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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Pintura de Sérgio Pica


Antes de se dar a suspensão por tempo indeterminado deste espaço, não queremos deixar de dar a conhecer a muitos visitantes / leitores a pintura a óleo do pintor alcoutenejo Sérgio Pica, este não é um alcoutenense fictício mas real, ainda que nunca tivesse conhecido a Vila de Alcoutim, como nos confessou.

A fotografia do quadro foi-nos enviada por alguém que desconhecia o autor S.P. e que no mundo da Internet procurou encontrar algo e veio parar ao ALCOUTIM LIVRE.

Esta paisagem foi comprada num antiquário por um são-brasense, arquitecto de profissão e pintor amador, colega e amigo de quem connosco entrou em contacto.

Sérgio Pica, um autodidacta, que viveu exclusivamente da pintura, distinguia-se principalmente pela pintura dos arvoredos, como está bem patente neste quadro.

Além deste, através de fotografia, tivemos oportunidade de apreciar ao vivo dois dos seus quadros e ambos no Algarve, mais propriamente em Vila Real de Santo António e São Brás de Alportel.


Aqui fica o nosso agradecimento a quem teve a amabilidade de nos enviar tal documento.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Ainda sobre o navio de carga "Alcoutim"


Publicámos no dia 7 de Abril do corrente ano, neste espaço, o pouco que recolhemos sobre o navio de carga Alcoutim, nomeadamente as suas características.

O nosso amigo e colaborador Gaspar Santos já tinha lembrado o seu reconstrutor, o Eng .João Farrajota Rocheta, algarvio de Loulé.

Depois da publicação do pequeno texto quis um nosso leitor, ocasional ou habitual, ter a amabilidade de nos enviar em PDF um texto publicado na VISÃO, de 17 de Março de 2011, pp 106 e 108, assinado por João Dias Miguel onde nos revela a história de tal embarcação.

Além dos breves elementos que conseguimos recolher viemos a saber que em 14 de Maio de 1944 e durante a II Guerra Mundial o S.S. Fort Fidler, que veio a converter-se no  “Alcoutim”, quando se encontrava integrado num comboio Aliado de mercadorias foi torpedeado no Mediterrâneo por um submarino alemão.

Apesar de ter ficado com a proa muito danificada conseguiu atracar ao porto de Oran, na Argélia onde recebeu reparações de emergência.

A tripulação sobreviveu toda e o submarino alemão foi atingido pelos Aliados.

O Fort Fidler é rebocado para a doca da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, onde permanece inactivo até 1946, quando é comprado pelo Grupo CUF e reconstruído sob a orientação do Eng. Farrajota Rocheta, tendo navegado desde 1947 até 1972, com o nome “Alcoutim” fazendo a ligação entre Lisboa e as então colónias ultramarinas.

O método usado na  reconstrução do navio pelo engenheiro português “tornou-se na forma corrente de transformar petroleiros em superpetroleiros, um processo conhecido como jumboing “.

O meu agradecimento ao leitor A. Salvador pelo cuidado que teve em fornecer-me a documentação da qual extraí este texto no sentido de o dar a conhecer aos nossos leitores que dele não tivessem tido conhecimento, como a nós nos acontecia.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Herdade da Corte Velha

Corte Velha, 1972. Foto de JV
Desconheço a quem pertence esta herdade mas penso que parte ou no todo será propriedade dos descendentes do médico Dr. João Francisco Dias, natural do concelho de Castro Marim, freguesia de Odeleite e da pequena povoação de Corte Velha.

Pertenceu à Real Capela de Nª Sª da Conceição, na vila de Alcoutim a quem teria sido doada em época que desconheço.

O dado mais antigo que possuo é de 1826, pois nesta altura pagava de décima 2.160 réis.

O prof. Trindade e Lima num dos seus escritos, afirmou: Das abas do concelho de Castro Marim, que deitam para a Foupana, veio um ano à feira de Alcoutim um velho e abastado lavrador. Encontrou meu pai, e como eram conhecidos, com ele travou conversa. Meu pai, como era seu costume, fez a apologia da necessidade de os homens se instruírem. Dizia ele:- Os pobres ficam mais ricos e os ricos ficam mais protegidos contra os reveses da fortuna. Se a roda desta desanda, a sua cultura ajuda-os a ganhar a vida em qualquer parte e em qualquer circunstância. Ouviu, convenceu-se e decidiu-se o velho lavrador. Voltando a sua casa, na Corte Velha, disse para o filho: Eu quero que os meus netos vão estudar.
Acabam com esta decisão os ócios de um filho do lavrador e começou, então, propriamente, a vida do saudoso doutor João Francisco Dias. (1)

Este abastado lavrador era, segundo creio, Manuel Francisco Dias, avô paterno daquele que veio a ser o distinto médico Dr. João Francisco Dias. (2)

A herdade que em título referimos estava aforada em 1851 a José Dias que se apresenta com o seu filho Francisco na Câmara (proprietária da Real Capela) pretendendo que fosse feito um novo aprazamento a favor de seu filho, passando o foro para mais dez alqueires de trigo, o que ficou a constituir o foro anual de oitenta alqueires.

Foi lavrada então nova escritura de aforamento, pelo tempo de três vidas, sendo a primeira a do dito Francisco, este indicará a 2ª e esta a 3ª.

O foro veio a ser remido em 7 de Novembro de 1878, tendo sido entregue pelo Administrador do Concelho seis inscrições de dívida pública que totalizam 1.900 réis e provenientes daquela alienação. (3)

As hoje designadas Corte Velha e Corte Nova eram por essas alturas conhecidas por Cortes de S. Tomé.
_________________________________________

(1)     “ Um Médico Exemplar: o Dr. João Francisco Dias”, Trindade e Lima, Revista O Século  (?) . Tomámos conhecimento deste artigo na barbearia do Sr. João Madeira (Ricardo), onde se encontrava exposto. Não nos soube dizer o título da Revista e muito menos a data.

(2) - Assento de baptismo nº 33, de 2 de Maio de 1899, freguesia de Odeleite, concelho de Castro Marim. O padre que o ministrou, Augusto Octaviano Rafael Pinto, tinha ligações familiares à vila de Alcoutim.

(3)) - Acta da Sessão da C.M.A. de 31 de Outubro de 1878.

domingo, 7 de abril de 2013

Navio de carga "Alcoutim"


Na secretaria da Câmara Municipal de Alcoutim existia, nos finais da década de 60 do século passado, pendurado numa parede a fotografia de um barco que eu presumo ser este. Penso que não havia qualquer texto explicativo e perguntar algo sobre ele seria descabido já que ninguém sabia explicar-me o brasão de armas da Vila. Desconheço o destino de tal quadro.

Se é este o barco que estava representado, o que tenho algumas dúvidas, tratava-se de um navio de carga construído em Vancouver, Canadá em 1943.

Adquirido pela Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes de Lisboa, é reconstruído em 1946 pela Companhia União Fabril, no Estaleiro Naval da A.P.L., em Lisboa e registado na Capitania do porto de Lisboa, em 16 de Janeiro de 1947, com o nº G 484.

