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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Associação dos Amigos do Zambujal (Vaqueiros)



Ao tomar conhecimento da existência desta pequena associação, tenho curiosidade de a conhecer melhor e dela dar conhecimento a todos os visitantes /leitores do ALCOUTIM LIVRE.

Para tal dirigi-me, pelo que julgo, a um seu represente, apresentando-lhe três hipóteses de o fazer, no caso de haver interesse.

A escolhida foi a da entrevista, pelo que inaugurará o sistema neste blogue.

Nestes termos, naturalmente, que a pessoa indicada é o senhor Presidente da Direcção.

Alcoutim Livre (José Varzeano) – Senhor presidente, não se importa de se apresentar muito sucintamente aos visitantes / leitores do AL?

Presidente da Direcção. - O meu nome é Rui Jerónimo, tenho 37 anos, sou consultor financeiro.
Vim nascer a Faro (normalmente vinha-se de táxi) e vivi os meus primeiros 6 anos à beira Guadiana, entre o Montinho e os Guerreiros do Rio.
Contingências da actividade profissional do meu pai (era mais um dos guardas fiscais do concelho), fizeram-nos percorrer alguns lugares ao sul.
No entanto, o rio, o concelho e o Zambujal, foram e são, parte integrante da minha vida e hoje, já também, das 3 jovens vidas dos meus filhotes…


AL – Quando foi criada a associação e se está legalizada ou em vias de legalização?

P.D. – A AAZ, foi criada em Julho de 2010, altura em que fizemos a escritura de constituição.

AL – O que levou à sua criação e qual o campo de acção e acções já realizadas?

P. D. - O almoço anual, para o qual está convidado, realiza-se, ininterruptamente, desde 1999.
Desde há muito que ansiávamos a criação de uma entidade que pudesse dar suporte e dinamizar o evento.
Como é mau costume dos portugueses, as coisas arrastaram-se, mas no ano passado, finalmente, lá avançámos com a parte burocrática e constituímos a AAZ.

Por alturas do Natal, fizemos um bonito cesto de canas, com produtos do monte. Os associados espalhados pelo país, de Vilarinho do Bairro a Faro, de Martim Longo a Leiria, passando pelo sul de França, ajudaram-nos a colocar 857 números…

No nosso jovem percurso, participámos em Março na “XIII feira do pão quente e do queijo fresco” em Vaqueiros.
Tivemos um pequeno stand de comes e bebes no qual acolhemos alguns dos hoje amigos do Zambujal, que não nos conheciam e que muito felicitaram a nossa existência.
Foi uma bela jornada de divulgação…


[Feira do Pão Quente ... (Vaqueiros). Foto cedida pela AAZ]

Em Maio, organizámos um passeio pedestre, intitulado “Por esses caminhos velhos, na rota dos montes abandonados”.
Juntámos cerca de 35 caminhantes, com idades entre os 6 e os 70´s. Calcorreámos 14 km de estradões, atravessámos 2 montes abandonados da nossa freguesia (Mesquita e Monte Novo), convidámos 2 antigos moradores para estarem nos montes e falarem um pouco sobre o passado, convivemos, almoçámos um belo cozido de grão, despejámos uns púcaros de vinho caseiro...

[Por esses caminhos velhos ...Foto cedida pela AAZ]

Em Junho organizámos, em colaboração com a Câmara Municipal de Alcoutim, o baile de acordeão.
A AAZ convidou toda a população para jantar, instalámos umas mesas ao comprido numa praceta do monte, juntaram-se-nos bailadores e bailadoras dos montes vizinhos e conseguiu-se uma animada noite…

[Jantar,baile e convívio... Foto cedida pela AAZ]

Dia 6, estaremos a organizar o XIII almoço anual, dos naturais e amigos do Zambujal.

No final de Agosto, caso sejamos seleccionados, estaremos presentes nos “Dias Medievais no Castelo de Castro Marim”.

Em meados de Setembro, pretendemos organizar, na zona do rio mais um passeio pedestre, intitulado “Por trilhos do contrabando, na companhia da guarda-fiscal”. Oportunamente divulgaremos a data.

As nossas intenções são naturalmente mais abrangentes e se as continuarmos a dar passos firmes, poderemos chegar a outras áreas de interesse para a população, nomeadamente no campo social, cultural e de recuperação do património.

Quem tiver interesse pode visitar a nossa página no facebook, na qual constam todas as actividades desenvolvidas e as que em breve desenvolveremos, está convidado a fazê-lo em:
http://www.facebook.com/pages/Associa%C3%A7%C3%A3o-Amigos-do-Zambujal/114798545260951?ref=ts


AL – A população tem aderido ao projecto apoiando-o e os zambujalenses ausentes têm correspondido ás vossas intenções?

P. D. - Como é natural nestas coisas, são meia dúzia de entusiastas que mais tempo dedicam ao projecto e que mais auxiliam…
No entanto, quando os eventos se aproximam, a colaboração nunca faltou!
Amassou-se e cozeu-se o pão para a festa, o almoço no dia do passeio pedestre foi um sucesso com a colaboração das nossas associadas, as mulheres esmeram-se na doçaria quando a arte é bem receber…
Entre as tarefas referidas, naturalmente conta-se muita gente que infelizmente não reside no Zambujal, mas que são presença constante e activa, principalmente ao fim-de-semana.
No Verão temos o monte cheio de vida, com a vinda dos emigrantes, sempre prontos a ajudar, principalmente no dia do almoço no qual são parte muito activa.


