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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Alcoutim, 1964 - 66


Pequena nota

Hoje é dia de festa para o ALCOUTIM LIVRE que se internacionaliza com a colaboração de um cidadão alemão que viveu em Alcoutim cerca de dois anos isto numa altura que em todo o concelho seria caso inédito, o que hoje não acontece.

Foi o estudo e a investigação que o levou a Alcoutim onde foi bem recebido e se enquadrou com facilidade como demonstram as palavras que escreveu para este espaço, o que muito nos honra.

Deixou por aqui amigos que recorda e o recordam com saudade. Eram outros tempos!

Lembra no seu interessante texto que apenas sofreu uma pequeníssima rectificação, como nos solicitou, as Festas de Alcoutim, que até indica o período da sua realização, a “Chegada da camioneta de Beja”, o facto diário mais importante que ocorria na vila e até o Campeonato do Mundo de 1966, realizado na Inglaterra e em que Portugal se classificou em 3º lugar.

O Dr. Eckart Frischmuth Seevetal completou a sua formação universitária em Geologia e encontra-se na situação de reformado, vivenda no seu país.

Teve a amabilidade de nos enviar uma série de fotografias sobre Alcoutim que iremos publicar espaçadamente na nossa rubrica Câmara Escura, muito procurada pelos nossos visitantes / leitores.

Aqui deixamos o nosso profundo agradecimento ao Dr. Eckart Frischmuth pela amabilidade que tem dispen-sado ao ALCOUTIM LIVRE

JV

 

  
Escreve

Eckart Frischmuth



Minha surpresa e alegria foram grandes quando li o artigo por acidente no "Alcoutim Livre" em 2013/01/02, sobre a minha estadia no Algarve.

Com grande gratidão, lembro-me dos bons tempos em Alcoutim e da hospitalidade extraordinária dos Alcoutenejos.

A população, especialmente os jovens, abriu-me com paciência e humor o acesso ao idioma Português. Então, poderia começar o meu doutoramento em Portugal com afinco e concluí-lo com sucesso na Alemanha.

Durante uma longa residência no Brasil com espanto o sotaque regional foi notado.
Atualmente falta-me a prática no idioma Português.

Lembro-me com alegria a época festiva em setembro no cais de Alcoutim.

Eu também gostei dos tempos da chegada da camioneta de Beja - Vila Real de Santo António pelas 5 horas da tarde, pois havia sempre novidades.

Existem muito poucas fotos deste período: uma mostra-me com o meu amigo José Cavaco no Castelo de Alcoutim em 1964 (ver foto).


Naquela altura fazíamos uma longa viagem pela Serra até Martim Longo para acompanhar jogos importantes da Copa do Mundo na Inglaterra através da TV sem complicações.

Uma olhada no mapa mostra que Alcoutim e a paisagem circundante mudaram muito. E as muitas fotos bonitas da Internet sobre Alcoutim fazem-me muito curioso!


Postado por Eckart Frischmuth Seevetal / Alemanha em fevereiro de 2013


N.B. A bonita fotografia com que o texto é iniciado é de autoria do Dr. Eckart Frischmuth tirada do Castelo de São Marcos (Sanlúcar do Guadiana) notando-se em primeiro plano as duas eiras eliminadas para se construir um novo bairro e sem adulterar a vila medieval que se mantém, pelo que me é dado ver, sem adulterações.
A foto é propriedade do alcoutenejo José Madeira Serafim, um dos amigos de Eckart Frischmutl.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Descobrir o Folclore


Pequena nota

Recebemos deste nosso amigo, recentemente o texto que a seguir publicamos após ter  sido autorizado pelo autor.

O assunto tratado já o conhecia de uma maneira geral, pois sempre tivemos interesse por tal temática, tendo-nos habituado desde bem novo a ouvir especialistas na matéria que pugnavam como lhes competia pela verdade e não pela fantochada.

O folclore é um assunto muito sério que obriga a um âmbito muito alargado de conhecimentos e a uma investigação cuidada, como têm de ser todas as investigações. Esta área oferece dificuldades, pois segundo pensamos saber, a documentação escrita é escassa e a oral é muito falível e necessita de confirmação, o que por vezes é difícil de obter.

Um agrupamento folclórico não se faz de um dia para o outro, não basta arranjar uns músicos, enfarpelar as cachopas com saias ou blusas garridas, que ao dançar façam levantar as saias e arranjar um poeta popular, em que o país é fértil para escrever umas letras a contento. Isto é, quando muito, um grupo carnavalesco e neste contexto tudo é admissível.

Este texto serviu para nós e serve para toda a gente que verdadeiramente se preocupe como o assunto, ficando assim mais esclarecido.

JV

 

 
Escreve 

Lino Mendes



Em Portugal moram os grupos de folclore “mais representativos” a nível mundial; mas é também em Portugal que mais de metade dos grupos “que de folclore se dizem” não têm representatividade. Em parte porque nunca se promoveu uma ”Educação para a Cultura da Tradição”, porque o ensino da “cultura tradicional” não entrou ainda no “ensino básico”, porque mesmo ao nível das cúpulas culturais não se sabe o que é folclore, que a UNESCO também se designa por “cultura tradicional e popular”. Aliás, muitos são lá por cima os que consideram “folclore” como coisa de somenos: não ligues que isso não passa de folclore. Aliás ainda, por que muitos são os que ainda não aceitaram que o “popular” e o “erudito” são duas faces da mesma moeda—a Cultura—e que se situam  em  “espaços” que não em” patamares” diferentes. Não compreendendo também ainda que até é no popular que se situam os valores “identitários”.

