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domingo, 27 de novembro de 2011

Montinho da Várzea, o último do concelho por este lado

Pequena nota
Concluímos hoje a volta que demos por todos os montes da freguesia serrana de Vaqueiros, a mais afastada da sede do concelho mas aquela onde se consegue ver algum aproveitamento dos terrenos e onde resta a pastorícia de pequenos ruminantes, gado ovino e principalmente caprino.
Referimos aqui no TEMA Montes do Concelho-Vaqueiros, 30 pequenas povoações, algumas completamente desabitadas e outras muito perto disso. Escrevemos o que nos foi possível.
Além disso incluímos no TEMA – Ecos da Imprensa na postagem de 2009.07.06, “A Capela de S. Bento e o monte de Alcaria Queimada que fizemos publicar no Magazine do Jornal do Algarve de 26 de Abril de 1990.
Todos os vaqueirenses podem, assim, encontrar neste espaço algo sobre as pequenas povoações onde nasceram, eles ou os seus antepassados.
É o nosso pequeno contributo. Até aqui, que eu saiba, ninguém o tinha feito.

JV


[Placa toponímica escrita por algum estrangeiro. Foto JV, 2011]

Quando visitámos pela primeira vez este pequeno monte e já lá vão uns bons anos, não conseguimos ver ninguém, ainda não estava electrificado e isso acontecia porque não estava habitado.

Hoje as coisas são um pouco diferentes, pelo menos, quanto às melhorias de condições de vida.

As várzeas ou vargens, a que foi buscar o nome, são terrenos planos situados em vales e que oferecem boas condições para cultivo, pois além da riqueza da constituição do seu solo têm normalmente água por perto.

Nestas condições não admira que esta zona fertilizada pelas águas da ribeira de Odeleite tenha sido sempre procurada pelo homem que nela via condições de sobrevivência.

As Memórias Paroquiais de 1758 já o indicam referindo Vargem e logo a seguir Montinho, possuindo ambos três vizinhos pelo que se equiparariam.

Ainda que pertencessem à freguesia de Vaqueiros, faziam parte do termo da cidade de Tavira como o pároco informa no questionário a que respondeu para dar satisfação ao pedido formulado em 1758.

Este sistema, que acabou em 1836 pela chamada reforma de Mouzinho da Silveira, tinha em conta as dificuldades que possuiam para se deslocar, nomeadamente o vencer os cursos de água e onde não existiam pontes. Aliás, por aqui as pontes só chegaram depois do 25 de Abril de 1974.

A construção da estrada nº 508 e a chamada ponte dos Galaxos sobre a Ribeira de Odeleite vieram tirar estas pequenas povoações do isolamento total em que se encontravam. Até então, as crianças dos Galaxos ainda que mais próximo da escola da Várzea, optavam pela do Zambujal, visto não terem necessidade de vencer a ribeira, principalmente no Inverno. Quando apareceu a ponte, desapareceram as crianças!

A estrada foi pavimentada em 1991. (1)

[Um aspecto da pequena povoação. Foto JV, 2011]

Em 1984 e quando se procedeu a um inquérito para a instalação da energia fotovoltaica, esta povoação foi uma das questionadas. Na altura, tinha treze habitantes em 4 fogos, havendo dois emigrantes. A opção acabou por ser Vale da Rosa e por pouco tempo.

Em 1998 segundo um bom conhecedor da freguesia devia ter três ou quatro habitantes. Hoje (2011), restarão dois.

Veio a receber energia eléctrica, procedendo-se à inauguração em Novembro de 1999 e ao mesmo tempo em que o foi o monte das Ferrarias. (2)

O abastecimento de água ao domicílio teve lugar em 2006.

Os arruamentos foram pavimentados em 2009.

O painel de caixas do correio tinha sido colocado em 1996. (5)

Está a 16 km de Vaqueiros, sede de freguesia e a 37 de Alcoutim, sede de concelho.
Ficam-lhe próximos Preguiça 3 km, Jardos 3,5 e Galaxos a 4,5.

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NOTAS

(1) – Boletim Municipal nº 8 de Abril de 1991.
(2) – Alcoutim, Revista Municipal nº 7 de Março de 2000, p. 15
(3) – Alcoutim, Revista Municipal nº 13, de Dezembro de 2006, p. 14
(4) – Alcoutim, Revista Municipal nº 15 de Julho de 2009, p. 17
(5) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 4 de Dezembro de 1996, p. 12

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Cerro de Vaqueiros para o distinguir do Cerro dos Balurcos ou do Cerro da Vinha


[Monte do Cerro, vista geral. Foto JV, 2011]

Topónimo muito vulgar principalente ao sul do Tejo. É, como bem se deduz, de origem topográfica. Admite duas grafias, Cerro ou Serro. Simples, associado ou em derivados existem dezenas no país.

Quem tomar a estrada nº 506 e sair de Vaqueiros, sua sede de freguesia, em direcção ao sul, vai encontrá-lo a cerca de 12 km do lado direito a que se tem acesso por pequeno troço de estrada asfaltado.

Em Julho de 1985 estava previsto o arranque das obras de terraplanagem e respectivas obras de arte desta estrada municipal entre Casas e Fortim. (1)

As povoações que lhe ficam mais próximas são o Monte das Casas a 1 km e o do Barranco a 2,5.

Não aparece referido com este nome nas Memórias Paroquiais (1758) tal como acontece com o das Casas e o Barranco, contudo, no lugar em que parece deverem ser indicados, encontramos um monte designado por Corte, outro por Casa Nova e outro que não conseguimos ler. Esta Casa Nova não tem nada a ver com a próxima de Soudes que aparece referida no seu lugar.

Serão estes os nomes porque eram conhecidos nessa altura? Não nos custa a admitir tal, mas não temos provas disso.

Atendendo a que existem registos paroquiais desta freguesia no ANTT a partir de 1584, já que a Paróquia foi criada, segundo Silva Lopes, em1583 (2), podíamos encontrar aí uma explicação para esta dúvida.

A chegada da energia eléctrica teve lugar em 1985 quando os montes mais próximos foram electrificados também. A ligação teve lugar em 4 de Dezembro. (3)

Tem distribuição de água por fontanários e recolha de lixo, sendo os arruamentos pavimentados em 1993. (4)

O fornecimento de água ao domicílio ocorreu em 2003. (5)

O painel de caixas do correio, de quatro módulos, foi instalado em 1996 (6).

Enquanto da Alcaria se avista muito bem o Cerro, deste obtém-se boa vista das Casas que lhe fica em frente.


[Casa típica da povoação. Foto JV, 2011]

Existe um pequeno largo e notámos em 1988 uma casa ao gosto regional com interesse e que se mantém (2011) bem conservada.

Era deste monte a moça Palmira, um caso de hermafroditismo, que o Dr. João Francisco Dias resolveu através de cirurgia, transformando a Palmira no Manuel Inácio, o que provocou na altura alguns embaraços jurídicos, além do feito cirúrgico praticado numa pequena vila que nem saneamento básico possuía.

Esse facto ainda hoje é lembrado por muitos e que o nosso Amigo e colaborador Gaspar Santos tratou magnificamente com o título “Manuel Inácio que fora Palmira” em postagem de 6 de Agosto de 2010. É interessante verificar que Gaspar Santos era na altura bem jovem mas apesar disso correspondente do jornal diário O Século que publicou a notícia com fotografia cedida pelo próprio Manuel Inácio cuja publicação autorizou.

Outro dos nossos colaboradores, Daniel Teixeira, igualmente se referiu ao facto em postagem de 3 de Fevereiro de 2011.

Manuel Inácio, que casou, faleceu não há muitos anos.

Tem actualmente (2011) 6 habitantes e dista 42 km da sede do concelho.
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NOTAS
(1) – Jornal do Algarve de 4 de Julho de 1985
(2) – Memória para a História Eclesiástica do Bispado do Algarve, 1848
(3) – Jornal do Algarve de 5 de Dezembro de 1985.
(4) – Boletim Municipal nº 12, de Abril de 1993.
(5) – Alcoutim, Revista Municipal nº 10 de Dezembro de 2003, p 6
(6) – Alcoutim, Revista Municipal nº 4 de Dezembro de 1996, p 12

domingo, 16 de outubro de 2011

Alcaria, pequeno e antigo lugar da freguesia de Vaqueiros

[Aspecto do interior do "monte". Foto JV, 2011]

É um dos pequenos montes que faz parte desta freguesia, revelando o seu topónimo antiguidade, do período árabe. Apesar disso, não aparece especificado nas Memórias Paroquiais (1758). Admito que na altura tivesse outro nome ou que fosse englobado nas Alcarias e por ficar mais afastado passasse a ser designado por Alcaria.

O documento encontra-se repassado de tinta pelo que a leitura se torna difícil. Além de aparecer um monte designado de Corte, aparece outro que não consigo fazer a sua leitura.

O acesso à pequena povoação é feito hoje por estradas asfaltadas. O Barranco fica-lhe a 800 metros e as Casas a 1200. As Alcarias distam 1700 metros e o Cerro 2, 5 km ainda que por caminho de terra batida seja muito perto.

[Casas junto à estrada. Foto JV, 2011]

A sede de freguesia, Vaqueiros, está a 12 km e a do concelho, Alcoutim, a 42 e isto sem passar pela aldeia de Vaqueiros. Curiosamente a cidade de Vila Real de Santo António fica-lhe a 38 km, por isso, mais próximo.