AL – Já existe sede social, arrendada, cedida ou própria?

P. D. - O espaço que nos acolhe, quando é necessário organizar entre paredes, é a antiga escola primária.
Em Março, reunimos com o presidente do nosso município que amavelmente colocou aquele espaço á nossa disposição.
Temos em mente, um espaço próprio que nos possibilite realizarmos trabalho nalgumas das áreas atrás referidas...


AL – É sempre importante existir um distintivo (emblema) que constitui o seu símbolo. Já existe e o que procura representar?

P. D. - O nosso monte é encimado por dois antigos moinhos de vento.
Estão arruinados, mas nós temos a intenção de os recuperar!
Um nosso associado, rapaz de Cantanhede que conheceu uma zambujalense nos tempos de Coimbra, com jeito para os traços, representou um desses moinhos e o resultado foi magnifico…
Os moinhos de vento representam um tempo ausente, lembram-nos o quixotesco de que todos somos servidos e no nosso caso é uma bandeira do monte…
Á sua volta, podem-se dar a mãos e fazer uma grande roda!


AL – Qual o número de associados?

P.D. – Contamos com 32 associados inscritos, mais uma dezena de proposta que aguardamos preenchidas e vem aí o almoço anual…
No final do verão ultrapassaremos facilmente os 50!


AL – A Associação tem recebido subsídios e apoios dos órgãos autárquicos, nomeadamente a Câmara Municipal e Junta de freguesia?

P. D. - Os Srs. Presidentes, da freguesia e do município, são pessoas amplamente conhecidas e integrantes da população do concelho.
Têm comparecido nalguns dos eventos organizados, têm incentivado e aplaudido o nosso trabalho.
Por enquanto, ainda não fomos subsidiados, mas a verdade é que só iniciámos contactos preliminares neste campo.
No almoço anual, é costume as duas edilidades contribuírem com uma pequena ajuda monetária.


AL – Senhor Presidente, dispõe deste espaço para dizer algo que não lhe foi perguntado e que gostaria de ver referido.

P. D. - Bastante já foi questionado, esperemos que os leitores gostem das respostas.
O nosso correio electrónico é aamigoszambujal@gmail.com, uma caixa ávida de ideias, propostas, colaboração. Fazem favor de nos dizer tudo o que possa ajudar o monte, o concelho a região.
Estamos disponíveis para colaborar com todos os que em prol deste nordeste esquecido, desenvolvam trabalho, aproximem as populações, ajudem a preservar tradições quase esquecidas.
Ao blog, Alcoutim Livre na figura do Sr. José Varzeano, o nosso muito obrigado por esta oportunidade que nos propôs de nos darmos a conhecer, a nós, às nossas ideias, aos nossos projectos, “ as nossas coisas, a nossa gente…” como diz Rafael Correia e eu tanto gosto de repetir…



Penso que com esta entrevista amavelmente concedida pelo Sr. Presidente da Direcção dei a conhecer aos visitantes / leitores deste blogue a pequena mas dinâmica associação, que pelo que tem já realizado e projecta realizar merece bem ser subsidiada pelos órgãos autárquicos competentes.

Nada tem a agradecer, Sr. Presidente, eu é que agradeço a colaboração prestada.

O ALCOUTIM LIVRE foi criado para divulgar e dar a conhecer o passado e o presente alcoutenense de uma forma LIVRE, ABERTA mas RESPONSÁVEL.

Sempre que queiram podem dispor deste espaço.

Bom convívio para o próximo dia 6, são os meus votos.

sábado, 15 de agosto de 2009

Centro Cultural, Social e Recreativo de Afonso Vicente - Alcoutim





Foi criado em 13 de Abril de 1981.
São considerados sócios fundadores, o Doutor António do Nascimento Joaquim, Virgílio Joaquim Afonso e Manuel Joaquim Mestre Gomes.
A legalização da associação foi publicada na III Série do Diário da República de 8 de Maio de 1981.

O edifício sede foi adquirido por 12 contos.

Tinha uma porta de ferro e uma janela de madeira como a foto mostra.
Um “pial” (poial) para acesso constituído por resto de mó que pertenceu ao moinho da Pateira.

Entretanto foi colocada por cima da porta uma placa identificativa da mesma e que foi obtida por diligências do sócio fundador, Virgílio Joaquim Afonso.

Pagava-se de quota, na altura, 20$00 mensais e a jóia estava fixada em 500$00.

Existiam duas divisões, uma sala ladrilhada com televisor e outra mais pequena que funcionava como cozinha/bar, havendo fogão a gás e frigorífico.

Já havia energia eléctrica.

Presidia à direcção Avelino Pereira, sendo secretário José Joaquim Mestre e tesoureiro Manuel Joaquim dos Santos.



