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terça-feira, 3 de junho de 2014

José Varzeano, um alcoutenejo de mão cheia

Não nasceu em Alcoutim, mas apaixonou-se, de coração. Primeiro por uma alcouteneja, depois pela terra.

Foi uma paixão com tamanha intensidade, que lhe dedicou todo o seu tempo livre. Foi uma paixão para a vida, e ao longo de mais de quarenta anos, estudou-a ao pormenor, tentando dentro das suas parcas possibilidades (palavras dele), transmitir esse conhecimento a todos quantos o quiseram saber, e se interessavam por ele.

Foram algumas centenas de artigos nos mais variados meios de comunicação social, nomeadamente local, sempre com verdade, como era seu apanágio, apontando os defeitos e enaltecendo as virtudes.

Imortalizou-a com algumas publicações mais elaboradas, de onde se destacam as duas monografias: “Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (subsídios para uma monografia), Edição da Câmara Municipal de Alcoutim, Rio Maior, 1985” e “A Freguesia do Pereiro (do concelho de Alcoutim) «do passado ao presente», Edição da Junta de Freguesia do Pereiro, Tavira, 2007”.

Terminou no passado dia 30 de Maio de 2014 a sua passagem por este mundo terreno, mas deixou a sua marca, e acredito que o tenha feito no coração de todos os alcoutenejos que amam a sua terra.

António Miguel Ascensão Nunes, de pseudónimo José Varzeano, um “alcoutenejo” de mão cheia.

Pai, aqui fica a última postagem do teu blogue, a tua “Viagem Sem Regresso”, que continuará “on-line” para que todos aqueles que queiram e gostem, continuem a usufruir.

Estarás para sempre no meu coração.

Do teu menino de oiro, como um dia aqui escreveste,

José Miguel Nunes

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Maria Tomásia Barão


Chegou-nos a notícia do falecimento, pelas 9 horas de hoje, em Alcoutim, de Maria Tomásia Barão, filha de Ti  Gregório Barão, que ainda conhecemos de avançada idade e que desempenhou a actividade de barqueiro e de Ti Maria dos Ramos.

Maria Tomásia faleceu aos 91 anos, em casa de seu filho mais novo e era bem conhecida de todos os alcoutenejos.

Teve seis filhos, o mais velho e o mais novo do sexo masculino e que se encontram fixados por vários locais, incluindo o estrangeiro.

O Ti Gregório  ajudou-a a criar, pelo menos os mais novos, lembramo-nos muito bem de os ver seguros pelas suas mãos, um de cada lado a percorrer as ruas da vila.

Teve sempre uma ligação forte ao mais novo, o nosso amigo José António, o único que verdadeiramente criou e com quem toda a vida viveu.

Era o seu menino, que não queria perder por nada e quando o via em “perigo” recorria à GNR a quem solicitava ajuda. Diga-se de passagem que foi dele que sempre recebeu carinho e apoio.

Ainda a tínhamos visto na nossa recente estada em Alcoutim com alguma desenvoltura.

Desaparece assim mais uma figura emblemática de Alcoutim, facto que damos a conhecer a todos que a conheceram.

O seu funeral realiza-se amanhã para o cemitério de Alcoutim.

Condolências aos seus, em especial ao José António, a quem enviamos um grande abraço. -Serás tu Zé o que vais sentir a falta da tua mãe.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Alfredo Pereira Afonso

 
 
Faleceu a 4 de Outubro aos 82 anos no Montijo aonde vivia, Alfredo Pereira Afonso.
 
Era o 4º dos seis filhos de Catarina Pereira Afonso (vulgo a Ti Catarina das Portas) e de Alfredo Afonso.
 
Pertenceu àquela geração de ouro de alcoutenejos, que nos anos cinquenta do século passado partiam do nada e sem nada para a tropa e para uma vida sem saber o que o futuro lhes reservava. Sem qualquer tipo de ajudas num Portugal deprimente, conseguiriam construir o seu futuro a pulso muitos deles obtendo uma Formação Superior por sua conta.
 
Alfredo Pereira Afonso trabalhou no campo até à tropa como tantos outros da sua geração, seguindo posteriormente a vida militar como mecânico e aposentando-se como Capitão da Força Aérea.
 
