sábado, 10 de dezembro de 2011

As ribeiradas e a pesca ao remolhão





Escreve


Amílcar Felício



Às vezes apanhavam-nos desprevenidos, pois apareciam mesmo sem serem esperadas e muito menos desejadas!

“Olhem que veio a Ribeira pessoal, mas que grande Ribeirada!” era assim que a notícia se ia espalhando pela Vila e cada um tomava as previdências que achava mais convenientes. Mas a maior parte das vezes já contávamos com elas, tais eram as chuvadas que as antecediam e que anunciavam com toda a probabilidade que elas vinham a caminho.

As Ribeiradas não atingiam naturalmente a imponência das Grandes Cheias do Guadiana como já temos referido nas nossas crónicas e que paralisavam quase completamente a Vila, fazendo-nos sentir a nossa pequenez e impotência humana perante aquele mar de água, pois nunca saíam de um modo geral do leito da Ribeira aonde corriam, ao contrário das Grandes Cheias que alguns anos passavam alegremente pela Taberna do Ti Sabino e chegavam até quase às portas da Câmara, ameaçando invadir a própria Praça sem pedir licença a ninguém.

[Alcoutenejo com barrancada. Foto JV, 2008]

Mas também constituíam um acontecimento que marcava o dia-a-dia alcoutenejo. E aquele gargarejar ronco e continuado, naquele silêncio sepulcral das noites geladas de Inverno era ensurdecedor! Rugidos dos confins dos tempos, sons eternos que nos acompanharão para toda a vida e que povoarão para sempre as profundezas da nossa memória... Parecia um fantasma furibundo a chegar à Vila sempre a roncar!

Alcoutim sempre que tal acontecia, ficava isolado de uma parte significativa dos Montes que lhe davam vida no dia-a-dia, nomeadamente das Cortes Pereiras e da Afonso Vicente e naturalmente das terras aonde muitos alcoutenejos labutavam como as várzeas do Rossio ou as da Lourinhã, pois não havia qualquer meio de comunicação que permitisse a passagem de um para o outro lado que não fossem as passadeiras da Fonte Primeira e as das Cortes Pereiras.

E quantas preocupações que aquelas Ribeiradas causavam a tanta gente!
“O que é que teria acontecido ao meu Justo, será que ele já terá atravessado as passadeiras das Cortes! Ai pessoal quem me acode!” Era o lamento e a aflição constante da Tia Ana Costa, quando elas chegavam pela tardinha. E lá ía muitas das vezes a vizinhança à procura do Ti Justo, não tivesse acontecido alguma desgraça. Felizmente nunca houve nada...

O Ti Justo era o carteiro de serviço que levava a correspondência para os Montes, fundamentalmente para as Cortes Pereira e para a Afonso Vicente. Todos os dias sem falhar, lá ia e vinha aquela alminha a pé com as tradicionais sacas das cartas ao ombro e ala que se faz tarde! Foi uma vida inteira a calcorrear entre Alcoutim e as Cortes Pereiras pelo antigo e único Caminho que ligava Alcoutim às Cortes e que as estevas e os “charougaços” a esta hora já terão engolido provavelmente, apagando para sempre pegadas e pegadas de um vaivém de gente e de burros, que animavam aquele deserto em que se transformou nos nossos dias.

[Ribeira de Cadavais. Pego Fundo. Foto JV, 2008]

Mas ainda há poucos anos por ali vi umas quantas passadeiras espalhadas pela ribeira abaixo, despojos da eterna e interminável guerra entre o homem e a natureza, mas que esta acaba quase sempre por vencer.

Abandonadas, contemplei-as em silencio, velhas testemunhas desprezadas mas reais que viram e serviram gerações e gerações de alcoutenejos e assistiram impávidas e serenas, ao calcorrear de gentes e de burros num tempo que hoje nos parece quase medieval, mas que fez parte dos tempos áureos de um Alcoutim que já não existe.

Foi por ali que a minha mãe veio a pé ainda criança, numa certa manhã do ano de 1928 ou de 1929 com cinco ou seis anitos apenas, tomando conta da irmã mais nova a Rita, quando os meus avós decidiram trocar o Monte dos Currais nas Cortes Pereiras por Alcoutim. Dois pirralhos “arrancadas pela raiz como o rosmaninho” como diria o poeta José Temudo, duas cotovias silvestres atarantadas sem saber para aonde iam entregues a si próprias, a caminho de um mundo sem estevas nem “charougaços” e que os adultos diziam que era melhor. Desculpem lá esta pieguice, mas ficou-me sempre por isso um certo fascínio por aquele Caminho das Cortes, pois acabaria por fazer parte da minha pequena história. Tive também a oportunidade de o percorrer a pé em 1951 ou 1952 com cinco ou seis anos de idade, para uma “matança de porco” em casa dos meus tios nos Currais, que nunca mais esqueceria...

A Tia Ana tinha uma maneira de estar na vida serena e de bem com toda a gente e um humor muito próprio que desculpabilizava sempre o seu Justo. Às vezes lá ia desabafando com a vizinhança: “o meu Justo vai sempre sozinho de manhã para as Cortes, mas à noite vem quase sempre acompanhado aquele malandro!”. E na realidade vinha. Era raro o dia em que o Ti Justo não viesse com um copinho a mais!

À distância de 50 ou 100 metros já a Tia Ana sabia que o caldo vinha entornado, o que não era difícil de perceber: “oh Justo mas tu hoje não vens bom, filho!”. Era desta forma carinhosa e maternal que a Tia Ana se dirigia ao encontro do Ti Justo. E lá punha ela os pés a caminho para ajudar o seu Justo a chegar a casa nos últimos metros da caminhada, amparando-o e fazendo-lhe na sua simplicidade sempre o mesmo reparo: “óh filho, mas tu pareces que bebes sempre para o mesmo lado!”, pois quando vinha com um grãozinho na asa o Ti Justo vinha sempre inclinado sem exagero para um dos lados para aí a uns 70 graus e a uns 110 graus para o outro. Era impressionante como ele conseguia andar assim!

[Ribeira de Cadavaia. Pego das Portas. JV, 2010]

Mas as Ribeiradas também tinham o seu lado lúdico e eram um acontecimento que agitava Alcoutim na minha juventude. Aproveitando as águas “ludras” da Ribeira, era a altura de pescarmos “iróses ao ramolhão” como nós dizíamos. E sabem como se construía o remolhão? Íamos às “minhocas de inverno” que se apanhavam nas melhores terras das hortas, grossas para aí com um dedo mindinho de grossura e com mais de um palmo de comprimento. Apanhávamo-las às dezenas e depois com um fio fazíamos uma enfiada delas de mais de 1 metro de comprido. Enrolávamo-las depois em círculo para aí com uns quinze ou vinte centímetros de diâmetro. Estava feito o remolhão.

Depois era só ata-lo com uns 2 ou 3 metros de fio a uma cana e era o suficiente para que as “iróses” como se dizia, abocanhassem o referido remolhão e assim que as sentíamos estrebuchar, era só puxa-las para terra pois elas desprendiam-se automaticamente. Foi a arte de pesca mais simples que conheci, sem anzóis nem qualquer tipo de artimanhas que pudessem prender as enguias.