Tinha um comprimento de 134,56 m, boca máxima de 17,38 e um calado à proa de8,15.
O peso bruto é de 10.526 toneladas e tem uma capacidade de 14 395 m3.

Com uma máquina que desenvolvia uma potência de 2500 cavalos, alcança uma velocidade máxima de 11 nós.

A tripulação compunha-se de 35 elementos.

Certamente que o nome dado teria sido uma homenagem à pequena vila ribeirinha na margem do Guadiana.

A actividade marítima esteve sempre muito ligada aos alcoutenejos, possivelmente devido ao seu contacto diário com as águas do Guadiana, rio que potenciava a sua existência.

Foram imensos os mancebos que escolheram a Marinha quando tiveram de cumprir o seu serviço militar e alguns acabaram por seguir essa carreira, alcançando muitos o oficialato.

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http://navios.no.sapo.pt/naviosc.html

http://bordolivre.no.sapo.pt/set_out2002/pag4_45&46.htm

htt://naviosenavedaores.blogspot.pt

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Gorani em Coimbra com os estudantes de Alcoutim (*)


Pequena nota

Como tínhamos dito, aqui está a transcrição de parte das páginas 124 e 125 do livro de José Gorani “Portugal –  A Corte e o Pais nos anos de 1765 a 1767”, Edição de 1945.

Além da referência ao contacto com os alcoutenejos, transcrevemos, igualmente, a impressões deixadas pela Universidade.

JV

 (...)

O Desembargador Figueira, tendo muito que fazer nesta cidade, deixou-me com o tempo mais que suficiente para visitar os amáveis jovens que me haviam acompanhado de Alcoutim a Aldeia Galega. Foi em Coimbra que estes simpáticos moços acabaram por, de todo, me fazer esquecer a sua leviandade. Prodigalizaram-me todas as provas da sua amizade sincera e proporcionaram-me o conhecimento das mais divinas belezas do Mondego.

Cidade de Coimbra

Excepto à hora das refeições, em que me cumpria acompanhar o Desembargador, o resto do meu tempo, enquanto permaneci em Coimbra, foi todo passado na companhia dos encantadores rapazes, para os quais não encontro suficiente elogio. Embora me custasse, tive, porém, de os deixar. Houve lágrimas! E, devo confessá-lo, não existe ninguém mais amável, mais nobre e mais desinteressado que um rapaz português. Se tivesse agora comigo os meus jornais de viagem, quantas coisas vos não poderia contar destes estudantes tão espirituosos, tão cheios de engenho e tão instruídos como admiravelmente comportados! Por eles conheci todos os professores, bem como muitos estudantes; toda a gente foi amabilíssima comigo.

Encontrei na Universidade antigas rotinas de Coimbra professores de grande saber. Embora fossem obrigados a seguir antigas rotinas, eles estavam a par de todas as descobertas feitas no estrangeiro. Em história natural, trabalhava-se ali superiormente e Buffon, que era um ídolo em França e noutros países, não o era na Universidade de Coimbra, onde chamavam à História Natural deste autor”o romance da Natureza”.

Desafio quem quer que seja de encontrar noutro país uma Universidade que se avantage à de Coimbra em arqueologia, grego, hebreu, caldaico e  árabe. Quase todas as lições era proferidas em latim e principalmente as de Moral, Medicina, Jurisprudência, Direito canónico, Sagradas Escrituras, História eclesiástica e Teológica. Assisti a algumas lições e adquiri o mais profundo apreço por este Universidade, onde todos os professores dispunham de grande liberdade.
D.Afonso IV

Mostraram-me, nesta Universidade, uma redução do estabelecimento que eu vira em Roma, mas em maior, no famoso Colégio da Propaganda fide. Este estabelecimento devia a sua origem a D. Afonso IV, que em 1348 já pensava na maneira de dilatar o Cristianismo e os seus domínios nos países longínquos. Este príncipe quis aproveitar a favor do Estado a virtuosa coragem e o zelo ardente dos religiosos, que já então se ofereciam para correr mares e terras em busca de prosélitos da sua religião e de fiéis súbditos dos seus reis. Existiam então muitas imprensas para dar à estampa os livros elementares dos idiomas dos povos bárbaros que estavam espalhados pela África, Ásia e América. Havia também uma biblioteca constituída por livros impressos em todas estas línguas, cartas, estampas e outras obras, de todos os géneros, que pudéssemos industriar os jovens que se desejassem aprontar para percorrer tais países com proveito próprio e do Estado .Mostraram-se outrossim cartas escritas pela mão deste mesmo D. Afonso IV e fizeram-me os maiores elogios de todos aqueles que se separam de pais, amigos e hábitos para ir ao fim do mundo levar a luz da religião de costumes e hábitos benignos, transportando-se a climas inóspitos, percorrendo países desconhecidos, sob o rigor do tempo, vencendo precipícios e atravessando desertos, sempre no risco de encontrar, por onde andam, a miséria e a doença – tudo para simplesmente humanizarem os selvagens. Mas este estabelecimento admirável, de que só os abusos são condenáveis, apenas floresceu até fim da primeira dinastia.

(...)

(*) Título da nossa responsabilidade.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sede da APROFIP - Associação dos profissionais de figo-da-índia portugueses, será em Alcoutim


Decorreu recentemente um inquérito entre os 53 sócios fundadores da APROFIP, que terminou no dia 10 do corrente, no sentido de se escolher o local da Sede da Associação.

Conforme proposta apresentada na Assembleia Geral e aprovada, a sede localizar-se-ia no concelho mais votado.

Manifestaram-se 45 associados, 36% dos quais indicaram o concelho de Alcoutim.

A Direcção encetou diligências no sentido de obter apoios, nomeadamente autárquicos para a sua efectivação.

A APROFIP tem sócios fundadores nos concelho de Abrantes, Arronches, Arraiolos, Beja, Castelo Branco, Castelo de Vide, Évora, Lagoa, Mértola, Nisa, Olhão, Portalegre, Santiago de Cacém, Serpa, Sesimbra, Silves, Tavira, Viana do Alentejo e Vila Franca de Xira, além de naturalmente Alcoutim.

São 20 concelhos que se distribuem pelo sul do país, desde as zonas do Ribatejo e Estremadura, passando por todo o Alentejo e naturalmente o Algarve.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

É pouco vulgar e tem origem em Alcoutim!


Foto de Família no Montinho das Laranjeiras em 1938 (*)
 
Nasceram nos montes do rio, ele no Montinho das Laranjeiras e ela nos Guerreiros do Rio, casaram e viveram na vila de Alcoutim até seguirem o trajecto que todos temos de percorrer, tendo sido sepultados no cemitério local, primeiro ela aos 85 anos depois ele com 96 feitos.

Do casamento criaram-se quatro rebentos, três meninas e por fim um rapaz, todos nascidos na vila de Alcoutim onde fizeram a instrução primária.

Duas delas casaram com alcoutenejos e a outra com um beirão. Das três só uma viveu sempre em Alcoutim. Todas enviuvaram, tal como o rapaz que também veio a casar fora.

