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terça-feira, 19 de março de 2013

D. Francisco de Meneses, primo do 2º Conde de Alcoutim


Segundo filho de D. Henrique de Meneses e de D. Maria de Meneses, filha do Conde de Cantanhede.

Serviu em Ceuta quando aquela Praça era governada por seu primo D. Nuno Álvares de Noronha.

2º Cerco de Diu
Em 1538 vai para a Índia comandando uma das naus na armada do Vice-rei D. Garcia de Noro-nha.

É-lhe concedido o governo da Fortaleza de Baçaim onde ob-teve sucessos.

Coube-lhe socorrer a Praça de Diu, em 1546, a mando do Governador D. João de Castro e onde se encontrava sitiado D. João de Masca-renhas, que mais tarde na crise dinástica causada pela morte de D. Sebastião, veio a vender-se a Filipe de Espanha auxiliando-o na sua acção.

Apesar do seu ardor na luta perdeu a vida na refrega.

Não casou nem deixou descendência.

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História Genealógica da Casa Real Portuguesa, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi / Público, Academia Portuguesa da História, Volume V, 2007.

Enciclopédia Histórica de Portugal, Volumes 8 e 9 , Edição Romano Torres, 1938.

terça-feira, 5 de março de 2013

D. Joana de Meneses, sobrinha do 1º Conde de Alcoutim


 Filha de D. Henrique de Meneses e prima entre outros do 2º Conde de Alcoutim, D. Pedro de Meneses.

Foi a 1ª mulher de seu tio D. Aleixo de Meneses que foi o 3º filho de D. Pedro de Meneses, 1º Conde de Cantanhede e de sua segunda mulher D. Beatriz de Melo.

Foi alcaide-mor de Arronches, mordomo-mor da rainha D. Catarina.

Cedo se iniciou na carreira das armas ao lado de seu tio D. João de Meneses na tomada de Azamor em 1513.

Antiga fortaleza de Azamor.
Tomou o rumo ao Oriente acompanhando o Governador da Índia Lopo Soares de Albergaria.

Foi comandante de uma esquadra que percorreu a costa da Arábia, entrando em vários combates e defendeu Malaca.

Durante a ausência de Lopo Soares de Albergaria foi governador interino do Estado da Índia.

Regressou ao reinado e D. João III incumbiu-o de reformar as praças de Arzila, Azamor e Tânger.

Pelas suas altas qualidades foi nomeado aio de D. Sebastião, funções que exerceu dos 4 aos 14 anos.

Do casamento com sua sobrinha resultou uma filha, D. Luísa de Meneses que se casou com D. Pedro de Meneses, 8º Senhor de Cantanhede e morreu de parto.

D. Aleixo de Meneses voltou a casar por imposição de D. João III, enlace que efectuou com D. Luísa de Noronha de quem teve numerosa sucessão, entre os quais D. Luís de Meneses que morreu na batalha de Alcácer-Quibir e D. Pedro de Meneses, Eremita de Santo Agostinho e que tomou o nome religioso de D. Frei Aleixo de Meneses.

Faleceu em 1569.

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História Genealógica da Casa Real Portuguesa, Edição QuidNovi / Público – Academia Portuguesa da História, Vol. V, 2007

Enciclopédia Histórica de Portugal, Edição Romano Torres, Vol. 9, 1938

Dicionário de História de Portugal, Direc. Joel Serrão, Vol. IV, Livraria Figueirinhas / Porto

Dicionário Ilustrado da História de Portugal, Vol. I, Publicações Alfa, 1982

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

D. Jerónimo de Noronha, "o Bacalhau", sobrinho do 1º Conde de Alcoutim



Fortaleza de Baçaim
Também conhecido por D. Jerónimo de Meneses, era filho de D. Henrique de Meneses e de D. Maria de Meneses, filha do 1º Conde de Cantanhede.

Era irmão entre outros de D. Francisco de Meneses, e de D. Brites e D. Joana de Meneses.

Casou com D. Isabel de Castro, filha de D. Álvaro Castro, Governador da Casa do Cível, do Conselho de D. João III e de D. Leonor de Noronha, irmã de D. João de Castro, 4º Vice-rei que partiu para a Índia em 28 de Março de 1545 levando como capitães, na sua armada, Simão Peres de Andrade, Jorge Cabral, D. Manuel da Silveira, Diogo Rebelo e o seu cunhado D. Jerónimo de Noronha.

Por mercê de D. João III foi Capitão e governador de Baçaim e batalhou na guerra de Cambaia.

Voltou ao Reino e apesar de todas as suas qualidades para ser nomeado Governador da Índia, não o foi, nem para esse nem para qualquer outro lugar no Reino, militar ou político. É assim que se manifesta D. António Caetano de Sousa na sua História Genealógica da Casa Real Portuguesa, Tomo V, pág. 181.

Gaspar Correia afirma contudo que praticou em Baçaim muitos roubos, tanto a indígenas como aos portugueses o que os levou a contactar D. João de Castro que informou atendê-los quando voltasse de Diu o que parece não ter acontecido já que D. Jerónimo era seu cunhado. Os factos terão chegado ao Reino e possivelmente daí nunca mais ter sido nomeado para postos de responsabilidade política ou militar.

Do casamento nasceram os seguintes filhos: D. Jorge de Noronha que morreu sem geração, D. Mariana de Castro que casou com Fernão Teles de Meneses, 7º Senhor de Unhão e D. Leonor de Castro que casou com D. Diogo de Eça.

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História Genealógica da Casa Real Portuguesa, António Caetano de Sousa, Tomo V, Edição QuidNovi / Público – Academia Portuguesa da História, 2007.

Enciclopédia histórica de Portugal, Dir. d  e Duarte de Almeida, Vol. 9, Edição João Romano Torres & Cª, Lisboa, 1938.

Armadas que partiram para a Índia (1509 – 1640). Biblioteca Nacional de Lisboa, Reservados; Caixa 26, nº 153.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

D. CATARINA D `EÇA, NETA DOS 1ºs CONDES DE ALCOUTIM

Pórtico da Igreja dos Loios, Évora

Neta dos 1ºs Condes de Alcoutim visto ser filha de D. Afonso de Noronha, 4º filho do casal, que foi o 5º Vice-rei da Índia e que casou com D. Maria d `Eça.

Devia ter nascido por volta de 1550 e foi dama da rainha D. Catarina, mulher de D. João III.

Foi a última filha do casal.

Quando o pai governava Ceuta em nome de seu irmão, D. Pedro de Meneses, 2º Conde de Alcoutim e consequentemente seu tio, que serviu com grande préstimo, conseguindo gloriosas acções de armas, foi chamado por D. Afonso V ao Reino em finais de 1547.

Ordenou-lhe este que deixasse sua mulher, D. Maria d`Eça, a governar aquela Praça, em sua substituição, tal o conceito em que a tinha.

D. Catarina veio a casar com D. Rodrigo de Melo, que por morte de seu irmão passou a ser o filho mais velho do 2º Marquês de Ferreira, o que veio levantar algumas questões sucessórias entre ele e o sobrinho, filho do seu irmão mais velho que tinha falecido.

D. Rodrigo de Melo acompanhou D. Sebastião na desastrosa batalha de Alcácer-Quibir onde se bateu com ardor.

Veio a morrer de uma bala que lhe entrou pela boca a 4 de Agosto de 1578.

Entretanto, tinha falecido D. Catarina d `Eça. que foi buscar o nome à mãe e não ao pai, em 1573 segundo o epitáfio sepulcral que se encontra na Igreja de S. João Evangelista (Lóios) em Évora, local construído para receber os Melo.

Da ligação nasceu D. Francisco de Melo que morreu criança.

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História Genealógica da Casa Real Portuguesa, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi/Público – Academia Portuguesa da História, 2007.

Brasões da Sala de Sintra, Anselmo Braamcamp Freire, IN-CN, 1996.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

D. Pedro de Noronha, tio-avô do 1º Conde de Alcoutim

 
Bispo de Évora e arcebispo de Lisboa de 1424 a 1452. Nasceu nas Astúrias por volta de 1382 e foi figura poderosa da Corte.