Claro que a Ribeirada trazia na sua enxurrada tudo o que crescia nos pegos como peixes de diversas espécies, cobras de água, sapos e rãs etc., mas eram apenas as enguias que caíam nesta esparrela. Escolhíamos depois os recantos da Ribeira aonde as águas se acalmavam e a bicharada se acoitava para fugir às correntes tumultuosas que as arrastavam sem destino. O poiso principal era no Pego Fundo, no local onde a Ribeira muda de direcção e aonde as águas descansavam do seu agitado percurso.

Estou para aqui a explicar como se “apanhavam” as enguias ao remolhão e com tudo isto já é quase meio-dia! Digam lá que não ia um ensopadozinho nos Guerreiros do Rio à moda antiga em cima de uma boa fatia de pão caseiro torrado, com hortelã-da-ribeira e todos aqueles condimentos que o Guerreiro tinha “herdado” da sogra? Até já me está a crescer água na boca!

Há uns anos atrás fiquei estupefacto quando encontrei naquele “fim do mundo”, um amigo de Lisboa sem qualquer tipo de ligação ao Algarve, mas que na altura era professor/investigador na Universidade de Faro ligado à Biologia Marinha. Estava com um grupo de seis ou oito colegas. Tinham ido à aventura até aos Guerreiros imaginem, porque tinham ouvido falar no ensopado! Que pena o Guerreiro ter acabado com o Restaurante...




BOAS FESTAS E UM 2012 NA MEDIDA DO POSSÍVEL
PARA TODOS OS ALCOUTENEJOS E LEITORES DO A.L.!!!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Chocalhos



O chocalho é uma espécie de campainha de metal, com badalo e que se assemelha a um pequeno sino.

É utilizado para se colocar ao pescoço dos animais, gado (bovino, ovino e caprino) ou então em bestas de carga.

O fundamento é o retinir do badalo que assim possibilita a localização do animal.

O chocalho é um instrumento antigo, que remonta da Idade Média. Era utilizado para conduzir e ajudar a guarda do gado.

As juntas de bois quando iam à feira para venda, era normal cada animal trazer um chocalho, igual na forma, no tamanho e no timbre, o que dava um toque de distinção ao gado.

Os chocalhos são de tamanhos diferentes conforme os animais para que são feitos, existindo igualmente diferenças no formato que também tem a ver com a região onde se usa. Não é uniforme a maneira de os colocar ao pescoço dos animais.

Talvez possamos dizer que a Vila de Alcáçovas, concelho de Viana do Alentejo, é a capital do chocalho pela antiga tradição do fabrico de chocalhos que chegou aos nossos dias e onde existe o "Museu do Chocalho", aí se expõem centenas de exemplares de várias formas e tamanhos, sendo propriedade do artesão local, João Chibeles Penetra.

O chocalho reboleiro é executado em chapa de ferro de cor acobreada, é cilíndrico e originário de Alcáçovas. A asa, que faz a ligação ao pescoço por intermédio de uma coleira com fivela, é semicircular. O badalo é de azinho do mesmo comprimento e é fixo por uma fita de cabedal.

Em Alcoutim os guias dos rebanhos não deixam de os trazer, como alguns muares e bovinos.

Nota – Os chocalhos apresentados fazem parte da colecção do Sr. António Mestre, da Corte Tabelião.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

À Francisca Rita

Pequena nota

Já aqui se tem referido várias vezes que o A.L. pretende ser o mais abrangente possível, na variedade de temas apresentados que apresenta numa maioria avassaladora sobre Alcoutim e o concelho, o que faz parte da sua matriz nas diferentes maneiras de escrever dos colaboradores, todos com características próprias e atrair o maior número de cidadãos possível, independentemente de serem ou não alcoutenejos.
Sabemos que chegamos aos quatro cantos do Mundo e temos recebido tipos de ligação muito diferentes, como já referimos algumas vezes.

Pensamos que o grande número de visitantes / leitores estará, pelas circunstâncias conhecidas, no escalão etário 30 / 60 anos, ainda que saibamos que temos honrosas excepções. O que não sabíamos é que apanharíamos a honrosa visita da Francisca com apenas dez aninhos!

Acabou por encontrar algo sobre o seu avô falecido há pouco tempo e ficou muito satisfeita, até porque soube coisas que desconhecia completamente. Não teve dúvidas em vir junto de nós perguntar se lhe podíamos dizer mais sobre ele.

Sensibilizado pela atitude da Francisca, pusemo-la em contacto com o nosso colaborador Gaspar Santos que na juventude foi amigo de seu avô quando os dois se encontravam em Alcoutim.

Rebuscando na sua privilegiada memória, Gaspar Santos enviou-lhe o texto que agora iremos publicar e que a Francisca muito agradeceu.

Como vêem caros leitores, o A.L. até chega às criancinhas.

Voltamos a agradecer à Francisca Rita o envio da foto do seu avô para ilustrar o texto.

Sempre que tenhas disponibilidade não deixes de visitar o ALCOUTIM LIVRE, onde podes encontrar algo do teu interesse, como aconteceu com a notícia sobre o teu avô.
Escreve sempre que queiras.


JV







Escreve


Gaspar Santos



[Cap. Marçal Luís Rita]

Conheci o teu avô Marçal Luís Rito no ano 1950. Ele era estudante na cidade e vinha a Alcoutim para casa dos pais só nas férias. O teu Avô e eu tínhamos então 17 anos de idade.

Alcoutim era uma Vila pequenina e hospitaleira. Teu Avô era um jovem simpático e com facilidade criou amizades entre os jovens que nessa altura eram muitos. Os primos dele, Joaquim Rita e Maria Silvéria que já ali moravam fizeram as apresentações. Os conhecimentos que o teu Avô trazia da cidade e de estudar, eram muito apreciados por nós alcoutenejos pois aprendíamos assim com ele.

Em Alcoutim havia poucos divertimentos. O teu Avô tinha bom contacto e com facilidade passou a ter os nossos divertimentos. Jogávamos à bola, ou ténis de mesa, conversávamos no Grupo Desportivo, e dançávamos durante noites especiais de festa em Alcoutim ou nas localidades próximas. Às vezes íamos dançar para a Vila espanhola de Sanlúcar no outro lado do Rio Guadiana.

O teu Avô como todos os jovens nessa idade gostava de fazer a sua partida. Vou contar-te um episódio que ele se calhar nunca te contou. Um grupo de amigos de que eu fazia parte tínhamos em preparação uma fritada de carne de porco. Isto era no mês de Dezembro já muito próximo do Natal. O teu Avô, às escondidas dos donos do petisco, deitou na fritada um picante muito forte e em muita quantidade. Nenhum de nós conhecia o chamado piripiri que alguém trouxera de África e lhe dera para pregar a partida. E nenhum de nós foi capaz de comer aquela ceia. Ficámos furiosos.

Soubemos quem tinha feito a brincadeira e pensámos também numa partida. Cada um de nós fez a sua proposta que foi sendo rejeitada. Até um que estudava em Coimbra e apreciava as praxes académicas lembrou: e se lhe cortássemos o cabelo. Houve logo aprovação total. E lá fomos nós à procura do teu Avô, e com uma grande tesoura demos duas ou três tesouradas na bonita cabeleira de que ele tinha muita vaidade.