[Antigo poço e lavadouro público. Foto JV, 2011]

O topónimo provém do árabe al qariâ, “ que significa pequena povoação, aldeia. (1)

A energia eléctrica chegou no dia 4 de Dezembro de 1985 (2) ao mesmo tempo dos seus vizinhos do Barranco, Casas e Cerro.

Os arruamentos foram pavimentados, tal como no Barranco, Cerro, Preguiça e Cabaços em 1993 (3).

[Caixas do correio, placard e caixotes de recolha de lixo. Foto JV, 2011]

O pequeno painel de caixas do correio foi colocado em 1996. (4)

Possui placard informativo e recolha de lixo.

Em 2002 já a água tinha sido levada ao domicílio. (5)

Existe um edifício relativamente recente à beira da estrada e um pouco mais abaixo, um poço com bomba elevatória com lavadouro anexo.

Os restantes fogos, que não chegam aos dedos de uma mão, ficam no outro lado da estrada numa pequena elevação com boa vista.

Conta actualmente, Agosto de 2011, com 4 habitantes.
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NOTAS
(1) - Vocabulário Português de Origem Árabe, José Pedro Machado, 1991
(2) – Jornal do Algarve de 5 de Dezembro de 1985.
(3) - Boletim Municipal nº 12 de Abril/1993
(4) – Alcoutim, Revista Municipal nº 4 de Dezembro de 1996, p 12
(5) – Alcoutim, Revista Municipal nº 9 de Dezembro de 2002, p 7

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Bemposta, como o nome indica, abrigada na falda de um cerro e próximo de um curso de água



Um dos muitos “montes” que constituem a serrana freguesia de Vaqueiros, situado para além da Ribeira de Odeleite e que antes de 1836 pertencia ao termo de Tavira, ainda que já pertencesse à freguesia de Vaqueiros.

Pertence ao grupo de pequenas povoações que se espalham por todo o concelho e nomeadamente nesta freguesia, pois o isolamento obrigou o homem a construir o seu fogo no local onde possuía terrenos cujo amanho lhe proporcionava a subsistência e tomando em consideração a existência próxima da indispensável água.

Já é referida com este nome nas Memórias Paroquiais (1758), contando na altura com três vizinhos, o mesmo apresentado pela Várzea, Montinho da Várzea, Preguiça, Alcarias Galegas (Monte do Galego?) e Jardos, enquanto Monchique, Monte Novo, Malfrade, Madeiras e Casa Nova só tinham dois. Ferrarias, Mesquita e Galachos estavam num patamar superior pois tinham quatro vizinhos cada.

De todos estes montes só Malfrade avançou consideravelmente, ainda que em decréscimo, é dos montes mais populosos da freguesia.

Após vencermos a ponte dos Bentos sobre a Ribeira de Odeleite, no sentido norte/sul , tomamos a estrada da esquerda que é a subir para novamente descer depois de vencida a altitude. Passamos por uma pequena ponte de um pilar, construída para vencer um barranco de dimensões razoáveis. Na sua área os terrenos propiciam pequenos hortejos e na altura podia ver-se um bonito batatal.

Voltámos naturalmente a subir e depois de passarmos o desvio de terra batida para o Vale da Rosa, aparece-nos à direita esta pequenina povoação aconchegada na falda do cerro e à direita da estrada.

Bemposta, o seu nome, é topónimo muito frequente em Portugal e na Galiza havendo mesmo no Estado do Rio de Janeiro uma vila assim chamada. De bem posta em referência à topografia da vila, aldeia, povoação, herdade, quinta, etc. (1)

No dicionário que habitualmente consultamos para o efeito, encontrámos referidas 37, incluindo a da freguesia de Vaqueiros. (2)

Após anos de completo abandono, que em parte ainda se nota, aconteceu o regresso de um dos seus filhos que sozinho fez reviver o pequeno monte, notando-se a recuperação de dois ou três fogos.

Em 1996 a Câmara pretendia electrificá-lo (3) o que hoje se verifica como demonstra a foto apresentada. Neste mesmo ano é instalada uma caixa de recepção do correio. É igualmente feita a recolha do lixo.

Do outro lado do barranco o indispensável poço apetrechado de bomba elevatória e que fornece o precioso líquido.

Na última visita que fizemos ao monte, notámos um fogo em franca actividade, possivelmente por ter recebido visita de familiares.

[O poço do monte apetrechado de bomba elevatória. Foto JV, 2011]

Ainda que só o tivéssemos conhecido após a possibilidade de passagem de um veículo automóvel, no caso um jipe, desde os primórdios da nossa chegada a Alcoutim conhecêmo-lo bem e fixámos o seu nome.

Mensalmente atendíamos o Sr. Silvino Domingos que saindo de madrugada do monte só regressava a altas horas da noite fazendo o percurso em animal de sela, a pé e em transportes públicos. Ia receber uma diminuta pensão de sangue proveniente de um filho, vítima da guerra colonial em 1967, na Guiné e que era o 1º cabo António da Silva Domingos.

Apesar de tantos anos passados nunca nos esquecemos do seu nome e da sua figura meã, andava vestido de preto e quando recebia os míseros escudos deixava sempre escapar uma lágrima acompanhando-a com a seguinte frase: “este dinheiro queima-me as mãos”. E o que aconteceu ao Sr. Silvino, aconteceu a milhares de pais e outros familiares espalhados pelo país.

O Sr. Silvino tinha dez filhos sendo dois do sexo masculino. Só na sua casa seriam dez pessoas.

É um seu descendente que ainda dá vida ao monte.


NOTAS
(1) - Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, José Pedro Machado, Horizonte/Confluência, Vol. I p. 239
(2) - Novo Dicionário Corográfico de Portugal, de A.C.Amaral Frazão, Editorial de Domingos Barreira, Porto, 1981, p 99
(3) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 4 de Dezembro de 1996, p 12

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Casas, um "monte" altaneiro!

[Monte das Casas. Foto de JV, 1988]

Ao atravessarmos a ponte sobre a Ribeira de Odedeite, conhecida por ponte dos Bentos pois é esta a povoação mais próxima e oriundos da aldeia de Vaqueiros, temos duas opções: ou tomamos a direita a caminho do Fernandilho ou seguimos a esquerda que nos indica Casas, Cabaços e Alcarias. É esta que vamos seguir.

A estrada vai subindo a fim de vencer os cerros ao fundo dos quais continua a correr a ribeira de Odeleite. Aparecem de um lado e do outro caminhos rurais e uma ou outra amendoeira.

Depois da subida pode-se avistar nitidamente o monte dos Bentos que ficou para trás.

Aparece-nos um cruzamento que nos indica as Alcarias para a direita e para a esquerda a Preguiça. É perto deste cruzamento que se situa numa pequena elevação o monte que procuramos, o Monte das Casas ou simplesmente Casas. Situa-se a cerca de 4 km dos Bentos. Ficam-lhe próximo o Cerro (1,1 km), Alcaria (1,2 km) e um pouco mais afastadas as Alcarias (2,6 km).

O acesso faz-se por um desvio que quando o percorremos era de terra batida e hoje está asfaltado.

Apesar de ser um “monte” pequeno demonstrava, quando o visitámos (1989) alguma vida agrícola já que nas redondezas existem terrenos limpos.

Não aparece referido com este nome nas Memórias Paroquiais, 1758 mas pensamos que estaria em formação pois existia com uma situação semelhante uma Casa (Nova) que poderá indicar o núcleo a partir do qual de formou.

O topónimo não oferece grandes dificuldades. Trata-se do plural do substantivo feminino casa e que é vulgar em Portugal e na Galiza.

Simples encontrei referidos dez, incluindo este e umas dezenas composto ou seus derivados.

A chegada da energia eléctrica teve lugar em 4 de Dezembro de 1985 (1) e constituiu o grande melhoramento já que a partir dela tudo se torna mais simples.

Em 1993 os arruamentos são pavimentados. (2)

A água depois de ser distribuída por fontanários é levada ao domicílio em 2003. (3)

O poço público foi reparado em 2004. (4)

O painel de quatro caixas de correio foi instalado em 1996 (5) pelo que na altura deviam ser quatro o número de fogos habitados.

Segundo informação recebida tem actualmente (2011) 3 habitantes


NOTAS
(1) – Jornal do Algarve de 5 de Dezembro de 1985
(2) – Boletim Municipal nº 12, de Abril de 1993
(3) – Alcoutim, Revista Municipal nº 10 de Dezembro de 2003, p 6
(4) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 11 de Janeiro de 2005, p 14
(5) – Alcoutim, Revista Municipal nº 4 de Dezembro de 1996, p 12

domingo, 7 de agosto de 2011

Monte do Barranco, central em relação a outros três que o rodeiam

[Vista parcial da povoação. Foto JV, 1988]
Este pequeno monte faz parte de um conjunto de quatro, todos de pequena dimensão e que se situam muito próximo uns dos outros ou seja: Monte das Casas a 850 metros, Monte do Cerro a 2000 e Monte da Alcaria a 800. Um pouco mais distante fica Alcarias, a 2200.

Próximo do Monte das Casas entroncam as estradas vindas dos Bentos, após a travessia da ponte sobre a Ribeira de Odeleite, a que toma, partindo do mesmo local a direcção de Fernandilho e que serve entre outros, o monte de Alcarias e depois o Monte da Alcaria e uma outra oriunda da Preguiça.

Uma vez no Monte das Casas e tomando a direcção das Alcarias, poucas centenas de metros andados, vamos encontrar à esquerda um pequeno desvio que nos leva a esta pequena povoação.