Até aqui tudo normal.

A mais velha tem 92 anos, seguindo-se a segunda com 91, a terceira com 82 e o rapaz, o menino das manas, com 79.

Somam a bonita quantia de 344 ANOS!

Digam-nos lá caros leitores se conhecem algum casal que tivesse tido “apenas” quatro filhos (faleceu uma de tenra idade) e que juntos se mantenham somando 344 ANOS! Nenhum ficou pelo caminho!

Se conhecerem, denunciem o caso.

Pois nós conhecemos e vamos denunciá-lo para espanto de muitos.

O casal era constituído por António Patrocínio dos Santos, guarda-fios de profissão e D. Luísa Martins, os filhos são D. Violante Martins dos Santos, 92 anos, residente em Setúbal, viúva do alcoutenejo José Parreira Baptista, que foi cabo da GNR, D. Cremilde Martins dos Santos, de 91, residente em Alcoutim, aposentada como encarregada da Estação dos CTT de Alcoutim durante largos anos, viúva do alcoutenejo, Francisco Martins que também foi cabo da GNR e eleito vereador da Câmara Municipal de Alcoutim nas primeiras eleições autárquicas após o 25 de Abril, D. Maria Martins dos Santos, de 82, residente em Portimão, viúva de Humberto Ferreira da Silva que foi relojoeiro de profissão e por , Gaspar Martins dos Santos, de 79 anos, engenheiro electrotécnico formado pelo Instituto Superior Técnico, nosso prezado Amigo e colaborador do ALCOUTIM LIVRE desde a primeira hora e casado com a Senhora Dra. Maria de Lurdes, residentes em Lisboa.

É como se vê, uma família com características de longevidade.

Que se vão mantendo por mais uns bons anos são os nossos votos.

Nos 75 anos de Gaspar Santos que suas irmãs fizeram questão de comemorar
e onde se reuniram algumas dezenas de Amigos, quase todos de
longa data e onde tivemos o prazer de estar presente com a minha mulher.
Gaspar Santos usando da palavra tendo à sua esquerda a esposa e as duas irmãs Cremilde e Maria.
LISBOA, 2008
 
(*) Pequena nota

O sentido de família que esta fotografia mostra, hoje é raro encontrar.

António Patrocínio dos Santos está sentado e de gravata.

Da esquerda para a direita e na 4ª posição encontra-se a avó paterna destes quatro irmãos, de cabelo branco e a seu lado a nora, esposa de António Santos.

A única criança presente é Gaspar Santos, de risquinho ao meio, protegido pelas mãos da sua irmã mais velha, Violante, então já uma senhora. Do outro lado e igualmente protegendo o menino a outra irmã, Cremilde (de blusa branca) também uma senhora.

Os restantes são tudo familiares.

Além deste sentido de família que já referimos, notamos um ambiente típico alcoutenejo

Casa de telha de canudo onde não se vêem janelas e toda caiada de branco. Não falta junto da porta a tradicional pilheira e o poial comprido ao longo da parede. Lá está a lata que se caiou e encheu de terra para colocar uma roseira que embelezava o local. Também não falta a parreira, que recebe as águas do telhado por um tipo de caleira, para fazer sombra na época de calma e ao mesmo tempo dar uns cachos para comer ou espremer na queijeira e fazer vinho, representado por um barril que se vê à direita.

Alcoutim era assim!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Os limites entre Alcoutim e Castro Marim desde o Guadiana até à Ribeira de Odeleite


Já publicámos neste espaço um texto sobre a divisão do concelho de Alcoutim com o de Loulé. Iremos hoje abordar a mesma temática mas entre o concelho de Alcoutim e o de Castro Marim, segundo a descrição e a nossa interpretação só abrange a parte que vai do Guadiana à Ribeira de Odeleite.

Em 11 de Junho de 1844, os secretários das Câmaras de Castro Marim e de Alcoutim, juntamente com os informadores dos concelhos, António Madeira e Manuel Gonçalves, do Álamo, Manuel Vicente, João Maria, Domingos Lourenço e Manuel da Palma, dos Guerreiros do Rio e José Ribeiro e José Dias, de Corte das Donas, só para referir a parte de Alcoutim, reuniram-se no Barranco da Ferreira que é entre o do Carril e o da Pereira.

Não conseguiram chegar a acordo apesar dos alcoutenejos dizerem que tinham cedido “em mais de 15 moios de terra”. (1)

A demarcação efectiva, se efectivamente o foi, só veio a realizar-se cerca de um ano depois.

Para o efeito, reuniram-se no dia 28 de Abril de 1845 no sítio da Foz, concelho de Castro Marim, os Administradores dos dois concelhos, por Castro Marim, Francisco Xavier dos Reis e por Alcoutim, José Cláudio da Fonseca. Presentes os informadores João Martins, dos Guerreiros do Rio e José Dias, da Corte das Donas, por parte do concelho de Alcoutim.

Verifica-se assim que o número de informadores por parte de Alcoutim e em relação à primeira tentativa de acordo passou de oito (2 da Álamo, 4 dos Guerreiros do Rio e 2 das Corte das Donas) para dois (1 dos Guerreiros do Rio e 1 das Corte das Donas sendo José Ribeiro o único que repetiu a missão de informador.

Após o juramento sobre os Santos Evangelhos, para sem dolo nem malícia informarem o melhor modo de se fazer a divisão dos dois concelhos, com a maior comodidade possível dos habitantes dos “montes” limítrofes e depois de madura reflexão, as Câmaras decidiram acordar na seguinte demarcação: Começando pela parte do Guadiana à foz do barranco da Ferreira e por este acima até meter no regato que vai dar à ponte da Corga do Curral da Gafa, onde se tanxou o primeiro marco; e deste partindo pela Corga acima até ao dito curral, o qual ficou servindo de marco; e em seguida deste à Eira do Castelo, onde se tanxou o segundo marco; e deste aos palheiros do Val das Zorras, e deste aos Palheiros de João d’Amoreira, tudo em linha recta, e ficando servindo de marcos as edificações mencionadas; e dos ditos Palheiros de João d’Amoreira parte em direitura à altura do Serro do Mello, onde se tanxou o terceiro marco; e deste em seguida vai dar à altura do Serro do Pego das Veredas, servindo de quarto marco uma pedra nascidia aonde se fez uma cruz, ficando comum para os dois concelhos o terreno que há desta pedra ao quinto marco, que foi posto no cimo da Rocha do dito pego, assim como o que dista da mesma pedra da cruz ao sexto marco, que foi posto no cume do Pontal, que vai dar à oliveira de Manuel Dias da Corte das Donas, margem da Ribeira, cujo terreno, como acima se leva dito fica comum para logradouro dos gados de ambos os concelhos e por ele poderem comodamente chegar a beber ao dito Pego das Veredas.
 
Foz da Ribeira de Odeleite

Assim ficou demarcado, lavrando-se a competente acta.

