto foi a 28ª realizada no País e constou de 18 etapas.

Foi ganha por Peixoto Alves do Benfica, tendo ficado na 2ª posição João Roque do Sporting a 1 minuto e 27 segundos e ocupado o 8º lugar o tavirense Jorge Corvo do Ginásio de Tavira.

Por equipas ganhou a prova a equipa belga da Flândria, seguida pela do Sporting, terminaram a prova 51 corredores dos 106 que a iniciaram.

A fotografia é do Dr. Eckart Frischmuth que tal como outras que já apresentámos nos foi gentilmente cedida para o efeito.

Esta etapa, que apresenta um pelotão compacto, decorre no sentido Mértola -Vila Real de Sto. António. Pode ver-se que o comando do mesmo pertence aos homens de Tavira.

Distinguem-se as camisolas vermelhas do Benfica, verdes e brancas do Sporting, azuis e brancas verticais do F. C. do Porto.

Mesmo sem essa informação que existe, é fácil verificar que foi tirada no Balurco de Baixo, vendo-se ao fundo e do lado esquerdo o moinho da Casa Branca que na altura ainda funcionava.


O nosso agradecimento, mais uma vez, ao Dr. Eckart Frischmuth.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Caça à multa




Escreve

Gaspar Santos



Já publicamos neste blogue artigos falando de caça: às raposas, ao coelho com pau e às perdizes com armadilhas e, falámos de alguns caçadores que se notabilizaram. Hoje chegou a vez de falar de outro tipo de “caça” : à multa.

Chefiou a Conservação de Estradas de Alcoutim em meados do século um jovem cujo nome já não recordo, que por vezes utilizava a máquina de escrever do Grémio da Lavoura em que eu trabalhava para tratar do seu expediente. Ele tinha um curioso sistema de apanhar os agricultores em contravenção para depois os multar. Praticava uma espécie de caça, que nós apelidamos de caça à multa.

Os burros, cavalos e muares, e não sei se também as vacas, pagavam um imposto por circularem nas estradas nacionais. Era como que uma versão mais rústica do IUA (imposto único automóvel), o selo do carro que hoje nós pagamos anualmente.

Estes animais podiam trabalhar nos campos, deslocar-se através de caminhos rurais ou estradas municipais. O imposto só era devido quando pisavam estradas nacionais. O que acontecia quando iam aos mercados do Pereiro, Odeleite ou Azinhal.

Quando se dirigiam das freguesias de Pereiro ou de Alcoutim para as feiras do Azinhal ou de Odeleite tinham que passar obrigatoriamente pela ponte da Foupana.

Ponte da Foupana que liga o concelho de Alcoutim ao de Castro Marim,
 após o restauro de 2001 motivado pelo mau tempo.
Era na ponte da Foupana que, enquanto aguardava a oportunidade de passar uma multa, o Chefe de Conservação de Estradas se defendia do calor intenso do verão, sentado ou recostado à sombra da ponte a ler um livro ou jornal, deixando em cima da ponte um cabo e um cantoneiro na vigilância.

Quando se aproximava um ou mais homens com animais para o mercado, o cabo de cantoneiros chamava: Chefe vem aí um lavrador com um burro e uma muar! Então o chefe vinha para cima da ponte e pedia as licenças e lavrava o respectivo boletim da multa se era caso disso.

Bem, se era cínica a maneira de aguardar pelas infracções, e era, ainda assim pode reclamar para si o mérito de não se esconder atrás dos subordinados delegando o odioso para cima deles.

domingo, 16 de junho de 2013

Crónicas dos Balurcos [2]





Escreve

José Rodrigues



OS BAILARICOS PÚBLICOS
1
Durante as férias de Natal, de Verão, mas sobretudo nas férias de Carnaval havia bailaricos que constituíam sempre uma “festa”. Quando as realizações eram nos Balurcos a deslocação era fácil, pior era, por carência de transporte, quando aconteciam longe, mas enfim, a pé de bicicleta ou, circunstancialmente, nalgum carro alugado, tudo servia, o essencial era ir.

