quarta-feira, 20 de junho de 2012

A nossa hora de alegria

Pequena nota

Não sabemos se este poema tem a ver com a passagem do nosso 4º Aniversário, mas que se enquadra bem na efeméride parece-nos um facto.

O título ajusta-se bem à hora que escolhe para visitar quase diariamente o AL onde nada lhe passa despercebido, lendo-o de fio a pavio.

José Temudo que entrou recentemente no domínio das novas tecnologias já nos envia, como qualquer outro colaborador, a sua participação por e-mail.

Obrigado pelas palavras de estímulo que este “alcoutenejo pelo coração”, como ele próprio se denomina, teve a amabilidade de nos enviar.

JV


Poeta


José Temudo






Soltem-se os foguetes

e que cumpram a sua sorte.

Que subam nos ares,

que risquem a noite,

que silvem e estoirem na morte!

E que desçam sobre nós

feitos luz, formas e cores,

que espantem, que deslumbrem,

que façam esquecer mágoas e dores!

Soltem os foguetes, libertem a fantasia,

que esta é a nossa hora de alegria!


terça-feira, 19 de junho de 2012

Mais um ano!


4º ANIVERSÁRIO

É verdade, o ALCOUTIM LIVRE acaba de percorrer mais um ano! Já existe há quatro!

A APRESENTAÇÃO é feita no dia 19 de Junho de 2008.

Os propósitos que referimos para a sua criação continuam e continuarão a ser os mesmos.

Prometíamos colocar algo todas as semanas. Afinal, não tem sido bem assim, pois durante este já longo período quase que o temos feito diariamente e isto mesmo contra a nossa própria expectativa.

É que os números não deixam mentir, estão aí. 1126 posts! Média diária, 0,77.

Estamos presentemente a completar o 16º Volume, em formato A/5 e que vai ser concluído no fim do corrente mês.

Prezado visitante / leitor sabe quantas páginas já se escreveram? Foram só 5070!

Só, teria muita dificuldade em manter o ALCOUTIM LIVRE com esta dinâmica e versatilidade para não dizer que seria impossível.

Se assim não acontece, é devido totalmente aos nossos colaboradores. Ainda que haja uma base comum, a VERDADE e a LIBERDADE de expressar opinião, existe outra que é o GOSTO, a DEDICAÇÂO, o AMOR, chamem-lhe o que quiserem, que todos sentimos por ALCOUTIM E O SEU CONCELHO, sem procurar qualquer benesse.

Por outro lado, a maneira diferente que cada um tem de escrever e analisar os assuntos que aborda, constituem uma “riqueza” do blogue.

Continuamos a receber e-mails dos mais variados pontos do país e do mundo com diversas questões e a que procuramos responder. Notam-se, ultimamente, observações e solicitações mais de sentido técnico.

Os TEMAS a abordar têm sofrido alguns desmembramentos no sentido de tornar mais acessível aos visitantes os assuntos que pretendem.

Os dez com mais postagens até agora são os seguintes, aliás, como o próprio blogue indica:


1
Etnografia
107
2
Câmara Escura
105
3
Escaparate
97
4
Ecos da Imprensa
74
5
Especiais
56
“
Geral
56
7
Colaborador Gaspar Santos
55
8
Geral – Alcoutim
47
9
Figuras do Baixo Guadiana
39
10
Colaborador José Temudo
36

A nível de artigos especificamente procurados a relação até hoje é a seguinte

1
Alcoutim Livre, imparável
539
2
A Igreja do Espírito Santo, Matriz do Pereiro

465
3
Água-pé Alcoutim Livre
463
4
D. Fernando de Meneses, 1º Conde de Alcoutim

458
5
APROFIP – Associação de Produtores de Figo da Índia

442
6
Acreditar num futuro melhor
430
7
A charrua
407
8
A Capela de Santa Justa
396
9
O candeeiro a petróleo
395
10
Descrição da Vila de Alcoutim através dos tempos

379


No controlo feito às 24 horas do dia 18 obtivemos 83 411 visitas o que dá desde o início uma média diária de 57. No dia de hoje obtivemos 110.

Perguntar-nos-ão: Ainda não pensou acabar com o blogue? Certamente que sim e isso aconteceu mais do que uma vez, no entanto até agora não se concretizou, mas isto tem de acabar um dia.

Razões para termos pensado nisso? A principal, a falta de tempo para realizar outras coisas, incluindo no campo da escrita. Temos por aqui matéria para mais uns livrecos virem a público, mas onde está o tempo para isso se organizar?

Por outro lado os TEMAS vão-se esgotando. As notas monográficas sobre os Montes do Concelho estão feitas, ainda que pretendamos desanexar a que escrevemos sobre “os montes do rio”.

Se se vier a verificar – se o refluxo populacional como é antevisto por alguns, iremos ter repovoados os montes de Currais (Alcoutim), Portela, Silveira (Pereiro), Viçoso (Giões), Gagos, Berinjeira, Estrada (Martim Longo) e Galego, Pomar, Vale da Rosa, e Mesquita (Vaqueiros) entre outros, o que pode dar origem a uma nova abordagem.

São variadíssimos os montes que dentro de poucos anos ficarão totalmente despovoados. Há dois ou três, que nós saibamos, onde vive uma única pessoa! A grande maioria terão menos de 20 habitantes.

A rubrica Templos está esgotada. Falta-nos apenas referir, especificamente, os dois últimos construídos, a Capela de Nª Sª de Fátima no monte do Pessegueiro e a nova de Santa Marta, no monte do mesmo nome. Temos alguns elementos, mas faltam-nos outros que consideramos importantes e que, apesar de várias tentativas ainda não conseguimos obter.

As Figuras do Baixo Guadiana há muito que não têm movimento. Em relação a Alcoutim consideramo-la praticamente esgotada, pelo menos por agora e em relação aos conhecimentos que temos, contudo, os outros concelhos que englobam a região têm ainda muito para referir, mas para isso é necessário investigar, ter tempo para tal e onde.

Os TEMAS de carácter histórico estão a aproximar-se do fim no que respeita aos nossos conhecimentos. Não podemos inventar factos.

Dois filões que ainda têm muito para explorar são a Etnografia e a Câmara Escura. Não é a 400 km de distância que procuramos objectos, tiramos fotografias e recolhemos informação para depois peneirar e confrontar com o que já se encontra escrito.

Não temos nenhum colaborador que viva no concelho de Alcoutim que pudesse fazer parte desse trabalho, os que colaboram estão bem distantes! E estes, quando lhe falamos que o ALCOUTIM LIVRE está a chegar ao fim, não querem ouvir isso de maneira alguma, quase que ficam zangados!

AQUI FICA ESTA PEQUENA CONVERSA COM O VISITANTE / LEITOR FEITA COM TODO O REALISMO E SERENIDADE PARA QUE DE HOJE PARA AMANHÃ NÃO ESTRANHEM A NOTÍCIA. A RESISTÊNCIA CONTINUARÁ ATÉ TERMOS MEIOS.