Pois bem, depois da Secretaria de Estado da Cultura não ter mostrado interesse pelo projecto que “sem custos” lhe apresentámos (refiro-me ao anterior Secretário de Estado, que o actual ainda não respondeu), avancei com a elaboração de um pequeno texto destinado à Escola de Montargil, que foi elaborado com todo o cuidado e seriedade. A pesquisa de conteúdos e o texto base é de minha responsabilidade, que entretanto solicitei a revisão ao antropólogo Dr. Aurélio Lopes que bastante o enriqueceu em especial na forma, para finalmente a escritora Rita Vilela lhe conferir uma linguagem visando o público alvo—os alunos dos 4 anos do ensino básico (e naturalmente todos os que ainda não se iniciaram ou pouco sabem da matéria.

Iniciativa muito interessante a considerou o Dr. Aurélio Lopes, com formação académica mas também experiência no terreno.

O texto é-vos hoje apresentado, e gostaria de saber a vossa opinião sobre o mesmo, inclusivamente para o melhorar, se disso for caso.

 
FOLCLORE?! O QUE É ISSO?

FOLCLORE é um conjunto de tradições, de usos e costumes ligados à maneira como os nossos antepassados viviam, no tempo em que a sua vida ainda não era influenciada pelos usos e costumes de outros povos.

Consegues imaginar um tempo em que “viajar” significava apenas ir trabalhar para outras terras durante algum tempo?

Nesse tempo, quando “viajavam”, as pessoas podiam trazer ou deixar uma ou mais danças, canções, provérbios... Alguns ficavam na cabeça do povo, que os ia adaptando, de maneira espontânea, à sua maneira de ser e de estar.

Dizem os entendidos que a partir de 1910 tudo o que foi criado já não pode ser considerado tradição, folclore, mas nós não acreditamos… pois houve terras onde o progresso chegou mais tarde, e foi o progresso que fez parar a evolução das tradições.

O que cabe dentro do folclore? Música, dança, canções, provérbios, anexins… tanta coisa!

PARA QUE SERVE UM GRUPO FOLCLÓRICO?

Serve para manter vivas as nossas tradições, e também para mostrar, através do espectáculo, os usos e costumes de antigamente, para que as pessoas os possam conhecer.

Um grupo folclórico é assim um tipo de MUSEU VIVO.

Mas, para se poder mostrar como as coisas eram realmente, é preciso que os trajos, as danças, os cantares sejam resultado de uma pesquisa.

Como deves imaginar, à medida que o tempo passa, é cada vez mais difícil encontrar pessoas que ainda conheceram as pessoas que viviam nesses tempos… e começa a ser raro encontrar velhinhos que nos possam falar do tempo dos seus avós. Mas a pesquisa tem de ser feita, não podemos inventar.

HÁ ROUPAS MAIS FEIAS E OUTRAS MAIS BONITAS…

Não interessa se um trajo de um grupo folclórico é mais ou menos bonito, o que é realmente importante é que ele seja igualzinho àquele que usavam os nossos antepassados. E o mesmo se passa com a música…

O outro ponto que temos de garantir é que tudo seja da mesma época: a música, o “baile”, o traje, os cantares… todas as vivências das nossas gentes de um mesmo tempo.

SOMOS UM RANCHO !!!

Decidimos chamar-nos RANCHO FOLCLÓRICO DE MONTARGIL. A designação de GRUPO FOLCLÓRICO também podia servir, mas preferimos o RANCHO pois, em terras como a nossa, um grupo de trabalhadores era chamado de RANCHO de trabalhadores. Há regiões onde um grupo de pessoas se chama RUSGA, outras onde o termo correto é RONDA… na nossa é RANCHO!

HÁ GRUPOS EM QUE OS HOMENS VESTEM DE IGUAL E AS MULHERES TAMBÉM…

Um “grupo de folclore” representa um povo e este não veste todo de igual… Porque é que um grupo folclórico havia de vestir?

Trajo ou farda? Os fatos do folclore chamam-se trajo. FARDA é o que usam a GNR, a PSP, as BANDAS DE MÚSICA, é vestir todos de igual.

 

NOTA FINAL

Quando vemos um grupo folclórico a atuar estamos a assistir a um pedaço de História, não estamos preocupados em fazer um espetáculo ao nosso gosto, estamos a representar os nossos antepassados, gente que viveu entre 199 e 1920. A pesquisa é base de tudo, em folclore não podemos inventar. E não conseguimos recuar no tempo para além dos finais do século XIX.

Isto é apenas o começo. Há tanto a aprender, tanto a descobrir…

Vestir um trajo é transformar-se numa personagem de outros tempos… e, enquanto fores uma “personagem antiga”, não podes usar coisas modernas, só da altura que o traje representa.

Se usas pinturas, brincos, pulseiras, relógios de pulso, rabo-de-cavalo, se te comportas com alguém do teu tempo… ninguém vai acreditar em ti.