Os bailes eram sempre “abrilhantados” por acordeonistas (a excepção era, naturalmente, a festa de Alcoutim). Lembro-me de ter conhecido alguns desde miúdo, mas no final dos anos 60, princípios de 70 “pontificava” o Joaquim Manel dos Farelos, o melhor nessa época, talvez por ser o único. Os bailes realizavam-se normalmente em armazéns ou salões com alguma dimensão, onde se construía um palanque para instalar uma cadeira onde se sentava o tocador debitando, a partir dali, a música composta basicamente por marchas, tangos, valsas e corridinhos. Muitas das vezes o tocador fechava os olhos de tal maneira, que a malta dizia que ele sabia a música “de cor”, e por isso até se dava ao luxo de adormecer, durante a função. Junto às paredes, em toda a volta da sala, as cadeiras onde normalmente se sentavam as meninas mais as mães; os rapazes deambulavam por ali e só se aproximavam quando o tocador dava início a mais uma “moda”. Quando isso acontecia, disfarçadamente lá dávamos um sinal para o par pretendido, com a dissimulação possível não fosse acontecer o “cabaço”, que ninguém gostava que fosse tornado público. O baile ia-se desenrolando com algumas pisadelas pelo meio, resultantes de algum encontrão de outro par, ou do desacerto da própria dupla, resultante do resvalar errático dos dedos do tocador pelas teclas do “fole”, falhando assim a sequência das notas, estabelecida pelo compositor, da melodia que se propôs replicar. Apesar de tudo, normalmente as coisas iam caminhando e a gente gostava.


Nos intervalos tomava-se qualquer coisa na tasca improvisada, que dava apoio aos organizadores, onde se bebiam cervejas, laranjadas e gasosas “refrescadas” em bidões de água com umas sacas de serapilheira humedecida por cima, que eram os “frigoríficos” possíveis, num tempo em que a energia eléctrica ainda estava para chegar.

A meio da noite procedia-se à rifa do bolo que rendia mais umas coroas. O “leiloeiro” subia ao palanque do tocador, e pedia silêncio. Agarrava na bandeja e começava: - Ora temos aqui um belo bolo, oferecido à organização do “balho”, que vamos agora rifar. Pra começar está em “5 mil réis”, quem dá mais? Isoladamente, ou em grupo, iam sendo feitas ofertas, que o apregoador ia divulgando, à sua maneira, com pompa e circunstância: - sete mil e quinhentos, quem dá mais?… Dez mil réis… Doze e quinhentos, quinze, dezassete e quinhentos… Quem dá mais? Dezassete e quinhentos,… dou-lhe uma … dou-lhe duas… Vinte escudos, ali para aquele canto… vinte escudos, quem dá mais? Os que se digladiavam, lá iam cobrindo os lanços, mas a maioria estava desejando que acabasse a “rifa” para que a música pudesse ser retomada prosseguindo assim a “balhação”. Quando a coisa já estava mais do que espremida o leiloeiro lá se decidia: … dou-lhe uma… dou-lhe duas… ninguém dá mais? … dou-lhe três…! E mandava entregar o produto rifado ao titular da maior oferta. Havia vezes em que se rifavam também garrafas de bebida “fina” (normalmente vinho do Porto).

E o baile lá continuava até que as mães das meninas impusessem o recolher obrigatório. Normalmente pelas 4/5 da manhã terminava, numa altura em que o cansaço já se apoderava de nós, apesar de novos, ou talvez por isso! Regressava-se a casa com a música “impressa” no cérebro e adormecíamos ao som das valsas e dos tangos.

OS BAILARICOS PRIVADOS

Por haver poucos bailes públicos, nós inventámos os privados! Primeiro com um gravador de fita e mais tarde um gira-discos, fraquinho diga-se, mas que cumpriu sempre a função sem um mínimo de falha, a não ser, como às vezes acontecia, que falhassem as pilhas.

