quarta-feira, 17 de outubro de 2012

D. Francisco de Noronha, 2º Conde de Linhares (Antigo) e primo do 2º Conde de Alcoutim


Filho do 1º Conde de Linhares devia ter nascido por volta de 1507.
Sucedeu-lhe na casa e no título por renúncia de seu irmão mais velho, D. Inácio de Noronha.
 
Comendador de S. Martinho, do Bispado de Coimbra da Ordem de Cristo, Embaixador de D. João III a França no ano de 1540.
 
Foi mordomo – mor da Rainha D. Catarina.
 
Casou com D. Violante de Andrade, dama da Imperatriz D. Isabel. O casamento devia ter-se realizado em 1535, pois D. João III confirmou o contrato que teve lugar cinco anos antes e nessa altura D. Violante tinha apenas oito anos. O contrato recebeu o beneplácito de D. António de Noronha, Conde de Linhares e de D. Pedro de Meneses, Marquês de Vila Real.
 
D. Violante, que se julga ser cristã-nova, era filha de D. Fernão Álvares de Andrade, fidalgo da Casa Real, Conselheiro e Tesoureiro-.Mor do Rei, Cavaleiro da Ordem de Cristo, fundador do Mosteiro da Anunciada, da Ordem de S. Domingos e de D. Isabel de Paiva, filha de Nuno Fernandes Moreira, escrivão da Câmara de Lisboa e teria recebido avultados dotes.
 
Teve uma vida exemplar e faleceu a 13 de Junho de 1574, encontrando-se sepultado em Xabregas numa caixa de mármore no vão do altar-mor. Quarenta e seis anos após a sua morte, o seu corpo foi encontrado “inteiro, incorrupto e flexível pelo que foi posto nessa caixa em 1619, como refere o epitáfio.
 
Parece ter sido amigo de Camões.
 
Do casamento resultaram 13 filhos, entre os quais D. Fernando de Noronha que lhe sucedeu no título.
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História Genealógica da Casa Real Portuguesa, António Caetano de Sousa, Edição QuidNovi / Público, Academia Portuguesa da História, (fac similada),  Vol V, 2007

Dicionário Ilustrado da História de Portugal, Edição Publicações Alfa, Vol. I p. 388, 1982

Wikipédia, a enciclopédia livre

Portugal – Dicionário Histórico (transcrito por Manuel Amaral) Vol. IV, p.213, Edição de João Romano Torres

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O burro, precioso auxiliar para a sobrevivência do povo alcoutenejo



Burra de Afonso Vicente
Como as coisas mudam quase sem darmos por isso!

Na década de 60 do século passado e mesmo na primeira parte da seguinte, no concelho de Alcoutim e em muitos outros do país, o burro ainda fazia parte de toda uma organização familiar rural como peça indispensável para a obtenção da sobrevivência do núcleo familiar constituído de uma maneira geral por prole dilatada. Ao núcleo original juntavam-se quase sempre os avós de um lado ou de outro quando já não podiam trabalhar. A existência de um idoso tinha grande importância no equilíbrio familiar, onde a sua presença impunha respeito e o seu conhecimento da vida era transmitido aos netos em estórias, parábolas, regras de conduta ou conhecimentos empíricos.

Estávamos no final do ciclo, pois a debandada dos montes dos jovens e homens em idade de trabalho já se tinha iniciado para as cinturas industriais de Lisboa e Setúbal a que se seguiu o litoral algarvio com o desenvolvimento do turismo, que ia recrutando os braços de que careciam.

Ao recuarmos no tempo (o concelho de Alcoutim foi aumentando de população até meados da década de 50 do século passado) ainda é mais notória a ajuda dos animais de carga e sela, com destaque para o burro, pois tratava-se do parente pobre dos equídeos, com vantagens para a sua fácil adaptação a terrenos ásperos, ao seu preço e manutenção mais acessíveis.


Burro das Ferrarias
A agricultura de subsistência praticada no concelho de Alcoutim onde as máquinas não podiam chegar por inúmeros motivos como económicos, vias de comunicação e acidentado terreno, entre outros.

Poucas eram as pessoas que não se dedicavam à agricultura de subsistência e isto em terrenos pobres como são os do concelho de Alcoutim constituídos à base de xisto.