Era filho de D. Afonso, Conde de Noreña (Astúrias), condado que incluía o Senhorio de Gijon e de sua mulher a Condessa D. Isabel e era neto natural paterno de Henrique II de Castela e materno natural de D. Fernando de Portugal.

D. Pedro foi o primogénito e teve como irmãos D. Fernando de Noronha que devido às imposições do casamento passou a ser D. Fernando de Meneses, 2º Conde de Vila Real e avô do 1º Conde de Alcoutim, também Fernando de nome, D. Sancho de Noronha que foi o 1º Conde de Odemira e D. Constança de Noronha, duquesa de Bragança, pois casou com D. Afonso, o 1º deste título.

Falecendo os pais em França quando eram todos muito novos, vieram para Portugal ficando ao cuidado do seu tio-avô, o Rei D. João I.

O Papa Martinho V e a instâncias de D. João I nomeia-o em 11 de Janeiro de 1419 bispo de Évora e falecendo D. Diogo Álvares, Bispo de Lisboa, nomeou-o para este lugar, contra a vontade do Cabido da Sé que preferia o Chantre da Sé de Coimbra.

Parece que o prelado não teria seguido a vida religiosa por sua vontade mas imposta por D. João I e, por isso, muitas vezes faltou às suas obrigações pastorais.

Teve primeiro um filho, cuja identidade da mãe se desconhece, depois manteve relações com D. Branca Dias Perestrelo, moça da rainha D. Leonor de Aragão e filha do donatário da ilha de Porto Santo, Bartolomeu Perestrelo, de quem teve os restantes filhos.

Delegou alguns dos seus poderes em vigários gerais que se encarregavam de administrar a diocese.

Por tudo o que aconteceu, foi admoestado pelo Papa Martinho V.

Em 1428 D. João I aproveita para o enviar à Corte de Aragão para tratar do casamento de D. Duarte, futuro rei, com D. Leonor de Aragão de que se saiu airosamente.

Acabou, por isso, por ficar muito afecto à Rainha D. Leonor, apoiando-a contra as pretensões de seu cunhado D. Pedro que veio a ocupar o lugar de regente do Reino.

Por tudo isto, entrou em conflitos com a Câmara de Lisboa acabando por resignar e retirou-se para a sua Vila de Alhandra.

Continuando a ser agravado pela Câmara de Lisboa que expunha as más acções que este tinha cometido, retira-se para Castela, tendo o Regente D. Pedro sequestrado as suas rendas.

Por intervenção de Urbano V e devido a pressões dos seus apoiantes junto da Santa Sé, D. Pedro deixa-o regressar a Lisboa em 1442.

Faleceu em Lisboa a 12 de Agosto de 1452 aos 70 anos e ficou sepultado na Sé de Lisboa.

Foi uma das figuras mais poderosas da Corte na primeira metade do séc. XV.

Legitimou alguns dos seus filhos com todos os direitos como se legítimos fossem. Aconteceu isso ao mais velho, D. João de Noronha, Alcaide-mor de Óbidos, que casou com D. Filipa de Ataíde e depois com D. Mécia de Vasconcelos e a D. Isabel de Noronha, que foi Marquesa de Montemor-o-Novo, D. Pedro de Noronha, Senhor do Cadaval, Comendador da Ordem de Santiago e foi embaixador de D. João II a Inocêncio VIII e que casou com D. Catarina de Távora e D. Fernando de Noronha, alcaide-mor de Salir, Guarda-mor e Governador da Casa da Rainha D. Joana, a “Excelente Senhora”e que casou com D. Constança de Albuquerque, irmã de Afonso de Albuquerque. D. Fernando de Noronha e D. Constança de Albuquerque foram pais do vice-rei da Índia, D. Garcia de Noronha.

Além destes teve mais três filhos.
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Brasões da Sala de Sintra, Anselmo Braamcamp Freire, Imprensa da Universidade, 1921

História de Portugal, Edição Monumental da Portucalense Editora, Porto, 1928 (Dir. Lit. de Damião Peres)
 
Quem é quem, - Portugueses Célebres, (Coord. Leonel de Oliveira) Círculo de Leitores, 2008

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

D. Pedro de Meneses, o do ALEO, bisavô do 1º Conde de Alcoutim

D. Pedro de Meneses. Monumento
em Ceuta.
D. Pedro de Meneses, 1º Conde de Vila Real teria nascido em Santarém (?), faleceu em Ceuta a 22 de Setembro de 1437 e jaz em magnífico mausoléu na Igreja da Graça em Santarém, depois deste sarcófago ter sido transferido da Capela dos Meneses no Convento de S. Francisco, na mesma cidade, para este templo onde igualmente repousam os restos mortais de Pedro Álvares Cabral, em campa rasa.
Era filho de D. João Afonso Telo de Meneses, 1º Conde de Viana do Alentejo e de sua mulher Maior Portocarrero, 2ª Senhora de Vila Real. Era primo de D. Leonor de Teles, rainha de Portugal.

Casou com D. Margarida de Miranda, filha do Arcebispo de Braga, D. Martinho Afonso Pires de Charneca, de quem teve duas filhas, D. Brites de Meneses, 2ª Condessa de Vila Real e que casou com D. Fernando de Noronha, que para obter o título de 2º Conde de Vila Real passou a ser D. Fernando de Meneses e D. Leonor de Meneses que casou com D. Fernando II, Duque de Bragança e que conspirando contra D. João II veio a ser degolado em praça pública na cidade de Évora em 1483.

Casa segunda vez com D. Filipa Coutinho, que morreu a bordo quando se dirigia para Ceuta, filha de Gonçalo Vasques Coutinho, 2º Marechal de Portugal, de que não houve descendência.

O terceiro casamento teve lugar com D. Brites Coutinho, filha de Fernando Martins Coutinho, Senhor de Castelo Rodrigo.

Deste casamento nasceu D. Isabel Coutinho, Senhora de Mafra e de Enxara dos Cavaleiros.

Do 4º enlace matrimonial com D. Genebra Pessanha, filha de Carlos Pessanha, 6º Almirante de Portugal, também não houve descendência.

Extra conjugal, teve de Isabel Domingues, a Pixegueira, D. Duarte de Meneses, Conde de Viana, 1º Capitão de Alcácer-Ceguer e pai do Bispo de Évora, D. Garcia de Meneses.

Devido ao seu 4º casamento foi o 7º Almirante de Portugal.

Armas do 1º Conde de Vila Real
Como seu pai tivesse tomado o partido de D. João de Castela e veio a morrer nos arredores de Penela, em situação miserável, em princípios de 1384, foi com sua mãe para Castela.

Depois de assinada a paz, regressa a Portugal em 1411 e coloca-se ao serviço de D. João I. Faz parte da expedição a Ceuta, levando sete navios armados à sua custa, gastando grande parte dos seus cabedais.

Luta rijamente na tomada da cidade. Armado cavaleiro no campo da honra, assiste ao conselho que se realizou a seguir e que entre outras coisas procurava encontrar governador para a praça.

Após a esquiva de grandes Senhores, incluindo D. Nuno Álvares Pereira, D. Pedro de Meneses fez conhecer ao Infante D. Duarte a sua disposição para ocupar o lugar que acaba por lhe ser confiado.

No acto de investidura, D. João I entregou-lhe o pau a que então se abordava, por estar ferido numa perna, o ALÉU, e o depois conde de Vila Real jurou defender, só com aquele aléu, de todo o poder dos mouros, a praça que acabava de lhe ser confiada e o seu aléu ainda hoje se encontra na imagem de Santa Maria de África, que se venera naquela cidade.

D. Pedro de Meneses governou Ceuta durante vinte e dois anos, até à sua morte, que se verificou dentro dos seus muros (1437).