O Professor Amaral que era na altura Presidente da Câmara procurou o grupo que fizera aquela partida ao teu Avô e deu-nos um grande sermão e fazendo-nos ver o tamanho daquela maldade. Acho que nos aconselhou a pedir-lhe desculpa e nós assim fizemos. Acho que o teu Avô deve ter sentido muito esta acção, mas também gostou do nosso arrependimento e desculpou-nos, mantendo a amizade para com todos nós.
O teu Avô está nesta fotografia que te mando. Ele está dum lado e eu estou do outro. Adivinha onde ele está. Vês como ele tem uma grande cabeleira. A fotografia é tirada nas Festas de Alcoutim em 1951.

[Grupo de jovens amigos em Alcoutim em meados do século passado. No último plano, o 1º da esquerda é Marçal Rita e o 1º da direita, Gaspar Santos]

A nossa convivência mais próxima deu-se até 1954. Nesse ano ambos viemos para o serviço militar. Depois, quando já nem o teu Avô nem eu estávamos em Alcoutim, os Pais dele mudaram de casa e passaram a morar na Rua das Flores mesmo em frente da casa de meus Pais. Tive notícias de que sempre se deram bem e gostaram da boa vizinhança dos teus Bisavós.

Depois de irmos para a tropa, poucas vezes nos vimos. Até que o senhor Agostinho que tinha uma loja na Rua Direita em Viseu e que é cunhado do meu filho Carlos me disse que conhecia o teu Avô e nos passamos a encontrar no Café sempre que eu ia a Viseu.

De vez em quando e em todos os Natais falávamos pelo telefone. Quando eu ia a Cinfães onde temos uma quinta, várias vezes o convidei para lá ir com a tua Avó. Tenho pena que ele, por uma ou outra razão, nunca nos tenha proporcionado esse convívio.

Gostei que tivesses contactado comigo e, acedi com o maior gosto, a recordar com saudade o convívio com o teu Avô. E eu e a Maria de Lurdes, minha mulher, mandamos cumprimentos para a tua Avó e Pais.

Para ti um grande beijo de Gaspar e Maria de Lurdes.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Pessegueiro, o "monte" mais dinâmico do concelho de Alcoutim

Nota
Com a publicação do presente texto terminamos a abordagem que fizemos a todos os montes que constituem a freguesia de Martim Longo.
Ficou para o fim o monte que consideramos mais dinâmico em todo o concelho pois entendíamos que ele merecia uma maior abordagem que não conseguimos efectuar por vários motivos.
Sei que pelo menos dois pessegueirenses ansiavam há muito a publicação deste pequeno trabalho e pedimos-lhe desculpa de só agora o realizar pois fomos sempre protelando o assunto com o intuito de adquirir mais informação e consequentemente no sentido de o melhorar.

Aqui fica o que foi possível obter.


JV

[Vista parcial de povoação. Foto JV, 2008]

Vamos abordar hoje o “monte” mais importante ou dos mais importantes do concelho de Alcoutim, aquele em que o decréscimo populacional tem sido menos notado.

A importância que ocupa não vem de agora e se pesquisarmos os assentos paroquiais da freguesia de Martim Longo a que pertence, verificamos que a povoação ocupa os lugares cimeiros da freguesia a nível de baptismos, óbitos e casamentos.

Esta parte da freguesia de Martim Longo que assenta na chamada cumeada do Pereirão, cujo topónimo foi transmitido aos montes do Pereirão, Casa Nova do Pereirão e Monte Novo do Pereirão, tem a povoação do Pessegueiro como centro mais importante e a que se recorre para suprir as mais prementes necessidades. Gravitam à sua volta Zorrinhos de Cima, Tremelgo de Baixo e de Cima, todos a cerca de 3 km e um pouco mais afastado Casa Nova do Pereirão, Pereirão (4 km) e Estrada e Mestras a pouco mais de 6.

Diogo Dias e Azinhal, ainda que lhe fiquem a cerca de 5 km, poderão optar pela aldeia de Martim Longo.

As Memórias Paroquiais (1758) referem-no como Monte do Pixegueiro, indicando igualmente os que lhe estão próximos; contudo, aparecem na mesma zona e tomando em consideração a ordem que é indicada, o Monte da Amendoeira entre o Monte do Tremelgo e o Pessegueiro (será um dos Tremelgo visto só ser indicado um?) o Monte do Azenhalinho, entre o Pereirão e a Estrada e entre este e os Relvais o Monte do Rezidouro.

Seriam montes constituídos por um fogo ou pouco mais e que teriam desaparecido na voragem do tempo, como agora está a acontecer e sucedeu o mesmo ao monte dos Relvais que em 1960 ainda tinha 9 habitantes. Pensamos que se os topónimos desapareceram a nível de núcleo habitado, possivelmente ainda existirão quanto à designação de zonas rústicas.

Quanto ao topónimo, muito vulgar no nosso país, simples ou composto, no singular ou no plural, encontramo-lo referido doze vezes, do norte ao sul, no dicionário da especialidade que habitualmente consultamos e isto só na versão Pessegueiro. (1)

A toponímia de origem vegetal (fitonímica) é extremamente vulgar em Portugal.

Neste caso há o uso directo do nome da árvore, cuja utilização poderá estar no porte, idade ou exemplar único existente na zona que por esse facto a começou a identificar.

Em 1839, Silva Lopes atribui-lhe 35 fogos cujo número a nível de freguesia só é suplantado por Santa Justa com 36.

Em 1911 tinha 129 habitantes que foram subindo até 1960 a 162, subida sensivelmente verificada em igual período em todo o concelho. O surpreendente é que de 1960 até 1991 a população quase que estabilizou, visto a seu decréscimo ser insignificante – 3%, enquanto nos outros “montes” rondou os 50%!

De 1991 para 2001 (140 habitantes) a quebra foi mais acentuada cifrando-se em 10,8%. Esperamos, entretanto, pelos dados do último censo.

Esta zona importante da freguesia de Martim Longo estava completamente isolada e só a partir de 1974 as coisas começaram, naturalmente, a mudar.

Lembramo-nos perfeitamente que a primeira vez que fomos ao Pessegueiro, isto pelos anos de 1986/87 e se a memória não nos atraiçoa, o desvio da estrada nº 124 que começa por nos levar ao Silgado e fomos seguindo até à Casa Nova do Pereirão, não passava de uma estrada de terra batida e na altura, como era Verão, fazia grande poeirada.

[Um aspecto central. Foto JV, 2010]

A Câmara adjudicou a sua pavimentação até ao Pereirão, em 1989, por cerca de 75 mil contos. (2) Em 1991 os trabalhos já estavam concluídos. (3)

A estrada passa ao meio da povoação, o que raramente acontece aos montes do concelho, para os quais é necessário construir um pequeno troço de acesso.

Quem tomar esta estrada, vindo do sentido norte, antes de chegar ao Pessegueiro, tem à direita um desvio que nos leva à vizinha freguesia de Sta. Cruz, no concelho de Almodôvar, visto ter sido construída uma ponte para o efeito sobre a Ribeira do Vascão.

No século XIX, a Câmara de Alcoutim tinha instituído a seguinte postura: - Todo o indivíduo do concelho que sendo pela autoridade competente nomeado para fazer o serviço de piquete, faltar ou se recusar ao serviço sem causa legítima, fica obrigado a pagar àquele que for chamado a fazer as suas vezes, e incorre na pena de fazer segundo piquete ou de pagar a multa de quinhentos réis para as despesas do concelho.Na Sessão de 25 de Julho de 1846 discutiu-se se devia ou não continuar em vigor tal postura, que obriga os povos do concelho ao Serviço de Piquetes, postura que se achava legalmente aprovada. A postura acabou por ser confirmada com algumas pequenas alterações.