Para terminar apresentamos uma pequena reportagem sobre a EFEMÉRIDE, muito restrita e em que fomos acompanhados pelos dois colaboradores geograficamente mais próximos, José Miguel Nunes e Fernando Lino.

Para apagar as velas foi necessária a ajuda da nossa neta que esperamos um dia venha a escrever algo sobre Alcoutim como têm feito o avô e o pai.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Candeia a petróleo

A sua utilização é posterior às que utilizavam como combustível o azeite, ainda que tivessem convivido por alguns anos.

Enquanto o azeite praticamente todos tinham, proveniente das azeitonas das suas oliveiras ou de rebusco (rabisco), o petróleo, mais caro, tinha que se comprar e o dinheiro muitas vezes não chegava para isso pois tinha outras prioridades.

Ainda que o princípio fosse o mesmo, uma combustão que provocava uma pequena chama, a torcida era mais comprimida, enrolava no fundo do depósito normalmente cilíndrico e de folha, introduzindo-se depois num cano estreito, igualmente de folha e que fica ao mesmo nível do depósito.

O petróleo colocado humedecia a torcida chegando à sua extremidade superior cuja ponta exterior se acendia.

À medida que o petróleo descia no depósito, a torcida ia-se queimando e de tempos a tempos, quando a “luz” era mais fraca, havia necessidade de cortar o borrão para a luz avivar e ao mesmo tempo puxava-se a torcida, diminuindo a que se encontrava no fundo do depósito.

O cheiro que a combustão causava não era nada agradável.

Este sistema evoluiu para o candeeiro a petróleo e mais tarde para o petromax.

domingo, 17 de junho de 2012

Lisboa - Paris por cinco contos de réis [4]




Escreve


Amílcar Felício 



Eram 3 horas da manhã.

Truz...truz... truz..., alguém batia bruscamente à porta do casebre. Armando, Faustino e os novos companheiros de viagem acordavam meio estremunhados e com algum nervosismo à mistura provocado pelo batuque, mas nem o barulho de uma pena se ouvia dentro daquele casebre bolorento! Apesar do sobressalto, calculavam que certamente seria a “rapariga” que os iria conduzir na travessia da fronteira como tinha sido combinado com o passador e leva-los até à primeira aldeia espanhola, para apanharem a camioneta para Ourense que partia às 6 horas da manhã. Espreitaram cautelosamente por uma fresta da porta.


Depois de desfeitas as dúvidas mas ainda antes de abrir a porta, perguntaram “quem é (?)” não fosse o Diabo tecê-las.

“Vá lá despachem-se, que ainda temos muito que palmilhar (!)”, responde uma voz feminina. Não havia qualquer dúvida de que era ela. Puseram-se em pé rapidamente, tiraram uma ou outra ramela que mal tinha tido tempo de se formar naquelas 2 ou 3 horas de sono e ficaram desde logo aperaltados e a rigor, prontos para a viagem, pois tinham dormido vestidos e a pouca “bagagem” nem sequer tinha saído do saco de plástico.

“Bom Dia (!)” disseram eles mal abriram a porta. “Bom Dia” responde a “rapariga” ao mesmo tempo que disparava apressada mais uma vez: “Vamos lá a despachar-nos que não temos muito tempo e se encontrarmos os Carabineiros pelo caminho, a gente não se conhece ouviram! Vocês têm que dizer que vão trabalhar para Ourense aonde já têm trabalho e como eu ia à aldeia, pediram-me se podiam ir comigo para apanhar a camioneta pois não conheciam o caminho”. E assim num ápice punha o rabinho de fora de qualquer responsabilidade...

 Já em marcha acelerada Armando aproximou-se discretamente da “rapariga” e perguntou-lhe: “conhece a nossa situação?”. “Eu cá não sei de nada, têm é que dizer se eles aparecerem, que a gente não se conhece e como vão trabalhar para Ourense pediram-me se podiam ir comigo até à aldeia para apanhar a camioneta”. Armando ainda insistiu mais uma vez, mas era como chover no molhado pois recebia sempre a mesma resposta “a gente não se conhece já lhe disse e vocês vão trabalhar para Ourense...” Não havia mais nada a fazer senão “pontapé para a frente e fé em Deus”, pelo menos para aqueles que acreditassem nos seus serviços.

Cidade de Ourense
 E lá seguiram entre rochedos, ribeiros e barrancos escarpados que mais pareciam os Caminhos do Inferno. Cai aqui levanta-te ali, lá se iam amparando como se fossem uma família unida por anos e anos de vida comum, mas que afinal o destino tinha juntado havia apenas algumas horas atrás e cujas passadas por aqueles caminhos escalavrados, iam destruindo uma solidão compacta e aterradora de dezenas de anos. Eram velhos trilhos de contrabandistas adormecidos, desactivados há décadas e que como um livro em branco e inócuo guardariam certamente, muito sofrimento, medo miudinho e aventuras dolorosas naquele seu silêncio impenetrável mas que levavam Armando a recordar, tantas e tantas estórias que tinham animado e extasiado os serões da sua infância.

Não encontrariam ninguém àquela hora da madrugada e assim chegaram à aldeia ao fim de quase 3 horas por caminhos tortuosos, que nem lembraria ao Diabo percorre-los. Fizeram a entrada na aldeia como se fossem actores de um filme de bandidos no Faroeste. A “rapariga” à frente a correr em ziguezague de esquina em esquina e os outros atrás dela em bichinha de pirilau à moda da tropa, lá se iam internando na povoação até avistarem finalmente o largo da aldeia aonde já se via a camioneta e algumas pessoas em redor. Misturaram-se com o povo na sua ânsia de passarem despercebidos e de não darem nas vistas. A “rapariga” levaria sumiço pouco depois desaparecendo para sempre, possivelmente depois de ter falado com o cobrador.
Eis que chega um Carabineiro, colocando-se atrás da pequena multidão e provocando naturalmente algum mal estar entre Armando e os companheiros. Quando Armando punha o pé no primeiro degrau da camioneta para subir, ouve alguém gritar: “mira usted, llega aqui hombre!”. Armando olha para trás e vê o Carabineiro com o dedo apontado na sua direcção e lá vai com o rabinho entre as pernas ao pé dele já com a cabeça a pensar em espanhol “porqué yo me cago en Diós (?)” aparentando uma calma que na realidade não existia.“Qué pasa hombre” pergunta-lhe Armando tomando a iniciativa para mostrar alguma tranquilidade e puxando do mais fundo das entranhas pelo seu melhor espanhol “coño”. “Entonces y para donde vás mira?” pergunta-lhe o Carabineiro ao que ele responde: “pués mira, voy a trabajar para Ourense y hasta ya tengo trabajo hostia” . “Entonces sigue y que tengas suerte!” retorquiu o Carabineiro. “Gracias Señor” responde-lhe Armando subindo sorrateiro para a camioneta.

