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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Dia de Festa


Não fomos nós que escolhemos o título desta última Câmara Escura, mas quem amavelmente nos cedeu esta fotografia.

Pouco podemos escrever sobre ela, pois os elementos que nos enviaram são poucos.

É foto dos anos 50 do século passado e tirada nos Guerreiros do Rio.

O acordeonista é bem jovem e dizem-nos ser natural dos Balurcos.

Pelo título que nos foi dado, parece tratar-se de uma festa e lá está o acordeão para a animar.

Aparece-nos ali uma figura um pouco esquisita, a terceira do lado esquerdo, sem contar com a criança que está ao calo. Toda de negro com um laço (?) na cabeça e cinto branco. Apresenta um fio ao pescoço com um crucifixo.


No conjunto há uma figura que nos parece reconhecê-la, a segunda do lado esquerdo e do último plano. Será a Isabel? Sei que era natural desta zona, o que pode cimentar a nossa impressão.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Volta a Portugal de 1965


 A Volta a Portugal em bicicleta realizada entre 30 de Julho e 15 de Agosto foi a 28ª realizada no País e constou de 18 etapas.

Foi ganha por Peixoto Alves do Benfica, tendo ficado na 2ª posição João Roque do Sporting a 1 minuto e 27 segundos e ocupado o 8º lugar o tavirense Jorge Corvo do Ginásio de Tavira.

Por equipas ganhou a prova a equipa belga da Flândria, seguida pela do Sporting, terminaram a prova 51 corredores dos 106 que a iniciaram.

A fotografia é do Dr. Eckart Frischmuth que tal como outras que já apresentámos nos foi gentilmente cedida para o efeito.

Esta etapa, que apresenta um pelotão compacto, decorre no sentido Mértola -Vila Real de Sto. António. Pode ver-se que o comando do mesmo pertence aos homens de Tavira.

Distinguem-se as camisolas vermelhas do Benfica, verdes e brancas do Sporting, azuis e brancas verticais do F. C. do Porto.

Mesmo sem essa informação que existe, é fácil verificar que foi tirada no Balurco de Baixo, vendo-se ao fundo e do lado esquerdo o moinho da Casa Branca que na altura ainda funcionava.


O nosso agradecimento, mais uma vez, ao Dr. Eckart Frischmuth.

domingo, 9 de junho de 2013

Lua cheia em Afonso Vicente (Alcoutim)


A Câmara Escura de hoje é muito especial.

Residirá na simplicidade um hipotético interesse, pelo menos da nossa parte.

Quando estamos em Alcoutim, raramente a máquina fotográfica nos deixa de acompanhar, pois nunca se sabe quando aparece um motivo para fazer o disparo e hoje com o sistema digital não há preocupação quanto ao número de fotos que se pode realizar.

Para não ficar esquecida em qualquer parte, transportamos sempre a máquina a tiracolo.

No mês de Maio último ao dirigir-nos a casa na direcção do sul e virado para o Sul, deparamo-nos com este quadro singelo de Lua-cheia plena de brilho e... disparámos!

Deu isto, o contraste do negro do céu com o tom amarelado e brilhante da Lua! Mas não só, repare-se do lado direito onde se nota bem uma estrelinha.

Gostámos e partilhamos o nosso gosto com os visitantes / leitores.

É uma fotografia de âmbito diferente do habitual.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Alcoutim - 1918 / 20

Mais uma fotografia que nos foi amavelmente cedida por um leitor que nos solicitou um comentário.

Fizemos uma contraproposta no sentido de obter autorização para a sua publicação na nossa rubrica Câmara Escura acompanhada dos habituais comentários.

A nossa proposta foi imediatamente aceite, o que muito nos satisfez.

Alguns dados são referidos com a precaução necessária, pois os elementos obtidos são poucos.

Que a fotografia representa Alcoutim, vista do sul, na margem do Guadiana, ninguém tem dúvida.

Parece-nos que a foto é tirada de uma embarcação que desceria ou subiria o rio e isto pela espécie de gradeamento-protecção que aparece no primeiro plano.

Existe um postal comercial editado por uma firma de Vila Real de Santo António, dos anos 30, que aqui já apresentámos, obtido com um ângulo muito semelhante.

Poucas diferenças existem entre ambas, apenas pormenores.

A atracagem de pequenas embarcações é no mesmo lugar, ao “Pinhão” e em ambas se vêem pequenos barcos.

Avulta, naturalmente, o grande casarão pintado com ocre de cor escura, distinguindo-se do outro casario também por essa circunstância.

Nessa altura, a construção, que ainda existe com algumas transformações que o tempo e funções obrigaram a executar, servia de Secção da Guarda-Fiscal criada em 1885, incluindo a parte alfandegária que lhe estava anexa.

Há dados oficiais que temos publicado em outras circunstâncias que referem precisamente isso.

Antes desta ocupação tudo indica que tivesse pertencido à Mina da Cova dos Mouros situada na freguesia de Vaqueiros, que Pinho Leal refere no seu conhecido Portugal Antigo e Moderno como uma grande mina de cobre, servindo de entreposto comercial, com armazéns e serviços de escritório, já que o minério sairia por via fluvial.