Esta referência foi feita devido ao facto da postura ter provocado neste “monte” um motim, para o que o poder político utilizou medidas de rigor no caso de continuarem em sua pertinaz desobediência. (4)

O serviço de piquete consistia rudimentarmente no transporte dos ofícios do Real Serviço já que o Concelho não dispunha de meios para pagar a quem o fizesse. É que o concelho de Alcoutim só teve dinheiro para esbanjar após o 25 de Abril!

A escola do Ensino Básico, edifício do Plano dos Centenários, só fechou quando o mesmo ficou restrito a dois pólos, um na vila e outro na aldeia de Martim Longo.
Calculamos que o edifício tivesse sido construído nos últimos anos da década de sessenta do século passado.

Devido à construção da estrada foi construído em 1987 um muro de protecção. (5)

[Sede própria da Associação Recreativa local. Foto JV]

Tem um Centro Cultural e Recreativo fundado pouco depois do 25 de Abril. Em 1989 a Câmara Municipal mandou instalar no mesmo uma máquina de café para satisfazer as necessidades dos associados. (6)

Tem sede em edifício próprio de rés-do-chão e 1º andar. Instalações sóbrias mas funcionais.

A associação organiza anualmente as Festas de Verão, com a duração de 3 dias onde avultam os bailes e torneio de jogo de cartas (sueca).

O Centro Cultural e Recreativo já tem vencido torneios a nível concelhio.
Existe igualmente o Clube de Caçadores da Foupana que gere uma zona de caça associativa.

[A Capela de Nª SDª de Fátima. Fotos JV, 2011]

Na Sessão de 27 de Setembro de 1995, a Câmara decidiu adjudicar a obra da construção de uma capela (7), que veio a ser inaugurada no dia 10 de Maio de 1997 com a presença do Senhor Bispo do Algarve, D. Manuel Madureira Dias.

Além dos actos religiosos em que se incluiu uma procissão solene e missa, realizou-se um beberete ao ar livre, aberto a toda a população. (8)

A construção da Capela foi adjudicada à Firma Artur Barão & Filhos, Lda.

Consta-nos que tem por invocação Nª Sª de Fátima.

Foi constituída em 1987 a Cooperativa Agrícola de Rega do Pessegueiro, CRL que usa a sigla COOPESSEGO. A Direcção Regional de Agricultura do Algarve assinou em Dezembro de 2006 o contracto de empreitada de execução da barragem, rede de rega e viária do Aproveitamento Hidroagrícola do Pessegueiro. (9)

[A barragem do Pessegueiro. Foto JV, 2011]

A Barragem, que custou cerca de 2 milhões de euros, foi inaugurada pelo Ministro da

Agricultura e Pescas, Jaime Silva, em 2 de Setembro de 2009.

A rega abrange 25 ha e serve 40 explorações agrícolas. A altura máxima é de 15 m e um desenvolvimento de coroamento de 209.

A Cooperativa criou recentemente um campo experimental de figo-da-índia junto à povoação e com o auxílio da Câmara Municipal.

Por ser o monte mais populoso do concelho foi o primeiro a receber o saneamento básico, no qual foram dispendidos cerca de 470 mil contos e foi inaugurado em 28 de Outubro de 2002. (10) A construção da Estação Elevatória tinha ocorrido em 2001. (11)

Atendendo a que quando havia cortes de energia eléctrica ficava sem água e com os problemas que isso acarreta, em 2010, foi construído um reservatório de água com a capacidade de 150 m3 e que custou cerca de 35 mil euros.


[A Unidade Industrial do "Pão do Pessegueiro". Foto JV, 2011]


Possui uma unidade de panificação de tipo artesanal que produz pão de muito boa qualidade sendo procurado por todo o concelho pelas suas características.

Existe também um pequeno café / restaurante.

A pastorícia foi sempre do agrado destas gentes e é aqui que ainda existem algumas cabras que dão origem ao fabrico de queijo.

Igualmente, há quem se dedique à apicultura.

Foi terra de artesãos como sapateiros, latoeiros, ferradores, ferreiros, chocalheiros, etc.

Os moradores forneceram importante participação na recolha feita de músicas e letras de canções que aqui eram tradicionais. “Pombinha branca” (cantiga de baile), “Venho da Ribeira Nova (cantiga de baile), “Rama da Oliveira” (cantiga com moda), “Tira o cravo, tira a rosa” (cantiga com moda) e “Debaixo da Laranjeira” (cantiga com moda). Foi recolha participada por Idalina do Ó Pepa, Lucinda Maria Filipe Pereira e Adélia Maria Rosa.

Pessegueiro é o meu monte
Martim Longo minha aldeia
Santa Cruz são os aios
Onde o meu amor passeia (12)

A nível de dados soltos, podemos dizer que em 1991 os arruamentos da povoação foram pavimentados a primeira vez (13) e posteriormente recuperados, devido aos trabalhos do saneamento básico. Em 2003 foram colocados redutores de velocidade (14). A estrada veio a ser reparada até ao limite do concelho em 2009 (15). Em 1989 abriram-se caminhos rurais para ligar a povoação à ribeira do Vascão. (16)



Nota – Por este gráfico se compreende a surpreendente estabilidade populacional na povoação, talvez o único caso no concelho.

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NOTAS
(1) – Novo Dicionário Corográfico de Portugal, de A.C.Amaral Frazão, Porto, 1981.
(2) – Boletim Municipal, nº 5 de Setembro de 1989.
(3) – Boletim Municipal nº 8 de Abril de 1991, p. 5
(4) – Alcoutim Visto Através das Posturas Municipais (1834 / 1850), José Varzeano, 1989 p.13
(5) – Boletim Municipal nº 2 de Fevereiro de 1988, p. 3
(6) – Boletim Municipal nº 4 de Abril de 1989.
(7) – Alcoutim, Revista Municipal nº 1, de Maio/Junho de 1995.
(8) – Alcoutim, Revista Municipal nº 5 de Novembro de 1997
(9) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 13 de Dezembro de 2006, p. 6
(10) – Alcoutim, Revista Municipal nº 9 de Dezembro de 2002, p. 13
(11) – Alcoutim, Revista Municipal nº 8 de Setembro de 2001, p. 13.
(12) – Uma Etnomusicologia do Algarve Rural, texto de Francisco Parrot Morato e Luís Miguel Clemente, 2008
(13) – Boletim Municipal nº 9 de Dezembro de 1991, p. 2
(14) – Alcoutim, Revista Municipal nº 10 de Dezembro de 2003, p. 9
(15) – Alcoutim, Revista Municipal nº 15 de Julho de 2009, p. 20
(16) – Boletim Municipal nº 5 de Setembro de 1989, p. 6

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Crónicas e Ficções Soltas - Alcoutim - Recordações - XVIII






Escreve


Daniel Teixeira





O GALOPE DO TEMPO

Para começar esta crónica é preciso dizer que é necessário ter vivido com burros para ter memórias sobre burros, como é lógico. Eu tenho-as e muitas e dado aquilo que hoje sei e que outros que conheço não sabem lamento que nem toda a gente tenha passado, pelo menos uma parte da sua vida, com burros, mesmo que de facto tenham passado tempo a viver com «outros» burros.