 O Carabineiro entraria também para a camioneta indo colocar-se estrategicamente atrás de Armando e Faustino o que não lhes dava nenhuma tranquilidade. Mas tratava-se de pura coincidência de viagem, pois nada de mal viria a acontecer ficando por esclarecer para sempre, se também ele pertenceria à organização e aquele “voy a trabajar para Ourense” não seria afinal a senha da passagem para a liberdade!

Mal a camioneta se pôs em marcha a Senhora que a eles se tinha juntado na noite anterior, parecia outra mulher mais solta e descontraída transpirando uma liberdade no olhar e nas palavras, que ainda não se lhe tinha visto. Com o seu instinto maternal perguntava insistente e descontraidamente para Armando “não querem também um bocadinho de pão com chouriço (?), vá comam lá que já devem estar com fome”! Armando arrepiado abanava a cabeça que não, pois falar português naquele contexto era dar muito nas vistas, ainda por cima com o Carabineiro mesmo ali atrás dele e sabia-se lá quem mais andaria por ali... Mas a Senhora não desistia da oferta: “vá comam lá, que já devem estar com fome...” Aí Armando lá agarrou na bucha para acabar o diálogo o mais rapidamente possível, mas o que tinha mesmo era ganas de lhe apertar o pipo para ver se o raio da mulher se calava de vez.

Mas a viagem correria paulatinamente. O cobrador na sua azáfama habitual lá ia de passageiro em passageiro fazendo o seu serviço de cobrança rotineira. Quando passava por Armando e pelos companheiros de viagem parecia que nem os via e nem lhes dirigiu uma palavra sequer. Este compadrio e conivência descarada transmitia uma enorme confiança a Armando, que começava a sentir-se seguro no meio daquela organização invisível. Pensava para os seus botões: “mas como é possível gerar uma engrenagem destas tão certinha e desta dimensão internacional à luz do dia nas barbas de toda a gente e que nem ele próprio percebia muito bem os contornos? Caramba quando um povo quer, ninguém o consegue vergar!”

E lá chegaram ao terminal de camionagem em Ourense sem qualquer incidente de percurso. Mal saíram da camioneta alguém se lhes dirigiu dando-lhes uma trouxa a cada um com umas sandes e informando-os de que a camioneta para Paris sairia dali às 17 horas certas. E por ali continuaram fumando uns cigarros e fazendo horas não fosse haver alguma alteração de percurso, pois sabiam que haveria sempre por ali algum Anjo da Guarda qualquer que olhava por eles e que os informaria de uma eventual mudança.

Sem atrasos de maior às 17 horas Armando e Faustino entravam para a camioneta e estavam de partida para o seu último percurso da viagem. Era uma camioneta cheia de portugueses e espanhóis, gente que ia à procura de uma vida melhor certamente e que quer Portugal quer Espanha não conseguiam proporcionar-lhes. Confraternizariam pelo caminho durante toda a viagem, bebendo e comendo solidariamente até chegarem à fronteira com a França.

Chegados à fronteira com a França pararam, recebendo ordens do condutor para ninguém sair dos seus lugares pois ele ia tratar dos papéis com os franceses. Armando e Faustino desconheciam completamente de que papéis se tratavam, pois não lhes tinha sido pedido nenhuma documentação que aliás não tinham, exceptuando o Bilhete de Identidade, mas aguardaram serenamente. Pouco depois o condutor lá voltaria novamente dizendo que tudo estava ordem e que iam seguir viagem. E assim aconteceu. Por terras de França lá iam palmilhando pela calada da noite quilómetros e mais quilómetros direitos a Paris.
Paris
Chegariam a Paris ao princípio da noite seguinte. Armando tinha uma imagem idílica e livresca da Cidade Luz talvez porque a cultura francesa fosse dominante na altura mas afinal, tudo lhe pareceria normal à chegada. Até os abutres de que se ouvia falar, especializados em aproveitar-se das fraquezas dos próprios compatriotas que procuravam a sorte por terras de França, por ali andavam aos magotes à caça dos incautos. “Já tens trabalho (?), já tens aonde ficar e dormir (?), vá lá que eu posso “ajudar-te” (!)” tudo servia para fazer negócio e aproveitar-se dos que fugiam à miséria salazarista. Armando e Faustino desenrascavam-se bem e lá iam de abutre em abutre dizendo que já tinham tudo programado, que não precisavam de “ajuda”.

Despediram-se calorosamente dos companheiros de viagem que com as trouxas às costas e as malas de cartão cheias de esperança para ali se deslocavam em busca de uma vida com dignidade. Estava-lhes destinado para a maior parte deles certamente, mendigar trabalho de obra em obra e habitar um qualquer bairro de lata superlotado dos arredores de Paris. Armando e Faustino sentiam uma profunda frustração e revolta ao mesmo tempo, por ver aqueles que tudo produzem, sujeitos a tanta humilhação de tarecos às costas e entregues a todos os despotismos a que os mais fracos ficam sempre sujeitos.

Mas a vida tinha que continuar e lá foram calcorreando de rua em rua às apalpadelas à procura de uma pensão rasca, pois os tostões na algibeira eram escassos. De pensão em pensão lá foram andando até encontrarem uma, cujo preço lhes pareceu ajustado aos tostões que tinham no bolso e que tinham que fazer esticar. A primeira coisa que fizeram foi tomar banho e até se sentiam uns Senhores depois do dito. Há muito que não se sentiam tão confortados, tão descontraídos na vida e de bem com a sua consciência.

Com quase nada na algibeira e outro tanto na carteira, nem ninguém de quem se socorrer para fazer frente à vida no dia seguinte, Armando sentia em vez de uma natural insegurança, uma estranha sensação de liberdade como nunca tinha sentido até então. Sentia-se como uma andorinha à solta sem amarras de qualquer espécie e até lhe parecia que o mundo era todo seu.

Já na cama da pensão e na verdura dos seus vinte e poucos anos Armando perguntava para os seus botões: “será afinal por causa das ‘coisas’ e do poder que elas dão que os homens não se entendem, acabando alguns por ser escravos das próprias ‘coisas’ e até de si próprios e outros obrigados a emigrar, apenas para ganhar o pão nosso de cada dia? E se as ‘coisas’fossem de todos e não fossem de ninguém ao mesmo tempo, como é que seria”? No meio destas dúvidas e perguntas e exausto depois de três dias intensos, caiu que nem uma pedra numa cama que lhe parecia francamente de Rei, dormindo que nem um Anjo o seu merecido sono dos justos!

(CONTINUA)

sábado, 16 de junho de 2012

Novamente no Cais mas 34 anos depois!


Talvez a foto da última Câmara Escura tenha feito aparecer esta que estava escondida algures e que nós desconhecíamos completamente.

Foi-nos facultada pelo nosso colaborador José Miguel Nunes e tirada em Setembro de 1985, na altura do lançamento do livro Alcoutim, capital do nordeste Algarve, subsídios para uma monografia, por isso, vai fazer 27 anos!

O grupo de adolescentes de agora que nada tem a ver com os da anterior fotografia, a não ser o local onde foi tirada, hoje com outra maturidade e a maioria já pais, alguns com filhos crescidos.