A divisão com o concelho de Castro Marim tinha ficado resolvida, isto segundo o que consta da competente acta, contudo, o vereador fiscal da Câmara de Alcoutim em sessão municipal de 2 de Janeiro de 1850, por isso, cerca de cinco anos depois, chama a atenção para o facto de serem notórios os abusos e vexames cometidos pelos “rendeiros do ver”, tanto deste concelho como dos limítrofes, para com os habitantes dos “montes” confinantes e tudo devido à falta de uma linha divisória. Pede à Câmara que tome providências no sentido de se efectuar tal divisão, uma vez que o assunto não tinha ficado resolvido da primeira vez que tinha sido posto.

Não encontrámos nada em actas seguintes sobre o assunto, pelo que não sabemos esclarecer a situação. O que sempre ouvimos dizer em Alcoutim, é que a partilha se faz pelo barranco das Pereiras e sebemos que existe na chamada estrada marginal uma placa toponímica indicando a divisão dos concelhos.

NOTA

(1) – Acta da Sessão da C.M.A. de 18 de Junho de 1844

 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Lembrando Guerreiro Gascon

 
 
Ouvi falar de Guerreiro Gascon em 1967, quando tive conhecimento que ia ser colocado no concelho de Alcoutim. E porquê? É que o meu chefe era seu conterrâneo e colega de profissão e sabia que tinha passado profissionalmente por Alcoutim.

Curiosa a referência do seu conterrâneo que o indica como muito interessado pela escrita e por assuntos de carácter histórico, escrevendo para a imprensa regional.

Quando isto aconteceu já Guerreiro Gascon tinha falecido há mais de 15 anos.

Naturalmente, que a conversa me passou, mas quando comecei a pesquisar, a figura saltou e veio-me à memória a conversa que tinha tido anos atrás.

Desconheço o tempo que Guerreiro Gascon exerceu a sua profissão em Alcoutim, mas em 1928 já se encontrava a trabalhar no concelho de Odemira.

Com grande tendência para as letras, continuou na senda dos seus antepassados a interessar-se pelo passado monchiquense, coleccionando documentação e pesquisando onde lhe foi possível.

Em 1940 tinha pronto Subsídios para a monografia de Monchique que só veio a ser publicado postumamente, em 1955, pela acção da viúva.

Acabando por exercer a sua profissão em Monchique para onde teria pedido a transferência, foi colaborador da imprensa regional, entre outros em O Monchiquense, Notícias do Sul e Vida Algarvia.

Teve grande actividade cívica, dirigiu a Filarmónica Monchiquense, foi secretário da Santa Casa da Misericórdia e exerceu funções na Câmara Municipal.

Efectuou o estudo prévio para a constituição do brasão de armas de Alcoutim, facto que a Câmara Municipal lhe agradeceu por ofício.

Possivelmente na sequência deste estudo, publicou três artigos sobre Alcoutim, em 1928: “O brasão de Armas da Vila de Alcoutim”, O Monchiquense (Monchique) ano III, nº 56 p. 4; “Alcoutim, estação de repouso, clima ameno e suave”, Notícias do Sul (Vila Real de Santo António), ano I, nº 5 pp 3,5 e “O Brasão de Armas da Vila de Alcoutim que teve o seu primeiro foral em 9 de Janeiro de 1304”, Notícias do Sul (Vila Real de Santo António), ano I, nº 28 p.2.

Desloquei-me propositadamente a Faro no sentido de consultar esses textos mas foi-me informado que esses nºs dos jornais não existiam em arquivo, o que de certo modo nos admirou.

Além disso, na Monografia de Monchique faz várias referências a Alcoutim.

Só encontrei em Alcoutim uma pessoa que se lembrava dele, pelo menos do nome, o seu afilhado Miguel Cadenas Caimoto, já falecido.

José António Guerreiro Gascon nasceu em Monchique em 1883 e faleceu na sua terra natal em 4 de Maio de 1950.

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Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (Subsídios para uma monografia), José Varzeano, 1985

Levantamento Arqueológico-Bibliográfico do Algarve, (Secretaria de Estado da Cultura – Delegação Regional do Sul) Mário Varela Gomes e Rosa Varela Gomes, Faro 1988

Wikipédia, a enciclopédia livre

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Dr. Tito de Bourbon e Noronha


Este médico formado pela escola Médica do Porto e que exerceu a sua actividade clínica durante um mês no concelho de Alcoutim em 1885 e onde, no seu dizer, tudo faltava, deixou escritos alguns textos que ilustram bem como era Alcoutim naquele tempo.

Já aqui reproduzimos um desses textos que constitui uma verdadeira relíquia literária sobre os típicos casamentos de Alcoutim, nessas alturas.

Além da descrição do casamento, lembramo-nos de memória da descrição da viagem que efectuou até chegar a Alcoutim, da recepção que teve, da acção do Juiz de Paz com treinos diários para poder assinar a documentação, do pormenor da água do poço, da descrição da moura encantada que constituía a bela irmã do Presidente da Câmara, da refeição típica que lhe serviram (pensamos que foi um jantar de grão que naturalmente não gostou por falta de hábito), o calor da primeira noite, a consulta da rapariga e muitas mais situações.

Grande poder de observação, uma enorme riqueza de vocabulário, espírito realista e sarcástico proporcionaram-lhe escrever desta forma.

Vem este ligeiro apontamento a propósito da descoberta feita, pelo menos, por dois descendentes, um bisneto residente em França desde 1961 e um filho deste, consequentemente trineto, que teve a amabilidade de me enviar um e-mail em francês, agradecendo o que o ALCOUTIM LIVRE publicou sobre o seu antepassado.

O bisneto teve a mesma amabilidade, escrevendo, contudo, em Português.

Ainda que não seja a primeira vez que nos surgem situações destas, várias têm acontecido, congratulamo-nos com o facto que comprova um dos princípios que nos nortearam quando criámos este espaço. – LEVAR O VERDADEIRO ALCOUTIM AOS QUATRO CANTOS DO MUNDO!

Esta é a nossa recompensa.

domingo, 2 de setembro de 2012

O 25 de Abril de 1974 em Alcoutim



Desenho do alcoutenejo João Pedro Rodrigues
 
Mais um ano se passou e mais uma vez não dei cumprimento àquilo que sempre pensei fazer, dar testemunho escrito do que aconteceu em Alcoutim após o estalar do Movimento das Forças Armadas.

Pensei sempre fazê-lo com o afastamento do tempo, se a vida e a saúde tal me viessem a permitir.

Trinta e oito anos estão passados, distância suficiente para cumprir essa intensão e a vida deixou-me aqui chegar com memória e outras condições para o realizar.

Não irei apresentar datas e documentação, sirvo-me da memória e da minha visão dos factos. Possivelmente a documentação básica terá desaparecido, como é vulgar acontecer por toda a parte e em Alcoutim ainda mais!

A vila e o concelho passavam por uma letargia confrangedora motivada, entre outros factores, pelo abandono do rio como via de penetração, deixando a povoação de ser o armazém do concelho. A abertura das duas estradas “matou” a vila, pois as coisas começaram a chegar primeiro às aldeias do que à sede do concelho!