E é neste aspecto que a coisa se torna paradoxal. Existe alguma vergonha em confessar que se viveu com burros, por pouco tempo que tenha sido, porque existe uma descriminação ridícula, porque é apenas verbal e de uso, contra o nome desses pobres mas sempre aparentemente felizes animais. De um lado são considerados pouco espertos, o que não é verdade; deve existir de facto dentro da sua mente (se é que pudemos falar assim) uma tranquilidade neuronal muito semelhante à paz que todo o ser humano desejaria ter e uma aceitação da inevitabilidade do seu destino que pode parecer depressiva mas que vive dentro deles de uma forma harmoniosa. Realismo, puro e simples, é o que eu acho que é : nada de ambições para desfiladas incomportáveis nem para liberdades excessivas e uma fidelidade aos parceiros a toda a prova.

Uma vez eu e a minha mulher pedimos um burro emprestado ao meu primo que os tinha a pastar num restolho: o que ficou teve de ser segurado na estaca e mesmo assim coitado acabou por cair dado que estava peado: o outro levou-nos onde queríamos, às Eiras Velhas, a nossa hortinha perto do ribeirão, mas mal nos distraímos saiu em desfilada. Ainda corri um bom bocado sobretudo para ver se ele se encaminhava directo para o ponto de partida e lá ia ele, galopando de regresso certeiro.

[Burro espojando-se. Retirado com a devida vénia de http://itapopordentro.blogspot.com]

Levar os burros a espojar era um dos meus trabalhos preferidos. Arranjava-se um bocado de terreno relativamente limpo de pedras e ervas e eles acabavam sempre por perceber: rebolavam-se pelo chão, coçavam as costas, podiam levar dez minutos nisso, relinchavam com aquele som cavo a que se chama zurrar, sacudiam a terra do pelo como um cão molhado e eu acho que eles acabavam sorrindo por segundos para depois voltarem à sua condição de burros, baixando a cabeça e ficando ali, quietos, sem capacidade de se movimentarem sem que nós puxássemos por eles.

Quando comecei a ir a Alcaria Alta o meu avô já tinha passado definitivamente de cavalo para burro tanto no sentido financeiro como no sentido real. Uma viagem de retorno sem retorno à vista e assim o burro era para ele o animal do presente e o animal do futuro. Cuidava deles com cuidado embora não fosse preciso muito para os manter contentes e felizes. Tinha dois porque para lavrar é normalmente necessário parelha, sobretudo quando se trata de burros. Lavrar com um só animal só com muares ou cavalos. Estes últimos não se «gastavam» nessa tarefa por principio, mas nem sempre eram eminentemente decorativos e as éguas iam ao cavalo o que era uma garantia relativa de gerarem cavalos.

Pode parecer absurdo e para mim foi durante muito tempo que uma égua tenha um filho burro, por exemplo, ou um muar, mas era assim mesmo. Os muares, híbridos, como se sabe, não geravam, mas tinham a vantagem de serem excelentes animais de trabalho. Uma burra podia ir igualmente ao totoloto cavalar e depois era só esperar o que saía dali. A força dos genes comandava tudo...o meu avô só tinha burros, mesmo burros no masculino, e serviam para o dia a dia, para lavrar e gradear.

Gradear era, para quem não sabe, tentar afastar do terreno de cultivo as pedras que durante o resto do ano «nasciam» por força das enxurradas; a terra ia com a água, as pedras ficavam. Trabalho sempre anualmente repetido e agora lembro-me de uma personagem que não me podia lembrar naquele tempo. Sísifo foi condenado pelos Deuses gregos a fazer subir uma rocha até ao topo de um monte e deixá-la depois escorregar e ir buscá-la de novo. Comparativamente era isso que o meu avô e os outros lavradores do Monte faziam. Todos os anos o mesmo.

Quando apareceram as máquinas, os tractores que tinham alfaias para lavrar e para gradear só interessava e só era possível que eles trabalhassem em espaços grandes. O mini tractor ainda não existia e mesmo que existisse ninguém o compraria senão os lavradores e nem esses os compraram, é claro. As máquinas que havia eram compradas por profissionais com dinheiro liquido suficiente para investir, normalmente emigrantes, que se deslocavam de monte em monte à hora ou á tarefa. Quando da minha segunda volta pelo Monte, já depois de casado, havia já bastantes terrenos tratados por máquinas.

[Burro bem tratado. Monte das Ferrarias. Foto JV, Maio de 2010]

Estas, cegas como eram, na ceifa, deixavam muito grão nos solos o que fomentava a visita da passarada: as cotovias, com a sua pequena popa no alto da cabeça eram as mais abundantes. Pardais também havia, toutinegras que eram assim chamadas por terem uma mancha escura no peito branco e outros. Os pardais civilizaram-se muito rapidamente e começaram cedo a conviver com o monte, fazendo ninho no telhado da escola primária.

Esta, não sei exactamente em que data foi construída, acabou por funcionar muito pouco tempo: cedo deixou de haver crianças para irem à escola, os montes dos arredores deixaram também de fornecer criançada e voltou tudo à primeira forma, aquela que a minha mãe tinha conhecido 50 anos antes: ir à escola a Giões para o primário, fazer o secundário em Faro ou Vila Real de Santo António para os poucos que tiveram essa possibilidade, muito poucos mesmo.

Mas as minhas memórias sobre os burros estão muito acima destas questões que apelido de laterais e contêm todo um conjunto de recordações que me levam de monte em monte, de ribanceira em ribanceira, de ribeira a ribeira, de actividade de trabalho a actividade lúdica, atravessando transversalmente a minha vida.

Pode dizer-se que consegui uma parte razoável do meu conhecimento do mundo de burro e por isso lhes estou grato, muito grato mesmo. Em certo sentido posso dizer que muito do que sei do mundo e da natureza aprendi porque os burros me levaram lá, me mostraram tudo o que havia para ver e tudo o que lá havia para aprender. Com eles aprendi também que é possível ser-se feliz com muito pouco, por exemplo.

O burro é o animal quadrúpede agregado às actividades campesinas que maior confiança nos pode merecer. Não a merece toda, a confiança, mas merece muito mais confiança do que um nervoso cavalo, uma temperamental mula, ou mesmo uma chata vaca que embica os cornos na nossa direcção nas estreitas azinhagas, não para nos fazer forçosamente mal mas porque é larga e não nos deixa espaço de passagem nem consegue virar ou recuar (essa sim é mesmo burra) deixando-nos como alternativa a nós, humanos ditos inteligentes, o recuo, a retirada, a vergonhosa fuga por vezes quando a proximidade é demasiado próxima e a idade curta.

Com um burro diz-se «Alto!» alto e com bom som e o animal estaca e ali fica, parado, compreensivamente imóvel, à espera que nós passemos. Mas os meus burros, os burros que conheci, tinham outras qualidades, arrisco mesmo dizer que tinham todas as qualidades exigíveis a um burro e mais algumas que seriam exigíveis a muitos bípedes.