O burro tinha várias funções. Como animal de sela transportava as pessoas aos sítios mais inóspitos devido à sua rijeza de unha. Levava as pessoas onde necessitavam de fazer os trabalhos ou a qualquer outro sítio onde precisavam de se deslocar, ao monte vizinho, à aldeia ou à vila. A existência dos rossios, espaços comunitários, possibilitava o seu “estacionamento” e onde existia quase sempre algo para o animal comer.

A “estalagem” na vila ou em Martim Longo destinava-se a gente mais endinheirada.

Os poços comunitários dos montes ficavam quase sempre um pouco afastados, pois enquanto os edifícios se situavam numa posição cimeira, estes ficavam nos vales onde beneficiavam das toalhas freáticas, facilitando assim a existência do precioso líquido, indispensável à manutenção do ser vivo.

Burra com cangalhas
Era ao burro que competia transportar a água desse local às residências, o que acontecia quase sempre a subir. Para o efeito eram apetrechados de cangalhas de ferro ou de madeira, para transportar os cântaros de barro ou de folha zincada.

Esta tarefa não era fácil e a água merecia uma atenção muito especial, não se podendo desperdiçar uma gota, tanto pelo trabalho que dava em obtê-la, como na sua escassez se se praticassem consumos exagerados, o que podia levar à sua falta, o que por vezes acontecia proporcionando grandes complicações e isto quando os anos vinham extremamente secos.

Quem possuía várzeas (localmente varjas) junto ao rio (Guadiana) ou às ribeiras (Vascão, mais escassas, Foupana, Odeleite e Cadavais ou junto a um barranco, inúmeros no concelho, procurava fazer lá um hortejo onde podia cultivar alguns mimos hortícolas indispensáveis à sua manutenção.

As várzeas do Guadiana eram ubérrimas, pelo que existiam proprietários que residiam a bastantes quilómetros de distância, mas que isso não os impossibilitava de as trabalhar.

Eram novamente os burros que transportavam os produtos lá criados, como marmelos, romãs, uvas (em zandilhas), figos, abóboras, batatas, couves, alhos, tomates, feijão e tudo o que lá colhiam. Sendo as distâncias longas, no Verão, aproveitavam para permanecer lá vários dias aplicados nessas tarefas, já que a dormida estava facilitada.

Também era este útil animal que transportava ensacada a azeitona que o proprietário colhia ora junto ao rio ora pelos cerros e barrancos onde existiam as oliveiras todas provenientes do enxerto em zambujeiros, acontecendo o mesmo em relação às amêndoas.

Outra das missões que lhe competia era o transporte do estrume para enriquecimento das terras e que era feito em gorpelhas. Quando se precisava de areia para qualquer construção era obtida junto dos barrancos e transportada por estes animais em gorpelhas e muitas vezes nisto havia a colaboração de familiares e vizinhos com vários animais para fazer face, rapidamente, às necessidades.

Mas não fica por aqui a preciosa acção do burro na vida alcouteneja de outros tempos. O lavrar da terra para as sementeiras era tarefa que lhe estava destinada e normalmente utilizada em parelha, mas também em carramate, puxando primeiro o arado de madeira e depois a charrua.

Ainda mais, o seu trabalho continuava pois após a ceifa tinha de acarretar para a eira os molhos do cereal para se proceder à debulha que tinha de se efectuar pisando circularmente a espiga de trigo que o homem completava com o auxílio do vento, já que as eiras se situavam, por isso mesmo em sítios elevados.

Também tinha de transportar a palha para o palheiro que era metida através do boqueirão e os sacos de trigo para o celeiro.

Quando era necessário farinha para cozer a amassadura semanal, lá tinha que ir o burro até ao moinho mais próximo, de vento ou de água, levar o saco de trigo para transformar em farinha.

Os agricultores tinham o número de burros conforme as suas necessidades e posses e muitas vezes possuíam gado muar. Este gado era bem mais poderoso e tinha origem no cruzamento de um burro com uma égua ou de um cavalo com uma burra e adquiriam características dos seus progenitores. Até nisto o burro era necessário.

Jumento, jerico e asno são outros nomes que lhe dão, mas no concelho de Alcoutim só lhe ouvi chamar burro.

Burra da Preguiça
A sua origem parece estar ligada ao Egipto e é desde tempos imemoriais utilizado nas tarefas agrícolas e para transporte. Dizem os entendidos que teria surgido na Europa no quinto milénio antes de Cristo tendo-se expandido por todo o continente.
Apesar da sua origem ter lugar em regiões semidesérticas, adapta-se bem a outras condições climatéricas e a vários tipos de terreno. É um animal que gosta de companhia mesmo de outras espécies. Sofre quando está sozinho.