Em princípios dos anos 90, a sede social sofreu obras importantes mantendo-se a estrutura inicial com o arranjo do telhado, chão e paredes, o acrescento de uma pequena divisão que servia de arrecadação, e de suporte ao bar que passou para a sala e agora com balcão de alvenaria e coberto a mármore. Já existe uma máquina de café.

Importante a feitura de uma casa de banho, com o mínimo de requisitos e que se tornava indispensável, além de um pátio / esplanada onde se podia estar protegido pela sombra de duas parreiras.

Em 1995, realiza-se o 1º Convívio-Festa de Afonso Vicente apoiado pela Câmara Municipal e Junta de Freguesia, cujos lucros se destinavam a este Centro.

No ano seguinte teve lugar o 2º CONVÍVIO e porque criticámos não ter sido apresentado um balancete do resultado da Festa do 1º, assumimos a responsabilidade de o fazer neste com o controlo mais eficiente possível. Apresentámos um saldo de Esc. 165.921$00.

O CONVÍVIO/FESTA continuou nos dois anos seguintes e se a memória não me falha, só voltou a ser feito mais um, após o intervalo de um ou dois anos.



Em 2005 a associação efectuou uma candidatura ao programa Leader+ para obras de remodelação e ampliação do edifício sede o que resultou no edifício que a fotografia apresenta.

O edifício ficou concluído em 2008, apresentando dois pisos.

Ainda que não o conheça muito bem, posso dizer que no rés-do-chão além de uma sala espaçosa com mesas e cadeiras, o bar tem uma cozinha de apoio e uma arrecadação.

Uma televisão e um fogão a lenha. Um jogo de futebol de mesa, propriedade da associação.

Duas casas de banho.

O primeiro andar é constituído por amplo salão.

Esta obra foi comparticipada em 75% pelo Programa Leader + (117.891,09 €) e 25% pela Câmara Municipal (29.473,13 €) o que soma mais de 30 mil contos em dinheiro antigo, para uma mais fácil avaliação.

Na nossa modesta opinião, a volumetria do edifício encontra-se completamente desfasada do ambiente que a rodeia.

A título de curiosidade, podemos dizer que em números redondos, o primeiro edifício serviu cerca de 60 habitantes, o segundo 30 e o actual 15.

Estas novas instalações são hoje inauguradas pelo Senhor Presidente da Câmara, às 10 e 30 h.

Pelas 11 00 h. terá lugar um beberete.

Pelas 16.00 h realizar-se-á uma Assembleia-Geral de cuja ordem de trabalhos faz parte a eleição dos corpos gerentes.

Música popular e baile completam os festejos.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

3º Convívio - Festa, 2009. Tacões, Alcoutim


Acompanhado de amável convite chegou-nos via e-mail o programa referente ao corrente ano e que tem lugar no próximo dia 15, comportando acontecimentos diversificados desde cerimónias religiosas às desportivas mas onde a confraternização é uma palavra-chave.

Tendo sido dos montes mais populosos da freguesia do Pereiro a que pertence, os seus habitantes viviam fundamentalmente da pastorícia.

Manteve durante alguns anos um posto escolar, depois transformado em Escola, edifício hoje adaptado a casa mortuária.

Presentemente encontra-se quase numa situação de desertificação mas que os seus filhos, embora longe, não querem que seja um facto.

São fundamentalmente eles que se esforçam por esta realização e se juntam no monte para confraternizar com conterrâneos e amigos.

Conheci o monte dos Tacões em 1975, foi lá que minha mulher iniciou a sua vida profissional e o meu filho efectuou o primeiro ano de escolaridade.

Já tive oportunidade de num jornal regional publicar um artigo sobre este monte, que igualmente refiro no meu último trabalho em livro, intitulado A Freguesia do Pereiro (do concelho de Alcoutim) «do passado ao presente», numa edição da Junta de Freguesia do Pereiro, 2007.

Atendendo a que não prevejo estar em Alcoutim nesse dia, não me é possível aceitar o convite para estar presente.

Daqui torno pública a minha gratidão pelo convite, a que os meus familiares se associam.

Que a pequena Festa-Convívio decorra como desejam e se vá repetindo pelos anos fora.


[O "monte" dos Tacões visto da EN 124. Foto JV, 2009]

sábado, 29 de novembro de 2008

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários


A existência de bombeiros em Portugal, que eu saiba, vem dos fins do século XIX, mas à vila de Alcoutim só chegaram em 1984, sendo 20 de Agosto a data da sua fundação.

Tendo por lema, “Vida por Vida”, os soldados da paz, como são conhecidos, defendem o cidadão em situações de emergência, como incêndios, acidentes de todo o tipo e no transporte de doentes, pelo que o povo lhe dispensa gratidão.

A primeira notícia que conhecemos sobre os Bombeiros de Alcoutim foi publicada na imprensa regional (1) em 30 de Agosto de 1984 em que se informa que se aguarda a publicação dos estatutos no Diário da República a fim de se solicitarem subsídios às entidades oficiais. Logo nessa notícia se refere o apoio dado pela Câmara Municipal que está a negociar a compra de um terreno situado próximo do Rossio, destinado à construção do futuro quartel. A nova associação conta com o apoio de associações congéneres.