O velho gira-discos. Foto JDR

Era a juventude dos Balurcos, já na altura não muito abundante, mas que dilatava em tempo de férias. Os que não estudavam já tinham “descido” ao litoral para trabalhar em hotéis ou rumado à Grande Lisboa, onde tinham familiares ou então assentado praça, como voluntários, na Marinha. Nas férias por lá nos encontrávamos e muitas vezes organizávamos os nossos petiscos, e os já referidos bailaricos. A iluminação provinha do candeeiro a petróleo que, para o caso, até nem era o mais importante, a não ser para mudar o disco! O essencial mesmo era que não se “acabassem” as pilhas, que faziam “girar” o toca-discos. Quando as ditas falhavam e não havia suplentes, chegávamos a fervê-las num tacho com água, por forma a durarem mais uma hora, meia hora, ou dez minutos que fossem. E resultava!

As músicas eram as da época e iam desde o consagrado Roberto Carlos, que até já queria “buzinar o calhambeque”, passando pelo promissor Júlio Iglésias, com o “canto a Galicia”, o Francisco José, com o sucesso da “guitarra minha toca baixinho”, os “vinte anos” dos Green Windows, “goodbye my love goodbye” e “we shall dance” de Demis Roussos, Neil Diamond com “song, song blue”, ou de Daniel Gerard com “butherfly”, ou ainda do romântico Adamô, que as meninas adoravam, com o seu tema “tombe la nége”. E havia ainda tantos outros como: Beatles, Credence Clear Water Revival, Janis Joplin, Nélson Ned, etc. É no entanto impossível esquecer, a cereja no topo do bolo, que foi “Je t'aime,...moi non plus” de Jane Birkin e Serge Gainsbourg, de longe o maior sucesso nesses encontros dançantes, vá-se lá saber porquê?! Suspeito eu que, pelo facto de o disco ter sido proibido de “passar” nas estações de rádio existentes nessa altura!


Tudo isto se passou nos últimos anos da ditadura em que inventávamos a nossa própria liberdade, para mais tarde acabarmos “presos”, conjugalmente falando, já em plena Democracia. Foram tempos, nem melhores nem piores, mas simplesmente diferentes que, naturalmente, recordamos com saudade.

sábado, 15 de junho de 2013

Cama de ferro "repuxo de jardim"



 É o sétimo exemplar que apresentamos de camas de ferro que se usaram ou usam no concelho de Alcoutim, diferente das já apresentadas, mas onde existem partes semelhantes.

É cama de um corpo ou de solteiro, sabemos que existem de corpo e meio ou de casal, o que acontece em todos os modelos apresentados, excepto, que saibamos, na “cama de bancos”.

A cabeceira e as costas, como quase sempre acontece, são iguais terminando na parte central com um abaulamento no sentido de ser colocado o elemento mais decorativo do conjunto, neste caso, aquilo a que chamamos “um repuxo de jardim”, pela semelhança que encontramos. A peça é enquadrada por trabalho em ferro que consta noutros modelos, o que acontece também com o resguardo de ferro constituído por linhas curvas e rectas.

Reparar, igualmente, nas maçanetas de metal amarelo de configuração simples e tradicional e que devidamente areadas embelezam o móvel.

A que a fotografia apresenta, encontrava-se para restauro principalmente da pintura e areamento das maçanetas.


Pertence ao nosso colaborador Gaspar Santos.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O adeus à Freguesia do Pereiro

Aspecto da Feira de S. Marcos em 2013. Foto JV

Com as próximas eleições autárquicas formaliza-se a extinção de muitas centenas de freguesias no país.

Diz-se que é imposição da “troika”, que acaba por mandar com grande austeridade neste país.

A centenária freguesia do Pereiro constituía um marco importante na divisão administrativa do concelho.

A sua situação geográfica era a mais central a nível concelhio. O seu grande orgulho era a Feira de S. Marcos que depois de uma pequena romaria se transformou numa das maiores Feiras de toda a Serra do Algarve.

Era aqui que desde os seus primórdios se transaccionavam as produções locais desde o gado ao artesanato, com relevo para os panos saídos dos teares existentes em todas as aldeias do concelho.

A primeira estrada construída no concelho teve lugar após a “cheia grande” de 1876 / 77 e para minorar a situação difícil em que a população ficou, ligou a Vila à aldeia do Pereiro.