Diz Azurara, seu cronista, que durante dezasseis anos não despiu a sua cota de malha, rondando de noite e de dia. Define-o como perfeito guerreiro, valente, circunspecto e dotado de grande arte de prever os acontecimentos. Dá-o como homem de boa palavra e de cultura.

Conhecem-se duas vindas ao Reino. Uma em 1424, sendo-lhe na altura concedida a mercê do título de Conde de Vila Real e a outra em 15 de Agosto de 1433 assistindo como alferes-mor à aclamação do rei D. Duarte.

D. Pedro de Meneses procurou assegurar ao filho bastardo, D. Duarte de Meneses, que muito admirava pelas excelentes qualidades de guerreiro, a capitania de Ceuta, o que não conseguiu, pois a isso se opôs a filha legítima, D. Brites, que casou com D. Fernando de Noronha, reclamando para ele o governo da cidade, o que veio efectivamente a obter após a morte de D. Pedro. Para que isso tivesse acontecido, contou com o apoio da rainha D. Leonor. Contudo, D. Duarte de Meneses foi o 1º Capitão e Governador de Alcácer-Ceguer, tendo perdido a vida defendendo a de D. Afonso V contra a moirama.

Os Meneses tiveram durante séculos uma forte ligação com Santarém onde possuíam os seus palácios.

Santarém. Pórtico do
 Convento de S. Francisco
Ainda que os restos mortais repousem em várias igrejas da cidade, tiveram o seu panteão na igreja do convento de S. Francisco. É natural, por isso, que alguns desejassem ser sepultados na terra que os viu nascer.

No século passado e como já dissemos, o magnífico túmulo foi transferido para a Igreja da Graça, fundada pelo 1º Conde de Ourém (Meneses).

D. Leonor, filha do primeiro matrimónio de D, Pedro e a quem este encarregou de cumprir as disposições testamentárias e de ordenar a sua sepultura, mandou construir um formoso mausoléu constituído por “artística arca de calcário, assente sobre o dorso planificado de oito leões, ornada com os escudos dos inumados”.

Na decoração flórica, não foi esquecida a palavra “aleo” que se repete trinta e cinco vezes.
 
Magnífico túmulo de D. Pedro de Meneses na Igreja da Graça em
Santarém. Desenho do pintor escalabitano Braz Ruivo.
 
Foi também D. Leonor que insistiu com Gomes Eanes de Azurara no sentido de este escrever a história de seu pai, o que veio a acontecer.

Foi, por isso, este grande Senhor que deu origem à existência de “ALEO” no brasão da vila de Alcoutim.

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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

Nobreza de Portugal, dir. de A. Martins Zúquete, 1961

Santarém no Tempo, Virgílio Arruda, 1971

História de Portugal, J. Veríssimo Serrão

Dicionário Ilustrado de História de Portugal, Ed. Alfa, 1982

História e Monumentos de Santarém, Zeferino Sarmento, 1993.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

D. Juliana de Lara


Filha de D. Manuel de Meneses, 4º Conde de Alcoutim e 1º Duque de Vila Real, neta de D. Pedro de Meneses, 2º Conde de Alcoutim.

Era sobrinha paterna de outra D. Juliana de Lara que ao casar com D. João de Lencastre, foi 1ª Duquesa de Aveiro.

Casou em 1598 com D. Sancho de Noronha, nascido em 1579, filho póstumo do 5º Conde de Odemira e que nasceu pouco tempo depois da morte de seu pai, ocorrida na batalha de Alcácer-Quibir.

O título foi-lhe concedido pelo cardeal -rei D. Henrique.

Foi-lhe confirmada a alcaidaria-mor de Alvor nos mesmos termos em que a tivera seu pai mas os rendimentos pertenceram a sua mãe, viúva, e durante toda a vida.

Desempenhava as funções de Mordomo-mor da rainha D. Luísa de Gusmão quando faleceu a 12 de Dezembro de 1641, sem deixar descendência.

A Casa de Odemira veio a ser incorporada na Casa Cadaval.
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Brasões da Sala de Sintra, Anselmo Braamcamp Freire, Vol III. INCM.

Dicionário Ilustrado da História de Portugal, Publicações Alfa, 2 Vol., 1982.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

D. Pedro de Meneses, 1º Marquês de Vila Real e pai do 1º Conde de Alcoutim


Era filho de D. Fernando de Noronha, que devido ao casamento com D. Brites de Meneses, 2ª Condessa de Vila Real passou a usar Meneses.
 
Casou em Santo Tirso de Riba de Ave com D. Beatriz, filha do 2º Duque de Bragança a 6 de Agosto de 1462.

Por carta de D. Afonso V de 3de Junho de 1445 foi feito Conde de Vila Real, o 3º deste título e por deferência ao seu avô materno, do mesmo nome, o do ALEO, pelos serviços prestados, nomeadamente, no norte de África e em Ceuta de que foi o 1º Capitão durante 23 anos e onde faleceu. D. Fernando, seu pai que sucedeu ao sogro, capitaneou-a oito anos, tendo igualmente lá falecido.

Foi nomeado Capitão de Ceuta tal como tinham sido seu pai e avô, sendo-lhe dado também o governo da cidade como o exerceram os Infantes D. Henrique e D. Fernando podendo nomear para todos os ofícios da cidade. Foi-lhe facultado aunda poder deixar ou nomear a capitania a qualquer seu filho ou irmão, o que lhe foi confirmado em 16 de Janeiro de 1467.

A Duquesa de Bragança, D. Constança, sua tia, institui-o seu herdeiro.

Foi feito por D. João II Conde de Ourém por carta de 27 de Fevereiro de 1489 e a 1 de Março do mesmo ano elevado a 1º Marquês de Vila Real.

Foi Senhor de Almeida e de muitas terras principalmente na zona das Beiras e pensava possuir as ilhas Canárias que o Infante D. Fernando pretendeu comprar-lhe.

Foi alcaide-mor de Leiria.

Durante a batalha do Toro coube-lhe a missão de proteger D. Joana, a “Excelente Senhora”.

Assistiu ao juramento do Príncipe D. Miguel, primogénito de D. Manuel, no Mosteiro de S. Domingos de Benfica em 7 de Março, ano em que veio a morrer já velho na cidade de Lisboa.

Do casamento nasceram seis filhos, sendo cinco varões, a saber: D. Fernando de Meneses, primogénito, que sucedeu ao pai, sendo 2º Marquês de Vila Real e foi também 1º Conde de Alcoutim, D. António de Noronha, 1º Conde de Linhares (Título Antigo), D. Henrique de Meneses que casou com D. Maria de Meneses, D. Diogo de Noronha, Comendador-mor da Ordem de Cristo, D. João de Noronha, Prior de Santa Cruz de Coimbra e D. Joana de Noronha que casou com D. Afonso, 8º Condestável de Portugal.
 
Além destes, D. Pedro de Meneses teve mais sete filhos bastardos.

Morreu em 1499.
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Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

Dicionário Ilustrado da História de Portugal, Publ. Alfa, II Volume, 1985
 
Nobreza de Portugal, Editorial Enciclopédia, Lisboa, 1960

Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses (Coord. Barroso da Fonte) Guimarães

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

sábado, 3 de novembro de 2012

D. Henrique de Meneses, irmão do 1º Conde de Alcoutim


Foi o terceiro filho de D. Pedro de Meneses, 1º Marquês de Vila Real e de D. Brites (ou Beatriz), filha do 2º Duque de Bragança.

Como militar serviu na Praça de Ceuta com seu irmão D. Fernando de Meneses, 2º Marquês de Vila Real e 1º Conde de Alcoutim.

Ambos estiveram na tomada de Targa e Camesi, onde foi armado cavaleiro.

Casou com D. Maria de Meneses, filha de D. Pedro de Meneses, 1º Conde de Cantanhede e da Condessa D. Leonor de Castro, filha de D. Álvaro de Castro, 1º Conde de Monsanto, Camareiro-mor de D. Afonso V e de D. Isabel, Senhora de Cascais, filha de D. Afonso, Senhor de Cascais, filho do Infante D. João e neto de El-rei D. Pedro I e da Rainha D. Inês de Castro.