Na altura em que a visitámos, em 1989, teria menos de meia dúzia de fogos, notando-se uma construção relativamente recente e de cunho mais evoluído, produto possivelmente do trabalho de emigrantes.

Situa-se encostado a um declive e ao fundo corre o barranco que lhe deu o nome actual, já que barranco para os algarvios é um lugar cavado pelas enxurradas, ribeiro, córrego.

Topónimo muito vulgar no Sul do País, encontrámos mais de trinta casos incluindo os compostos e diminutivos. Situam-se quase todos no Algarve. Não encontrámos contudo, no dicionário que costumamos consultar a referência ao da freguesia de Vaqueiros.

Admitimos que tivesse tido outro nome já que nas Memórias Paroquiais (1758) não aparece referido, nem este nem os vizinhos Casas, Cerro e Alcaria. Em contrapartida, aparecem com esta localização Corte, Casa Nova (outra além da próxima de Soudes) e ainda outra povoação que nos parece ser Malsentado (?) e que poderá estar em oposição a Bemposta, mais um monte relativamente próximo. A primeira ou a última designação poderá ser o primitivo nome desta pequenina povoação, já que Casa Nova deve corresponder actualmente ao Monte das Casas.

[Um aspecto do "monte"]

O fornecimento de energia eléctrica teve lugar em 1985, tal como aconteceu com os pequenos montes vizinhos de Casas, Cerro e Alcaria. (1)

Em 1993 procedeu-se ao arranjo dos arruamentos. (2) e dez anos depois a água foi levada ao domicílio.(3)

Presentemente (2011) tem 3 habitantes.

A sede de freguesia, aldeia de Vaqueiros, fica-lhe a 12 km de distância e a do concelho, Alcoutim, a 41.


NOTAS
(1)- Jornal do Algarve de 5 de Dezembro de 1985.
(2)- Boletim Municipal nº 12, de Abril de 1993.
(3)- Alcoutim, Revista Municipal, Nº 10 de Dezembro de 2003, p 6

terça-feira, 26 de julho de 2011

Festa no Zambujal (Vaqueiros)



Apresentamos hoje a todos os possíveis interessados o programa do XIII ALMOÇO DOS NATURAIS E AMIGOS DO ZAMBUJAL que vai ter lugar, SÁBADO, 6 DE AGOSTO DE 2011 e numa organização da ASSOCIAÇÃO AMIGOS DO ZAMBUJAL.

O programa mostra-se variado e irá certamente originar um convívio agradável entre naturais e visitantes.

Estas pequenas festarolas que se vão realizando por todo o concelho são uma tentativa de alguns dos seus filhos ainda que fisicamente ausentes procurarem, pelo menos num dia do ano revitalizarem os seus montes numa tentativa de manter uma pequena chama de vida.

Enquanto nalguns esses encontros anuais já se extinguiram, noutros a perseverança dos seus naturais vai-os mantendo. Até quando?

O Zambujal foi sempre um dos mais importantes montes da freguesia de Vaqueiros e mesmo do concelho de Alcoutim

Aproveitamos para agradecer o convite formulado.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Casa Nova, entre tantas do País, a da freguesia de Vaqueiros



Entre as muitas dezenas existentes no País, tanto no singular como no plural e não referindo outras formas compostas, há a Casa Nova da freguesia de Vaqueiros, concelho de Alcoutim.

Além de Portugal, é frequente na Galiza e no Brasil.

A origem e significado são evidentes e o problema reside na altura foram construídas a casa ou as casas (novas).

Esta Casa Nova já existia em 1758 pois é nesses termos que as Memórias Paroquiais a referem e na altura com dois vizinhos, havendo por isso, duas construções habitadas e que na altura a povoação era assim designada como hoje acontece. Esta Casa Nova tem mais de 250 anos.

Saber quando foi construída a casa que deu nome ao lugar é que não é fácil, pelo menos para nós.

Fica actualmente à beira da estrada municipal nº 505 e a pouca distância da linha divisória com a freguesia do Pereiro, pois a povoação seguinte, Soudes, que lhe fica a 1700 metros, já pertence àquela freguesia. Pouco depois entra-se na freguesia de Odeleite, concelho de Castro Marim sendo a primeira povoação a alcançar Furnazinhas, a 7 km.

O troço Casa Nova - Preguiça estava em execução e, 2001. (1)

A pequena povoação dispõe-se do lado esquerdo da estrada para quem vem no sentido Oeste / Este.

A placa toponímica, que a identificava quando a visitámos, estava muito velha e pouco perceptível.

Em 2009 foi construída a pequena estação elevatória de água. (2)

Segundo mapa inserido em documento municipal, em 2007 a água era distribuída por fontanários. (3)

Possuía lavadouro público, reconstruído em 2005 (4) e um local para recolha de passageiros devidamente protegido.

Painel de três caixas de correio pelo que os habitantes rondarão a meia dúzia.

Tem hoje (2011) 5 habitantes.

Dista da sede de freguesia 11 km e 27 da vila de Alcoutim, sede do concelho a que pertence.

NOTAS

(1) – Alcoutim, Revista Municipal nº 8, de Setembro de 2001, p 2
(2) - Alcoutim, Revista Municipal, nº 16, de Março de 2010, p 13
(3) - Alcoutim, Revista Municipal nº 14, de Janeiro de 2008, p 14
(4) – Alcoutim, Revista Municipal nº 12 de Dezembro de 2005, p 16

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Várzea, pequeno monte da freguesia de Vaqueiros mas ainda activo



A notícia mais antiga que possuímos desta pequena povoação é a que nos fornece as Memórias Paroquiais de 1758 em que nos é apresentada como Vargem, uma das variantes de Várzea que ainda pode ser ouvida pelos mais idosos habitantes do concelho, tal como Varja. Estas duas variantes existem na nossa toponímia ainda que Várzea seja muitíssimo mais usada como topónimo, existindo no país mais de cento e cinquenta e trinta no plural.

Várzea é uma campina cultivada, chã, planície, palavra de cunho inconfundível pré-romano. As várzeas situam-se normalmente nas proximidades de cursos de água e é o que aqui acontece, ainda que esta povoação se situe numa pequena elevação, até para fugir a inundações. Os habitantes desenvolviam a sua actividade na várzea da Ribeira de Odeleite que lhe passa junto, tornando os terrenos muito mais produtivos devido a serem de aluvião.

Em 1758, segundo as já referidas Memórias Paroquiais, tinha três vizinhos ou seja três fogos habitados.

Quando em 1984/85 se fez um estudo para a instalação de uma Central Fotovoltaica, o que veio a acontecer no Vale da Rosa, esta povoação foi uma das equacionadas para a sua execução e segundo o inquérito feito tinha 38 habitantes, em nove fogos, havendo quatro emigrantes. Ficava a 5 km da estrada municipal. Tinha poço com bomba elevatória a 300 metros e existia escola primária. Os moradores tinham nove rádios.

Hoje, (2011) segundo informação recolhida tem 18 habitantes.

Tem energia eléctrica e depois da distribuição de água por fontanários a mesma foi levada aos domicílios em 2006. (1)

O telefone fixo chegou em 1985. (2)

Em 1999 foi construído um pontão com a colaboração de Junta de Freguesia. (3)

[Outro aspecto da povoação. Foto JV]

O grande benefício chegou com a estrada municipal nº 508 e consequente ponte sobre a Ribeira de Odeleite, que era um obstáculo a transpor principalmente no Inverno. Os montes da zona deixaram de ficar isolados como era habitual.

A Várzea é alcançada através de um pequeno desvio desta estrada.

Em 1992 procedeu-se à pavimentação dos seus arruamentos (4) e em 1999 foi instalado um painel com sete caixas de correio, (5)

A escola foi construída em 1964/65 e ainda é referida no Diário da República nº 38 de 14 de Fevereiro de 1985 (IIª Série).

Foi reaberta em 1992 devido à existência de número suficiente de alunos para o efeito, mas acabou por fechar pouco tempo depois.

A Câmara Municipal e a Junta de Freguesia, numa acção conjugada, prepararam-na em tempo record para receber alunos e professor. A Junta de Freguesia não esqueceu a instalação de um parque infantil no recinto da mesma. (6)

Pensamos que o edifício está entregue a uma associação local de caçadores.

É conhecida a produção hortícola que vai abastecendo as povoações do concelho, além de abastecer vendedores dos mercados de Estói e Vila Real de Santo António. Sobre este aspecto constitui uma excepção no concelho de Alcoutim.

Ultimamente os seus habitantes têm-se reunido uma vez por ano num pequeno convívio recebendo para o efeito o auxílio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia.

Situa-se a 15 km da sede de Freguesia, Vaqueiros e a 36 da vila de Alcoutim, concelho a que pertence.

Notas
(1) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 13 de Dezembro de 2006, p. 14.
(2) – Jornal do Algarve de 30 de Maio de 1985.
(3) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 7 de Março de 2000, p.11.
(4) – Boletim Municipal nº 10, de Abril de 1992, p. 5
(5) – Alcoutim, Revista Municipal nº 6 de Janeiro de 1999, p. 11
(6) – Boletim Municipal nº 11, de Setembro de 1992.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Preguiça, pequeno monte para lá da Ribeira de Odeleite



Esta pequenina povoação situada nume encosta já é referida nas Memórias Paroquiais de 1758, ainda que pertencente à freguesia de Vaqueiros, estava dependente do termo de Tavira.

Tinha na altura 3 vizinhos (fogos habitados), número semelhante aos de Vargem (Várzea), Montinho (da Várzea) e Jardos, todos nas suas proximidades.