Um pelotão da Força Aérea render-lhe-ia as últimas homenagens.

Aqui fica a triste notícia para todos os amigos que o conheceram.


Às filhas assim como aos irmãos José Afonso Pereira e Mariana Pereira Afonso, residentes no concelho de Alcoutim que tão bem conhecemos, apresentamos os nossos sentidos pêsames, tal como a seu sobrinho e nosso colaborador, Amílcar Felício.
 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Manuel António Sebastião (vulgo Manuel André)


Não fui eu que atendi o telefone, mas pressenti logo que a notícia não era boa. Vinha do concelho de Alcoutim, mais propriamente do “monte” de Afonso Vicente.

O Manuel André tinha sido encontrado já sem vida, às primeiras horas do dia junto da estrada das Cortes Pereiras, quando se sai da 122 e se entra nesta.

Como era hábito, deslocava-se com alguma assiduidade a Lisboa onde tinha passado grande parte da sua vida como funcionário do Ministério das Obras Públicas.

Era uns meses mais velho do que eu. De vez em quando telefonava-lhe para saber como se encontrava e saber também notícias do irmão Francisco e do primo António. Nestas conversas havia sempre alguma brejeirice, principalmente, quando se encontrava em Lisboa, como aconteceu da última vez que lhe liguei, pois ao atender disse-me logo que estava em Lisboa. Não pensava que era a última chamada que lhe fazia.

Manuel António Sebastião que na sua terra era só conhecido por Manuel André visto seu pai, que ainda conheci, se chamar André, teve quatro irmãos e dos cinco nenhum constituiu família.

Foi das poucas pessoas que regressou ao monte. Ainda que a pensão de reforma chegasse para a sua manutenção, gostava de brincar à agricultura, principalmente ao hortejo. Semeava, todos os anos e sozinho, uma saca de batatas, fazia grandes sementeiras de alhos e cebolas não deixando de semear favas e griséus. Ainda este ano e sabendo que eu não tinha favas levou-me um cesto delas, apesar de já estarmos numa altura de escassez.

Todos os anos fazia o vinho e eu tinha sempre de o provar para dar a minha opinião.

Possuía uma horta nas Murtosas que ficava a uma distância de três ou quatro quilómetros de casa. Recuperou o poço mandando fazer um novo gargalo e aprofundando-o. Comprou um motor para assim poder tirar água para a rega.

Não deixou de adquirir uma moto-enxada que lhe servia para cavar a terra.

Embora a visão fosse afectada pela diabetes nunca deixou de ter esta actividade que lhe dava prazer e o ocupava, ajudando-o deste modo a passar o tempo.

Outra das coisas que gostava de fazer era cozinhar e nunca se limitou a comer uma bucha como muitos fazem. Mesmo só para ele, fazia comida de “panela”a horas, para usar uma expressão local. Às sete e meia, oito horas, o mais tardar, estava na cama.

Era um benfiquista ferrenho.

Ia pelo menos uma vez por semana à vila, onde comprava os medicamentos e mais alguma coisa que precisava, não deixando de almoçar no restaurante.

Era dos poucos frequentadores da “sociedade” onde tomava o seu cafezinho depois de almoço.

Quando estava no monte, não deixava de o procurar para conversarmos um bocado, principalmente sobre a horta.

Um dia, sentindo as minhas mazelas, observei-lhe:- O senhor não tem dores, não se queixa!  - Eu ter tenho, mas a quem me queixo!

Em 2009, resolveu aplicar algumas economias que tinha e aproveitando um local onde em tempos  existiu uma casa de seus pais, mandou construir uma interessante habitação com todas as condições e onde viveu os três últimos anos. Não deixou de fazer um canteiro onde plantava alfaces, semeava salsa e coentros, plantava algumas cebolas e pimentos para uso na sua culinária.

Em vez de deixar o dinheiro, deixo a casa -  afirmava-nos.

No monte, já são menos de uma dúzia!

Faleceu aos 75 anos.

A autópsia irá indicar a causa da morte.

Será sepultado no cemitério da vila.