Palha, feno e ração constitui a base da sua alimentação, com reforço natural em épocas de maior trabalho. Água limpa e abundante.

As refeição devem ser ministradas duas a três vezes por dia.

A arramada é o seu lugar de recolha e abrigo.

Requer cuidados com o tratamento dos cascos sendo necessários nestes terrenos a colocação de ferraduras e daí o grande número de trabalhadores nesta arte.

Além das feiras locais, principalmente na de S. Marcos, na aldeia do Pereiro, os alcoutenejos desde tempos recuados procuravam as afamadas feiras de gado do Baixo-Alentejo com destaque para a de Almodôvar, Castro Verde, Garvão e Aljustrel para efectuarem as suas transacções. A Câmara de Alcoutim chegava a adiar as suas sessões quando coincidiam com estes eventos.

É preciso atender que a circulação destes animais estava sujeita a uma licença de imposto de trânsito, paga adiantadamente e que tinha lugar durante o mês de Janeiro. Os animais de carga e sela de raça asinina, como era o caso, pagavam por ano 15$00 e se optassem pelo pagamento semestral era de 10$00 cada.

Quem tivesse terrenos agrícolas podia requerer a isenção em papel comum e no caso de ser aceite tinham de adquirir um cartão-impresso que custava 2$50 (Título de isenção de imposto de trânsito) que servia para vários anos desde que fosse regularizado anualmente na Repartição de Finanças. Se a memória não nos falha, isto foi abolido durante o Governo de Marcelo Caetano.

Primeiro a desertificação do concelho depois a mecanização da agricultura e o desenvolvimento das vias de comunicação e dos transportes retiraram utilidade aos asininos, encontrando-se em vias de extinção em muitas zonas do país, sendo Alcoutim uma delas.

Burra das Madeiras
Se existem montes em que já não há vivalma, há muitos em que ainda há gente mas os burros desapareceram.

Se a maior parte dos idosos já sente dificuldade em tratar de si, muito menos seria capaz de tratar de burros que já não lhes servem para nada.

Há, já nos esqueciamos, os idosos contrariamente ao que muitos possam pensar, estão capazes de fazer um pezinho de dança e requisitam um “tocador” de corridinhos e outras músicas mexidas!

Em 1979 segundo estatísticas oficiais, no concelho de Alcoutim ainda existiam 1139 burros, ocupando no Algarve a 4ª posição, pois Loulé tinha 1540, Tavira 1520 e Silves 1428. (1)

Actualmente não sabemos mas calculamos que o seu número não ultrapasse 200.

Naturalmente que os burros têm de acabar primeiro do que as pessoas.

Como é que os alcoutenejos de antanho conseguiriam sobreviver sem o auxílio precioso do burro?
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NOTA

(1) – “Um ex-libris” da região: Burro algarvio caminha para a extinção?”, José Lança, Jornal do Algarve de 13 de Fevereiro de 1986. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Coisas Alcoutenejas - A barca de passagem


PUBLICADO NO JORNAL DO ALGARVE DE 27 DE JANEIRO DE 1994 – (MAGAZINE)
 
O assunto de hoje não vai ser longo mas pensamos merecer uma abordagem ainda que já lhe tivéssemos feito uma leve referência noutra circunstância. (1)

A navegação fluvial ao longo do curso de água ou na sua travessia, desempenhou até fins do século XIX importante papel no sistema de transportes, tanto por falta de estradas como e ainda mais, de pontes.

O encargo e o benefício da travessia dos rios competia, de uma maneira geral, a autoridades locais que os arrendavam a barqueiros ou tinham estes como seus empregados.

Pela utilização da barca, pagava-se, além do serviço, um imposto que revertia a favor da entidade a quem tinha sido concedido esse privilégio. Todos estes impostos cobrados por particulares foram extintos em 1832, pelo liberalismo, permanecendo o pagamento do serviço.

São muitos os topónimos que tiveram por origem esta função, como é o caso de Ponte da Barca, vila cabeça de concelho do distrito de Viana do castelo.

Alcoutim, como povoação ribeirinha que é, teve a sua barca de passagem para Sanlúcar. É naturalmente sobre ela que nos vamos debruçar.