A povoação que lhe fica mais próxima é a das Casas distante 2 km, enquanto a estrada nº 508 se situa a 3.

O ramal asfaltado da E.M. nº 508 foi adjudicado em Dezembro de 1991. (1) A ligação ao monte das Casas era feita por estrada não asfaltada, constituindo o CM 1050 que veio a ser pavimentado em 2002. (2)

Foi uma das pequenas povoações previstas com hipóteses de receber energia fotovoltaica. No inquérito a que se procedeu na altura (1983), tinha 17 habitantes em quatro fogos, havendo cinco emigrantes. Utilizavam na iluminação, dez candeeiros a petróleo e quatro a gás. Acabou por ser preterida a favor de Vale da Rosa.

Nesta altura os habitantes abasteciam de um poço a cerca de 500 metros e apetrechado de bomba elevatória.

O fornecimento de energia eléctrica teve lugar em 1989 ao mesmo tempo do que o vizinho Jardos que lhe fica bem perto (3) e as ruas pavimentadas em 1993. (4). Anos depois (2006) vieram a ser beneficiados. (5)

Em 2001 foi levada a água ai domicílio (6) e em 1996 foi instalado um painel de caixas do correio. (7)

Tem lavadouro público e recolha de lixo.

Há muito uma vivenda, certamente produto do trabalho de emigrantes.

A nível de topónimo a explicação é naturalmente a mesma que damos para Preguiças (plural), nome de um monte que lhe fica relativamente próximo.

É que preguiça não significa só mandria, mas igualmente pau a que estão pegadas as cangalhas da canoira, sendo esta um vaso que se coloca em cima da mó do moinho e onde cai o grão que vai ser moído. (8)

Quem conhece a actividade cerealífera que foi apanágio destas gentes e dos moinhos existentes para a farinação, de que resta pelo menos as ruínas de um exemplar próximo do vizinho monte do Balurquinho, admite que a explicação possa estar aí.

Situa-se a 15 km da sede de freguesia e a 36 da sede do concelho a que pertence.

Nos censos de 1991 e 2001 devido ao número de habitantes ser inferior a dez foram contabilizados nos isolados.

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Notas
(1) – Boletim Municipal nº 8 de Abril de 1991.
(2) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 9 Dezembro 2002, p. 5
(3) – Jornal do Algarve de 30 de Março de 1989.
(4) – Boletim Municipal nº 12 de Abril de 1993.
(5) – Alcoutim, Revista Municipal nº 13 de Dezembro de 2006, p.13
(6) – Alcoutim, Revista Municipal nº 8 de Setembro de 2001, p. 12
(7) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 4 de Dezembro de 1996, p. 12
(8) – Dicionário Prático Ilustrado (Direcção de Jaime de Seguier), Lello & Irmão – Editores, Porto, 1972.

terça-feira, 22 de março de 2011

Alcarias, povoação com alguma importância na freguesia de Vaqueiros

[Alcarias, entrada, 1998. Foto de JV]

Numa vertente da Serra do Caldeirão num lugar enquadrado pela beleza natural situa-se esta pequena povoação de origens recônditas com o seu casario rural construído com xistos e grauvaque e telhados de telha de canudo, representado em habitações, fornos de cozer pão, palheiros e arramadas agora em contraste com construções ou reconstruções onde o tijolo, novos materiais de construção e concepções de espaço são evidentes.

Dinheiro proveniente de emigrantes que mourejaram em diferentes partes da Europa trouxe novos tipos de construção e modos de vida com que não tinham sido criados.

O “monte” situa-se a 12 km da aldeia de Vaqueiros, sede da freguesia e a 42 de Alcoutim, sede do concelho. A cidade de Tavira fica-lhe a 31 e Vila Real de Santo António a 40, por isso, mais próximas do que a sede do concelho a que pertence.

Nas Memórias Paroquiais de 1758 é referida como tendo 9 vizinhos, ainda que pertencendo à freguesia de Vaqueiros fazia parte do Termo de Tavira, situação que se manteve até à publicação do 1º Código Administrativo em 1836.

Em 1839, Silva Lopes não refere o seu número de fogos, possivelmente por o desconhecer, ainda que refira outros aparentemente menos importantes.

O topónimo de origem árabe, al-qariâ, significa pequena povoação, aldeia e já era muito usada no século XIII.(1) É muito vulgar no Sul do país.

Próximo desta existe outro pequeno núcleo habitacional designado por Alcaria. Alcarias, plural, parece dar a entender que foram várias alcarias, que se aproximaram pelo decorrer dos tempos, formando um único núcleo.

No Censo Populacional de 1991 eram-lhe atribuídos 53 habitantes, número só suplantado por outros dois “montes”, Zambujal e Preguiças. Em 1996 teria 38 habitantes em 12 fogos. (2) No recenseamento seguinte (2001) já tinha descido para 35e naturalmente hoje devem ser muito menos.

A electrificação da povoação foi inaugurada no dia 19 de Dezembro de 1984 (3) o que certamente constituiu uma boa prenda de Natal.

[Uma vista à distância. Foto JV, 2010]

Nesse mesmo ano, igualmente, se inaugurou um telefone público e para a sua instalação foi necessário um traçado de 10 km por montes e vales com o levantamento de 225 postes e uma despesa aproximada de três mil contos. (4)

Em 1993 é adjudicada a E.M. 506 - Bentos - Fernandilho / Ramais para Taipas e Alcarias (5) continuando assim a combater o isolamento de séculos.

O edifício escolar, que recebia as crianças das redondezas, há muito que encerrou por falta de alunos e presumo que tivesse sido construído na década de sessenta do século passado, precisamente quando se verificava já o êxodo das populações à procura de melhores condições de vida.

O edifício veio a ser adaptado para servir de Capela, a que o site da Junta de Freguesia chama Capela de Nª Sª de Fátima. (6)

Nos primeiros anos da década de 90 do século passado foi instalada uma padaria que em 2000 possuía 15 trabalhadores, destinando-se a produção (pão, carcaças) à venda no litoral algarvio chegando mesmo ao país vizinho.

É natural que não se venda na vila de Alcoutim e praticamente em todo o concelho, pois além do número de consumidores não ser atractivo, fica mais longe do litoral onde a venda está facilitada.

Existiam dois pequenos estabelecimentos comerciais (café e mercearias) desconhecendo eu a situação actual. Quando o “monte” do Vale da Rosa era habitado, era aqui que se vinham abastecer.

Com características artesanais, produzia-se queijo e mel.

Em 1992 é aberto um furo para fornecimento de água por fontanários. (7)

A água é levada ao domicílio em 2006, tendo-se construído uma pequena estação elevatória e instalado uma bomba submersível no furo. (8) A estação elevatória original foi construída em 1986.

[Parque de merendas]
Um painel de caixas para correio foi colocado em 1996. (9)

Os arruamentos são melhorados em 2009. (10)

Foi construído um parque de merendas equipado com acessos para deficientes. (11)

A badalada Unidade Móvel de Saúde de Alcoutim que com a sua acção tem evitado um decréscimo mais pronunciado de população, principalmente quanto às mortes por pneumonias, foi aqui inaugurada no dia 11 de Agosto de 1994.

O Plano Director Municipal indica como de interesse três fornos, fornalha e pormenores construtivos.

NOTAS
(1) – Vocabulário Português de Origem Árabe, José Pedro Machado, Editorial Notícias, p.47
(2) – http://www.in-loco.pt
(3) – Jornal do Algarve de 27 de Dezembro de 1984.
(4) -“ Inauguração de um telefone público no Nordeste Algarvio”, Geleate Canau, Jornal do Algarve de 20 de Abril de 1984.
(5) - Boletim Municipal nº 12 de Abril de 1993.
(6) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 8, de Setembro/2001, p 12
(7) – Boletim Municipal, nº 10, de Abril de 1992.
(8) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 13 de Dezembro de 2006, p. 14, 16 e 17
(9) – Alcoutim, Revista Municipal nº 4 de Dezembro de 1996, p.12
(10) – Alcoutim, Revista Municipal nº 15 de Julho de 2009, p. 15
(11) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 12 de Dezembro de 2005, p. 15

quarta-feira, 9 de março de 2011

A Revelada e o "montinho", freguesia de Vaqueiros

[Montinho da Revelada. Vista geral. Foto JV]

Vamos abordar hoje um pequenino monte situado a 3 km da sede de freguesia e a 32 da do concelho. Sendo tão pequeno, pois nunca teria tido mais do que quatro fogos habitados, teria muito pouco para dizer, o que não é verdade e dizemos isto em relação a outros montes da mesma dimensão.

O topónimo pode-nos levar a várias conjecturas já que a sua escrita está distante de ser consensual.

Nas Memórias Paroquiais de 1758, o pároco que respondeu ao questionário indica a existência de um monte com um só morador, que designa por Rivellada.

Vários montes deste tipo existiram por todo o concelho que constituíam a residência do “senhor”proprietário dos terrenos que abrangiam vasta área. Nalguns casos as herdades foram desmanteladas por heranças e vendas, originando a que a esse fogo primitivo se juntassem outros, resultando assim, em montes de dimensões maiores.

Aqui isso não aconteceu.

Rivellada tomou várias fórmulas como Revalada, (1) Ravelada, ou Revelada (2) ou Rebolada, como se ouve muitas vezes dizer.

Deste monte primitivo há muito abandonado, ainda existem vestígios e situa-se entre o Montinho e Malfrade.