Com a morte do seu principal accionista, o Visconde do Carregoso, a mina entrou em decadência e o Estado adquiriu o imóvel para instalações de departamentos próprios de fronteira, como a Alfândega com o seu corpo de guardas e depois a Guarda-Fiscal.

Quando se deu a extinção desta com um século de existência, o edifício que pertencia ao Ministério das Finanças foi adaptado para instalação dos seus Serviços locais de Finanças, o que ainda hoje acontece.

Na parte superior, vê-se algo do castelo onde se notam um resto de ameias, hoje conservadas e alguma vegetação na chamada “esplanada”, parte acrescentada e artilhada durante as Guerras da Restauração. Esta vegetação foi em parte banida, pois o seu raizame provocava desmoronamento das muralhas.

Do lado esquerdo da foto um interessante edifício com água furtada, porta e duas janelas, ainda o conhecemos de pé e de que hoje só resta a superfície.

São notórios os muros protectores dos edifícios, hoje o do lado esquerdo bastante degradado e a desmoronar-se, enquanto os outros foram reforçados e modificados.

A casa que se vislumbra por trás do edifício central, parece-nos ser a que pertenceu à família Rosário e onde hoje existe um local de repouso com bancos e espelho de água alegrado por um conjunto de repuxos. Este espaço tem o nome de Jardim Francisco do Rosário.

No seguimento do edifício central podem ver-se três aberturas (pontos negros) que constituiu uma habitação e hoje transformada em espaço comercial (Bar). Também é muito antigo o edifício que se segue de que se notam quatro aberturas, sendo duas maiores (portas) e as outras janelas. O acesso, devido ao desnivelamento, tal como o edifício anterior, é feito por escadaria. Encontra-se praticamente na mesma e está em venda.

Seguidamente, uma pequena casa onde murou o saudoso alcoutenejo Manuel João, vulgo Balbino e que se encontra hoje em estado de degradação.

O último edifício de que se vêem quatro aberturas constitui a hoje conhecida “Casa dos Condes” de Alcoutim, transformada em espaço de cultura, mas que quando chegámos à vila ninguém o referia.

Por último, a árvore que aparece na fotografia, parece-nos menos exuberante do que na do postal, pelo que admitimos que esta fotografia seja mais antiga.

Claro que nada de cais novo que só veio a ser construído em 1944.

Feito o nosso comentário à foto e havendo, como no começo referimos alguns dados que a acompanharam, sabemos que a mesma foi encontrada no espólio de duas senhoras irmãs do médico veterinário, Dr. José Maria de Sousa Dias Goulão (falecido em 1963), que esteve colocado na Intendência Pecuária de Serpa entre 1918 e 1920.

Atendendo a que tudo indica que a fotografia tivesse sido tirada no primeiro quartel do século passado, pelas razões apresentadas e que existe um relacionamento tácito entre o Dr. Dias Goulão e o Guadiana, a que Serpa não é alheia, é natural que na altura tivesse utilizado, por opção, a via fluvial ainda que mais extensa, muito mais cómoda. Todos sabemos que ainda em finais do século XIX, princípios do seguinte, eram frequentes os assaltos às diligências que transportavam os passageiros que pernoitavam em estalagens, muitas delas com más condições.

Poucas pessoas tinham máquina fotográfica na altura, mas o médico veterinário tinha estatuto e certamente sensibilidade para isso.

Sabemos que poucos anos antes o Dr. Afonso Costa foi figura central de um comício na Mina de S. Domingos e para lá chegar utilizou esta via, como nos informaram os alcoutenejos de então. A passagem do conhecido político por aqui originou uma alcunha “Afonso Costa” que se manteve como substituição de nome próprio até ao desaparecimento do visado.

Com a chegada do comboio a Vila Real de Santo António tudo ficou mais facilitado. Nessa época toda a vida do Baixo Guadiana era efectuada através da grande auto-estrada que o Guadiana constituía. Existiam ligações fluviais quase diárias entre Vila Real e Mértola, com passagem por Alcoutim. Por outro lado, o porto fluvial exportador do minério da mina de S. Domingos estava muito activo com vários barcos esperando pela sua altura de carregar.

Ainda que houvesse “ponte-barca”em Mértola para vencer o Guadiana, talvez fosse mais prático aproveitar o “autozorra” (espécie de carruagem para transportar pessoas entre a Mina e o Pomarão) e que utilizava o caminho-de-ferro das vagonetas.

Não esquecer que os Presidentes da República, Almirante Américo Thomaz e Dr. Jorge Sampaio, quando visitaram oficialmente a Vila de Alcoutim, fizeram o trajecto por via fluvial.

Da Mina para Serpa não conhecemos o que se passava, mas seria semelhante ao que acontecia nas redondezas.

Admitimos como já referimos que a foto tivesse sido tirada pelo Dr. Dias Goulão entre 1918/20 e numa viagem pelo Guadiana com destino a Serpa, ou vice-versa. Tudo são conjecturas que podem nada  ter a ver com a realidade.