O efectivo é constituído por trinta e cinco elementos em 1986 que vão recebendo regularmente instrução no quartel dos Bombeiros de Vila Real de Sto. António, juntamente com os seus elementos.

A localização do quartel em Alcoutim é dada agora para junto da estrada marginal do Guadiana, na parte alta da vila, em terreno de que está a ser feita a terraplanagem.

A corporação dos Bombeiros de Monchique ofereceu aos de Alcoutim uma viatura de combate a incêndios e procura-se adquirir um pronto-socorro e ambulância. (2)

Entretanto a Câmara Municipal doou a ambulância que possuía aos Bombeiros, continuando contudo a suportar os encargos do motorista. (3)

Em 1987 já se dispõe do anteprojecto do futuro quartel que ocupará uma área de seis mil metros quadrados e custará cerca de oitenta e quatro mil contos.

O edifício terá dois pisos que ocuparão uma área de 2.400 m2 Nesta altura existem três ambulâncias e dois carros de combate a incêndio. Em 1986 registaram-se sete incêndios no concelho. (4)

Para o quartel, prevê-se, além de capacidade para oito viaturas, camaratas, casa-escola para treino e exercício, sala para reuniões, biblioteca, arquivo e um pavilhão polivalente com uma área de 600 m2 para desporto, cultura e recreio. (5)

O inspector regional de Bombeiros do Algarve, visitou Alcoutim em 1989 em serviço de inspecção. Já existia um auto-pronto-socorro médio indispensável ao combate dos incêndios e uma viatura vinda de França que custou cerca de catorze mil contos. (6)

Atendendo a uma maior procura do rio e consequentemente poder haver com maior frequência necessidade de prestar socorros, os Bombeiros adquiriram um barco para o que foram subsidiados pela Câmara em 500 contos. Além disso e a fim de proporcionar melhores condições de saúde aos munícipes, a Câmara Municipal comprou uma nova ambulância para os Bombeiros. (7)

Em 1996 concluíram com aproveitamento as provas para bombeiro de 3ª classe, dezassete elementos. O restante efectivo vem recebendo igualmente instrução para oportunamente serem sujeitos a provas. (8)

O comandante da corporação, João Manuel Rita Baptista, declara ao conhecido e desaparecido semanário Tal & Qual: “Neste momento, o meu maior desejo é ver realizada a obra que ainda nem sequer teve início, o quartel dos bombeiros. A Câmara cedeu os terrenos e fez as escavações, agora é tempo de se esperar pelo PIDAC e que a obra seja posta a concurso público”

Os cinco carros antifogo e as cinco ambulâncias da corporação, encontram-se à chuva e ao sol, degradando-se aceleradamente. (9)



O projecto da construção do Quartel só veio a avançar anos depois e em 7 de Dezembro de 1998 foi colocada a primeira pedra, tendo sido assinado um protocolo entre a autarquia alcouteneja e o Ministério da Administração Interna que irá garantir o financiamento da obra. (10)

A Corporação entretanto tinha sido contemplada com uma ambulância de emergência. (11)

Em 17 de Julho de 2001, um jornal regional noticia:- Bombeiros de Alcoutim já têm quartel, acrescentando que tinha entrado em funcionamento e cuja construção orçou em 100 mil contos.(12)

Os Bombeiros Voluntários de Alcoutim, além da sua missão base, dedicaram-se à organização das Festas da Vila e, têm a seu cargo o Lar de Idosos, um estabelecimento que no seu tipo, muito honra a vila e o concelho.

O Corpo activo comporta presentemente 50 elementos e dois funcionários administrativos.

O quartel situa-se na Avenida dos Bombeiros Voluntários.

Foi das últimas sedes de concelho a possuir Bombeiros e que eu saiba, ainda há no País pelo menos uma que não os tem e é precisamente do Algarve.

NOTAS

(1) - Jornal do Algarve - Vila Real de Santo António
(2) - Prevenir - nº 10 - Junho 86.
(3) - Jornal do Algarve de 27 de Novembro de 1986
(4) - Jornal do Algarve de 20 de Agosto de 1987.
(5) - Boletim Municipal C.M.A. nº 1 de Outubro de 1987.
(6) - Prevenir nº 24, de Dezembro de 1989.
(7) - Boletim Municipal da C.M.A. nº12 de Abril de 1993
(8) - Prevenir - nº 11 de Setembro de 1996
(9) – Nº de 20 de Setembro de 1996
(10) – “Alcoutim vai ter Quartel de Bombeiros dentro de um ano, in Jornal do Algarve de 17 de Dezembro de 1998.
(11) – “Bombeiros de Loulé e Alcoutim recebem novas viaturas”, in Jornal do Algarve de 9 de Março de 2000.
(12) – Diário do Sul (Algarve)

domingo, 16 de novembro de 2008

ALCANCE

ASSOCIAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DO NORDESTE ALGARVIO



Esta associação cívica nasceu no dia 21 de Abril de 1990, por iniciativa de um conjunto de quadros técnicos, representantes de instituições locais e outras pessoas com uma intervenção social relevante, unidas por uma preocupação comum: o processo de desertificação no concelho de Alcoutim (1), sendo então designada por ALCANCE, Associação para o desenvolvimento do concelho de Alcoutim.