Muito depois e nos mesmos moldes veio a construir-se uma nova habitação isolada que passou a designar-se por “Montinho”. Ou por se situar relativamente próximo do primitivo monte da Revalada ou por estar relacionado com ele a título de possessão, passou a designar-se por Montinho da Revelada com as variantes já indicadas.

A nível de leitura, aparece-nos a existência de um morgadio, vínculo indivisível e inalienável que se transmitia numa família de primogénito em primogénito, mas em linha recta varonil.

O morgadio foi instituído por António de Brito Correia de Mascarenhas e Aboim, sargento-mor, fidalgo da Casa Real.

Uma filha deste, D. Maria Perpétua Correia de Mascarenhas e Aboim, veio a casar na Sé de Faro em 10.04.1778 com António Luís de Macedo Rebelo (1745-1808) que teria vindo a ser o 1º Conde da Ravelada (3) o que a Nobreza de Portugal e do Brasil não confirma.(4)

Foi tenente - coronel, capitão - mor, juiz vereador, almotacé - mor, cavaleiro fidalgo da Casa Real e grande homem de negócios, sendo igualmente administrador dos bens do seu opulento sogro.

Os morgadios vieram a sofrer grande machadada dada pelo liberalismo, principalmente pelo decreto de 4 de Abril de 1835 e acabaram por ser abolidos pelo decreto de 19 de Maio de 1863.

Com título ou sem título, a verdade é que vamos encontrar vários elementos desta família ligados a Alcoutim.

Dos seus filhos foi primogénito o doutor António Luís de Macedo e Brito que seguiu a vida eclesiástica. O secundogénito, Joaquim Filipe de Aragão de Macedo e Brito (1798-1867) herdou de seu pai todos os títulos e foi cônsul da Prússia e da Inglaterra no reino do Algarve. Foi preso pelos liberais em Portimão e levado para Lisboa. Uma filha, D. Mariana Rita Correia de Mascarenhas de Macedo e Brito, que casou com António Joaquim Ramalho Ortigão de Faro e vieram a ser ascendentes do escritor Ramalho Ortigão.

[O Senhor da Revelada]
António Joaquim Ramalho Ortigão foi capitão de mato e desde meados de 1816 Familiar do Santo Ofício em Évora. (5). Não admira, pelo que temos dito que de 1850 a 1858 tivesse sido eleito procurador à Junta Geral do Distrito pelo concelho de Alcoutim.

D. Joaquina Rosa Ferreira Aboim, que nasceu em 1803, certamente da família que temos vindo a referir, em 1860 ainda era uma das senhorias da Herdade da Malhada.

Também Luís Fernando de Macedo e Brito, igualmente dos Macedo e Brito, exerceu por volta de 1850 as funções de subdirector da Alfândega de Alcoutim, tendo sido transferido para Setúbal. (6)

Oralmente foram transmitidas várias estórias referentes a esta família, hoje, certamente, muito esbatidas no tempo.

Montinho é diminutivo de monte, que aqui na serra, como já se tem dito por variadíssimas vezes, significa pequena povoação.

Revelada, feminino de revelado e derivado de revel (rebelde)? ou terá a ver com Revelo, por Rebelo, antropónimo ? É que o “Conde da Ravelada” ou Revelada era precisamente Rebelo de seu nome! A Revelada constituiria as coisas próprias dos Rebelos? Talvez.


Dos seus quatro fogos, em 1998 só dois eram habitados e hoje será só um com três pessoas.

[Ruinas no Montinho da Revelada. Foto JV]

Situa-se praticamente no cruzamento da estrada nº 506 (Vaqueiros-Bentos), uma excelente estrada onde passa um veículo de meia em meia hora e a nº 505 (Monchique-Soudes). O troço numa extensão de 8 km compreendido entre o Montinho e Monchique, o seu custo estava estimado em cerca de 30 mil contos. (7) Em 1989 estavam a decorrer os concursos para as obras de pavimentação. (8)

Recebeu telefone em 1995 (9) e um ano depois foi electrificado (10) já que entretanto se tinha criado uma queijaria que registava a produção de 1500 queijos por dia, empregando sete pessoas e que até então recebia energia de um gerador. (11). Segundo informação recebida a exploração actualmente está semiparada.

Em 1996 são instaladas duas caixas de recepção de correio o que significa que existiam dois fogos habitados. (12)

Em 2001 foram colocados fontanários (13) para pouco depois ser levada a água ao domicílio.

Em 2003 manda-se construir um abrigo rodoviário (14) e em 2006 é beneficiada a estrada para Monchique até ao limite do concelho. (15)

A maior parte das construções da pequena povoação estão em ruínas.


Notas
(1) – Regulamento do Plano Director Municipal de Alcoutim.
(2) – Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol 24, p. 458
(3) – Anais do Município de Faro,(?) Pinheiro e Rosa.
(4) – Edições Zairol.
(5) - Dicionário da História de Portugal , Direcção de Joel Serrão.
(6) – Viemos a conhecer na nossa freguesia natal, muito antes de conhecer Alcoutim, três elementos desta família, tia e dois sobrinhos.
(7) – Boletim Municipal nº 2, de Fevereiro de 1988.
(8) – Boletim Municipal nº 4 de Abril de 1989.
(9) – Alcoutim, Revista Municipal nº1, de Maio-Junho de 1995.
(10) - Jornal do Algarve de 16 de Maio de 1996.
(11) - Diário de Notícias de 7 de Maio de 1996.
(12) – Alcoutim, Revista Municipal nº 4 de Dezembro de 1996, p. 12.
(13) – Alcoutim, Revista Municipal nº 8, de Setembro de 2001, p. 14
(14) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 10 de Dezembro de 2003, p. 10.
(15) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 13 de Dezembro de 2006, p. 15.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Taipas, dois montes em zona montanhosa

O caminho mais curto, por estrada, entre estes dois montes e Alcoutim, sede do concelho a que pertencem, é de 43 km e isto tomando em consideração que já não é necessário passar por Martim Longo e Vaqueiros, como acontecia antes da construção da estrada nº 508 que englobou a feitura da ponte sobre a Ribeira da Foupana e depois com a 505 com a qual entroncou.

Depois de passarmos por Malfrade vamos encontrar ao Montinho da Revelada a estrada oriunda de Vaqueiros, a 506. À ponte dos Bentos, sobre a Ribeira de Odeleite, tomamos a direcção de Fernandilho e uns quilómetros andados vamos encontrar estes dois aglomerados populacionais que se situam possivelmente na zona mais montanhosa do concelho.

A eles também podemos chegar através do C.M. 1049 das Madeiras que daqui para a frente e depois de atravessarmos a ribeira de Odeleite através de um pontão, por um caminho muito íngreme, nos leva ao despovoado monte do Galego e cerca de 2 km andados a estes montes.

Ao aproximarmo-nos da povoação por este lado, começam a aparecer sinais de comunidade como hortas, tanques, casa circular ou velho moinho aproveitado para arrecadação. Os terrenos nas redondezas apresentam-se limpos o que significa que ainda há alguma vitalidade.

[O maior monte, visto do norte. Foto JV]

Próximo da povoação, a estrada já está alcatroada. À nossa esquerda, numa elevação, encavalitam-se as habitações da pequena povoação. A placa toponímica que aparece não faz a distinção entre os dois montes. A curta distância, depois de um entroncamento e do outro lado da estrada, situa-se o outro monte.

Encontrámos um painel de 15 caixas de correio instalado em 1996 (1), que pode levar a concluir que existiam outros tantos fogos habitados.

Encontra-se a 13 km de Vaqueiros, sede da freguesia. Os montes mais próximos são Alcarias a 3,5 km, Fernandilho a 4,5 e Alcaria a 6.

As Memórias Paroquiais de 1758 já referem as Taipas e são-lhe atribuídos 10 vizinhos, número aproximado ao seu vizinho de Alcarias com 11 e só ultrapassado por Zambujal (31), Alcaria Queimada (21), Pão Duro (18) e Preguiças (17). Todos os outros tinham menos vizinhos.

Em 1839, Silva Lopes não indica o número dos seus fogos e no censo de 1991 são-lhe atribuídos 44 habitantes o que para o zona e época era um número considerável. Dez anos depois, ou seja, no censo seguinte, tinha baixado para 34, pelo que hoje rondarão duas dezenas.

[O outro monte, vista geral. Foto de JV]

O fornecimento de energia eléctrica foi inaugurado em 19 de Dezembro de 1984 (2) e a pavimentação da estrada desde a ponte dos Bentos tinha ocorrido em 1992 (3), sofrendo novo revestimento em 2004 (4). O telefone chegou em 1995. (5)

Depois da instalação de fontanários (2001) a água foi levada ao domicílio em 2004. (6)

Os arruamentos foram beneficiados em 2006. (7)

Existe uma Zona de Caça Associativa.(8)

O topónimo é frequente no país, principalmente no sul, onde existe em Silves, Monchique, Portimão e Ourique. O singular é próprio do norte. Terá o sentido de parede feita de barro e pequenas pedras suportadas por enxaiméis, técnica que os árabes nos deixaram e muito usada nestas zonas, foi devido a esse tipo de construção que ruíram muitas casas em Alcoutim a quando da chamada “Cheia Grande” ocorrida em 1876.

Se não estiver aqui a razão do topónimo, poderá estar na feitura de tapumes.