A referência mais antiga que conhecemos desta “barca”, é-nos dada pelo foral manuelino de 20 de Março de 1520, com capítulo próprio intitulado “BARQUA” e que reza assim:

E tem ho senhorio a barqua da dita villa de passagem pêra Castela, a saber, de vezinho da villa da hida e vinda per sua pessoa sem besta meo Real E aos de fora dous Reaes e se levarem bestas com mercadorias paga ho vezynho dous Reaaes E o estrangeiro quatro Reaes e nam se leva mais polla mercadoria Pêro se foram bastas vazias as pagarão ametade da dita contia segundo geralmente nas semelhantes barcas se manda pagar E quanto aos direitos que se na dita bar e passagem devem de pagar das mercadorias e cousas que  vam pêra castellad declaramos que sejam aquellas que soomente no dito lugar se mandam pagar de compra e vemda per este foral segundo em todallas outras partes do Regmo ho mandamos fazer E or emtrada pagarão em tudo como em tavilla.

E posto que o dito foral de tavilla aquy mandamos dar nam he nossa tenção poeremsse aquy nem levarem as cousas e direitos das alfandegas e da foz do mar por nam aver ho direito das ditas cousas neste lugar E per comsegujnte nom se deverem hy de pagar.

Alcoutim. Cais Velho e Cais Novo. 1965
Como se vê pela leitura feita são fixadas algumas regras para o funcionamento da “barca de passagem”, algumas delas que se mantiveram durante séculos, com as actualizações indispensáveis.

A nossa pesquisa só nos forneceu dados sobre a segunda metade do século XIX.

No auto de arrematação da renda da barca de passagem desta vila para Sanlúcar, para o ano de 1853/54, é referido que além das condições até à altura reguladas, o arrematante era obrigado a passar gratuitamente o médico desta vila para Sanlúcar.

Acontecia que devido a factores estranhos como as cheias e o fecho de fronteira por epidemias, os barqueiros eram impedidos temporariamente de exercer a sua actividade com os prejuízos daí inerentes.

Em 1857/58 esse facto é referido no auto pelo que seria abatido na renda qualquer tempo que os portos estivessem fechados.

No ano seguinte nova cláusula é introduzida. O barqueiro tinha de passar gratuitamente o médico no caso dele ter a sua residência em Sanlúcar.

Em 1866/67, as condições eram as seguintes:

“1ª – Deve largar do porto logo que tenha barcada completa, isto é, que haja quatro pessoas a passar ou que uma se responsabilize pelo pagamento dos quatro;

2ª – Não deve levar mais de cinco réis às pessoas da vila, dez às da freguesia e vinte aos de fora dela;

3ª – Pela passagem de cavalgaduras levará por cada uma oitenta réis, incluindo a carga e condutor; quando porém a bagagem exceda o peso de quinze quilos, levará mais cinco réis por cada quinze quilos que excedam;

4ª – É obrigado a conduzir gratuitamente qualquer ofício desta para aquela banda e bem assim a ir, seja a que hora for, a Sanlúcar, quando a necessidade o obrigue, sem que pelo seu trabalho possa exigir mais que oitenta réis;

5ª – É obrigado a passar com a água de monte quem quiser ir àquele lado, levando contudo barcagem dobrada e só poderá levar ajuste, quando a cheia monte o cais;

6ª – Finalmente, é-lhe concedido, querendo, levar aos espanhóis o mesmo que pelo barqueiro espanhol se exige dos portugueses.

Francisco Maria Xavier, o barqueiro em 1890/91, além das condições já referidas, tinha de passar gratuitamente o médico quando viesse de serviço da sua profissão, a esta vila.

Primeiro, foi o médico de Alcoutim que ficou “isento” de barcada quando fosse a Sanlucar, depois foi o médico de Alcoutim, com residência em Sanlucar (o que aconteceu várias vezes) e por fim o médico de Sanlucar quando viesse a Alcoutim em serviço da sua profissão.

Sanlúcar. Cais. Foto JV, 1986

O último auto de arrematação que conhecemos, é o do ano de 1893/94.

Sabemos que a fronteira esteve aberta até à Guerra Civil de Espanha, fechada em 1936, segundo de diz, por imposição de Franco.