Anunciavam a sua chegada ao monte através de um sonoro zurrar, conheciam os caminhos como ninguém, graças aos arreios só tinham duas velocidades, a primeira e a segunda, facilitando assim a condução e podiam ser cavalgados em pelo, com albarda, com sela até mas mostrando nestes primeiro e último casos todo o seu respeito pela condição do seu montador apesar da ausência dos arreados travões traseiros.

[Burros pastando na Herdade das Ferrarias. Foto JV, Maio de 2010]

Um burro deixa-se por aqui ou por ali e vai-se buscá-lo quando se precisa que ele está ali mesmo ou um pouco mais além quando algum cardo ou uma erva mais apetitosa o puxou para a desobediente deslocação de poucos metros.

Tenho inúmeras recordações de burros, de momentos em que aprendi algo com os burros, dos momentos em que os burros foram meus mestres. Contarei um dia, ou irei contando, mas devo confessar que quando me lembro disso, do quanto que aprendi com eles, que nessas alturas que não são muito raras, tenho sempre muita pena que nem todos tenham tido a possibilidade de ter burros como mestres. Talvez o mundo fosse melhor, quem sabe..?

Ora depois desta divagação lírica devida a esses meus amigos e pares, um burro também me ensinou como se faz o contorno da livre concorrência: o meu avô precisou de trocar um burro (o saudoso Castanho) dado que estava a ficar demasiado velho e que segundo a suas contas, estava na altura ideal para ter um preço de retorno mais compensador do que no ano seguinte: foi à feira a Giões e como sempre acontecia foi ter com o meu tio José Teixeira que era negociante de gado; queria vender aquele e comprar um outro entrando com a diferença.

Ora contra as suas expectativas a compra era feita por um preço abaixo daquilo que seria normal no seu entender e a venda de um burro mais novo era feita por um preço acima daquilo que também seria calculável. Pediu desculpa ao meu tio e foi consultar outros negociantes obtendo neles o mesmo resultado ou um resultado aproximado. Perante a inevitabilidade de ter de negociar naquela altura pelo menos para não ter um resultado pior noutra feira e para justificar a deslocação acabou por fazer negócio com o meu tio José Teixeira.

Chegou a casa com o burro novo mas bastante revoltado com a vida. Mal nascia o sol foi acordado pelo chamamento do meu tio negociante que nunca foi muito parco em palavrões: «Porra ti Dionísio!! Nem preguei olho à espera que clareasse o dia. Quando chegar a casa a primeira coisa que faço é meter-me na cama. A gente (negociantes) estava combinada nos preços e logo ontem calhou você a aparecer por lá e eu não lhe poder dizer nada ali: está aqui o dinheiro que falta...veja lá se está bem assim!» Estava mesmo...era assim o meu tio...um saudável negociante familiarmente honesto...

Mas sempre lhe tirei o chapéu: começou vendendo/trocando ovos de Monte em monte depois da jornada de trabalho em casas de lavradores com uma mochila feita de paus de loendro atados cheia de palha e ovos às costas porque nem uma besta dele tinha.

Em Faro, já no meu tempo de miúdo, participava com alguma regularidade na bolsa da alfarroba, das amêndoas, do gado que na altura tinha lugar no Café Aliança onde se faziam licitações primárias de voz: «Tenho 50 ovelhas para vender!» – gritava-se do meio da sala e esperava-se que os compradores aparecessem. O mesmo com outros animais, com as amêndoas, alfarrobas e outros produtos.

Foi talvez dos primeiros a descobrir o filão de compras lisboeta frequentando o mercado da Ribeira, onde vendia em grosso ovos, galinhas e o que se proporcionasse: por vezes não tinha ali mas ia arranjar junto de outros da região que lhe tinham seguido as pisadas e a conjunta sociedade esporádica num transporte de camião acabou por engrandecer o negócio. Nunca teve carro nem carrinha: tinha um carro puxado por muares e era especialista em conseguir boleias para todo o lado...que eu me lembre nunca o vi chegar de autocarro ou de comboio de lado nenhum.

Das últimas vezes que o visitámos tinha a mulher (minha Tia) ausente em Lisboa em tratamentos e nem sabia acender o fogão a gás: tinha tudo, café, leite, pão, foi buscar um naco de presunto cortado à faca e ali ficámos os três, eu, ele e a minha mulher comendo e bebendo o café com leite e cavaqueando alegremente. Foi que eu me lembre a última vez que o vi tal como ele sempre foi e foi nessa altura que ele me disse que se sentia velho e que «o tempo era um cavalo». Quando faleceu (sou grande amigo do filho dele, meu primo) era bastante bem remediado. Rico, mesmo.

Teve um Avc tempos depois de o visitarmos e durante três dias agonizou no hospital de Vila Real de Santo António com os olhos abertos correndo da esquerda para a direita como se quisesse saber bem onde estava mas não estava mesmo cá já. Nada a fazer mesmo...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Cavalinhas cozidas com batatas



Este prato torna-se típico da Serra Algarvia devido à abundância de tal espécie piscícola nos mares algarvios.

Trata-se de um prato normal de peixe cozido com batatas.

A diferença, que lhe encontrámos, tem a ver com o facto de o peixe ser cozido, com bastantes orégãos, o que lhe dá um sabor especial, depois de previamente salgado.

As batatas são muitas vezes cozidas com a pele.

As cavalas, que por aqui aparecem, são normalmente de pequenas dimensões e daí o prato ser conhecido por “cavalinhas cozidas com batatas”.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Hilário da Palma Ventura, dos alcoutenejos mais inteligentes que conheci



Isto da escrita, só a sabe compreender quem a pratica.

Nunca escrevi por amizade e muito menos por encomenda, o que é prática vulgar. Nunca tive vocação para jornalista, mas sempre me senti bem a escrever, nem que fosse cartas para os amigos.

Lembro-me bem que quando cheguei a Alcoutim com os meus 28 anos, salvou-me do isolamento a circunstância de manter correspondência com dezenas de pessoas desde familiares a amigos.

Talvez não passasse um dia sem escrever para alguém.

Vem este pequeno intróito a propósito de tentar alinhavar meia dúzia de palavras sobre um saudoso amigo e não o faço por uma questão de amizade mas sim de justiça, pelo menos no sentido em que a tenho.

Conheci Hilário da Palma Ventura em 1975 quando com a esposa é colocado no Centro de Saúde de Alcoutim.

Não foi difícil entabular conversação e amizade com aquele alcoutenejo nascido no monte da Palmeira e originário de uma família rural.

Para aprender a ler e a escrever e obter aprovação no exame da 4ª classe, tinha de se deslocar diariamente aos Balurcos e se a memória não me atraiçoa, mais tarde à aldeia do Pereiro, onde faz exame da 4ª classe.

A criança Hilário, logo após a 4ª classe, tem de contribuir para o rendimento familiar e o seu primeiro trabalho é na estrada em construção entre Mértola e Vila Real de Santo António e sabem em quê? Como apontador. Escrevia bem e era eficiente nas contas. O encarregado viu logo o tipo de trabalho que era mais adequado. Tudo o que fosse de escrita passava pela sua mão com a supervisão natural do encarregado. O pai, o Sr. Ventura, que ainda conheci bem, era um dos trabalhadores braçais que ia vencendo a sua jorna.

Pouco tempo depois, alguém lhe arranja trabalho no Seminário de Faro, onde é trabalhador indiferenciado.