O Cerro do Castelo das Taipas deve ter constituído um núcleo de habitat relacionado com a exploração dos recursos mineiros e a actividade pastoril. No local foi recolhido um machado de pedra polida, na posse de um dos habitantes do monte, um fragmento de cerâmica e vários de mós de vaivém. (9)
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NOTAS
(1) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 4 de Dezembro de 1996, p. 12
(2) - Jornal do Algarve de 27 de Dezembro de 1984
(3) - Boletim Municipal, nº 10 de Abril de 1992
(4) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 11 de Janeiro de 2005, p. 11
(5) - Alcoutim, Revista Municipal nº 1 de Maio/Junho de 1995
(6) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 11 de Janeiro de 2004, p. 9
(7) – Alcoutim, Revista Municipal nº 13, de Dezembro de 2006, p. 13
(8) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 10 de Dezembro de 2003, p. 27
(9) – “O Algarve Oriental durante a ocupação islâmica”, Helena Catarino, em Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, nº 6, 1997/98, p.539.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Fernandilho, mais um antropónimo que deu origem ao topónimo



Já aparece referido nas Memórias Paroquiais de 1758 com 7 vizinhos, o que na altura constituía um número médio da freguesia.

Situa-se próximo da margem direita da Ribeira de Odeleite, passando-lhe a nova estrada entre o “monte” e a ribeira. Por sua vez a povoação que tem dois acessos, é atravessada por um barranco que vai desaguar à Ribeira de Odeleite.

Pertence à freguesia de Vaqueiros mas até à reforma administrativa (1836) pertencia ao termo de Tavira.

Situa-se a 40 km de Alcoutim, sede do concelho e a cerca de 10 da sede da freguesia a que pertence.(1) Quem estiver na aldeia de Vaqueiros tomará a E.M.- 506.

O ramal Bentos – Fernandilho, Taipas e outros foram postos a concurso em princípios de 1992.

A povoação recebeu a energia eléctrica em 12 de Dezembro de 1984 (2)

Em 1995 foi aberto um caminho rural com início nesta estrada, na distância de 3 km e que chegou à zona do Barranco da Laje. (3)

Este topónimo único no país é segundo José Pedro Machado um diminutivo de Fernando (4). Parece revelar influência castelhana local (5). Quem foi o tal Fernandilho ou Fernandinho que terá dado origem à pequena povoação é que não será fácil saber.

Fernandinho há vários espalhados pelo país, tal como Fernando e o patronímico Fernandes.

Em 1995 é instalado o telefone público (6) e um ano depois tem lugar o painel de caixas do correio (7).

Procedeu-se à reparação do lavadouro público com a colocação de novos tanques. (8)

[Outro aspecto do "monte" do Fernandilho. Foto JV, 2010]

A construção de um aqueduto para regularização das águas teve lugar em 2002. (9)

Em 2004 é colocada água ao domicílio, (10) ainda que não exista o indispensável saneamento básico.

A construção do parque de merendas tem lugar em 2005 tal como a recuperação do antigo poço público. (11) Os arruamentos são melhorados no ano seguinte. (12)

Foi inaugurada em 15 de Julho de 2006, nesta povoação, a Cooperativa Agrícola de Rega que abrange os “montes” de Fernandilho, Taipas, Alcarias e Bentos e que contava na altura com 40 associados e que tem como principal objectivo a construção de uma barragem, possibilitando assim a rega de terrenos agrícolas. (13) Entretanto está a construir-se um açude com uma capacidade de retenção de 1500 m3 de água.

Em 1991 o Censo Populacional atribui-lhe 46 habitantes e dez anos depois, são 41. Hoje, pouco passarão de trinta.
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NOTAS
(1) – Google Earth
(2) - Jornal do Algarve de 27 de Dezembro de 1984.
(3) – Alcoutim, Revista Municipal nº 1, Maio/Junho de 1995
(4) – Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, Horizonte/Confluência, II Vol. p. 634
(5) – Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. 21, p. 160
(6) – Alcoutim, Revista Municipal nº 1, Maio/Junho de 1995
(7) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 4 de Dezembro de 1996, p. 12.
(8) – Alcoutim Revista Municipal, nº 8 de Setembro de 2001, p. 13
(9) – Alcoutim, Revista Municipal nº 9 de Dezembro de 2002, p. 8
(10) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 11 de Janeiro de 2005, p. 9
(11) – Alcoutim, Revista Municipal nº 12 de Dezembro de 2005, pp 15 e 16.
(12) – Alcoutim, Revista Municipal nº 13, de Dezembro de 2006, p. 13
(13) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 15 de Julho de 2009, p. 16

domingo, 16 de janeiro de 2011

Balurquinho, pequeno monte com ligações à herdade da Malhada?

[Vista do Sul da pequena povoação. Foto JV, 2010]

Este pequeno monte da freguesia de Vaqueiros era designado em 1839 por Balurco, visto assim o referir Silva Lopes quando apresenta em relação anexa à sua Corografia, os fogos daquele ano, cabendo a esta povoação 8, e igual número a Malfrade, monte relativamente próximo.

Não o encontramos nas Memórias Paroquias (1758) mas nelas se indica a Malhada com 4 vizinhos.

Pelo menos em 1850 já era designado em acta de sessão da Câmara por Balurquinho, certamente para se distinguir dos seus homónimos de Balurco de Cima e de Balurco de Baixo, situados na freguesia de Alcoutim. Optou-se pelo diminutivo por ser o de menor dimensão, tal como aconteceu com Alcobaça e Alcobacinha, (freguesia da Várzea, concelho de Santarém) Pombal e Pombalinho, (sede de freguesia do concelho de Santarém) entre outros.

Estes três topónimos do concelho de Alcoutim são únicos no país.

Quanto ao topónimo que o linguista José Pedro Machado não refere existem duas ou três explicações.

A 2ª edição do Dicionário do Falar Algarvio (1) traz-nos o significado de balurco, assim explicado: pau redondo e comprido que se introduz no olho da mó para a desmontar. A explicação ajusta-se bem à zona, onde aproveitando o vento se construíram vários moinhos de que resta o do Balurquinho ou das Preguiças por se situar entre estas duas povoações e ainda com as paredes em bom estado de conservação. Pensamos que esta explicação é a mais plausível.

Dizia-nos o Sr. Manuel Pinto, natural desta zona, que este monte ficava pegado à herdade da Malhada e tinha sido um lavrador que lhe tinha dado origem, segundo ouvia dizer aos velhos do seu tempo de criança.

Sabemos que em 1852, Domingos Rodrigues, aqui residente, era um dos maiores quarenta contribuintes do concelho.

[Moinho do Balurquinho ou das Preguiças. Foto JV, 2010]

Uma pequena placa de madeira indicava com uma seta a vereda pela qual encontrávamos a Herdade da Malhada, hoje pensamos que transformada em couto cinegético.

Em 1850 alguns habitantes lavradores dos montes de Balurquinho e Despreguiças (Preguiças), requereram à Câmara que fizesse coimeiro para o gado miúdo durante o Verão o restolho que fica entre os ditos montes e o Zambujal e Malfrade, para pastarem as reses e bestas. O requerimento veio a ser indeferido por informação contrária da Junta de Paróquia. (2)

A electrificação da pequena povoação é inaugurada em 4 de Dezembro de 1985, (3) e existe um furo vertical (582/6) (4).

Em princípios da década de 90 os arruamentos são pavimentados (5), enquanto em finais do mesmo período é construído um forno comunitário. (6)

No Censo de 1991 o número de seus habitantes está incluído nos “isolados” mas sabe-se que em finais de 1999 tinha três fogos e 5 habitantes, existindo uma casa de grandes dimensões e de recente construção, a par de outras degradadas.(7)

Situa-se entre as Preguiças e os Galachos e tem acesso por estradas asfaltadas. Distará cerca de 34 km da sede do concelho e 14 da da freguesia.
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NOTAS
(1) – Eduardo Brazão Gonçalves, Algarve em Foco, 1996
(2) – Acta da Sessão da Câmara Municipal de 14 de Julho de 1850
(3) – Jornal do Algarve de 5 de Dezembro de 1985
(4) - Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos – http://snirh.pt
(5) – Boletim Municipal nº 10 de Abril 1992, p. 5
(6) – Alcoutim, Revista Municipal nº 6, de Janeiro de 1999, p.11
(7) – Radix – Ministério da Cultura – http://radix.cultalg.pt

domingo, 26 de dezembro de 2010

Galachos, Galaxos ou ainda Galaxes!



Este pequeno monte da freguesia de Vaqueiros e próximo da Ribeira de Odeleite sempre nos tem levantado dúvidas quanto à maneira de escrever e ainda mais quanto à explicação do seu topónimo, que ao conhecer-se ajudaria certamente a optar pela grafia.

Em 1758, nas Memórias Paroquiais, o pároco da freguesia que respondeu ao questionário escreveu Galachos, enquanto Silva Lopes na sua Corografia do Algarve (1841) grafou Galaxos.

A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol 21 indica Galachos. O site da Câmara Municipal de Alcoutim opta por Galaxos, (1) enquanto o da Junta de Freguesia de Vaqueiros apresenta com “X” no mapa da freguesia e com “CH” no texto! (2)

No nosso trabalho editado em 1985, (3) escrevemos Galachos.

José Pedro Machado escreveu:- top.Alcoutim - Referência a pessoas do local genericamente conhecidas pelo apel. ou pela alc. de Galacho? De galo? Nunca li ou ouvi no concelho tal nome, a não ser em relação à pequena povoação ou à que lhe fica próximo e ainda mais pequena e daí a adopção do diminutivo. Se é derivado de galo, penso que deve ser escrito com ch.

No Novo Dicionário Corográfico (...) que habitualmente consultamos, só encontrámos este Galachos, também com “ch” pelo que será único no país.