Condolências aos irmãos.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Augusto Gregório Lourenço


Foi sepultado no dia 26 de Junho último no cemitério da Vila de Alcoutim este seu filho nascido a 21 de Setembro de 1932.

Era conhecido, como todos os irmãos, por Balbino, visto sua mãe se chamar Maria Balbina.

De uma prole de oito filhos, cinco rapazes e três raparigas, dizem-nos que era o mais novo dos rapazes, constando-nos ser ainda viva uma irmã. Só conhecemos além deste, Manuel e Francisco. O Francisco descreveu-nos em pormenor toda a vida do pescador do Guadiana, dados de que ainda hoje nos servimos para os nossos escritos.

Augusto Balbino, que era casado e deixou filhos e netos, fez a maior parte da sua vida em Vila Real de Santo António onde foi funcionário dos CTT e onde vivia.

Aqui deixamos a notícia para conhecimento dos seus amigos que visitam o ALCOUTIM LIVRE e que se encontram espalhados por todo o país e mesmo no estrangeiro, nomeadamente na Europa.

As nossas condolências.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Maria Silvéria Batista



Tivemos conhecimento no dia 8 deste mês do falecimento de Maria Silvéria Rita Batista, viúva do nosso amigo João Parreira Batista e mãe de João Manuel Batista. O funeral realizou-se em Alcoutim no dia 9 de Fevereiro de 2012.

Era natural de Mesquita, concelho de Mértola, onde nascera a 14 de Junho de 1930.
Há pouco mais de um ano vivia no Lar de Alcoutim, onde a vimos pela última vez em Junho do ano passado. Conheceu-nos imediatamente. Gozava de muito boa saúde mental e física como então observei e assim se manteria até à véspera de morrer.

Adoeceu de repente com dificuldades respiratórias e cardíacas, vindo a falecer no mesmo dia no Hospital de Faro.

G.S.

Pequena nota:

Aproveito o espaço para daqui enviar o meu abraço de condolências ao seu filho, meu "velho" Amigo João Manuel que conheci ainda nos bancos da "primária",que foi vários anos vereador na Câmara Municipal de Alcoutim e o 1º Comandante dos Bombeiros Voluntários da sua terra natal.
JV

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Marçal Luís Rita

– MAIS UM AMIGO DE ALCOUTIM QUE NOS DEIXA



Tivemos notícia da morte súbita deste nosso amigo que ocorreu no dia 20 em Viseu, onde morava. Era primo do Joaquim Rita e de Maria Silvéria Batista. Natural da Mesquita no concelho de Mértola, veio com seus Pais morar em Alcoutim no início dos anos 50. Seu Pai, agente da Guarda-fiscal, foi impedido do então comandante de secção tenente Francisco Neto.

Depois de estudos secundários fez o curso de sargentos milicianos em Tavira juntamente com o José Cavaco Peres, fez carreira militar, atingindo o posto de capitão do exército.

A última vez que conversámos foi pelo telefone no dia 1 deste mês. Eu queria esclarecer a data das Festas de Alcoutim e perguntei-lhe: Quando foi a primeira festa a que assististe em Alcoutim? A que ele me respondeu sem qualquer hesitação e nestes termos: Foi em 1951, à primeira grande festa! Às anteriores não assisti, pois ainda não morava lá. Mas sei que se realizaram outras.

Em 1952 já pertenceu à comissão de festas na comissão de Música e Baile, como é referido no opúsculo editado este ano pela C. M. A.

Aqui ficam as nossas condolências à família e a expressão da nossa saudade.

G.S. 2011-09-22

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

José Gaspar Patrocínio



Acaba de nos chegar, via telemóvel, a notícia da morte ocorrida ontem deste venerando ancião aos 101 anos, no Lar de Idosos de Alcoutim, que ocupou durante mais de vinte.

Este alcoutenejo nascido a 17 de Abril de 1910, por isso, contemporâneo da Implantação da República no país, era filho de Gaspar Francisco Peres e de Maria da Felicidade.

Iniciou-se no trabalho aos 14 anos no escritório do irmão, industrial de conservas em Portimão. Já como guarda-livros serviu no Grémio da Lavoura de Moura e Barrancos.

Mais tarde e já casado exerce a profissão em Lisboa numa empresa Rodoviária de Transportes.