Texto elaborado para as aulas de “Iniciação ao Folclore”, na Escola Básica Integrada de Montargil, facultativo e para os primeiros três anos de escolaridade

sábado, 13 de outubro de 2012

Festival Nacional do Figo-da-Índia


Como oportunamente aqui anunciámos teve lugar em Portimão, no passado dia 6 o Festival Nacional do Figo-da-Índia, evento da responsabilidade da APROFIP – Associação dos Produtores / Profissionais de Figo da Índia Portugueses que contou com a valiosa colaboração da Escola de Hotelaria Turismo de Portimão, local onde teve lugar.

No concurso participaram 12 profissionais de hotelaria nas categorias de Gastronomia / Pastelaria e Cocktails, tendo os mesmos apresentado as suas receitas, as quais foram avaliadas por um Júri de elevada idoneidade.

O evento contou com a presença de muitos associados e de várias dezenas interessados pela temática “Figo-da-Índia”.

O Presidente do Município de Portimão, o Director Regional-Adjunto da DRAPAlg, o Eng. Castelão Rodrigues e outras individualidades ligadas a vários sectores de actividades, quiseram estar presentes, associando-se assim ao sucesso desta iniciativa da APROFIP.

A todos que, de uma maneira ou outra, contribuíram para a realização e sucesso deste evento, queremos aqui deixar o nosso Agradecimento.

Apresentamos seguidamente a lista classificativa.

 
Reportagem fotográfica
 
 
  





sexta-feira, 31 de agosto de 2012

FESTIVAL NACIONAL DO FIGO DA ÍNDIA




Recebemos da APROFIP  com pedido de publicação o cartaz respeitante ao FESTIVAL NACIONAL DO FIGO-DA-ÍNDIA, organizado por esta associação com a colaboração de TURISMO DE PORTUGAL e da escola de hotelaria e turismo de Portimão.

 
A realização terá lugar na

 

ESCOLA DE HOTELARIA E TURISMO DE PORTIMÃO

no dia

 

6 DE OUTUBRO DE 2012

 

Faz parte do PROGRAMA, pelas 15:00 HORAS uma palestra proferida por Jack Soifer sobre a importância económica do Figo-da-Índia em Portugal, inserido numa estratégia ambiental e seguida de debate.

 

Faz parte da orientação do ALCOUTIM LIVRE divulgar dentro das suas modestas possibilidades todo e qualquer evento relacionado com o concelho de Alcoutim, desde que o mesmo nos tenha sido solicitado.
 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher (Acróstico)





Poema de

Arlete Piedade


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

APROFIP - Associação de Produtores de Figo da Índia de Portugal

Pequena nota
Recebemos desta Associação o seguinte texto que publicamos com muito gosto e vontade de divulgar uma associação” sui generis”. Pela nossa parte nunca conhecemos outra do tipo no concelho e dar a conheça-la, como já temos feito, aos visitantes / leitores do Alcoutim Livre, constitui um dever.

O ALCOUTIM LIVRE está desde a primeira hora aberto a todos os pedidos que tenham por fim melhorar o concelho e a todos aqueles que desejem expressar a sua opinião por mais diferente que seja da nossa, desde que estejam plenamente identificados e não sejam ofensivos ou caluniadores de quem quer que seja.

JV



Caro Sr. José Varzeano,
Com os melhores cumprimentos.

Venho solicitar que, se possível, seja publicada no blog Alcoutim Livre, a divulgação de Pré-Registo para sócios fundadores da APROFIP – Associação de Produtores de Figo-da-India de Portugal.

A meu pedido e já por mais de uma vez, teve a amabilidade de publicar artigos e informações relacionadas com assuntos de interesse para o concelho de Alcoutim e cujos objectivos se norteiam sempre por contribuir com humildade para o desenvolvimento económico da região e suas comunidades.

É com esse espírito, que ouso pedir-lhe de novo a divulgação desta campanha para a angariação de aderentes à APROFIP a qual pretende, num futuro próximo, apresentar um dossier às entidades competentes, fazendo-as acreditar, com sustentada fundamentação que, a plantação ordenada da Figueira-da-Índia e explorada industrialmente, tem potencialidades para constituir um factor de desenvolvimento no concelho de Alcoutim e noutras partes do território Nacional.

A razão deste meu pedido de divulgação tem como principal objectivo, sensibilizar as populações do concelho de Alcoutim e outros concelhos da região, onde o Figo-da-India encontra aptidões excepcionais para o seu desenvolvimento.

O pré-registo para sócio fundador desta Associação termina logo que atinja a inscrição nº 300 (neste momento e decorridas apenas 3 semanas, já contamos com largas dezenas de inscritos) e todos os sócios fundadores beneficiarão do pagamento de uma jóia de menor valor, em relação aos inscritos posteriormente os quais não irão ter o estatuto de sócios fundadores da APROFIP.

Importa referir que nesta fase de pré-registo não haverá lugar a qualquer pagamento, este registo servirá apenas para a atribuição de nº de associado e poderão sempre desistir se, quando for apresentado o programa de acção da APROFIP, não se reverem nos objectivos propostos. Pessoalmente tenho a certeza que isso não irá acontecer, porque os benefícios para os associados serão esmagadoramente superiores a qualquer jóia.