Desde que conheço Alcoutim, houve sempre barca de passagem, não oficial, mas “autorizada”. Há sempre um barqueiro que merece a confiança das autoridades locais, nomeadamente fiscais e administrativas.

Para terminar, apresentamos um quadro de arrematantes da “Barca de Passagem para Sanlucar” com alguns elementos que pensamos de interesse.

 
QUADRO
ANO
NOME
VERBA EM RÉIS
1849
?
30.000
1850/51
António da Palma
9.700
1851/52
António da Palma
25.000
1852/53
António da Palma, da vila
20.020
1853/54
António da Palma, da vila
18.050
1854/55
Gaspar Peres
44.000
1855/56
Gaspar Peres
10,050
1856/57
António da Palma
30.500
1857/58
Sebastião Peres, da vila
16.000
1758/59
Sebastião Peres, da vila
12.100
1859/60
Sebastião Peres, da vila
10.000
1860/61
Sebastião Peres, da vila
10.050
1861/62,
Sebastião Peres, da vila
12.000
1862/63
Sebastião
12.100
1863/64
Sebastião Peres, da vila
14.200
1864/65
?
=
1865/66
Sebastião Peres, da vila
12.020
1866767
Sebastião Peres, da vila
12.700
1867/68
Sebastião Peres, da vila
25.000
1868/69
João Pedaço, da vila
39.500
1869/70
João Pedaço, da vila
45.000
1870/71
João Pedaço, da vila
48.000
1871/72
João Gonçalves
45.000
1872/73
João da Encarnação (seis meses porque faleceu João Gonçalves
 
1873/74
Sebastião Peres, da vila
41.000
1874/75
Sebastião Peres, da vila
50.000
1875/76
Francisco Xavier
40.500
1876/77
António Marques, da vila
55.000
1877/78
António Marques, da vila
62.000
1878/79
António Marques, da vila
24.500
1879/80
João das Neves
21.500
1880/81
António Marques
55.000
1881/82
António Marques
25500
1882/83
António Marques
18.500
1883/89
?
 
1889/90
José Joaquim, da vila
5.100
1890/91
Francisco Maria Xavier
24.100
1891/92
Francisco Maria Xavier
17.800
1892/93
José Domingos Rodrigues
24.600
1893/94
José Domingos Rodrigues
15.020

NOTA

(1)     Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio… 1985, pág. 29

domingo, 14 de outubro de 2012

Crónicas e Ficções Soltas - Alcoutim . Recordações - XXXVII


 
Escreve
 
Daniel Teixeira
 

 
  
AS CILHAS

Por vezes posso dar a impressão que partilho daquela ideia citadina de que os montanheiros trabalham pouco (ou quase nada, nalgumas afirmações) porque quando vamos a uma aldeia ou Monte um pouco antes da hora do almoço e logo depois desta hora os encontramos normalmente sentados nos poiais das suas casas, ou no caso também nos poiais das tabernas, isto sobretudo no Verão que é quando o pessoal se aventurava a andar por lá de carro.

Os caminhos de terra batida eram muitas vezes autênticos lagos no Inverno, a visão do estado da estrada por debaixo do lençol de água era necessária e não a havia e era frequente entre covas e pedras haver uma porradas valentes na parte de baixo do carro que mesmo blindados não chegavam para as encomendas. Ainda amolguei uma dessas chapas uma vez, mesmo indo a passo de boi e era uma chatice maior porque não havia material para as endireitar (prensas) provisoriamente e acabavam por ficar a ferir as partes interiores do material mais sensível que essas chapas tinham por função proteger.

Por isso, e não só, no meu caso, as viagens eram feitas sobretudo em período fora das chuvadas o que apanhava muitas vezes o pino do Verão e era então que encontrávamos o pessoal todo abrigado da calma, à sombra ou mesmo dormindo a sesta o que podia ter lugar em qualquer lado que não nos entortasse muito as costas. Os poiais eram o supra sumo da soneca, com largura a jeito e comprimento a gosto, com as mãos atrás da cabeça a fazer de travesseiro era uma categoria mesmo.

Bem, como já escrevi noutras crónicas o pessoal nestas alturas levantava-se extremamente cedo, por vezes faziam-se a caminho ainda de noite de forma a chegar ao alvorecer às hortas e quando se chegava lá ou pelo caminho tinha-se oportunidade de sentir e ver por vezes uma variedade grande de bicharada «exótica», desde os fugidios coelhos aos não menos assustadiços furões. Para cobras ainda era cedo mas havia por lá autênticas pitons que embora não estivessem ali senão a tratar da sua vida eram um pouco assustadoras e bem camufladas nas suas cores que quase as pisávamos.