Queremos expressar aqui o nosso agradecimento ao Senhor Eng. Carlos Machado, reformado da EDP, residente em Coimbra, genro do referido médico veterinário, que teve a amabilidade de nos enviar a fotografia e ainda outra que ficará para mais tarde, que nos forneceu os elementos que possuía e que acedeu a que fizéssemos a Câmara Escura de hoje.

Resta-nos terminar com estas palavras que nos enviou e são bem significativas: A razão do meu interesse por Alcoutim reside no facto de ter gostado imenso do local de todas as vezes que por lá passei, especialmente uma vez em que fiquei com minha mulher num hotel ou pousada sobre o Guadiana, já lá vão uns anos.

Bem-haja, Eng. Carlos Machado.


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Do rossio, resta o nome!



O cidadão alemão, Dr. Eckard Frischmuth presenteia-nos com mais esta magnífica fotografia, tirada, admito, do Cerro da Mina que percorreu insistentemente na pesquisa de dados e que foi usada no sentido de organizar a sua tese científica na área da geologia.

A foto é de 1965/66 e apresenta-nos em primeiro plano a várzea do “Rossio”, um dos locais mais ubérrimos de todo o concelho de Alcoutim, ainda que hoje produza o mesmo do que qualquer “bico de cerro”, pois o estilo de vida no País modificou-se totalmente.

Os subsídios foram-se e o País ficou no “osso”!

Esta fotografia foi tirada com a escolha de um interessante ângulo, apresentando a alvura do seu casario em contraste com o escuro do castelo. Nos cerros próximos nota-se a arborização que o trabalho do homem, sem qualquer auxílio estatal, efectuou para poder sobreviver.

A magnitude do Guadiana não passou despercebida ao fotógrafo, que não podia nem quis menosprezar, com todas as suas potencialidades e como grande via de acesso.

Ao fundo lá está o posto fiscal do Alcaçarinho, hoje transformado em residência de férias.

Nesta altura, a vila natural ainda não estava conspurcada de elefantes brancos.

O nosso agradecimento ao Dr. Eckard Frischmuth por mais este belo trabalho, pois não é fácil encontrar algo semelhante.

sábado, 4 de maio de 2013

Campo de Futebol da Fonte Primeira


Esta foto é dos princípios dos anos 60 do século passado e como o título indica é tirada no “estádio” da Fonte Primeira.

Trata-se de uma partida de futebol em que figura o Grupo Desportivo de Alcoutim, de camisolas listadas e outra equipa que desconheço mas que poderá ser, como era habitual, a equipa da vizinha Sanlúcar do Guadiana.

A foto representa a entrega de um ramo de flores por duas jovens, uma delas a alcouteneja Maria da Conceição, vulgo Bia Martinho, ao capitão do G. D. Alcoutim, Francisco António João, vulgo Chico Balbino.

No primeiro plano e do lado esquerdo o” extremo” local, uma das vedetas da equipa, José Francisco Cavaco que amavelmente nos cedeu a fotografia.

Nesta altura havia jovens para jogar futebol mas não havia um campo condigno; hoje não há jogadores mas existe um bom campo com tapete sintético.

São sopas depois de almoço, como diria o nosso saudoso amigo Luís Cunha.

O grande rossio da vila de Alcoutim foi encurtando pelos mais variados motivos e encontra-se hoje desaparecido.

Em tempos serviu para o povo recolher lenha, pastagem e amarração dos animais, principalmente de quem se dirigia à vila.

A Fonte Primeira (nunca encontrei a Segunda) além de ter servido para campo de futebol era o local onde se realizavam os movimentados mercados mensais e conhecidos principalmente pela transacção de ovos e gado ovino com relevância para o de Março, considerado o grande mercado de borregos. As” boleiras” locais também não faltavam.

Primeiro desapareceu o mercado, depois foi a vez da feira em que a transacção principal era o sal, então indispensável para a conservação de alimentos.

Pequena nota
Após a " postagem" fui contactado pelo nosso Amigo e colaborador Amílcar Felício, que se encontra na foto mas que eu não reconheci no sentido de me informar que aquele jogo era entre a Velha Guarda do G.D.A. e a nova equipa.
Informa-me que além da figura feminina que refiro, se encontrava também Maria dos Anjos Horta e Maria Bárbara, (vulgo Babi).
Refere igualmente a presença de António Vicente (vulgo António Emílio), Manuel do Rosário (sapateiro), José Tiago e no 1º plano Carlos Barão.
Por outro lado recebi o pedido da fotografia para uma filha de Chico Balbino.
Aqui ficam mais estes dados.
JV

domingo, 21 de abril de 2013

Rumo à Corte Velha


Fotografia com fraca qualidade e que representa uma “comitiva” em direcção ao monte de Corte Velha a convite dos irmãos Fernando e Dr. João Lopes Dias.

Segundo consta ,o móvel da deslocação era um ensopado de borrego.

A fotografia é de 1969 e os convivas são à base do funcionalismo público, incluindo a guarda-fiscal representada por quatro elementos, sendo outros tantos funcionários de finanças.

O local escolhido para a pose parece-nos ser o cais, junto ao muro, próximo da guarita.

Nessa altura já nos encontrávamos em Alcoutim e daí conhecermos todos os fotografados.