Qualquer informação que julguem necessárias e a ficha de inscrição devem ser solicitadas pelo e-mail:

nunes_mario@sapo.pt

Com as melhores saudações APROFIP

domingo, 25 de setembro de 2011

Festas de Alcoutim, 60 Anos

TEXTO ESCRITO E LIDO POR

JOSÉ MADEIRA SERAFIM

NO DIA DO MUNICÍPIO

[Recinto das Festas engalanado em 1985. Foto JV]

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Municipal
Exmo. Senhor Presidente da Câmara
Exmos. Senhores Vereadores
Excelentíssimas autoridades presentes
Minhas senhoras e meus senhores


Eu era uma criança de 6 anos quando elas começaram.

De pouco me lembro, embora uma ou outra situação apareça na minha memória como se fosse uma fotografía.

Já mais tarde, as reuniões anuais na antiga sala de sessões da Câmara, presididas pelo Senhor professor Amaral e Presidente da Edilidade, onde eram delineados os objectivos e escolhida a Comissão de Festas. Eu e meus amigos ficávamos junto à porta ou nas escadas de acesso, tanta a afluência de pessoas.

Muito jovem ainda, íamos à Câmara buscar os papelinhos que enrolados seriam os bilhetes vendidos na kermesse. O tal bichinho das festas começava a funcionar.

Nas noites quentes de Agosto juntavam-se quase todos os rapazes e raparigas para colar as bandeirínhas em grandes cordas de sisal, que serviam para ornamentar o recinto. Eram noites muito animadas e de grande confraternização.

E as raparigas remendando a cobertura da kermesse que já era muito velha. Recordo perfeitamente, à porta da Bia Martinho.

Depois foram os peditórios pelos montes, muitas vezes com sacos de trigo às costas, porque esse era o produto que as pessoas tinham mais disponível para oferecer. Nestes peditórios aconteciam sempre as mais diversas peripécias. Para nós jovens eram autênticas aventuras. Ainda hoje é comentado entre os intervenientes, quando porventura nos encontramos, um peditório que fomos fazer aos montes do rio, na lancha do Manuel Balbino.

Aos poucos íamos, de uma ou outra forma, colaborando com as organizações. Na bilheteira, nas mesas, nas portas, onde fazia falta.

A tal divertida madrugada de ir à Lourinhã apanhar canas e loendros par enfeitar o palco e os paus que suportavam as bandeirinhas e a iluminação. Eram jangadas de canas ao sabor da maré e com os barcos a remos fazendo o controlo.

Um rancho folclórico foi constituído especialmente para actuar nas Festas.

Lembro-me com toda a certeza que a ideia partiu da Drª Maria Luiza Anselmo, que aqui foi Notária durante alguns anos, e que nessa altura fazia parte da Comissão de Festas.

Tanto quanto sei continua a ser uma grande dinamizadora na área da cultura, na sua zona de origem. Lagoa/Silves.

Como já havia sido constituído outro rancho, anos atrás, não seria possível se não fosse a concordância do mestre João Ricardo, ensaiador do rancho anterior. Tudo estava ligado e assim aconteceu.

Para a altura foi uma experiência entusiasmante e em que participei. O meu par era a Maria Antonieta.
Naturalmente a esta distância temporal é difícil recordar todos, mas lembro-me perfeitamente do António Antunes, Arnaldo, Lizete, Maria de Fátima (salvo erro), Senhorinha, Amilcar Felício, Bia Martinho, Eleutério Fabião, Maria do Anjos, Chiquinha, e muitos mais que já não consigo recordar.

Posso dizer que tivemos sucesso, infelizmente sem continuidade.

Passando à organização das festas, alguns anos mais tarde chegou a nossa vez.

Por um ou dois anos as festas haviam dado prejuízo, ficando algumas dívidas por saldar, como gasóleo para o gerador, ao Sr. Gomes da Costa, etc.

E o mês de Agosto ia passando e não se ouvia falar em nada. Parecia que as festas iam acabar.

E aí, a juventude da minha geração, alguns com 16/17 anos, e digo éramos muitos e decididos, mas para ser justo o António do Rosário foi determinante, tendo sido mesmo ele que liderou toda a organização. Falando com Presidente da Câmara da altura, foi dada a indispensável cobertura.

Foi avançada uma proposta aceite por todos. Par viabilizar as festas todos pagamos bilhete de entrada, desde porteiros, bilheteiros, organizadores, todos pagamos. E com exploração directa do bar.

Assim as festas desse ano deram lucro, pouco, mas deram.

Nos anos seguintes fiz parte de várias Comissões de Festas, umas sendo um dos organizadores, outras como colaborador.
Em festas deste tipo os colaboradores tinham que ser muitos. E foram realmente muitos.

Quase toda a Vila se mobilizava, e quase todas as pessoas colaboravam de uma ou outra forma.

A kermesse que dava imenso trabalho a montar. A sua organização que era muito complexa e difícil. Aí apareciam sempre os mais velhos com muita tarimba nessa tarefa.

Quando o bar era explorado por nós, o trabalho era imenso. Os bidões com o gelo que vinha de Vila Real de Santo António, para refrescar as cervejas e refrigerantes, o atender tanta gente, era um trabalho extenuante. E tanta gente que o fez sem qualquer contrapartida a não ser a sua satisfação pessoal por ter colaborado.

Nas mesas, eram quase sempre os mesmos, que tinham experiência e sabiam como actuar.

Nas bilheteiras foram tantos. Nas portas foram muitos mais. É difícil enumerar tanta gente.