As suas capacidades não passam despercebidas à classe eclesiástica que procura um meio para que possa mudar de vida.

Bispo ou acessores conseguem obter da parte do Governo um subsídio mensal para que o jovem pudesse tirar o curso de auxiliar de enfermagem que realizou na cidade de Coimbra. Deve tê-lo feito com altas classificações mas sobre tal aspecto nunca se pronunciou.

[A entrada da Palmeira vendo-se a escola há muito desactivada. Foto JV, 2011]

Começou logo a trabalhar no Hospital da Universidade de Coimbra. Faz, entretanto, o Curso Geral dos Liceus e de seguida o Curso Geral de Enfermagem, pois só com habilitação deste tipo o podia realizar.

Casa com uma colega e como eram ambos de pequena estatura, os estudantes de medicina e os jovens médicos diziam com amizade que iam viver para o “Portugal dos Pequeninos”.

É instado por médicos e colegas no sentido de cursar medicina, respondendo-lhes sempre o mesmo que me respondeu: - Prefiro ser um enfermeiro razoável do que um mau médico.

Resolve ir com a esposa para Angola, onde trabalham por conta própria na então cidade de Nova Lisboa, hoje Huambo, e aí se encontrava quando se dá o 25 de Abril. Regressa naturalmente a Portugal com a esposa como já disse e é colocado no Centro de Saúde de Alcoutim acabado de inaugurar aparecendo aí jovens médicos no trabalho à periferia.

Hilário Ventura passava os tempos livres lendo tudo o que podia sobre a sua profissão. Tinha explicação técnica para tudo mas não a manifestava, a não ser em condições especiais.

Tenho algumas estórias a contar sobre ele.

Hilário, quando vem trabalhar para Alcoutim, era praticamente desconhecido dos alcoutenejos que se admiravam ao saber que era natural da Palmeira.

Um dia, no antigo café de João Guerreiro, na altura já arrendado, estava eu a falar com o enfermeiro Hilário e o Dr. João Dias, que já exercia a sua actividade em S. Brás de Alportel e que o conhecia dos tempos de Universidade. Entretanto, chegou outra pessoa que depois do enfermeiro sair perguntou ao médico:- Que enfermeiro é este? - e isto devido à sua baixa estatura . O Dr. João Dias respondeu de imediato: - Tomaras tu ter um quarto da inteligência que ele tem. Nunca me esqueci disto.

Pelo contacto que já tinha tido com ele já me tinha apercebido que além de ser um bom profissional era uma pessoa inteligente e culta, agora confirmado pelo Dr. João Dias.

Quando o meu filho que por volta dos 5 / 6 anos fez uma pequena cirurgia no Hospital de Loulé e o cirurgião soube que Hilário Ventura era enfermeiro em Alcoutim, disse-me logo que não era preciso lá ir para fazer o penso e tirar os pontos pois tinha plena confiança no trabalho do enfermeiro e efectivamente foi ele que o realizou. Ainda hoje o meu filho se lembra disso.

Um dia, ao cair da noite, estava em casa dele conversando enquanto fazia o jantar, visto que a esposa estava em Faro a frequentar qualquer curso ligado à profissão. Chega alguém à porta a chamá-lo. Apagou o fogão e veio logo para o Centro de Saúde. Vim, naturalmente, com ele. Era fim-de-semana e não havia médico. Traziam um indivíduo do Vascão que tinha dado um grande trambolhão quando andava a aprender a andar de motorizada. Trazia uma das pernas bem escalavrada. O enfermeiro Hilário deitou mãos à obra e eu ia ajudando naquilo que podia, pegando aqui e ali, dando isto ou aquilo. Fartou-se de coser e o paciente ia aguentando com estoicismo as dores. Aquilo metia-me uma certa impressão. Não sei quantos pontos foram, sei que foram algumas dezenas.

Depois de levarem o homem tratado para casa, voltou-se para mim e disse-me:- mas porque é que eu fiz isto e não mandei o homem para Vila Real?! É que eu só posso fazer isto mandado por um médico que assume a responsabilidade. Assim, se algo correr mal estou metido em trabalhos.

Hilário Ventura sabia que na 2ª feira de manhã tinha um jovem médico no Centro de Saúde em quem confiava.

No domingo, pegou no seu carro e fomos os dois ao monte do Vascão para saber como o doente estava e na segunda-feira de manhã foi buscá-lo para o médico ver e avaliar o trabalho.

Correu tudo bem e anos depois falei algumas vezes com o sinistrado recordando o assunto. Infelizmente já faleceu.

Havia um indivíduo, que era um homenzarrão e natural de Alcoutim, que tinha problemas psíquicos. Quando aparecia na vila era um terror, ainda que segundo parece, nunca fez mal e ninguém. Acabou por ir parar ao Centro de Saúde onde o enfermeiro Hilário, com a sua franzina figura, resolveu tecnicamente a situação. Hoje, já ninguém se lembrará disto.

Mais “estórias” teria para contar, mas as que deixo referidas são suficientemente justificativas.

Hilário Ventura era um acérrimo defensor da medicina preventiva, sobre a qual me fez imensas explicações alicerçadas em conceitos e elementos estatísticos que coleccionava.

Fez um levantamento populacional do concelho, com o auxílio de moradores nos montes, e onde entravam a indicação de doentes crónicos e outras situações que não posso precisar. Organizou um grande mapa onde todos esses elementos estavam referidos para uma orientação dos serviços primários.

Utilizei, no meu primeiro trabalho sobre Alcoutim, alguns destes elementos no que se refere à população dos “montes”, aliás, como é referido no texto.

Era fácil calcular que Hilário da Palma Ventura não iria permanecer por muito tempo em Alcoutim.

[O Palheto, o Barranco e o Cerro (Palmeira). Foto de JV, 2011]

Salvo raras excepções, como aconteceu com o Dr. João Francisco Dias, qualquer profissional permanecia muito pouco tempo em Alcoutim, por tudo o que isso encerra.
Alcoutim deu e continua a dar um grande número de profissionais de enfermagem. Quantos exercem a sua actividade em Alcoutim? Que eu saiba, nenhum. Quantos exerceram? Que eu saiba só o Hilário.

Quantos chefes de Repartição de Finanças pediram a sua colocação em Alcoutim? Que eu saiba, só um e muito transitoriamente. Todos os outros, mesmo com o lugar vago, rumaram para outras paragens.

Quantos tesoureiros da Fazenda Pública pediram a sua colocação em Alcoutim? Ainda que o lugar estivesse vago, dos dois que existiram, um pediu a sua colocação em Peniche e o outro em Faro.

Nada disto significa menos amor pela terra natal, significa sim procurar evoluir nas suas carreiras profissionais e ter melhores condições de vida, mesmo que aqui pudessem estar isentos de IRS.

O dinheiro nunca foi nem será para muitos tudo na vida. Faz falta mas outros valores se “alevantam”.

Hilário da Palma Ventura foi exercer em 1978 ou 79 a sua profissão, de que tanto gostava, para a cidade de Faro e na década de 80 ainda teve a amabilidade de me visitar na cidade onde resido desde 1980.

Fez parte, na qualidade de independente, do primeiro executivo da Câmara Municipal, eleito após o 25 de Abril.

Faleceu na cidade de Faro em 1998. Jaz no cemitério da vila de Alcoutim.