Quando assistia de uma janela ao funeral de sua mulher caiu subitamente morto devido à forte emoção que apanhou.

Deste enlace resultaram nove filhos.

Ficou sepultado em S. Francisco de Lisboa.
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História Genealógica da Casa Real Portuguesa, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi/Público – Academia Portuguesa da História, Vol. V, 2007

sábado, 27 de outubro de 2012

D. Diogo de Noronha, tio do 2º Conde de Alcoutim


Com a devida vénia de
(*)
4º filho de D. Pedro de Meneses, 1º Marquês de Vila Real e da Marquesa D. Brites, segunda filha do Marquês de Bragança D. Fernando e da Duquesa D. Joana de Castro.

Esteve com os seus irmãos mais velhos, D. Fernando de Meneses, que o armou Cavaleiro em 1450 e D. Henrique de Meneses na tomada de Targa e Camisi.

Por ordem de El-Rei foi mandado para a Praça de Ceuta, devido a um conflito que teve com um fidalgo.

Governava a Praça Fernão Soares que lha quis entregar, o que ele prudentemente não aceitou, pois sabia as razões por que foi para lá enviado, mas que veio a governar mais tarde.

Estando em Portugal, foi um dos nobres designados para acompanhar em 1498 D. Manuel quando foi buscar a Rainha D. Isabel a Valência.

Foi Comendador-mor da Ordem de Cristo, Alcaide-mor de Óbidos e Senhor dos direitos de Selir.

Casou a primeira vez com D. Joana de Meneses, filha de D. Rodrigo de Meneses, Comendador de Grândola, Mordomo-mor da rainha D. Leonor e de D. Leonor de Mascarenhas. Desta união não resultaram descendentes.

Casou a segunda vez com D. Filipa de Ataíde, filha de Nuno Vaz de Castelo-Branco, Almirante de Portugal, Senhor do Bombarral, Alcaide-mor de Moura, Monteiro-mor de El-Rei D. Afonso V e da qual teve duas filhas.

Em 25 de Outubro de 1502, era hóspede de 2º Conde da Feira, no seu castelo, juntamente com os seus irmãos D. Fernando de Meneses, 2º Marquês de Vila Real e D. Henrique de Meneses.
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História Genealógica da Casa Real Portuguesa, António Caetano de Sousa. Ed. QuidNovi/Público – Academia Portuguesa da História. Vol. V, 2007.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol XVIII, p. 886.

Brasões da Sala de Sintra , Anselmo Braamcamp Freire, Vol III, Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

D. Francisco de Noronha, 2º Conde de Linhares (Antigo) e primo do 2º Conde de Alcoutim


Filho do 1º Conde de Linhares devia ter nascido por volta de 1507.
Sucedeu-lhe na casa e no título por renúncia de seu irmão mais velho, D. Inácio de Noronha.
 
Comendador de S. Martinho, do Bispado de Coimbra da Ordem de Cristo, Embaixador de D. João III a França no ano de 1540.
 
Foi mordomo – mor da Rainha D. Catarina.
 
Casou com D. Violante de Andrade, dama da Imperatriz D. Isabel. O casamento devia ter-se realizado em 1535, pois D. João III confirmou o contrato que teve lugar cinco anos antes e nessa altura D. Violante tinha apenas oito anos. O contrato recebeu o beneplácito de D. António de Noronha, Conde de Linhares e de D. Pedro de Meneses, Marquês de Vila Real.
 
D. Violante, que se julga ser cristã-nova, era filha de D. Fernão Álvares de Andrade, fidalgo da Casa Real, Conselheiro e Tesoureiro-.Mor do Rei, Cavaleiro da Ordem de Cristo, fundador do Mosteiro da Anunciada, da Ordem de S. Domingos e de D. Isabel de Paiva, filha de Nuno Fernandes Moreira, escrivão da Câmara de Lisboa e teria recebido avultados dotes.
 
Teve uma vida exemplar e faleceu a 13 de Junho de 1574, encontrando-se sepultado em Xabregas numa caixa de mármore no vão do altar-mor. Quarenta e seis anos após a sua morte, o seu corpo foi encontrado “inteiro, incorrupto e flexível pelo que foi posto nessa caixa em 1619, como refere o epitáfio.
 
Parece ter sido amigo de Camões.
 
Do casamento resultaram 13 filhos, entre os quais D. Fernando de Noronha que lhe sucedeu no título.
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História Genealógica da Casa Real Portuguesa, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi / Público, Academia Portuguesa da História, (fac similada),  Vol V, 2007

Dicionário Ilustrado da História de Portugal, Edição Publicações Alfa, Vol. I p. 388, 1982

Wikipédia, a enciclopédia livre

Portugal – Dicionário Histórico (transcrito por Manuel Amaral) Vol. IV, p.213, Edição de João Romano Torres

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

D. António de Noronha, 1º Conde de Linhares (Antigo) e irmão do 1º Conde de Alcoutim


Teria nascido por volta de 1464, sendo o filho secundogénito de D. Pedro de Meneses, 1º Marquês de Vila Real e de D. Beatriz de Bragança, já que o primogénito foi D. Fernando de Meneses, 2º Marquês de Vila Real e 1º Conde de Alcoutim.

Casou em 1484 com D. Joana da Silva Ayala, filha do 1º Conde de Portalegre.

É feito Conde de Linhares por carta de D. João III datada de 13 de Maio de 1532,passada em Setúbal, para cuja concessão se esforçou o irmão D. Fernando de Meneses, Conde de Alcoutim.

Foi Senhor de Algodres, Pena-Verde e Fornelos, desempenhando as funções de Alcaide-mor de Linhares, então concelho e hoje freguesia de Celorico da Beira.

Castelo de Linhares
 
Escrivão da Puridade do rei D. Manuel e de D. João III. Foi o último Comendador de Prado, pois esta Comenda da Ordem de Cristo foi anexada ao Convento de Tomar.

Combateu os Mouros, tendo governado a praça de Ceuta durante algum tempo em substituição de seu pai.

Do seu consórcio nasceram oito filhos, os seis primeiros varões. Os três primeiros morreram ao nascer.

Ficou como herdeiro do título D. Inácio de Noronha, que nos primeiros tempos deu mostras de grande inteligência e de bom guerreiro em África, acompanhando o pai.

Depois de casar com D. Isabel de Ataíde, filha de D. Vasco da Gama, Almirante das Índias e1º Conde da Vidigueira, veio a entrar em grande depravação que reconhecia mas de não se conseguia livrar apesar das ajudas do Rei e do pai. Por tal motivo renunciou a favor de seu irmão, D. Francisco de Noronha, o título que lhe competia.

A esposa separou-se, recolhendo ao Mosteiro de Santa Clara de Lisboa.

Parece que D. Inácio recuperou alguma dignidade no fim da vida.

Faleceu em 1 de Março de 1551 com oitenta e sete anos e ficou sepultado, com a esposa, que lhe sobreviveu três anos, no Mosteiro de  S. Bento de Xabregas em magnífica sepultura.

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História Genealógica da Casa Real Portuguesa, António Caetano de Sousa, Edição (fac similada da de 1948) QuidNovi/Público – Academia Portuguesa da História, 2007, Vol. V

Dicionário Ilustrado da História de Portugal, Pulbicações Alfa, 1985, I Vol.