Sem descendentes directos, era uma pessoa bem disposta e até bastante tarde assistente assíduo das reuniões da Assembleia Municipal de Alcoutim gostando de ouvir e apreciar as posições políticas expostas.

A quando da passagem dos seus 101 anos, que aqui referimos, foi-lhe feita grande festa para a qual estava eufórico.

Era primo em segundo grau, entre outros, do amigo e colaborador Eng. Gaspar Santos a quem apresentamos o nosso pesar.

Foi sepultado hoje no cemitério da Vila de Alcoutim.

domingo, 28 de agosto de 2011

Mariana Barradas Franco

Faleceu na cidade de Peniche no passado dia 20, com 89 anos de idade esta Senhora, alentejana, natural de Serpa e que nunca perdeu a pronúncia da sua região natal.

Tendo-se fixado bem jovem nesta então vila onde veio exercer a sua actividade profissional, acabou por aqui casar e constituir família.

De fino trato, conhecíamo-la há muitos anos e nas nossas conversações entrava com frequência a gastronomia e culinária principalmente referente à da sua região de origem.


Foi mais uma mãe que recebeu o amor e carinho de um filho que a tratou, quase sozinho até ao último suspiro.

Mariana Franco era mãe do nosso Amigo e apreciado colaborador deste espaço, Fernando Lino, daqui lhe enviando o nosso abraço de condolências.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Laurentina Maria


Foi a sepultar ontem no cemitério da Vila de Alcoutim, Laurentina Maria, de 84 anos de idade, viúva, natural e residente na povoação de Cortes Pereiras, freguesia e concelho de Alcoutim.

Viveu sempre com o seu filho mais velho, solteiro, que a tratou com muito carinho, levando-a a consultas e cuidados médicos, ministrando-lhe a alimentação até à higiene diária, por vezes com o auxílio do irmão.

José Manuel, funcionário da Câmara Municipal, apesar de limitações de vária ordem não quis optar por depositar a mãe num albergue, saindo assim da prática comum no concelho e por esse país fora.

O nosso amigo José Manuel deve sentir-se hoje confortado pelo dever cumprido o que não pode acontecer a muita gente.

O nosso abraço de condolências.



VIAGEM SEM REGRESSO

segunda-feira, 7 de março de 2011

Lucília Pereira



Acabámos de receber a notícia do falecimento da nossa amiga alcoutenense, Lucília Pereira, vulgo Pimenta, ocorrido hoje no Hospital da Cidade do Funchal.

Com 92 anos, era enfermeira aposentada e exerceu funções no Hospital de D. Estefânia em Lisboa.

A foto tirada em Alcoutim representa-a aos 55 anos.

Foi criada na Rua de Nª Sª da Conceição e muito brincou nas assassinadas escadinhas que morreram primeiro do que ela.

Tínhamos pelo menos, um contacto anual, o que acontecia pelo Natal. No último assim foi e continuava a mostrar-se com uma voz fresca e muito lúcida.

Foi uma das fontes a que recorri quanto a usos e tradições quando organizei “Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (Subsídios para uma monografia)”, 1985.

Filha de Manuel Pereira, vulgo Pimenta, magarefe de profissão, de fundas raízes alcoutenejas e de Maria do Nascimento, deixa a sua única filha, Arlete, genro, uma neta e dois bisnetos a quem apresentamos as nossas condolências.

O funeral tem lugar amanhã na cidade do Funchal onde passou os últimos anos da sua vida.

domingo, 28 de novembro de 2010

Maria Helena Peças Magalhães Bernardes



Foi hoje a enterrar no cemitério dos Capuchos, da cidade de Santarém, esta nossa familiar que contava 72 anos.

Não era uma familiar próxima pois éramos primos em 3º grau. Fomos criados na mesma rua até cerca dos vinte anos e sempre funcionámos como primos direitos. A sua mãe mamou na minha avó e a minha, na avó dela.

Nos bons e maus momentos precisávamos sempre da presença um do outro como acontece a quem é próximo.

Filha única de filho único, foi consequentemente neta única pelo lado paterno.

Adorava o avô que praticamente a criou e acompanhava-o para todo o lado.