De pé, da esquerda para a direita, António Galrito e Alberto, guardas-fiscais, António Maria Corvo, 2º sargento da GNR reformado que presidiu à Câmara Municipal, o anfitrião Dr. João Lopes Dias (médico), Dr. Abrantes Pereira na altura Conservador do Registo Civil e Notário de Alcoutim, o outro anfitrião, Fernando Lopes Dias, delegado da propaganda médica e tenente Marguilho, comandante da Secção da Guarda-Fiscal de Alcoutim.

No primeiro plano e pela mesma ordem: João Baltazar Guerreiro, aferidor municipal de pesos e medidas e comerciante local, 2º sargento Folgado, da Guarda-Fiscal, Francisco Ribeiros, José Madeira Serafim, Duarte e José Francisco Cavaco, que nos cedeu a fotografia e todos funcionários de Finanças.

Dos treze, que saibamos, cinco já não estão entre nós.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Calor

Mais uma interessante fotografia que damos a conhecer aos visitantes / leitores do ALCOUTIM LIVRE, incluindo-a na rubrica Câmara Escura.

A foto foi tirada em 1965 e o seu autor, o Dr. Eckart Frischmunth, deu-lhe um título bem ajustado e que nós naturalmente mantivemos.

Mais uma vez está patente o espírito observador do autor cuja fotografia tem por fundo dois cães, que   à sombra de um prédio procuram libertar-se do calor de Julho ou Agosto, que os atormenta.

O local parece não nos oferecer muitas dúvidas, será na antiga Praça da República.

O pequeno aglomerado de gente que se nota ao fundo é que se torna mais difícil de determinar a sua localização, mas parece-nos ser à porta da repartição do Registo Civil ou dos Paços do Concelho.

A título de curiosidade, podemos dizer que pelos anos de 1968 o número de canídeos na vila era superior ao número de habitantes!

quarta-feira, 27 de março de 2013

O grupo de 1964-66


Aqui estão os cinco do núcleo “duro”. O cenário, quando não é o Guadiana é o castelo da Vila, neste caso, mais adequado pelo seu recato para uma patuscada, acções muito praticadas em Alcoutim desde tempos “imemoriais” devido a vários condicionalismos.

Segundo consta, os alcoutenejos foram sempre bons anfitriões.

Como sede de concelho, que é desde os tempos da Dinastia Afonsina, tinha no exercício de funções os funcionários necessários, para cumprimento das tarefas, depois de ser condado da responsabilidade daqueles Altos Senhores da nobreza, depois da Casa do Infantado, voltando por extinção desta ao domínio real.

Se em muitos casos o recrutamento era feito entre os próprios alcoutenenses, havia situações em que os lugares eram ocupados por pessoas vindas de fora e nestas, na maioria dos casos, vindos através de concursos realizados a nível nacional.

Eram normalmente jovens e mantinham-se o tempo indispensável no exercício dessas funções e logo que podiam, transferiam-se para outros concelhos que ofereciam melhores condições de vida.

Se com a maioria acontecia assim, também houve quem se tivesse ligado pelo casamento a alcoutenejas como aconteceu a elementos da alfândega, guarda fiscal, contribuições e impostos, professorado, etc, havendo, igualmente, ainda que em menor número, alcoutenejos que se enamoraram de “forasteiras”.

Nesta altura (1964/66) a vila atravessava um período de decadência dos mais graves da sua existência. As trocas comerciais deixaram de se fazer por via fluvial passando para a terrestre, devido à abertura da estrada nacional 122 e ao prolongamento da 124. A vila perdia a função de interposto que tinha.

No núcleo enquadrou-se bem o cidadão alemão, estudante de geologia, Eckart Frischmunth, que os leitores já conhecem deste espaço e se não estou a errar no que vou dizer, os restantes quatro não têm pais alcoutenejos. Um algarvio de Vila Real de Santo António, outro de Castro Marim, um alentejano de Mértola e o outro que não conheço, mas sei que os pais não eram de Alcoutim.

Da esquerda para a direita, não conheço e dizem-me ser filho de uma funcionária pública que passou por Alcoutim, depois o cidadão alemão, António Antunes filho de outro funcionário público, o nosso colaborador Amílcar Felício, filho de um funcionário administrativo e José Francisco Cavaco, filho de um mestre alfaiate e que amavelmente me cedeu a fotografia.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Conjunto "Musical" (1952/53)


Já se passaram 60 anos sobre a existência e actuação deste conjunto “musical” alcoutenejo.

Grupo musical para quem não o conheceu, pois segundo diz quem nos cedeu a fotografia-lembrança, só sabiam tocar campainhas de porta e em Alcoutim, nessa altura não existiria nenhuma!

Segundo os exemplares cedidos, as fotografias em Alcoutim tinham quase sempre dois cenários:- o cais e o castelo. Afinal, eram ambos a razão da existência da vila. Se isso não acontece hoje em relação ao castelo, tem a ver com o acesso pago.

Do sexteto, três já não estão entre nós. Do terceto que está ao meio, ao centro o nosso colaborador Gaspar Santos, que nos cedeu a foto, tendo ao seu lado direito João Dias (médico) e José Pedro (ferreiro), ambos falecidos.

No primeiro plano, com uma cana servindo de micro, Francisco Manuel (bancário) falecido.