Wikipédia, a enciclopédia livre


Quem é quem – Portugueses Célebres, (coord. Leonel de Oliveira), Círculo dos Leitores, 2008

 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Domínios da Casa do Infantado no concelho de Alcoutim

A Casa do Infantado foi instituída por alvará de D. João IV a favor dos filhos segundos dos nossos monarcas. A sua criação data de 11 de Agosto de 1654. (1)

O primeiro património com que D. João IV dotou esta “Sereníssima Casa” foi o ducado de Beja, anexando-lhe inteiramente a grande Casa que fora confiscada ao Marquês de Vila Real (Conde de Alcoutim) e duque de Caminha. (2)


[Palácio dos Marqueses de Vila Real, Condes de Alcoutim, em Vila Real]

Também os prédios e quinta de Queluz, que pertenciam aos traidores Mouras, Marqueses de Castelo Rodrigo, foram confiscados e nela incorporados. (3)


A medida procurava assegurar a manutenção dos filhos segundos da Coroa, evitando que saíssem do País, procurando, por outro lado, larga descendência real, garantindo a sucessão e permitindo inclusive, evitar conflitos com os seus irmãos primogénitos, quando estes subiam ao trono. (4)

Continuou a receber novas doações de diversos tipos e o seu domínio alastrou por todo o País.

Depois da Casa de Bragança era a do Infantado a mais abastada do Reino, como domínio senhorial.

No reinado de D. João V, o infante D. Francisco, Senhor dela, podia fazer mercê de 21 prestimónios que lhe resultaram pela Casa de Vila Real, apresentava 47 igrejas paroquiais, provia 11 alcaidarias-mores e senhor de 38 vilas repartidas por todo o País.

[D. Pedro II]
Além do infante D. Francisco, foram seus Senhores, o infante D. Pedro, seu pai, mais tarde D. Pedro II, o marido de D. Maria I, D. Pedro III, o infante D. João, mais tarde D. João VI e por fim, D. Miguel I.(5)

Como se vê, só D. Francisco não foi rei.

[D. Miguel]
As propriedades que os Condes de Alcoutim aqui possuíam e eram muitas, foram, como se disse, confiscadas para a Coroa quando o 6º. Conde, D. Luís de Noronha e Meneses foi executado no Rossio com outros fidalgos, por conjura contra D. João IV.

Silva Lopes diz que o termo desta vila está repleto de herdades que eram da Casa do Infantado. (6)

Foi possível fazer a identificação de algumas dessas herdades, presentemente desmembradas por heranças e vendas, contudo, os nomes permanecem na gíria popular e na maioria dos casos na matriz predial rústica.

Na freguesia de Alcoutim, identificámos as seguintes: - Primeira do Mosteiro (?), pertencente a Pedro José Rodrigues Teixeira por remição do foro em 1859, no montante de 105.300 réis; Segunda do Mosteiro (não será Esteiro?) ou Rossio que pagava de foro a satisfazer por Santa Maria de Agosto, 64 alqueires de trigo e foi arrematada por Manuel Garcia da Trindade em 10 de Outubro de 1859 por 1.200.00 réis; Primeira de Diogo Lopes que pagava de foro 22 alqueires de trigo e foi remido por José Pereira; Segunda de Diogo Lopes, com foro de 19 alqueires de trigo, remido por D. Maria Raimunda Pinto; João Fernandes (o Rossio partia com a Herdade da Casa de João Fernandes (7) que pagava de foro 11 alqueires de trigo e foi remido por D. Maria Raimunda Pinto em 1860; Brita Cornes, remida em 1859 por Domingos Martins, dos Balurcos, por 210.060réis; Grandaça, cujo foro foi remido em 1859 por Manuel Revez e José Carvalho pela quantia de 21.060 réis; Bacelar, adquirida em 1859 por José Fernandes Perdigão, por 105.300 réis e Palmeira, talvez a mais pequena ou menos valiosa, pois só pagava de foro 6 alqueires de trigo, remido por José Mestre, em 1859 ou 60.

No Pereiro, eram as do Posto Fuzil, pertencente a H.ºs de Manuel Afonso e Domingos Martins, da Portela; Ruy Martins, com foro de 14 alqueires de trigo, remido por D. Maria Raimundo Pinto; Galega, com foro de 16 alqueires de trigo, remido por José Nobre e de Soudes, de 45 alqueires de trigo, de foro, remido por João Mestre.

Respeitante a Martim Longo, encontrámos referência às de Aroeira ou Daroeira, de José Nunes e que anteriormente tinha pertencido a José Cláudio da Fonseca e José da Cruz; Zorrinhos, remida em 1859 por José Gonçalves e no valor de 263.592 réis; Finca Rodilha, de Sebastião da Guarda Cabreira e mais tarde de José da Costa Afonso e Carrascal (ou Castelhanos), remida por 224.640 réis, em 1859 a favor de António Pereira, dos Castelhanos. Existia também nesta freguesia uma courela denominada Joanna Vianna cujo foro foi remido em 1859 por José Fernandes, também de Castelhanos, pela quantia de 21.060 réis.

Não encontrámos quaisquer propriedades nas freguesias de Giões e Vaqueiros admitindo que elas pudessem ter existido. Talvez tivessem sido transaccionadas anteriormente.

Também dois fornos de cozer pão, um em Martim Longo, arrematado por D. Maria Dionísia em 10 de Outubro de 1859 e outro na Rua da Misericórdia de Alcoutim, arrematado no mesmo dia por Manuel Garcia da Trindade, pertenciam àquela Casa, tal como umas casas na Rua Direita, (actual Rua D. Sancho II) na vila e que em 1833 pertenciam aos H.ºs do Capitão-mor, Sebastião José Teixeira e que depois foram de José António de Torres. (8)

Pensamos que esta casa, que se situa na Rua Direita da Porta de Tavira, ainda que no decorrer do tempo, tivesse sido transformada e adequada às novas concepções de vida, foi aquela em que viveu e faleceu António Maria Corvo que foi Presidente da Câmara Municipal e casou com uma senhora Torres. Com a morte desta foi vendida pelos seus herdeiros.

Entre outros, sabemos que exerceram funções desta Casa em Alcoutim, Francisco Rebelo, em 1659, oficial de Fazenda e escrivão dos órfãos, vencendo anualmente 50.000 réis, mais 40 mil, várias mercês e 1 moio de trigo : em 1682 o licenciado João Gonçalves Costa era o procurador letrado da portagem de Tavira e Alcoutim, funções pelas quais recebia anualmente 6.000 réis; três anos depois, Belchior Baptista Delgado exercia o cargo de procurador letrado do almoxarifado de Tavira e Alcoutim, recebendo também e anualmente 6.000 réis.

Em 1691, Lourenço Diogo Bajão, igualmente licenciado, é o procurador do mesmo almoxarifado, recebendo igual quantia.

Tal como se sabe que o ouvidor de Barcelos, em 1655, era responsável também pela ouvidoria de Beja, Serpa e Alcoutim e em 1699 o almoxarifado de Tavira e Alcoutim rendia 1 871 650 réis e 38 moios e 18 alqueires de trigo e 18 alqueires de cevada. (9)
[Palácio de Queluz]

A Casa do Infantado foi extinta e os seus bens integrados na Fazenda Nacional, por Decreto de 18 de Março de 1834, de D. Pedro IV, com excepção dos Palácios de Queluz, Bemposta e mais um ou dois que ficaram reservadas para recreio régio. (10)

Como dissemos, as herdades vieram a ser arrematadas pela burguesia local.

Foi último donatário da Sereníssima Casa do Infantado em Alcoutim, o Barão de Beduído.

Convém, por isso, referir alguns traços gerais sobre estas figuras.

Nicolau Xavier de Figueiredo Melo de Bulhões Castelo Branco, 1º Barão de Beduído (Estarreja), nasceu em 1761 e faleceu em 1821. O título foi-lhe concedido por D. João VI, em 1818.

Guarda-roupa da capela deste monarca, casou em 1791 com D. Maria de Penha de França Pereira de Lacerda, açafata de D. Maria I.

Herdou de seus pais bens e honras, sendo por mercê régia, senhor dos foros da vila de Alcoutim em duas vidas. O seu pai já tinha sido guarda-roupa de D. Pedro III, Senhor da Casa do Infantado.

O 2º. Barão foi João Maria de Figueiredo de Lacerda Castelo Branco. Nasceu em 1797 e morreu em 1858, sendo filho do 1º Barão, a quem sucedeu na Casa, prazo e haveres.