Mais tarde começou-se a investir. Compram-se as primeiras mesas e cadeiras, sem nunca esquecer a Santa Casa da Misericórdia. Mandou-se fazer um palco, que com uma armação com calhas metálicas e telhas de fibra, Já dava alguma dignidade a quem nele actuava. Também se comprou uma aparelhagem sonora.

Quando acabava uma festa, nos dias seguintes já estamos idealizando e tentar melhorar a seguinte.

O que eu penso em relação ao grande sucesso que estas festas tiveram, foi em função de tantas espanholas e espanhóis que a ela afluíam.

O ambiente criado não tinha paralelo com mais nenhumas. Com a sua alegria e improvisação, era comum ver grupos, principalmente de mulheres e também alguns homens que espontaneamente dançavam as sevilhanas. Muitos com uma guitarra e uma pandeireta faziam um grupo de animação.

Onde em Portugal havia isto?

Só nas Festas de Alcoutim.

Muitas e boas amizades se construíram que perduram até aos dias de hoje.

Na vertente económica, principalmente nos seus primeiros 20/30 anos dinamizaram, e de que forma, o comércio em Alcoutim, pela procura do café e de tanta coisa que faltava em Sanlúcar e povoações vizinhas.
Espanholas chegavam magras e regressavam gordas com tanto café escondido no corpo. Isto que eu digo foi real.

E aqui eu tenho algum conhecimento para falar.

Hoje o benefício comercial é de outra índole mas continua a ser importante.

POSSO E QUERO DIZER QUE ESTAS FORAM E SÃO AS MINHAS FESTAS.

Obrigado.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Peter o inglês que veio para ficar...

Pequena nota
Nunca falámos com Peter ainda que quando nos cruzávamos havia sempre um aceno de cabeça como saudação.
Com a passagem dos anos, tornou-se uma pessoa carismática de Alcoutim, não tenho sobre isso a menor dúvida.
A quando do seu falecimento fizemos referência ao facto na nossa rubrica "Viagens sem Regresso" com os poucos elementos que dispúnhamos, mas entendíamos que era necessário escrever mais alguma coisa.
Como sabíamos que a nossa amiga, Dra. Alexandra Gradim cimentou uma amizade com Peter Francis, convidámo-la a escrever esse texto.
É isso que temos o prazer de apresentar aos nossos leitores agradecendo à Dra. Alexandra Gradim o seu contributo.


JV





Escreve

Alexandra Gradim




Se estivesse entre nós, Peter completaria hoje 77 anos. Os nossos destinos de pára-quedistas em Alcoutim (designação dada pelos alcoutenejos, àqueles que assentam “arraiais” na sua terra) cruzaram-se no seu barco Golden Miller, aportado no cais fluvial, por entre o entusiasmo infantil de duas dezenas de criaturas que procuravam comunicar na sua língua.

[O barco Golden Miller no cais de Alcoutim, que serviu de residência a Peter durante os anos 90 e inícios do novo século XXI.]

Este exercício lectivo ocorrido em inícios de 1993, cerca de um ano após a sua chegada à vila, foi o despoletar de uma longa e enriquecedora amizade partilhada em redor da arqueologia, da paixão por Alcoutim, do desvendar do Guadiana e dos gostos particulares de cada um que, claro está, por vezes convergiam e outras se descobriam.

O capitão Peter Francis Carey, o peculiar inglês que chegou a Alcoutim não como mero turista de passagem, mas que por aqui foi ficando, intrigou sem dúvida os habitantes da vila que, no entanto, o foram paulatinamente aceitando como mais um dos seus residentes. Este foi aliás o sentimento que me foi transmitido, desde aquela primeira experiência com a população mais jovem de Alcoutim e continuadamente, depois, sempre que o tema surgia naturalmente em qualquer conversa de circunstância.

O facto de Peter se recusar a falar outro idioma que não fosse o seu, dificultava, naturalmente, o contacto com os demais. Limitava-se a comunicar num dialecto próprio, à base de pouco mais do que monossílabos portugueses misturados com um inglês gutural, que compunha com alguns gestos que entendia serem suficientes para transmitir o restritamente necessário à sua sobrevivência. A sua simpatia e sorriso sincero, aliado ao facto de todos nós o imaginarmos em fato vermelho e a distribuir presentes por aí, tratavam do resto e ajudaram sem dúvida a que fosse frequente, ao longo dos anos, eu escutar por parte da população palavras que denotavam uma espontânea preocupação que só as pequenas comunidades devotam a um dos seus.

[Peter no seu barco Golden Miller (fotos cedidas pela sua filha Claire).]

No entanto poucos saberiam ao certo, o que o trouxe até Alcoutim, o que o fez persistir em ficar ou porque decidiu adoptar esta terra como o seu derradeiro pouso. Menos ainda conheceriam o seu humor mordaz, a sua habilidade para os trabalhos em madeira ou o seu gosto pela música clássica! Esta sua paixão levava-o a improvisar brilhantemente um violino numa serra de madeira. Recordo divertida a forma como arrancava prodigiosamente à contorcida lâmina os mesmos sons agudos e melodiosos do instrumento, do qual apenas se reconhecia o arco que utilizava.