Bem, mas era de cilhas que eu ia falar e fiz esta introdução longa porque vou escrever duas ou três linhas sobre aquilo a que eu chamava de cilhas eternas. A cilha, como sabem, serve para apertar as albardas ou as selas na zona da barriga dos animais que têm ainda a esperteza de se encher de ar antes que façamos o aperto de forma a ficarem menos apertados depois. Por vezes era uma guerra, porque cilha apertada largo pode resultar no escorregar da albarda e num tombo que naquelas terras cheias de pedras não era nada agradável ou era mesmo perigoso.

Pois bem, embora a função da tecedura estivesse por norma entregue às mulheres, eram os homens que faziam as cilhas para os seus animais. Tinham um rectângulo empinado num canto de uma casa (um mini tear vertical - tipo bastidor), com os fios devidamente alinhados e cruzados em posição de tear e um rodo manual (tudo isto tem nome próprio que não me lembro) que fazia o aperto das linhas. Passava-se a linha, dava-se umas porradas para acalcar e voltava-se a passar a linha para o outro lado e assim sucessivamente.

O processo de cruzamento das linhas (fios de linho grosso) era obtido por um paciente trabalho de colocação dos fios em duas linhas apontando para duas travessas colocadas na base e no topo do rectângulo em linha de dois que depois se fazia cruzar pelo manuseamento das barras do bastidor aparecendo estas duas linhas de cruzamento sempre na posição inversa à primeira passagem, um género de «x» multiplicado a cada passagem do cordão horizontal. Pode parecer complicado aqui escrito mas era fácil o processo, o mais chato e demorado era enfiar os fios um a um para fazer a vertical.

A minha experiência pessoal diz-me que este «assim sucessivamente» dito acima era muitas vezes no género do falar algarvio que tanta piada tem: «já agora logo amanhã»: por isso eu lhes chamava de cilhas eternas. De quando em vez o patrão da casa dava duas ou três gaitadas no tear por dia e a cilha ia-se fazendo. Só quando a cilha em utilização nas bestas começava a dar sinais de desfiamento é que o processo era acelerado, mas é preciso ver que uma cilha dura pelo menos um ano. Por isso em cada casa de entrada havia um tear destes com a respectiva cilha em execução que ali ficava o ano inteiro, que eu me lembre. e quando se acabava uma voltava-se a colocar a aparelhagem em ordem para a próxima que se começava a fazer desde logo ao mesmo ritmo.

Claro que fazer outras coisas, mantas por exemplo, que eram muito usadas as mantas de lã mas também as de retalhos, isso era trabalho de tear completo e no Monte de Alcaria Alta talvez houvessem dois ou três no máximo e ai o trabalho já não era eterno não senhor, embora historicamente a maior fazedora de «cera» no tear tenha sido a Penélope. Ao pé dela os tecelões de cilhas que conheci seriam considerados extremamente rápidos...

sábado, 13 de outubro de 2012

Festival Nacional do Figo-da-Índia


Como oportunamente aqui anunciámos teve lugar em Portimão, no passado dia 6 o Festival Nacional do Figo-da-Índia, evento da responsabilidade da APROFIP – Associação dos Produtores / Profissionais de Figo da Índia Portugueses que contou com a valiosa colaboração da Escola de Hotelaria Turismo de Portimão, local onde teve lugar.

No concurso participaram 12 profissionais de hotelaria nas categorias de Gastronomia / Pastelaria e Cocktails, tendo os mesmos apresentado as suas receitas, as quais foram avaliadas por um Júri de elevada idoneidade.

O evento contou com a presença de muitos associados e de várias dezenas interessados pela temática “Figo-da-Índia”.

O Presidente do Município de Portimão, o Director Regional-Adjunto da DRAPAlg, o Eng. Castelão Rodrigues e outras individualidades ligadas a vários sectores de actividades, quiseram estar presentes, associando-se assim ao sucesso desta iniciativa da APROFIP.

A todos que, de uma maneira ou outra, contribuíram para a realização e sucesso deste evento, queremos aqui deixar o nosso Agradecimento.

Apresentamos seguidamente a lista classificativa.

 
Reportagem fotográfica