Em 1951 seria um escândalo as “moças” aparecerem em fato de banho! Não sebemos se não seriam chamadas ao Posto da GNR, ou elas ou os pais!

Não identificámos ninguém, ainda que os conheçamos todos ou quase todos. Segundo a informação, da esquerda para a direita, Luís Canelas, Vítor, Dina Pereira, Paula Pereira, Alfredo (deitado). Estão presentes ainda Sandra Fernandes, Manuela, Sónia Fernandes (*) e Teixeirinha, além de quem facultou a fotografia.

(*) Fernandes, vulgo Pandareta.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Corografia do Algarve



 
Corografia ou Memória Económica, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve é o título que tem este valiosíssimo trabalho que sinteticamente é conhecido e referido como Corografia do Algarve.

Ninguém que queira debruçar-se sobre este antigo Reino, depois Província do Algarve e hoje, genericamente, Algarve pode deixar de o conhecer.

Trabalho de folgo, a edição que possuímos facsimilada é datada de 1988 e comporta dois volumes, sendo o número total de páginas 528 acrescentando-se ainda grande número de anexos indispensáveis para o conhecimento da região. É da responsabilidade de Algarve em Foco – Editora.

A obra original de João Baptista da Silva Lopes é datada de 1841 (Lisboa, na Tipografia da Real Academia das Ciências de Lisboa). É dividida em seis capítulos assim classificados: Narração Histórica e Descritiva, Administração Pública, Pescarias, Cultura e Produções da Terra, Topografia e por último Catálogo dos Naturais do Algarve que se têm feito ilustres por seus Feitos, Artes, Ciências e Virtudes.

Constitui um manancial de informação onde, por mais leituras que façamos, encontramos sempre coisas novas que nos tinham passado numa outra leitura, pelo menos, é assim que acontece connosco.

Não vamos escalpelizar o conteúdo da obra, para nós impensável realizar, diremos contudo, que constam todos os concelhos e freguesias então existentes no Algarve, iniciando-se no Algarve Ocidental (Aljezur) e terminando no Oriental (Alcoutim) tendo-lhe sido destinadas 8 páginas, contudo, aparecem variadíssimas referências ao concelho quando se abordam assuntos específicos.

Silva Lopes ou Baptista Lopes, como habitualmente é designado, nasceu em Lagos e perfilhou as ideias liberais pelo que esteve preso na Torre de S. Julião da Barra.

Bacharel em Leis, exerceu a advocacia na sua cidade natal onde, igualmente, foi presidente da Câmara.

Tivemos conhecimento da existência deste trabalho em inícios da década de setenta do século passado e não descansámos enquanto não o consultámos na Biblioteca Municipal de Faro, onde de 15 em 15 dias ocupávamos as manhãs. Os apontamentos tinham de ser tirados à mão! Bons tempos!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A pesca no Guadiana em Alcoutim

Pequena nota

Este texto vai fazer em breve trinta e cinco anos de publicação.

Traduz o que então consegui reunir sobre a temática, por alguma leitura nesse sentido, efectuada nas poucas saídas a locais onde existiam bibliotecas, pela minha própria observação e pelas indispensáveis informações prestadas por pescadores, nomeadamente, Francisco António João, vulgo Chico Balbino, retirado da actividade depois de ter estado emigrado na Alemanha. Era muito habilidoso e depois do regresso ainda construiu, praticamente sozinho, um interessante barco.

As coisas hoje são muito diferentes, mantendo-se como não podia deixar de ser os elementos base.

Muito menos gente dedicada à pesca, a arte de colher está completamente extinta, quando a conheci, era ainda bem activa, a diminuição do peixe provocado por factores adversos tendo desaparecido a ligação pescador / arrieiro.

Nos últimos anos tenho sentido bastante dificuldade em encontrar muge de Alcoutim e quando isso acontece, é uma festa!

O artigo que foi publicado na primeira página do jornal com seguimento, naturalmente numa interior foi ilustrado por uma fotografia que acompanhava quase todos os artigos que ia publicando e que se tratava de uma zincogravura que fazia parte do arquivo do jornal. Nesse tempo, ainda era
assim!

Aqui fica este texto, que penso, continua a ter algum interesse a sua leitura.

JV


(PUBLICADO NO JORNAL DO ALGARVE DE 30 DE SETEMBRO DE 1977)

O Guadiana, Alcoutim e Sanlúcar. Foto JV, 2011

É a pesca uma actividade que prendeu e prende o homem da região alcoutinense.

Com o Guadiana a seus pés, riquíssimo em variadíssimas espécies de peixe, tais como: muge ou mugem, barbo, eiró, sável, saboga e por vezes robalo, toda a zona fluvial mantém interesse pela pesca, com relevo para “os montes do rio”, designação local que engloba os povoados de Montinho, Laranjeiras, Guerreiros do Rio e Álamo.

Gasómetro
Nos afluentes (ribeiras), aparecem a saboga e a lampreia, apreciado ciclóstomo.

Ainda que em pequeno número, o alcoutinense tem-se dedicado à pesca, fazendo dela o seu modo de vida. Raros são, assim, os habitantes da zona que não conhecem rudimentos da arte de pescar, e fazem-no por divertimento.

São várias as maneiras que o pescador utiliza para apanhar o peixe.

Fisga
A pesca ao candeio, caída em desuso, já é referida por Baptista Lopes na sua Corografia do Algarve (1841). Efectuada à noite, com o auxílio da lancha, um dos pescadores vai remando e o outro, colocado à proa, mune-se do candeio (utilizava-se um gasómetro) e da fisga, espécie de arpão normalmente com dez dentes. Devido à luz, o muge aproxima-se e o pescador com um golpe ágil, ferra-o. Falta dizer que na extremidade dos dentes da fisga, situa-se uma espécie de anzol para evitar que o peixe se solte.

É o muge o único que vem ao candeio e este género de pesca praticava-se a partir de S. João, até Outubro.
A pesca à colher é outro tipo de pesca muito característico do pescador do Guadiana. Basta um homem para praticar tal arte. A lancha, apetrechada com a colher que consiste em duas varas bastante compridas que formam entre si um ângulo agudo, coberto por rede, onde se colocam chumbadas, dirige-se para a margem, indo fazer aquilo que o homem do rio chama, “pescar contra a terra”.

Barco armado de colher. Foto JV, 1973
A colher, colocada à ré, afunda-se pelo manejo do pescador que vai remando em direcção à margem. Próximo dela, atira pedras ora para a direita, ora para a esquerda, ora para a frente, tentando a junção do peixe sobre a rede que, quando muito próxima da margem, é levantada. Na rede, formando saco, encontra-se o peixe saltitando.

O mesmo sistema é utilizado, com poucas variantes, para pescar “ao meio da água”, aproveitando as correntes.

Pescar ao tresmalho, parece que foi sistema trazido por pescadores do Vouga que para Alcoutim teriam vindo em tempos não muito recuados, na expectativa de melhores pescarias. O tresmalho é uma rede de três panos, sendo o do meio de malha mais cerrada. É fabricada pelos pescadores com linha número trinta, mas ultimamente utilizam fio de naylon.