Uniu-nos provavelmente o mesmo espírito curioso que cada um, à sua maneira, orientava para a área de investigação que mais lhe interessava. A dele era sem dúvida o Titanic. Esta quimera levou-o a reunir uma considerável documentação, extraída em infindáveis horas de pesquisa em bibliotecas da Inglaterra e Holanda à qual juntou a conseguida através da troca de correspondência que mantinha com outros investigadores e curiosos do tema. Chegou mesmo a publicar em boletins da especialidade.

O seu espírito de lobo do mar, adquirido pelo entranhar de cinco décadas na marinha mercante, impuseram lhe o culto de um certo isolamento, bem mais aparente do que real, pois era um excelente conversador, culto e surpreendentemente conhecedor de áreas tão diversas como pintura, mecânica, arqueologia, biologia ou arquitectura, entre outras.

Foi a incumbência de um serviço que o direccionou rumo a Alcoutim, foram as insondáveis incongruências do destino que o amarraram ao Guadiana e lhe entranharam cada vez mais profundamente a convicção de que a vila de Alcoutim seria a sua derradeira morada! Assim sucedeu no início de um Outono de má memória, em que a dele se inscreveu como a do primeiro inglês a ser sepultado no actual cemitério da vila.

domingo, 31 de outubro de 2010

Carta aberta a todos os Alcoutenejos

Pequena nota

Do Sr. Mário Nunes recebemos com pedido de publicação, a seguinte carta dirigida aos “alcoutenejos”.
Como sempre tem sido dito, o ALCOUTIM LIVRE é um espaço aberto a todos os que desejem expor as suas ideias, nomeadamente em relação a Alcoutim e o seu Concelho e é com esta base que acedemos gostosamente à sua publicação com o desejo que as ideias manifestadas possam ter e repercussão que o seu autor deseja.

JV




Caros Conterrâneos, «É preciso acreditar num futuro melhor»

Venho por este meio apelar a todos os que, como eu, gostariam de ver o concelho de Alcoutim melhorar as condições de vida dos que cá vivem e dos que, um dia, queiram regressar, os quais tiveram que emigrar para o estrangeiro ou outra parte do País e fazermos com que, todos eles, possam sentir que o seu concelho está na senda do progresso e congregarmos esforços, num projecto colectivo, em torno d’uma grande empresa S.A.

É com esse objectivo que me dirijo a todos vós e digo: Este é o momento certo para criarmos essa Empresa S.A e tirarmos o nosso concelho de um processo acentuado de desertificação e com o estatuto de «um dos concelhos mais pobres do País». Este é o timming certo para criar essa Empresa, porque os Fundos Estruturais e de Coesão estão a chegar ao fim.

Objectivos a atingir no imediato e a muito curto prazo:
Dinamizar a Agricultura e o tecido empresarial do concelho de Alcoutim;
Fomentar o desenvolvimento do Turismo;
Criar as melhores condições para fixar os jovens;
Implementar «Casas de Repouso» em todas as Freguesias.

Todas essas iniciativas e a sua concretização estariam ao alcance da referida Empresa, S.A., com a envolvência da população do concelho que ao adquirirem Acções dessa Empresa S.A., estariam a contribuir para uma região próspera e criar assim as melhores condições de vida para os seus filhos e netos e também para que a velhice de cada um seja menos dolorosa, dando uma Atenção Especial aos idosos que tiveram toda uma vida difícil.

Como Dinamizar a Agricultura e o tecido empresarial do concelho de Alcoutim?
Criando a «Marca Alcoutim», a qual teria a responsabilidade de dinamizar, valorizar e comercializar os artigos produzidos no concelho, colocando-os nos diversos mercados ou através da «Marca Alcoutim» que seria uma marca « franchizada » e direccionada a um nicho do mercado, apostando na qualidade, inovação e com novos conceitos de Marketing.(Uma região só pode conhecer desenvolvimento económico e social se produzir riqueza e é por isso que temos que aproveitar as nossas potencialidades Hortícolas, Frutícolas, Cinegéticas, Turísticas, Apícolas, Ovino, Caprino e Suíno culturas, Padarias, Charcutarias, Queijarias, Doçarias, etc. etc.)
Esta Empresa teria de garantir o escoamento da produção realizada no concelho, criando uma rede de distribuição, assim como pontos de venda (franchising) numa parte do Algarve (no início), procurando atingir, a curto/médio prazo, todo o litoral Algarvio.

Criando um «banco de parcelas de terreno» divulgando as suas aptidões agrícolas através do site da empresa, S.A. junto de potenciais interessados.(existem no concelho aprox. 150 ha. de regadio a explorar, com aptidões para agricultura biológica a qual tem um maior valor acrescentado, ou em agricultura tradicional com qualidade e aproveitando os meios tecnológicos existentes, para uma melhor rentabilização).

Como Fomentar o desenvolvimento do Turismo?

Criando roteiros turísticos, os quais, devidamente explorados, poderiam melhorar a exploração da Restauração e outras unidades hoteleiras existentes no concelho;
Recuperar «Montes» abandonados, explorando esses Montes como «Turismo Rural», através de um acordo com os proprietários dessas habitações e que seja traduzido em vantagens económicas para ambas as partes.

Como Criar as condições para fixar os jovens?