Irreverente por natureza, conhecia toda a gente no bairro onde nasceu e praticamente sempre viveu. Dizia-nos que só podia viver ali.

Ainda que tivesse sido boa aluna na primária, negou-se sempre a continuar o estudo que não gostava. A sua predilecção ia para as artes manuais e até o teatro que praticou com amadorismo.

Gostou sempre de versejar e ainda que não o tivesse feito com técnica, os seus poemas transmitiam sempre algo de muito profundo.

Reproduzimos aqui um dos seus mais curtos e melhores poemas , escrito em Santarém a 12 de Julho de 1961.


TARDE
Quando, se quando
um quando
chegar por fim

Talvez o quando
Não seja quando para mim. (*)


(*) A minha vida (autora) foi feita assim, chega tudo tarde que deixa de ter sentido. (quando)



Como a imagem representa, organizei-lhe artesanalmente uma compilação dos seus versos em 1993 e a que deu o título de Poemas Artesanais, o que muito a sensibilizou.

A compilação (feita à máquina de escrever) reúne versos desde 1954 até 1993 e é constituída por 165 páginas A/5 incluindo prefácio e nota biográfica.

Não quis deixar de me enviar, como sempre fazia, os últimos versos que fez


Em amorosa comunhão

Os Inácios (*) juntos estão

Com os familiares seus

Vivendo todos este dia

Com amor e alegria

Até me dizerem Adeus.


Setembro de 2010.

(*) Inácios, são a família do marido que anualmente se reúne na vila da sua origem.

Era a despedida como se veio a verificar.

Maria Helena, encontrando-se a poucas horas do seu perecer procurou que o marido que tinha junto de si me contactasse para se despedir de mim, enviando um beijo para mim e toda a família pois ia morrer, como veio a acontecer.

Ficam comigo os teus versos para sempre te recordar.

Condolências para quem sentir a dor.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Peter Francis



Peter Francis, cidadão britânico, que subindo o Guadiana no seu iate, chegou a Alcoutim em 1992 e foi o primeiro ou dos primeiros que se fixaram entre Sanlúcar e Alcoutim.

O mar foi sempre a sua grande paixão. Tornou-se capitão de carregueiros. Tinha, além de outros, grandes conhecimentos em carpintaria e mecânica naval.

Em Alcoutim interessou-se pela arqueologia.

Vendeu a embarcação e comprou uma pequena casa em Alcoutim onde vivia só. Ainda houve uma tentativa para se fixar seu país de origem, tendo mesmo posto em venda a habitação, mas acabou por regressar a Alcoutim, pois era aqui que se sentia bem.

Vítima de aneurisma, faleceu no dia 23 de Setembro último aos 76 anos, o funeral realizou-se em 6 de Outubro muito participado pela comunidade alcouteneja e com a presença da filha, genro e um sobrinho.

Nunca falámos com Peter (como era conhecido na vila) uma figura carismática de Alcoutim, mas cumprimentava-nos sempre com um pequeno gesto e um sorriso aberto.

Ainda que um pouco tardiamente, aqui deixamos esta pequena nota em sua homenagem.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

António Silva Carmo


Foi hoje a enterrar no cemitério de Peniche, este benquisto cidadão, algarvio pelo nascimento, não de Alcoutim mas da típica Olhão, onde nasceu a 30 de Outubro de 1933.

Muito jovem acompanhou os pais na sua vinda para Peniche onde acabaram por se fixar.

Aqui fez a instrução primária e completou o curso geral do comércio.

O seu primeiro emprego foi na desaparecida Tipografia Penichense onde aprendeu os rudimentos de encadernação.

Vai entretanto para Angola onde como funcionário público exerce funções administrativas até ao 25 de Abril de 1974.

Entretanto reforma-se e dedica-se exclusivamente à encadernação que vai aperfeiçoando com a prática e a grande sensibilidade que tinha para esta arte.

Possuo algumas dezenas de livros por ele encadernados e representativos das várias fases que passou.

Tive oportunidade de em 4 de Setembro de 2009, lhe dedicar neste blogue uma “postagem “ANTÓNIO DA SILVA CARMO, UM ARTISTA” e então já convencido que não seria fácil, devido à sua incapacidade motora, de voltar a encadernar, actividade que realizava com muito gosto.