Foi major de cavalaria e ajudante de campo de D. Miguel quando este era comandante do exército do reino em 1823.

Acabou por aderir à causa liberal para onde se passou.

Faleceu sem deixar descendência. (11)



NOTAS

(1) - Dicionário Ilustrado da História de Portugal [A.C.] Vol. I p. 342, Edição Alfa., 1982
(2) - Dicionário de História de Portugal (Dir. Joel Serrão) [A. De C.], Vol. III, p.316, Livraria Figueirinhas / Porto, s/d.
(3) - “Breves Anais do Palácio de Queluz”, Caetano Beirão, in Panorama, nº 5 - III Série, 1957.
(4) - História de Portugal, J. Veríssimo Serrão, Vol. V. p. 128 ,Ed. Verbo. 1980
(5) - Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.
(6) - Corografia do Algarve, 1841, p. 396
(7) - Acta da Sessão da C.M.A. de 2 de Março de 1846.
(8) - Livro mod 1-A de Registo de rendas dos prédios e juros de capitais pertencentes à Fazenda Nacional, no concelho de Alcoutim - termo de abertura de 13 de Março de 1867. - Arquivo da Repartição de Finanças de Alcoutim.
(9) – A Casa e o Estado do Infantado – 1654 – 1706, Maria Paula Marçal Lourenço, JNICT, 1995 (Vários quadros)
(10) - Dicionário de História de Portugal (Dir. Joel Serrão), Vol III, p.317.
(11) - Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

D. Carlos de Noronha, 2º Conde de Valadares e bisneto do 5º Conde de Alcoutim


Sucedeu a seu pai no título e na Casa e foi-lhe dado o nome do avô paterno.

Filho de D. Miguel Luís de Meneses, 1º Conde de Valadares e da Condessa D. Madalena Maria de Lencastre e Abranches, nasceu em Leiria a 8 de Janeiro de 1658, vindo a falecer em Lisboa a 8 de Fevereiro de 1731.

Foi gentil-homem da câmara de El-Rei D. João V e pertenceu ao seu Conselho.

Comendador de S. João da Castanheira, S. Julião de Montenegro, Santa Maria de Viade e de Santa Maria de Locores, todas Comendas da Ordem de Cristo.

Foi Veador da rainha D. Maria Sofia. Era considerado pródigo em virtudes, benemérito, ânimo bondoso e devoto.

Tinha inclinação para as letras, principalmente para a poesia, sendo um dos Presidentes da Academia dos Generosos.

[Palácio Condes de Valadares]
Casou com sua prima co-irmã, D. Maria Teresa de Lencastre, em Lisboa a 25 de Abril de 1677 de cuja união resultaram cinco filhos.

Teve como cunhados, irmãos da condessa, o Cardeal da Cunha, Inquisidor-Geral e Tristão da Cunha de Ataíde, 1º Conde de Povolide.

Viveu no seu palácio em Lisboa e jaz no Cruzeiro da Igreja de S. Francisco da mesma cidade.

Sucedeu-lhe no título o filho mais velho, D. Miguel Luís de Meneses, a quem foi posto o nome de seu avô materno, 1º Conde de Valadares.

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História Genealógica da Casa Real Portuguesa, D.António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi/Público – Academia Portuguesa da História.

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segunda-feira, 19 de março de 2012

D. Miguel Luís de Meneses, 1º Conde de Valadares, neto do 5º Conde de Alcoutim, do mesmo nome

D. Miguel Luís de Meneses era filho de D. Carlos de Noronha, Comendador de Marvão na Ordem de Avis e presidente da Mesa da Consciência e Ordens, um dos Conjurados e de D. Antónia de Meneses, filha legitimada de D. Miguel Luís de Meneses, 5º Conde de Alcoutim, seu avô materno a quem foi buscar o nome.

Nasceu em 1638, por isso, dois anos antes da Restauração.

O título criado pelo rei D. Pedro II de Portugal, por carta régia de 20 de Junho de 1702, o que veio a pôr cobro a uma longa questão jurídica encetada por D. Carlos de Noronha.

Foi acordado que ficaria pertencente do novo condado certas rendas em Leiria, sucedendo nos bens da Casa de Vila Real doadas a sua mãe pelo avô e sendo comendador de São João da Castanheira, São Gião de Montenegro e da Granja de Alpiarte, na Ordem de Cristo.

Casou aos 16 anos com D. Madalena de Lencastre e Abranches, filha herdeira de D. Álvaro de Abranches da Câmara que foi conselheiro de Estado e Governador de Armas da Província do Minho e Beira e de sua mulher D. Maria de Lencastre, filha do 4º Barão de Alvito, D. João Lobo.

Deste matrimónio nasceram seis filhos, sendo o primogénito D. Carlos de Noronha, tal como o avô, herdou o título e veio a ser assim o 2º Conde de Valadares. D. Álvaro de Abranches, nascido a 7 de Junho de 1661, foi um dos seus filhos que mais se notabilizou. Entre outros cargos, exerceu o lugar de Bispo de Leiria não tendo aceite o de Arcebispo de Évora com que D. João V o pretendeu distinguir.

No séc. XVII, o Palácio de Valadares em Lisboa estava na sua posse habitando-o com a esposa desde o casamento, tendo aí falecido em 1 de Fevereiro aos 76 anos, foi sepultado no jazigo de família no vizinho Convento do Carmo.

Neste palácio continuaram a viver os Condes de Valadares até 1755, ano em que sofreu os efeitos do terramoto e teve de ser reconstruído, obra mandada realizar pelo 6º Conde e concluída em 1785.

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segunda-feira, 5 de março de 2012

Dª. Antónia de Meneses, filha natural do 5º Conde de Alcoutim, D. Luís de Meneses

[Paço da Casa de Vila Real, em Leiria (desaparecido). Des. de A. Haupt (1886)]

Quando aqui apresentámos a pequena nota biográfica de D. Miguel Luís de Meneses, referimos, muito superficialmente, a figura de sua filha.

Dª Antónia nasceu em Ceuta quando seu pai era Capitão Geral e Governador da Praça, sendo filha de D. Maria Xuar ou Soaja, senhora nobre e castelhana pelo nascimento, filha de Tomé Lamberto, um cavaleiro de Ceuta e à qual o Duque de Caminha dava 30 000reis de tença no almoxarifado da sua vila de Alcoutim.

Afirma-se que a teria recebido clandestinamente.

Ainda que tivesse casado duas vezes, não deixou filhos desses consórcios, nomeando o título de Duque em seu sobrinho D. Miguel, filho do seu irmão D. Luís de Noronha e Meneses que veio a ser o 6º e último Conde de Alcoutim tendo pretendido que o mesmo casasse com sua filha D. Antónia o que não veio a acontecer. Isto parece ter levado a um corte de relações entre os irmãos ou seja o 1º Duque de Caminha e o 6º Conde de Alcoutim.

Devido a tais circunstâncias, deixou valiosos bens a sua filha, nos quais se incluíam, entre outros, os chamados “Bens de Leiria”.

A legitimação de D. Antónia pelo pai é feita por carta de 3 de Abril de 1634.

Filipe III faz mercê ao Duque de Caminha de poder nomear administrador das Comendas de Alpiarte e de S. Julião de Monte Negro, ambas da Ordem de Cristo, o seu genro D. Carlos de Noronha.

D. Carlos de Noronha, sendo filho terceiro, matriculou-se na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra (1590) tendo-se licenciado com elevada classificação. Foi-lhe concedida, para o efeito, por Filipe I uma tença anual enquanto frequentasse a Universidade. Entretanto passa de moço-fidalgo a fidalgo-escudeiro.

Havia-a colocado no Mosteiro de Almoster (Santarém) onde foi criada e de onde saiu para o pai a casar com o seu terceiro primo, já viúvo, D. Carlos de Noronha, (trineto por varonia do 1º Marquês de Vila Real) que foi Comendador de Marvão. Quando foi legitimada estava no Mosteiro de Santa Ana na cidade de Leiria.