Estimular uma rede de comunicações e cooperação intra-concelhia e entre o concelho e as Entidades que do exterior podem apoiar acções de desenvolvimento, são objectivos da associação. (2) A impotência das instituições oficiais para responder ao desafio da desertificação da serra algarvia foi uma das razões que levaram ao nascimento desta associação.

A associação abriu a sua sede na Travessa de Nª Sª da Conceição, nº 1, na vila de Alcoutim, em instalações cedidas pela Santa Casa da Misericórdia.

Foi depois instalado um posto de informação sobre programas de apoio à criação de emprego, financiado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional e organizaram-se dois cursos de formação profissional, no âmbito do programa para a Conservação do Património Cultural do I E F P, curso de gastronomia regional e curso de arte de ferro. (3)

Correspondendo às orientações propostas pela Comissão Europeia, o Campus de Alcoutim, organizado pela ALCANCE, teve como objectivo a restauração, conservação e divulgação desse património. (4)

Entretanto, em colaboração com a Câmara Municipal, participa no estudo de investigação e execução do projecto de instalação do Museu do Rio, no projecto e execução do Parque de Merendas de Guerreiros do Rio, na implantação da Casa do Artesanato, espaço de exposição e venda de artesanato e produtos do concelho, a funcionar no Castelo da Vila, entre outras acções. (5)

Desde a sua fundação a Associação teve os seguintes secretários coordenadores: Dr. Henrique Gregório, sucedendo-lhe Abílio da Encarnação, sendo o lugar depois desempenhado pela Dra. Vitória Cassinello.

Passou por um período muito difícil, encontrando-se agora numa situação de estabilidade.

Os Estatutos foram alterados em 16 de Março de 2005, operando-se o alargamento da acção, demonstrado na mudança do complemento da designação. Por outro lado desapareceu o lugar de secretário-coordenador, passando a Associação a ser dirigida por cinco elementos: presidente, vice-presidente, secretário, tesoureiro e um vogal, havendo dois suplentes, para em caso de necessidade substituírem algum dos elementos efectivos.

A Presidência foi ocupada pela Dra. Vitória Cassinello até 1 de Agosto de 2008, altura em que a assume, José Manuel Simão.

Tem cerca de sessenta sócios e a sua sede está situada na Rua de Timor, s/n, 8970 – 064 – Alcoutim.

Notas:
(1) - Alcoutim - Revista Municipal, nº 2, Dezembro/95
(2) - "Alcoutim tem nova associação", in Correio da Manhã de 14 de Novembro de 1990
(3) - Informação aos associados de 14 de Novembro de 1990.
(4) - Jornal do Algarve de 7 de Setembro de 1995.
(5) - Alcoutim - Revista Municipal, nº 2, de Dezembro/95.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

GRUPO DESPORTIVO DE ALCOUTIM

ESCORÇO HISTÓRICO

O Grupo Desportivo de Alcoutim engloba outras associações recreativas que depois de algumas transformações acabaram por se fundir nesta como tentaremos explicar em face do arquivo que nos foi posto à disposição pelo presidente da direcção de então.

O G.D.A., como passaremos a designar abreviadamente, foi fundado por jovens alcoutenejos no dia 4 de Julho de 1948 e à frente dos quais se destaca Fernando José Lopes Dias, que veio a ser naturalmente o seu primeiro presidente da Direcção, funções que desempenhou até 1953 e mais tarde em 1958.

Do grupo de jovens faziam parte, entre outros, Manuel Alfredo Afonso, António da Assunção Valério e José Francisco Rita que completavam o elenco directivo.

Havia na altura a Sociedade Recreativa Alcoutinense (a sociedade dos homens ou senhores) a quem o GDA solicita a concessão do material desportivo. (1) Deduzo assim que esta associação já teria praticado desporto, mais concretamente o futebol.

O primeiro jogo “oficial” disputado em Alcoutim teve lugar no dia 14 de Setembro de 1948 (dia da feira, como é indicado no documento) e teve como adversário o Grupo Desportivo “O Celeiro”, de Vila Real de Santo António, resultado que ignoramos. Aos visitantes foram dadas duas alternativas de transporte, ou no “gasolina” ou em veleiro fretado.

Em 1949 (2) demonstra-se junto do Sport Lisboa e Benfica que o grupo tinha grande regozijo em ser sua filial já que a maior parte dos desportistas da vila se inclina para aquele clube.

Em entrevista concedida a Rui Dias, do Algarve Região, Fernando Dias e Carlos Brito, dois dos fundadores, além do futebol, referem a prática de atletismo, natação e andebol de sete com duas equipas para se poderem defrontar.

Outra actividade que conhecemos no grupo, é o excursionismo, designado já por turístico e em 1949 organiza-se uma excursão de dois dias. Partindo de Alcoutim com passagem por Balurcos, Monte Gordo (onde se tomou banho), Tavira, S. Brás de Alportel e Loulé, onde se pernoitou. No dia seguinte, Boliqueime, Praia da Rocha (onde se tomou banho) e Caldas de Monchique e regresso a Alcoutim.

Segundo aqueles dois entrevistados, realizavam-se igualmente fluviais e promoviam-se palestras.