A sua atracção cinegética vem de tempos recuados, em especial quanto a lebres, mamífero corredor próprio das zonas planas (achadas).

Foram importantes os seus “mestres” em várias áreas, nomeadamente na ferrajaria.

Os seus lojeiros ambulantes ainda eram bem conhecidos em meados do século passado.

Ainda que seja modesto, a freguesia do Pereiro é a única que possui um trabalho tipo monográfico, a única que o fez em todo o concelho e uma das únicas em toda a serra algarvia. Ficará assim, para lembrar aos vindouros,o que foi a freguesia.

A rotunda e os arranjos no rossio da aldeia, espaço de feiras e mercados, constituíram “sopas depois de almoço”.

Fui assistir à última Feira de São Marcos sob administração da Junta de Freguesia do Pereiro. Como é natural, vai-se notando uma quebra em relação a alguns anos atrás.

Eu, que aprendi a distinguir com os alcoutenejos aldeia de monte, pergunto-lhes agora: É o “monte” do Pereiro ou a aldeia do Pereiro?

Espero que outro poder político restaure a centenária freguesia do Pereiro, concelho de Alcoutim.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Uma "operação cesareia" na aldeia de Martim Longo


O facto que vamos referir ocorreu na aldeia de Martim Longo no dia 20 de Junho de 1836 e está alicerçado em documentação oficial.

O lugar de partido médico de Alcoutim é criado por D. João VI em 15 de Abril de 1818 mas a verdade é que o lugar não era preenchido por falta de concorrentes e quando o foi a ocupação fez-se por médicos estrangeiros, espanhóis e pelo menos um francês, que acabou por falecer em Alcoutim onde ficou sepultado, o Dr. Pedro Faure.

Os médicos nestas circunstâncias e porque eram estrangeiros celebravam com a Câmara um contracto semelhante às regras existentes para ocupação oficial.

Em 8 de Setembro de 1835 é celebrado um ajuste com o médico espanhol, Dr. Jacinto Chapella, visto o lugar de facultativo continuar vago. No ano seguinte a Câmara tem dificuldade em cumprir os ajustes firmados, pelo que presumimos, o médico deixou de cumprir o que tinha sido acordado. Só em 1 de Novembro de 1842 Alcoutim passa a ter médico através de um contrato celebrado com o médico francês, Dr. Pedro Faure.

Tendo falecido uma cidadã de parto na aldeia de Martim Longo, o barbeiro José de Sousa Barão extraiu-lhe depois de morta e por meio de “operação cesareia”, duas crianças, uma das quais se encontrava com vida.

Foi lavrado um termo neste sentido assinado pelo pároco Encomendado e pelo barbeiro-cirurgião. Ainda que o facto não seja referido, pensamos que a criança retirada com vida acabou por falecer.

A este barbeiro morreu-lhe uma filha menor em 17 de Dezembro do ano seguinte, sendo sua mãe Francisca do Carmo.

Veio a falecer em 20 de Dezembro de 1852 e agora casado com Maria Rosa, pois teria enviuvado da sua primeira mulher.

O barbeiro-cirurgião era uma profissão muito vulgar na Idade Média, já que nessa época as cirurgias de uma maneira geral não eram realizadas por médicos.

Competia-lhes também a função de sangradores, isto é, realizar sangrias.

Outra das tarefas que realizavam era a da extracção de dentes, o que se prolongou por muitos anos nas regiões mais atrasadas do país. Era habitual, segundo informação recolhida, deslocarem-se às feiras regionais levando consigo uma malinha na qual transportavam as “ferramentas” para o seu trabalho.

Sempre ouvimos contar que em Alcoutim, o Dr. João Francisco Dias deitou ao rio as ferramentas que para esse efeito possuía o barbeiro Carolino! Isto aconteceu em meados do século passado!

Em 1877, por isso, muitos anos após a morte do barbeiro José de Sousa Barão, encontrámos outro com o mesmo nome, possivelmente da mesma família, que exercia a profissão de sangrador, nesta altura, sujeita à existência de uma carta que o habilitasse para tal e que era passada por um médico após a realização de provas.