A escola, com um único professor, era mantida a custo pelos filhos dos guardas-fiscais e com artimanhas bem conhecidas, mas muitos destes, logo que lhes fosse possível e muitas vezes através de promoções, fugiam para o litoral onde podiam dar outro futuro aos filhos.

Nessa altura, já os jovens do concelho de Alcoutim dispensavam o ingresso na Guarda-Fiscal para rumarem ao litoral onde os seus braços eram precisos na hotelaria e serviços similares, enquanto os mais idosos e menos habilitados transferiram a força que utilizavam no amanho dos campos para a construção civil. Todos conhecemos industriais destes ramos espalhados pelo litoral, nomeadamente, na zona do sotavento, daqui oriundos e que à custa do seu esforço conseguiram vencer na vida.

A Secção da Guarda-Fiscal raramente tinha um oficial a comandá-la e as repartições públicas estavam muitas vezes desprovidas das suas chefias efectivas. Havia gente, que no dia em que tomava posse, apresentava imediatamente o pedido de transferência.

 
Paçod do Concelho, des. de JV

A Câmara Municipal tinha um quadro de seis funcionários e de uma maneira geral não havia chefia efectiva. Isto chegava muito mal para manter a porta aberta. O orçamento rondava os 400 contos e muito esticado dava para pagar a estes funcionários!

Não havia dinheiro para nada. Os dejectos da canzoada e as ervas daninhas proliferavam pelas ruelas da velha vila.

Chegou a não residir, em todo o concelho, um único licenciado! Nem mesmo médico! As certidões de óbito eram passadas pelo regedor da freguesia, como a Lei então mandava!

Salvo raras excepções, só permanecia na vila quem não tinha qualidades para progredir nas suas carreiras profissionais.

Foram muito poucos os que depois de adquirirem formação regressaram à sua terra!

O saneamento básico (água, energia eléctrica e esgotos) tinha chegado à vila em 1965, a última sede do concelho a receber tal benefício! Havia, desde os meados do século passado, a estrada que ligava Mértola a Vila Real de Santo António passando por Castro Marim, deixando Alcoutim a seis quilómetros como beco sem saída! O IC 27 ainda a deixou a uma distância maior.

A acção de um filho da terra e a população com contribuições monetárias ou em trabalho possibilitaram a construção de um pequeno posto receptor de sinal que dava para ver televisão, porque nem isto era possível com um mínimo de qualidade.

O dia 25 de Abril, dia de São Marcos, é um dia movimentado em todo o concelho, devido a realizar-se a maior feira que tem lugar na aldeia do Pereiro.

À hora de abrir a repartição, lá estava para cumprir a minha obrigação. Quando apareceu o colega de trabalho, que se deslocava da então vila de Olhão e que trazia o rádio ligado, deu-me logo a novidade da confusão que ia pelo país. Este colega tinha passado pela guerra colonial.

 
Para mim, não causou grande admiração, pois tinha acabado de ler a 2ª edição de Portugal e o Futuro, de António de Spínola, entretanto, retirado de circulação e que adquiri, vejam lá, na própria vila de Alcoutim, onde não se vendia um apara-lápis, quanto mais um livro!

Já partiu, por vontade própria, quem mo arranjou, facto que nunca esqueci.

O livro, que hoje só tem um significado histórico, ainda que extremamente moderado, foi como uma bomba na sociedade portuguesa mais adormecida.

Para quem o lesse, era fácil calcular que algo estaria em movimento e quando apareceu o Movimento das Caldas, confirmou o que a generalidade das pessoas pensava. Por tudo isto, a informação que o meu colega me tinha dado não me causou grande surpresa. Depressa me desloquei a casa, a uns duzentos metros do local de trabalho e fui buscar o rádio para ouvir as notícias.

A maioria da população, que na altura rondava as três centenas, tinha-se deslocado para a Feira de S. Marcos, aproveitando os transportes especiais, mas pagos.

A força policial de nada sabia, esperando, contudo, a todo o momento, receber as ordens habituais para a repressão necessária a qualquer hipotética manifestação e à prisão de alguém que tivesse dado a entender que “politicamente” estava com o movimento.

A verdade é que as horas foram passando e as notícias não chegavam e a conversa começou a mudar um pouco de tom, mas sempre na esperança de receber as novas que se desejavam.

Nos anos anteriores, era hábito ir ao S. Marcos após o encerramento de repartição, mas desta vez não havia tempo para isso, era preciso estar atento ao que se ia passando.

Nos dias seguintes, na vila, não se ouviam comentários de uma maneira geral e as pessoas mais idosas nem sequer queriam ouvir falar em tal, afastando-se quando se pretendia falar no assunto, na grande maioria, estas pessoas tinham passado pela Guarda-Fiscal e Guarda Nacional Republicana e muitas ficaram “vacinadas”.

Geralmente, como sempre acontece, eram os jovens os mais entusiasmados, aparecendo por vezes os excessos, isto apesar da tentativa dos pais os apaziguarem.

Começaram a surgir as escritas pelas paredes, que hoje tenho pena de não ter fotografado, ainda que fossem comuns às feitas nos outros sítios e que os jornais traziam sem as peias da censura.

Há uma que não me esqueço pelo erro ortográfico: Fora com o Provedor da Mesiricórdia. E sei quem o escreveu, hoje, um “cinquentão” há muito afastado da vila pela sua actividade profissional.
 

Era notória a falta de consciência política das pessoas. Como opositores ao regime era notada a Família Rosário, principalmente, Francisco Madeira do Rosário, (que já não vivia na vila, mas continuava a ser figura local de referência) mais dois anciãos, um que chegou a pertencer à comissão administrativa da Junta de Freguesia, dados como simpatizantes do Partido Comunista, claro além de Carlos Brito, nome que até aí quase não se podia pronunciar na vila, ainda que fosse conhecido de todos. Eu não o conhecia.

É evidente que havia gente que apesar de não ter qualquer ligação à oposição também não a tinha à situação, desejando a implantação de um regime democrático.

É preciso não esquecer que existia formalizada a União Nacional já designada por ANP com os seus militantes, como não podia deixar de ser e até a existência de legionários, ainda que não tivesse visto nenhum fardado. Conheço contudo dois casos em que foram fazer a entrega das fardas. Igualmente alguns alcoutenejos exerceram funções com maior ou menor notoriedade na PIDE/DGS.

Hoje há quem pretenda esconder estes factos!

Reuniram-se meia dúzia de habitantes da vila, não mais, cujos nomes não interessa referir, que procuraram auxílio de alcoutenenses residentes noutros locais e com a ajuda do MDP/CDE (Faro) organizaram um grande plenário na vila de Alcoutim que levou à nomeação de uma comissão administrativa constituída por um representante de cada freguesia e que entre si escolheram, por voto secreto, o seu presidente, no caso, o representante da freguesia de Alcoutim, Fernando Lopes Dias. Representava a freguesia de Martim Longo, Joaquim Pinheiro Moreira, a de Vaqueiros, Manuel António Guerreiro, o do Pereiro, penso que era Henrique António e a de Giões um indivíduo acabado de chegar à aldeia após a sua reforma como funcionário de uma escola de Lisboa.