Os jovens continuam activos e solicitam à Câmara que conceda a locação, se tal for administrativamente compatível (…) da loja do edifício da mesma e que se encontra (…) praticamente disponível (…).

Além dos elementos já referidos, faziam parte do grupo, Rui Firmino Simão, Rogério Lopes da Trindade, Francisco Madeira Neto e António Xavier Delgado.

Quando se realizava um jogo de futebol em Alcoutim, havia sempre um baile em honra da equipa visitante. Entre outros, temos conhecimento da seguinta dos seguintes grupos populares:

Atlético Clube de Odeleite – 1950/07/05
Clube de Futebol Pomarense – 1950.07.04 (Festejos da Fundação)
Grupo Desportivo da Casa do Povo de Santana de Cambas – 1950/12/25
Sporting Clube de Moreanes – 1951/09/03
Grupo Desportivo do Lazareto, Vila Real Sto. António – 1951.03.25
Futebol Clube Porto Vilarealense, Vila Real Sto. António – 1953/09/13
Clube Desportivo de Almodôvar – 1954/06/09

Em contra partida tem-se conhecimento de uma visita ao Clube de Futebol de Martinlongo em 1951/09/03

Em 13 e 14 de Setembro de 1950 o grupo realiza uma pequena festa com quermesse, destinando-se os lucros à Secção de Beneficiência, então criada, para posterior distribuição pelas pessoas mais necessitadas. Da comissão organizadora, constavam:- Rogério Lopes da Trindade e Lima, João Lopes Dias, Fernando José Lopes Dias, Rui Simão, José Francisco Rita, Carlos Alfredo Brito e as meninas Maria Jukieta Baptista, Maria de Lurdes Brito, Maria Silvéria Rita, Maria Clara Simão e Maria da Conceição Rosa, entre outros.

No ano seguinte e nos mesmos dias, novamente se realiza a festa anual à qual dão a sua adesão mais os seguintes jovens: Mário Parreira Baptista, Gaspar Martins dos Santos, João Francisco Mestre e José Cavaco Peres.

Estes festejos transformaram-se nas Festas Anuais da Vila que ainda hoje se realizam, com algumas mutações na sua organização depois do 25 de Abril, quando antes eram realizadas pelo Povo e para o Povo.

Em 1951 o GDA conta com mais de cinquenta sócios. Reclama nesta altura (3) a direcção, junto do Presidente da Câmara, denunciando a instalação de uma eira dentro do único parque desportivo!

No ano de 1953 é criada uma biblioteca (4) pelo que se paga uma quota suplementar.

O primeiro equipamento do grupo era todo preto, isto por influência do seu presidente, Fernando Dias, na altura em Coimbra e grande adepto da Associação Académica.

Depois de um período de letargia do Grupo Desportivo de Alcoutim e da Sociedade Recreativa local, chegou-se à conclusão, em 1960, que as mesmas se deviam fundir o que veio dar origem ao Clube 1º de Dezembro, criado precisamente no 1º de Dezembro daquele ano. A proposta de Estatutos foi apresentada por Artur de Moura que na altura presidia à Câmara Municipal.

A fusão não deu os resultados desejados pois em 1968/69 o clube estava inactivo.

Em Assembleia Geral de 6 de Fevereiro de 1990 por proposta do Presidente da Direcção, Alberto Alves Ferreirinho, o Clube 1º de Dezembro passa a designar-se Grupo Desportivo de Alcoutim, nome que assim foi recuperado. A proposta, e segundo informação prestada pelo proponente, foi feita no sentido da designação indicar claramente o nome da vila pois o que tinha não o fazia e o grupo, depois da sua legalização, só agora efectuada por acção daquele dirigente, iria filiar-se na Associação de Futebol do Algarve e disputar provas oficiais. As cores representativas do clube passaram a ser o verde e o branco, cores do concelho.

O GDA tem por fim a promoção cultural, desportiva e recreativa dos seus associados, como reza o Artº 1º dos Estatutos.

De 1990 a 1994 o clube disputou o Campeonato Distrital de Futebol (sénior) da 2ª Divisão.

O primeiro jogo oficial realizou-se no campo municipal de Castro Marim em Dezembro de 1990 contra os Jograis de Estoi, tendo o Desportivo perdido por dois a um. Alcoutim alinhou com: Jorge Serina, João Dias (cap.) (5) Toni, Luís Canelas, Vitor, Carlos Ludovico, Luís, Alfredo, Nelson, Orlando e Colaço, sendo o golo de Alcoutim marcado por Orlando. (6)

Em Dezembro de 1991 foi inaugurado o campo de futebol municipal e o GDA. estreou-se com a primeira vitória ao triunfar por três a dois sobre o Império, no encontro da 6ª jornada do campeonato.

O futebol sénior foi abandonado em 1995, continuando-se com o juvenil, disputando o Campeonato Distrital da 2ª Divisão daquela categoria.

Em 1997/98 o grupo disputou os campeonatos distritais nos escalões de escola, iniciados e juvenis.