Não deixou descendentes.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Banco Alimentar contra a FOME do Algarve recolhe 170 toneladas

Pequena nota
Atendendo a que o Banco Alimentar Contra a Fome do Algarve teve a amabilidade de nos fornecer os resultados alcançadas na acção desenvolvida e de que fizemos eco neste pequeno espaço, vamos partilhá-los com os nossos visitantes / leitores, alguns dos quais certamente prestaram a sua colaboração.
JV



O Banco Alimentar Contra a Fome do Algarve angariou, no passado fim-de-semana, em mais de 140 locais distribuídos por todo o distrito, cerca de 170 toneladas de alimentos.

Atualmente, o BACFAlg presta assistência a 73 Instituições locais de Solidariedade Social que, por sua vez, distribuem os alimentos a cerca de 15.500 pessoas carenciadas em toda a região Algarvia, sob a forma de cabazes ou de refeições confeccionadas.

A nível nacional, quer as quantidades de alimentos recolhidas como o número de voluntários envolvidos, ultrapassaram todas as expectativas. Cerca de 36.000 voluntários ajudaram a recolher 2.950 toneladas de géneros alimentares. Um resultado que permitirá ajudar 2.047 Instituições de Solidariedade Social e 329 mil pessoas com carências alimentares comprovadas.

Ao longo da próxima semana, até 4 de Dezembro, haverá ainda a possibilidade de contribuir para os Bancos Alimentares Contra a Fome via online, a partir do site www.alimentestaideia.net. A nova plataforma, que se caracteriza por uma grande simplicidade, permite comprar por multibanco ou visa, ao mais baixo preço do mercado, um conjunto de 6 produtos alimentares essenciais para ajuda às famílias.

Também até 4 de Dezembro, prossegue a Campanha “Ajuda Vale”, nas lojas Pingo Doce/Feira Nova, Dia/Minipreço, El Corte Ingles, Jumbo/Pão de Açúcar, Lidl e Modelo/Continente, onde serão disponibilizados, em suportes próprios, cupões-vale de produtos selecionados (azeite, óleo, leite, salsichas, atum e esparguete).

O Banco Alimentar Contra a Fome do Algarve agradece a generosidade de todos quantos participaram em mais uma campanha de recolha de alimentos, quer através da doação de alimentos quer pelo seu trabalho voluntário, fazendo a diferença num cenário de grave crise económica e social.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Pequenos Apontamentos - Bairrismo

(PUBLICADO NO JORNAL POVO ALGARVIO, DE TAVIRA, DE 28 DE JUNHO DE 1973)






Escreve


Trindade e Lima



De tarde, e enquanto esperávamos a hora de jantar, juntavam-se alguns dos usufrutuários do pavilhão cá fora no pátio. Palestrava-se, tocavam-se impressões e uma tarde perguntámos a um dos circunstantes de onde era natural. “ Do concelho de Oliveira do Hospital “ esclareceu-nos ele.”É um concelho onde existe S. Gião”acrescentámos nós , talvez atraídos pela aproximação semântica ou semelhança fonética com Giões do nosso concelho. “ É a minha terra natal”, acalorou-se o nosso interlocutor . E aqui fazemos uma pausa para formular uma pergunta :- Não teria sido uma família constituída por indivíduos com o nome de Gião que deu o nome àquela aldeia? Continuemos “Conheço um indivíduo natural de lá “ e declinei um nome. “Conheço muito bem, pertencemos à Comissão de Melhoramentos da nossa aldeia” o que nos foi depois confirmado pelo nosso conhecido.

[Um aspecto de casario em Giões. Foto JV, 2011]

Temos reparado que para o norte do país, talvez com acentuada preponderância nas Beiras, há nas pequenas aldeias Comissões de Melhoramentos que têm a sua sede em Lisboa. Os naturais de lá e que lá vivem, conjugam os seus esforços e o seu entusiasmo com os que emigraram e trabalham todos em favor do seu torrão que nunca esqueceu e fazem progredir.

O que se nota para o sul do país’
Uma apatia que chega a ser desinteresse. Assinalamos no Algarve os concelhos de Loulé e de S. Brás de Alportel que parecem constituir uma etnia aparte. Ali existe um bairrismo estuante, que já foi mais vivo, mas que volta a reanimar-se. Por que não hão-de os algarvios constituir as suas Comissões de Melhoramentos e dedicar-se a elas com entusiasmo e carinho? E há tempo que fazer...

Não nos iludamos e obcequemos com o barulho que se faz e os balões que se erguem.

Somos de um concelho por onde ainda há pouco passou uma alta entidade governativa. Na sede do concelho, falando com uma senhora que encontrou, perguntou-lhe: - “A senhora vive bem aqui? Isto traduz mágoa, dó, pelo abandono, pelo esquecimento a que estas regiões estão votadas. Não vale a pena espevitar este adormecimento para uma vida mais activa e sã?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Estatísticas - Movimento do mês de Novembro / 2011



Como temos vindo a fazer e dentro dos esclarecimentos anunciados, apresentamos o top ten do mês findo que nos revela algumas curiosidades, começando logo pelo que encabeça a lista.

1º - A ALDEIA DO PEREIRO E O SEU TOPÓNIMO (04.03.2010) – 160

2º - O “MONTE” DO MARMELEIRO – O LUGAREJO... (20.09.2011) – 54

3º - FORMA DAS FILHÓS DE ROSA – (02.01.2011) – 31

4º - ALCOUTIM NECESSITA DE MAIORES ATENÇÕES – 25

5º - A MEDIDA DO TEMPO – (11.09.2010) - 24

6º - PASSEIO PEDESTRE – QUINTA-FEIRA, 8 DE DEZEMBRO DE... (21.11.2011) - 24

7º - FERRARIAS, MONTE SUBSIDIÁRIO DA MINA DA COVA DOS MOUROS (14.06.2010) - 23

8º – HÁ 78 ANOS EM ALCOURIM! (17.11.2011) - 20

9º - AS ROMÃNZEIRAS – (22.07.2009) – 18

10º - A CRIAÇÃO DE GADO BOVINO – (26.06.2011) – 18


A ocupação do 1º lugar com uma postagem do 1º trimestre de 2010 surpreende principalmente pelo número alcançado, até agora nunca acontecido durante um mês.
O motivo para que tal tivesse acontecido, desconheço-o completamente.

Do Mês anterior só restaram dois, A MEDIDA DO TEMPO que passou da 6ª posição, para a 5ª, o que não nos surpreende visto aparecer quase sempre no top ten mensal e ALCOUTIM NECESSITA DE MAIORES ATENÇÕES (Ecos da Imprensa) que de 10º posição passou para a 4ª.

A nossa rubrica de Etnografia, com uma grande abrangência e interessados de todos os cantos do Mundo, está representada pela FORMA DAS FILHÓS DE ROSA que ocupa o 3º lugar.

Não deixa de ser curiosa a posição ocupada por PASSEIO PEDESTRE – QUINTA-FEIRA, 8 DE DEZEMBRO DE..2011, evento de que aqui demos notícia.

A nível de montes do concelho, além do MARMELEIRO temas aqui referência igualmente ao das FERRARIAS, freguesia de Vaqueiros.

AS ROMÃNZEIRAS, talvez por ser época delas, aparecem na 9ª posição e A CRIAÇÃO DO GADO BOVINO fecha o top ten.