Pescando a “alematar”, na linguagem do pescador, dois homens vão de lancha fundear as redes que se prendem pelas extremidades a duas fateixas. A rede estende com o peso das chumbadas e os pescadores regressam. Passadas uma ou duas marés, vão levantá-las.

Com o mesmo tipo de rede, mas agora com seis panos e dois barcos, um de cada lado, vão fazendo o cerco ao peixe, batendo com os remos na água e assim provocando a sua junção. Utiliza-se este género de pesca para aproveitar o “peixe de entrada” O Verão é a época mais propícia para a sua prática.

Outras artes são utilizadas pelo pescador do Guadiana.

Covo
O covo é uma espécie de cesto comprido, feito de verga e com duas entradas. Colocado junto à margem e a ela preso, é iscado com tremoço e destina-se ao barbo. Pratica-se mais no Inverno.

A nassa é uma espécie de cesto de forma afunilada, feito de arame, com uma única entrada e que se destina à eiró. Iscado com sardinha utiliza-se em toda a época.

O palangre consiste num fio a que chamam madre e ao qual se prende, de espaço a espaço, outros fios curtos em cujas extremidades se colocam anzóis. Estes fios tomam o nome de “braceladas”. Nos extremos da madre, colocam-se pedras, que deverão assentar no fundo do rio. Espaçadamente, colocam-se mais pedras para o fio não levantar, arqueando. Duas bóias indicam a posição da arte.

O palangre é transportado na banastra, tipo de peneira sem fundo, onde se enrola a “madre” e se fixam os anzóis. Este tipo de pesca utiliza-se todo o ano. Para o barbo, isca-se com figos secos, minhoca, camarão, batata frita ou “porca-sara”. Para a eiró utiliza-se a sardinha, camarão e minhoca.
Barcos de pesca junto ao cais velho. Foto JV, 1973
 O tapa-esteiro era outra maneira de pescar que caiu completamente em desuso. Como o nome indica, a entrada da ribeira era tapada com uma rede munida, na extremidade, de chumbadas, para que ficasse estendida. Depois do baixar da maré, os pescadores entravam na ribeira com “rodiscas” (arco circundado de rede, em tipo de funil e com um cabo, normalmente de cana, chegando-lhe a água até à cintura.

Apanhavam assim o peixe, uma vez que a água existente era relativamente pouca e a passagem para o rio estava vedada. Esta arte é agora proibida.

Presentemente, os sistemas mais utilizados são o tresmalho, palangre e a colher, este nos “montes do rio”.

O pescador do Guadiana considera o muge de três espécies: o muge propriamente dito, o saltor, de cabeça mais arredondada e que salta com frequência e daí o nome e o negrão, pela cor escura. Pesca-se com mais frequência no Verão.

Para o barbo, que chega a atingir oito e mais quilos, enguia e boga, é o Inverno a época mais propícia, aparecendo o sável e a saboga nos meses de Fevereiro e Março.

A Primavera oferece-nos a saborosa lampreia.

Ultimamente têm aparecido alguns exemplares de trutas, carpas, achigãs e solhos.

O pescador tem normalmente um contracto celebrado com o arrieiro a quem unicamente vende o peixe e este compromete-se a comprar-lhe todo o que apanhar.

Arrieiro é o homem que conduz bestas de carga e daí a manter-se ainda essa designação, pois seria este o processo utilizado para o transporte e venda pelo concelho e vizinhos. Com a evolução natural, as alimárias foram substituídas pelas bicicletas a pedal, depois por motorizadas e presentemente mesmo por furgonetas que se deslocam a grande distância.

Muge
O muge de Alcoutim tem fama em todo o litoral algarvio e os vendedores nos mercados apregoam e chamam com frequência a atenção dos compradores, dizendo que aquele é de Alcoutim, o que origina mais vezes a compra devido à garantia apresentada.

A transacção do peixe, do pescador para o arrieiro, faz por pesadas de três quilos, feitas com muita corrente e que são contadas por exemplares que se colocam num monte à parte, para no fim se contarem. Este peixe pertence também ao arrieiro.

Em determinadas épocas a abundância de muge é tanta que os pescadores não pescam mais por haver dificuldades em o colocar.

Actualmente atravessam uma crise de tal ordem que obrigou ao afastamento temporário de pescadores para outras actividades.

Os pescadores do Guadiana têm como principais pontos de pescas, Mértola, Pomarão, Penha de Águia, Alcoutim, Laranjeiras, Guerreiros do Rio, Álamo e Foz de Odeleite.

Muito recentemente, começaram a utilizar nas lanchas pequenos motores fora de borda, para as deslocações, por vezes longas, se tornarem mais rápidas e menos trabalhosas.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Esquila


Foi mais um termo que aprendi no concelho de Alcoutim e não há muitos anos.

Omisso em vários dicionários da Língua Portuguesa que consultei, aparece-me no “Dicionário Editora” de Almeida Costa e Sampaio e Melo, 5ª Edição, 1977 e tendo como um dos significados, pequeno chocalho, precisamente o que já conhecia.

No Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea – Academia das Ciências de Lisboa – Verbo, 2001, é apresentado com o mesmo significado e como um regionalismo próprio do Alentejo.

Não admira que o Dicionário do falar Algarvio, de Eduardo Brazão Gonçalves, 1ª Edição, 1988 o traga com o mesmo significado. É óbvio que assim aconteça, pois o Baixo Alentejo confina com o Algarve e daí a troca de muitos termos e até alguns usos e tradições, principalmente com a Serra Algarvia que quando vai ao Litoral diz que vai ao “Algarve”.

A configuração da esquila assemelha-se mais a um sino do que a um chocalho, pois a “boca” é mais larga que a parte restante, enquanto no chocalho, é de uma maneira geral igual ou mais estreita.

A liga do material de que é feito também é diferente da utilizada nos chocalhos.

As esquilas que são, de uma maneira geral, de pequenas dimensões, utilizam-se em animais de menor corporatura como o gado caprino ou ovino e nos guias. O seu toque característico identifica o local onde se encontram.

Enquanto nos chocalhos os badalos constituem normalmente peças de madeira (azinho), aqui são redondos e do mesmo metal.

Os pescadores à linha em Alcoutim utilizavam-na presa a um arame dando assim sinal ao pescador, quando o peixe picava.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Afonso Vicente foi um grande "monte" da freguesia de Alcoutim [20]


DEMOGRAFIA - NASCIMENTOS ENTRE 1860/1870


O período em análise não foi uma opção mas sim a possibilidade de compilar estes dados e igualmente os de óbitos e casamentos verificados durante um mesmo período, no caso, onze anos.

No seu conjunto verificaram-se 75 nascimentos sendo 45 do sexo masculino e 30 do feminino o que se traduz em 60% do sexo masculino, por isso, mais 20% do que do feminino.

 Pelo gráfico apresentado, verifica-se, no conjunto dos anos, tendência para uma subida, ainda que se verifiquem dois picos, 1864 e 1867, e duas descidas acentuadas em 1865 e 1868.