A informação é a seguinte:- Os guardas, (da Alfândega) no exercício da sua função, entre Lutão e Martim Longo atiraram sobre o sangrador, José de Sousa Barão, provocando a morte do animal que montava. (Of. Nº 186 de 7 de Dezembro de 1877 do Administrador do Concelho)


Não deixa de ser esquisita e curiosa esta “operação” que a documentação nos transmite.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

"Alcoutim, um concelho com futuro"

(PUBLICADO NO JORNAL DO ALGARVE DE 10 DE ABRIL DE 1986, Brisas do Guadiana)

Vista ribeirinha de Alcoutim nos dias de hoje. Foto JV
 Jornada de informação

A magia do Guadiana, no seu calmo serpentear pelas terras de Alcoutim, foi uma das constantes da visita de trabalho dos representantes da imprensa regionalista algarvia à bonita vila sobranceira ao rio.

Os visitantes saíram da estrada nacional nas imediações do Azinhal, por aí começando o seu contacto com o elevado número de pequenas povoações que, no seu todo, constituem parte apreciável do concelho alcoutinense. Após percorrerem algumas dezenas de quilómetros da terra serrana do interior, detiveram-se no lugar de Vale da Rosa, onde apreciaram a curiosidade que é a central de energia solar instalada naquela zona nordestina, dois jogos de acumuladores fornecendo, quando trabalham em condições normais, o que no momento não acontecia, luz eléctrica às diversas residências e energia suficiente para fazer funcionar o telefone, a televisão e uma arca congeladora. Aí foi-lhes explicado o meio de actuação e as vantagens do sistema quando puder generalizar-se, em especial nas terras com idênticas características.

Na aldeia de Vaqueiros apreciou-se o aglomerado urbano e na de Martinlongo houve oportunidade de visitar a igreja, não há muito restaurada.

Na tarde e após o almoço, os jornalistas reuniram-se nos Paços do Concelho, com o Presidente da Câmara Municipal, sr. Manuel Cavaco Afonso, o vice-presidente, sr. Manuel Carvalho e o “alcalde”da fronteira vila espanhola de Sanlucar del Guadiana, sr. Manuel Peres Nogueras. O sr. Cavaco Afonso deu as boas vindas aos visitantes, agradeceu a presença e aludiu ao interesse especial desde sempre notado na Imprensa regionalista pelo seu concelho., talvez resultante da constatação de se tratar de uma zona desprotegida. Disse não ter sido por acaso que se entrara na área de Alcoutim pelo lado do Azinhal, mas para serem apreciados motivos que, anos antes, estavam na origem do trasporte de doentes em padiola, de umas terras para outras, na procura de cuidados clínicos e por falta de vias de ligação, enquanto o vizinho turismo ia evoluindo e o ruído dos automóveis não conseguia chegar ao interior do concelhio. Apontou as vantagens da abertura da fronteira de Alcoutim com Sanlucar e referiu a ajuda dos jornais para que as crianças tivessem escola, sem dificuldade de percorrer grandes distâncias para aprender as primeiras letras, e também para se saber que, se de imediato não lhe acudissem nas carências mais urgentes, a região não tardaria a tornar-se desértica.

O sr. Cavaco Afonso disse ainda estar nos propósitos da edilidade a ampliação das instalações camarárias, para o que já foi adquirido um prédio contíguo, e pensar-se na construção de uma pousada de 40 quartos, num monte ao lado da vila, com excelente perspectiva. Concluiu afirmando ser preciso criar condições para que as zonas pobres se tornassem menos pobres e pedindo palavras de crítica, mas bem intencionada, para os problemas poderem ser resolvidos.

A estrada marginal, factor positivo
 para o desenvolvimento da região

Em nome da AIRA – Associação da Imprensa Regionalista Algarvia, o Reverendo Carlos Patrício referiu a vantagem dos jornalistas conhecerem os problemas para poderem ajudar a resolvê-los e fez votos pelo progresso de Alcoutim, que considerou zona rica e vital ao progresso e valorização do Algarve.