Em 18 de Agosto de 1637 morre o 1º Duque de Caminha e em 21 de Setembro do ano seguinte nasce-lhe o neto D. Miguel Luís de Meneses a quem foi posto o nome do avô e que era filho de Dª Antónia de Meneses e de seu marido D. Carlos de Noronha.

D. Carlos de Noronha opôs-se judicialmente à sucessão da Casa de Vila Real invocando os seus direitos e de sua mulher, o que não teria acontecido se Dª Antónia tivesse casado com o primo e que daria lugar a ser 2ª Duquesa de Caminha.

Sendo D. Carlos considerado um reputado jurista, o processo foi-se arrastando e Filipe III não reconheceu D. Luís de Noronha como legítimo sucessor da Casa de Vila Real, ainda que fosse membro do Conselho de Estado e igualmente do concelho de Guerra (1639).

Por outro lado, a D. Miguel de Noronha não se passou carta de título de Duque de Caminha, tendo já morrido o seu tio, apesar de assim o dispor o alvará de 12 de Maio de 1635, por oposição de D. Carlos de Noronha.

Ainda que D. Carlos de Noronha tenha sido um dos conjurados, pelo que veio a exercer o lugar de Presidente da Mesa da Consciência e Ordens, Conselheiro de Estado e por inerência do cargo a Conselheiro de Guerra,a verdade é que D. João IV reconheceu D. Luís de Noronha com os títulos que pretendia e confirmou-lhe os cargos de Conselheiro de Estado e por inerência o de Conselheiro de Guerra.

Atente-se também ao facto de os incriminados terem sido julgados em tribunal próprio, precisamente o da Mesa da Consciência e Ordens.

[A chamada Casa dos Condes em Alcoutim. Foto JV]

Quanto a D. Miguel de Noronha foi-lhe dado tratamento e lugar de Duque de Caminha que lhe foi passado por carta de 14 de Maio de 1641.

Parece haver sérias dúvidas quanto à culpabilidade de D. Luís e de D. Miguel de Noronha.

Atendendo a que os bens dos nobres degolados, por terem sido considerados conspiradores, foram confiscados pelo Rei, o conflito passa agora a ser entre a Coroa e D. Carlos de Noronha que manteve o libelo até à sua morte ocorrida em 1647.

A verdade é que a Coroa depois de sentenciar a questão entrou em negociações com D. Carlos de Noronha para que desistisse da demanda sobre a sucessão da Casa de Vila Real, oferecendo-lhe, além do mais, o título de Conde de Alcoutim, com 10.000 cruzados de renda nos bens da mesma, que não foi aceite.

Isto talvez signifique que a Coroa se sentia sem a verdade total, pois se assim fosse não procuraria o acordo.

Esta questão que durou sessenta anos e que foi mantida pelo filho primogénito, D. Miguel Luís de Meneses, que recebeu por Mercê de D.Pedro II o título de Conde de Valadares em 1702 e onde lhe foi reconhecida oficialmente a sua natureza de bens de Morgado patrimonial, nos quais estavam incluídos os bens de Leiria.

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A Casa de Vila Real e a Conspiração de 1641 contra D. João IV, Mafalda de Noronha Wagner, Edições Colibri, 2007.

História Genealógica da Casa Real Portuguesa, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi/Público – Academia Portuguesa da História, Vol II.

Chancelaria de Filipe III, Livº de Perdões e Legitimações.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

Dicionário Ilustrado da História de Portugal, Publicações Alfa, 1985.

Nobreza de Portugal, Editorial Enciclopédia, Lisboa, 1960.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

D. Jorge de Lencastre, 2º Duque de Aveiro e neto do 2º Conde de Alcoutim, 3º Marquês de Vila Real, D. Pedro de Meneses

Nasceu em 1548 e faleceu a 4 de Agosto de 1578 na desastrosa batalha de Alcácer-Quibir, por isso, um jovem de 30 anos.

Era filho do 1º Duque de Aveiro, D. João de Lencastre e da Duquesa D. Juliana de Lara, filha de D. Pedro de Meneses.

Casou com D. Madalena Giron, filha do 4º Conde de Ureña, sendo irmã do importante 1º duque de Ossuna.

Desta união nasceu uma única filha, D. Juliana de Lencastre, que assim foi buscar o nome próprio à avó, D. Juliana de Lara.

Antes de receber o título e Casa de seu pai, já D.Jorge usava o título de Marquês de Torres Novas e é nessa qualidade que assistiu às Cortes de 1562 (Lisboa, menoridade de D. Sebastião, sendo eleito D. Henrique para Governador e Regedor do Reino) e de 1568, em que D. Sebastião tomou o Governo do Reino.

Após D. Sebastião ter conferenciado com Filipe II em Guadalupe e a que o Duque assistiu, acompanhou o seu rei numa viagem preparatória a África em 1574.

Igualmente embarcando com o rei na expedição saída a 15 de Julho de 1578.

No dia 2 de Agosto foram vistos ao longe os primeiros inimigos e o Rei indicou o Duque de Aveiro para ir com trezentos cavalos observá-los e reconhecer a situação e deu-lhe deu o seu próprio Guião, honraria que muito reconheceu beijando-lhe a mão e o estribo. Parece que D. António, Prior do Crato, não ficou muito satisfeito com a situação.

O reconhecimento foi feito e as informações transmitidas ao monarca que reúne o conselho de guerra para tomar directrizes.

Na batalha de Alcácer-Quibir travou-se dois dias depois, a 4 de Agosto e nela comandou um corpo de cavalaria organizado à sua custa, tomando parte na carga dada pelo próprio rei, para livrar a artilharia que os inimigos tinham quase tomado, caiu morto com muitos fidalgos.

Antes de partir para África fez o seu testamento na então Vila de Setúbal a 10 de Julho de 1578 e nele declarou como sua vontade que a sua filha única, D. Juliana de Lencastre (não tinha varões) viesse a casar, em caso de sua morte, com o primo Senhor D. Jorge, sendo esta a mesma opinião da Duquesa.

Esta situação veio originar conflitos e confusões jurídicas que se prolongaram por algum tempo, já que seu tio, D. Álvaro de Lencastre, se julgava com direito ao título.

Tendo afirmado continuadamente que não casaria com o tio, veio a fazê-lo em 1588.

Filipe II pôs fim a este negócio informando D. Juliana que tinha determinado que casasse com seu tio D. Álvaro, não o fazendo deixaria de ser Duquesa de Aveiro.

Com o sim de D. Juliana o rei cumulou o casal com novas doações.

Em breve passaram a entender-se vivendo sempre em recíproca e estimada união, tendo deixado numerosa descendência.

D. Juliana sobreviveu-lhe dez anos tendo falecido em 23 de Agosto de 1636, jazendo com o marido na Igreja de Nossa Senhora da Arrábida.



[Ruínas do Palácio dos Duques de Aveiro em Azeitão. Retirado com a devida vénia de http://ruinarte.blogspot.com]

Em Azeitão, então considerado um lugar de veraneio, foi construído pelos anos de 1521 / 1537 sobre os alicerces de uma casa contígua ao Convento de S. Domingos, um sumptuoso palácio, edifício dos melhores exemplares de arquitectura renascentista portuguesa, de inspiração italiana e de grande envergadura.

A casa de Aveiro foi uma das mais ricas em bens, direitos e honrarias em Portugal.

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História Genealógica da Casa Real Portuguesa, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi/Público – Academia Portuguesa da História, 2007
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Portugal, Dicionário histórico (Transcrição de Manuel Amaral)
http://ruinarte.blogsopt.com

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

D. António de Ataíde, 1º Conde de Castro Daire e neto do 2º Conde de Alcoutim

Foi segundo filho varão do 2º Conde de Castanheira e de D. Bárbara de Lara. O primogénito, D. Manuel de Ataíde herdou o condado de Castanheira e a sua Casa.

Devido aos grandes serviços prestados mereceu de Filipe III que o fizesse Conde de Castro Daire em 1625.