Neste período, a média anual de nascimentos cifrou-se em 6,81 e mensal de 0,56. A grosso modo, podemos dizer que nascia em Afonso Vicente uma criança, mês sim mês não.

A nível de antropónimos três nomes se destacam completamente ou seja MANUEL (14), ANTÓNIO (14) e JOSÉ com (10). Aplicados uma vez aparecem Francisco, Custódio, Domingos, Sebastião, Diogo, Faustino e Vicente.



O destaque não causa admiração, visto tratar-se de três nomes bem típicos dos portugueses. Quando se faz pesquisa, quem procura encontrar alguém com um destes três nomes, a tarefa e dificuldade aumentam consideravelmente.

Nos nomes femininos há dois destaques, um para MARIA aplicado 13 vezes e o outro para CUSTÓDIA, (9) que aqui foi e ainda é nas pessoas mais idosas muito vulgar.

Isabel e Catarina aparecem 2 vezes, sendo nomes muito arreigados a estas gentes. Individualmente Teresa, Serafina, Rita e Rosalia.

Nós só conheciamos Rosália, mas aqui deparou-se-nos Rosália, pois foi sempre assim que ouvimos pronunciar ou seja com [a] fechado.

Como nomes de família aparecem Lourenço, Madeira, Cavaco, Martins, Afonso, Horta, Gonçalves, Revez, Bento, Marques, Palma, Gomes, Costa, Ruivo, Ribeiros e Dias, entre outros.

Alguns deles podem-se, facilmente, encontrar em famílias que não vivendo lá continuam mais ou menos ligadas à pequena povoação onde mantêm casas de família muitas delas restauradas.

Nos assentos de baptismo, em muitos casos, não aparecem referidas as profissões dos pais, mas quando acontece, as mesmas estão ligadas à vida campesina como lavradores e jornaleiros. Aparecem igualmente pastores, moleiros e alfaiates.

Em relação às mães, além das lavradoras e jornaleiras, são referidas tecedeiras e fiadeiras.

Apresentamos, seguidamente, um quadro com a relação dos principais elementos recolhidos.