Após percorrerem alguns pontos, de interesse, foi facultado aos visitantes um passeio a Sanlucar, a pequena, branca e florida vila do outro lado do rio.

Aí, e nas “Casas Consistoriales”, apresentou cumprimentos o sr. Manuel Nogueras, considerando Sanlucar uma terra sem pretensões, sendo a maior destas, à semelhança de Alcoutim, a reabertura da fronteira comum. Nesse sentido, informou, estava a ser comprado o terreno para a implantação da Alfândega. Para facilitar os acessos, começara em Sanlucar o alargamento de uma via de ligação a S. Juan del Puerto. A reabertura não visava negócio, mas amizade, pois há muitas famílias com parentes num lado e noutro que para se encontrarem, têm de ir a Ayamonte.

Pela AIRA, o dr. Joaquim Magalhães lembrou serem muito antigas as relações entre Alcoutim e Sanlucar e apelou para que se construíssem mais pontes, traços de união entre os dois países ibéricos que haviam revelado o mundo ao mundo.


De novo em Alcoutim, o regresso dos jornalistas às terras de origem fez-se pelos novos troços da estrada marginal do Guadiana (Laranjeiras e Guerreiros do Rio) que se antevê como importante factor de progresso não só para aquele concelho como para o de Castro Marim, pelo encurtamento de distâncias e na extraordinária beleza dos seus recantos e paisagens.

NB - A rubrica Brisas do Guadiana era nesta altura assinada pelo grande jornalista José Manuel Pereira.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Alcachofra


Planta herbácea da família das compostas, cujo nome é de origem árabe, de (al-kharxofâ).

Existem no centro e sul de Portugal e em Itália, espontâneas ou cultivadas.

As flores grandes e espinhosas são azuis, violáceas ou brancas.

Na tradição popular portuguesa, chamuscavam-se na véspera de S. João e espetavam-se na terra na esperança de as ver florir no dia seguinte, o que significava que o amor era correspondido.

A fotografia que apresentamos é de um exemplar criado em Alcoutim.

Os jovens de hoje desconhecem esta tradição popular.

De grandes capítulos, espontânea ou cultivada em Portugal.


Existem pelo menos três variedades. A brava é também designada por alcachofra de S. João.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Tabuleiro de jogo


 Tabuleiro de jogo de tipo Mancala III, recolhido no Castelo Velho de Alcoutim.

Este jogo milenar oriundo do Oriente Médio (foi encontrado um tabuleiro do IV milénio a. C. no Egipto) e da África, teve imensas variantes ao longo dos tempos.

Joga-se como o gamão, movendo as peças no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, procurando capturar as peças adversárias que fiquem isoladas em número de uma ou duas num orifício. Ganha o que capturar maior número de peças.

É de xisto e do período islâmico do século X – XI.

Med. 29,2 X 14,1 X 2,4 cm.


Pode ser apreciado no Núcleo Museológico de Arqueologia do Castelo de Alcoutim.

domingo, 9 de junho de 2013

Lua cheia em Afonso Vicente (Alcoutim)


A Câmara Escura de hoje é muito especial.

Residirá na simplicidade um hipotético interesse, pelo menos da nossa parte.

Quando estamos em Alcoutim, raramente a máquina fotográfica nos deixa de acompanhar, pois nunca se sabe quando aparece um motivo para fazer o disparo e hoje com o sistema digital não há preocupação quanto ao número de fotos que se pode realizar.

Para não ficar esquecida em qualquer parte, transportamos sempre a máquina a tiracolo.

No mês de Maio último ao dirigir-nos a casa na direcção do sul e virado para o Sul, deparamo-nos com este quadro singelo de Lua-cheia plena de brilho e... disparámos!

Deu isto, o contraste do negro do céu com o tom amarelado e brilhante da Lua! Mas não só, repare-se do lado direito onde se nota bem uma estrelinha.

Gostámos e partilhamos o nosso gosto com os visitantes / leitores.

É uma fotografia de âmbito diferente do habitual.