No Google Earth encontrámos Galaxes para aquilo que designamos por Galachos e Galachos para o que conhecemos por Galachinhos.

Em recentíssimo folheto propagandístico da responsabilidade da Câmara Municipal (4)
no mapa do concelho também assim aparece designado.

Como se vê, existe bastante confusão sobre o assunto.

Há uma importante família originária de Espanha, segundo penso, que se espalhou por diferentes partes do Mundo, como Portugal, Brasil e Argentina, pelo menos. No Ribatejo estiveram em Constância, Santarém, onde ainda conheci uma senhora, e Vila Franca de Xira mas não me consta que tivessem passado por terras de Alcoutim.

Tanto os Galachos como os Galachinhos situam-se muito próximo da Ribeira de Odeleite, em cujas margens o homem podia tirar o seu sustento, já que são terrenos produtivos ao contrário das serranias próximas.

[Um aspecto da povoação. Foto JV, 2010]

O monte dos Galachos situa-se a cerca de 34 km da sede do concelho e a 12 de Vaqueiros, sede da freguesia. Os Galachinhos há uns anos desabitados distam 700 metros dos Galachos, cada um na sua margem da ribeira.

As Memórias Paroquiais, que só referem o maior, atribuem-lhe 4 vizinhos, o que estava equiparado à grande maioria dos montes da freguesia, enquanto Silva Lopes em 1839 lhe atribui cinco fogos.

Até 1985 o isolamento de todos os “montes” da freguesia de Vaqueiros era praticamente total. As deslocações eram feitas a pé ou em animais de carga e sela.

À vila ia-se só para as obrigações fiscais, saindo de madrugada e chegando alta noite! Estes povos não tinham direitos, só tinham obrigações.

A escola mais próxima, a da Várzea, que presumo ter sido construída entre meados da década de 60 e da seguinte, do século passado não podia receber as crianças dos Galachos, pois no Inverno a ribeira não dava passagem e por isso frequentavam a escola do Zambujal.

Só em 1985 as coisas começam a mudar e é feita a terraplanagem e obras de arte na estrada municipal 508, no lanço da ribeira de Odeleite (Galachos) à estrada municipal 505. O alcatroamento da estrada e dos pequenos ramais foi adjudicado em Dezembro de 1991, sendo a ponte posta a concurso no ano seguinte (5) e ficando concluída em Julho de 1993. (6). Atravessamo-la. É uma ponte moderna, bem concebida, larga, com três elegantes pilares.

No monte foi inaugurado no dia 19 de Setembro de 1985 um telefone público quando ainda não beneficiava de energia eléctrica. (7)

Em 1992 foi aberto um furo para distribuição de água à população através de fontanários (8) e três anos depois viu as ruas pavimentadas. (9)

[Parque de merendas. Foto JV, 2010]

Em 2005 junto da estrada foi construído um parque de merendas à sombra de algumas árvores para o efeito plantadas. (10)

Tanto no censo populacional de 1991 como no de 2001 não encontrámos referência ao seu número de habitantes, pelo que, sendo 10 ou inferior, foram contabilizados nos isolados, contudo, em Setembro de 1999 afirma-se que tem seis fogos e dez habitantes. (11)

Perto da povoação, num pequeno cerro localiza-se um povoado com vestígios de ocupação islâmica. Recolheram-se fragmentos de telhas, cerâmica comum, bordos de pequenas panelas e vária cerâmica vidrada e de cor melada. (12)

Como se verifica, as terras férteis junto à ribeira não passaram despercebidas àquele povo.

[Ponte dos Galachos sobre a Ribeira de Odeleite. Foto JV, 2010]

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Notas

(1)– http://www.cm-alcoutim.pt
(2)— http://www.jf-vaqueiros.pt
(3)– Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio (Subsídios para uma monografia), p. 393
(4)– Alcoutim O Algarve Natural
(5)- Boletim Municipal nº 10, de Abril de 1992
(6)- Jornal do Algarve de 16 de Setembro de 1993.
(7)- Jornal do Algarve de 26 de Setembro de 1985.
(8)- Boletim Municipal, nº 10 de Abril de 1992.
(9)- Alcoutim - Revista da C.M.A., nº 1 de Maio/Junho de 1995.
(10)– Alcoutim, Revista Municipal nº 12, de Dezembro de 2005, p 15.
(11)– http://www.in-loco.pt
(12)– “O Algarve Oriental durante a ocupação islâmica”, Helena Catarino, in Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, nº 6, 1997/98, p. 145

sábado, 28 de agosto de 2010

Fortim, monte que o topónimo bem justifica



A pequena povoação situa-se a Sul da aldeia de Vaqueiros, freguesia a que pertence num núcleo de povoamento constituído pela Traviscosa, Cabaços e o minúsculo Bemposta já que Pomar se encontra desabitado.

Em meados do século passado e quando a população atingiu o seu zénite, a proximidade e entreajuda praticada possibilitava a sua existência já que o isolamento a que estava votada acabava por constituir uma autodefesa, acontecendo as saídas pormotivos imperiosos e que tinha natural dificuldade em aceitar: pagamento de impostos, serviço militar e outros aspectos burocráticos que lhe consumiam o pouco que conseguia angariar para sobreviver.

Desde que tivemos conhecimento da sua existência, em 1967/68, o topónimo inspirou-nos sempre uma situação de defesa, o que a nossa visita efectuada pouco depois do 25 de Abril confirmava à primeira vista.

Tempos depois pesquisas arqueológicas nas proximidades detectavam vários núcleos de povoamento na zona e no sítio mais elevado parece ter existido um pequeno castelo ou atalaia que acaba por justificar o actual topónimo.

Muros com cerca de dois metros de espessura e uma estrutura que parece ser de planta rectangular defenderia uma povoação muçulmana. Foram encontrados bastantes fragmentos de cerâmica, boros, fundos e asas de talhas e potes para armazenamento. (1)

Relativamente perto e na freguesia de Odeleite, concelho de Castro Marim, existe o monte de Fortes, topónimo, como é evidente, com as mesmas características.

Fortim é constituído por três pequenos núcleos, todos situados no cerro e a curta distância. Na baixa, terreno plano e agricultado.

É a única povoação no país que encontramos com este nome e isto tendo em consideração o Dicionário Corográfico que habitualmente consultamos. (2)

Nas Memórias Paroquiais de 1758, o cura que responde ao questionário atribui-lhe 5 vizinhos, enquanto para a Traviscosa e Cabaços indica 7, Pomar tem 5 e para a Bemposta, já existente, 3.

Como noutras circunstâncias já informámos, ainda que Fortim pertencesse à freguesia de Vaqueiros fazia parte, nesta altura, do termo de Tavira.

Quando visitámos pela primeira vez o monte, fizemo-lo num veículo de todo o terreno e acompanhando então o presidente da Comissão Administrativa da Câmara, Júlio António Rosa. A maquinaria encontrava-se desbravando a serra do Caldeirão no que diz respeito à freguesia de Vaqueiros.

Hoje o Fortim tem boa estrada de acesso e em 1985 deviam de arrancar as obras de terraplenagem e respectivas obras de arte da estrada municipal nº 506, entre Casas e esta povoação. (3)

Em 19 de Dezembro de 1984 inaugurava-se com festejo o fornecimento de energia eléctrica. (4)

Há recolha de lixo e foi colocado um painel de quatro caixas para correio. As ruas estavam asfaltadas e havia distribuição de água por fontanários.

A água ao domicílio é levada em 2002 (5). Em 2004 é aberto um novo furo e construída a estação elevatória. (6)

O Censo de 1991 atribui-lhe 16 habitantes (9 homens e 7 mulheres), mas no seguinte, por serem menos de dez, o seu número é colocado nos “isolados”. Existiam nove edifícios.

Em 1881 houve aqui um incêndio que causou muitos prejuízos aos seus moradores que pretendem ser indemnizados e que atribuem a ter sido fogo posto por um seu conterrâneo que indicam. (7).

Por volta dos meados do século passado, D. Clarisse Cunha, nossa saudosa amiga trabalhou no posto escolar de Traviscosa, mais tarde transformado em escola e onde alfabetizou muitos dos seus naturais que dela se devem lembrar. Segundo nos dizia, era em casa de um lavrador local que se acolhia. Só vinha à vila nas férias grandes e os trabalhos eram muitos para fazer a viagem, como nos contava.



É tudo o que conseguimos reunir sobre esta pequena povoação.





NOTAS

(1)– “O Algarve Oriental Durante a Ocupação Islâmica – Povoamento rural e recintos fortificados” Helena Catarino, Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, nº 6, 1997/98, p. 193.
(2)- Novo Dicionário Corográfico de Portugal, A.C. Amaral Frazão, Editorial Domingos Barreira, Porto, 1981.
(3)– Jornal do Algarve de 4 de Julho de 1985.
(4)– Jornal do Algarve de 27 de Dezembro de 1984.
(5)– Alcoutim, Revista Municipal, nº 9 de Dezembro de 2002, p 7.
(6)– Alcoutim, Revista Municipal, nº 11, de Janeiro de 2005, p. 14.
(7)– Ofício nº 106 de 14 de Agosto de 1881 do Administrador do Concelho.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Cabaços, o último monte por este lado da freguesia de Vaqueiros



Este “monte”, que pertence à freguesia de Vaqueiros, é o último do concelho por este lado, ficando quase na linha divisória com o de Castro Marim. freguesia de Odeleite.