Nesse plenário, que reuniu centenas de pessoas na Praça da República, esteve presente Carlos Brito que usou da palavra e naturalmente foi muito aplaudido. O plenário teve a presença e o apoio do MDP/CDE de Faro. Foram vários os oradores , que a esta distância não posso precisar, mas tenho a certeza que também usou da palavra o Eng. José do Rosário. Presidiu à Mesa o Dr. Castro Fernandes.

Isto aconteceu, aproximadamente, um mês depois do 25 de Abril, tendo sido das primeiras Câmaras do País a passar por esta situação, o que seria impensável para muita gente.

Entretanto, nas freguesias foram efectuados, igualmente, plenários mais ou menos democráticos e constituídas comissões administrativas.


Placa toponímica que substituiu
 a histórica existente
Depois foram as transformações e situações inerentes a tal período, com avanços e recuos. Também por aqui se falou nas célebres listas de pessoas a abater se a mudança política tivesse pernas para andar, o que não aconteceu.

Nesta altura, já se notava a mudança de casaca em todos os sectores e começava o burburinho dos partidos políticos com a tentativa notória e legítima de implantação do MDP/CDE.

O Partido Comunista, muito activo e com novos militantes, era o único organizado, mas nunca obteve votos significativos do povo, ainda que tivesse conseguido eleger por duas ou três vezes o seu cabeça de lista como vereador no executivo municipal, o que deixou de acontecer a partir de 1985.

Era compreensível que os partidos políticos tentassem obter no concelho estruturas próprias, até porque, entretanto, chegavam as eleições. Enquanto alguns se filiaram neste e naquele, outros optaram por manter a sua independência, o que não significa que escondessem as suas preferências. São os independentes que dão a cara, enquanto há os independentes que a não dão e desejam estar bem com Deus e com o diabo.

Se fizermos uma retrospectiva, vamos encontrar hoje gente que depois de dar a cara pelo Partido Comunista, fá-lo depois pelo PSD com passagem pelo PS. Outros, que desde a UDP já votaram no PCP, PS e PSD, segundo afirmam, mas grande percentagem das mudanças, incluindo militantes, faz-se por benesses que o partido do poder lhes oferece, seja ele qual for, estando preparados para num próximo volte face, actuarem com a mesma desfaçatez e com o “orgulho”de quem motivou a mudança.

Isto não é de agora, é de sempre, desde o mais alto nível ao mais baixo.

Quem não conhece, a nível nacional, figuras gradas do Partido Comunista que se passaram para o PS e em maior número para o PSD onde foram recebidos de braços abertos! E aqueles que vieram dos grupelhos de extrema-esquerda e hoje enriquecem, nomeadamente, o PS e o PSD!

Há outros que mudaram o seu sentido de voto mas têm vergonha de o dizer, ainda que o demonstrem. Estão no seu pleno direito.

Se todos conhecemos isto a nível nacional, é evidente que o mesmo acontece a nível local em qualquer parte do País.

Lista vencedora
 das 1ªs Eleições
Se forem verificar as listas apresentadas desde o 25 de Abril para os órgãos do poder local, verificarão com muita facilidade as mudanças operadas e não atribuam a mudança à circunstância de serem independentes, pois não é a filiação que dá consciência política. Mudam conforme os seus interesses e da sua família e isto acontece porque as figuras gradas dos partidos os recebem de braços abertos, esquecendo-se que na primeira oportunidade mudam novamente. Os caciques não existiram só durante o liberalismo e a 1ª República, são e serão de sempre e hoje são bem conhecidos.

Outros concorrem como independentes, mas quando são eleitos não mantêm essa independência e filiam-se logo no partido que os elegeu, isto quando existem contrapartidas económicas. Conheço, contudo, e no poder autárquico quem nunca o tivesse feito, honra lhe seja dada.

Os “revolucionários” foram engolidos pela própria revolução e depois de um período de transição, é a vez dos que estavam no campo oposto de se assenhorearem do poder.

 Não foi só no 25 de Abril, foi sempre assim e em todo o país. Vejam o que aconteceu com a República. Muitos monárquicos foram a pouco e pouco virando as suas casacas e transformaram-se em “grandes” republicanos voltando ao poder político.

Este é o meu testemunho sobre o 25 de Abril em Alcoutim.

Haja quem divulgue o seu, pois não fui só eu que o vivi.
 

sábado, 11 de agosto de 2012

Reflexos da Revolução da "Maria da Fonte" na Vila de Alcoutim

O agravamento dos impostos e um decreto de Costa Cabral que proibia o enterramento nas igrejas, ordenando-o nos cemitérios públicos, entre outras situações, originou um levantamento popular que estalou no mês de Março de 1846 na freguesia de Fonte Arcada, concelho de Póvoa de Lanhoso. O nome de Maria da Fonte parece ter vindo de uma mulher que deu início aos tumultos e que moraria naquele lugar.

O movimento alastrou a todo o Minho e depois por todo o País. As cadeias foram arrombadas e as repartições públicas postas a saque.

Mais uma vez Alcoutim não fica parada. Em sessão extraordinária de 9 de Junho de 1846, reúne-se a Câmara com cidadãos que quiseram comparecer.

O Presidente disse que “com quanto felizmente neste concelho se tenha conservado inalterável o sossego público e todos os seus habitantes se possam considerar modelos de obediência às Leis, todavia lhe parecia conveniente para remover do nosso silêncio qualquer juízo menos favorável (...) dessem um testemunho autêntico da sua aderência aos princípios proclamados no Minho, seguidos em quase todo o Reino e já reconhecidos por sua Majestade e que este era o fim da presente reunião extraordinária e que esperava que todos de bom grado anuíssem.”


Esta proposta foi, unanimemente, aprovada com obediência e submissão ilimitada a Sua Majestade a Rainha e à Carta Constitucional da Monarquia, em harmonia com o Decreto de 10 de Fevereiro de 1842. É, igualmente, manifestado o desejo de cooperar com a Junta Provisória do distrito no sentido de ver no conselho de Ministros homens recomendáveis e que façam a felicidade do nosso malfadado País.

Em 23 de Outubro voltaram a reunir as forças vivas do concelho confirmando a sua adesão ao movimento do Minho.

No ano seguinte, a 23 de Junho e em sessão extraordinária da Câmara, estando presente o Administrador do Concelho, José Cláudio da Fonseca, de Martim Longo, mas natural de S. Brás de Alportel e os cidadãos que compuseram a Câmara no biénio de 1845-46, o dito Administrador e em cumprimento de ordens emanadas do Governo Legítimo de Sua Majestade a Rainha que lhe foram transmitidas pelo Governo Civil do distrito, faz cessar as funções da Câmara de origem Rebelde fazendo entrar, imediatamente, em exercício a que serviu até 11 de Outubro de 1846.

A Câmara era composta por António Gonçalves, que presidia, José Guerreiro e Dionísio Guerreiro, como vereadores, todos eles, afinal, foram apoiantes da Câmara Rebelde conforme consta das actas. A posse teve lugar no dia 31 daquele mês.