No último plano, à esquerda, José Martinho, guarda-fiscal reformado e do lado direito Raul Quaresma que se pensa ainda viver, já que não existe qualquer informação sobre ele.

O “conjunto” interpretava principalmente mambos, com relevo para os interpretados por Silvana Mangano (Roma 1930 – Madrid 1989).

Mais uma recordação de Alcoutim nos meados do século passado.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Abastecimento antigo de água


O título da Câmara Escura de hoje é o que o  autor lhe deu quando teve a amabilidade de nos enviar, do seu país, um valioso conjunto de fotos que capetou em Alcoutim em 1965.

Tirou a fotografia o Dr. Eckart Frischmunth a quem não passou despercebido este quadro cheio de tipicidade da vila na época e que quis levar consigo, compartilhando-o agora com todos nós.

Quando o nosso colaborador, Eng. Gaspar Santos escreveu neste espaço sobre os aguadeiros em Alcoutim, não conseguimos obter uma fotografia deste tipo.

A foto, como reconhece facilmente quem conheceu o local, é tirada na antiga Praça da República.

Em lugar de apanhar dois automóveis que na altura seriam escassos por ali, fotografa dois burros, um, trazendo o homem que veste à maneira do campo, que por sua vez traz de arreata outro burro carregado de cântaros de zinco, contendo água e colocados em cangalhas duplas de ferro, pelo que transportava quatro cântaros.

O fotógrafo aproveitou o ângulo, que não apanha mais ninguém, em frente de um edifício bem típico de Alcoutim, casas baixas com portas e sem janelas, se a memória não me falha em toda a fachada só havia uma janela, telhado de telha de canudo e beiral ao gosto regional.

É um quadro obtido pela sensibilidade de um estrangeiro e que representa a vivência alcouteneja em meados do século passado.

O autor apanhou a mudança para o fornecimento de água ao domicílio.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Rua da Misericórdia



 A Câmara Escura é uma das rubricas deste espaço com mais “postagens”e visitas, havendo mensagens que são das mais visitadas entre todas as publicadas.

Para que se possa manter com interesse esta rubrica é necessário que apareçam colaboradores que disponibilizem as velhas fotos que guardam em álbuns, como recordação de tempos passados.

Além das nossas com que abrimos a rubrica, têm aparecido, felizmente, colaborações importantes que nos têm permitido mantê-la com vigor.

Quis aderir a esta colaboração o alcoutenejo José Francisco Cavaco que nos enviou treze fotografias com alguns anos de existência e que marcam uma época de Alcoutim.

Vamos hoje publicar a primeira a que demos o título de RUA DA MISERICÓRDIA.

Esta rua, no seguimento da das Portas de Mértola, com a de D. Sancho II (antiga Portas de Tavira) e prolongamento na do Dr. João Dias, constituíam a estrutura básica viária do burgo medieval, desembocando no indispensável largo (praça), local do poder político-administrativo e comercial.

Até agora nunca esse espaço no decorrer dos séculos tinha sido tocado, o que aconteceu recentemente, pois tratava-se de algo indispensável e de convergência para a vida da vila

Apesar da falta de local para a construção, nunca ninguém tinha ousado suprimir a “praça” ou a “ribeira”.

Reparar que até as pequenas povoações, aqui designadas por montes, têm quase sempre um espaço com estas características a que chamam terreiro, onde chega hoje o comércio ambulante e antigamente se reunia o povo quando disso tinha necessidade, como por exemplo nos seus folguedos.

A fotografia é tirada da Rua da Parada e a pouca prática do “fotógrafo”cortou os pés mas não deixou de mostrar o castelo de Sanlúcar.

Os quatro jovens alcoutenejos (um deles efectivamente não o era) têm todo o tipo de andar passeando e foram interromper o trabalho de outro amigo que recolhia o entulho, não de veículo motorizado como se faz hoje, mas de burra e através da quase desaparecida gorpelha, das obras de restauro que se estavam realizando nas casas de residência da família Madeira.

Além de quem nos cedeu a fotografia que presumo transportar um rádio a pilhas, encontra-se o nosso colaborador Amílcar Felício. O trabalhador é o alcoutenejo José de Horta, já falecido.

A mocinha que aparece encoberta, parece-nos ser uma das filhas de Maria Tomásia, recentemente falecida. Ao fundo e em frente da residência que foi de Luís Corvo duas jovens que presumimos serem as filhas de António Luciano.

E é tudo o que nos oferece comentar.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Para norte da Vila de Alcoutim


É a segunda fotografia que apresentamos do cidadão alemão Echart Frischmuth mas esta não nos foi cedida, como a anterior pelo alcoutenejo colaborador deste espaço, José Madeira Serafim que tem tido o cuidado de preservar tantas relíquias que fazem parte da história da “pequena vila raiana”.

Então quem nos facilitou a fotografia, esta a cores e tirada igualmente em 1965?

Por mais que possa intrigar os nossos leitores tenho o grande prazer de informar que ela me foi enviada com mais quatro pelo seu autor e vindas da Alemanha! Sim, é verdade, não estamos no 1 de Abril.