Acabou por suceder ao sobrinho, D. João de Ataíde, 4º Conde de Castanheira, que faleceu em 14 de Setembro de 1637, por este não ter deixado descendentes, ainda que tivesse casado duas vezes.

Pertenceu ao Conselho de Estado e foi um dos Governadores do Reino em 1631.

Depois de Capitão-mor das Naus da Índia foi General da Armada de Portugal.

Foi embaixador de Filipe III a D. Fernando II. Mordomo-mor da Rainha e Presidente da Mesa da Consciência e Ordens.

Além dos Bens e Privilégios que herdou da Casa de Castanheira pois sucedeu a seu sobrinho, usando, por isso, o título de 5º Conde, pelo seu casamento com D. Ana de Lima, Senhor de Castro Daire e dos lugares de Paiva, Baltar, Cabril e outros.

D. Ana de Lima era filha herdeira de D. António de Lima, Senhor de Castro Daire, Alcaide-mor de Guimarães e de D. Maria de Vilhena, sua mulher, filha de Cristóvão de Melo, herdeiro da Ilha de S. Tomé.

Foi Alcaide-mor de Guimarães.

Estudou Latim, Filosofia e “poetou” não deixando neste campo obra de merecimento segundo os seus biógrafos.

Traduziu para português um tratado de Séneca.

Quando foi General da Armada, perdeu-se a Nau da Índia Nossa Senhora da Conceição, queimada pelos inimigos e imprimiu em 1621 uma resposta sobre os acontecimentos. Fez igualmente um diário quando foi em missão à Alemanha em 1628.

Morreu em Lisboa já idoso a 14 de Dezembro de 1647 quando já governava D. João IV e foi sepultado na capela-mor de S. Francisco, jazigo da casa de sua mulher.

O curriculum deste neto de D. Pedro de Meneses, 2º Conde de Alcoutim e 3º Marquês de Vila Real, parece ser bem superior ao do irmão que foi 3º Conde de Castanheira.

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História Genealógica da Casa Real Portugueza, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi/Público – Academia Portuguesa da História.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

Brasões da Sala de Sintra, Anselmo Braamcamp Freire, 1927

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sábado, 4 de fevereiro de 2012

D. Manuel de Ataíde, 3º Conde de Castanheira, neto do 2º Conde de Alcoutim

Pequena nota

Depois de uma série de textos que publicámos na imprensa regional, em livro ou neste espaço, encontrámos motivos para voltar ao assunto.

Já referimos em conjunto ou separadamente os netos dos 1º Condes de Alcoutim, iremos hoje referir um dos seus bisnetos para o qual nada encontrámos para referir no campo das armas ou das letras. Parece-nos que foi uma figura relativamente apagada e que viveu dos pergaminhos que recebeu dos seus antecessores.

JV

D. Manuel de Ataíde era filho de D. António de Ataíde, 2º Conde de Castanheira e de D. Bárbara de Lara filha de D. Pedro de Meneses, 2º Conde de Alcoutim, possivelmente dos 6 deste título o que deixou maiores referências a nível cultural e de armas, entre outras.

O título foi-lhe confirmado em 12 de Março de 1603 por Filipe II.

Casou com D. Maria de Noronha filha de D. Diogo de Sousa, Capitão de Sofala, governador do Algarve e General da Armada, acompanhou a África D. Sebastião e pertenceu ao Conselho de Estado e de sua mulher, D. Catarina de Atouguia.

Enviuvando casou com a sobrinha D. Guiomar de Vilhena, filha de sua irmã D. Ana de Ataíde, não tendo havido geração desta ligação.

Tinham como irmãos D. António de Ataíde, 1º Conde de Castro Daire, D. Jorge de Ataíde, Governador de Ceuta (sempre Ceuta nos horizontes dos Meneses) e três irmãs, D. Leonor, Joana e Juliana que foram freiras no Mosteiro de Castanheira fundado pela família.

Foi detentor dos senhorios e morgados, bem como do título da Casa de Castanheira.

Foi Senhor da Vila de Povos e Cheleiros e Comendador de Longroiva.

Dos cinco filhos que teve do 1º casamento sobreviveu-lhe D. João de Ataíde que lhe sucedeu no título e na Casa, sendo, por isso, o 4º Conde de Castanheira.

Interessante a sentença desfavorável que perdeu em demanda com Francisco Correia, devido à restituição de um dote.

"SENTENÇA EM FAVOR DO SENHOR FRANCISCO CORREIA CONTRA O CONDE DA CASTANHEIRA D. MANUEL DE ATAÍDE E SEUS FILHOS PROFERIDA NA CAUSA EM QUE PEDIAM A RESTITUIÇÃO DO DOTE DA SENHORA D. BRANCA DE VILHENA QUE CASOU COM O SENHOR MANUEL CORREIA, DE QUE FICOU ABSOLUTO DE PAGAR PELA VILA DE BELAS POR SER CABEÇA DE MORGADO INSTITUÍDO PELO SENHOR RODRIGO AFONSO E SEU FILHO O SENHOR PEDRO CORREIA"

Naturalmente que esta casa condal estava afecta ao poderio dos Filipes.

Este título tem a ver com o lugar de Castanheira, hoje vila de Castanheira, entretanto do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira.

Nos séculos XII e XIII Castanheira fazia parte do termo de Povos. Sendo o título de vila concedido por D. Afonso V, por carta de 1452.

O foral novo foi concedido em 1510 e os séculos XV e XVI foram marcados pelo poder dos Ataíde.

O título de Conde de Castanheira foi outorgado por D. João III por carta de 1 de Maio de 1532.

O concelho de Castanheira, entretanto criado, extinguiu-se em 1837, tendo sido o pelourinho (símbolo do poder municipal) apeado em 1845.

Voltou a ser vila em 1985.

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História Genealogica da Casa Real Portugueza, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi/Público – Academia Portuguesa da História

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

Brasões da Sala de Sintra, Anselmo Braamcamp Freire, 1927

Wikipédia, a enciclopédia livre

http://www.gneall.net

Portugal – Dicionário histórico, Edição José Romano Torres, 1904-1015 – transcrito por Manuel Amaral.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Efeméride - Passam hoje 370 anos sobre a morte do último Conde de Alcoutim



Foi a 29 de Agosto de 1641 que foi executado no Rossio, aos 52 anos de idade, o 6º e último conde de Alcoutim (7º Marquês de Vila Real), D. Luís de Noronha e Meneses, filho do 4º Conde e irmão do 5º e casado com D. Juliana de Meneses, filha de D. Luís de Meneses, 2º Conde de Tarouca.

A condenação deu-se por alegadamente estar implicado numa conspiração para derrubar o Rei Restaurador, D. João IV.

Os seus bens foram confiscados e incorporados na Casa do Infantado, criada por alvará de D. João IV, de 11 de Agosto de 1654, a favor dos filhos segundos dos nossos monarcas.

Ainda que tivessem existido algumas ligações sanguíneas entre as Casas de Bragança e a de Vila Real, as duas maiores do País em nobreza e bens, possivelmente por isso existia grande rivalidade pelo domínio político e económico.

Chegaram a travar-se pequenas batalhas entre os criados das duas Casas Senhoriais

Aquilo que fomos lendo em vários trabalhos históricos é muito semelhante parecendo-nos ser o politicamente correcto.

Em trabalho recente foram apresentadas outras hipóteses interpretativas após pesquisas efectuadas em vários arquivos.

É fácil calcular que os bens confiscados a esta Casa constituíram um suporte económico importante para a manutenção da independência do país.

Ainda que o título de Conde de Alcoutim tivesse sido oferecido a D. Carlos de Noronha que pertenceu à lista de conjurados e que se encontrava em litigio jurídico com o 6º Conde em representação de sua mulher, D. Antónia de Noronha, nascida em Ceuta e filha que pretendia ser legítima do 5º Conde, D. Miguel Luís de Meneses, este não o aceitou.