A revolta da Maria da Fonte terminou por intervenção estrangeira solicitada por D. Maria II (Convenção de Gramido) e assinada em 29 de Junho de 1847.

domingo, 29 de julho de 2012

Revolução de Setembro de 1836


A Rainha D. Maria II
Após a instituição do liberalismo, as lutas internas não acabaram. A Carta e a Constituição dividem os liberais.

A 9 de Setembro de 1836 deflagrou uma revolução com o fim de abolir a Carta Constitucional e fazer proclamar a Constituição de 1820.

Desembarcaram no Terreiro do Paço os deputados oposicionistas ao Governo e vindos vindos do Norte. Recebidos por apaniguados, manifestam-se mais de 6 mil pessoas com foguetório e bandas. Pouco depois batalhões da Guarda Nacional aderem ao movimento, acontecendo o mesmo às tropas destinadas a defender o Governo. É assim imposta à rainha a Constituição de 1820, formando-se um Governo chefiado pelo 4º Conde de Linhares que acaba por durar menos de dois meses.

Conde de Linhares
Passos Manuel sobraçava a pasta do Reino e Sá da Bandeira era responsável pelas da Fazenda e dos Estrangeiros.

Bastaram cinco dias para que se realizasse uma Sessão Extraordinária na Câmara de Alcoutim, com o objectivo de fazer a aclamação da Constituição do Ano de 1820 com a presença da municipalidade, juntamente com o clero, nobreza e povo e o Governador Militar (interino). Na sessão ordinária do dia 22, lavrou-se o auto de juramento. Então como agora, houve quem tivesse aclamado a Carta e depois a Constituição!

Significa isto que Alcoutim, nesta altura em que os meios de comunicação eram muito deficientes, estava mais próximo do Terreiro do Paço do que está hoje!

terça-feira, 24 de julho de 2012

A guerrilha do Remechido no concelho de Alcoutim

Já fizemos algumas referências documentais à guerrilha que se instalou na serra e isto devido à necessidade de o fazer, motivado pelos assuntos abordados e especificamente quanto à lenda e à tradição oral que foi passando de geração em geração com as inevitáveis deturpações.

Agora iremos dar testemunho do que conseguimos encontrar, nomeadamente nos arquivos locais.

Referimos o incêndio da Câmara, principalmente a perda dos títulos que obrigavam ao pagamento dos foros, a venda da palha armazenada pelos rebeldes, entre outras coisas.

Ainda em 25 de Março de 1863 (quarenta anos depois!) foi expedido para o Governador Civil do distrito um inventário, mas só com os nomes dos foreiros, já que os títulos e escrituras, segundo constava, levaram descaminho pelos acontecimentos de 1833. (1) Reparar que não se é claro no assunto e se limite apenas a referir “acontecimentos”.

Figura marcante desta guerrilha é o celebrado Remechido que teria incendiado as repartições da vila por duas vezes, onde não encontrou dinheiro. (2)

A presença por estas paragens do “homem da serra”, capitão guerrilheiro miguelista que espalhou o terror entre as falanges liberais, é um facto.

José Joaquim de Sousa Reis nasceu em Estombar em 1797.

Remechido

Cursou o Seminário de Faro, onde se distinguiu no Latim e na Dogmática. Chegou a receber as primeiras ordens.

Casou antes do voto de presbítero, com D. Maria Clara Bastos, sobrinha do capitão de ordenanças, Manuel Inácio.

Remechido, assim chamado pela esposa, em mercê do muito que “mexeu” e “remexeu” para se soltar do vínculo da igreja e construir a seu gosto o ninho comum, tomou por apelido de família “Remechido”, escrevendo-o sempre com um ch.

Miguelista ferrenho, emigrou em 1826 e regressou à Pátria em 1828, sendo nomeado capitão de ordenanças de espingarda no povoado de São Bartolomeu de Messines, onde construiu o seu lar.

Era baixo de estatura, escuro de tez, entroncado de corpo, a barba a roçar-lhe o peito, vestia a farda dos seus serrenhos, jaqueta azul de gola virada com botões amarelos, calça de pano escuro, da nossa fábrica, com folha inteira forrada de couro branco, sapatos brancos abotinados.
Duque da Terceira
Quando o Duque da Terceira desembarca em Alagoa, Remechido fugiu para a “serra” com uma hoste de guerrilheiros e espiando os movimentos dos constitucionais, hostilizou-os constantemente, incluindo as tropas de Sá da Bandeira.

Desceu ao Alentejo e como o General Molelos recusasse o seu auxílio, recrutou mais guerrilheiros por conta própria e com eles continuou a sua luta.

Depois da Convenção de Évora-Monte, depôs as armas por algum tempo.

Perseguido pelos liberais que procuravam vingar as suas proezas, foi-lhe incendiada a casa e brutalizados a mulher e os filhos. Foi então que organizou uma quadrilha que praticou as maiores violências.

As tentativas para o dominar eram baldadas: redobraram-se esforços por todos os modos imaginários, empregaram-se colunas volantes em todas as direcções. Tudo em vão. Prenderam-lhe outra vez a mulher e fazendo-a acompanhar das filhas que estavam em ADOLETE (Odeleite), perto de Alcoutim, conduzem-nas para a cadeia de Faro, havendo anteriormente sido capturado e morto no Azinhal o seu segundo filho, que apenas contava treze anos de idade.

D. Maria II
Numa luta desigual, foi aprisionado pelas tropas de D. Maria II, após apertado cerco na Portela da Corte dos Velhos, acompanhado de 248 guerrilheiros. Conduzido a Faro, foi julgado em conselho de guerra e fuzilado no Campo da Trindade em 2 de Agosto de 1838. (3)

Em 23 de Março de 1837, teve lugar na aldeia de Martim Longo uma sessão extraordinária da Câmara de Alcoutim.

Convocados todos os cidadãos probos do concelho a fim de se tomarem medidas eficazes para preservar os povos do concelho do flagelo dos salteadores e guerrilhas, a Câmara, depois de ouvir a opinião dos cidadãos presentes, acordou estabelecer nesta aldeia, uma força de vinte homens que rondando diariamente pela freguesia e vizinhas, as ponha a salvo dos roubos e mortes que um tal bando de malvados costuma perpetrar.

A Câmara pagaria as despesas que se fizessem com o arranjo do armamento que tem que se distribuir, assim como dando a cada indivíduo que faça parte da dita força, um pão de arrátel e meio por dia.

Porém, no dia seguinte e no mesmo local é modificado parte do que foi aprovado na sessão do dia anterior.

Atendendo a que, segundo notícias recebidas de todos os lados, os inimigos a bater são somente quatro salteadores, os quais por uma força de dez homens podiam ser batidos e dispersos, acordaram em suster por ora o efeito do acórdão do dia anterior, armando assim na aldeia de Martim Longo, como em Giões, uma força de dez a doze homens capazes, comandados por dois vereadores, os quais servindo gratuitamente se dispõem defender qualquer ponto ameaçado.