Através de um protocolo celebrado com a C.M.A. foram adquiridas trinta e cinco canoas para prática da modalidade, começando o clube por filiar-se na Associação de Canoagem do Alentejo, com sede em Mértola, passando em 1997/98 para a Associação de Canoagem do Algarve. Os atletas têm-se apresentado a competir em provas oficiais, como por exemplo em Estremoz e Vila Nova de Milfontes.

Um bar na sede possibilita algum convívio e jogos de damas, dominó e cartas ajudam a passar o tempo, funcionando também um televisor.

O clube pratica igualmente futebol de salão não oficializado.

Este escorço histórico tem por limite o ano de 1998, pelo que já são passados mais de dez anos onde há factos a registar, para os quais é necessário efectuar consultas, nomeadamente a documentação existente no clube.

Quando realizei este pequeno trabalho fui questionado por um “antigo” presidente do GDA, queixando-se que o seu nome não constava no competente quadro. A minha resposta só podia ser uma:- Não consta na documentação que me facultaram qualquer indicação nesse sentido, não existindo qualquer acta, nem mesma a de posse.

Possivelmente não foi caso único, outros exemplos teriam acontecido. Esse facto até já verifiquei em órgãos autárquicos!

QUADRO DE PRESIDENTES DA DIRECÇÃO

1948/53 – Fernando José Lopes Dias
1954/55 – João Lopes Dias
1956/57 – Joaquim Manuel Rita
1957/58 – Alfredo Madeira Simões
1958/59 – Fernando José Lopes Dias

Após fusão com a Sociedade Recreativa de Alcoutim
CLUBE 1º DE DEZEMBRO

1961/62 – Raul de Campos Andrade
1962/63 – António Maria Corvo
1963/69 – (inactivo)
1970/71 – Dr. António Abrantes Pereira
1971/87 – (inactivo) (*)
1988/89 – João Manuel Rita Baptista

(*) - Neste período o clube não esteve sempre inactivo mas não foi encontrada documentação que o justifique, nomeadamente a nível de actas.

Voltou a designar-se

GRUPO DESPORTIVO DE ALCOUTIM

1990/91 – Alberto Alves Ferreirinho
1991/94 – Carlos Manuel Mestre Pereira
1994/95 – José Tiago Pereira Faustino
1995/97 – Alberto Alves Ferreirinho
1998/ ? - Álvaro Freitas Matos
_________________

NOTAS

(1) - Carta de 30 de Julho de 1948
(2) - Carta de 20 de Agosto
(3) - Ofício nº 11 de 28 de Junho.
(4) - Acta de 15 de Abril.
(5) - Por casualidade, filho do fundador e primeiro presidente da direcção.
(6) - Jornal do Algarve de 20 de Dezembro de 1990.

sábado, 28 de junho de 2008

ASSOCIAÇÃO UNIDOS DO MONTE

CORTES PEREIRAS
ALCOUTIM

UM POUCO DA SUA HISTÓRIA


Esta associação recreativa, segundo o emblema que a identifica, teve fundação em 1954, por isso com mais de meio século de existência.

Segundo afirmam pessoas idosas, a sua existência é anterior àquela data, o que não foi possível documentar. Contudo, Manuel do Nascimento Mestre, natural de Afonso Vicente mas que a partir do casamento se fixou nas Cortes Pereiras, afirmou-me que em 1938 já existia uma sociedade nas Cortes Pereiras, sendo o seu grande impulsionador, Amândio Matias. Dizia-nos o nosso informador que se ouvia telefonia e jogava-se às cartas à luz do candeeiro de petróleo.

A sede da associação esteve instalada em vários locais das Cortes Pereiras, começando numa pequena casa no Monte do Poço, e em outras arrendadas, sabendo-se que em 1966 se pagava de renda 20$00 mensais.

Sabemos que em 1965 a sociedade adquiria o diário lisboeta “O Século” para leitura dos sócios, entretendo-se os mesmos jogando as cartas, nomeadamente “os três setes”.

Entre as despesas desse ano, notam-se as efectuadas com petróleo, para iluminação, álcool, para aquecer o petromax, anisada, seca e rebuçados.

Curioso a circunstância dos jornais velhos serem vendidos a peso, constituindo assim uma receita, minorando a despesa na sua aquisição.

No ano de 1966, além das despesas semelhantes à do ano anterior, verifica-se a compra de dois baralhos de cartas (22$00), a carga de uma bateria, que certamente servia uma telefonia pois aparece igualmente o pagamento de 50$00 de taxa de rádio.

Em 1967 temos a registar as despesas com a caiação das instalações, a aquisição de copos e uma dádiva de 20$00 feita por António Porfírio, que supomos ser sócio.

Não deixa de ser interessante conhecer a nota lançada em Maio de 1967 pelo secretário da Direcção, Baltazar João Carlos e nos seguintes termos: “Os membros da Direcção devem verificar as contas todos os meses e assinar ou chamar a atenção ao secretário se encontrarem alguma coisa que não esteja bem”.

A quota em 1968 era de 2$50. Compram-se bolos, dois litros de aguardente de medronho e pela primeira vez laranjadas e gasosas.


No ano seguinte foi importante o gasto de 200$00 com o arranjo da telefonia que acaba por ser vendida pela mesma importância dois anos depois.

