terça-feira, 9 de Março de 2010

O candeeiro a petróleo


Esta peça utilitária foi muito usada até meados do século passado nos meios rurais então bastante habitados e onde a energia eléctrica não passava de uma miragem. À vila de Alcoutim só chegou em 1965!

Ao restante concelho só foi trazida depois do 25 de Abril!

Estes candeeiros que se compõem de “pé”, “cabeça” e “chaminé”apresentam por vezes formatos diferentes, havendo mesmo os que não têm pé, começando logo no depósito no qual existe uma argola em vidro por onde se pega. Ainda que o tamanho mais vulgar seja aquele que a foto apresenta, há-os maiores e mais pequenos. O vidro é normalmente transparente o que facilita ver o abastecimento que possui e o tamanho da torcida, também os há de cor, nomeadamente azuis, verdes e vermelhos.

Tanto o pé como a chaminé são de vidro e há variadíssimos motivos decorativos no pé, que inclui o depósito. As chaminés são praticamente iguais, com pequenas diferenças na parte superior.

Estes candeeiros vieram substituir as candeias de azeite e as pessoas sentiram uma grande diferença na iluminação das casas onde se utilizavam, já que trazê-los para a rua originava pela diferença de temperatura, a quebra da chaminé.

O borrão que formava a torcida tinha de ser frequentemente cortado para que existisse uma melhor luz e havendo a tarefa diária de limpar a chaminé que se tisnava com facilidade, principalmente se a torcida não estava limpa.

A melhor maneira de limpar a chaminé era fazê-lo com papel de jornal.

Além disso, a cabeça que é de metal devia ser limpa com frequência reluzindo o amarelo.

Após a chegada da electricidade são arrumados nos armários para servirem apenas quando falte a luz e os poucos que existem têm essa função; contudo, há quem tenha feito a substituição por simples velas de estearina e noutros casos por práticos candeeiros a gás, é o que aconteceu ao exemplar que se apresenta, adquirido há 41 anos em Alcoutim, no estabelecimento comercial dos pais do colaborador deste blogue, Amílcar Felício.