Martim Longo. Rua Direita, actual Rua Dr. Antero Cabral. Foto JV, 2010
Aprovou-se, igualmente, que sem demora, seria publicado em cada uma das freguesias, ao sair da missa conventual, o seguinte aviso: Todo o indivíduo seja obrigado a avisar e dar notícia de qualquer acontecimento que tiver lugar no seu monte e denunciar o lugar onde ache qualquer sujeito escondido sob pena de pagar de multa desde 1200 réis até 10.000 réis, conforme a gravidade do crime em que incorrer além de prisão e penas a que estiver sujeito pelas Leis Gerais do Reino.

Em 1838, (4) não compareceu na sessão camarária o Tenente-coronel do Batalhão Nacional de Vila Real de Santo António, como havia prometido.

Era duro e penoso para este concelho o recrutamento de elementos para aquele batalhão pela distância e incómodo que daí resultam, dando origem a funestas consequências.

Opina a Câmara, para ultrapassar esta situação, que se organizasse um pequeno corpo ou companhia sedeada neste concelho ficando independente do Batalhão de Vila Real de Santo António.

Em 25 de Abril seguinte, a Câmara acordou que se levasse ao conhecimento superior as arbitrariedades praticadas com o novo recrutamento para voluntários e linha pelo Governador Militar interino desta Praça.

Na sessão de 24 de Agosto, a Câmara aprovou, unanimemente, enviar ao Comandante da Força de Operações na Serra, o Coronel Fontoura, as felicitações, agradecendo a apreensão do chefe da guerrilha, o rebelde Remechido.

O recrutamento e incorporação no batalhão de Vila Real de Santo António continua a gerar polémica. (5) Queixam-se as autoridades militares da frouxidão e pouco zelo com que a Câmara e o Administrador do Concelho se tem empregado na prontificação dos indivíduos recrutados.

Perante a acusação defende-se a Câmara do seguinte modo:- ”Tem servido de obstáculo à não prontificação (...) a continuada presença dos Guerrilhas no concelho que tem feito que nenhuma autoridade possa cumprir o seu dever sem risco da sua vida”. A confirmar tal situação, faz-se saber que um capitão do referido batalhão veio, propositadamente, a este concelho com vinte soldados fazer o recrutamento e que nem um só puderam capturar.

Em 1846, (6) Sebastião José de Freitas, da vila, apresenta um requerimento no sentido de ser nomeado oficial de diligências da Câmara, devido a ter sido soldado durante o tempo dos guerrilhas que infestavam a Serra do Algarve, contra os quais andou quatro anos.

Aqui deixamos algo que conseguimos compilar sobre esta temática.


NOTAS

(1) – Of. Nº 83 de 13 de Abril de 1878 ao Governador Civil.
(2) - “Caminhos e Estradas são suprema aspiração de Vaqueiros”, Luís Cunha, in Jornal do Algarve de 10 de Fevereiro de 1973.
(3) - Grandes Crimes, Ed. Liv. Civilização; Dicionário Enciclopédico Lello e Remechido - Célebre Guerrilheiro do Algarve e Sua Guerrilha (Autor Desconhecido)
(4) - Acta da Sessão de 1 de Fevereiro.
(5) - Acta da Sessão de 4 de Novembro de 1839
(6) -- Acta da Sessão de 2 de Março de 1846.

domingo, 15 de julho de 2012

Irmandades Religiosas diversas


Além das Irmandades ou Confrarias que referimos ou referiremos, separadamente, por as considerarmos mais importantes, muitas outras existiram no concelho e de que pretendemos fazer leve referência.

Encontrámos indicadas mais de quatro dezenas espalhadas pelo concelho.

Nª Sª de Clarines
As do Santíssimo, das Almas e de Nª. Sª. do Rosário existiam em todas as igrejas paroquiais e as ermidas espalhadas pelo concelho, como a de Santa Justa, São Bento de Alcaria Queimada, Nª. Sª. de Clarines, Nª. Sª. das Relíquias, São Sebastião,(vila) Santa Marta e São Domingos tinham as suas Irmandades que se foram esboroando com o decorrer dos tempos.

A de S. Sebastião, em Martim Longo, já existia em 1659 e a de Santa Bárbara, na mesma aldeia, em 1661, são mais dois exemplos.

Em 1799, por ordem do Príncipe regente, D. João, transmitida ao escrivão de Câmara, José Carlos de Freitas Azevedo, foi dito que os saldos desse ano ficassem cativos enquanto não houvesse novas ordens, sendo nomeado fiel depositário das mesmas importâncias, Pedro José dos Reis. (1)

Nª Sª da Conceição
Na vila, além da de Nª. Sª. da Conceição, aparecem referidas a das Almas e a de Santo António, no Pereiro, de Santo Nome de Jesus, em Martim Longo, a das Almas (já existia em 1675) e a de Nª Sª da Assunção (referida também em 1769) e em Vaqueiros as de São Bento de Alcaria Queimada (1717), São Brás e Santa Luzia (1707).

Sabemos que as Irmandades do Rosário e das Almas, de Martim Longo, foram extintas em 1867 e em 1876, no concelho só existiam as seguintes: Santa Casa da Misericórdia, Ss. Sacramento de Martim Longo e Ss. Sacramento, Nª. Sª. do Rosário e das Almas, em Vaqueiros.

O Juiz da Confraria do Ss. Sacramento de Martim Longo requereu autorização para a venda de um moinho de água e de herdades, mas foi informado de que o terá de fazer ao Governo e que sendo autorizado, o seu produto terá de ser transformado em inscrições de dívida pública. (2)


S. Bento
Em 1880, (3) é informado o Governador Civil de que no concelho apenas existe na vila uma associação de piedade, de há muito criada sob a denominação de MORDOMIA DO SS SACRAMENTO. Está representada por Juiz, escrivão e tesoureiro. Não consta nesta repartição (Administração do Concelho?), mas dizem alguns mordomos que ela foi extinta em 1867 por alvará dessa repartição (Governo Civil?). Pode muito bem ser e continua o oficiante:- mas se efectivamente isto se deu, creio que não foi de certo por culpa desse Governo Civil, mas sim das informações menos exactas e verdadeiras que então daqui se forneceram.

Em face da situação e uma vez que há muito está constituída e devidamente organizada a Irmandade do SS. Sacramento, associação de piedade que funciona com regularidade mas que se acha ilegalmente erecta, convém que a situação mude e neste sentido fique sujeita à fiscalização das autoridades competentes, pedindo-se ao Juiz da Mordomia esclarecimentos sobre a sua existência, bem como uma nota de todos os rendimentos que a mesma aufere, a fim de tudo ser comunicado ao Governador Civil.(4)

Aqui ficam apontamentos dispersos de algumas confrarias religiosas que existiram no concelho de Alcoutim.

NOTAS
(1) - Livro de Rª e Dª da Real Confraria de Nª Sª. da Conceição, iniciado em 1785, pág. 15 e de 18v. a 20.

(2) - Of. nº 136, de 11 de Dezembro de 1882 ao Juiz da Confraria.

(3) - Of. nº 122 de 5 de Setembro.

(4) - Of. nº 139 de 29 de Setembro de 1880.