Essa empresa, S.A. iria certamente criar alguns empregos, mas através da dinamização do Turismo; dos Roteiros Turísticos; através de uma Agricultura rentável; apoiando o empreendorismo dos jovens que, por sua vez, criariam micro Empresas; através da implementação das Casas de Repouso para os idosos, seriam certamente criados muitas dezenas de postos de trabalho.

«O desenvolvimento duma região faz-se faseadamente e com sustentabilidade».
Como Implementar «Casas de Repouso» em todas as Freguesias?

Através da compra e recuperação de alguns espaços existentes em ruínas e que reúnam as necessárias dimensões e Outras Construídas de raiz, com um plano de sustentabilidade e faseado no curto prazo.

Este investimento social seria um dos mais importantes a concretizar, recorrendo a parte do capital social da empresa, concorrendo aos apoios financeiros disponíveis e fazendo uma gestão eficiente, rigorosa e sem quaisquer desperdícios.
Estou convicto que essas «Casa de Repouso» serão, certamente, auto sustentáveis se tiverem uma boa gestão.

Não disponho do número aprox. de Alcoutenejos, mas julgo serem entre 5.000 a 6.000. Se uma parte deles, comprasse cada um, pelo menos, 50 acções a um valor nominal de 5 €, conseguiríamos criar uma empresa com um capital social de 400.000 a 500.000 €uros, o que permitiria avançar com alguma margem de segurança para este projecto e com alguma confiança em atingir os objectivos atrás referidos.

Se considerarmos que teríamos, necessariamente, de concorrer aos apoios financeiros de coesão e de desenvolvimento regional, o valor de 5 € por acção investido, passado algum tempo, já poderia valer 6 ou 7 € .

Como qualquer empresa S.A., também esta teria o lucro como grande objectivo, o qual seria distribuído, no final de cada ano, pelos seus accionistas.

Caros Conterrâneos:

Se tiver da vossa parte, um «feedback» à ideia deste projecto da Empresa S.A., irei contactar um conjunto de pessoas (já sinalizadas) e que têm capacidades para concretizarem este projecto e se aceitarem este desafio, com total disponibilidade, sem bairrismos, com total isenção partidária, sem vaidades, com toda a humildade e sensibilidade social, então teremos, sem dúvida, motivos para acreditar num futuro melhor.

Temos Alcoutenejos com todas as qualidades atrás exigidas e que, julgo, queiram ficar na história do concelho, como fundadores desta grande Empresa e contribuir assim, para o desenvolvimento social e económico de Alcoutim.

Desde já informo que, por uma questão de ética e para que não suscite a ideia de que apresento este projecto para criar o meu próprio emprego, não irei fazer parte da direcção dessa futura Empresa S.A. irei sim acompanhar a sua instalação, ser um investidor/accionista e se assim o entendessem os pequenos accionistas, poderia ser o seu representante (sem remuneração) com total isenção e defendendo os seus interesses com total entrega e sempre em defesa dos mais altos valores de seriedade e transparência.

A Direcção desta Empresa S.A., teria uma vigência de ( x tempo ) a definir pelos estatutos e, se não apresentasse resultados satisfatórios de acordo com os objectivos traçados, seria naturalmente votada em Assembleia Geral.

Aproximam-se tempos muito, muito difíceis em que será preciso uma forte união entre todos os Alcoutenejos e, se estiverem unidos podem reivindicar os seus direitos e ganharem os desafios que, cada vez mais, a vida lhes impõe diariamente.
Caro Conterrâneo, aceite este desafio em nome do seu futuro e do futuro daqueles que mais quer e ama.

Até breve e seja um sócio fundador desta Empresa S.A. com apenas 50 euros de investimento, em prol do desenvolvimento de Alcoutim.

Contacte-me e faça a sua pré-inscrição (sem qualquer compromisso e em sigilo absoluto) mencionando o número de acções que gostaria de subscrever.

Mário Nunes

Telm. 91 911 14 52 ou 93 583 74 32 (através de sms)
e-mail:
nunes_mario@sapo.pt

Com as melhores saudações.

PS:
Não pretendo que este seja o modelo ideal para o desenvolvimento de Alcoutim, ele poderá, naturalmente, ser aperfeiçoado.
Mas tenho a certeza que, se nada fizermos e continuarmos «a trilhar o caminho actual», iremos ter cada vez mais os campos desertificados, os «Montes» em ruínas e os jovens à procura de um futuro melhor, em outra parte do País.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Acreditar num futuro melhor

Pequena nota
Recebemos do Sr. Mário Nunes, do “monte” do Pessegueiro, freguesia de Martim Longo, concelho de Alcoutim, um texto com pedido de publicação no ALCOUTIM LIVRE.
Publicaremos este e outro qualquer que nos enviem com esse sentido, desde que não seja ofensivo para quem quer que seja.
Sr. Mário Nunes, o ALCOUTIM LIVRE é mesmo LIVRE para todos aqueles que pretendam expressar a sua opinião, por aqui não há lápis azul.
Como certamente verificou já tive oportunidade de me referir à entrevista que concedeu expressando a minha modesta opinião sobre o assunto.

JV


(...) . Sr. José Varzeano,

Na sequência da entrevista dada, na passada 3ª feira, dia 21, na Antena 1, no programa da manhã de José Candeias, venho junto de V.(...). pedir a divulgação deste artigo de opinião sobre este potencial económico, existente nos concelhos de Alcoutim, Castro Marim, Tavira, Almodôvar e Mértola.