1860
Assento 22 Fev.
Nascim. 17 Fev.
FAUSTINA
De Manuel Braz, pastor e de Francisca Lourenço.
Avós paternos – Manuel Braz e Catarina Afonso
Avós maternos – Manuel Lourenço e Maria Rosa
Assento 28.Fev.
Nascim. 25.Fev
MARIA
De Manuel Madeira, lavrador e Domingas Custódia
Avós paternos Lourenço Madeira e Maria Martins
Avós maternos – Manuel Vicente e Custódia Candeias, dos Tacões
Assento 08.Abr.
Nascim. 13.Abr.
TERESA
De Manuel Cavaco, jornaleiro e de Maria Teresa
Avós paternos – Francisco Cavaco e Bárbara Mestre
Avós maternos – José da Palma e Teresa da Joana
Assento 08.Ago.
Nascim. 06.Ago
MANUEL
De José Martins, pastor e de Felícia Martins
Avós paternos – Francisco Martins e Juliana Rita, da Mesquita
Avós maternos – José Martins e Maria Inês, de Afonso Vicente
Assento 19.Ago
Nascim. 12,Ago.
CUSTÓDIA
De André Teodoro, moleiro e de Maria Afonso
Avós paternos – André Lourenço e Maria das Dores
Avós maternos – Sebastião Martins e Ana Afonso todos de Afonso Vicente.
1861
Assento 27 Jan.
Nascim. 22 Jan.
ANTÓNIO
De Manuel d `Horta, jornaleiro e de Francisca Antónia
Avós paternos – José d ´Horta e Maria Clara
Avós maternos – João Gonçalves e Maria Antónia
Assento 17 Mar.
Nascim. 11 Mar.
MARIA
De Manuel Simão, jornaleiro e de Francisca Cavaca
Avós paternos – Simão Lourenço e Maria Vicente
Avós maternos – João Cavaco e Antónia Rosa.
Assento 31.Mar.
Nascim. 29 Mar
JOSÉ
De Brás Gonçalves, lavrador e de Ana Gonçalves
Avós paternos – Francisco da Costa e Helena Mestra
Avós maternos – António Gomes e Maria Gonçalves
Assento 14 Abr.
Nascim. 08.Abr.
MANUEL
De Francisco Lourenço, jornaleiro e de Narcisa Rodrigues
Avós paternos – José Afonso e Antónia Lourenço
Avós maternos – Domingos Pereira e Catarina Rodrigues
Assento 15 Abr.
Nascim. 12.Abr.
JOSÉ
De Manuel Revez, jornaleiro e de Maria Gomes
Avós paternos – José Revez e Isabel Rodrigues
Avós maternos – incógnitos e Laurência Gomes
1862
Assento 18.Fev.
Nascim. 15.Fev.
MARIA
De Manuel d `Horta, jornaleiro e de Francisca Antónia
Avós paternos – José d `Horta e Maria Clara
Avós maternos – João Gonçalves e Maria Antónia
Assento 06.Abr.
Nascim. 31.Març
ISABEL
De André Teodoro e de Maria Afonso
Avós paternos – André Lourenço e Maria Lourenço
Avós maternos – Sebastião Martins e Ana Afonso
Assento 24 Jun.
Nascim. 19.Jun.
ANTÓNIO
De Bartolomeu Palma, jornaleiro e de Isabel Martins
Avós paternos – Joaquim da Palma e Domingas da Palma
Avós maternos – Manuel Martins e Domingas da Palma
Assento 10 Out.
Nascim. 25 Set.
MANUEL
De Manuel Nunes, lavrador e de Ana Ribeiros, do Pereiro
Avós paternos – Manuel Nunes e Margarida Pereira
Avós maternos – Manuel Rodrigues e Joana da Palma
Assento 08 Dez.
Nascim. 05.Dez.
ANTÓNIO
De José Martins, jornaleiro e de Felícia Martins
Avós paternos – Francisco Martins e Juliana Rita
Avós Maternos – José Martins e Maria Inês
Assento 02. Jan.
Nascim. 25 Dez.
ANTÓNIO
De Maria da Palma (filho natural)
Avós paternos – incógnitos
Avós maternos – António da Palma e Ana Lourenço
Assento 02.Jan.
Nascim. 25 Dez.
CUSTÓDIA
De Francisco Bento, alfaiate e de Romana Teresa
Avós paternos – Bento Pereira e Maria Gomes
Avós maternos – José da Palma e Teresa Marques
1863
Assento 16 Mar.
Nascim. 09.Mar.
MARIA
De Manuel Cavaco, jornaleiro e Maria Marques
Avós paternos – João Cavaco e Francisca Gonçalves
Avós maternos – Francisco Fernandes e Maria Marques
Assento 22 Mar.
Nascim. 15.Mar
SERAFINA
De Maria dos Santos (filha natural)
Avós paternos – incógnitos
Avós maternos – António Gonçalves e Maria dos Santos
Assento 19 Abr.
Nascim. 11.Abr.
ANTÓNIO
De José Rodrigues, lavrador e de Catarina Custódia
Avós paternos – Manuel Rodrigues e Custódia Maria
Avós maternos – Manuel Sebastião e Custódia da Palma
Assento 20 Jun.
Nascim. 13 Jun.
CUSTÓDIA
De Manuel Simão, jornaleiro e Francisca Cavaco
Avós paternos – Simão Lourenço e Maria Vicente
Avós maternos – João cavaco e Antónia Rosa
Assento 26 Jul.
Nascim. 14. Jul.
MANUEL
De José António, jornaleiro e Maria Antónia
Avós paternos – António Gonçalves e Maria Rosa
Avós maternos – António Olino e Maria Antónia
Assento 26 Jul.
Nascim. 19 Jul.
ANTÓNIO
De Manuel Lourenço e de Isabel Constança
Avós paternos – Manuel Lourenço e Maria Rodrigues
Avós maternos – José Pereira e Maria Constança
Assento 15 Nov.
Nascim. 03.Nov.
ANTÓNIO
De José Lourenço, lavrador e de Maria Gomes
Avós paternos – Lourenço Dias e Catarina Pereira
Avós maternos – Manuel Gomes e Maria costa
1864
Assento 06.Març
Nascim.03.Març
MARIA
De António Gonçalves, jornaleiro e Francisca Cavaca
Avós paternos – João Gonçalves e Antónia Afonso
Avós maternos – Brás Afonso e Ana Cavaca
Assento 31 Mar.
Nascim. 26 Mar.
CUSTÓDIA
De João Lourenço, jornaleiro e Ludovina Antónia
Avós paternos – Manuel Lourenço e Maria Rodrigues
Avós maternos – João Gonçalves e Maria Antónia
Assento 19 Jun.
Nascim. 13.Jun
RITA
De Manuel Gonçalves, lavrador e de Joaquina da Palma
Avós paternos – João Gonçalves e Antónia Afonso
Avós maternos – Joaquim da Palma e Domingas da Palma.
Assento 31 Jul.
Nascim. 28 Jul.
JOSÉ
De Manuel d `Horta e de Francisca Afonso
Avós paternos – José d `Horta e Maria Clara
Avós maternos – João Gonçalves e Maria Antónia
Assento 27 Set.
Nascim. 22 Set.
CATARINA
De Frederico Costa, lavrador e de Brázia do Nascimento
Avós paternos – Francisco da Costa e de Helena Mestra
Avós maternos – Manuel Nunes e Maria Pereira
Assento 24 Set.
Nascim. 02.Out.
CATARINA
De Manuel Cavaco, jornaleiro e de Maria Teresa
Avós paternos – Francisco Cavaco e Bárbara Mestra
Avós maternos – José da Palma e Teresa de Jesus
Assento 23.Out.
Nascim. 14 Out.
ANTÓNIO
De José Lourenço, lavrador e de Maria Gomes
Avós paternos – Lourenço Dias e Catarina Pereira
Avós maternos – Manuel Gomes e Maria Costa
Assento 28 Out.
Nascim. 06.Nov.
JOSÉ
De José Martins Gato, jornaleiro e Felícia Martins
Avós paternos – Francisco Martins e Juliana Maria
Avós maternos – José Martins e Maria Inês
Assento 06 Nov.
Nascim. 02.Nov.
SEBASTIÃO
De Manuel Nunes, lavrador e de Ana Ribeiros
Avós paternos – Manuel Nunes e Margarida Pereira
Avós maternos – Manuel Ribeiros e Joana da Palma
1865
Assento 18 Jan
Nascim      ?
ANTÓNIO
De José Ruivo, solteiro, soldado e de Maria dos Santos, solteira
Avós paternos – incógnitos
Avós maternos – António Gonçalves e Maria dos Santos
Assento  28 Jun.
Nascim.       ?
FRANCISCO
De Manuel da Palma, lavrador e de Maria Afonso
Avós paternos – José da Palma e Joaquina Pereira
Avós maternos de Francisco Lourenço Góis e Maria Afonso
Assento 02 Out.
Nascim.      ?
MARIA
De Manuel Lourenço, jornaleiro e de Isabel Constança
Avós paternos – Manuel Lourenço e Maria Dias
Avós maternos José Pereira e Maria Constança
Assento 30 Dez-
Nascim.     ?
MANUEL
De Francisco Bento, alfaiate e de Romana Teresa
Avós paternos – Bento Pereira e Maria Gomes
Avós maternos – José da Palma e Teresa Marques
Assento 30 Dez.
Nascim.      ?
VICENTE
Gémeo com o anterior
1866
Assento 18 Fev.
Nascim. 10 Fev.
DIOGO
De José Lourenço, lavrador e de Maria Gomes
Avós paternos – Lourenço Dias e Catarina Pereira
Avós maternos – Manuel Gomes Costa
Assento 25 Mar.
Nascim. 17 Març
CUSTÓDIA
De Manuel Madeira, lavrador e de Maria Antónia
Avós paternos – Manuel Madeira e Maria Domingas
Avós maternos – João Gonçalves e António Afonso.
Assento 22 Abr.
Nascim. 15.Abr.
ANTÓNIO
De Manuel d `Horta, jornaleiro e Francisca Antónia
Avós paternos – José d `Horta e Maria Clara
Avós maternos – José Gonçalves e Maria Antónia
Assento 12.Mai.
Nascim. 05.Mai.