O Dr. Eckart Frischmuth acabou por ter acesso à fotografia que publicámos e teve a amabilidade de nos enviar um mail, em português, agradecendo esse facto e tendo constatado que ainda é lembrado pelos amigos alcoutenejos que por cá deixou.

A fotografia que apresentamos é tirada da “esplanada” do castelo.

A paisagem pouco variou, estava distante a existência do cais acostável e ainda não havia os veleiros ou iates espalhados pelo rio.

A melhor várzea espanhola junto ao rio e a norte do cemitério local estava arborizada e ainda não tinha construções.

Do lado português nota-se a diferença de porte da casuarina e das duas árvores que se vêem no primeiro plano, do lado direito, uma secou pelo que teve de ser removida.

A buganvília que se vê no canteiro do cais talvez ainda exista mas tem sido sacrificada com cortes violentos.

Notar que nem uma única pessoa se vê e muito menos um veículo!

Temos mais algumas informações para dar do Dr. Eckard Frischmunth, especialmente para os seus amigos, mas ficará para uma próxima abordagem.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Haverá fotografia mais antiga de Alcoutim ?

Começamos por fazer, como título, esta pergunta para ver se alguém nos responde afirmativamente.

Pensamos que não será fácil, mas é possível.

Esta apresentação só é viável pela valiosa colaboração do alcoutenejo José Madeira Serafim, que ao herdar este espólio dos seus pais o tem sabido conservar proporcionando-nos este regalar de olhos.

A fotografia é de 1873, contemporânea da que apresentámos sobre a Banda ou Filarmónica e o autor deve ser o mesmo, segundo dedução do nosso amigo.

Os 140 anos decorridos sobre a mesma causaram alguma degradação, aliada à técnica então utilizada, não se poderia apresentar em melhores condições.

Já nesta altura, e segundo pensamos, a fotografia é tirada de Sanlúcar e ainda que a sua configuração geral seja obviamente a mesma, encontramos algumas diferenças.

Como pontos de referência, o castelo, a igreja de Nª Sª da Conceição, a igreja de S. Salvador (matriz), hoje com uma configuração diferente devido a obras que foi recebendo ao longo dos anos, a capela de Sto. António, a residência Condal que já possuía as características que tem hoje, a Casa dos Pintos, a casa que habitámos durante nove anos, a primeira à direita de quem olha para a fotografia e até a pequena construção onde funcionou a venda do senhor Sabino já era como a conhecemos, notando-se bem a janela e a porta viradas para o rio.

O edifício onde posteriormente veio a funcionar a Guarda-Fiscal a partir de 1885 e hoje funcionam os Serviços Fiscais, lá está no seu lugar, notando-se bem os seus gigantes de suporte.

Noutro âmbito notamos restos da velha muralha que circunda o local da igreja matriz da qual parte um carreiro em direcção ao rio, o cais velho com alguns pequenos barcos por perto e o local onde se encontra agora o cais novo, que nos parece apresentar uns muros de suporte e caiados como era tradicional. Admitimos que estes muros tivessem sido feitos debaixo da orientação de Miguel Angel de Leon, que nós sabemos ter adjudicado à Câmara um trabalho deste tipo por estas alturas.

Reparar que ao largo encontra-se um barco à vela de alguma dimensão.

Não podemos deixar de reparar no coração da vila onde se nota alguma arborização no local em que se encontra hoje um bloco de habitação e comércio. Antes desta construção, existia o quintalão da família Rosário e lembramo-nos de aí existirem entre outras árvores, algumas oliveiras de porte avantajado.

Enigmático para nós é a mancha branca que aparece do lado esquerdo do castelo e que presumimos ser o local onde se encontrava a Porta de Tavira. Dá-nos a ideia que dessa mancha branca, corre, tanto para a direita como para a esquerda, uma mancha escura que poderá indicar restos da muralha da vila e que efectivamente passava por esses locais.

Pensamos que a deslocação de um fotógrafo à vila de Alcoutim, nessa época, não seria nada fácil, até porque esta arte, na altura, estava reservada a grandes senhores de sangue ou capital, que na maior parte dos casos era coincidente, pois quem tinha capital acabava por adquirir o título.

A nossa imaginação leva-nos a que tivesse havido alguma festa na vila de carácter religioso.

Admitimos que além das duas fotografias que já conhecemos, outras se tivessem tirado, que se terão perdido ou façam parte de algum álbum de família das muitas que ao longo dos tempos foram abandonando o concelho de Alcoutim pelos mais variados motivos.

Alguma aglomeração de gente junto da capela de Sto. António será talvez outra pequena achega para pensar assim.

Dominavam nesse tempo em Alcoutim, as famílias Teixeira, Freitas, Xavier, Pinto e Torres. É desta última que provêm as fotografias.

- Caro visitante / leitor, faça a sua análise e compartilhe-a connosco.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Alcoutim, 1965


A Câmara Escura de hoje é uma interessantíssima fotografia que não é muito vulgar.

Existem muitíssimas fotografias de Alcoutim mas quase todas tiradas de Sanlúcar ou do seu castelo, o que não acontece com esta, que apresenta um ângulo fotograficamente pouco conhecido, ou seja, tirado do sul e neste caso de um barco.