Acabei de o acompanhar à sua última morada. Tinha 76 anos.

Renovo as minhas condolências à família.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Galhardo Palmeira



Faleceu no passado dia 25, em Monte Gordo, onde residia, Joaquim Humberto Galhardo Palmeira, de 94 anos, natural de Tavira, freguesia de Santa Maria., tendo-se aposentado em 1987 por limite de idade como professor da Escola Secundária de Vila Real de Santo António.

Foi pároco de Alcoutim desde Setembro de 1944 até final de Junho de 1946.

Depois de ter abandonado a vida sacerdotal e ter casado, dedicou-se ao ensino particular transitando depois para o oficial.

O Dr. Galhardo Palmeira interessou-se sempre por Alcoutim e após a leitura do nosso trabalho, Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (...) 1985, teve a amabilidade de nos escrever, carta da qual respigamos: Não tenho o prazer de conhecê-lo pessoalmente, mas tal circunstância não me impede de felicitá-lo pelo seu excelente trabalho de pesquisa e de recolha de dados históricos e tradicionais sobre Alcoutim. Acabo precisamente agora de ler o seu livro, que sinceramente muito apreciei.

Teve depois o cuidado de corrigir anomalias que encontrou, de uma maneira geral referentes à época em que paroquiou a freguesia e motivado por informações erradas que nos foram transmitidas.

Naturalmente que agradecemos as palavras que nos enviou e o precioso auxílio que nos prestou, possibilitando-nos as correcções que logo fizemos em vista de uma possível 2ª edição e onde naturalmente se indica a fonte.

Com este pequenino texto aqui prestamos a nossa homenagem ao Homem e Professor que foi o Dr. Galhardo Palmeira.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Joaquim Gomes


Faleceu hoje e vai a sepultar amanhã no cemitério da Vila de São Brás de Alportel, Joaquim Gomes, vulgo Relógio, de 92 anos, natural de Balurcos-Deserto, freguesia e concelho de Alcoutim.

Residiu durante muitos anos nesta vila algarvia onde exerceu a sua profissão e se aposentou.

Deixa três filhos, vários netos e um bisneto.

Depois de terem feito a viagem todos os meus tios por consanguinidade, e eram sete, este é o último a fazê-la dos que o eram por afinidade.

Já não tivemos forças para o ir acompanhar, como era nosso desejo. As distâncias parecem cada vez maiores.

As condolências aos seus.

[Monte do Deserto, Balurcos, 2009]

sábado, 21 de novembro de 2009

Luís Guerra dos Reis Nunes



Faleceu hoje em S. Martinho do Bispo, arredores de Coimbra, com 78 anos este meu primo, o quinto a partir dos dez netos que tiveram os meus avós paternos.

Ainda que nos tivéssemos criado distantes um do outro, mantivemos sempre uma relação afectiva.

Teve sempre residência de férias na aldeia de origem da nossa avó, situada no concelho de Arganil.

Irá ser sepultado no cemitério da freguesia onde residia, deixa viúva, três filhos e quatro netos.

Aqui fica o meu abraço angustiado a estes familiares.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

António de Assunção Valério

Só hoje nos é possível noticiar o falecimento do alcoutenejo, António de Assunção Valério, de setenta e oito anos, ocorrido no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no dia 26 de Agosto último.

Enfermeiro-chefe aposentado, fez o curso de enfermagem psiquiátrica com alta classificação, curso que iniciou em 1949.

Frequentou, entretanto, o curso de medicina e o de matemática, que não concluiu.

De 1943 a 1949 exerceu funções no Grémio da Lavoura de Alcoutim.

Foi um dos fundadores do Grupo Desportivo de Alcoutim e correspondente de jornais diários.

Manteve sempre ligação à terra que o viu nascer, tendo mesmo construído habitação de férias no monte da Corte da Seda, onde passava temporadas.

Veio a sepultar no cemitério de Alcoutim no dia 29 de Agosto.

As nossas condolências.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Miguel Ferrera

Pequena nota
Há quatro ou cinco dias a notícia chegou-me por mensagem no telemóvel. Procurei junto do informador mais elementos que afinal não possuía. Devia ter falecido há poucos dias.