Neste mesmo ano, Joaquim Manuel Pereira oferece à sociedade um baralho de cartas, a renda passa para 10$00 mensais, pensando nós que houve mudança de instalações.

Foi criada nesta altura a jóia de 10$00.

Em Maio de 1972 o contínuo é responsável pelo mobiliário da sociedade, isto é, devem existir todos os objectos que constam do inventário. O Contínuo não deve atender às observações dos sócios que não tenham o pagamento das suas quotas em dia.

Apresentamos de seguida os saldos verificados nas contas de 1965 a 1975.

Saldos das contas em 31 de Dezembro:

1965 1 219$90
1966 1 323$90
1967 1.264$30
1968 1.331$20
1969 610$00
1970 717$43
1971 815$60
1972 987$10
1973 1.232$50
1974 1.770$60
1975 1.005$50

De 1966 a 1969 o lugar de contínuo foi exercido por José R. Pereira que foi substituído em 1970 por João Francisco.

RELAÇÃO DOCUMENTADA DE ELEMENTOS DA DIRECÇÃO

(ANO / PRESIDENTE / SECRETÁRIO/TESOUREIRO)

1966 / Miguel G. Alves / Mário L. Martins / A.Costa Teixeira
1967 / “ / Baltazar J. Carlos / “
1968 / “ / José N. Mestre / “
1969 / “ / “ / “
1970 / “ / Baltazar J. Carlos / “
1971 / “ / “ / João B. Nunes
1972 / “ / José Guerreiro / F. António João
1973 / “ / “ / “
1974 / “ / “ / “
1975 / “ / “ / "

(1) Livro de Contas de 1966 a 1975 da Sociedade Recreativa Unidos do Monte

Todas as associações, de vários tipos, têm épocas de fulgor, outras de nostalgia e mesmo de inactividade, isto acontece nas grandes e nas pequenas, nas cidades e nas aldeias.
Com esta assim tem acontecido e por ela têm passado períodos de inactividade com a tristeza de alguns e a alegria de outros, estando contudo até hoje em superioridade os primeiros.
Em 1975 já a sociedade se encontrava instalada no primitivo edifício público escolar que veio mais tarde a ser adquirido pela mesma à Fazenda Pública e em haste pública.
Assisti, em 1975 nestas instalações, já na posse da associação, numa Sessão de Esclarecimento Político, o Povo das Cortes Pereiras referia a necessidade imperiosa da construção de uma ponte sobre a ribeira de Cadavais junto da vila de Alcoutim, o que efectivamente se veio a realizar em 1986, com inauguração do 1ºMinistro Cavaco Silva.

Dois ou três sócios desta Associação pensaram que era necessário que a mesma possuísse um distintivo que a identificasse, traduzindo ao mesmo tempo a vivência do monte em que se situa.
Depois da apresentação de dois modelos, aproveitou-se o que foi considerado mais representativo em cada um deles, dando origem ao que se apresenta.
Convocada a pedido da Direcção, na Assembleia Geral, realizada em Agosto de 2000, foi apresentado aos sócios presentes o modelo, sendo explicado o seu significado e o direito de se pronunciarem sobre ele.

O modelo foi aprovado por unanimidade.

Atendendo a que a maioria dos associados não compareceu por não se encontrar no monte ou por qualquer outro motivo, entendeu a Direcção e para conhecimento de todos, organizar um quadro explicativo para ser afixado na sede.

Reza assim:

A parte central do emblema coloca-se sobre uma cruz vermelha floretada, cruz cujo ramo inferior se assemelha a uma espada.
Porque se escolheu esta base?
Os freires da Ordem de Sant`Iago de Espada usavam hábito branco com uma cruz vermelha deste tipo e D. Dinis, por carta de 2 de Maio de 1302, doou a esta Ordem o padroado da Igreja de Alcoutim e das que viessem a ser construídas no termo, como aconteceu com a Capela de São Martinho, nas Cortes Pereiras.
A parte central do distintivo constitui uma figura geométrica de linhas levemente arqueadas, constituindo o escudo, bipartido, cada um de sua cor, o amarelo e o verde.
Sobre a metade verde, estão inscritas harmoniosamente três peças:- a lanterna, a picareta ou pique e a pá, ferramentas indispensáveis para a actividade mineira e os velhos habitantes das Cortes Pereiras tiveram durante muitos e muitos anos essa actividade como principal e que chegou aos princípios do século XX. Foram manifestados muitos descobrimentos de minas e algumas entraram mesmo em actividade com exportação do minério através do Guadiana.
Do outro lado, tendo por base o amarelo, está representada outra actividade importante deste povo, também muito antiga mas que chegou aos nossos dias - a pastorícia. Assim temos o cajado e o barquino, como sua representação.

O amarelo representa o minério explorado e o verde as pastagens.

No listel, a expressão latina SERVO PER AMIKECO, que significa a grosso modo, Servir por Amizade.

Circularmente ASSOCIAÇÃO UNIDOS DO MONTE, designação oficial da colectividade e Cortes Pereiras, indicando a povoação. Por cima, 1954 o ano considerado como o da sua fundação.

É esta a pequena resenha histórica que apresentamos, elaborada em documentação e na tradição oral.