ANTÓNIO
De João António, jornaleiro e de Maria Antónia
Avós paternos – António Gonçalves e Maria Rosa
Avós maternos – António Olino e Maria Antónia
Assento 27 Mai.
Nascim. 21 Mai.
CUSTÓDIA
De Frederico da Costa, lavrador e Brázia do Nascimento
Avós paternos – Francisco da Costa e Helena Mestre
Avós maternos – Manuel Nunes e Margarida Pereira
Assento 01 Jul
Nascim. 25 Jun
ANTÓNIO
De António Gonçalves, jornaleiro e Francisca Cavaca
Avós paternos – João Gonçalves e Antónia Afonso
Avós maternos – Braz Gonçalves e Catarina Cavaca
Assento 01.Ago
Nascim. 25 Jul.
MARIA
De Manuel Revez, jornaleiro e de Maria Laurência
Avós paternos – José Revez e Isabel Brázia
Avós maternos incógnito e de Laurência Gomes
Assento 25 Nov.
Nascim. 20.Nov.
MANUEL
De Manuel da Costa, lavrador e Maria Dias
Avós paternos – Manuel Gomes e Maria Costa
Avós maternos – Manuel Dias e Maria Costa
1867
Assento 22.Fev.
Nascim. 21 Fev.
MANUEL
De António Cavaco e de Ludivina Antónia
Avós paternos – Francisco Cavaco e Bárbara Gomes
Avós maternos – António da Costa e Maria dos Santos
Assento 12.Mar.
Nascim. 05.Mar.
DOMINGAS
De Bento da Palma, jornaleiro e Isabel Domingas
Avós paternos – Joaquim da Palma e Domingas da Palma
Avós maternos – Manuel Martins e Domingas Costa
Assento 02. Mai.
Nascim. 22.Mar.
MARIA
De Vicente Francisco, jornaleiro e Maria Fernandes
Avós paternos – Francisco Vicente e Antónia Pereira
Avós maternos Bento Pereira e Maria Fernandes
Assento 30 Mai.
Nascim 25 Maio.
MARIA
De José Martins e de Gertrudes Maria
Avós paternos – Manuel António e Maria Martins
Avós maternos – Francisco Fernandes e Maria Marques
Assento 07 Jul.
Nascim 03 Jul.
JOSÉ
De André Teodoro, moleiro, natural de Sanlúcar e de Maria Afonso
Avós paternos – André Lourenço e Maria das Dores
Avós maternos – Sebastião Martins e Ana Afonso.
Assento 21 Jul.
Nascim. 16 Jul.
ROSALIA
De Manuel d `Horta, jornaleiro e de Francisca Antónia.
Avós paternos – João Gonçalves e Maria Antónia
Avós maternos – João Lourenço e Maria Gomes.
Assento 17 Ago.
Nascim. 14 Ago.
JOSÉ (*)
De José Martins, solteiro, jornaleiro e de Maria dos Santos, solteira.
Avós paternos – José Martins e Joaquina Mestre
Avós maternos – António Gonçalves e Maria dos Santos.
* Veio a casar em 18.09.1909 com Maria Isabel Rosalia.
Assento 24 Ago.
Nascim. 13 Ago.
MARIA
De Manuel Francisco, jornaleiro e de Maria Luzia.
Avós paternos – Francisco Fernandes e Maria Marques
Avós maternos – Francisco Gomes e Luzia Rodrigues.
Assento 20 Out.
Nascim. 11 Out.
MANUEL
De Manuel Gonçalves, lavrador e Joaquina da Palma.
Avós paternos – João Gonçalves e Antónia Afonso.
Avós maternos – Joaquim da Palma e Domingas da Palma.
1868
Assento 19 Jan.
Nascim. 12 Jan.
JOSÉ
De Manuel Lourenço, jornaleiro e de Isabel Constança, fiadeira
Avós paternos – José Pereira e Maria Constança
Avós maternos - ?
Assento 21 Ago.
Nascim. 18 Ago.
JOSÉ
De José António, jornaleiro e de Maria Antónia, tecedeira.
Avós paternos – Lourenço Dias e Catarina Pereira
Avós maternos – Manuel Gomes e Maria Afonso.
Assento 26 Set.
Nascim. 21.Set,
JOSÉ
De José Lourenço, lavrador e de Maria Gomes, lavradora.
Avós paternos – Lourenço Dias e Catarina Pereira.
Avós maternos - Manuel Gomes e Maria Afonso
Assento 21 Nov.
Nascim. 18 Nov.
MANUEL
De Manuel Simão, jornaleiro e Francisca Cavaca.
Avós paternos – Simão Lourenço e Maria Vicente.
Avós maternos – João Cavaco e António Rosa.
1869
Assento 14 Mar.
Nascim. 06. Mar
ISABEL
De Manuel Nunes, lavrador e de Ana Ribeiros, lavradora.
Avós paternos – Manuel Nunes e Margarida Pereira.
Avós maternos – Manuel Ribeiros e Joana da Palma
Assento 02 Mai.
Nascim. 26 Abr.
CUSTÓDIA
De António Gonçalves, jornaleiro e Francisca Cavaca.
Avós paternos – João Gonçalves e Antónia Afonso
Avós maternos – Brás Gonçalves e Maria Cavaca
Assento 6 Jun.
Nascim. 2 Jun.
ANTÓNIO
De José Martins, pastor, natural do Espírito Santo e de Felícia Martins, tecedeira.
Avós paternos -
Assento 08 Ago.
Nascim. 04.Ago.
MARIA
De Francisco Bento, alfaiate e de Joana Teresa, jornaleira.
Avós paternos – Bento Pereira e Maria Gomes
Avós maternos – José da Palma e Teresa Marques
Assento 19.Set
Nascim. 13.Set.
CUSTÓDIA
De José Lourenço, lavrador e de Maria Gomes,
Avós paternos – Lourenço Dias e Catarina Pereira
Avós maternos – Manuel Gomes e Maria Afonso.
Assento 23 Set.
Nascim. 15 Set.
MARIA
De Manuel José e de Faustina Maria.
Avós paternos – José Revez e Margarida Pereira
Avós maternos – Francisco Madeira e Margarida Teixeira.
Assento 24 Out.
Nascim. 14 Out.
JOSÉ
De Manuel Gomes, lavrador e de Maria Costa, lavradora.
Avós paternos – Manuel Gomes e Maria Afonso
Avós maternos – Manuel Dias e Maria Costa.
Madrinha – Catarina Costa.
Assento 28 Nov.
Nascim. 24 Nov.
MANUEL
De António Manuel e de Silvéria Rodrigues
Avós paternos – Manuel Marques e Maria Rosa.
Avós maternos – Domingos Pereira e Catarina Rodrigues
1870
Assento 20 Fev.
Nascim   ?
ANTÓNIO
De Manuel Revez e de Maria Gomes, jornaleiros
Avós paternos – José Revez e Isabel Rodrigues
Avós maternos -  incógnito e Laurência Gomes.
Assento 13 Mar.
Nascim.     ?
CUSTÓDIA
De Manuel d `Horta e de Francisca Antónia.
Avós paternos – José d `Horta e Maria Clara.
Avós maternos – João Gomes e Maria Antónia.
Assento 16 Abr.,
Nascim.     ?
MANUEL
De Manuel Madeira e de Maria Antónia.
Avós paternos – Manuel Madeira e Maria Domingas.
Avós maternos – João Gonçalves e Antónia Afonso.
Assento 21 Abr.
Nascim       ?
MANUEL
De Manuel Lourenço e de Isabel Custódia
Avós paternos – Manuel Lourenço e Maria Roiz
Avós maternos – José Pereira Simão e Maria Constança
Assente 03 Mai.
Nascim.      ?
MANUEL
De José Martins, jornaleiro e de Maria dos Santos, tecedeira.
Avós paternos – José Martins e Joaquina Mestra. B
Avós maternos – António Gonçalves e Maria dos Santos.
Assento 16 Jun.
Nascim.      ?
MARIA
De Manuel Rodrigues e de Catarina Gomes Afonso.
Avós paternos – Bartolomeu Rodrigues e Rosalia Ângela.
Avós maternos – Manuel Gomes e Maria Afonso.
Assento 08 Ago.
Nascim.       ?
MANUEL
De Sebastião da Palma e de Sebastiana Mestra
Avós paternos – José da Palma e Catarina Mestra.
Avós maternos -    ?
Assento 28 Nov.
Nascim.      ?
CUSTÓDIA
De Manuel Dias e de Maria Constança.
Avós paternos – José Dias e Custódia Pereira
Avós maternos – José Pereira e Maria Constança