[Plantação de figueira-da-índia]

A Figueira da Índia é uma planta que encontra nestes concelhos, excepcionais condições a nível de solos e clima, para o seu desenvolvimento.

Apenas 2.000 ha. (400 ha por concelho) bastariam para produzir cerca de 60 milhões de kilos de fruto, os quais, após transformação, gerariam uma receita aprox. de 100 milhões de €uros.

Esta agro-indústria baseada na transformação do figo-da-índia já existe em muitos paises (Itália, Brasil, México, Estados-Unidos, Colômbia, etc.) .

Mas o nosso figo (devido às características do clima e dos solos), é dos melhores do Mundo e ganharia rapidamente os mercados internacionais.

Da palma e do fruto da Figueira-da-índia produz-se : Óleo, muito valioso (extraído da grainha), Nopal, Puré, Sumos, Doces, Licores, Aguardentes, Gelados, Yogurtes, Pigmentos p/ corantes Alimentares, Rações p/ animais, etc. etc...

Cada ha produz cerca de 30.000 kg de figos, o que proporcionaria ao agricultor uma receita aprox. de 10.000 € / anual. Esta planta a partir do 2º, 3º ano já produz fruto e ao 5º, 6º ano atinge uma produção "cruzeiro", se considerarmos que esta planta não necessita de rega ou produtos químicos, bastando apenas uma lavoura e uma aplicação de matéria orgânica anualmente, os Agricultores destas regiões tão pobres e com tão poucos recursos económicos, teriam assim, nesta planta, uma boa fonte de rendimento.

Já existe uma empresa, sedeada em Faro, que comercializa alguns produtos derivados do figo-da-india, mas que são importados. Recentemente tive uma conversa com o gerente dessa empresa, que manifestou todo o interesse, já no próximo ano, em absorver uma parte dos figos que nestes concelhos já são produzidos.

É lamentável que o poder decisório, muitas vezes, não tenha qualquer visão sobre o aproveitamento das potencialidades económicas existentes nestas regiões desfavorecidas, como neste caso concreto, em que o investimento nem sequer é significativo, se compararmos com os milhões já gastos na plantação de pinheiros e que têm um retorno financeiro muito duvidoso a médio ou longo prazo.

É urgente sensibilizar o poder local e central e a iniciativa privada, para esta riqueza, que não está a ser aproveitada.

Esta é uma grande aposta de negócio, para as nossas empresas, que estão a ir constantemente ao estrangeiro, quando essas oportunidades existem aqui tão perto.

Se o ministério da Agricultura em conjunto com o poder local e a iniciativa privada fomentassem esta agro-indústria, ela iria criar largas centenas de postos de trabalho directos e indirectos e um desenvolvimento com sustentabilidade para estas regiões, que vivem actualmente um processo de desertificação acentuada.

Esta agro-indústria, caso fosse implementada, iria criar um pólo de atracção turística, nos meses de Maio e Junho, com o esplendor paisagístico desta planta durante a floração, e nos meses de Agosto e Setembro, por ocasião da apanha do fruto. A Figueira-da-índia esconde ainda outras enormes vantagens: do ponto de vista cinegético, é uma fonte de água, alimento e abrigo para diversas espécies selvagens e na defesa contra fogos e no controlo da erosão dos terrenos e também muito interessante para a apicultura.

Depois do programa na Antena 1, recebi vários contactos de pessoas que têm terrenos e os disponibilizam para esta planta, se este projecto avançasse, só uma pessoa natural de Giões, Alcoutim, reservava 30 ha. de terreno para a plantação da Figueira-da-índia. Recebi outras mensagens de pessoas que me incentivavam a continuar a lutar por este projecto até conseguir sensibilizar e despertar o Poder de Decisão, mas julgo que devo parar por aqui, tentei mobilizar consciências e vontades, penso que fiz a minha parte como cidadão interessado no desenvolvimento económico e produtivo desta região.

[Tuneiras em Alcoutim. Foto JV, 2010]

Aqui deixo um desafio aos Srs. Presidentes das Câmaras de Alcoutim, Mértola, Almodôvar, Tavira e Castro Marim para que criem uma empresa mista e aproveitem os actuais financiamentos para a produção e inovação. Enviem uma delegação ao sul de Itália, com terrenos e clima semelhantes ao nosso, onde existe uma agro-industria de Figo-da-India e vejam no terreno como as coisas funcionam. Também sugiro que contactem o prof. Paolo Inglese, da universidade de Palermo e um dos maiores especialistas mundiais no cultivo desta planta.

"Aqueles que hesitam, acabam não conseguindo nada. Somente a decisão corajosa traz a vitória. As pessoas decididas sempre criam a ocasião propícia através das suas próprias decisões. Essas pessoas não esperam que a oportunidade venha, nem se tornam escravo dela: elas criam a OPORTUNIDADE "

Não pretendo qualquer promoção e até recuso qualquer divulgação da minha imagem pessoal, apenas quero, com humildade, dar o meu contributo como cidadão em prol desta região, onde nasci e vivi até aos 11 anos e não aceito que seja tão esquecida pelo poder que detêm as decisões, por vezes tão ambíguas.

Mário Nunes
(Dirigente associativo)

Pessegueiro, Martim Longo, Alcoutim

nunes_mario@sapo.pt