Nesta perspectiva, o castelo aparece em posição de evidência e se nesta altura não servia de pocilgo, era utilizado como curral. Um colega de trabalho que já se encontrava em Alcoutim quando lá chegámos, dizia-nos muita vez que nunca mais se esqueceria do espectáculo que lhe proporcionavam os ovinos balindo na “esplanada”, quadro que desfrutava do seu gabinete de trabalho. Hoje, o castelo só não é uma sala de visitas da vila porque é necessário pagar para o visitar.

Se olharmos bem para ela, podemos encontrar algumas diferenças para o que no presente é.

Esta fotografia foi tirada, como se refere no título, em 1965, quando nós ainda não tínhamos chegado a Alcoutim e é seu autor, Eckart K. E. Frischmuth, cidadão alemão, que passou cerca de dois anos em Alcoutim, tendo-se hospedado em casa do senhor Luís Lopes Corvo.

Dominando relativamente bem o português era um jovem na casa dos 22/23 anos, louro e com 1,98 de altura.

Foi para Alcoutim a conselho de um professor com o intuito de preparar o trabalho final do curso de Geólogo. Desconhecemos se seria de licenciatura ou de um grau mais elevado, pois o tempo de permanência pode sugerir isso.

Não deixou de ser notado o seu rigor no horário de trabalho, que cumpria rigorosamente, o que não admira devido às características daquele povo. À hora marcada, era vê-lo sair sempre com martelo de geólogo a caminho do Cerro da Mina ou de qualquer outro local. Cumpria igualmente a hora de regresso.

Segundo nos consta enquadrou-se bem na vida alcouteneja e tinha uma excelente relação com a juventude local.

Foi-nos sempre referido que ele com o seu 1,98 e um alcoutenejo seu amigo, que terá cerca de 1,5 m ou pouco mais, deram grande espectáculo passeando pela praia de Monte Gordo, ao lado um do outro!

Francisco António João, vulgo Chico Balbino, contou-nos que quando trabalhava na Alemanha se encontrou com ele.

É pena que este trabalho científico não seja do conhecimento dos alcoutenejos.

Acresce referir que a fotografia nos foi amavelmente cedida, como tem acontecido com outras, pelo alcoutenejo nosso amigo, José Madeira Serafim, a quem muito agradecemos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Todos a conhecem na vila de Alcoutim e arredores!


Esta fotografia foi tirada em Alcoutim em 15 de Junho de 1970, por isso, já passaram 42 anos!

Que tenha sido em Alcoutim não engana nenhum alcoutenejo, já que apresenta como fundo o Guadiana, Sanlúcar com o seu inconfundível castelo de São Marcos, onde na minha última estada em Alcoutim verifiquei que andava em obras.

Reparar que ainda não tinha sido construído o “Bairro Novo” que hoje ocupa a parte cimeira da povoação.
 
Não é propriamente para a fundo da foto que a nossa atenção vai, mas sim para as três meninas que fotografei, não tendo a mais velhinha e a da esquerda nada a ver com Alcoutim, ainda que a mais nova tenha voltado a Alcoutim há perto de seis anos.

A da direita, a dos totós, que só não nasceu na Vila de Alcoutim mas que foi lá criada desde tenra idade e nunca deixou de estar ligada à vila onde vive e trabalha.

Se o avô era uma das pessoas mais conhecidas em todo o concelho, a neta não lhe fica atrás, ainda que os motivos sejam diferentes.

A carinha ainda é a mesma se repararem bem, apesar de já ser avó babada. Era uma criança extremamente meiga.

Escuso-me a dizer o seu nome ao visitante leitor alcoutenense, pois certamente já identificou de quem se trata. Se não souber e quiser, eu informarei.

Para ela um beijão do JV

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Tecendo cilha


Quem teve a amabilidade de nos enviar esta e outras fotografias para publicação neste espaço e que muito o tem enriquecido não nos deu nenhuma dica sobre a mesma, a não ser que seja proveniente dos “montes do rio”.

Tê-lo-ia feito ou por desconhecimento ou para aquilatar o texto que sobre ela reproduzimos em função da nossa observação e deduções que poderão nada ter com a realidade.

Olhando para a fotografia várias coisas saltam à nossa vista.

Uma delas é a existência da cadeira bem típica da região e hoje quase desaparecida. A cadeira não está a ser utilizada para o que foi criada. Parece-nos que estará a servir de suporte para a feitura de cilha, ainda que nunca tivéssemos visto fazer tal coisa, mas a lição recentemente dada pelo colaborador Daniel Teixeira levou-me a tirar essa conclusão que esperamos esteja certa.

Não nos podia passar ao lado a existência do alguidar de zinco sobre o poial destinado aos banhos e encostado à parede da casa para escorrer.

Os figurantes que hipoteticamente poderão ser avós, filha e netos, sendo o fotógrafo o genro, prepararam-se para a foto, não tendo sido mesmo esquecido o chapéu e o lenço para o casal anfitrião.

Penteado e vestido da jovem fazem, naturalmente, a diferença e a “avó” não deixa de carinhosamente abraçar o neto, retribuição que a filha lhe faz.