Nas Memórias Paroquiais de 1758 são-lhe atribuídos 7 vizinhos, o mesmo número indicado para Traviscosa, Fernandilho e Vale da Rosa.

Nesta altura e por se encontrar a Sul da Ribeira de Odeleite, fazia parte do termo de Tavira e não do de Alcoutim.

Sabemos que em 1882, o Administrador do Concelho envia ao Delegado do Procurador Régio na Comarca de Tavira um auto de investigação que levantou por ocasião do aparecimento de alguns restos de uma criança que foi enterrada próximo deste “monte”, a fim de que em vista do mesmo possam vir a ser descobertos e punidos os perpetradores do infanticídio.(1)

Quanto ao topónimo, parece estarmos na presença de um caso de origem vegetal, do substantivo masculino cabaço, o mesmo que cabaça, cabaceira ou abóbora-cabaça, planta cultivada em Portugal.

Encontrámos oito vezes referido o topónimo Cabaços e também Cabaça, Cabaçal, Cabaceira e Cabaçotas, todas com a mesma origem. (2)

Cabaçal, terreno onde crescem cabaças, isto é, abóboras, cujo nome poderá derivar do étimo pré-romano cala, conforme o castelhano calabaza.

Igualmente não é descabido pensar que a sua origem poderá estar no topónimo pré-romano calapacios, que poderá significar “monte rochoso” (3) o que se confirma com a situação topográfica.

São vários os topónimos nas redondezas que poderão ter origem no castelhano.


Próximo desta povoação, mas já na freguesia de Odeleite e certamente por ser mais pequena, existe Cabacinhos.

Ainda que Silva Lopes o refira na sua Corografia do Algarve, omite-lhe o número de fogos que tinha em 1839.

Passando-lhe junto a estrada nº 506, que é obra depois do 25 de Abril, tornou-o um “monte” de passagem o que lhe tem proporcionado a existência de um estabelecimento comercial misto, café/restaurante.

[Um aspecto do estabelecimento comercial]

Foi electrificado ao mesmo tempo que os seus vizinhos em 1984 (4) e os arruamentos pavimentados em 1993, (5) tendo recentemente obtido nova beneficiação. (6)

Em 1998 é aberto um furo artesiano (7) e a água colocada ao domicílio em 2002, (8) ainda que não haja saneamento básico.

A melhoria é compensada pelos utentes com os pagamentos da água consumida e a recolha de lixo, o que então não acontecia.

Possui logo à entrada e do lado direito, no sentido Norte/Sul, um estabelecimento comercial, que também serve refeições, o que faz muito jeito aos passantes, que devido à melhoria da estrada vão de certo modo aumentando de número.

Nas redondezas, foi reparada a ponte do Barranco Grande. (9)

Em 1991 o censo populacional indicava 36 habitantes, 16 homens e 20 mulheres para dez anos depois ter descido para 28, continuando o sexo feminino em maior número (15).

Presentemente devem lá viver cerca de 20 pessoas.

A quando da construção da estrada, junto a esta povoação, foram destruídas sepulturas de recuados tempos. (10)

Terminaremos dizendo que o isolamento a que ficou sujeito este monte e toda a freguesia a que pertence, durante séculos e séculos, permitiu que Michel Giacometti e F. Lopes-Graça tivessem recolhido, em 1961 uma Oração das Almas (culto dos mortos), canto de peditório no dia de Finados (2 de Novembro) que começa “Recordai, nobres senhores ...” possivelmente hoje totalmente desaparecida. (11)


NOTAS
(1) Of. nº 96 de 27 de Setembro de 1882, ao Delegado do Procurador Régio na Comarca de Tavira.
(2)–Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, José Pedro Machado, Horizonte/Confluência, Vol I, 1993, p 297.
(3)–Infopédia – Enciclopédia e dicionários Porto Editora.
(4)–Jornal do Algarve de 27 de Dezembro de 1984.
(5)–Boletim Municipal nº 12, de Abril de 1993.
(6)–Alcoutim, Revista Municipal, nº 15 de Julho de 2009, p. 15.
(7)–Alcoutim, Revista Municipal, nº 6 de Janeiro de 1999, p 11.
(8)–Alcoutim, Revista Municipal nº 9 de Dezembro de 2002, p 7.
(9)–Alcoutim, Revista Municipal nº 8, de Setembro de 2001, p. 13.
(10)–“O Algarve Oriental durante a ocupação islâmica”, Helena Catarino, in Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, nº6, 1997/98, p 194.
(11)–Cancioneiro Popular Português, Michel Giacometti com colaboração de Fernando Lopes-Graça, Círculo de Leitores, 1981, pp 95 e 311.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Jardos, pequeno "monte" de topónimo curioso e na freguesia de Vaqueiros

["Monte" dos Jardos. Vista parcial. Foto JV, 2010]

Para se poder alcançar de veículo automóvel esta pequena povoação que sempre pertenceu à freguesia de Vaqueiros, antes do 25 de Abril, era impossível por absoluta falta de estradas e quando elas começaram a aparecer durou algum tempo a construção de pontes, sendo a primeira na ribeira de Odeleite designada por ponte dos Bentos e só depois foi possível, mais a Este, a dos Galachos por ficar próxima deste aglomerado populacional.

Lembramo-nos perfeitamente das grandes dificuldades que os habitantes do concelho daquela zona tinham em se deslocar à sede do concelho para tratar dos assuntos que só nela podiam na altura ter lugar.

Iam como podiam, a pé ou de burro, fazendo o percurso ainda de noite, até à estrada nacional nº 122 onde apanhavam o transporte público, regressando à tarde em sentido contrário.

Possivelmente por estas circunstâncias, ainda que a freguesia de Vaqueiros pertencesse a Alcoutim, as povoações situadas na margem direita da ribeira de Odeleite, como é o caso de Jardos, estavam afectas ao termo de Tavira, visto tornar-se mais fácil a ligação àquela cidade do litoral.

A divisão de freguesia por vários termos acabou com a legislação do regime liberal então instituído no país, mais precisamente em 1836.

Como quase sempre acontece, a informação escrita mais antiga que possuímos é a que nos transmite as Memórias Paroquiais de 1758 e nelas o cura de Vaqueiros, António de Barros, que respondeu ao questionário formulado, refere esta circunstância.

Em meados do século passado, crianças de povoações mais próximas da escola da Várzea tinham que optar pela do Zambujal, mais distante, visto na época invernosa a ribeira de Odeleite não dar passagem além de motivar situações de perigo.

A construção da estrada nº 508 veio servir toda esta região e depois de passarmos pela ponte dos Galachos, no sentido Sul, encontramos à direita um pequeno ramal de umas centenas de metros, asfaltado em 1992, leva-nos à pequena povoação que nos recebe num pequeno largo onde chegava o comércio ambulante.

Dava então nas vistas, quando a visitámos pela primeira vez, em fins dos anos 80, do lado direito uma grande figueira.

O “monte”, que se situa numa pequena elevação, tem acesso também por outra estrada, a 1050, na altura não asfaltada e proveniente do “monte” das Casas.

As Memórias Paroquiais a que já nos referimos, indicam-no como possuindo três vizinhos (fogos), ao nível de muitos outros na freguesia.

Silva Lopes, na Corografia do Algarve ignora-o, tanto quanto se refere à freguesia em si como na indicação dos fogos em 1839.

Em 1984 tinha dezoito habitantes em sete fogos, havendo um emigrante. Iluminavam-se na altura com quinze candeeiros a petróleo e foi um dos “montes” estudados para a instalação da energia fotovoltaica que veio a contemplar o monte do Vale da Rosa.

Veio a ser electrificado ao mesmo tempo do seu vizinho Preguiça, em 1989. (1)

Os arruamentos estão pavimentados tendo sido beneficiados em 2006, o que aconteceu também ao troço de acesso. (2)

[Troço de acesso em reparação]

Possui lavadouro público e a água foi levada ao domicílio em 2004. (3)

Caixas de correio em painel. Recolha de lixo.

São vários os erros detectados no concelho em placas toponímicas e aqui já referimos alguns. Também a que indica este monte tem JARDO e não JARDOS como temos sempre ouvido pronunciar e lido em documentação, aliás, como escreveu o Cura António de Barros em 1758.

Quanto ao topónimo, em dicionário da especialidade (4) só encontrámos indicado uma vez Jardos, precisamente o de Alcoutim, mas tem dois no singular masculino e um no feminino, além de outros que se presumem derivados, pelo que o topónimo não é inédito.

Jardo é um apelido conhecido em Portugal desde os primórdios da nacionalidade. A sua origem parece estar no francês jeune pelo que, falando-se de pessoas se traduzirá por loiro. Monte dos Jardos quererá dizer que pertencia a elementos da família Jardo ou de indivíduos alourados? (5)

Antigamente jardo era uma espécie de lã de cor cinzenta. (6)

Onde estará a razão do topónimo?


NOTAS

(1)-Jornal do Algarve de 30 de Março de 1989.
(2)-Alcoutim, Revista Municipal, nº 13 de Dezembro de 2006, pp 13 e 15.
(3)-Alcoutim, Revista Municipal, nº 11, de Janeiro de 2005, p. 9
(4)- Novo Dicionário Corográfico de Portugal, A.C. Amaral Frazão, Editorial Domingos Barreira, Porto, 1981, p399.
(5)-Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, José Pedro Carvalho, Horizontes/Confluência, 2º Vol 1993, p 823.
(6)-“A Freguesia de Vaqueiros (Alcoutim) - do abandono de séculos aos nossos dias”, José Varzeano, in Jornal do Algarve de 17 de Outubro de 1985.