Fiz outro contacto telefónico. Do outro lado confirmam-me a morte mas não sabem dizer quando, talvez fins de Julho.

Voltei a contactar outro amigo. Sabe dizer-me quando faleceu o D. Miguel de Sanlúcar? Não tenho conhecimento de nada. Perguntou no café se alguém sabia alguma coisa (local, Vila de Alcoutim). Enquanto uns diziam que ainda era vivo houve alguém que disse que tinha morrido ia para seis, sete meses.

Com tantas dúvidas, não podia avançar com qualquer notícia.

Nova tentativa de esclarecimento. Agora através de” e-mail” para o país vizinho. O afastamento por uns dias só possibilitou hoje a informação mais segura.

Como era possível D. Miguel Ferreira ter falecido em Fevereiro e em Alcoutim ser facto desconhecido! Confesso que me custou a acreditar.

E agora, a informação para mim mais chocante, que dou por intermédio de uma amiga que me disse que a família lhe informou e estava naturalmente bastante chocada com isso, que não tinha ido nenhum português, que tivessem tomado conhecimento, a acompanhá-lo à ultima morada!

Não foi o povo (sabe-se o que é o povo a que pertenço) e os seus eleitos que o representam, não dispunham de barco para os transportar! Onde está a apregoada (quando convém) fraternidade com os sanluquenhos?

Tudo isto me custa a acreditar.

JV



Morreu o D. Miguel em Fevereiro e só agora o consigo confirmar.
Não era um alcoutenejo mas era como se fosse.
Nasceu em Sanlúcar do Guadiana em 1920 onde sempre viveu explorando o comércio tradicional que desde os princípios do século passado a família possuía, primeiro o avô, depois o pai que faleceu quando ele tinha 20 anos e se encontrava às voltas com a guerra civil no interior do país.

No seu comércio misto, típico das pequenas terras, de tudo vendia.
Os portugueses eram bons clientes principalmente de conhaques (Pedro Domec e Terry), vidros (duralex), chocolates, louça de esmalte, caramelos e ferramentas de corte, nomeadamente machadas enxadas e tesouras de podar.

Nessa altura o escudo valia o dobro da peseta!

Em contrapartida os espanhóis vinham buscar a Alcoutim outras coisas como o café, tabaco (20-20-20), oiro, cordas, etc.

D.(Sr.) Miguel, como era tratado pelos portugueses, tinha com todos um excelente relacionamento, era uma pessoa muito prestável e bastante considerada.

Também eu mantive com ele um bom relacionamento e agradeceu-me imenso a oferta que tive o gosto de lhe fazer do meu primeiro trabalho em livro, Alcoutim, capital do nordeste algarvio (subsídios para uma monografia), de que veio a adquirir vários exemplares para oferecer a familiares e amigos, o que muito me honrou.

Com ele falava em tudo excepto sobre a Guerra Civil.

Exerceu as funções de Alcaide na sua terra natal.

Deste espaço envio as minhas sentidas condolências à família e em especial aos seus filhos, Angélica e Miguel Ângelo, podendo terem a certeza que se estivesse em Alcoutim e soubesse do acontecido nunca teria deixado de os acompanhar nesse momento tão difícil.

Não me importava de ser o único português.

sábado, 1 de agosto de 2009

Fernando Vaz Martins

Faleceu ontem em Lisboa, com 86 anos o alcoutenejo Fernando Vaz Martins que irá ser hoje sepultado no cemitério de Benfica.

Era o último vivo de uma série de irmãos e que conheci no funeral do mais velho, Leopoldo, ocorrido há muitos anos em Alcoutim.

Saiu novo da “pequena vila raiana” tendo feito toda a sua carreira de funcionário da então Direcção-Geral das Contribuições e Impostos em Serpa.

Apesar do afastamento físico da sua terra natal onde excepcionalmente se deslocava, manteve sempre com ela um sentimento de afectividade que só os mais íntimos conheceram, tendo estado na sua mente o desejo de ir morrer a Alcoutim.

A doença que o acabou por vitimar, não lhe permitiu satisfazer esse desejo.

As nossas condolências.