O mais novinho e mais reguila parece estar um pouco desconfiado. Pelo seu trajar verifica-se bem que não são crianças criadas por ali.

Presumimos que possa ser fotografia tirada nos anos 40 / 50 do século passado.

Haverá alguma verdade em tudo isto?
 

sábado, 1 de dezembro de 2012

Cais Novo, Setembro de 1986


Quem chega a Alcoutim tem, sem saber porquê, a tendência para se aproximar do rio e consequentemente dos Cais. Digam o que disserem, é naquela zona que fervilha o pulsar alcoutenejo e isto sem se ter praticado o que muitos opinam ou seja a limpeza do edifício onde funcionou a antiga escola primária e funcionam hoje departamentos dos serviços camarários e mesmo a Capela de Santo António, hoje transformada em núcleo museológico.

Quanto a nós, não nos choca a eliminação do edifício, mas nunca destruir a velha capelinha, não pelas suas características de construção, mas sim pelo que significa para a vila.

Quem chega à vila raramente percorre a parte medieval, até porque a desvirtuação no tipo de construção e principalmente na volumetria é factor dissuasor.

É fácil verificar onde a fotografia foi tirada – nas escadas junto da casuarina, vulgo pinheiro.

São oito os fotografados, então uns jovens e hoje quarentões. Vítor, João Paulo, Paulo, José Miguel, Zezinha, Susana e Paula são os nomes indicados.

Mais uma fotografia no cais e assim continuará ao longo dos tempos.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Rancho dos Guerreiros"


 
Esta fotografia foi-nos amavelmente cedida com o rótulo “Rancho dos Guerreiros”.

Admitimos que a fotografia tivesse sido tirada em meados da década de 50 do século passado.

Entre outros significados, rancho é um grupo de pessoas com tarefas semelhantes, especialmente de trabalhos agrícolas e também grupo folclórico que se dedica à música, ao canto e à dança. É neste sentido, segundo pensamos, que este grupo foi organizado, não para continuidade mas para uma actuação específica, aparecendo mesmo, no primeiro plano um acordeonista.

Pelo que nos têm contado, nas primeiras festas da vila houve batalha de flores no rio em frente da vila e também na praça, o que mobilizou a mocidade local e vizinha que na altura era pródiga.

Os trajes fazem lembrar os usados no litoral algarvio, pelo que nos é dado verificar no usado por alguns grupos folclóricos daquela região.

A fotografia é, certamente, tirada nos Guerreiros do Rio e até nos parece que a habitação que lhe serve de fundo é aquela que apresentamos, como bem restaurada, no recente texto que aqui publicámos sobre a mesma povoação.

Já nessa altura a frontaria não era caiada de branco, tal como ainda hoje acontece, tendo assim, sido respeitada, possivelmente, a cor original.

Estes jovens com sangue na guelra são hoje gente na casa dos oitenta e alguns já não andarão por cá, como é natural.

Estariam talvez esperando pelos barcos para os transportar a Alcoutim, pois nessa altura para sair dali só de barco ou de burro!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Há 40 anos no Cerro da Castanha



 
O Cerro da Castanha, cujo nome aprendemos com os “velhos” alcoutenejos, foi o local tecnicamente escolhido para instalar a primeira antena que possibilitou ver com alguma qualidade televisão na vila de Alcoutim.

Já aqui nos referimos a esse facto em post de 2008.11.13 e com o título de Posto Retransmissor da RTP.

Enquanto hoje o poder autárquico tem dinheiro para “tudo” e largas dezenas de funcionários, então a Câmara não tinha dinheiro para “nada”, valendo-lhe o Imposto de Prestação de Trabalho para manter meia dúzia de funcionários e a porta aberta. É a diferença entre Democracia e a Ditadura.

Não nos consta que a Câmara tivesse entrado com alguma verba para tal, até porque não a tinha. Foi o povo que teve de se mobilizar, fê-lo com dinheiro e horas de trabalho e isto só foi possível pela acção do alcoutenejo Virgílio Rosa, tenente da Marinha.

Devido àquela instalação deslocámo-nos lá várias vezes, pois alargou-se o caminho que dava possibilidades ao nosso carrito de lá chegar. Ficámos completamente deslumbrados pela paisagem que de lá se desfrutava. Aproveitámos, na altura, para fazer várias fotografias com o nosso “caixote”, algumas das quais temos “postado” neste espaço.

Só via naquele local um miradouro minimamente apresentável que possuísse uma placa indicativa de tal no caminho que lhe dá acesso e no cimo um pequeno largo, uns canteiros com plantas xerófilas delimitativos, alguma sombra e um ou dois bancos. Pequeno arranjo no caminho.

Chegámos a abordar na imprensa regional o assunto, sem qualquer resultado positivo, como ainda hoje é habitual.

O Miradouro do Cerro da Castanha passou a ser local onde levava as pessoas que nos visitavam e mostrámo-lo a muitos alcoutenejos que o desconheciam completamente como aconteceu com os que a foto apresenta.

A antena, segundo nos informaram, foi transferida para o cerro da Grandaça no sentido de servir os “montes do rio”, desconhecendo se ainda está em actividade.

Nunca mais fomos ao Cerro da Castanha!